sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Muito Barulho por Nada

Muito Barulho por Nada (Much Ado About Nothing) EUA, 13. Direção de Joss Whedon. Preto e Branco. Baseado em Shakespeare. 109 min.Com Amy Acker, Alexis Denisof, Nathan Fillion, Clark Gregg, Frank Kranz, Jillian Morgese, Sean Maher, Spencer Treat Clark.

     Fico espantado com a devoção dos fãs do diretor Joss Whedon, que arrebanhou um grande numero de admiradores por causa de suas series de teve nem sempre bem sucedidas: Buffy, a Caça Vampiras, Firefly, Angel,Dollhouse, além do ocasional roteiro (Toy Story I, Alien a Ressurreiçao) e blockbuster (The Avengers). Num intervalo de filmagem ele resolveu filmar com seu próprio dinheiro e em sua própria casa em Santa Monica, em segredo (só se soube do filme quando ele foi completado em 12 dias, por sugestão de sua mulher Kai Cole, diretora de arte do filme (em vez de viajarem para comemorar os 20 anos de casamento resolveram rodas o filme com seus amigos que estiveram em series anteriores). Rendeu de bilheteria mais de 4 milhões, bastante para um projeto tão pessoal.

     Porque admiração há parte, não há porque rodar o filme em preto e branco (ao menos nenhuma razão estética justificável, ou a cores como foi aqui mas depois copiado para PB). E fica muito esquisito e por vezes irritante, se ouvir os diálogos originais de Shakespeare (houve muita redução, corte de diálogos mas poucas modificações) quando todos usam roupas atuais e estão em ambientes modernas (incluindo uma festa a beira da piscina). Fica incongruente, anacrônico e por vezes ridículo (como na tentativa de dizer que a noiva perdeu sua virgindade na hora de seu casamento, um absurdo) . Piorado pelo fato de que o elenco não é formado por grandes atores britânicos, que saberiam a melodia e o ritmo do autor mas por americanos, que o interpretam como se estivessem fazendo um episódio de novela. Não acho que exista nenhuma mágica nem encanto na encenação já que numa casa normal não existem conspirações, casamentos da noite para o dia, que no original aconteceriam na Itália durante uma Guerra. Não dá para esquecer a recente versão homônima de Kenneth Brannagh e Emma Thompson,de 93, passada na Toscania, alegre, festiva, solar e jubilante (no elenco tinha Keanu Reeves e Denzel Washington).

     Curiosamente não sei se por amor a Shakespeare ou Whedon, as criticas americanas foram reverentes e falam de energia, charme, inventando paralelos com comédias de Kate Hepburn e Cary Grant. Não foi, porém o que eu vi.

Ref fim

Os Estagiários

Os Estagiários (The Internships). EUA,13. Direção de Shawn Levy. Roteiro de Vince Vaughn e Jared Stern baseado em argumento de Vince. Com Vince Vaughn, Owen Wilson, Rose Byrne, Aasifi Mandhi, Max Minghella, Josh Gad, Josh Brenner, Will Ferrell, John Goodman. 

     Não é um filme sobre a estagiaria que teve um affair com o Presidente Clinton (que nunca chegou as telas) mas uma comédia com um tema igualmente irresistível. Passa-se quase inteiramente na sede do Google e qual o jovem que não tem curiosidade de participar dessa brincadeira com o gigante da Internet (ratificado por ponta de um de seus fundadores Sergey Brin, que aparece andando de bicicleta quando a dupla central se aproxima da sede).  Mas não foi bem assim, já que a comédia rendeu apenas 44 milhões de dólares no mercado americano (pífio para um custo de 58!) e por enquanto 32 no externo.

     Só essa rejeição comercial já deixa a gente prevenida para esta safra atual de comédias muito fracas e que deixam a desejar (embora de vez em quando se tenha alguma esperança, por exemplo, quando Will Ferrell faz pontinha como um vendedor de colchões agressivo e John Goodman, com um ex-chefe!). 

      Basicamente é sobre dois amigos que trabalham como vendedores mas descobrem que estão obsoletos (ninguém usa relógios mais!)e por isso perderam  emprego. Um deles tem a idéia de se inscreverem como estagiários no google e graças a ajuda de um dos jovens empregados (totalmente absurda mas enfim é comédia) conseguem o lugar. Viram Nooglers! O filme é logicamente uma mais variante do tema Um Peixe (no caso 2) fora d´água, dois estranhos ao ninho que tentam dar certo no lugar errado para sua faixa de idade, interesse, inteligência e assim por diante. Mas como pretende dar esperança aos menos inteligentes e espertos, como a maior parte da população, podem imaginar como terá que terminar. 

      Eu achei das melhores coisas do filme a encantadora e subestimada australiana Rose Byrne que faz o interesse romântico de Owen. Não curto especialmente ver os protagonistas fazerem papeis de bobo ou serem simplesmente humilhados. De vez em quando o script tem alguma idéia mais divertida (como por exemplo os estagiários participam de um jogo de Quidditch, aquele jogo de Harry Potter (ainda que as vassouras não voem!). De qualquer forma, não sei se os donos do Google fizeram bem aprovando o projeto que pinta a vida no lugar como uma espécie de culto religioso mais benevolente mas discutível em tantos pontos que deixo cada um escolher o seu. Como arma de marketing, me parece uma bola fora.

      Por outro lado concordo com os que observam que o sub texto do filme é positivo lidando com as armadilhas da vida no mundo atual, da dificuldade de envelhecer  e tentar sobreviver com dignidade, a ditadura e arrogância dos jovens. Como se fosse uma versão mais superficial mas atualizada de a Morte do Caixeiro Viajante, que enfatiza  o valor da amizade, do trabalho em grupo, de aceitar riscos, de entender e tentar mudar o mundo. E parece ter razão Goodman quando diz que hoje o homem não odeia mais a maquina mas outros seres humanos!

      Também não sei se existe ainda admiradores da dupla Vaughn e Wilson, desde Penetras bom de Bico (2005). UM detalhe: duas figuras de destaque no elenco são Max Minghella com vilão britânico (ele é o filho do grande diretor Anthony Minghella) e o parceiro de Teen Wolf, Dylan O´Brien, como um rapaz da turma dos heróis.

Ref fim.

Amor Bandido

Amor Bandido (Mud) EUA, 13. Direção e roteiro de Jeff Nichols. Com Matthew McConaughey, Reese Witherspoon, Tye Sheridan, Joe Don Baker, Jacob Lofflan, Sam Shepard, Michael Shannon,Sarah Paulson, Ray McKinnon. 130 min. California.   

    O diretor descreve o filme como uma historia de Mark Twain dirigida por Sam Peckinpah! Um velho projeto do diretor Jeff Nichols (do interessante  O Abrigo), rodado na Estado de Arkansas e que traz como protagonista Matthew McConaughey que deixou de ser o galã de comédias românticas para demonstrar um inesperado domínio de cena, ate mesmo competência em personagens misteriosos, de passado criminoso e figura ameaçadora. Deixando de ser um mero bonitão e virando ator de verdade.

      A historia não é exatamente original, lembra uma serie de outras aventuras envolvendo garotos, rios, criminosos em fuga, pais e mães que estão se separando e policia na caçada (para não falar em caçador de recompensas). Talvez pudesse ser contada com maior ritmo e intensidade. Mas o elenco é bom e com surpresas (Reese fazendo um papel relativamente pequeno como uma garota vulgar do fugitivo, possivelmente de mau caráter, Sam Shepard seu velho pai (será?). Mud (Lama) é o nome de um sujeito que esta escondido numa ilha aonde dois garotos, quase adolescentes vão procurar um barco que eles sabem que esta lá em cima das arvores. Mas tem a surpresa de encontrar esse fugitivo Mud, que passa a usá-los para conseguir comida, e mais tarde ajudá-lo a fugir ( o seu crime custa a ser revelado e o suspense seria causado pelo fato de que Mud pode ser um perigoso criminoso e assassino e os garotos podem estar em perigo). O ator favorito de Nichols faz um tio que cria um dos rapazes mas não tem um papel tão marcante quanto em O Abrigo. 

      Há também um romance teen talvez para criar maior interesse no público mais jovem (ele rendeu 21 milhões de dólares nos EUA , nada mal para um filme independente, nada do estrangeiro). Assim como o titulo nacional não exatamente correto.

      Embora me interessasse a trama ver o rapaz acusar Mud de usá-los me pareceu pueril e fácil e prenunciando uma conclusão clichê. Quando num filme se discute a ação de cobras pode apostar que em algum momento alguém será atacado por elas! Ou seja, não cumpre a promessa do filme anterior. Mas tem qualidades. 

Ref fim.

Passion

Passion (Idem) França/Alem, 12.Direção de Brian De Palma. 102 min. Playarte. Com Rachel MacAdams, Noomi Rapace, Karoline Herfurth, Paul Anderson, Raine Bock, Benjamin Sadler.

   
De Palma já foi um dos meus diretores preferidos e linha de frente dos cineastas revelados nos anos 1970. Com seus thrillers, em geral homenageando Hitchcock conseguiu criar momentos antológicos para duas gerações .Só que de repente a fonte secou, não se entende muito bem porque e seus últimos trabalhos mal tem sido distribuídos e para encontrar trabalho teve que retornar a Europa, onde o melhor que conseguiu foi esta refilmagem de um suspense francês (lançado aqui apenas em Home Video como Crime de Amor), mas que também foi mal de bilheteria e encarado como outra decepção.



Eu escrevi sobre o original a seguinte critica: 

Crime de Amor/Crime D´Amour **
Audio: Francês, Port. Leg: Port. Drama. Wide. 2010.Cor. 104 min.California. França.14 anos.
Diretor: Alain Corneau.  Elenco:  Kristin Scott Thomas, Ludivine Sagnier,Patrick Mille, Guillaume Marquet, Gerald Laroche, Julien Rochefort.
Sinopse: Christine é uma alta executiva fria e que manipula as pessoas, inclusive sua assistente de confiança Isabelle, que a trai com seu amante durante viagem ao Japão. Christine percebe e arma uma armadilha para ela. Só que Isabelle mais esperta concebe um complicado plano de assassinato.  
Comentários: Não foi um final de carreira feliz para o bom diretor Alain Corneau (1943-2010 ) este filme que ficou inédito em nossos cinemas. Ele era um competente artesão de policiais na linha dos clássicos noir americanos (Calibre Python 357, Encurralado Para Morrer) que fez sua obra prima em 1991 : Todas as Manhãs do Mundo (Tous les Matins du Monde com Gérard Depardieu). Prejudicado por um roteiro esquemático e previsível e por interpretações irregulares (Ludivine telegrafa com exagero tudo que faz ou vai fazer com antecedência e simplesmente não tem cara de inteligente). Parece imitação de filme americano de rivalidade entre executivos mas sem a mesma elegância ou luxo ou suspense. Dá até para assistir pelo eterno charme de Kristin mas não é nada de importante.
De Palma completa 73 anos agora em setembro e todos seus contemporâneos parecem ainda em forma (a exceção seria Coppola). Mas por alguma razão que não sei explicar parece ter pedido a mão, aqui ele padece de alguns problemas por causa da direção de arte (e mesmo a fotografia) que tem cara de européia certamente porque o iluminador é o mesmo dos filmes de Almodovar (José Luis Alcaine) e pela constante presença da musica da trilha de Pino Donnagio (pela sétima vez juntos, que parece nostálgica para os fãs de Carrie, a Estranha mas talvez excessiva para os padrões atuais). Na dupla central (na primeira imagem as duas já aparecem conspirando num sofá em cima de um trabalho) Rachel MacAdams já perdeu o apoio da critica que se enganou achando que ela era formidável (aqui simplesmente é nova demais para o personagem) enquanto a sueca Noomi Rapace, da serie Os Homens que não Amavam as Mulheres nunca me pareceu tão desajeitada e pouco a vontade. Inconvincente como uma  inocente aprendiz! .Big mistake! (Erro grande).
Tem razão os críticos que reclamaram que a trama mesmo fugindo bastante do original francês, parece antiquada ainda mais quando comparada com Femme Fatale que prometia e cumpria ser um thriller sexy. Aqui a principio parece se encaminhar nessa direção mas logo perde o rumo. Numa firma de marketing na Alemanha, Isabelle (Noomi) é uma esforçada empregada que tem idéias ousadas que são utilizadas pela chefe Christine (Rachel). Quando esta rouba um conceito de lançar um novo smartphone, logo passa a sedução para tentar remediar as coisas, ainda mais quando ambas compartilham o mesmo amante.

Noomi continua horrível como nunca quando o filme vai se complicando (a chefe conseguiu um vídeo dela na cama cm o amante) e pior ainda quando tem um ataque histérico
dentro de um carro! Na virada de uma hora, temos um marca registrada do diretor (tela dupla , mostrando a esquerda um balé). Mas eu esqueci de mencionar o galã que as duas dividem que é feio, canastrão e bêbado e uma outra assistente que é apaixonada por Noomi!
Mais não digo por que o filme vai se acelerando ao final e ficando ainda mais tolo e absurdo. Tem assassinatos, sequencias de sonhos, um final que faz menção explicita a Hitchcock mas tudo é muito pior do que se pode imaginar.

Ref fim

Eu e Você

Eu e Você (Io e Te) Direção de Bernardo Bertolucci. Itália, 12. 103 min. Com Jacopo Olmo Antinori, Tea Falco, Sonia Bergamasco,Veronica Lazar.

     Fiquei profundamente decepcionado com este filme pequeno que marcou a volta ao cinema de um dos maiores diretores do cinema europeu de sua geração, o lendário Bertolucci que ganhou inúmeros Oscars por O Ultimo Imperador mas deixou sua marca com clássicos ousados como O Ultimo Tango em Paris, O Conformista ou La Luna. Mesmo nos mais recentes, mas ainda interessantes Beleza Roubada e Os Sonhadores (o filme anterior justamente que foi de 2003, ou seja ele passou nove anos afastado também com problemas de saúde. Sofreu uma queda que machucou suas costas e o obriga a andar de cadeira de rodas. Todos imaginavam que ele não voltasse a dirigir ).

      De qualquer forma eu tive dificuldades para justificar este projeto, interpretado por desconhecidos e praticamente todo feito num único ambiente fechado, um porão (Isso não quer dizer muito já que Assédio, de 98, se passava numa única casa velha de Roma e resultou numa obra –prima). O que teria se passado com Bertolucci para ter um filme com atores  tão mal dirigidos, uma fotografia escura e uma trama que aponta para varias direções e não pega nenhuma.

      Para começar é baseado num romance (de Niccoló Ammaniti) que foi adaptado pelo autor e como é costume na Itália, três outros, Bertolucci, Umberto Contarello e Francesca Marciano. O elenco central traz um garoto estreante e nada fotogênico que não justifica sua presença. Um equivoco que ajuda a abalar o filme.Foi a revista inglesa famoso Foi a famosa revista inglesa Sight and Sound que disse que o filme parece apenas um exercicio em claustrophobia (ou claustrophilia, como chamou o diretor) A historia é sobre um garoto adolescente e sua meia- irmã mais velha que passam uma semana juntos, acampados no porão da casa da família. (Já houve outra adaptação do mesmo autor por Gabriele Salvatores, que foi Eu não tenho Medo, de 03) e que termina em tons religiosos (aqui Bertolucci não chega a tanto mas ao menos deu um final mais feliz do que no livro). Varias vezes ele brinca com a possibilidade de incesto mas não tem a coragem de ir até o fim. Mas deixa isso mais na cabeça do espectador do que na tela (Lorenzo de 14 anos e Olivia de 25 se gostam e dormem perto um do outro mas só isso). Outra dica já tinha ocorrido num restaurante onde Lorenzo estava com a mãe Arianna e levantava questões embaraçosas sobre o tema.

      Mas para quem já foi o grande provocador e estilista do cinema é muito pouco. Não dá para escondermos a decepção.

Ref fim.

A Alma da Gente

A Alma da Gente. Doc. Brasil, 13. Direção de Helena Solberg e David Meyer. 80 min.

     É bem interessante e competente este documentário feito por Helena e David (que realizaram o hoje clássico Carmen Miranda, Bananas is my Business) que tem um ponto de partida bem simples e que miraculosamente consegue funcionar: Dez anos depois de terem ensaiado um espetáculo de dança do Ivalto Bertazzo com os jovens moradores da favela da Maré do Rio de Janeiro, os diretores procuraram descobrir qual foi o impacto que essa experiência teve em suas vidas. Através de depoimentos e material mais antigo, se faz um retrato simpático e até comovente da importância da arte na vida das pessoas. 

Os Instrumentos Mortais – Cidade dos Ossos

Os Instrumentos Mortais – Cidade dos Ossos. The Mortal Instruments: City of Bones. 120 min. Paris Filmes. Direção de Harald Zwart.Com Lilly Collins, Jamie Campbell Bower, Jemima West, Kevin Zegers, Robert Sheehan,  Lena Headey, CCH Pounder, Jared Harris, Jonathan Rhys Meyers, Harry Van Gorkum.

     A culpa é da serie Crepúsculo que fez gerar uma serie de imitadores, outros livros divididos em diversos tomos e que eventualmente estão sendo adaptados para o cinema com maior ou menor sucesso (a continuação deste que seria A cidade das Cinzas esta previsto para 2014 e tem o reforço de Sigourney Weaver no elenco. Ainda assim o filme só agora esta sendo lançado nos EUA e não há garantia que vai pegar. Para cada Jogo Voraz que estourou há outros (como Dezesseis Luas, que bombou, no sentido antigo, quebrou a cara). Não sei dizer o que vai suceder aqui porque o que mais me recordou foi o outra serie esquisita (a da Kate Beckinsale, Underworld/ Anjos da Noite). O problema me parece é que não sei se o publico jovem a quem vai é endereçada vai embarcar em resoluções baseadas em incesto (o filme termina com uma suspeita forte disso, coisa de telenovela) e outra coisa que me pareceu fora hora, o personagem de Zegers, Alec uma hora é acusado de estar atraído pelo galã do filme, Jace (não se aprofunda isso e Zegers não esta na continuação!). Enfim, meio enrolado para meu gosto, pelo menos prendeu a atenção. A heroína é fofinha filha do Phil Collins, Lily (que esteve como Branca de Neve em Espelho , Espelho Meu) enquanto o galã é uma figura longilínea que mais parece modelo de cueca Calvin Klein e em que determinados ângulos parece completamente monstruoso.

      Vamos tentar resumir a historia: na Nova York atual, uma adolescente aparentemente normal, a não ser pelo fato de ser vigiada demais pela mãe preocupada (Lena de 300 que dorme quase o filme todo),Clary descobre que é descendente de uma família dos chamados Shadowhunters, uma raça secreta de guerreiros semi-anjos que estão numa batalha permanente para proteger o nosso mundo dos demônios. Ela é obrigada a se unir a um deles Jace  que a leva a se refugiar num palácio Escondido na Cidade chamado Downworld onde outras criaturas entraram em batalha.

     Os efeitos são interessantes, o elenco irregular (com destaque para CCH Pounder como a bruxa do andar de baixo e Jonathan, de Os Tudors, fazendo o vilão maior) e na parte final há muita ação envolvendo lobisomens, warlocks e outras criaturas (além de uma grande traição!). Um Novo Harry Potter? (já falei das restrições com a trama gótica!) Duvido muito. 

Ref fim.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Frances Ha


Frances Ha (idem)EUA, 13. Direção de Noah Baumbach.  86 min. Preto e branco. Com Greta Gerwig, Mickey Sumner, Adrian Driver, Michael Esper, Grace Gummer (filha de Meryl Streep), Charlotte D´Amboise, Christine e Gordon Gerwig.

     Diante de muitas estreias esta semana corre o risco de passar despercebido esta produção independente americana, que cometeu o deslize comercial de ter sido feita em Preto e Branco, que continua a ser veneno de bilheteria. Totalmente rejeitado pelo publico atual. Até porque não era essencial para a historia (ele se defendeu dizendo que isso provocava imediata nostalgia,maior simplicidade e imediatismo!). 

     Mais uma vez por trás do filme esta um romance entre o diretor e sua nova musa, Noah (que fez A Lula e a Baleia, Margot e o Casamento com a ex-mulher atriz Jennifer Jason Leigh, mas foi também o roteirista de Wes Anderson (O Fantástico Sr. Raposo, A Vida Marinha etc e tal). Greta já esteve antes em O Solteirão (Greenberg, 10 com Ben Stiller) que já era de Baumbach e foi vista também no filme de Woody Allen (Para Roma com Amor) e mais Sexo, sem Compromisso, Arthur III, Descobrindo o Amor e etc). 

     Não sei se vocês guardaram o rosto dela. É uma loira meio aguada, não especialmente atraente, que é mais adequada para fazer melhor amiga que protagonista. Também co-roteirista do projeto, que no final das contas foi bem badalado mas não tão bem sucedido. Com pretensões a ser uma comédia realista (mas aí esta o problema não consegue chegar aos extremos ou píncaros da serie da HBO, que é muito superior, muito mais criativa). Ambas passam-se em Nova York e Frances (Halladay, daí o titulo) é aprendiz numa escola de dança(embora não seja bem um dançarina nem tenha tanta aptidão para isso),mora de favor num apartamento que não é dela, e aos 27 anos tem metade da maturidade dessa idade. Quando a melhor amiga Sophia se muda do apartamento do Brooklyn para enfrentar uma vida de casada, Frances fica completamente perdida.Tudo prestando homenagem a Nouvelle Vague, desde a trilha musical cheia de citações, ate o estilo de fotografia (embora o filme seja dedicado ao fotógrafo que iluminou os dois últimos filmes de Baumbach).

     Perdida, a heroína parte para algumas aventuras tolas e infelizes tais como visita a família em Sacramento, faz uma viagem inútil até Paris e depois retorna miseravelmente a passar uns tempos na Faculdade em que estudou. É uma loser na acepção da palavra é por isso mesmo muito difícil de simpatizar, ao menos foi o que sucedeu comigo (pode ser diferente com as mulheres, mais próximas a ela, já que Greta se não é especialmente talentosa ao menos tem energia e resulta esforçada). Enfim eu continuo com o Girls da teve. 

Ref fim

Sem Dor, sem Ganho

Sem Dor, sem Ganho  EUA, 13. Pain and Gain.  119 min. Direção de Michael Bay.Com Mark Wahlberg, Dwayne Johnson, Anthony Mackie, Anthony Shalub, Ed Harris, Rebel Wilson, Ken Jeong, Peter Stomare, Michael Rispoli, Tony Danza. Paramount.

    Depois de 2000, que o diretor   Michael Bay queria fazer este projeto, um filme propositalmente mais barato para fugir da fama de só realizar blockbusters. Mas adiou por causa dos Transformers e todo mundo trabalhou  com salário reduzido, já que o orçamento era relativamente pequeno (por  volta de 20 milhões), chegando a rodar na própria casa do diretor (que passa como a casa de Frank Griga). Mas não foi sucesso e não chegou aos 50 milhões de renda nos EUA (ate agora ainda não saiu no exterior  na esperança de mudar a campanha de marketing, tendo rendido fora apenas 6 milhões!). Isso certamente foi ajudado pela má reputação do diretor que é criticado na Internet (principalmente por sua mania de ter cenas com explosões!). 

     É inspirado em fatos reais mas o principal defeito do filme é sua violência exagerada, grosseira mesmo, assim como o uso de drogas (no caso, para ficar bombado) assim como o tom geral de chanchada que torna tudo amoral. Não ajuda muito o fato de que Wahlberg seja um ator muito limitado e esteja num mau dia (em geral tem um ar simpático que substituiu aqui por um jeitão preocupado e excesso de massa muscular). O Rock, ou Dwayne é mais afável mas faz o papel de um atleta pouco inteligente, que faz com freqüência grandes e irritantes burradas (alias Mark também). Mesmo assim os crimes dos dois poderiam deixá-los ilesos não fosse por alguns erros bisonhos.

     Para fazer o papel chave de Victor Kershaw (inspirado em Marc Schiller) foram considerados Albert Brooks, John Turturro mas ficou para Shaloub. A ação se passa em Miami nos anos 80, quando Daniel Lugo (Whalberg), que é um levantador de peso/personal trainer  ambicioso chama dois outros esportistas para participar de um plano ambicioso ,Adrian (Mackie) e o recém saído da cadeia e que se transformou em evangélico Doyle (Johnson).Eles vão participar de um plano ambicioso de seqüestrar o chato milionário judeu Kershaw que deveria passar todos seus bens para eles! Só que da tudo errado, praticamente o oposto do que pretendiam e Kershaw sobrevive!  Pior que isso ele ainda por cima contrata um detetive particular ex-policial (Ed Harris) que vai investigar o caso. 

     Embora movimentado, o filme é dirigido pela mão pesada de Michael Bay e vai se perdendo com sequencias de violência exagerada, interpretadas ate como chanchada. E se começa mal vai piorando, ficando cada vez mais excessivo e sem graça. Nem o publico fiel dos esportistas embarcaram nesta.

Ref fim.

42- A Historia de uma Lenda

42- A Historia de uma Lenda / 42. EUA,13. Warner. Roteiro e direção de Brian Hegeland. Com Harrison Ford, Lucas Black , T. R. Knight, Chadwick Boseman, Nicole Beharie, Christopher Meloni, John C.McGinley. 128 min.

      Sinopse: A historia real de Jackie Robinson , que depois da Segunda Guerra Mundial foi o primeiro negro que jogou na liga mais importante do Beisebol americano enfrentou preconceitos e racismo. Foi uma idéias do gerente do time Brooklyn Dodgers, Branch Rickey mais pensando nos futuros lucros do que na igualdade racial.

      Comentários: Ficou inédito em nossos cinemas apesar do relativo sucesso nos cinemas americanos (custou 40 milhões de dólares e rendeu 90) por dois motivos 1) é sobre beisebol, esporte que brasileiro não curte e não entende 2) é sobre temática que via de regra são fracassos por aqui (absurdamente por sinal). Também é um problema que pouca gente tenha ouvido falar na figura do lendário jogador de beisebol Jackie Robinson (1919-72), que quebrou os tabus da racismo no esporte se tornando o modelo para um igualdade racial que ainda hoje cria problemas nos Estados Unidos.O fato de que Obama é presidente certamente  influenciou a realização deste filme (houve outro em 1951, The Jackie Robinson Story, que foi interpretado por ele mesmo mas que ficou inédito no Brasil). Muito bem produzido por Hegelman (que é mais conhecido como roteirista Los Angeles Cidade Proibida, que lhe deu Oscar, E Entre Meninos e Lobos, que lhe deu indicação), traz um ator novo como protagonista Chadwick (que se defende bem  num papel difícil porque tem mais que se conter, para não responder as ofensas e provocações) e pela primeira vez o astro Harrison Ford, fazendo um personagem real e característico. Ele se deixou envelhecer e tem bons momentos (já que Ford era melhor galã do que versátil) segurando o filme que naturalmente é previsível mas positivo e tocante, ainda mais quando se pensa que o passado não é muito distante! E pensar que o racismo era tão forte é de arrepiar (também de raiva). Talvez precisasse de um final mais forte mas é bom que esteja disponível agora em Home Video.         

Flores Raras

Flores Raras .Brasil, 13. Reaching for the Moon. Direção de Bruno Barreto.  Com Gloria Pires, Miranda Otto, Tracy Middendorf, Marcelo Airoldi, Lola Kirke, Tania Costa, Treat Williams, Thogun. 

     Foi muito bem recebido como filme de abertura do recém Festival de  Gramado (assim como teve ótimas criticas em Berlim, no Tribecca) este antigo projeto de Lucy Barreto , que há mais de 15 anos tentava produzir uma adaptação do livro de Carmen de Oliveira, Flores Raras e Belíssimas que por sua vez é inspirado em fatos reais, o romance e vida em comum. Entre uma das mais consagradas poetisas americanas do século passado, Elizabeth Bishop (1911-79), varias vezes premiada inclusive com o Pulitzer e a brasileira Lota (Maria Carlota) de Macedo Soares, 1910-67, arquiteta e paisagista que foi responsável pelo parque do Flamengo no Governo Carlos Lacerda, no estado da Guanabara (Rio).

     O filme com roteiro de Matthew Chapman (marido de Denise Dumont e que fez a  Grande Arte, O Júri, A Tentação) relata o complicado romance entre as duas, quando Elizabeth vem nos anos 1950 visitar o Rio de Janeiro onde mora uma antiga colega da faculdade (a fraca Tracy) que tem um caso com Lota (interpretada com o talento habitual por Gloria Pires, sem nunca exagerar no tipo como costumam fazer os atores em novelas de televisão). Elizabeth é uma mulher complexa, que não aceitava bem sua homossexualidade, com tendência para o alcoolismo e extremamente insegura em relação ao seu trabalho como poetisa. Mas em Lota, consegue encontrar a segurança e força que precisa para escrever e se tornar um sucesso (ainda que complicada porque a ex, quando se separa de Lota, continua  próxima e chega a adotar uma criança, uma menina formando um perigoso triangulo amoroso). Quem faz a poetisa é a atriz australiana Miranda Otto (de O Senhor dos Anéis, onde fez Eowyn) que fisicamente lembra bastante Meryl Streep mas é também uma atriz delicada e sensível, que funciona muito no personagem.

      Apreciei especialmente no filme o fato dele ser o primeiro que vejo onde a figura de Carlos Lacerda não aparece de forma negativa como tudo que se tem lido e visto a respeito dele nos últimos anos, quase beirando a caricatura. Aqui se mostra ele amigo de Lota e depois contratando-a para criar o Parque do Flamengo, ainda hoje um espaço notável do Rio.

      Feito com dificuldade e pouco dinheiro (teve cenas feitas em Nova York, reconstrução de época, bons figurinos), porque por causa da temática não foi possível captar todo orçamento e foram obrigados a fazerem empréstimos em bancos.O resultado é um trabalho muito digno de Bruno Barreto , que optou por manter um visual de época (assim como a trilha musical constante) que resultam num trabalho tocante e mesmo comovente.       

Ref fim .

Repare Bem

Repare Bem .Portugal,Brasil, 12.  Direção de Maria de Medeiros. Com Denise Cripin, Eduarda Ditta Crispim Leite.

     Este é o  nono filme da atriz portuguesa Maria de Medeiros (atualmente em São Paulo em cartaz em peça de teatro) famosa por sua participação no cinema americano (Pulp Fiction, Henry & June), nacional (O Xango de Baker Street) e principalmente europeu (em inúmeros trabalhos).  É um documentário minimalista (propositalmente sem grandes lances de câmera ou truques narrativos, para não desviar do assunto central). No 41 Festival de Gramado, que se encerrou no ultimo sábado, concorrendo na Mostra Latina, foi consagrado como o melhor filme (também levou o premio Don Quixote dos cineclubes) . Sua exibição publica foi extremamente comovente, com grande parte da platéia chorando, o que se confirmou depois na coletiva. Certamente foi dos grandes sucessos de um Festival onde praticamente todos os concorrentes agradaram. 

     O filme conta através de depoimentos, a historia  iniciada durante a ditadura militar no Brasil, quando Denise Crispim, filha de pais militantes, envolveu-se com o guerrilheiro Eduardo Leite, conhecido como Bacuri. A relação dá origem a uma gravidez, no mesmo período em que o regime começa a perseguir a família de Denise. Em pouco tempo, seu irmão é assassinado e sua mãe é presa. Quando à Bacuri, ele é torturado durante mais de três meses, e depois assassinado. Com o nascimento da pequena Eduarda, Denise consegue asilo político no Chile, embora o golpe de Pinochet force mãe e filha a se mudarem para a Itália. Mais de quarenta anos após os fatos, as duas recebem anistia do governo brasileiro, e decidem contar a sua história.

     O filme não teria o mesmo impacto se não fossem as figuras carismáticas de mãe e filha, em particular Denise que é uma presença calorosa e sincera. Muito delicado, muito tocante, é um documentário extraordinário. 

Ref fim.

Percy Jackson e o Mar de Monstros

Percy Jackson e o Mar de Monstros (Percy Jackson : Sea of Monsters) EUA, 13. Direção de Thor Freudenthal. Com Logan Lerman, Brandon T. Jackson, Alexandra Daddario, Jack Abel, Douglas Smith, Nathan Fillion, Stanley Tucci. 106 min. Baseado em livro de Rick Riordan. Fox. 


     Este é um caso curioso que vem reescrever as regras das continuações.  Antigamente elas eram só feitas quando o filme rendia muito e garantia o retorno. Mas o primeiro Percy e o Ladrão de Raios, 2010 teve  uma bilheteria mundial de 226 milhões , nada muito brilhante mas o suficiente para seu produtor  Chris Columbus (ou seja o que fez os dois primeiros filmes de Harry Potter!) tentar de novo, já que detém os direitos de adaptação da serie de livro de Rick Riordan  que naturalmente surgiram como replica  americana a Harry Potter com um herói adolescente que é descendente dos antigos deuses gregos do Olimpo, o que lhe dá amplo acesso a toda a mitologia grega. Na direção colocou Thor que é especialista em filmes infantis como Diário de um Banana, Hotel bom pra Cachorro. E manteve no papel principal,  Logan era ator infantil antes (Os Indomáveis, Numero 23)  não convenceu no primeiro filme, nem como D ´artagnan em Os Três Mosqueteiros em 3D mas se sai bem depois em As Vantagens de ser Invisível.  Mas se o filme original estava lotado de estrelas (como Pierce Brosnan, Susan Sarandon) desta vez resolveram economizar num elenco menos famoso e com10 minutos a menos na projeção.  

     O que eu não sabia é que existia em São Paulo um fã clube de Percy (que tem se reunido e eram mais de 700 pessoas no ultimo evento) o que deve ajudar este filme que achei melhor que o original. Mais rápido, melhores efeitos especiais (as criaturas como o touro, o próprio Kronos, mas nem tanto o jovem ciclope irmão, melhor dizendo meio irmão do herói, com seu único olho meio arrevesado, nunca conseguindo uma solução satisfatória). Acho mesmo a historia melhor contada. Ainda que tenha me deixado confuso. Achava que Poseidon era o senhor das águas, mas apenas do mar, não de lagos como aparece no filme. Enfim, tudo começa explicando como é a proteção do campo dos semi-deuses (causado por intervenção miraculosa de uma garota que morre ao fugir dos ciclopes) e o nosso herói encontrando Tyson, um adolescente bom caráter cuja mãe foi uma ninfa do mar, e que funcionara como alivio cômico (tem os que o acham desajeitado e traidor, outros pensam que ele seria bondoso e como o filme pretende, se faz o louvor da família! Coisa difícil de engolir quando tem pais como  os deuses do Olimpo sabidamente famosos por procriarem a torto e a direito com os humanos!

     Enfim, aqui Percy tem que ir atrás do lendário velocino de ouro que é desejado pelos revoltados para dar vida a Kronos, mesmo que o custo seja destruir a Terra e o Olimpo. De qualquer forma temos uma luta num iate chique e moderno, uma ponta divertida de Nathan Fillion como o Deus Hermes disfarçado (onde se aproveita para fazer um merchandising descarado de uma firma de entregas imediatas),uma  visita a região das Bermudas (o Mar dos Monstros também é conhecido como  o Triangulo das Bermudas!). E as presenças fotogênicas das meninas,  Annabeth, filha de Atenas (Alexandra Daddario) e Leven Rambin ( de Jogos Vorazes) , filha do Deus da Guerra. Enquanto isso Anthony Head, herda o papel do mentor. Centauro e Stanley Tucci chamado de Mr. D (que é dos poucos alívios cômicos). Logan Lerman não mudou muito de filme para filme (embora sua voz esteja surpreendentemente profunda). 

      Sem ser exatamente um  blockbuster ,Percy me pareceu uma divertida aventura adequada também para crianças e jovens. Não é Harry Potter mas dá bem para o gasto.

Ref fim.

Os Sabores do Palácio


Os Sabores do Palácio (Les Saveurs Du Palais/ Haute Cuisine) França,12. Direção de Christian Vincent.com Catherine Frot, Arthur Dupont, Jean D´Ormesson, Hyppolite Girardot, Jean Mac Roulot, Laurent Poitrenaux e Thomas Chabrol. 95 min. 

     Como  co-autor de dois livros sobre culinária e cinema, tenho me habituado a acompanhar e avaliar  os filmes sobre esse tema, os chamados food filmes, que tem feito muito sucesso especialmente na Europa. Dessa safra e modismo, justamente este aqui é dos meus favoritos. Uma comédia divertida e saborosa, dirigida por  Vincent (que  é o mesmo de A Separação, Quatro Estrelas) e que deu indicação de melhor atriz no César para a veterana e simpática Catherine Frot.

     O mais interessante é que inspirado em fato real. Inspirado livremente no livro Mês Carnets de Cuisine, Du Périgord à L Élysée, as memórias de Danièle Delpeuch, a primeira e única mulher que trabalhou como chefe de cozinha no Palacio do Elysée para o presidente da Republica (no caso Miterrand, e que faz o papel aqui é um escritor famoso chamado Jean D´Ormesson aos 86 anos). 

     A idéia central tem um pouco a ver com o critico de cozinha de Ratatouille. Quando as pessoas ficam mais velhas tem a tendência de buscar as origens, os sabores e odores que conheceu quando criança, reencontrar a comida de sua infância.  Muita vezes no interior. É essa a proposta do novo presidente francês que manda buscar a chef e a instiga a reencontrar justamente essas raridades, que ainda existem em lugares esquecidos da França. O filme é basicamente um tratamento bem humorado das dificuldades dessa mulher ao enfrentar a burocracia e a rígida estrutura que não a deixa ter liberdade de trabalhar. Entre alguns aliados e vários inimigos, ela forja uma parceria com o presidente, que a permite  alguns lances curiosos e interessantes na cozinha presidencial. 

     Todo o filme é portanto repleto de citações e referencias de dar água na boca. Embora cite personagens reais, pretende ser apenas uma diversão e uma oportunidade de celebrar o melhor da cozinha francesa. Quem curte o tema deve assistir.

Ref fim.

Gente Grande II


Gente Grande II (Grown Ups 2) EUA, 13. Direção de Dennis Dugan. Com Adam Sandler,  Adam Sandler, Chris Rock, Kevin James, David Spade, Rob Schneider, Salma Hayek, Maria Bello, Maya Rudolph, Joyce Van Patten, Steve Buscemi,  Jon Lovitz, Shaquille O´Neal,  Steve Austin, Taylor Lautner. 

     É difícil imaginar uma comédia pior, mais sem graça, mais patética do que esta continuação do Gente Grande de 2010 (a primeira da carreira do produtor e astro Adam Sandler, que ultimamente tem feito desastres  a ponto de que mesmo sendo popular no Brasil, não lançaram nos cinemas o filme anterior That´s my Boy /Este é o meu Garoto. Em compensação, tem levado montes de prêmios Framboesa de pior do ano). O primeiro não era muito ruim, tinha um elenco simpático e numeroso (ainda assim dando a impressão de que eles se divertiam mais do que os espectadores) que esta todo de volta ate com alguns reforços (como o Taylor Lautner, não creditado e incrivelmente mal maquiado e fotografado fazendo um estudante briguento!). 

     E incrível, mas  o filme simplesmente não tem historia, passa-se num único dia, a véspera do fim das aulas, começo do verão quando todos os amigos já de meia idade se mudaram para uma cidade do interior, aparentemente para terem uma vida mais saudável e tranqüila. Mas isso nem chega a ser discutido. O filme já começa com uma sequencia de gosto discutível mas será apenas a primeira de varias que brincam com funções corpóreas como vomito, fezes e urina. No caso, Adam acorda e ao seu lado no quarto esta um alce ou coisa que o valha, que assustado irá urinar em seu rosto! Que cena clássica! Que horror!

     Enfim, dali em  diante só piora. Sempre digo que o mau gosto pode ser compensado simplesmente pelo inusitado da cena de forma o riso afaste o constrangimento. Mas não é o caso, nenhum dos atores tem o que fazer, alguns viram figuração, como Kevin James ou David Spade (sua ação maior é saber que tem um filho desconhecido enorme e cafajeste). É um dos roteiros mais mal escritos do cinema , tentando se livrar com situações duvidosas (tinha possibilidades a situação da caixeira da loja de Salma Hayek, mulher de Adam, ser apaixonada por ele desde criancinha!) E muito pior, o chofer do ônibus escolar que fica dopado de drogas, faz besteiras e se revela gay (é outra das cenas mais ofensivas do filme).

     O primeiro filme rendeu 162 milhões de dólares nos EUA e 109 no exterior, este aqui já chegou aos 109 na America e por enquanto 21 no exterior. Ou seja, o publico entrou que nem cordeiro para ver o que pensava ser divertido. Não caia nessa.

Ref fim

domingo, 25 de agosto de 2013

Julie Harris

Morre lenda da Broadway Julie Harris


    No sábado perdemos aos 87 anos Julie Harris uma atriz (outra pouco lembrada no Brasil) que entrou para a Historia por ter ganhado cinco Tonys (do teatro e mais um sexto pela carreira e 5 outras indicações ), 3 Emmys (da teve), o premio do Kennedy Center, um Grammy (disco) e foi indicada ao Oscar por Member of the Wedding, Cruel Desengano (52),seu filme de estréia. Fez também sucesso numa serie de teve que não vimos aqui Knot´s Landing (72). Embora tenha ficado famosa internacionalmente ao estrelar o primeiro filme como astro de James Dean, “Vidas Amargas/East of Eden” (55), dirigido por Elia Kazan. Ela já tinha diminuído sua atividade por causa de queda no palco e depois derrame em 2001. Eu a conheci num palco em Miami quando ela interpretava Ladies In Retirement, com a recém falecida, Eilleen Brenan. Era pequenina, delicada, precisa, mas não carismática como eu a imaginava. 


Filmografia: 99 titulos em cinema e teve:
2009 The Lightkeepers .
2008 The Golden Boys.
2006 The Way Back Home.
1999 The First of May.
1999 Love Is Strange (TV).
1998 Passaggio per il paradiso.
1997 Ellen Foster (TV).
1997 Bad Manners.
1996 A Árvore de Natal (The Christmas Tree. TV).
1996 Atos de Amor (Carried Away do brasileiro Bruno Barreto).
1995 Segredos (TV_ 1995 Lucifer's Child (TV como Isak Dinesen).
1994 O Poder do Natal (One Christmas com Katharine Hepburn. TV movie).
1994 E o Vento Levou 2 (Gone with the Wind 2. TV minissérie).
1993 When Love Kills: The Seduction of John Hearn (TV).
         A Metade Negra (The Dark Half de George A. Romero e Stephen King).
         They've Taken Our Children: The Chowchilla Kidnapping (TV).
1992 Como Agarrar um Marido (Housesitter com Steven Martin).
1990 The Civil War (TV Doc).
1989 Single Women Married Men (TV).
1988 The Christmas Wife (TV ).
1988 Too Good to Be True (TV).
1988 Nas Montanhas dos Gorilas (Gorillas in the Mist, com Sigourney Weaver).
1988 The Woman He Loved (TV).
1986 O Aniquilador (Abihilator. TV ).
1985 Dois Heróis bem Trapalhões (Crimewave (sem crédito de Sam Raimi e Irmãos Coen).
1985 Gifts of Greatness (video)
1983 Brontë .
1979 The Gift (TV ).
1979 The Bell Jar.
 Backstairs at the White House (TV).
1976 A Viagem dos Condenados (Voyage of the Damned).
1976 The Last of Mrs. Lincoln (TV).
1976 The Belle of Amherst (TV).
1975- O Esconderijo (The Hiding Place).
1974 The Greatest Gift (TV ).
1972 Férias Mortais (Home for the Holidays (TV)  .
1970 Pesadelo Trágico (How Awful About Allan (TV).
1970 A Culpa de Cada Um (The People next Door ). House on Greenapple Road (TV).
1968 Quadrilha em Pânico (The Split).
1967 Os Pecados de Todos Nós ( Reflections on a Golden Eye de John Huston, com Elizabeth Taylor). 1967 Anastasia (TV) .
1966 Agora Você É Um Homem ( You´re a big Boy Now de Coppola).
         Harper, o Caçador de Aventuras (Harper com Paul Newman).
1965 The Holy Terror (TV ).
1964 Little Moon of Alban  (TV). Hamlet (TV).
1963 Desafio ao Além (The Haunting de Robert Wise). Pygmalion (TV).
1962 Réquiem Para um Lutador (Requiem for a Heavyweight com Anthony Quinn)
1961 Victoria Regina (TV).
         O Poder e a Glória (TV. The Power and the Glory com Laurence Olivier).
         The Heiress (TV).
1959 A Doll's House (TV).
1958 Sally's Irish Rogue.Johnny Belinda (TV). Little Moon of Alban (TV).
1957 As Sete Mulheres de Minha Vida (The Truth about Women).The Lark (TV).
1956 The Good Fairy (TV).
1955 a Historia do meu passado (I Am a Camera. A mesma História que Cabaret).
        Vidas Amargas (East of Eden com James Dean).
1952 Cruel Desengano (The Member of the Wedding de Fred Zinnemann).

domingo, 11 de agosto de 2013

Os Escolhidos

Os Escolhidos (Dark Skies) EUA, 13. Direção e roteiro de Scott Stewart.  97 min. Com Keri Russell, Josh Hamilton, Kadan Rockett,  J.K. Simmons, Dakota Goyo.

     Até eu que não curto muito o gênero terror fiquei interessado neste filme B que estava demorando para chegar ao Brasil. Mau sinal. Mas ele trazia como epigrafe, uma frase famosa de Arthur G. Clarke  (criador de 2001, uma Odisséia no Espaço) que diz : Existem duas possibilidades: que estejamos sozinhos no Universo e que não estejamos. As duas são aterradoras”.

      Feito pelo mesmo diretor roteirista de Priest (Padre), este filme modesto (custou 3 milhões e meio de dólares) chegou a render 18, mais do que merecia). Suportável como mero episódio de serie de teve, ele padece de um mal irremediável. Termina abruptamente, não explica nada e deixa o espectador super frustrado. E mesmo o resto da narrativa é lenta e minuciosa, apesar de sua banalidade, o filme é completamente derivativo e quem se der ao trabalho vai encontrar imitações (não paródias) de Poltergeist,   Sinais, Atividades Paranormais, Vampiros de Almas e todos muitos filmes do gênero.

     É provável que a maioria tenha desistido de seguir aqui em diante, mas de qualquer forma, é a historia de um casal classe média com problemas (ele esta devendo a hipoteca, pode perder a casa e precisa de novo trabalho).Vivem no Arizona num casa confortável para o padrão americano ,luxuosa para nós.  Mas de repente começam a suceder coisas estranhas, como ruídos esquisitos, pássaros mortos, sinais de invasão da casa, e segundo o caçula seria um tal de Sandman que o visita nos sonhos. Apesar de chamarem a policia e procurarem ajuda, o resto da família começa a ter pesadelos e serem atormentados por algo meio vago que um especialista em Ets (J.K. Simmons, habitual coadjuvante como diretor de escola e coisas assim) afirma ser uma tentativa de seqüestro e que provavelmente eles estão sendo vitimas de experiências como ratos em laboratório.   E a vítima mais provável é o caçula.

      O filme não chega a ser mal feito. Mas é lento, custa a deslanchar e quando finalmente tem o clímax ele é rápido demais e muito mal resolvido.  A gente ate simpatiza com a heroína Keri Russell (que foi a Felicity da  tevê) que esta esforçada mas o veterano Josh não tem fôlego para segurar uma trama tão ao mesmo tempo obscuro e óbvia. Não percam o tempo.

Ref fim.

Circulo de Fogo

Circulo de Fogo  (Pacific Rim) . 131 min. Warner. Direção de Guillermo Del Toro.Com Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Charlie Day, Burn Gorman, Ron Perlman, Clifton Collins Jr, Max Martini, Diego Klatenhoff. 

      Com um orçamento de cerca de 190 milhões de dólares este filme já é considerado um dos grandes fracassos da temporada (ao menos nos EUA, onde não passou de 92 milhões de bilheteria.  O que pode ser considerado uma conclusão precipitada já que segundo o Box Office Mojo o filme já passou dos 200 milhões de renda no exterior e isso ainda sem o Brasil!). Realmente tem cara de atrair mais no Oriente, porque por vezes ele lembra Godzilla e todos os filmes animados de Robot lutadores (embora os detratores também o comparem  com aquele horrível Batalha dos Mares Battleship).  E naturalmente com a trilogia do Transformers e segundo outros o anime Neon Genesis Evangelion.. 

     O motivo porque esta gerando controvérsias é que marca outro retorno a direção do mexicano e cult Guillermo Del Toro, que eu admiro, tendo curtido os dois Hellboys e principalmente os seus góticos europeus, O Labirinto do Fauno e o menos conhecido A Espinha do Diabo. 

     Também posso explicar o fato de que eu gostei do filme porque tenho um fraco desde criança por filme de monstro solto na cidade, como os japoneses antigos que serviram de inspiração a esta aventura repleta de robots que lutam e destroem cidades enfrentando monstros que saem do oceano. Por isso sem duvida ele é derivativo, meio escuro (grande parte acontece de noite e durante a chuva), muito alto (barulho à beça), talvez ate confuso ao optar também por um elenco praticamente desconhecido (não há um herói tipo Brad Pitt para você se identificar, o protagonista do filme Charlie é hoje famoso pela serie de teve de motoqueiros (cult também) Sons of Anarchy, mas começou muito jovem, ainda adolescente em cenas polemicas gays no seriado britânico Queer as Folk. Loiro, com um tipo forte mas esquisito (por vezes lembra Gerard Depardieu com os dois olhos bem juntos) ele nem sempre tem a presença para segurar um filme deste tamanho, onde fica muito difícil diferenciar os atores (também para o outro papel estelar certamente por economia chamaram o grande  ator  britânico Idris Elba, que sempre esta concorrendo a prêmios pela série Luther. Aliás carismático, merecia papeis mais densos que este).  

     Não é um filme fácil de resumir. Vou usar a do IMDB: Quando legiões de criaturas monstruosas conhecidas como Kaiju (besta estranha em japonês), começam a sair do oceano, há uma Guerra apocalíptica pela sobrevivência dos humanos ao enfrentar os bichos destruidores e medonhos. Quando o filme começa essa luta já dura há 7 anos e provocou muita destruição e mortes. Mas agora para enfrentá-los foi criado um novo tipo de arma, robots gigantescos chamados Jaegers- caçador em alemão- comandados por dois homens (mais ou menos como se fosse um vídeo game moderno). Na falta de guerreiros, são obrigados a recorrerem a um ex-piloto (Hunnam) e uma jovem japonesa ainda sem experiência (Rinko de Babel). Juntos eles enfrentam a luta mortal (sendo que a mente de ambos tem que estar conectadas e funcionando em conjunto). 

      Ou seja, fica claro que é um “monster movie” e nesse ponto acho que ele acerta. A direção de arte/desenho de produção é interessante e criativa, os efeitos especiais são marcantes e quase notáveis (dada a concorrência). E até a historia em suas reviravoltas e surpresas. Por outro tem que seguir uma formula de que não dá para se desviar muito. E acho que nem tenta. 

       O roteiro é baseado em historia de Travis Beacham  (Fúria de Titãs I) que  teve a idéia andando a beira mar numa manhã cheia de neblina e a sombra de certas construções o fizeram pensar em um monstro marinho e imaginou um robot para enfrentá-lo ! Fez depois o script junto com o diretor. Teve gente que reclamou de que o roteiro poderia fazer com que as cidades costeiras fossem evacuadas o que criaria situações mais difíceis para os dragões do mar (Sidney e Hong Kong são destruídas mas não Paris ou Cidade do México ou São Paulo!). Mas esse tipo de lógica não funciona em cinema. Porque no filme a luta é na costa do Alaska e durante um furacão ?! 

      Curiosamente o titulo do filme aparece na tela só depois de 18 minutos (depois de um longo prólogo) e outra coisa a se notar é a presença do amigo do diretor Ron Perlman fazendo um chefão do crime em Hong Kong.  Há outras curiosidades: a voz do computador é de Ellen McLain, que faz a voz de Glados nos videogames, Portal  e Portal 2, de quem o diretor é fã. Toro usou como inspiração a pintura O Colosso de Goya e  The Great Wave of Kanagawa de Hokusai. O filme foi todo rodado com câmeras digitais. 

     Em suma, não é para todos os gostos. Eu particularmente curti  mais do que Wolverine e Homem de Aço.

     Ref fim.

Vendo ou Alugo


Vendo ou Alugo.Brasil, 13.Direção de Betse de Paula. Roteiro de  Betse, Maria Lucia Dahl, Julia de Abreu, Adriana Falcão e José Roberto Torero. Com Marieta Severo, Natalia Timberg, Silvia Buarque, Carmen Verônica, Marcos Palmeira, Nizo Neto,  Pedro  Monteiro, André Mattos, Daysi  Lucidi.Antonio Pitanga, Pedro Monteiro

      Esta  é para mim a melhor comédia brasileira do ano (ao menos ate agora) e que conseguiu um feito extraordinário no  Festival do Recife  onde levou os prêmios  de melhor do júri e da critica também do publico,  atriz (Marieta), direção de arte, montagem,  trilha musical, roteiro,  ator coadjuvante (Pedro Monteiro),  atriz  coadj (Natalie Timberg), e ainda um premio especial do júri para as atrizes que fazem as tartarugas, Daisy Lucidi, Ilka Soares e Carmen Veronica. 

      Betse vem de uma ilustre família de atores, sendo sobrinha de Chico Anysio, filha do diretor e produtor Zelito Viana (sobre quem ela escreveu a biografia editada na Coleção Aplauso), irmã de Marcos Palmeira, e mais um monte de gente, para não nos prolongarmos. Betse também classificou para o atual Festival de Gramado um belo documentário que fez sobre o fotografo Brasileiro Revelando Sebastião Salgado.  Ela já havia exercitado seu talento antes em outros filmes promissores (Celeste e Estrela, o Casamento de Louise) mas é aqui que consegue o equilíbrio certo numa comédia muito carioca, Que zomba e critica das mazelas da cidade, sem deixar de ser uma declaração de amor ao Rio, mesmo assim muito amado. 

      Não é fácil fazer comédia nunca. Ainda mais hoje em dia quando a tendência é transformar tudo em chanchada ou pornô-chanchada. Ainda que eu continue a achar que o humor fica mais rico e mais intenso quando parte de dados reais, como aqui : uma família dura que se vira para conseguir manter sua única propriedade, uma casa antiga que fica agora num terreno perigoso demais, na entrada de uma favela. E não tem mais escolha, são obrigados a venderem a casa porque estão totalmente falidos. Mais fácil falar do que fazer. O lugar é visitado por um francês que pensa em trazer turistas europeus que adoram lugares perigosos e autênticos (já que as paredes estão furadas de balas perdidas). Marieta faz a mãe da família (que não tem duvidas em entregar um barquinho com oferendas para Iemanjá ajudá-la) mas na casa tem ainda a avó (a excelente Natalia Timberg) que vem receber suas amigas de jogatina e que se intitulam As Tartarugas. São Daisy Lucidi, Ilka Soares mas quem realmente rouba todas as sequencias é a incrível Carmen Verônica, que é um autentico fenômeno. Tudo que diz daquele jeito todo seu, vale  uma gargalhada. Maravilhosa.

      Mas não fica só nelas, tem a empregada que faz doces eróticos (e meio sem querer também bolinhos de maconha), o pregador evangélico que deseja a casa, os policiais que de vez em quando dão uma batida.. e assim por diante. 

      Só sei que me diverti muito com o filme, o elenco, me identifiquei com o  tom de humor. Betse fez um filme cercado de amigos e familiares que é uma verdadeira festa de alegria bem carioca. Divirtam-se.

      Ref fim

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Morre Karen Black

Morre Karen Black, estrela dos anos 70

     O final nunca é feliz. Karen Black chegou a ser estrela, foi mesmo indicada ao Oscar de coadjuvante em Cada um Vive como Quer, com Jack Nicholson (71) .O Globo de Ouro foi mais generoso e lembrou-se dela além deste filme por O Grande Gatsby (74), onde fazia a mulher do mecânico que provoca a tragédia final e depois por O Dia do Gafanhoto (76). Na verdade, Karen era vesga, ou seja tinha um problema nos olhos e seu momento mais famoso acabou sendo num filme de aventura da serie Aeroporto (75) com Charlton Heston quando ela tem que assumir o comando da aeronave. Karen morreu dia 8 de agosto em Los Angeles (nasceu em 1939). 

     Foi diagnostica com câncer em novembro de 2010 e teve um terço do pâncreas reomovido. Teve mais duas operação e seu marido Stephen Eckelberry pediu ajuda dos fãs para criar um fundo para tentar um tratamento especial na Europa. Mas não deu tempo. Não podia viajar e o fundo de pensão dos atores ajudou em sua internação, numa casa de repouso onde morreu, Em Santa Monica.

     Embora esquecida hoje, Karen teve uma carreira marcante, de 194 filmes e shows de teve. E com muita gente importante, entre eles Robert Altman (esteve em Nashville, para o qual compôs duas canções que interpretou , O Complexo de Portnoy/Portnoy´s Complaint (72),Capricórnio Um,  o ultimo filme de Hitchcock Trama Macabra (76), Agora Você é um Homem, filme de estréia de Coppola, O Amanhã Chega Cedo demais/Drive He Said, dirigido por Jack Nicholson, Sem destino/Easy Rider de Dennis Hopper, Cisco Pike, O Duelo, Em Louvor da Mulher Madura, A Mansão Macabra com Bette Davis.Seu filho Hunter foi o astro de Paris, Texas de Wim Wenders. Segundo o Imdb seus dois últimos filmes seriam In the Woods e She Loves Me Not.  Um ultimo detalhe: filmou também no Brasil Killer Piranha, o Peixe Assassino(em 79), um horrível filme de terror com Lee Majors e Margaux Hemingway.

Ref fim

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Bling Ring: a Gangue de Hollywood

Bling Ring: a Gangue de Hollywood (Bling Ring).EUA, 13. Direção de Sofia Coppola. 90 min.Roteiro de Sofia e Nancy Jo Sales baseado em artigo do Vanity Fair.  Com Cathie Chang, Israel Broussard, Emma Watson, Claire Julian, Taissa Farmiga, Georgia Rock, Leslie Mann, Carlos Miranda, Stacy Edwards, Marc Coppola, Nina Siesmasko, Paris Hilton.

     Depois de ter ganhado o Leão de  Ouro em Veneza por seu filme anterior, o fraco Um Lugar Qualquer (10), Sofia Coppola insiste em contar outra historia de Hollywood (que nem é sua terra natal, ela é de Nova York) menos alegórica mas como se dizia antigamente “extraída das manchetes dos jornais”. Melhor dizendo, outra ilustração da futilidade  e do culto da celebridade , daqueles famosos por serem famosos, contando uma historia real e espantosa de um grupo de adolescentes de famílias ricas de Los Angeles, que resolvem invadir as casas dos famosos (e no filme aparece tanto Paris Hilton quanto sua própria casa, já que ela é o caso mais notório de alguém que não tem qualquer talento mas mesmo assim é uma estrela. Da mesmo a impressão que permitiu que rodassem em sua casa, só para mostrar seus imensos armários de roupas). E  além de tudo roubar seus pertences, tenham ou não especial valor. Sofia não se incomodou que já houvesse um telefilme sobre o tema de 2011 e homônimo,alias bem feitinho, com Jennifer  Grey como a mãe do protagonista. Todo o elenco jovem é correto e praticamente não há mudanças (o filme esta disponível na Internet). O diretor Michael Lembeck  e o roteiro de quem conta a historia (aparentemente para seus conhecidos na Internet) é o rapaz, Marc (inspirado em Nick Frank Prugo, que com sua gangue roubou cerca de 3 milhões de dólares das casas dos famosos). Ele começa ingênuo e vai aprendendo com a ajuda de uma patricinha oriental (e “As Patricinhas de Hollywood” ainda foi o melhor filme que abordou esse tipo de geração e comportamento, sem crime. Embora meu amigo Mario Mendes tenha me lembrado de Abaixo de Zero, 87, que mostrava o mesmo tipo de turma que se alegrava em se drogar. O tv movie não mostra drogas em compensação a versão  do cinema deita e rola. O que justifica mais facilmente o comportamento bizarro e irresponsável da turminha). Aos poucos, completamente amorais vão comprando gente, passando a frequentar night clubs e festas, vendendo descaradamente o material roubado. E naturalmente como todo filme ensina, ficando descuidados, passando informação pelo facebook, aceitando mais parceiros. A única quebra de narrativa é sem mais ou menos colocar os policiais fazendo depoimentos para a câmera sobre o caso. Que fica um pouco confuso e nada original. E assim prossegue o tlefilme que se não chega a julgar, deixa o herói falar e se explicar, que não fez nada por dinheiro, mas simplesmente porque queria frequentar as boates da moda, ser cool, termos amigos, se achar bonito. E pergunta: vocês não faria o mesmo? E nestes tempos sem nenhuma ética ou vergonha na cara, infelizmente isso soa como uma convocação para ser cool que seja como ladrão e fora da lei. Só vale é ser cool! 

     Quem não conhece Los Angeles não se espante porque realmente é do jeito que mostra o filme. Mansões sem nenhuma segurança, sem muro, quase sempre com portas sem serem fechadas a chave  (mas há um alarme e uma vigilância diuturna que o filme ignora). Mas eles vivem num mundo de fantasia e acham que nada de mal pode lhes acontecer (e inclusive vários dos roubados nem sequer deram queixa  a policia). O filme tem isso de ruim, o mau exemplo. A farra não vai terminar por aí. Outros virão, que vocês achar divertido colocar seus erros,falhas e mesmo crime no facebook sem pensar em conseqüências.

      Quanto ao filme de Sofia, não precisava ser feito já que tem outro tão igual. Bling Bling me explicou o Mario é a gíria usada pela turma da moda para roupas e acessórios brilhantes (e pobre de mim desinformado, a reportagem que deu origem ao filme- e uma atriz interpreta a repórter- se chamou Os Suspeitos Usavam Louboutin se refere a marca de sapatos mais badalada do momento). Ao contrario do telefilme que é mais convencional, Sofia começa já numa visita a casa de celebridade (onde o comportamento é semelhante, devassam os armários e fogem com as roupas mais na moda, mais de grife! Muitas vezes para se desfazerem delas por bagatelas) e além disso tem uma detestável predileção por cenas escuras aonde mal da para se enxergar alguma coisa!  Não é muito de continuidade dramática mas estranhamente acerta mais em planos isolados, onde explora detalhes (como o rapaz que denota um lado gay se pintado na boca e depois dançando, ate tempo demais ou a discussão por causa do revolver encontrado debaixo da cama de Megan Fox). Usa muito pouco a trilha musical, colocando alguns discos de fundo e raramente musica para criar clima. Mas confia na presença dos atores jovens e se limita a satirizar apenas uma figura materna, no caso com a comediante  Leslie Mann (Mulher de Apatow) como a mãe (que não percebe nada e que confia nos ensinamentos do livro O Segredo, com que da aulas em casa para suas tres filhas. Uma delas é Emma Watson, que tem os depoimentos (para a imprensa) mas divertidos e que exigem mais como atriz, inclusive na cena final. Justamente por exigir tão pouco do elenco é que poucos deixam maior impressão.

      Também porque é mais recente esta versão pode mostrar o destino dos envolvidos (Sofia usa um recurso que me parece de pós produção, fecha a porta da corte de justiça e só reabre em câmera lenta, dando tempo para passar as sentenças dos principais).  Mas recusa a se indignar ou tomar posição ou nem mesmo criticar ou satirizar seus pequenos criminosos. 

      Foi o ultimo filme do diretor de fotografia Harry Savides a quem o filme é dedicado (que morreu em outubro de 2012) que já ficou doente durante a filmagem e foi substituído por Christopher Blauvelt (os dois compartilham o crédito).  No elenco, dentre as curiosidades . Taissa Farmiga é filha e a cara da indicada ao Emmy Vera Farmiga (Bates Motel). O pai Francis assina a produção que foi feita também pela firma da família, o American Zoetrope. O primo Marc Coppola faz o pai de Marc. Exibido no Um Certain Regard do Festival de Cannes, rendeu nos EUA apenas 5 milhões e 600 mil, e por enquanto  um milhão e 400 no exterior.

Ref fim.

Os Smurfs 2

Os Smurfs 2 (Smurfs 2) EUA, 13. 105 min. Sony. Direção de Raja Gosnell.Com Hank Azaria, Brendan Gleeson, Jayma Mays, Neil Patrick Harris, vozes de Katy Perry,  Cristina Ricci, Jonathan Winters, Anton Yelchin, George Lopez, Saquille O´Neal , Mario Lopez.

     O primeiro filme do Smurfs dois anos atrás foi uma grata surpresa e rendeu mais de 563 milhões de dólares (setenta por cento no mercado externo). Era divertido e muito bom tecnicamente, conseguindo misturar atores com animação com um resultado até surpreendente. Esta continuação estréia simultaneamente com os EUA na certeza de que pretende ampliar seu alcance, atingindo também adultos (há, por exemplo, uma longa sequencia em que a esposa de Neil, vivida por Jayma Mays sabendo que existe uma exposição enorme sobre Audrey Hepburn em Paris, para enganar a recepção do Hotel Plaza, onde esta escondido o vilão, se veste com uma réplica da roupinha preta e o chapéu  que ela usou no filme Bonequinha de Luxo, uma citação simpática mas que nenhuma criança vai entender! E só mães mais sofisticadas irão notar). Também existe um Smurf que leva o apelido de Narciso/Vanity no original (porque é muito vaidoso, outra palavra para criança aprender) para não dizer das falas afeminadas e duvidosas. E tudo bem suas falas são relativamente engraçadas ainda que repetitivas (há outros também que se chamam Clumsy/ Desajeitado, Grouchy/Rabugento, e mesmo um Bi Polar!). O filme é dedicado ao comediante Jonathan Winters que faleceu em abril de 2013 e que dublava o Smurf Pai). 

     Ou seja, apesar de fazer um valente esforço para se superar, este segundo capitulo acaba sendo inferior ao primeiro. Basicamente como esta na moda seria a historia das origens de Smurfette que foi sequestrada pelo vilão Gargamel na esperança ela  o ajude a criar um novo tipo de Smurfs que seriam chamados de Naughties (traduziram por Danadinhos!). O Problema é que ela foi criada por Gargamel e tem suas lealdades disputadas.  O longa faz uma viagem delirante pelas locações de Paris, começando e terminando na Torre Eiffel, passando uma roda gigante enorme  e super iluminada (cujo final nunca fica nunca determinado ou explicado!). O galã protagonista volta a ser Neil Patrick Harris, que tem sido excepcional como o melhor apresentador de todos os tempos tanto na festa de Emmy quanto na do Tony. Ele canta e dança muito bem mas não aproveitam essas qualidades quando ficam perdendo tempo rejeitando seu padrasto (Gleeson) até descobrir o óbvio e que vem ser a moral da historia. Pai é quem criou você e lhe deu amor e confiança, não o que gerou biologicamente. Fora isso o filme é mais outra longa perseguição, o primeiro em Nova York, esta aqui em Paris. 

     Mas quem volta a ser a figura dominante no projeto é outra vez o vilão, uma interpretação brilhante e menos exagerada me pareceu, de Hank Azaria, como o implacável Gargamel! Desta vez ele faz sucesso no Teatro de Opera de Paris realizando incríveis mágicas (provocadas por um artefato que é regado a essência dos Smurfs!)

     Tudo começa de fato quando os Smurfs estavam preparando uma festa surpresa para a Smurfette  e ela fica magoada com o silencio a respeito do aniversario (que iria ser surpresa) , acaba sendo seqüestrada e descobre que tem mais um casal de irmãos recém fabricados. Ou seja, por trás de todo o filme está o conceito mais moderno de família, que é formada por pessoas que se amam e podem ser parceiros por afinidade e não apenas laços sangue.

     A mensagem fica um pouco forçada demais embora a Parte 2 tenha sido feita pelo mesmo diretor do original e também os mesmos roteiristas. Ou vai ver é uma questão de expectativa, o primeiro foi inesperado já que eu mal conhecia os personagens dos Smurfs e me resultaram muito simpáticos. Neste segundo podiam ter eliminado uns dez, quinze minutos sem problemas. Sem duvida, evoluiu técnica se não dramaticamente o especialista na técnica de misturar atores com animação, Raja Gosnell (que apesar do nome é homem e foi quem fez os filmes com  Scobby Doos). Outro detalhe simpático: a musica é novamente do brasileiro Heitor Pereira que fez o primeiro filme e também  Meu Malvado Favorito I e II ).

     Um fato que poucos sabem é que os Smurfs na verdade são criações de um europeu, um belga chamado Peyo (1928- 1992), ou Pierre Culiford, que chegou mesmo a dirigir um filme de animação em 1978 usando o nome original deles, que é o impronunciável Schtroumpfs. O nome atual é coisa dos americanos que o tornaram mais universal.

     
Como sucedeu com Meu Amigo Favorito 2 quando o publico se apaixona pelo filme ou personagens, besteira ficar procurando justificativa. Gosta e  pronto, ficam feliz em revê-los. O mesmo se pode dizer dos Smurfs, que ao menos por aqui , quiçá em toda parte, deve ser outro grande êxito de bilheteria.  Mas por que rejeitaram o eficiente animação Turbo? Talvez não tenham tido tempo ou espaço para simplesmente descobri-lo.

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