Canadá,
04. Direção e roteiro de Xavier Dolan. Com Anne Dorval, Antoine Olivier
Pilon, Suzanne Clement, Patrick Huard, Michele Lituac.
Tempo de
corrigir uma falha, por estar viajando deixei escapar este premiado
filme mais recente do jovem diretor Dolan, que provocou uma rara comoção
no Festival de Cannes, onde este filme ganhou o Prêmio do Juri do
Festival (competição), o César de melhor filme estrangeiro, e dentre
dois prêmios canadenses levou 7 Jutras e mais um Especial, e 10 Canadian
Screen Awards. Este foi o sexto filme longo do diretor, que nasceu em
1989 e estreou na direção em 2009 com o já interessante Eu Matei a Minha Mãe (geralmente também é ator do filmes que giram em torno de temas gays!). Mas os filmes seguintes Amores Imaginários (10) e Lawrence Anyways (12) continuaram a ser interessantes. Em 2013, fez o curta Indochine: College Boy e depois no mesmo ano Tom à La Ferme (primeiro não escrito por ele e o que menos circulou. Por outro lado já esteve como ator em 17 filmes).
A
primeira vista também a badalação (e por órgãos importantes da
imprensa) foram me deixando curioso. Seria outro engano? Tentei ver uma
versão do filme que me emprestaram mas senti que havia algo errado,
parece que foi uma edição especial que Dolan fez especialmente para
enlouquecer os viciados em baixar filmes!
O fato é que o filme
saiu agora em DVD pela Paramount. E fiquei arrasado no melhor sentido da
palavra. O rapaz é muito talentoso, criativo e nessa atual mediocridade
e incompetência que tenho visto nos filmes de arte, ele é excepcional
(um absurdo que não tenha feito maior sucesso aqui!). Dentre as boas
ideias esta o fato de ter um letreiro no começo bem difícil de ler, onde
conta que a história se passa num futuro próximo quando o governo
canadense criou uma lei em que as mães/familiares que tenham problemas
com os filhos adolescentes rebeldes podem de acordo com certas
burocracias, interná-los em hospitais, de onde sairão (dito) normais! Ou
seja, lesados.
O maior impacto do filme é ter a ousadia de rodar
todo o filme no formato antigo, do começo do cinema, que é praticamente
uma fotografia de três por quatro (e não o widescreen que só começara a
vigorar nos anos cinquenta em diante, certamente influenciado porque
esse formato é o mais utilizado pelos pintores, da melhor
enquadramento). E que lembra também a imagem de um celular. Depois dele,
também o diretor polonês que fez Ida, também usou
formato parecido. Mas é outro papo porque conta uma historia de freira e
refugiada, toda plácida, toda praticamente sem cor. Aqui não, é como se
deixassem os personagens prisioneiros do formato de sua tela. Reparem
como parece que querem escapar dessa prisão.
Não é Dolan que faz o
protagonista mas outro ator jovem, Antoine- Olivier Pilon, que já tinha
estado em Indochine e Laurence. Ele faz Steve O´Connor um adolescente
hiperativo que cria problemas para sua mãe, que está longe também de ser
um exemplo. Mas o rapaz é realmente um exagero, repleto de auto
piedade, de lamentações a sua vida infeliz e futuro medíocre. Embora não
se consiga também deixar de se ter por ele, se não uma simpatia
propriamente dita, uma estima, uma compreensão. Ele fala para pessoas
que são incapazes de o entender, mergulhadas que estão nas suas
próprias infelicidades (no caso, a mãe e a melhor amiga dela, uma
vizinha, as duas atrizes franco canadenses são excepcionais).
O
filme é tão intenso (e também tenso) que sua resolução chegou como uma
surpresa para mim, que embarquei totalmente no resultado e no choque.
Que em retrospecto pode parecer óbvio mas que a habilidade do diretor
faz se manter forte e atual e doente e arrebatadora.
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sexta-feira, 24 de abril de 2015
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Jogos Vorazes: A Esperança Parte I (The Hunger Games – Mockingjay)
EUA,04. Direção de Francis Lawrence.Paris filmes. 123 min.Com Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemswsorth, Julianne Moore, Woody Harrelson, Donald Sutherland, Philip Seymour Hoffman, Sam Clafin, Elizabeth Banks, Stanley Tucci, Jeffrey Wright.
Como nada na vida é perfeito, os parceiros dela não brilham tanto. O galã Liam está neutro e sem vibração mesmo tendo Katniss em seus braços e Josh (Peeta) tem uma participação ingrata, que o fez emagrecer (ele passa a maior parte do tempo prisioneiro e sofrendo lavagem cerebral, teve que emagrecer e não conseguiu resolver o grau de emoção que deveria passar.Difícil se convencer com ele!).
Por outro lado, os coadjuvantes funcionam bem. Elizabeth Banks faz a figurinista Effie agora mais simpática e com muita habilidade não se percebe a ausência de Philip Seymour Hoffman, que faleceu antes de terminar sua participação. Ainda assim está presente nas horas adequadas. Quem rouba praticamente o filme junto com Jennifer é a grande Julianne Moore (pela primeira vez na série), que esta vivendo um grande ano (foi melhor atriz em Cannes por Mapa para as Estrelas e está sendo louvada por Still Alice, quem sabe este será o ano que levará o Oscar. Já estava na hora. Julianne dá a medida certa de doçura e olhar materno como a Presidente Alma Coin, que dirige a resistência aos ataques quando se instaura definitivamente a Rebelião.
Mas justamente o que mais me surpreendeu é que um filme comercial como este, feito para jovens adultos, tenha uma mensagem tão contundente contra os ditadores, nenhum em particular, mas todos em consequência. E a luta dos habitantes cansados de sofrerem chega a ser empolgante quando se observa o mundo atual que sempre cai na mesma cantilena de governos não democráticos se espalhando pelo mundo (Rússia, China, Coréia, Venezuela, Colômbia, Argentina e assim por diante).
E se poderia ter sido apenas o primeiro a tocar no assunto também Jogos tem o mérito de ser também o melhor deles. Uma pena termos que esperar ainda um ano para se ter a conclusão da Saga. Mas desde já aguardo ansioso como os fãs.
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