sexta-feira, 29 de julho de 2016

Life: Um Retrato de James Dean (Life)


EUA, 15. 111 min. Direção de Anton Corbijn. Com Robert Pattinson, Dane DeHaan, Peter Lucas, Joel Edgerton, Bem Kingsley.

É boa surpresa este modesto drama biográfico sobre o astro James Dean (1931-1955), um caso raro de um ator que morreu aos 24 anos, num desastre com uma Porsche que não guiava (há certa semelhança com o caso mais recente com Paul Walker, 1973-13). Dean foi um fenômeno porque ao falecer tinha apenas um filme estreado (Vidas Amargas que lhe deu indicação ao Oscar), ainda estreariam Juventude Transviada e Assim Caminha a Humanidade (outra indicação, morreu dias depois de encerrar a gravação). Com certeza seu estúdio a Warner criou uma campanha publicitária enorme com medo do fracasso daqueles filmes, mas isso resultou numa lenda e mitologia que persiste até hoje.

Na verdade, houve vários filmes biográficos, desde 76 (A Vida de James Dean, com Stephen McHattie, que não fez carreira), Live Fast Die Young, com Casper Van Dien, 97, outro com James Franco, 2001, num total de 28! Nada mal para alguém que faleceu há tanto tempo. Nenhum deles porém foi tão respeitoso e poético quanto este aqui, escrito por um certo australiano Luke Davies, que fez Candy. E na direção outro diretor que deve ser apaixonado pela figura lendária de Dean: Anton Corbijn que se revelou no também biográfico Control , 07 A Vida de Ian Curtis, e os rebuscados Um Homem Misterioso com George Clooney, 10,  e O Homem Mais Procurado, 12.

Ele deve ser admirador fiel do ator porque em momento nenhum toca em assuntos que poderiam ser polêmicos. Há anos que já se sabe que Dean era bissexual, sim teve caso com a atriz italiana Pier Angeli como o filme mostra, mas no começo de carreira teve uma ligação com um agente que lhe conseguiu pontas em vários filmes (na época, isso passou despercebido, mas hoje já foram revelados). Aliás papeis nada marcantes. Depois desistiu dele e foi para Nova York onde cursou o Actor´s Studio e fez sucesso em teleteatros ate ser descoberto por Elia Kazan. Eu entrevistei o lendário diretor e ele me disse que se arrependia de tê-lo lançado como astro porque Dean teve uma influência negativa na juventude no mundo! O filme também contém a interpretação do ator Dane de Haan, conhecido por outros trabalhos (Versos de um Crime, O Espetacular Homem Aranha, Poder sem Limites). Enquanto na tela ela era exagerado, careteiro, por vezes irritante, nesta versão parece discreto, sincero, falando baixo e muito sensível. Ou seja, não é o Dean que vocês vão ver na sua trilogia.

O curioso, porém já que o diretor gosta dos protagonistas, consegue interpretações muito delicadas de ambos, inclusive de Pattinson, que deixa de ser vampiro e tem a interpretação mais convincente de sua carreira. O filme se fixa na figura real de um jovem fotógrafo na revista lendária Life, que tirou fotos que se tornaram clássicas do então promissor ator, chegando a fotografar também sua família no interior de Indiana (nada de casinho entre eles ao menos no filme). Se esta pode não ser a verdadeira história de Dean, pelo menos resultou num filme ainda que lento, que presta um tributo surpreendente do ator. Chega mesmo a emocionar. E sem dúvida, diferente, numa época onde se cultua o sensacionalismo, ele construiu aqui uma sensível homenagem a uma lenda do cinema.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Jason Bourne (Idem)


EUA, 16. 123 min. Direção de Paul Greengrass. Com Matt Damon, Tommy Lee Jones, Alicia Vikander, Vincent Cassel, Julia Stiles, Riz Ahmed, Ato Essadon, Scott Shepherd, Bill Camp, Gregg Henry.

Depois de uma espera de alguns anos (o anterior e legítimo foi O Ultimato Bourne, 07) retorna a série e nesse ínterim o diretor inglês Greengrass fez dois filmes, o fraco Zona Verde com Damon (10) e o sucesso Capitão Phillips (13) com Tom Hanks. Fizeram também um filme com o personagem mas sem o diretor e Damon, chamado O Legado Bourne, 12, com o fraco Jeremy Renner, que seria melhor deixar de lado.

Com orçamento estimado em 120 milhões de dólares, não perde tempo com muita conversa ou explicações. É basicamente um thriller de ação e perseguições, rodado em Santa Cruz/Tenerife, Berlim, Londres, Grécia, Islândia, Roma, Las Vegas. Começa, porém, com uma pequena síntese das façanhas anteriores de Jason (inclusive com aparição de Albert Finney, rápida) que agora está mais concentrado em limpar o passado e entender porque e como seu pai verdadeiro foi assassinado. Há também uma infelizmente rápida participação de Julia Stiles, que faz Katherine Thorn em Supremacia e Ultimato. Talvez a mudança mais significativa seja agora a existência de um mega empresário que parece ser de origem indiana, que além de ter ficado rico e famoso também resolveu denunciar as façanhas da CIA e outros órgãos de espionagem (agora isso passa a ter importância fundamental na trama e na conclusão em Vegas). Sem esquecer uma perseguição de moto e carro e carro de segurança pelas avenidas da cidade, que pode ser improvável, mas não deixa de ser espetacular.

A verdade é Matt Damon,amadurecido mas em forma, quase não abre a boca (porém corre, salta, leva tiros, faz perguntas sobre o pai) e no começo do filme esta ganhando a vida disputando lutas a soco! O vilão seria agora um novo chefão da CIA Robert Dewey vivido por Tommy Lee Jones, já sem vigor e com uma aparência digna de zumbi! Há também um assassino contratado francês interpretado pelo já quase brasileiro Vincent Cassel (como Asset), brincando de gato e rato com nosso herói.
Outra presença marcante é a da recente premiada com o Oscar de coadjuvante Alicia Vikander, que apesar de miudinha e magricela, parece acreditar mesmo que é poderosa no papel de uma alta agente da CIA, ambiciosa e dúbia, variando de quem esta pensando em trair.

Mas o que impressiona é o trabalho de montagem, de fotografia, de incessante movimento (que pode ser ocasionalmente confuso e mesmo difícil de entender). Afinal de contas essa é a marca registrada de Bourne e a razão porque este filme e esta franquia era tão esperada. Acho que o fã não vai se decepcionar (alguns críticos reclamaram do final, mas eu achei perfeitamente condizente com tudo).