domingo, 30 de março de 2014

Rio 2

“Rio 2” (Idem) EUA, 14. Direção de Carlos Saldanha. Fox/Blue Sky. Vozes originais de Rodrigo Santoro, Anne Hathaway, Leslie Mann, Jesse Eisenberg, Jamie Fox, Kristin Chenoweth, John Leguizano, Andy Garcia, Rita Moreno, Bruno Mars, Bebel Gilberto, George Lopez.


      Estreando no Brasil semanas antes dos Estados Unidos (abre lá 11 de abril) e em super circuito, o novo filme de Carlos Saldanha chega com o crédito e boa vontade de quem gostou do primeiro filme, uma declaração de amor feérica e simpática da cidade do Rio de Janeiro que teve orçamento de 90 milhões, rendeu 143 milhões de dólares nos EUA mas 341 no resto do mundo, um numero bastante expressivo!  Indicado ao Oscar de canção, alias devia ter ganhado o premio, ate porque eram apenas 3 os indicados e a canção dos Muppets que foi vencedora era muito fraca e já foi esquecida. 

     Enfim, o valor promocional do filme para o Brasil não tem preço assim como a decisão de fazer uma continuação.  E aí que começam os problemas. O titulo é obviamente errado, começa no Rio numa noite de réveillon quando parece que a população inteira da cidade e imediações esta preocupada em sambar ou coisa que o valha. Mas o visual continua tropical e belíssimo,que nos enche de euforia. Mas começam os problemas, o maior deles é que Bye, Bye Rio, dali a poucos vamos para a Amazônia onde supostamente foram encontradas mais ararinhas. Os heróis Blu e Jewell, que já tem três filhos ficam sabendo disso resolvem viajar para la! E começam as besteiras: eles voam então 3.500 kilometros, ou coisa que o valha. Em vez de inventar uma historia de colocar eles de clandestinos em algum vôo, temos que acreditar que voaram por conta própria ate lá! 

      E quando chegam imediatamente temos uma sequencia de cachoeira e corredeiras, quando todo mundo sabe que elas não existem ao menos na Amazônia Brasileira. Que alias é muito mal mostrada,  o rio majestoso virou um riacho (Não tem pororoca, rio cinzento, não há vestígio do tempo quente, da chuva constante. Em compensação tem tamanduá, os golfinhos cor de rosa passam rapidamente, tem tanto jacará quanto no Pantanal e assim por diante). Atrapalhado por um roteiro ruim, sem graça, e fica dando voltas atrás do próprio rabo, se perde com vilões fracos (Nigel, velho o cacatua não tem qualquer graça ainda mais quando canta sem mais nem menos, o hino gay I Will Survive!).

      Alias falando da musica, o que já era problema no primeiro filme  se agrava neste aqui  chegando ao ponto de nos fazer lembrar dos antigos filmes de Carmen Miranda, que não tinham qualquer respeito pelos costumes e verdades brasileiras. Tudo fica diluído, não tem o samba de verdade, fica misturado com Rap e nem funk consegue fazer. 

      A decepção não seria tão forte caso o script fosse mais interessante e divertido. Mas tudo vira clichê de animação de selva. Meio Tarzan. O que não consigo entender  é porque mostrar uma Amazônia quando se falta a verdade?  Fica genérica, ate mesmo numa sequencia de jogo de futebol com as araras que na verdade fica parecendo mais aquele jogo aéreo do Harry Potter , o quadribol.  
Francamente podia ter feito uma pesquisa melhor, mais responsável.
Ref fim. g


quarta-feira, 26 de março de 2014

S.O.S. Mulheres ao Mar

S.O.S. Mulheres ao Mar. Brasil, 14. Direção de Chris Amato. Com Giovanna Antonelli, Reynaldo Gianecchini, Fabíola Nascimento, Thalita Carauta, Emmanuele Araujo, Flavio Galvão, Marcello Airoldi, Thereza Amayo, Rodrigo Ferrarini, Sergio Muniz .

     O recente Meu Passado me Condena (o filme) tinha uma situação bastante semelhante situando-se quase todo em um transatlântico internacional (com direito a um final na Europa, aqui neste caso com rápidas passagens por Roma, Veneza  e Tunísia). Isso tira muito da novidade ou surpresa, ou mesmo curiosidade de uma comédia mais romântica do que pornô chanchada, ou seja, teoricamente mais indicada para o publico feminino que o masculino. A presença de Chris Amato na direção (ela é a assistente e  pessoa de confiança de Daniel Filho) não consegue resolver vários problemas de roteiro ou andamento ou mesmo ritmo narrativo (custa a engrenar, se repete, se estende novamente ao final, tem um elenco de apoio muito discutível).

     Giovanna Antonelli chegou a fazer cinema (Caixa Dois, Budapeste, um filme americano que ao que parece não passou aqui ainda chamado O Arrasa Corações) mas ainda é mais identificada como estrela dramática de telenovela, não especialmente a vontade com o humor. Ainda mais porque seu personagem é um samba de uma nota só.  Não parece muito inteligente embarcar num navio em que o marido que acabou de deixá-la esta viajando com sua namorada nova, ainda por cima uma estrela de televisão e que teria feito filme pornográfico (ou não, fica tudo meio vago ate porque o filme de vez em quando demonstra alguns preconceitos duvidosos!). Se a heroína fica se repetindo aplicando golpes que não dão certo ou tomando bebedeiras, ainda por cima se aproxima de um estilista na certeza de que ele é gay (o filme tenta fazer humor com essa situação digamos superada pelos fatos históricos atuais). E não tem o menor cabimento  dela viajar com sua irmã (apesar de Fabiula Nascimento ser fácil a melhor do elenco) e ainda por cima a empregada (que entra de clandestina). São duas  também não tem o chamado arco de evolução  de personagem dando a impressão que mulher só é tarada para pegar homem  (a empregada feita por Thalita Carauta, tem a melhor piada quando coloca “esses” em todas as palavras!). Teve uma coisa porém que me comoveu que foi a presença de Theresa Amayo, veterana estrela de cinema e de televisão, que faz uma senhora viúva com muita delicadeza e sensibilidade.       
Ref fim


As Aventuras de Peabody & Sherman

As Aventuras de Peabody & Sherman (Mr.Peabody & Sherman). EUA, 14. Direção de Rob Minkoff. 

     Embora já tenha estreado há algum tempo, vale a pena registrar que esse novo filme de animação tem excelente qualidade de imagem e ate mesmo um conteúdo cultural, de informação que nenhum outro do momento sequer procurou imitar. Além disso é o único dos recentes que foi dirigido por um realizador já conhecido, já que Minkoff fez O Rei Leão, os dois Pequenos Stuart Little, e o fantasioso O Reino Proibido.

    Não conheço os personagens originais que eram de desenho animado de televisão do mesmo autor, Jay Ward (1920-89), que criou mais personagens famosos como George of the Jungle (O Rei da Floresta), Alceu e Dentinho,  A Policia Desmontada (Dudley-Do Right), muitos deles da serie Rocky Bullwinkle e Amigos. Mas a atualização do que era chamado de "Peabody's Improbable History" é rica em imaginário e informações, porque tiveram a idéia de deixar para a segunda parte uma viagem no tempo que vai mostrar para as crianças como era Leonardo da Vinci e a Mona Lisa, o velho Egito de Tutamenkon,   o presidente americano George Washington (tem aparições também de Lincoln e até do recente Clinton), e até mesmo Kirk Douglas gritando Eu sou Spartacus! passando pela Guerra de Tróia, com Cavalo e tudo, a Corte Francesa e até um Buraco Negro!  . E os fãs perceberão que há varias citações dos desenhos originais, desde a aparição do cachorro fazendo ioga e assim por diante...

     O herói é um  super inteligente mesmo genial, que por ser tão fora do comum, conseguiu o direito de adotar uma criança abandonada (seu lema é divertido: Toda criança deve ter um pai cachorro. Ou será o oposto: todo cachorro deve ser pai de uma criança? Tanto faz porque  é a ausência de preconceitos e a necessidade de amor e cuidados, que o filme defende e apresenta de forma encantadora. E por vezes engraçada!

     Mr Peabody é muito formal, gosta de ser chamado de Senhor e dá duro no filho que é inseguro ainda mais quando vai para uma escola e sofre bullying por parte de uma garota riquinha, que acaba provocando todo o conflito. Segundo dizem o filme teria custado 145 milhões de dólares (esta indo bem de bilheteria por lá mas não passou ainda dos 82 milhões, periga de não se pagar!). É verdade que poderia ser mais satírico e  mesmo engraçado mas dificilmente podia se superar no design e animação. 

Ref fim  

The Invisible Woman

The Invisible Woman. Inglaterra, 13. Direção de Ralph Fiennes. 111min. Roteiro de Abi Morgan baseado em Livro de Claire Tornalin. Com Ralph Fiennes, Kristin Scott Thomas, Felicity Jones, Joanna Scarlan, Tom Hollander,John Kavanagh, Tom Burke, Perdita Weeks, Jonathan Harden.

     Só recentemente estreou nos EUA e na Inglaterra (e fracassou) este drama que tinha palidas esperanças de ser lembrado para o Oscar e no final das contas foi realmente indicado para o de figurino (para Michael O´Connor, de A Duquesa, Harry Potter e a Camara secreta). Um trabalho competente que não chama a atenção para si mesmo mas esta discrição pode atrapalhar (que não tem como comparar-se com exercícios delirantes como O Grande Gatsby, críticos como a Trapaça , sóbrios como 12 anos de Escravidão e espetaculares como o chinês O Grande Mestre). 

     Este já é o segundo trabalho como diretor do excelente ator Fiennes (o primeiro foi uma competente atualização de Coriolanus de Shakespeare) na realização (sendo que duas irmãs deles estão no mesmo metier, Martha e Sophie.  Alias ele é primo em  oitavo grau do príncipe Charles!).

     Os ingleses adoram historias de infidelidades dos famosos mesmo que seja reveladas muito tarde. Como é o caso de um  romance que sucedeu com um dos mais romancistas do Mundo, o genial Charles Dickens (11812-70), criador de clássicos como David Copperfield, Oliver Twist, Grandes Esperanças e inúmeros peças de teatro que ele adorava dirigir em casa com a família.

     Aqui se revela que Charles que apesar de casado e com um monte de filhos (9), foi infiel durante anos com uma admiradora muito mais jovem chamada Nelly Terman (que escreveu o livro em que se baseia o roteiro). Esta queria ser atriz mas seu talento era duvidoso mas não seu charme juvenil. Conheceu-o aos 18 anos e apesar da diferença de 27 anos de idade, a época em que viviam era o auge da hipocrisia (era Vitoriana) e havia regras diferentes para homens e mulheres.  A única saída para ela continua a ser aceita era continuar a ser invisível para proteger a reputação não apenas dela mas também dele! Li vários críticos que reclamam que a historia parece incompleta, com uma narrativa frouxa e sem emoção. Ele mesmo não brilha especialmente com Dickens (ou será medo de mostrar um lado negativo de uma Lenda?).Resulta enigmático e não apaixonante. Outros disseram Vago e esotérico. O mesmo se pode dizer de Felicity no papel da amante (fez muita coisa como Histeria, Loucamente Apaixonados, Tempestade mas ainda não conseguiu deixar maior impressão). Por outro lado, charmosa e cativante como sempre a parceira de Ralphe em O Paciente Inglês, esta a adorável Kristin Scott Thomas.   

Ref fim 

Tudo por Justiça

Tudo por Justiça (Out of the Furnace) EUA, 13. Direção de Scott Cooper. Com Christian Bale, Casey Affleck, Zoe Saldana, Woody Harrelson, Sam Shepard, Willem Dafoe, Tom Bower.Forrest Whitaker. 

     Estamos numa fase intermediária em que estão sendo lançados os filmes que não entraram na lista das premiações, mesmo que tenham algumas qualidades (como A Mulher Invisível) ou este drama que apesar de seu elenco importante não deu certo. Foi rejeitado pelo publico e desprezado pela critica (para orçamento de 22 milhões de dólares rendeu apenas11.300 milhões, sem nada ainda do exterior). O diretor Scott Cooper era ator e dirigiu em 2009 Jeff Bridges no papel que lhe deu um Oscar (vendo agora em retrospectiva meio duvidoso) como um cantor country em Coração Louco/Crazy Heart, 09. Outro filme de pouca repercussão aqui pela temática country (ganhou também como canção!).

     Trabalhando a partir de roteiro dele e de Brad Ingelsby(este é o primeiro script dele filmado) é daqueles filmes que procuram mostrar a vida e o comportamento da classe trabalhadora americana, quase caipira. A principio me lembrei da serie de teve Justified, que em alguma semelhança mas é mais emocionante, com mais ação e menos pretensão. Já ouvi pessoas que começaram a reclamar de Christian Bale, sempre com seu tom intenso, sempre se levando a sério demais. O diretor inclusive o conquistou quando cancelou o filme dizendo que sem Bale não o realizaria (Leonardo Di Caprio iria fazer o personagem dirigido por Ridley Scott, no final das contas ambos ficaram apenas como produtores). O Ego de Bale foi maior e aqui ele interpreta Russell, que vai fazer justiça com as próprias mãos quando seu irmão mais novo mais fraco e mais briguento desaparece. O papel do irmão foi uma escolha óbvia já que é feito por Casey Affleck, que construiu uma carreira justamente fazendo papeis de irmão mais fraco e briguento em geral de seu próprio irmão na vida real, Ben Affleck. Zoe Saldana de Avatar faz o interesse romântico. Todo o filme foi rodado em locações autenticas (e pobres) da Pensilvânia, nos Apalaches. 

     O que incomoda no filme é a sensação de já visto, de ser previsível, onde os atores tentam nos convencer que são trabalhadores comuns que trabalham em caldeiras (daí o titulo Fora da Caldeira, alguns críticos acharam que o diretor deveria colocá-lo de novo nem que fosse para chegar ao ponto certo!). E o tema na verdade são lutas não regulamentadas que podem lhe dar dinheiro extra. Casey fica sabendo de uma em Nova Jersey, vai atrás (engraçado que o ator é fraquinho de músculos), Bale vai atrás e Woody Harrelson (isso antes de dar tão certo na série de teve True Detectives) faz o vilão.

      Tem mais histórias paralelas (Bale a certa altura é mandado para a prisão, depois  Willem Dafoe  que é dono de bar também organiza outras lutas. E tem ainda o pai dos rapazes que esta morrendo (feito pelo dramaturgo Shepard). Nada parece fora de lugar, a ambientação, a fotografia, os figurinos, mesmo a interpretação faz um esforço para ser autentica e convincente (ainda que abuse de closes e planos fechados). Uma pena porém que no todo o filme não motive nem interesse. Poucos vão querer vê-lo.

Ref fim .  

Toque de mestre

Toque de mestre [Grand Piano, EUA/Espanha, 2013], de Eugenio Mira (PlayArte). Suspense com  Elijah Wood, John Cusack, Allen Leech, Kerry Bishé,Tamsin Egerton, Allen Leech, Don McManus, Alex Winter e Dee Wallace (ET) .  90 min.  12 anos.

     Esta é uma curiosa produção espanhola que investe mesmo em dramas de suspense e terror. Feita por um diretor de Valencia, que tem a curiosidade de ser também compositor (assinava como Chucky Namanera) aqui em seu terceiro longa (o roteiro não é dele). Foi indicado ao Goya de maquiagem e ao Gaudi, premio catalão, sete vezes (mas não ganhou nada). Num primeiro momento a critica americana no Festival de Austin, chegou a compara-la com Hitchcock e De Palma. Acho um pouco exagerado, digo muito! Mas não deixa de ser curioso surgir alguém nessa linha. Imaginem que teve gente que  criticou o filme por ele ser demasiado calculado, planejado. Outros acham que ele imitava demais outros suspense Phone booth/Por um fio com o Colin Farrel. 

      O Elijah Wood e seu tipo particular servem para interpretar um pianista de concerto, Tom Selznick que seria o melhor pianista de sua geração. Mas cinco anos numa apresentação teve síndrome do pânico, ou o equivalente. Passou mal e desde então não conseguiu ser levado a sério. Agora planeja seu retorno. Com o apoio da esposa e tocando num super piano apenas por uma noite. Quando começa a tocar ele percebe que sua partitura esta toda marcada e que existe um franco atirador no teatro .O segredo é se ele tocar alguma noite errada alguém morrerá! Ele provavelmente.

     Não deixa de ser uma idéia curiosa e outra critica que o filme teve foi por se levar tão a serio (mas admitem que ao menos o protagonista é menos burro que costume). John Cusack fica a maior parte do tempo fora de cena mas é possível se ouvir sua voz e reconhecê-la   (ultimamente ele parece ter desistido da carreira e faz qualquer coisa, pior ainda que Nicolas Cage).Enfim, eu vi o filme num avião  que não é o melhor lugar para avaliá-lo. Mas o thriller me pareceu interessante mesmo se no final das contas não gostar do resultado. Mesmo se sair falando mal, já é lucro.
Ref fim   

Instinto materno

Instinto materno . Pozitia Copilului. /Child´s Pose.  Romênia, 2013], de Calin Peter Netzer (Imovision) Com Luminita Gheorghiu, Bogdan Dumitrache, Natasa Raab, Ilinca Goia, Florin Zamfirescu. 

     Acho que chegou o momento de eu encarar uma realidade. Eu não tenho maior afinidade com o cinema da Romênia e não consegui me envolver com nenhum deles que em determinado momento teve repercussão em Cannes e passaram por aqui. Chegaram a prever uma Retoma de produção, com novos cineastas mas isso não sucedeu.  Este aqui ganhou o Leão de Ouro em Berlim assim como premio da Critica. Mas não ficou nos finalistas dos Oscar de língua estrangeira (mas erram tanto que não isso não significa muito). Não conheço o diretor que fez dois filmes antes (Maria e Medalha de Honra, inéditos aqui). Não gosto também da interpretação nem da figura da atriz principal Luminita Gheorghiu que tem 34 créditos em sua carreira incluindo o pioneiro 4 meses, 3 semanas, 2 Dias (07)e outro que passou meio em branco mas os americanos admiram, A Morte do Sr. Lazarescu. (05).Foi por este que ganhou o premio dos críticos de Los Angeles. 

    Quem teve uma mãe dominadora vai reconhecer a figura desta megera mas como esta na moda atualmente nenhuma explicação psicológica é dada. O diretor limita-se a seguir os personagens, ou persegui-los melhor dizendo,deixando as conclusões para o espectador. Como o que não falta no cinema são super mães (Joan Crawford é uma que me vem a cabeça uma monstra na vida e na ela, Mamãezinha  Querida que o diga!)esta Cornelia é uma senhora cinquenta e tantos anos bem sucedida na sociedade de Bucarest, que briga muito porque esta afastada de seu filhoBarbu, pelo que ela culpa a namorada dele.Arquiteta bem de vida, ela vem socorre-lo quando é preso ao atropelar e matar uma criança pobre e camponesa, acusado de dirigir embriagado. Envolta em peles ela tenta intervir. Fica claro o contraste entre os ricos e bem de vida e a família da criança pobre e humilde, que precisa ser subornada.Como se não falassem a mesma lingua.

    Não é uma historia nova (não me lembro porém de algo parecido no cinema). Ao contrario já aconteceu com pessoas próximas ou distantes. É um retrato miserável do que o poderio econômico manipula qualquer igualdade mesmo em pais dito socialista. Cornelia esta convencida que o filho é inocente e tudo demonstre o contrario, ela vive elogiando ele, seus feitos esportivos .Sempre fumando, sempre querendo passar por elegante (na verdade patética) é um grande personagem feminino que Fernanda Montenegro faria magnificamente lhe acrescentando uma humanidade, uma fragilidade detrás da pose que eu não consegui perceber aqui, Ela é o tempo todo desagradável e mesmo repulsiva. Talvez se tivesse lampejos de humanidade resultasse melhor. O mais próximo disso é a cena em que ela ouve calada os detalhes da vida sexual da namorada e o filho.

    Escrito pelo mesmo que fez a Morte do Lazarescu, percebo agora que o filme ao me irritar, conseguiu o seu propósito. E essa mãe me deixou aterrorizado. Sim, elas existem. Continuam a existir.

Ref fim.

Ninfomaníaca: Volume 2

Ninfomaníaca: Volume 2 Dinamarca/França, 14. Direção de Lars Von Trier. 123 min. Com Charlotte Gainsbourg, Stellan Skasgaard, Shia LeBoeuf, Stacy Martin, Christian Slater, Jamie Bell, Uma Thurman, Willem Dafoe,  Jean-Marc Barr, Udo Kier. California 

     Tem sido muito mal recebido em especial pelo publico este novo filme de  Von Trier, dividido em dois volumes (ele ainda irá oferecer uma outra versão com quatro horas e meia. Espero que eu possa dispensá-la !). Estão decepcionados com a promessa de sexo explícito que na verdade não se cumpre. Nesta segunda parte ainda menos, há uma rápida ceninha de Charlotte fazendo sexo oral em Jean Marc Barr, nada erótica. A foto dos anúncios onde ela aparece com dois negros é para ser humorística , a cena na verdade não existe. É pretexto para uma anedota onde os dois são irmãos e ficam discutindo, ainda que com ereções e nada se revolve na tela. É lógico que o filme aqui resvala para o masoquismo com Jamie Bell (de todos os mais casto , não tira nem a camisa!) que faz um técnico de não sei do que, que flagela e tortura as mulheres (sem penetração) . Para não dizer que o filme não é cultural, ele começa com uma longa conversa com o intelectual (Skasgaard) que vai dando informações eruditas conforme os fatos são sucedendo. Quando menina ela levita tendo orgasmo e aparecem duas figuras, que são Messalina e outra que não guardei, que são assim ícones do delírio sexual. Também ficamos sabendo que os antigos romanos apenas toleravam 40 chicotadas mas tinham que ser em três vezes, por isso que Cristo teria tido apenas 39!  E também uma nova explicação para o que seria um bico de pato!!!Então toda essa primeira parte dá o tom do filme, mais filosófico, mais armado dramaticamente (a ponto de ter um final inesperado e irônico! Que é enfatizado apenas pelos ruídos, uma das poucas invenções do diretor).

    Por vezes se cai no banal (o nascer do dia e do Sol como símbolo de esperança), ou então o pai (Christian Slater) dizendo que as arvores são como as pessoas , cada um tem que encontrar uma que é sua cara! Shia LeBoeuf aparece pouco porque logo ela sai de casa e acaba fazendo uma bem sucedida carreira (mas o casal irá se encontrar de novo numa cena bem dramática, onde citam aqueles grandes filósofos Ian Fleming e James Bond!). Aparece também Willem Dafoe que da o pior conselho da historia do cinema. Ela estaria precisando de ajuda na sua tarefa de sado masoquismo e este sugere uma menina órfã mas de família de bandidos, que ela não apenas adota mas também leva para a cama. Depois fica surpresa quando a moça se revela uma piranha! Esta é uma das tantas reviravoltas obvias deste que é o filme mais rasteiro do diretor. Os outros ainda havia pretensões metafísicas. Aqui, não temos direito nem sexo, nem  meditações transcendentais.Menos mal feito que a primeira parte, ainda esta longe das imagens bonitas do passado. Francamente quando alguém esta pensando em fazer um filme sensual em seu juízo perfeito jamais colocaria a Gainsbourg como estrela.  

Ref fim.           

Os Pássaros

Revisitando Os Pássaros agora nos cinemas! 
Oportunidade rara e única. Eis um pouco a história deste clássico.

120 min. Cor. EUA, 1963. Universal. 14 anos. Diretor Alfred Hitchcock Elenco: “Tippi” Hedren, Rod Taylor, Jessica Tandy, Suzanne Pleshette, Veronica Cartwright, Charles McGraw, Richard Deacon, Elizabeth Wilson,Ethel Griffiths.

Sinopse: Melanie, uma rica mulher da Sociedade de San Francisco vai até a cidadezinha  de Bodego Bay, na Costa Norte da Califórnia, entregar um casal de periquitos para um possível admirador como fosse uma piada. Mas  é atacada por uma gaivota, no que parece ser o primeiro de uma série de ataques sucessivos e inexplicados contra os humanos.

     Na sua estréia original, este filme do mestre do suspense Alfred Hitchcock (1899-80) não provocou grande reação no Brasil, nem nos EUA . Foi indicado a apenas um Oscar (de efeitos visuais que perdeu para Cleopatra!). Foi o primeiro que ele fez depois do grande êxito de Psicose (60) mas nesse meio tempo se dedicou mais a produzir, apresentar e ocasionalmente dirigir episódio da serie de teve de grande sucesso Suspense (Alfred Hitchcock Presents). Mas depois teve sua consagração quando foi apresentado pela TV Tupi no final dos anos 70, em horário nobre e teve enorme audiência. No dia seguinte só se falava nisso e na cena final que todo mundo achava que havia sido cortada pelo canal (que tinha essa ma fama). Foi depois reprisado igualmente com êxito e assim sem tornou um dos filmes favoritos do brasileiro. Esta nova edição em Blu Ray (já tinha saído como parte de um boxe de sua obra no estúdio) comemora os 50 anos do filme. E que hoje continua a aparecer extremamente ousado, particularmente em fazer um final aberto, intrigante, que deixa as pessoas discutindo. O filme, como todo mundo deve saber ,é inspirado em conto de Daphne Du Maurier (autora de” Rebecca, a mulher Inesquecível”, que em 1939 escreveu seu ultimo filme britânico (Estalagem Maldita) e depois em 1940 seu primeiro sucesso nos EUA, justamente Rebecca. Hitch comprou os direitos pensando em adaptar para a teve.  Daphne (1907-89) escreveu outros livros que viraram filmes famosos como Inverno de Sangue em Veneza (73), Gaivota Negra (44), O Estranho Caso do Conde (59 ), Eu te Matarei Querida (52). Curiosamente o filme e a historia tem pouco a ver. Somente o fato de se passarem a beira mar, numa cidadezinha a beira de uma baia, que é vitima de bizarros ataques de pássaros sem maiores explicações. Na obra de Du Maurier's o protagonista descobre que esse comportamento dos pássaros esta ligado diretamente com a subida e descida das mares e usa isso para derrotá-las. No filme não é feita essa conexão.  Além disso o original ser passa na Inglaterra, onde um homem tenta proteger sua esposa e dois filhos na sua casa isolada.

      The Birds voltou a ser comentado recentemente porque fatos novos foram revelados, nem todos convincentes sobre a relação entre Hitch e sua descoberta para este filme que foi a modelo Tippi Hendren (haviam aspas no Tippi antes) e mais lembrada hoje como a mãe de Melanie Griffith, mulher de Antonio Banderas. Foram em alguns livros e em dois filmes, mais precisamente em The Girl, 12, co-produzido pela HBO e a  BBC . Esta afirmou que ela foi vitima de sedução, ameaçada e sofreu maus tratos na mão de Hitch (como era chamado e fazia questão disso). Fato desconhecido da gente ate agora e negado nas entrevistas feitas para o Making of que vem aqui, que é de 99, mas que foi explorado num roteiro totalmente trash de uma certa Gwyneth Hughes (que tem feito telefilmes). Tudo fica comprometido pela fraca interpretação de Toby Jones,também  prejudicado pela maquiagem esquisita e por uma postura antipática, deixa virar caricatura e cai mesmo no ridículo, com o lábio inferior  pronunciado, a voz   pausada e pomposa, o que lhe dá  um jeito repulsivo demais.O roteiro não dá elementos para entendermos o seu comportamento descontrolado e maldoso (segundo o filme durante as filmagens de Os Pássaros porque ela não quis dormir com ele permitiu que ela se ferisse com os pássaros de verdade ou de mentira que a atacavam). Por outro lado, não fica muito claro embora tenha lido em resenhas que ele seria impotente (há uma cena onde há um fade out, escurecimento, onde deixa a entender que ela teria finalmente consentido! Ao menos fica dúbio). 

      Mas tudo se estraga de vez com um letreiro final que afirma que Marnie (o segundo e ultimo filme da dupla. Não dá para engolir Tippi ingênua e vitima, quase santa!).Enfim, o letreiro diz que Marnie seria um sucesso e hoje é visto como a ultima obra prima do diretor. Só na cabeça dessa gente maluca, já que Marnie já foi sempre mal visto pela critica (que o achou antiquado) e ainda hoje é considerado um dos piores de Hitch (a ultima obra prima foi Frenesi, três filmes depois dele. Enganar tudo bem mas mentir é feio.
Grande parte do mérito do filme deve ir para o roteirista que é o famoso Evan Hunter (1925-2005), autor de muita obra famosa e também conhecido com o pseudônimo de Ed McBain : Sementes da Violência, 55, com Glenn Ford,  O Nono Mandamento com Kim Novak, 60, Juventude Selvagem, 61,  com Burt Lancaster, A Mulher sem Rosto, 63, com James Garner, Céu e Inferno, 63 de Kurosawa, O Ultimo Verão, com Barbara Hershey, 69, Sem Motivo Aparente, 69 com Jean-Louis Trintignant, Confusões por Todos os Lados, 72 com Lynn Redgrave, Aliados contra o Crime, 72 com Burt Reynolds, Laços de Sangue, 78, de Chabrol, com Donald Sutherland. Evan escreveu inclusive um Me and Hitchcock, sobre a colaboração entre os dois aqui e também depois em Marnie. 

     Há vários aspectos a se comentar do filme 
1) não há trilha musical tradicional. Ao contrário o compositor habitual de Hitchcock Bernard Hermann assina como consultor e aprovou a idéia de irem ate a Alemanha conhecer uma experiência que se faziam com sons eletrônicos. Num aparelho chamado mixtrautonium, por Oskar Sala. Embora tenha musica incidental (Tippi tocando piano "Deux Arabesques" de Claude Debussy (1888), as crianças cantando na escola uma musica que tem letra de Evan Hunter) todos os efeitos são guardados para as cenas de ataque, com barulho simulando a voz dos diferentes pássaros.  O resultado é excepcional e favorece também os silêncios que provocam suspense, já que o publico fica esperando os ataques como na sequencia em que Tippi /Melanie vai fumar cigarro (coisas da época tanto ela quanto a professora fumam muito!) e de repente num momento ate longo no parque das crianças o trepa-trepa fica repleto de corvos! Que se preparam para atacar. E depois da morte do fazendeiro que já sabemos que são mortais! (o cadáver dele é mostrado em três planos cada um deles mais próximo que o seguinte, também novidade na época). 

2)Os figurinos do filme são da maior figurinista de Hollywood, a mais premiada (8 Oscars), a genial Edith Head que fez vários filmes com Hitch (como Um Corpo que Cai, Janela Indiscreta) .Foi quem desenhou os discretos tailleurs para Tippi (mas também suas roupas para apresentações pessoais). Assim a roupa verdade combina com os olhos verdes da atriz. Edith assinou 437 projetos. 

3)Hitchcock não gostava de rodar em locações. Aqui ele começa na praça mais famosa de San Francisco mas assim que Tippi/Melanie atravessa a rua e passa por um cartaz já se muda para o estúdio. Um garoto assovia com admiração para ela (mas era uma citação do comercial de teve que Fez com que Hitch prestasse atenção nela e a contratasse!). Entra então na loja de animais.

4) É já ai bem no comecinho do filme que Hitch faz sua tradicional aparição em cameo (pontinha), saindo da loja levando justamente seus dois cães de estimação que ficavam o tempo todo com ele, mesmo no estúdio!

5) O que mais me espantou revendo o filme é o fato de que ele desobedece as normas dos livros que ensinam como escrever roteiros. Nada acontece de suspense ou emoção até o primeiro ataque da gaivota em Tippi, isso já aos 25 minutos! Até ali temos apenas momentos de romance. O autor Hunter confirma que ele usou o velho truque das comédias screwballs dos anos quarenta fazendo que o casal se encontrar de forma bonitinha e engraçada, sendo que imediatamente ficam implicando um com o outro. Quase brigando, quase flertando. É o que sucede ate o primeiro ataque quando se muda de tom. Como Hitch gostava muito do gênero e de Carole Lombard fica-se com a impressão de que estava pensando nela ao aprovar esse estilo! 

6) A edição em Home vídeo tem um erro grosseiro de tradução ao chamar Hood de Pretos, quando o certo seriam marginais, delinqüentes, bandidos (como em Robin Hood). Ao usar esse nome demonstra um inaceitável preconceito! (isso sucede duas vezes num dialogo que a menina diz sobre o irmão que é advogado! Ou seja que o marginal tem que ser preto!). Um absurdo.

7)O clima é construído muito devagar começando com as galinhas que não querem comer e já na primeira sequencia Tippi presta atenção no céu da praça onde se percebe pássaros circulando como se fossem migrar.Foi cortada uma cena que foi rodada mas só aparece aqui em trechos do script e poucas fotos. Nela o casal tomando ar no alto da colina e vendo o mar, discute como teria tudo acontecido e brincam que os pássaros se reuniram e resolveram atacar os humanos. 

8) Reparem como Hitch procurou usar pássaros bonitos e amigáveis, como a gaivota, os pardais e o mais feioso seria apenas o corvo! E não agressivos como águias e gaviões.

9)Como se sabe Hitch tinha preferência por loiras, de Grace Kelly a Kim Novak e em geral colocava morenas de coadjuvante  como rivais. Aqui, ele dá esse papel a uma atriz subestimada e que merecia muito mais,a linda e boa atriz Suzanne Pleshette (1937- 2008) que ficou famosa no Brasil por causa de O Candelabro Italiano (depois se casou por uns tempos com o galão do filme Troy Donahue) e nos EUA na serie de teve The Bob Newhart Show. Muito divertida, famosa pela boca suja, ela faz a quase rival de Melanie/Tippi, a professora local. Tem poucas cenas e nem sequer uma boa saída de cena . Mas com pouco texto, consegue passar a verdade e a simpatia de Annie Hayworth, que amava e sofria em silencio. Sem nunca trair.

10) Hitch pensou em Farley Granger para o papel de Mitch mas ele tinha compromissos no teatro e o escolhido foi o australiano que esteve contratado pela MGM Rod Taylor (1930-). Este chegou a fazer papeis importantes (Zabrieskie Point para Antonioni, foi galã duas vezes de Doris Day e retornou em Bastardos Inglórios, irreconhecível por causa do alcoolismo).

11) Quem tem participação importante no filme é Jessica Tandy (1909-94), que só realmente ficaria famosa quando idosa (seria a mais velha atriz a ganhar um Oscar, no caso por Conduzindo miss Daisy em em 89). Hitch era velho amigo do marido dela que fez vários filmes com ele, Hume Cronyn. Aqui faz a mãe de Mitch/Rod, um personagem difícil porque inseguro, que promete mas não cumpre ser rival e inimiga de Melanie/Tippi. Jessica porém demonstra sua competência e uma beleza que é raramente comentada.

12) Há alguns atores coadjuvantes importantes no filme. Curioso como Hitch usou numa ponta um ator de comédia na época muito querido, Richard Deacon (1921-84), abertamente homossexual e que faz o vizinho que da instruções quando Melanie vai deixar o presente na porta. Toda a sequencia no restaurante chamado Tides também tem figuras características como Charles McGraw (aquele que prevê fim do mundo), Ethel Griffies como a ortonologista (Fez de A Ponte de Waterloo, a Como Era verde o meu Vale). Elizabeth Wilson (como a garçonete) mas sem duvida a mais lembrada de Veronica Cartwright, irmã de Angela, e que fez Infâmia, Alien, A Bruxa de Eastwick, Os Nove Irmãos. Mitch Zanich, dono do Tides fez acordo com a produção de emprestar o lugar em troca de ter uma fala e um personagem levar o seu nome.(Pode ser ouvido O que aconteceu Mitch? Depois do ataque da gaivota. E Mitch é o nome de Rod).

13) Os efeitos especiais foram inovadores, na medida em que a projeção de fundo colorido no chamado Blue Screen não dava bons resultados, principalmente nas bordas que ficavam azuladas. Resolveram então recorrer a técnica dos estúdios Disney, que  basicamente era gravar as imagens separadas (o ator que vai em primeiro plano e o fundo), utilizando bases em cores diferentes (amarelo a do background e a outra em branco). Por isso a união das duas imagens feitas em pos produção deram resultado muito melhores e convincentes,  mesmo ate hoje. 

14) Havia um outro final no roteiro mas não mudava muita coisa. Basicamente o carro com os sobreviventes ia atravessando a cidade que estava toda arrasada, com muitos mortos e vitimas. Quando estão saindo encontram novo bando de pássaros que atacam o carro (que é um conversível com cobertura de lona), os bichos estão vão furando essa lona ate romperem.Quando vão atacar e seriam mostrados num plano de baixo para cima, contra o céu, Mitch pisaria no carro e conseguiria escapar. 

      A sequencia porém não foi rodada segundo o roteirista porque sairia muito cara. De qualquer forma, Hitch fez o elenco e equipe jurar que não contaria o final. No extra chamado o filme de Monstro de Hitchcok (onde vários famosos comparam o filme á Tubarão de Spielberg que teria se inspirado muito nele!) se defende a teoria apocalíptica. Embora tenham realmente ocasionais ataques de pássaros a humanos (um inclusive com o filho da autora Daphne) o enredo faz imaginar algo maior, uma revolta mesmo e chegaram a pensar em ter pássaros em toda parte, ate mesmo na Golden Gate de San Francisco. Mostrando que não teria saída. Alguns dizem que foi uma critica a complacência humana diante da natureza, que um dia pode se revoltar. Por isso fizeram a cena da discussão do povo no restaurante (com a virada clássica do povo contra a heroína, já que tudo começou a acontecer quando ela surgiu na cidade. Alias Tipi conta que o tapa que deu na atriz que a ataca foi para valer a pedido da própria).Então o fim não é um clímax mas uma grande interrogação que o espectador tem que responder. 

      Houve  uma continuação muito fraca feita para a teve, chamada Os Pássaros 2 (94, The Birds II: Land´s End, de Rick Rosenthal, com Brad Johnson e Chelsea Field (e participação pequena de Tippi em outro personagem). Importante: Hitchcock não quis colocar a palavra The End no fim do filme porque achava que nada se concluia. Tudo termina apenas com o Logo novo da Universal (que por sinal durou pouco). Não se pode esquecer das inúmeras imitações, durante anos os produtores imitaram Hitch e fizeram diversas revoluções dos animais contra os homens (Coelhos, Cobras, Aranhas, Jacarés, e assim por diante). 
Ref fim.  

Alemão.

Alemão. Brasil, 14. Direção de Jose Eduardo Belmonte. Roteiro de Gabriel Martins e Leonardo Levis. Com Antonio Fagundes, Caio Blat, Cauã Raymond, Gabriel Braga Nunes, Milhem Cortaz, Otavio Muller, Mariana Nunes, Marcelo Mello  Jr. 

     Não consigo entender como dão títulos tão pouco atraentes a filmes nacionais. Como foi o caso daquele bom filme “Hoje” (“Hoje esta passando Hoje”, imagina o anuncio! Não dá certo né). A mesma coisa aqui. O carioca tem a tendência de achar que é o centro do mundo porque o Rio é a capital do Império mas nem todo mundo sabe o que é o Alemão, não a pessoa, nem a nacionalidade, mas o complexo da região da favela carioca que foi “dita” pacificada há algum tempo atrás.

      Não é baseado em fato real mas uma historia imaginada naqueles momentos vésperas da provável invasão da policia  no que poderia vir a ser a queda do traficante que domina o local (chamado de Playboy, papel feito por Cauã Reymond, que deve ter aceitado a participação por causa da fala final, que é poética digna de filmes de faroeste de John Ford!). Mas tudo sucede por obra do acaso. Um mensageiro de moto foge para não cair nas mãos do trafico e deixa caída uma pasta onde estão as fichas dos policiais que se infiltraram no morro para descobrir a geografia do lugar. De repente todos eles são vulneráveis e estão sendo caçados e devem ser mortos (um deles para complicar é apaixonado por uma jovem, irmã do tenente do Playboy). E todos os policiais vão se encontrar numa pizzaria que ate então não provocava suspeitas  (o dono é Otavio Muller). Tem  o bom moço Caio Blat, o bonitão Gabriel Nunes ( que tem o personagem menos desenvolvido), o violento e pouco  inteligente Milhem Cortaz . Enquanto na cidade Antonio Fagundes faz o chefe da policia, entre duas cruzes, tenta salvar os colegas (há uma surpresa também  que só será revelada quase ao final) enquanto o governador  (apoiado ate pelo Lula que se ouve em off) esta se encaminhando a tomada da região .

     Toda a historia é contada com muito suspense, humanizando os policiais (o que costume incomodar nossos críticos), sem, porém fazer a denuncia dos políticos  com a mesma franqueza usada em Tropa de Elite (o que acaba sendo o ponto fraco do filme já que o publico esta mal acostumado). Também não sei a imprensa ira embarcar na historia dramática e triste mas  me envolvi com a historia, com os atores (o elenco esta muito bem mas eu gostei particularmente de Caio Blat, que esta na medida certa) e na situação “beco sem saída”. Claro que é mais um filme de favela mas desta vez usando um artifício que é uma situação de filme de guerra ou de suspense só que fazendo isso suceder num outro momento, que é real. É surpreendente o trabalho do diretor Belmonte (ainda mais vindo de outro filme que é melhor esquecer,  Billi Pig). Demonstra sua constante e crescente evolução. 

Ref fim.       
   

Filmes inéditos em Home Video

Filmes inéditos em Home Video  

     A decadência das locadoras tem provocado um efeito ruim comigo: cada vez tenho visto menos filmes e agora corra de varias produções interessantes que não saíram nas salas e não são tão famosas que mereçam ser compradas em VOD (Now). Mas acho importante ir registrando, eis duas delas:

Ligados pelo Amor (Stuck in Love) EUA, 13. Direção e roteiro de Josh Boone. California Filmes. 97 min. Drama/comédia/Romance. Com Jennifer Connelly, Greg Kinnear, Lily Collins, Kristen Bell, Nat Wolff, Logan Lerman, Liana Liberato, Patrick Schwarzenegger (filho de Arnold como um amigo do heroi adolescente).

     Uma pena que não tenham descoberto este filme sensível e autobiográfico de Boone ( A Culpa é das Estrelas), que relembra sua família de escritores para contar uma encantadora e romântica historia sobre os desencontros entre o filho adolescente (Wolff, de A Seleção) e seu pai (Kinnear), que não se conforma que a mãe (a sempre linda Jennifer Connelly) o tenha largado por outro. Mas a filha deles (Lily Collins, filha de Phil e que lembra muito Jennifer quando jovem) caiu nas drogas e sexo livre. Wolff também se apaixona por uma colega charmosa (Liana Liberato) que também tem o mesmo problema só que piorado. E ainda aparece Logan Lerman, o Percy Jackson e de As Vantagens de ser Invisível). O resumo engana mas o filme é bem resolvido, positivo e tem um grande achado com uma aparição especial do escritor Stephen King. Fique atento aos filmes da California, uma das distribuidoras nacionais que mais trazem novidades.   

     O Estranho Thomas (Odd Thomas, 14). Imagem. O diretor Stephen Sommers (A serie A Mumia) já teve melhores dias do que ultimamente com G I Joe a Origem da Cobra. Neste caso, o filme só saiu em fevereiro deste ano nos EUA, depois de ter problemas (ficou interrompido por falta de dinheiro). O interessante é que é baseado em livro do famoso Dean R. Koontz  sobre um cara muito estranho chamado Thomas (que é interpretado por Anton Yelchin, de Star Trek) lembrando um pouco Ghost Whisperer só que mais delirante. Ele vê fantasmas e procura ajudar os mais necessitados. Mas não é só isso,  também vê outras figuras monstruosas sempre tentando ser fiel a sua querida e amada namorada (a encantadora Addison Timlin, de Namoro ou liberdade ). A situação se complica muito na sua cidadezinha do Novo México, quando há uma ameaça de uma grande tragédia com muitos mortos, que ela não consegue decifrar. O roteiro se perde bastante no meio e numa narrativa off do herói que irrita bastante. Mas é movimentado, com efeitos curiosos  e poderia ser melhor não fosse um lamentável final que vai decepcionar os possíveis fãs. 

Ref fim.  

300 a Ascensão do Império

300 a Ascensão do Império  (300: Rise of an Empire) .Warner. Direção de Noam Murro. 102 min. Com Sullivan Stapleton, Eva Green, Lena Headey, Hans Matheson, Callan Mulvey, Rodrigo Santoro, David Whenham, Jack O´Connell. 

      A sensação inevitável é de “déjà vu”. Já vimos esse filme antes e se chamava 300 e era bem melhor, ao menos era novidade. O diretor Zach Snyder depois disso foi se repetindo em filmes parecidos enquanto outros simplesmente o imitaram (com mais sexo, como sucedeu com a serie de teve Spartacus). Aquele visual esquisito e sanguinolento (aqui há momentos de pura sinfonia de membros e cabeças decepadas) se repete mas desta vez Snyder (que eu considero um dos piores diretores em ação no momento) virou apenas roteirista e produtor. Originalmente deveria se chamar Xerxes, que é o nome do rei da Pérsia feito por Rodrigo Santoro (aqui neste filme dublado de maneira exagerada ele surge no começo e depois no final mas não morre, não sei se na esperança de ter mais uma “sequel” ). O fato é  que a historia seria baseada numa outra graphic novel (como o primeiro) do mesmo autor, o famoso Frank Miller. Só que ate hoje ela não ficou pronta e não foi editada, portanto a historia do filme é original, no sentido de não seguir qualquer outra (Rodrigo parece que rodou tudo sozinho num estúdio na Bulgária! Diante da projeção verde e segundo ele lendo livro de Heródoto! Ele ficou tão forte que fiquei com a impressão de que colocaram a cabeça dele em outro corpo! Perdoe –me Rodrigo se errei, mas foi a sensação um pouco também porque podiam ter lhe dado um papel mais substancial (no letreiro aparece “ e... Rodrigo”). 

      Este é ao mesmo tempo um prólogo e uma continuação. Na primeira parte, conta-se tudo o que teria dado a situação dos 300 de Esparta (Gerard Butler aparece em alguns planos mas ele recusou o filme dizendo que não era a sua,  e todo o enfoque foi mudado para a cidade rival, no caso Atenas, e o chefe dela, Temistocles). Mostra-se como o Rei Darius é morto e seu sucessor Xerxes caiu sob a influencia de uma semi bruxa Artemisia, que preparou o futuro rei para ser controlado por demônios (nem isso fica muito claro, nem também porque os dois brigam no final, quando precisam um do outro). 

      A melhor coisa do filme brincando é justamente Eva Green, que faz Artemisia com seu tipo exótico de Bond Girl (pena que aparece pouco porque tem uma figura forte- que nada lembra a mãe dela que foi estrela na França nos anos 60,a ruiva Marlène Jobert de O Passageiro da Chuva. A cena em que seduz Temistocles é bem sugestiva). O problema do filme é que entre o prólogo e a conclusão há uma enorme barriga,  onde nada de importante acontece e fica uma enrolação dispersiva. 

       Para mim o grande problema é que o orçamento que seria de 100 milhões (Mesmo assim já passou dos 60 milhões !!!) não sei onde foi usado porque faz tempo que eu não via um elenco tão feio e ruim (ao menos desde Hercules, já que eu não fui ver Pompeia!). Parece que escalaram os atores nas ruas da Mesopotâmia chegando ao cumulo de por como Temistocles um australiano de dente torto (coisa raramente vista em Hollywood, onde se costumava pagar a conta do dentista). O único requisito deve ter sido ter barriga desenhada de “six Pack”, como dizem os americanos.

Ref fim.

Need for Speed- o Filme

Need for Speed, 2014. Direção de Scott Waugh. 130 min. Com Aaron Paul, Dominic Cooper, Scott Mescudi, Imogen Poots, Rami Malek,Ramon Rodrigues, Dakota Johnson e Michael Keaton. Dreamworks Disney. 

     Sabem que eu reclamo dos títulos que ficam em inglês, sem tradução mas aqui ao menos há uma razão: Need For Speed (Necessidade de Velocidade) é o nome de um vídeo-game parece que bem antigo e que você acha muito fácil na Internet. Não vejo  muito motivo para o filme estar passando em 3D já que nenhum dos efeitos é especialmente acentuado pelo uso de outra dimensão! O filme também lança como astro Aaron Paul (1979- ) que virou astro merecidamente depois do sucesso mundial e ainda atual da série Breaking Bad (pelo qual ganhou até dois Emmys!) O curioso é perceber que ele não é um ator pro-ativo, mas um reagente se pode-se chamar assim. Não gera a ação mas reflete ela, reage a ela e por isso não sei se é o ator ideal para este personagem sem qualquer profundidade. Na verdade fazia tempo que não via um roteiro tão esquemático e irregular (passando de chanchada dos amigos fazendo besteira com helicóptero, com figuras tão fora de propósito- como a irmã que leva mais de dois anos a reagir a morte do rapaz num acidente de carro provocado pelo marido! ). Tudo é absolutamente sem lógica e positivamente ridículo. Mas isso não quer dizer que não é possível perdoar (vamos ser sincero se você entrou no cinema para ver um filme deste gênero não será porque seu conteúdo shakespereano!).  E chega ate a ser curioso ver o Michael Keaton, fazendo o dono da corrida retomando o personagem que o tornou famoso (é uma variante no tom de voz e maneirismos de Beetle Juice, ou Betelgeuse! De Tim Burton ).

     E quando a historia esta ficando demasiadamente boba o roteiro (com a ajuda do diretor que é especialista em stunts, cenas de perigo) inventa umas surpresas que ajudam bastante (como aquele incidente em San Francisco diante do hotel que é surpreendente e a fuga pelo canyon que me parece ser homenagem a Thelma e Louise). 

      Aaron faz um piloto de corridas que tem uma oficina e um grupo de amigos excêntricos que recebe uma oferta de um milionário inglês, Dino Brewster ( Dominic Cooper, já velho conhecido de Mamma Mia e que se deu bem como o Dublê do Diabo)para envenenar ou customizar um super carro !  É o inicio de uma rivalidade cheia de altos e baixos e principalmente traições, já que o clímax é uma aposta onde entra em jogo a morte de uma pessoa (não vou dar detalhes mas a situação é absurda assim como a condenação a cadeia e por tão pouco tempo. Ou seja, não passa mesmo de um recurso dramático do enredo para ser esquecido).

      A proposta do filme é dar vida ao jogo sem ficar com cara de vídeo game, o  que não sei se  foi a decisão correta. Ainda bem que Paul tem outros projetos melhores em andamento (Pais e Filhos de Gabriele Muccino, Exodus de Ridley Scott). 
Ref fim. 

Quinta-feira Novo dia de estréias

Quinta-feira Novo dia de estreias

     Foi o Grupo que coordena as atividades dos exibidores quem decretou que as estreias de cinema passarão de sexta-feira para quinta (parece que haverá algumas exceções por enquanto porque havia contratos já assinados). A lógica seria que quinta é um dia fraco para as salas porque vai pouca gente  e tendo estréias haverá maior interesse. Difícil avaliar a mudança, já que essa política foi adotada justamente para imitar os norte-americanos que guardam os lançamentos para sexta (há exceções, quando é muito popular e vai dar grana, os americanos podem abrir na quarta, mesmo que parcialmente!), que prenuncia o fim de semana que costuma lotar (para os que reclamam de filas, eu sempre digo que há filas apenas nos sábados, possivelmente sexta as 8 da noite e alguma matine infantil de domingo. Fora disso as salas estão sempre com espaço ocioso e preços mais em conta. Quem quiser ir ao cinema pode procurar horários alternativos. 

     E ai que começa o problema. Hoje em dia esta cada vez mais difícil sair de casa. Em cidades grandes, que são as únicas que tem salas é comum precisar de uma a duas horas para se escapar do sufoco do transito e chegar em casa. E ai só começam os problemas, o estacionamento caro, a despesas com pipocas e que tais, os ingressos que hoje cobram por tudo que for a mais (3D, sala vip, sala numerada, IMAX). Uma diversão que já não é tão barata ainda mais em família. Ainda mais se considerando a concorrência, que hoje em dia é desleal. Com o crepúsculo das locadoras e o VOD (Now) ainda em fase de crescimento,  ainda prepondera  a pirataria que continua acessível em qualquer bairro da cidade, a preços baixos e variáveis e que hoje incluem também as series de teve (os sucessos ainda são Breaking Bad, House of Cards e ainda o serial Dexter) que são vendidas por blocos de capítulos. 

      Qualquer filme do Oscar, por exemplo, esta hoje disponível  e mesmo o que publico rejeita nas salas (como 12 anos de Escravidão) é consumido em casa. Outros valores. Há os que ainda acham que cinema ainda é o melhor lugar de ver um filme, mesmo com o tweeters e celulares mal criados. Se for em IMAX, para mim é realmente imbatível. Quanto a dia de estréia, eu fui criado em Santos, tendo mudanças de programação no meio da semana. O Atlântico exibia um filme menos comercial de segunda a quarta, e de quinta a domingo outro mais popular. O cine Gonzaga fazia o mesmo só que de terça a quinta! Quando mudei para São Paulo tínhamos alternativas, filmes que estreavam na segunda-feira, que perdurou muito tempo como norma (suponho que isso tenha mudado porque se for um fracasso enorme, eles podiam colocar filme novo na quinta-feira, que já naquela época este já era também um dia alternativo). E outros na quinta, que foi a regra durante muitos anos. 

     Francamente o publico que vai decidir se faz diferença. Acho que ele que no fundo sempre tem razão. De minha parte só diminui o tempo que eu tenho para ver o filme antes da estréia oficial.  Se for bom , não interessa  o dia que abre.

Ref fim.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Grand Finale!!!

A Festa do Oscar 2014

Nao me recordo de um ano como este, em que todos os nove finalistas para melhor filme eram de alta qualidade, todos poderiam ser premiados. De tal jeito que ficaria difícil imaginar que sucessos de público e crítica como Trapaca ou O Lobo de Wall Street de Scorsese saíssem de maos abanando. E a pequena jóia Ela, tenha levado apenas um Oscar, ainda que merecido como o de roteiro original.
Ainda assim com um ano e uma safra tão boa, acho que os sócios da Academia, já muito experientes em lidar com política fizeram a escolha certa. Melhor filme tinha que ser mesmo, 12 de anos de Escravidao, um trabalho muito digno e sério que transcedeu os limites da mera informação, virou um marco na História do cinema americano, como o primeiro grande filme sobre a escravidão (ainda que dirigido por um britânico cuja familia emigrou de Belize e Granada) que deu também finalmente o primeiro Oscar para Brad Pitt, hoje empenhado produtor. Era mesmo difícil resistir a denúncia que o filme apresenta justamente no momento em que a governo federal americano anuncia que todas as escolas secundárias americanas receberão em breve copia do livro original e do filme. Ou seja, e algo que transcende o mero filme, vira evento e passa realmente para a História. 
Por outro lado, os 7 Oscars para Gravidade foram igualmente merecidos, dando o primeiro Oscar de diretor para um latino americano, um mexicano Alfonso Cuaron que tenho enorme carinho e respeito porque foi daqueles que acompanhamos a carreira desde o começo e fomos vendo seu florescer ate explodir com Gravidade, o verdeiro herdeiro de 2001, uma Odisséia no Espaco . Por outro lado, Lupita (nome em homenagem a Nossa Senhora de  Gladalupe, é emigrante do Kenya que nasceu no Mexico, o nome foi agradecimento a santa local) também é a primeira mexicana a ser premiada com o Oscar de coadjuvante (houve antes apenas Anthony Quinn que nasceu no Mexico mestico de irlandes) mas não latina porque teve antes Rita Moreno por West side story..E curioso porém como seu fenômeno estourou de forma inesperada, graças em particular a sua beleza e principalmente porque vestesse incrivelmente no tapete vermelho, se tornando um ícone fashion instantâneo!
Mas a verdade para mim esta foi a melhor festa do Oscar dos tempos recentes, foi rápida, sem conversa fiada, com Ellen De Generes divertida (o monólogo foi ótimo e provocador mas dali em diante virou anfitriã de maneira muito simpática com a colaboração de toda nata de Hollywood de Meryl a Angelina, aliás especialmente linda. Fiquei muito tocado do jeito que ela soube cuidar tão bem do veterano
Sidney Poitier. Alias a mesma coisa com Matthew McConauhgey com Kim Novak, infelizmente trazendo marcas de doença que a deixou com dificuldade de falar.Outro cavalheiro!
E o que dizer entao no beijo entre Matthew e sua mulher numa imagem que eu nunca vi na Festa do Oscar. a brasileira acabou de entrar para a Historia também eheh (uma curiosidade Lupita começou no cinema pelas mãos de Fernando Meirelles quando foi assistente de produção dele em O Jardineiro Fiel, os pais deles eram políticos do Quenia). Os números musicais provocaram aplausos de pé para a agora Diva Idina Menzel, Bette Midler (pela primeira vez no Oscar e chorando emocionada) mas ainda não foi dessa vez que o U2 levou o prêmio (nem a minha favorita de Her/ela).
Não consigo deixar em branco a plástica de Goldie Hawn, nem que seja para prevenir futuras besteiras. Irreconhecivel. Achei que ficou a desejar a homenagem tão falada aos heróis, principalmente o ponto forte que seria com o Homem Aranha ao vivo chamando o Bat Kid, um menino que esta vencendo sua leucemia graças a estar realizando seu sonho de ser Batman (Não sei porque mas todo o segmento foi cortado em cima da hora!. Achei as edições de imagem apenas básicas e mal conseguia ter o tempo de identifica-las.
 Afinal de contas a festa do Oscar estava com ar de Festa em família e nao acho  isso nada mal. Fiquei mesmo impressionado com a correção das escolhas (ate mesmo O Grande Gatsby com todos seus excessos mereceu seus 2 Oscars de figurino e direção de arte, oops, design).
Agora o fato que mais me impressionou foi colocarem o nosso brasileiro Eduardo Coutinho dentre o In Memoriam,o Rogerio Gallo sugeriu que deve ter sido idéia do Walter Salles e acho muito possível mesmo. Nada mais merecido para tão ilustre cineasta (por outro lado não entendo porque a Academia pede para não aplaudir nessa hora!!! seria a última homenagem, credo!). Outra ironia: o Oscar consagrou o diretor Steve McQueen que teve seu nome assim porque o pai dele era grande admirador do astro homônimo dos anos 60-70 e que morreu em 1980 aos 50 anos de cancer. Sem ganhar qualquer premio! Foi indicado ao Oscar uma unica vez por O Canhoneiro de Yang-Tse embora fosse incrivelmente carismático. Para se ver como é a vida. 
Resta demonstrar minha satisfação pela vitória de Cate Blanchett como melhor atriz, não apenas por sua esplêndida interpretação em Blue Jasmine mas também porque não deu certo a campanha de difamação levantada nas ultimas semanas pela Mia Farrow contra Woody Allen, 14 anos depois do fato ter sido julgado e indeferido. Tinha certeza que nessas coisas hollywood era sofisticado o bastante para saber como é cruel a vingança da mulher traída, como ja dizia Shakespeare. Cate que não tinha nada com isso, de um outro show de classe, elegância, personalidade, e certamente é a herdeira de Meryl Streep.
 Fim