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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

The Lunchbox ****dia 28

The Lunchbox (Dabba) India, 13. Direção e roteiro de  Ritesh Batra. Com  Irrfan Khan, Nimrat Kaur, Nawazuddin Siddiqui, Denzil Smith, Bharati Achrekar.Co-produção  França, Alemanha e EUA.  104 min  IMOVISION.

     São raros os filmes indianos que conseguem distribuição no Brasil e mesmo assim este foi premiado no circuito de Festivais.  Foi vencedor na Semana da Crítica, seção paralela do Festival de Cannes organizada pelo Sindicato Francês da Crítica de Cinema também  participou dos Festivais de Londres,  Toronto, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e recebeu o prêmio do júri na 10ª edição do Amazonas Film Festival. Além disso, ainda levou os prêmios de Melhor Roteiro e Atuação Marcante (para o protagonista Irrfan Khan), na Premiação do Asia Pacific Film Festival 2013.

       Na verdade, pouco tem a ver com o filme médio indiano, que hoje tem técnica melhor mas tem problemas ainda com a censura intensa e não evita os obrigatórios números musicais (clips) que interrompem a ação. Este filme modesto se parece mais com outros que tem temática semelhança em particular You´ve Got Mail (Mensagem para Você, 98, com Tom Hanks e Meg Ryan) e o anterior, Nunca te vi sempre te Amei (84 Charing Cross Road, 87, com  Anne Bancroft e Anthony Hopkins), ambos com o mesmo esquema do casal que se ama sem terem nunca se encontrado pessoalmente. 

        A historia se passa na atual Mumbai e tem cara desse cinema moderno e pobre que se faz no mundo todo. Camera na mão, despreocupação de se ouvir o que dizem ou pensam, situações  mal desenvolvidas e a mania de seguir personagens pela vida afora. Fica difícil entender ao menos um pouco que existe por lá um serviço de entregas de marmitas, comida a domicilio chamada de  Dabbawallahs que dizem fazer um serviço impecável. Até que um dia, um erro na entrega faz com que uma pacata dona de casa conheça um homem de meia idade. Juntos eles criam um mundo de fantasia a partir de mensagens trocadas através das embalagens usadas pelo  Dabbawallahs.

      Ou seja, duas pessoas solitárias apesar de terem compromissos. O homem é auditor, a mulher é casada, tem um marido desinteressado e uma filha pequena já em idade escolar. Seu almoço mais caprichado do que  a média faz parte de sua estratégia de tentar recuperar o marido. Depois de alguns dias de erro na entrega, o casal começa a se comunicar através de  mensagens  dentro do pão e eventualmente os dois vão se envolvendo, trocando idéias e ate pensando em um dia se encontrarem. 

       É quase um verão retro e local de “Ela”, em vez do casal moderno que usa um aparelho digital com a voz, aqui é uma coisa mais primitiva. Mas a vontade ou ilusão de ser compreendido e ter um relacionamento feliz são semelhantes.

       Feito por Ritesh Batra, estreando no longa, este é outro filme onde culinária tem muita importância  mas é basicamente uma historia de amor, nada sentimental como gostam os críticos (eu prefiro comida, digo filme mais quente e picante).   Destaque no elenco para Irrfan Khan, que é conhecido de muitos filmes (Quem que ser milionário, O Espetacular Homem Aranha, viagem a Darjeeling, As Aventuras de Pi).

Ref fim.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Os Filhos da Meia Noite

Os Filhos da Meia Noite (Midnight Children) India, 12. Direção de Deepah Mehta Com Satya Bhabha, Shahana Goswami, Rajat Kapoor, Seema Biswas, Shriya Saran, Ronit Roy, Rahul Bose, Charles Dance.

      Famoso como a primeira grande adaptação de um romance do famoso escritor Salman Rushdie, adaptada por ele mesmo, pelo conhecida diretora indiana Deepah Mehta ,que foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro por As Margens do Rio Sagrado, 05, e tem ousado quebrar tabus do cinema local como em Fogo e Desejo,96). A ponto de ser chamada de A voz da Nova Índia. Rushdie nasceu na Índia de família islâmica mas é ateu. 

       Mas desta vez ela não deu sorte, em parte porque o livro é longo e confuso, misturando fatos reais e históricos como o realismo fantástico. De tal forma que se torna praticamente impossível de se entender, caso seja apenas um  espectador casual que nunca ouviu antes falar direito das questões políticas da Índia e Paquistão ,que ate hoje estão em Guerra, provocadas sem duvida por uma divisão religiosa, porque no Paquistão estão os islamistas (que na verdade foram obrigados a se mudar para lá, forçados pelos ingleses quando deixaram a região!). Não custa lembrar também que Rushdie teve que fugir porque foi condenado a morte pelos fanáticos religiosos que se sentiram ofendidos com  livro anterior dele e durante anos ele teve que se esconder e ainda anda junto com proteção policial. Mesmo para fazer este filme houve dificuldades enormes e acabaram rodando no Siri Lanka, assim mesmo com problemas. Alias é o próprio Rushdie que faz a narração da historia. 

       O romance ganhou o premio Man Booker Prize em 1981, que é dado por cidadões da Commonwealth .O filme é co-produção entre Canadá e Inglaterra. A recomendação histórica continua valendo. É bom pesquisar antes para conseguir seguir os fatos históricos que vão rolando. É sobre um velho que relembra sua vida, começando por seu avô , um médico educado na Europa Aadam Aziz (Rajat Kapoor) que conhece a futura avo em 1917 e que se revela como uma pessoa de força de vontade dando-lhe 3 filhas.Uma delas Muntaz se envolve com refugiado político (eles se casam mas divorciam e ela se casa com outro, que lhe mudao nome para Amina e a leva para Bombaim. Esta comprando uma casa vitoriana de um cidadão inglês que esta deixando o pais (o único ator para nos conhecido que é Charles Dance), que vai se tornar independente em 15 de agosto de 1947 (ele seria descendente do cara que planejou a cidade mas isso não vem muito ao caso).  

       Paralelamente conhecemos dois atores de rua e Vanita esta grávida sendo que ela e Amina irão dar a luz justamente naquela noite onde todos celebram a independencia.Só que a enfermeira de ambas mães resolve aprontar uma brincadeira   troca os dois bebes do sexo masculina, assim o pobre irá crescer rico e vice versa. Esta com cara de telenovela, pois é, isso já aconteceu por lá mesmo. Assim crescem mal o rico agora criado na rua é desajeitado e o outro revoltado e lutador. Ambos não saberão conduzir direito sua vida e seu destino. 

      Acho que não é o caso de descrever mais a historia. Basta dizer que o filme é feito com bastante produção mas não sabem  o que fazer dos poderes especiais que os dois adquirem. Não se tornam Avengers ou coisa que o valha, na verdade o recurso é mal explicado e mal resolvido. De tal maneira que por mais boa vontade que se tenha consegue cansar e ate irritar (com duas horas e meia de projeção). A Índia é um país difícil de  se compreender e aceitar com seu sistema de castas.  Este filme não ajuda nada.

Ref fim