quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O Primeiro Homem: Uma Revisão


O Primeiro Homem (First Man)


Fui assistir para tirar as dúvidas ao filme, agora em IMAX (mas não 3D) numa sala quase vazia que acabou sendo uma das experiências mais irritantes e equivocadas do cinema atual. Agora já se sabe que se tornou um enorme fracasso de bilheteria em toda parte (embora o assustador tenha sido justamente o fato de que antes de sua estreia, havia sido celebrado como um clássico e que certamente seria um dos filmes mais importantes do Oscar deste ano, até porque os realizadores do projeto foram não apenas Steven Spielberg (seu estúdio tradicional é co-produtor!), mas principalmente cometeram o erro de achar que o relativamente novato Damien Chazelle (Oscar de direção por La La Land) seria a pessoa adequada com uma narrativa ousada e confusa, de tal maneira que um amigo presente fez questão de descrever o filme “como o pior que ele já viu em toda sua vida”. Realmente é um caso trágico de equívoco metido a besta, de quem parecia estar cansado de narrar uma história mais convencional revelando também como os críticos (os norte-americanos em particular) conseguem ser cegos e tolos, adorando exagerar aquilo que não entenderam (e vai ser difícil salvar a carreira do pretensioso Chazelle, que parecia promissor!).

Mas esqueceu do básico. Para se contar uma história é preciso antes de tudo um elenco certo, e a maior parte dos atores coadjuvantes são mostrados ou em cenas curtas e mini-diálogos, de tal maneira que quase todos mal são identificados (uma boa maneira de se ter um modelo para o gênero é o divertido e político, Estrelas Além do Tempo, que tinha certa semelhança mas era muito melhor!). A má interpretação se estende também ao protagonista Ryan Gosling (curiosamente várias pessoas vieram a mim para criticá-lo, com sua aparência mal humorada, tediosa e chegando mesmo a considerá-lo incapaz de viver um herói ou galã!). E olha que ele faz um protagonista fundamental na história, o real Neil Armstrong (nada a ver com ele em aparência embora pode ser que tenha sido uma pessoa igualmente mal humorada, já que o protagonista passa o tempo todo irritado, trata mal a esposa e principalmente os coitados dos filhos demonstrando ser um dos heróis mais chatos e inconvenientes que já vi em filme comercial de ação!). A exceção ao menos é a britânica Claire Foy, que consegue ao menos na parte final passar certa sensibilidade (nem por isso deixou de ser mal fotografada, sem maquiagem, com marcas no rosto e muita sarda! Parece que o iluminador tinha raiva dela!).

Mas isso tudo é de menos já que o problema da história (e também o titulo infeliz) é que se trataria de um momento épico na vida do governo norte-americano, onde várias vidas são sacrificadas (também de maneira passageira e desrespeitosa). Neil começa chato e termina antipático enquanto a narrativa escolhida pelo autor é uma sucessão de planos fechados, mostrando explosões e closes estonteantes que são uma tortura para o espectador. Não poderiam ser mais bombásticos, mais explícitos, com personagens em super closes, exagerados e explosivos. E no final quando se espera alguma surpresa, algum momento mais original da chegada na Lua, nem assim se dão ao trabalho de respeitar a sensibilidade do espectador. É certamente o filme mais desagradável e barulhento e equivocado e confuso que já vimos em todos os tempos. Sem dúvida, se tornará um dos grandes desastres do cinema. E Sr. Spielberg, o que o senhor tem para justificar tanta baboseira?

O Quebra Nozes e os Quatro Reinos (The Nutcracker and the Four Realms)


O Quebra Nozes e os Quatro Reinos (The Nutcracker and the Four Realms)
EUA,18. Disney. 1h39 . Direção de Lasse Hallstrom (realizador sueco sucesso que já teve certo prestigio, como em Chocolate, Regras da Vida, Minha Vida de Cachorro, Gilbert Grape) e Joe Johnston (de Capitão America/ O Primeiro vingador, Jurassic Park III, Jumanji, Céu de Outubro etc.). Ambos em franca decadência artística.

Eu sempre brinquei que os estúdios Disney desde que ficaram tão ricos ultimamente não tem mais chance de descansar porque já há demasiadas danças rolando em fortunas de grana e por isso deixa de impressionar simplesmente pelo prazer de perder dinheiro e usar o filme para servir de despesa e assim, deixa o governo americano feliz!). Até porque acho que este é “o pior de todos os Disney”, o que já vi nos últimos anos, uma fantasia insuportável, de mau gosto, feia, com história mal contada e profundamente irritante. Nada se salva. Dá a impressão de que se perdeu numa tentativa de dar vida ao famosíssimo balé que todos os anos nos EUA eles montam em grande estilo e até certa classe, o célebre Quebra Nozes. Que vem a ser geralmente um deleite para crianças locais. Só que aqui faltaram ideias e tudo foi ficando imbecil. O elenco está completamente perdido, apesar da presença de gente famosa: a bela e jovem Mackenzie Foy faz a heroína, de Interstelar e Invocação do Mal. Seguem: Helen Mirren (quase impossível de se descobrir), Morgan Freeman, Ellie Bamber, Matthew McFayden, Keira Knightley, tudo numa sucessão infinda de danças mal realizadas, situações constrangedoras e assim por diante.

Garanto para vocês que esta é um dos piores filmes que já assisti na vida, nem para tirar sarro nada disso dá certo. Diz o resumo: Tudo que Clara quer é uma chave, do tipo daquelas que abrirá uma caixa secreta que esconde um presente valioso que pertenceu a sua mãe! Por sorte, porque depois de uma festa anual de Natal encontram a bendita chave quando Clara encontra um soldado chamado Philip que vive num bando de ratos, e fica com ele, na esperança de ir parar morta (no mais total estilo do mestre) porque existe um prêmio caríssimo que foi presente para a mãe falecida. Mas ele desaparece de novo num misterioso mundo paralelo. Há ameaças, perigos, surpresas e a necessária visita a casa da Mãe Ginger, para conseguir de volta a chave de Kay. Tudo que Clara quer é uma chave e assim esta será libertada. Clara da Rainha tem uma chave diferente de todas as outras e consegue entrar num estranho mundo paralelo e assim por diante…

Não cheguei a dormir. Ou entender quase tudo. Não se pode esquecer que tudo se passa num universo mágico e nos três reinos da neve, das flores e dos doces. E haverá um reino a mais, onde vive a tirana mãe Ginger, que se espera faça retornar a harmonia. Entenderam? Nem eu... Não deixe crianças pequenas verem, já que as nozes, por mais mal quebradas que sejam, é um delírio indesculpável!