No Cinemark dias 29, 30 de novembro e 3 de dezembro
Uma Linda Mulher (
Pretty Woman)
EUA,
1990. 119 min. Diretor: Garry Marshall. Elenco: Julia Roberts, Richard
Gere, Hector Elizondo, Paul Dooley, Laura San Giacomo, Jason Alexander,
Ralph Bellamy, Elinor Donahue, Amy Yasbeck, Alex Hyde White, Hank
Azaria, Larry Miller e ponta do diretor Marshall (como guia de turismo),
Tracy Reiner (sobrinha do diretor, como mulher no carro).
Sinopse:
Edward, um rico executivo pega na rua uma jovem prostituta Vivian, a
quem durante uma semana ensina a se vestir e comportar, e com quem acaba
se envolvendo.
Comentários: Uma espécie de conto de fadas moderno (variante de
Pigmalião, ou seja,
My Fair Lady)
que foi um enorme sucesso de bilheteria para a Disney, de tal maneira
que se pode dizer que salvou o estúdio da falência (mesmo os desenhos
andavam fracos mas na época eles não tinham encontrado ainda a fórmula
moderna para realizar filmes de êxito com atores!). Originalmente a
historia escrita por J. F.Lawton (que nunca antes ou depois fez nada que
prestasse, em geral aventuras como
Força em Alerta I e
II com Steven Seagal,
Reação em Cadeia
com Keanu Reeves). Ele teve a ajuda no roteiro não creditado de outras
pessoas: Robert Gardland, Stephen Metcalf, Barbara Benedek.
Que
mudanças? Segundo o diretor foi ele quem insistiu que tudo virasse uma
comédia romântica. Inicialmente pretendiam ser um drama dark sobre
prostituição em Los Angeles nos anos 80. E o relacionamento entre Vivian
e Edward teria temas controvertidos, inclusive a ideia de que ela era
viciada em cocaína e parte do acordo é que ela não usasse a droga por
uma semana e ela queria o dinheiro para poder ir para a Disneylândia.
Edward a punha para fora do carro e ia embora. E o script original
acabava com Vivian e a amiga indo de ônibus para Disneylândia. A
produtora Laura Sizkin foi quem cortou isso ou passou a situação para a
amiga Kit. Algumas dessas cenas foram filmadas e aparecem em DVD de
aniversario do filme. Como quando é confrontada por traficantes diante
do Blue Banana (na cena da banheira ela usava a droga e não escovava os
dentes).
O diretor Marshall é especialista em comédia (ele é
irmão da diretora Penny Marshall e foi criador de séries de TV famosas
como
Harry Days,
Odd Couple). No cinema tinha acertado pouco antes para Disney, com Bette Midler em
Amigas para Sempre (88) e na MGM
Um Salto para Felicidade com Goldie Hawn (87). Ele fez as escolhas certas e teve êxitos posteriores com
Frankie & Johnny com Al Pacino,
O Diário da Princesa I e
II que descobriu Anne Hathaway,
Idas e Vindas do Amor (
Valentine´s Day, 10, novamente com Julia Roberts).
Na
época o sucesso foi tão grande que pouco pararam para ver e discutir
que o filme é antes de tudo um mau exemplo, ensina as meninas
adolescentes que ser prostituta poderia ser uma boa alternativa, já o
que sucede com a Julia Roberts é totalmente absurdo e fantasioso, uma
cinderela que ensina tudo errado. Feliz ou infelizmente, na vida real,
não basta ser mulher da rua para encontrar um príncipe encantado como
Gere. Fora o mau exemplo e vindo logo de Disney, o filme foi um mega
êxito, louvado por todos, repetido só nove anos depois por
Noiva em Fuga (
Runaway Bride),
com a mesma dupla e diretor. O roteiro é muito falho, mas sem dúvida
acertaram em transformar em estrela Julia (que chegou a ser indicada ao
Oscar® de atriz, 91, ganharia depois em 2001, por
Erin Brokovich).
A Carreira de Julia Roberts
Ninguém
se deu conta, mas em 28 de outubro de 2014, Julia Roberts completou 47
anos de idade e de estrelato (sua primeira aparição em série de TV,
Crime Story foi em 87, e o primeiro trabalho já como estrela foi em
Três Mulheres, Três Amores/
Mystic Pizza,
1990). E nos últimos tempos desde que teve 3 filhos com o marido
cinematógrafo tem estado em semiaposentadoria, só retornando para filmes
especiais. Muitas vezes mal sucedidos (como o fraco
Larry Crowne, o Amor Está de Volta, 11, ou participação especial pelo tema como no telefilme
The Normal Heart, 14, que lhe deu indicação ao Emmy de coadjuvante. Ainda assim foi indicada ao Oscar® este ano ainda por
Álbum de Família).
Mas não há dúvida que Julia foi a mais popular estrela de Hollywood nestas ultimas décadas.
Julia
Fiona Roberts nasceu em Smyma, Geórgia, de uma família de artistas e
gente de teatro. Seu irmão Eric Roberts ficou famoso muito jovem e a
ajudou no começo de carreira, embora hoje estejam brigados (Eric tinha
lábio leporino que foi operado, sempre achei que Julia tinha o mesmo
problema, mas nunca revelou isso). Mais lembrado que ele hoje em dia é a
filha dele, Emma Roberts, que esteve em
Acquamarine da Disney e prossegue carreira. Julia teve sorte em ficar conhecida logo com
Flores de Aço
(Steel Magnolias). O público adorou o seu jeito aberto, franco, com uma
enorme boca e cabelos soltos. Logo ficou claro que ela não era
propriamente bonita, com o cabelo preso em certos filmes, como
O Segredo de Mary Reilly, chega mesmo a ficar feia, com muitas imperfeições. Mas isso não importa, Julia é antes de tudo uma estrela.
Nem
ligaram quando foi revelado que foi usada uma dublê para as cenas em
que mostra as pernas (entrando no carro e ou experimentando roupa)
porque Julia não tinha pernas assim tão lindas. Até no pôster seu rosto
foi colocado no corpo da modelo Shelley Michelle. Uma curiosidade:
Disney preferia Meg Ryan no papel que foi recusado antes por Sandra
Bullock (reza a lenda mas parece improvável), Molly Ringwald (que
depois se arrependeu muito), Kim Basinger, Kathleen Turner, Debra
Winger, Bo Derek, Sharon Stone, Michelle Pfeiffer, e até Madonna!!! Tem
mais: Demi Moore, Brooke Shields (esta foi recusada pelo diretor e
Brooke diz que foi o maior erro de sua vida), Drew Barrymore (recusada
por ser nova demais, como foi também o caso de Winona Ryder), Uma
Thurman, Daryl Hannah, Jennifer Connely, Kristin Davis, Valeria Golino
(que foi finalista), Sarah Jessica Parker.
Richard Gere o favorito das brasileiras.
Era
famoso como um criador de casos, um sujeito briguento, mal humorado,
que usava drogas pesadas e desprezava a imprensa. Foi assim que eu
conheci Richard Gere, no começo dos anos 80, quando ele vinha com
freqüência ao Brasil porque namorava uma brasileira, Silvinha, que era
gaúcha e artista plástica. Não chegava a ser antipático, tinha a
arrogância da juventude e de alguém que acabara de ficar famoso, virar
astro de cinema. Na vez seguinte, no Festival de Cannes ele havia mudado
muito. Era calmo, paciente, falava baixo e conversava com
tranquilidade. Nesse meio tempo o que sucedeu foi a conversão: Gere se
tornou budista e amigo da Dalai Lama, eventualmente até mesmo seu porta
voz. A carreira no cinema passou a ser secundária, o que se refletiu
inclusive na escolha de papéis. Nada de blockbusters ou fitas de ação.
No máximo ousa mostrar que também sabe cantar e dançar como fez no papel
de advogado corrupto no musical
Chicago (2002).
Passado
dos 60 anos (nasceu na Filadélfia em agosto de 1949) Richard Gere até
já aceitou as rugas, o cabelo branco, a maturidade. Que agora um
casamento estável (com a ex
Bond Girl Carey Lowell) e um filho
Homer, que leva o nome do avô. Sua prioridade é lutar pelos direitos do
povo tibetano (cujo país foi invadido pelos chineses que expulsaram seus
dirigentes como o Dalai Lama que teve que fugir para a Índia). E de vez
em quando faz filmes em que acredita como
O Vigarista. Gere já foi casado antes (com a modelo Cindy Crawford) numa época onde esteve muito cercado de publicidade.
Vindo da Broadway, foi revelado nos filmes em
À Procura de Mr. Goodbar, com Diane Keaton (77) e
Cinzas no Paraíso (78). Sua grande chance foi quando John Travolta largou
Gigolô Americano e ele herdou o papel. Sem medo de aparecer pelado (o que já sucedeu várias vezes), logo virou
sex symbol. Teve êxitos com
A Força do Destino com Debra Winger (81),
A Força do Amor (83), mas nada como
Uma Linda Mulher (90). E também uma enorme sucessão de fracassos. No Brasil, seu público continua fiel.
Curiosidade:
outros atores disputaram o papel: Burt Reynolds, Al Pacino, Stallone,
Albert Brooks recusaram, John Travolta fez teste, assim como foram
considerados Christopher Reeve, Denzel Washington, Daniel-Day Lewis, Tom
Berenger, Christopher Lambert, Charles Grodin e Dennis Quaid.
Bastidores
Eis algumas histórias dos bastidores:
- Quando Edward quebra o colar de Vivian foi improvisada assim como a risada de Julia (o diretor gostou da reação e ficou).
- O colar que ela usa na época custava na época 250 mil dólares e um segurança ficou o tempo todo observando a cena.
-
O casal vai assistir La Traviata, que é sempre uma prostituta que se
apaixona por homem rico. Durante a cena de amor, apareceu na testa de
Julia uma veia que o diretor e Gere tentaram fazer desaparecer com
massagem (essa mesma veia é freqüente em outros filmes dela).
- É Richard Gere que toca realmente o piano. Ele também compôs a canção que executa.
- Para Julia rir na cena em que assiste
I Love Lucy, o diretor teve que coçar os pés da atriz.
- O casaco vermelho que Julia usa foi comprado por 30 dólares de uma atendente do cinema pouco antes de filmar.
- O filme foi chamado de “3000” (o dinheiro que Vivian acertou com Edward por uma semana de serviços). Virou
Pretty Woman quando a canção de Roy Orbinson entrou para a trilha.
- Gere começou mais ativo no filme mas o diretor lhe disse que era um papel passivo.
- A música tocada quando o casal transa no piano teve que ser dublada por que o som era discordante demais.
- O orçamento do filme foi generoso, e por isso que há tantas cenas em locações em Los Angeles, melhor dizendo Beverly Hills.
-
A cena com o escargot foi feita no Rex (hoje Cicada). O lobby do
Beverly Wilshire Hotel foi realizado no hoje derrubado Ambassador Hotel.
-
Ferrari e Porsche recusaram emprestar carros por causa do tema, mas a
Lotus Cars UK se aproveitou disso e as vendas do Esprit triplicaram.
Quando o personagem Stuckey bate a porta de seu carro, foi realmente
preciso trocar o vidro porque a janela se quebrou.
- Ao final Edward faz serenata com uma ária de La Traviata, adaptada especialmente para o filme.
-
Se prestar atenção você consegue ver Gere mover a língua dentro de sua
boca quando está na porta do Penthouse brigando com o emprego. Isso
sucede porque uma coroa de um dente molar dele se soltou naquela cena!