quarta-feira, 29 de maio de 2013

Reino Escondido

Reino Escondido (Epic) EUA, 13. Fox/Blue Sky. Direção de Chris Wedge. Vozes de Murilio Benicio, Daniel Boa Ventura.102 min.

     O mundo do cinema e os lançamentos andam tão malucos que ainda não nos acostumamos com a lógica, de que filmes americanos são lançados antes no exterior do que em seu próprio território. E que, ao dizem alguns blockbusters serão atrasados para não pegarem a concorrência da Copa das Federações (acho péssima idéia, vai haver uma invasão  de cópias piratas e não acredito que as pessoas enlouqueçam desta feita, acho que há lugar para tudo neste país tão diversificado). Enfim, este filme aqui não foi lançado nos EUA (só dia 24 de maio depois de toda a America Latina e até França) mas não parece propenso a fazer  uma longa carreira (já que é longo demais, crianças não vão suportar tanto tempo. Embora o filme seja extremamente bonito e caprichado, a nova produção da Blue Sky que já trás um avant trailer (alias muito simpático) de Rio 2 (para 2014).

     O diretor Chris Wedge não deixou muito boa lembrança com seu solo em Robôs (2005)  mas ele é o principal criador por trás da Blue Sky, Ganhou o Oscar de curta por Bunny (1999), foi indicado para a Era do Gelo (02), que depois virou uma franquia e onde o brasileiro Carlos Saldanha (que é apadrinhado por ele) foi co-diretor. Justiça seja feita, o filme não poderia ser mais caprichado. A textura da imagem (em especial em relação a plantas), a qualidade da animação, a mensagem do enredo, tudo é de primeira linha Não saiu aqui em versão ao menos ate onde eu soube com versão original então não adianta ficar adivinhando de quem são as vozes . Eu tinha certeza que a rainha da floresta tem a cara da Uma Thurman mas parece que a voz é da Beyoncè (acho que a intenção é torná-la negra mas o que resultou é no máximo uma morenice). Amanda Seyfried faz a heroína feminina, Colin Farrell faz o guerreiro Robin- na nossa versão Daniel Boa Ventura parece ter encontrado um veiculo perfeito para seu talento vocal – Joss Hutcherson o mocinho).

     Indicado para meninas e meninas, tem romance, flores, floresta para satisfazê-las e bastante ação e lutas para os meninos. Alguns mal humorados reclamam que lembram um velho Desenho (Ferngully) e o mundo em miniatura de Luc Besson no pouco visto aqui Arthur e Minimoys. Mas é baseado em livro de William Joyce, que foi em grande parte reescrito para a tela.

     Conta a historia de uma adolescente M.C. que retorna para a casa no meio de uma floresta onde vão reencontrar seu pai que dedicou a vida a estudar um povo minúsculo que viveria na floresta.  Ele vive com um alivio cômico, um cachorro zarolho e sem uma perna! Depois essa função passará para duas outras, um caracola e uma lesma. A julgar pelos trailers das animações previstas para breve, outros filmes do gênero descobriram esses bichos e seu potencial de humor !).  Não há surpresa em ver que o pai da garota tem razão e realmente existe o povo da floresta e em particular os Homens Folhas, guerreiros que enfrentam os eternos inimigos que querem o lutar destruído e apodrecidos e voam em morcegos (os mocinhos em pássaros). O problema é que a Rainha do Lugar  morre depois de um ataque inesperado mas ao menos tem o tempo de escolher sua sucessora, a partir de um botão de flor. E dali em diante temos uma longa aventura cheia de idas e vindas, altos e baixos, por belos momentos. Mas tudo é excessivo e acaba por cansar. Também não é tão Épico quanto seu titulo original faz supor. Ainda assim foi agradável de ver (e observando os trailers cada vez acho mais sem graça o resultado do “Universidade Monstros”. Será que a Pixar errou de novo?).

ref fim .



Faroeste Caboclo

 Faroeste Caboclo. Brasil, 13. Direção de René Sampaio. Com Fabrício Boliveira, Isis Valverde, Felipe Adib, Marcos Paulo. Antonio Calloni, Cinara Leal,Rodrigo Pandolfo, Juliana Manfredini, Cesar Troncoso. 

      Muita gente me disse que estava planejando assistir este filme porque é inspirado na canção da Legião Urbana/Renato Russo, já que gostaram tanto de Somos Todos Jovens.  Não façam isso. São dois filmes completamente diferentes e opostos. E na verdade, qualquer semelhança entre aquela historia biográfica, não especialmente bem contada (já que deixa a parte mais dramática de fora) e este aqui é circunstancial e injustificada. 

     Ate por que a semelhança do filme com a famosa e longa canção é muito vaga e distante. Você pode ouvi-la nos letreiros finais e vai ficar estarrecido como pouco tem a ver com o filme. Que basicamente é uma historia de drogas, os personagens passam o tempo todo fumando maconha, isso na primeira parte, e depois cheirando cocaína com arroubos de Scarface. O que vai tornar o filme proibido para menores.  Mas faz muito tempo, desde o auge de Oliver Stone, que não via um uso tão intenso e exagerado de droga num filme. 

     Depois de Tarantino e Django fica ainda mais difícil suportar o que seria uma sátira ao faroeste á la italiana sem virar parodia ou transcender seu tema. O roteiro é um amontoado de desencontros , superficial e absurdo, mais uma vez dando vida a um dos mitos do cinema brasileiro que é essa historia de que moça rica gosta de rapaz pobre e bandido, que ao menos Nelson Rodrigues dava algum sabor (lembro agora de Terror e Êxtase, de Antonio Calmon, 79, que era Denise Dumont de mocinha rica e Roberto Bonfim, de bandido). Mas é preciso que ao menos os personagens tenham algum traço de humanidade, de verdade, alguma razão para seu comportamento além do uso desenfreado da droga. O filme já começa quebrando uma regra quando transforma logo no começo do filme seu  Herói João de Santo Cristo em vilão, já que mata sem explicações e frieza um policial  (matou virou bandido para o publico). Algum tempo depois vem a explicação, já que ele teria eliminado o sujeito justamente que havia liquidado seu pai, e ainda sem justificativa.

     O problema é que embora ele seja o narrador  e fica dizendo coisas poéticas e literárias em momento algum chega-se a ter um retrato mais completo ou convincente deste João de  Santo Cristo que depois de cumprir pena na cadeia vai procurar um primo torto latino (feito pelo uruguaio de O Banheiro do Papa que esta também em novela da Globo e que demonstra aqui que não é infalível, ate ele mergulha no caos total). Tudo é muito prejudicado porque os personagens são muito mal delineados , tanto João (prejudicado também porque o ator não tem a chance de mudar a expressão de permanente aborrecimento) quanto a moça rica de Brasília  (nos anos ainda da ditadura), um personagem sem  a menor estrutura ou lógica, ainda mais porque sua relação com o pai senador é mal concebida e desenvolvida (a moça Isis Valverde tem uma figura doce que faz pouco mais do que chorar e fumar maconha). Apesar de ele ser obviamente bandido (dar uma flor de madeira não o torna romântico) ela mergulhar na relação nunca convence (a falta de personagens de apoio também atrapalha já que a preferem desenvolver uma trama policial em cima dos traficantes rivais acoplados com policiais corruptos e sem escrúpulos). Ainda assim há menos sexo do que violência e drogas, inclusive com uma sequencia de estupro masculino, felizmente atenuada na montagem final mas dispensável (até porque alguém sendo vitima de tal violência esdrúxula justificaria uma vingança ainda maior do que a mostrada. Sem esquecer que este é daqueles filmes de que diziam quando era criança de que acabava por falta de personagens).

    O pior é que não se pode dizer que o filme é mal feito, a técnica esta lá, só foram tomadas as decisões erradas resultando num filme nefasto e muito desagradável.
Ref fim

2 mais 2

2 mais 2 / 2 más 2. Argentina, 12. 103 min. Direção de Diego Kaplan. Paris Filmes. Com Adrian Suar, Carla Peterson, Julieta Diaz, Juan Minujitin.

     Parece que não vai se repetir o êxito local esta comédia realizada por diretor Vindo da televisão, já que normalmente assistimos os filmes argentinos mais empenhados e menos comerciais. A razão é simples. É uma comédia que é muito pouco engraçada, ainda que realizada com profissionalismo e elenco razoável. Mas essa temática já era velha quando Paul Mazursky fez o pioneiro Bob, Carol, Ted e Alice, em 1969, quando isso era ainda chamado de troca de casais e não Swing como hoje em dia. Mas basicamente é a mesma coisa e casas de Swing continuam existindo aqui e suponho que lá também (o filme mostra uma festa do gênero mas tudo muito timidamente como se tivesse medo de cair na porno chanchada). 

     Altamente previsível é a historia de um casal de meia idade, Diego, um médico bem Sucedido e ainda em forma, que é casado com Emilia, a moça do tempo da teve e tem  um filho de 14 anos. Seus melhores amigos é outro casal mais ou menos semelhante (colega médico do Marido, o que demonstra que eles não viram  a serie de teve Nip /Tuck). Mas são as esposas que tem a idéia de ter novas experiências, transando entre eles (nada de gay entre eles, seria ousado demais) e depois de certa relutância do protagonista assumem a transa, mas obviamente algo sai errado, quando a esposa diz estar apaixonada pelo outro médico, ou seja rival do marido). Ou seja, o que podia ser divertido ou critico, ou comédia de costumes (o filme se passa no limbo, poderia ser qualquer lugar, inclusive o Brasil já que tem ate policias da Lei Seca!). Nada disso, se torna moralista e bobo. Vale o registro a presença de um melhor amigo, gordinho que defende praticas mais  ousadas com os homens e certas formas de penetração. Mas o filme é tão bem comportado, tão falsamente ousado que essas poucas cenas parecem estar no filme errado. 

Ref fim.  

Era uma vez na Anatólia

Era uma vez na Anatólia Bir Zamaniar Anadolou´da/ Once upon a time in Anatolia. 157 min. Turquia, 11. Direção De Nuri Bilge Ceylan. Com Mohammet Uzulner, Yilmaz Endogan, Taner Birsel, Ahmet Taylan, Firat Tanis.
     
     Para o publico de arte esta é uma boa pedida, porque é o melhor filme do mais famoso diretor da Turquia, que por este filme foi indicado oficialmente ao Oscar, levou o Grande Premio do Júri em Cannes, mas não vai atingir um espectador comum, é lento, estranho, esta longe de ser um mistério policial. É uma historia diferente, contada de forma  lenta e indireta. Os personagens vão se apresentando aos poucos e nada é exatamente o que parece. As primeiras duas horas se passa numa planície na Anatolia, durante uma noite de luar. Lá esta grupo de policiais que estão em busca de um cadáver. Lá esta o chefe de policia, o promotor, um médico o motorista os dois suspeitos e um funcionário com laptop para registrar os testemunhos.O principal suspeito já assinou uma confissão mas não consegue se lembrar direito onde o corpo foi enterrado, porque estava bêbado (o outro então não se lembra de nada). Enquanto os homens vão se cansando a gente fica sabendo que são velhos conhecidos, trocam historias (como a mulher que previu o horário de sua morte).

     O local tem um prefeito que lhes oferece comida e bebida e também uma bela filha. Mas tudo irá se complicar com uma autopsia e burocracias. Já se sabe que critico adora filme chato só que este não sei se classificaria assim. Ao menos entrei na historia, apreciei seu senso de humor, o retrato que pinta dos homens e da sociedade. Ainda assim requer paciência.

Ref fim.

Além da Escuridão Star Trek

Além da Escuridão Star Trek (Star Trek Into the Darkness) EUA, 13. 132 min. Paramount. Direção de J. J. Abrams. Com Chris Pine, Zoe Saldana, Zachary Quinto, Karl Urban, Simon Pegg, John Cho, Benedict Cumberbatch, Anton Yelchin, Peter Weller, Alice Eve, Bruce Greenwood, Chris Hemsworth.

     Embora se prometesse a estréia oficial do filme  somente para o dia 14 de junho, mesmo antes da exibição para a imprensa foi feita uma pré-estréia publica neste fim de semana (em vários cinemas em particular os que tem Imax) coincidindo com sua chegada ao publico americano. O que foi ao menos simpático já que praticamente todos os pagantes presentes eram de alguma forma trekkies (no meu caso honorável já que me orgulho de ter um troféu trekkie me entregue numa convenção dos fãs). Não sei se o mereço mas o fato é que  mergulhei inteiramente nesta nova aventura e me tornei admirador do diretor J.J. Abrams que por enquanto me impressionava mais na televisão (Lost) do que no cinema (o primeiro Star Trek que ele dirigiu não era nenhuma maravilha,  Super 8 foi super estimado). E como ele agora é responsável pela franquia de Star Wars (e pretende fazer um filme deles por ano) fico feliz pela impressionante competência que demonstrou num incrível filme de ação, com um visual fantástico e onde ate mesmo o loirinho canastrão que assumiu o Capitão Kirk, o Chris Pine dá sinais de talento e esperança. Chega mesmo a convencer.  

     É mais um inesperado milagre de um filme cujo único problema é não podermos revelar aqui alguns detalhes da trama  que tornam o enredo ainda mais saboroso como uma aparição inesperada e uma identidade de vilão. Que se torna mais interessante quanto menos se aprofundar, ao menos neste momento. Não digo nem pelos fãs, que estes já sabem de tudo mesmo. Mas para os não-fãs esta é a chance de Star Trek conquistar novas platéias. Quem reclamava de que os filmes da série sempre se passavam numa perene sala de comando, sets de gosto duvidoso e tinham mais blábláblá do que ação. Pois agora eles vão se calar. O que mais me impressiona neste novo filme da serie e o segundo com Abrams é que o filme tem uma narrativa completamente diferente, moderna, influenciada pela televisão, com  efeitos de contra luz, câmera ágil e uma brilhante e inovadora direção de arte. Acho melhor usar a palavra correta que seria desenho de produção, o artista que concebeu o novo visual  que vai desde os ambientes interiores, ate os arranha céus da cidade do futuro, ate as salas onde se realizam as reuniões, ou guardam arquivos secretos. Claro que eu achei uma grande sacada chamar o ator que criou o Robocop original e que esta injustamente esquecido, o Peter Weller, para um papel super importante. Só superado pela perspicácia em recrutar as pressas o Benedict Cumberbatch (antes que O Hobbit o use demais, ou a serie Sherlock o torne famoso demais).Sua voz profunda (ainda que alterada ), sua presença longilínea e a eficiência de ator britânico veio dar uma dimensão maior a um personagem que mais um mero vilão ou terrorista como a principio é chamado mas uma figura que vai ganhando novas dimensões e para quem acompanha a série desde a teve, 
um sentindo muito bem vindo.

     O que realmente me surpreende é que o cinema americano de blockbuster ter sido capaz de produzir na mesma temporada dois filmes de ação /ficção (cientifica ou mera fantasia) de tanta competência quanto o Homem de  Ferro III e este Star Trek, ambos expandindo os horizontes do filme de efeitos especiais, cada um a seu modo e com seu estilo. Mas ambos brilhantes como diversão.

Ref fim.

Elena

Elena Brasil, 12. Direção de Petra Costa. 82 min.Documentário.

      Agradeço aos leitores que me chamaram a atenção por este “Elena”, que tem se Sobressaído no circuito de arte depois de ganhar vários prêmios no Festival de Brasília (filme júri popular, direção, montagem, direção de arte). Ele vem na trilha dos Documentários em que os realizadores recordam personagens ou situações de seu Passado, seja político, seja pessoal. Muitas vezes de forma displicente, superficial, Vazando vaidade e egocentrismo. Não é o caso desta diretora jovem que fez uma Viagem ao seu passado, em busca de sua irmã mais velha que se suicidou e que mal conheceu. Qual é a diferença dos outros? Simples, a moça é talentosa, sensível, fez tudo com delicadeza e emoção. Conseguiu antes de tudo um material importante  de arquivo, com registros familiares da irmã Elena com a própria Petra, ainda pequenina.

      O filme é quase uma historia de mistério porque é sobre uma mulher que sai em busca da irmã desaparecida quando encontra um diário dela (feito aos 17 anos, a mesma idade com que estava Petra). Depois encontrou o material gravado, realizou entrevistas com as pessoas próximas a ela e foi a Nova York atrás dos vestígios da irmã. Que era muito bela, sonhava em ser atriz, tinha envolvimento também com os movimentos de luta contra a Ditadura militar. De um determinado ponto em diante, Petra não apenas narra a busca mas também passa a registrá-la. Só que tudo é feito com um clima onírico, enfatizando amar, a água,  a passagem. Um filme muito lírico, bonito, muito especial.

Ref fim.

sábado, 25 de maio de 2013

Velozes & Furiosos 6



Velozes & Furiosos 6 (Fast and Furious 6) EUA,13.Direção de Justin Lin. 130 min. Universal. Roteiro de Chris Morgan. Com Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Jordana Brewster, Michelle Rodrigues, Luke Evans, Gina Carano, Elsa Pataky, Gal Gadot, Sung Kang, Ludacris, Tyrese Gibson, Jason Statham.

      Estamos com sorte, a temporada deste ano de blockbusters esta chegando com tudo e em plena forma. Depois do cinco estrelas Homem de Ferro e do cinco estrelas Star Trek Além da Escuridão (cuja estréia oficial é só dia 14 de junho), chega o melhor filme da série Velozes e Furiosos até agora. Embora eu não aprecie especialmente a série (e deve ser a única das franquias de ação que não tenho em Blu Ray), não há porque ser mal humorado e não curtir este filme super movimentado, que lembra os filmes de James Bond  da época do Roger Moore quando não havia tanta necessidade de se fazer cenas de ação que fossem criveis e verossímeis, valia tudo, era uma brincadeira e uma fantasia.Que culminava como agora com o aplauso e o riso da platéia satisfeita! 

      É assim que pensaram os realizadores deste sexto capitulo (quem diria que a série duraria tanto!) que rendeu muito no filme anterior que foi parcialmente rodado no Rio (devem ter gostado porque há meia dúzia de citações da cidade e das mulheres e suas belezas). Ou seja, o forte dos filmes anteriores nunca foi a lógica ou o realismo. É uma aventura de ação e pronto. Só acreditar que Vin Diesel seja um astro já é um desafio a qualquer bom senso!

      Enfim, o roteirista Chris Morgan tem acertado desde Desafio em Tóquio (ele fez também o bom O Procurado com Angelina Jolie) e Aqui aplica as técnicas de Hitchcock aqui. De tal maneira que, o que  ele denominava de “McGuffin” é  aquela parte do enredo que tem que existir para segurar a trama (aqui é um terrorista britânico Shaw que promete explodir e matar para  ficar com poderosos segredos não se entendem muito bem para que servem, aparentemente para desligarem todos os geradores de força por 24 horas!). No fundo esse papo todo embora acione a trama na verdade não é fundamental. O importante mesmo é outro aspecto da historia,  o romance, a Love story entre Vin Diesel (como Dominic Toretto) e sua desaparecida e sempre amada e muito masculina Letty Ortiz (provocando o retorno de Michelle Rodrigues que é a verdadeira atração do filme, já que ela havia sido dada como morta!). Ou seja, a grande força dramática do argumento é o retorno de Letty, que teria perdido a memória e esta trabalhando para um terrorista e naturalmente participando de rachas (ainda que em Londres!). É isso que faz Toretto aceitar a missão que lhe foi oferecida pelo agente do governo Luke Hobbs (Dwayne) assim como todos seus amigos do grupo de  ladrões e parceiros (eles ficaram muito ricos e vivem em diferentes lugares do mundo depois que o roubo carioca lhes rendeu cerca de 100 milhões de dólares). Dali em diante, o filme  não para mais. Na verdade devia ganhar algum premio como o que tem melhor cenas e tomadas de helicóptero. A câmera esta sempre se movimentando  não na mão, como se tornou banal, mas de carrinho, em deliciosos travellings, realizando verdadeiros  e estilosos malabarismos.  

      Já começa com ação mas é no final que a coisa realmente explode com alguns momentos inéditos, alias com uma cena que pela lógica deveria ter constado de Argo, se os árabes quisessem realmente impedir a partida da nave. É um avião bandido (aparentemente russo, alias é lá que o filme começa. Na verdade as locações foram feitas nas Ilhas Canárias, Tenerife na Espanha,  e basicamente Londres, Escócia. Liverpool).  Enfim, a quadrilha de ladrões do Bem se unem e começam a amarrar seus carros e afins no avião que esta  tentando levantar vôo. É uma sequencia longa, absurda e bem feita, mas eletrizante (a mais louca é com um tanque de guerra em ação numa auto-estrada!).  e na conclusão, temos um outro atentado em Tóquio que  serve para apresentar o ator que fará o vilão da próxima aventura! 

      Tem algumas coisas a chamar a atenção, entre elas Jordana Brewster que faz  a mulher do apagado Paul Walker. Como se sabe ela é filha de americano com modelo brasileira (de origem portuguesa) Maria João que era ainda mais bela que ela! Esta também na nova versão da novela Dallas na teve!  Outra figura interessante é Gina Carano, que foi lançada como estrela por Steven Soderbergh no mal sucedido “A Toda Prova” que na verdade é campeã de varias lutas e famosa por sua atuação na MMA .( Por isso mesmo ela e Michelle tem uma complicada e bastante realista luta no metrô!). Enfim, ela tem um papel forte e aqui não se importa de parecer gordota e nada sofisticada.  Custei a identificar o vilão  Luke Evans que  naturalmente é britânico e tem aparecido em tudo que é filme de ação (Os 3 Mosqueteiros, Fúria de titãs onde fez Apollo,  O Corvo, Os Imortais e os dois próximos Hobbits!).Concluindo: apertem os cintos e divirta-se.  Boa diversão. 

Ref fim.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Olhe para mim de novo



Olhe para mim de novo . Direção de Kiko Goffman e Claudia Priscilla.
Documentário.

      Não pude acreditar no preconceito com que foi recebido este filme no Festival de 2011. Muita gente reclamou e ate xingou o trabalho, o que deixou espantado o casal de diretores que na verdade estão acostumados com filmes polêmicos (como em Filmefobia). Mas a intenção não foi essa, apenas quiseram registrar uma figura muito interessante de uma mulher homossexual assumida, que se veste de homem, usa o nome de Sylvio Luccio (não é transexual como dizem alguns resumos). Este mantém uma vida com muitas amantes,muito sexo, sendo aceito pelas cidades nordestinas, verdadeira Parahyba do famoso baião.

     Não cabe a ninguém julgar se é machista ou coisa que o valha, ele é o que ele é, o que deseja ser e as pessoas já deveriam ter aprendido a respeitar as escolhas alheias. No entanto, se comportaram no Festival como um bando de dengosas escandalizadas, em vez de críticos e freqüentadores do Festival mais importante do país. Enfim, o documentário é  um registro interessante de uma grande figura que não esta ali para ser amada ou aprovada. Mas respeitada.

Ref fim.

La Redota. Uma Historia de Artigas


La Redota. Uma Historia de Artigas.   Uruguai  11. Idem.


      Foi o grande vencedor do Festival de Gramado do ano passado dentre os filmes latinos.É o drama histórico uruguaio realizado pelo grande fotografo uruguaio radicado no Brasil, parceiro brilhante de muitos trabalhos com Fernando Meirelles e  que dirigiu antes o talentoso o Banheiro do Papa (alias o ator do filme Cesar Troncoso esta na novela das seis da Globo e na estréia Faroeste Cabloco). Artigas é o grande herói daquele país e conta uma Historia real. Em 1884, o famoso pintor Manuel Blane é convidado a fazer um retrato de José Artigas. O Problema é que só existia um retrato feito dele ja em sua velhice. Assim ele teve que ler seus escritos, aprender sua idéias  para poder imaginar como for a realmente sua aparencia.Blanes encontra as anotações de um velho espião espanhol, Anibal Larra, que havia sido contratado por oficial argentino Manuel de Sarratea para matá-lo  porque ele resistia as pressões de Buenos Aires. Originalmente foi produzida para TV Espanhola dentro da série Os Libertadores.

Ref fim.

O Massacre da Serra Elétrica A Lenda Continua



O Massacre da Serra Elétrica  A Lenda Continua The Texas Chainsaw 3D. EUA, 13. 92 min. Terror. Direção de John Luessenhop. Com Alexandra Daddario, Dan Yeager, Scott Eastwood, Tremaine Trey Songz, Tanya Raymonde, Shaun Sipos, Keram Malicki-Sanchez, James MacDonald, Richard Riehle.

      Já foram tantos os filmes da série que fica difícil entender onde se situa esta nova realização, a primeira em 3D ( pelo jeito foi transformado no sistema depois de pronto, porque as cenas parecem solucionadas com CGI. Tem sangue jorrando na platéia, um serra que abre um caixão pelo ponto de vista de quem esta dentro dele e um serralheira jogada na tela. Nada de importante ou marcante). O filme original foi de 1974 e durante anos teve problemas com a censura, porque era muito gore, sanguinolento, explicito para a época. No Brasil só saiu em Home Video e assim mesmo atrasado. Ao menos dez anos (nesse meio tempo ao menos ficou famoso e falado por aqui). Foi proibido pela censura na Inglaterra, Alemanha e Finlândia). Quem dirigiu e criou o original foi Tobe Hopper (que Spielberg chamou para Poltergeist, seu único filme notável fora este). Nativo de Austin, Texas, ele era professor universitário de Historia, diretor de documentários e não há base para a lenda de que a historia foi inspirada em fatos reais (Tobe teve a idéia do filme numa loja de ferragens quando viu uma serra elétrica, ate então não muito conhecida). No máximo houve a influencia do caso do serial Killer Ed Gein, o mesmo que inspirou Psicose de Hitchcock.

      O primeiro Massacre era muito talentoso e tinha imagens realmente assustadoras e estranhas como o herói que era chamado de Leatherface (cara de couro) e que nesta versão tira a pele do rosto dos mortos para usar em cima de seu rosto queimado e marcado! E assustava mesmo ao contrário deste patético filme trash (Lixo) que custou vinte milhões de dólares e não rendeu mais do que 33!. O fato de que a  paisagem lembra a Louisiana é porque o filme foi rodado lá (benefícios fiscais) e não no Texas! O original vejam que curioso foi distribuído pela firma Bryanstrom que hoje se sabe era uma fachada para a Máfia!

      Enfim, o primeiro era de 74 e foi seguido pela Parte 2, em 86, a Parte 3 em 90, o Retorno em 94. Embora fosse refilmagem mais que continuação, este é mais notável porque tem no elenco os texanos e futuros astros Renee Zellwegger e Matthew McConaughey, e foi dirigido por Kim Henkel, que era co roteirista do original. Mas não para por aí, temos ainda outra versão em 2003 (com Jessica Biel e Jonathan Tucker) e outra ainda em 2006, O Massacre... O Inicio (com a brasileira Jordana Brewster).  

      O diretor aqui é um tal de John Luessenhop que não demonstra qualquer talento (fez Ladrões, 10, com Matt Dillon e Hayden Christensen) mas o pior são os roteiristas (são 6 creditados por script e personagens) que não percebem o básico. Eles querem usar uma ironia discutível que é a carta que a mocinha Heather recebe logo ao chegar a casa que herdou. Qualquer pessoa normal leria  o conteúdo da carta e teria curiosidade enorme em ver todas as dependências. Mas eles deixam na casa sozinho um caronista que mal conhecem (que naturalmente é um ladrão e acaba se tornando a primeira vitima antes que tenha tido tempo para dizer a que veio no filme). Enquanto os dois casais tem enorme pressa de ir fazer compras num supermercado!!! Outra coisa irritante: a melhor amiga de Heather Nikki tem um furor uterino inexplicável de tal forma que ela faz questão de transar com o namorado negro da amiga a qualquer custo, ate no feno! E a Heather nem percebe nada! Tem outras besteiras mais graves (como Heather pode ter uma tatuagem da família no peito quando era apenas um bebezinho!). Também reclamo que não deram um final para o personagem do policial que é vivido por Scott Eastwood que é muito parecido com seu pai Clint quando jovem! Outra coisa: se a ação se passa em tempo atual, ela teria perto de 40 anos e seria tão jovem e lampeira (isso foi o Hollywood Reporter quem notou, não eu). De qualquer forma, o fato de fazerem pouco é bom porque o elenco é formado por péssimos atores e coadjuvantes. 

      Embora os fãs da serie possam achar alguma graça em certos detalhes, como planos que homenageiam o original  (o tatu morto na estrela) e o fato de quem nada menos do que 4 atores do primeiro filme aparecem aqui em diferentes papeis. Marilyn   Burns que fez Sally agora interpreta Verna. Gunnard Hansen que foi Leatherface retorna como Boss Sawyer no começo do filme. Também nessas primeiras cenas aparece John Dugan que faz o mesmo avô nas duas versões. Bill Moseley que era Chop Top agora virou o cozinheiro Drayton Sawyer.

       O plano original era fazer uma trilogia (que começaria pelo segundo filme que se passaria totalmente num hospital) mas acharam que era muito risco e ficaram apenas com esta continuação.  O fato de que o filme não foi exibido nos EUA para a crítica é sintomático. Tudo nele é do time de reserva. Direção medíocre, trilha banal, fotografia escura, interpretações horríveis e cenas grotescas (no A Morte do Demônio ainda tinha algum sentido porque era obra do Demônio, ou seja, do outro mundo. Aqui é puro carniceiro).  Um detalhe: os fatos do primeiro filme aparecem durante os letreiros.     

Ref fim

Se Beber Não Case Parte III



Se Beber não Case Parte III (The Hangover Part III). EUA, 13. Direção de Todd Philipps. 100 min. Warner. Com Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Gallianakis, Ken Jeong, Justin Bartha, Melissa McCarthy, Jeffrey Tambor, Mike Epps, John Goodman, Heather Graham, Jamie Chung , Sondra Currie.


     Melhor para a Warner se preparar para uma grande decepção de bilheteria com este  terceiro  e final capitulo da trilogia que lhe deram tanta grana e tantas alegrias. Eles desistiram de grande parte da grosseira (ou baixaria, da no mesmo) em troca do nada. Melhor dizendo de realizarem um filme plácido, retomando os mesmos personagens de sempre, amarrando as situações e com apenas uma novidade, a presença da onipresente Melissa McCarthy que esta estragando sua carreira fazendo uma sucessão de personagens no mesmo tom e diapasão (aqui ela surge já na parte final como o interesse romântico para o personagem de Alan, o esquisito Zac que acaba tendo o personagem mais importante e forte desta conclusão. Alias umas poucas grunhidas que a gente consegue dar é graças a sua presença bizarra.


      Porque os autores embarcaram nesta viagem autodestrutiva e fatal (só se estavam mesmo querendo terminar com a série a qualquer custo!) é difícil de entender e mais ainda de Perdoar. Apesar de sua indicação ao Oscar Bradley Cooper (Phil) é pouco mais do que coadjuvante (Não lhe dão nem um interesse romântico, esta presente o tempo todo mas é como figuração de luxo). Ed Helms (Stu), que nunca foi muito engraçado mesmo tem uma piadinha ruim na conclusão e referencias a seus pecados anteriores. 

      A historia começa aqui com uma gag que por alguma razão eles acharam supra engraçado e é cruel e não funciona. Zac compra uma girafa e a esta levando para casa numa auto estrada quando ela é sumariamente decapitada (crueldade com gente ate o publico aceita mas com animais francamente....). Isso acaba levando o pai de Zac a morrer repentinamente e os amigos resolvem fazer uma chamada “intervenção”para ver se conseguem internar o amigo. A principio eles concordam mas a caminho do sanatório eles acabam sendo capturados por um super criminoso (John Goodman) que deseja se vingar do criminoso chinês Mr Chow (que já apareceu no comecinho antes dos letreiros fugindo de uma prisão da Tailândia, dali em diante ele vai continuar interferindo envolvendo os 4 heróis (o coitado do Justin Bartha, que é Doug  é novamente encostado e deixado fora da trama principal). Enfim,acaba virando filme de assalto e a turma toda vai novamente para Vegas (onde reencontram Heather Graham, completamente esticada pela plástica e com um filho grandinho, com quem tentam fazer uma sequencia meio lírica).  

      Como já disse antes, perdoa-se tudo se o filme fosse engraçado.  Mas abandonaram a Porno chanchada e é provável que seu publico o repudie com total desprezo. 

Ref fim          

Sem Proteção



Sem Proteção. The Company you Keep. EUA, 12. 121 min. Direção de Robert Redford, Roteiro de Lern Dobbs, baseado em livro de Neil Gordon.Com Robert Redford, Susan Sarandon, Julie Christie, Brendan Gleeson, Nick Nolte, Stanley Tucci, Shia LaBeouf, Chris Cooper, Terence Howard, Richard Jenkis, Anna Kendrick, Brit Marling, Sam Elliott, Stephen Root. Imagem.

     É raro se ver um filme com elenco de apoio tão famoso e notável, mesmo que em papeis pequenos. Prova indiscutível do prestigio de Robert Redford, que ao 67 anos e muito envelhecido retornou interessado em continuar dirigindo. E escolheu um tema difícil e polemico, ainda que completamente esquecido: a historia dos estudantes americanos que nos anos 70 quando se fazia oposição aberta a Guerra do Vietnã, formaram o grupo chamado “The Weathermen” e  escolheram a Ilegalidade e se tornaram autênticos terroristas, assaltando bancos e mesmo matando. Depois para não serem processados e mandados para a cadeia, escaparam vivendo existências normais sob outro nome. O cinema raramente abordou este tema mais notavelmente em O Peso de um Passado (Running on empty, 88, de Sidney Lumet) onde tudo era mostrado pelo ponto de vista do filho adolescente River Phoenix. 

      Mas nesta época em que o terrorismo tomou uma nova cara, quero dizer se tornou uma ameaça real e próxima no território americano, fica muito difícil justificar uma ação dessas apenas como uma loucura de juventude. Afinal eram apenas jovens idealistas, da classe de uma certa maneira até mimados. Não tinham qualquer apoio do povo e começaram a matar sem qualquer critério.  Alias a imprensa americana mostrou como o roteiro de Dobbs  (que fez Cidade das Sombras, A toda prova de Soderbergh, A Cartada Final, O Aprendiz de Feiticeiro) se esforça em pintar um retrato simpático dos ex-militantes. Alguns internautas ridicularizaram o ator por causa de uma cena onde ele aparece fazendo jogging como se fosse uma velha senhora. Mas o roteiro insiste que aqueles que se tornaram violentos foram expulsos da organização, que se tornaram bons pais e que chegavam a mandar dinheiro para as vitimas! Chega mesmo a tornar o jovem jornalista que investiga o caso (Shia, que continua a não me convencer).uma figura agressiva que faz perguntas desagradáveis ate na prisão que qualquer um de bom não responderia ou seria interrompido. A idéia de que eles também teriam sido precursores dos ecologistas também não é verdadeira. Redford como diretor evitou construiu um thriller, dando ao filme um ritmo de drama, mais denso, confiando que o elenco levantaria o nível do interesse. E realmente alguns deles brilham como é o caso de Susan Sarandon (ela é a primeira a se entregar provocando assim a fuga de Redford, ainda mais quando é perseguido pelo jovem jornalista). Embora quase todos tenham aparições curtas demais. 

      Embora tenha ganho dois prêmios menores no Festival de Veneza, o filme foi ignorado pelo Oscar e outras premiações e teve uma renda triste de 3 milhões e 433 mil dólares. Com certeza não irá melhor por aqui.

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Steve Forres


Morre Steve Forrest, galã dos anos 50
1957
       Para se ver como a vida é curiosa. O Hollywood Reporter anunciou Morre astro da série SWAT. Alguns anos atrás a chamada poderia ter sido Morre o irmão ator de Dana Andrews (mas hoje ninguém mais se lembra quem foi Dana!). Ainda assim estava foi a primeira razão para a fama de Steve Forrest (1924-2013), um ator texano contratado da Metro nos anos 50, que era mais conhecido por ser irmão do astro famoso dos anos 40 Dana 1909-92 (Laura, Os Melhores Anos de Nossas Vidas, Consciências Mortas). Steve era loiro e alto, o oposto do irmão. Morreu aos 87 anos, Thousand Oaks, Califórnia,  cercado pela família, de causa não revelada.  

1965
      Steve começou no cinema fazendo pequenas pontinhas ainda durante a Segunda Guerra a partir de Mergulho no Inferno, 43, estrelado pelo irmão. Somente em 1952 foi descoberto pela MGM que o colocou em Assim Estava Escrito de Minnelli, seguido por O palhaço com Red Skelton, 53, O Sabre e a Flecha com Burt Lancaster, 53, Campo de Batalha com Bogart, 54, É deste que eu Gosto com Debbie Reynolds, 53, Quem é meu Amor com Deborah Kerr, 53, A Roda da Fortuna com Fred Astaire, 53, Meu filho minha vida, com Jane Wyman, 53, Da´me tua Mão com Richard Widmark, 53. No ano seguinte, dois filmes em papeis maiores, O Fantasma da Rua morgue e Prisioneiro de Guerra. Em 55, já tem um papel forte em Pecado e Redenção com Janet Leigh, e foi o galã central de  Dela Guardei um Beijo com Anne Baxter. Imediatamente já passa para a teve só voltando em papeis menores no cinema com Doris Day em Viuvinha Indomável, 59, Cinco Mulheres Marcadas com Silvana Mangano, 60, Estrela de Fogo com Elvis, 60, Furacão de Saias com Debbie Reynolds, O Mais longo dos Dias, 62, A Senha do Crime, com Pat Boone, 63, Mamãezinha Querida, 81,Sahara 83, Os Espiões que Entraram numa Fria, 83. 

Na teve estrelaria a serie The Baron (66), SWAT (75), Dallas (86), e faria participações em praticamente todas as series de sua época.  
2003

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terça-feira, 21 de maio de 2013

Giovanni Improtta - atualizado


Giovanni Improtta / Brasil, 13. Direção de José Wilker. Produção de Carlos Diegues. Sony. Com José Wilker, Andréa Beltrão, Othon Bastos, Milton Gonçalves, Hugo Carvana, Gregorio Duvivier, André Mattos, Thelmo Fernandes, Norival Rizzo, Christina Pereira, Thogun. Paulo Goulart, Jo Soares, Guida Vianna. 

     Sou admirador de longa data do José Wilker, não apenas como excelente ator mas também consagrado diretor de teatro (atualmente em cartaz em São Paulo com um montagem de Rain Man), de televisão (fez Sai de Baixo, precisa mais) e agora também de cinema. Ao contrário do que dizem os boatos de Internet (que já cansei de desmentir) somos amigos e ficamos mais próximo quando trabalhamos juntos no Telecine, chegando a viajarmos por duas ou três vezes ao Festival de Cannes.  Ele tem um senso de humor inteligente e permanente, o que para mim já é a maior das qualidades. Adora cinema e continua a ser inveterado cinéfilo, importando os melhores filmes para sua coleção. Alias desde o ano passado, estamos juntos também como curadores no Festival de Gramado.

      Acho que é preciso ser corajoso nesta altura do campeonato estrear no cinema na direção com este Giovanni, dar a cara para bater (eu confesso que não faria o mesmo e não pretendo dirigir, não me sinto competente para isso). Este é um vôo solo a partir do personagem que ele criou na novela A Senhora do Destino (2004-05) de Aguinaldo Silva. Segundo me contou, contribuiu tanto para o personagem naquele momento, que fez um acordo de amigo com o novelista que o liberou para o cinema. Uma coisa que eu acho importante: Wilker trabalhou com a produção do amigo e velho companheiro de muitos filmes, o diretor Carlos Diegues (que alias faz pontinha!). O que permitiu a ele seguir as lições de Woody Allen. Depois de uma primeira montagem, ele retomou o projeto polindo e acrescentando o que lhe pareceu tornaria o filme mais perfeito (outra curiosidade o roteiro final é de Mariana Vielmond, filha de Wilker com a atriz Renée de Vielmond).

      Giovanni continua a ser um bicheiro mas em busca da respeitabilidade. Vive maritalmente com Andréa Beltrão (que faz o tipo da cafona, alias toda a direção é igualmente criativamente brega), pensa em entrar para um clube fechado (onde o Jô faz o diretor), tem acordo com os policiais (que na medida do possível o protegem) e com as escolas de samba  (alias o filme se esmera em duas sequencias, a de abertura que é um enterro que muda de figura com a chegada de passistas de uma escola e a do final, quando temos uma  panorâmica de um ensaio de escola). A Fotografia premiada é do sempre competente Lauro Escorel.  

      Talvez a melhor coisa do  filme seja porém o excelente elenco que Wilker reuniu  no que vai desde veteranos que sabem tudo (Milton Gonçalves, Othon Bastos). A participaçaões especiais (de Jô Soares, Paulo Goulart). Que traz figuras consagradas (como Andrea Beltrão), mas também gente nova que não conhecia (o rapaz que faz o pregador, o policial que deseja ser cantor) e pessoas que nem reconheci (o cantor do casamento no começo que depois fez o musical Priscilla a rainha do Deserto, meu amigo Thogun que faz um tipo diferente). E registre-se também que é o primeiro filme brasileiro que assisto em que se satiriza um pregador evangélico (sem ter medo de criticá-lo). Em Recife, Cacá Diegues chegou a afirmar que o filme não é somente comédia mas um gênero novo que mistura  vários (gêneros). Meu único problema é que não assisti a novela e tive dificuldade de reconhecer certas frases e citações. Mas me diverti, ri bastante e  torço que o filme faça sucesso. E que venham outros filmes. 

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O Cisne Negro




O Cisne Negro/The Black Swan em Blu Ray (não confundir como filme homônimo que deu Oscar a Natalie Portman).Esta é uma edição brasileira da Classicline, aparentemente licenciada pela Fox (mas o filme não existe neste formato nos EUA).  
Áudio: Inglês, Port. Leg: Port. EUA, 1942. Standard. 85 min. Aventura Capa-espada. Cor. Classicline Fox. 12 anos.

Diretor: Henry King . Elenco: Tyrone Power, Maureen O´Hara, Laird Cregar,Thomas Mitchell, George Sanders, Anthony Quinn, George Zucco, Fortuno Bonanova. Inspirado pelo livro de Rafael Sabatini com roteiro de Ben Hecht e Seton Miller. Fotografia de Leon Shamroy.   

Sinópse: No século XVII. o famoso pirata Henry Morgan é nomeado pelo Rei da Inglaterra, governador da Jamaica. Isso é um choque para os habitantes do lugar, ate porque ele convoca os seus colegas piratas do Caribe para ajudá-lo. Sua proposta é pacificar a região e acabar com a pirataria Jamie se une a ele mas se apaixona pela filha do antigo governador Margaret e enfrenta a resistência de dois renegados Capitão Billy Leech e Wogan.

Comentários: É interessante dar atenção a este lançamento porque é dos primeiros feitos no Brasil de um filme clássico sem que exista anteriormente nos EUA. Saiu também El Cid (que eu comprei mas ainda não assisti, a vantagem é que os preços são razoáveis). Mas este traz a vantagem de ter sido feito pelo famoso technicolor da Fox, que era considerado o melhor e mais bonito de Hollywood em sua época. E as cores resplandecem como nunca neste capa-espada que ganhou o Oscar de melhor fotografia a cores (na época, o sistema era a cores e os estúdios o utilizam para filmes de aventura, no caso para ressaltar os cabelos ruivos de sua estrela Maureen O´Hara (ainda viva) e o maior galã do estúdio Tyrone Power (reparem como os tempos mudaram e hoje ele parece fracote já que não era nada bombado. No entanto era considerado em seu tempo o modelo de homem bonito).  Inclusive Maureen participa do comentário em off, fazendo observações oportunas e bem humoradas. Foi ainda indicado aos Oscars de melhores efeitos especiais e trilha musical (Alfred Newman). 

       Já basta isso para se sentir que era uma produção Classe A de um gênero então muito popular e que ficou anos fora de cartaz para voltar recente com a série Piratas do Caribe com Johnny Depp. Embora bem humorado a aventura não chega a ser tão farsesca. Quase todo rodado em estúdio (embora tenha tido locações em Cuba, Florida, Griffith Park em Los Angels, Honduras, Mexico e Port Royal, Jamaica. 

      A nave que foi utilizada no filme foi reutilizada depois em outros como Lady Hamilton, Capitão Kidd e A Princesa e o Pirata. Apesar disso procuraram economizar nas filmagens procurando reduzir o numero de tomadas (e 30 por cento delas foram feitas em um único take). Embora digam ser inspirada num livro de Sabatini, na verdade o roteiro nada tem a ver com o original a não ser o uso do nome do Henry Morgan. O final original teve que ser modificado porque a censura não permitiu que Tyrone e Maureen pulassem juntas na água! Os roteiros são dois grandes veteranos famosos, Ben Hecht (1894-1964) ,6 vezes indicado ao Oscar (ganhou duas) e também diretor e escreveu filmes como Scarface, Quando Fala o Coração e Notorious de Hitchcock. Seton I Miller (1902-74), ganhou o Oscar por Que Espere o Céu e escreveu capa-espadas para Errol Flynn como Robin Hood e Gavião do Mar. 

      Naturalmente é uma aventura que mistura ação com humor, justamente o que o publico precisava naquele momento em que era atacado Pearl Harbor e o publico precisava de algo escapista e divertido. E no caso também bonito.  

      O segredo do filme esta no seu elenco que é liderado por uma dupla que é boa de ação e romance. Tyrone era um bom ator que teve a infelicidade de morrer cedo demais, numa filmagem (Salomão e a Rainha de Sabá, lutando com George Sanders, que é o vilão aqui), com apenas 44 anos (de enfarto, em Madrid). Maureen é mais lembrada como a estrela favorita de John Ford (também irlandesa de origem). Mas como coadjuvante e vilão tem o futuro astro Anthony Quinn, Thomas Mitchell, Sanders (todos eles premiados com o Oscar de coadjuvante) e outra grande figura que foi Laird Cregar (1913-44, que faz o Morgan), grandão e corpulento, ele era dos melhores vilões da Fox, que morreu prematuramente com apenas 31 anos (demonstrava mais), como resultado de uma dieta desastrosa que o levou a operar o estomago e um conseqüente enfarto. Fruto mais da vaidade de não querer ser vilão do que necessidade. 

      A edição é decente ainda  que na minha cópia  em alguns momentos haja irregularidades e queda de qualidade em algumas cenas.  Ainda assim eles todos contribuem para tornar este O Cisne Negro um dos melhores filmes de pirata de todos os tempos.  

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Um Rosto de Mulher

Um Rosto de Mulher A Woman´s Face  Audio: Ing. Leg: Port. EUA.  Standard. 106 min. Drama. PB. 1941.  Colecionando Clássicos/Originalmente MGM. 14 anos. Diretor: George Cukor. Elenco: Joan Crawford, Melvyn Douglas,Conrad Veidt, Reginald Owen, Albert Bassermann, Marjorie Main, Donald Meek, Osa Massen.

Sinopse: Na Suécia, Anna Holm é uma mulher amargurada e vingativa por causa de uma cicatriz no rosto que a deixou deformada. Começa em Estocolmo quando ela esta sendo julgada pelo assassinato de um homem. Em flashbacks ficamos sabendo  como ela se envolveu com a vitima Torssen, assim como passou a ser chantagista e cúmplice num complicado plano de matar uma criança , sobrinho dele, para ficar com uma fortuna.
  
Comentário: Este é um dos melhores papeis e filmes da estrela Joan Crawford (1906-77 (que absurdamente não lhe deu nem uma indicação ao Oscar, mas a própria Joan achava que teve efeito cumulativo para ser premiada em 45 por Alma em Suplicio). É baseado numa peça Francesa “Il Était une Fois” (Era uma vez) de Francis de Croisset, que já havia sido filmada na Suécia com Ingrid Bergman (dado o sucesso, Ingrid foi contratada pelo cinema americano, graças a esse filme e também Intermezzo, de  36, ela estrearia nos EUA numa refilmagem justamente de Intermezzo em 1939, ou seja na época deste filme ela já era super estrela nos EUA). Esta versão é muito parecida com o original sueco de 38, conserva ate os mesmos nomes de personagens,  que passou aqui como “A Mulher que Vendeu a Alma” do importante diretor Gustaf Molander e que existe em Home Video nos EUA. Se Ingrid tinha um tipo doce e ingênuo, Joan já vinha de uma tradição de vilãs e mulheres fortes. Também o sucesso do filme foi porque na época a cirurgia plástica não era tão famosa e difundida como hoje (e acabou sendo um grande propagandista). O diretor Cukor era o preferido das mulheres do estúdio e consegue dar um tom de dignidade a um melodrama que corria o risco de ficar absurdo. Joan o considerava como um pai e a pessoa que mais a influenciou em sua carreira.  Mas é Cukor é muito ajudado pelo elenco de grandes atores em particular o alemão Conrad Veidt (1893- 1943) que fez o papel de Cesare em O Gabinete do Dr.Caligari, clássico expressionista de 1920 e o oficial nazista de  Casablanca (ele morreu jogando golfe depois de completar só mais um filme Os Insuspeitos,43). O filme tem outras qualidades como a boa fotografia, momentos de suspense e a maquiagem que cria a cicatriz  no rosto de Joan. Absurdamente não teve boas criticas na época, que também não soube ver como Joan estava sem seus habituais maneirismos e maquiagem pesada (dizem que ela conquistou Cukor dizendo que faria o que ele mandasse). Lutando porque sentia envelhecer (estava com 34 anos) e não ia demorar seria mandada embora pelo estúdio. Enfim, o tipo do melodrama criminal que Hollywood sabia fazer melhor do que ninguém. Extras: Folheto com filmografias e informações.       

Este Mundo Louco


Lançamento de filme clássico inédito em DVD no Brasil

Este Mundo Louco / Idiot´s Delight
Audio: Ing. Leg: Port. EUA.  Standard. 118 min. Drama. PB. 1939.  Colecionando Clássicos/Originalmente MGM. 14 anos. Diretor: Clarence Brown. Elenco: Clark Gable, Norma Shearer, Charles Coburn, Burgess Meredith, Joseph Schildkraut, Edward Arnold, Virginia Grey, Laura Hope Crews.


Sinopse: As vésperas da Segunda Guerra Mundial num hotel luxuoso nos Alpes encontram-se varias pessoas na tentativa de escapar do conflito que esta começando. Harry Van é um ator de vaudeville de pouco talento que esta com suas coristas Les Blondes e acha que reencontrou uma antiga colega Irene Fellara, que esta se disfarçando de russa. 

Comentário: É curioso como mesmo um estúdio conservador e tradicional como a Metro (MGM) foi capaz de fazer este esquisito drama filosófico, adaptação de uma peça de Robert E.Sherwood (aqui adaptada por ele mesmo) que havia sido encenada com uma dupla famoso do palco, o casal  Alfred Lunt e Lynn Fontanne (que durou 500 representações). Foi lançado em janeiro de 39, antes de E o Vento Levou e antes de estourar a Segunda Guerra Mundial  mas já pinta um retrato muito pessimista (na realidade, o conflito seria ainda pior) tendo o cuidado de não identificar direito os alemães nazistas (mesmo assim eles prendem e matam um pacifista que faz discurso contra a guerra, feito por Burgess Meredith). Muito teatral, ele é lembrado porque fez parte do documentário Era uma vez em Hollywood (That´s Entertainment) porque foi a única vez em que Clark Gable (1901-60),o Rei de Hollywood cantou e dançou a musica Puttin´ On the Ritz (não especialmente bem mas ele interpreta um canastrão e não se leva a serio. De qualquer forma, gravou a dança num único take- sendo que eles deixaram passar uma das coristas cuja roupa rasgou e esta caindo, reparem que é a segunda da esquerda para a direita!). Foi o terceiro e ultimo filme que Gable fez com a super estrela do estúdio Norma Shearer (1902-83) que era viúva do grande produtor Irving Thalberg que lhe deixou as ações do estúdio e por isso tinha preferência em qualquer projeto (Joan Crawford queria muito o papel mas Garbo o recusou. E na verdade, Norma faz uma quase parodia de Garbo, seu jeito de falar e representar  usando uma peruca loira obviamente falsa). O filme mostra toda uma primeira parte com o encontro do casal antes em Omaha, quando nasce um romance interrompido (na peça, ele apenas contava sobre esse encontro). No hotel, eles esbarram também num cientista que estava procurando a cura do câncer (mas teve que interromper), o milionário que era amante de Norma). O filme teve dois finais , um mais curto para o mercado interno (onde interpretam uma canção humorística)  e este mais longo que era para o exterior mostrando o casal no hotel sendo bombardeado e cantando o hino Abide with Me, mais esperançoso e feliz. Norma ainda faria mais 4 filmes (inclusive o sucesso As Mulheres) ate se aposentar em 42. Ela era uma atriz limitada mas muito popular na época (reparem que ela era vesga e nem disfarça muito). O problema é que o casal tem pouca química e há excesso de diálogos. Mas é uma prova curiosa e rara de como ate Hollywood fazia filmes bizarros com temas políticos e mensagem pacifista.  Extras folheto e informações sobre o filme e elenco.     

Boxe Lars Von Trier


Boxe Lars Von Trier 
(lançamento exclusivo da Versátil para a Livraria Cultura)

Áudio: Inglês. Legendas: português. Widescreeen .2.35.
Contem dois filmes:
Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 2000). Dinamarca. 14 anos. Drama musical. 140 min. Cor. 14 anos.
Diretor : Lars Von Trier
Elenco: Björk, Catherine Deneuve, David Morse, Joel Grey, Peter Stormare, Jean-Marc Barr, Vincent Patterson, Udo Kier, Stelan Skarsgärd, Zeljko Ivanek.

Sinopse: Selma é uma imigrante tcheca, mãe solteira, que trabalha numa usina têxtil na região rural norte dos EUA. O filho dela, Gene, tem 12 anos e Selma está ficando cega, o que prejudica seu trabalho na fábrica e seu projeto de participar de uma montagem do musical “A Noviça Rebelde”. Como o garoto pode ter herdado a mesma doença, ela luta para conseguir dinheiro para uma cirurgia no garoto, mas por causa de um vizinho, que a acusa falsamente de roubo, sua vida se torna ainda mais trágica. 

Comentários: Inexplicavelmente premiado com a Palma de Ouro em Cannes, este é o pior trabalho do diretor Von Trier, que apesar de trabalhar com vídeo digital, antes do HD,  ou talvez por causa disso, abusa dos movimentos bruscos de câmera (que ele praticamente inventou com o “Ondas do Destino/ Breaking the Waves”, 1996), a ponto de certas pessoas saírem enjoadas do cinema. Ele brigou muito com a cantora e compositora islandesa Björk, que apesar de insistir em afirmar que não é atriz (o que fica evidente no filme), mas mesmo assim, ela também ganhou o prêmio de atriz e Cannes, e chegou a ser indicada ao Oscar de Canção. Mas sua performance é constrangedora, parecendo deficiente mental em vez de ingênua, numa fita que tem uma trama digna de telenovela mexicana. Toda rodada na Europa (embora a ação se passe nos EUA), mal se consegue enxergar Catherine Deneuve como a melhor amiga da heroína. É quase um anti-musical, desarticulado e interminável. Embora louvado por toda a crítica brasileira, foi rejeitado pelos americanos. Nem mesmo Björk conseguiu levá-lo a sério. Edição nacional traz galeria de fotos, sinopse, filmografia e trailer de cinema, galeria de pôsteres e fotos, texto sobre vida e obra do diretor e o documentário Os 100 Olhos de Lars Von Trier/ Von Trier´s 100 Ojne, de Katia Forbert Petersen). 

Ondas do Destino (Breaking the Waves, 1996). Dinamarca. 16 anos. Drama. 154 min. Cor. 16 anos.
Diretor : Lars Von Trier
Elenco: Emile Watson, Stellan Skasgaard, Katrin Carlidge, Jean-Marc Barr,  Udo Kier, Jonathan Hackett, Sandra Voe, Adrian  Rawlings.

Sinopse: Nos anos 70, numa comunidade religiosa  repressiva no Norte da Escócia,  uma jovem ingênua chamada Bess se apaixona por Jan ,um dinamarquês que trabalha num plataforma de petróleo.  Mas ele sofre acidente e quebra o pescoço e o impede de ter relações sexuais.  Jan incentiva  Bess a ter um amante e lhe contar os detalhes. Ela obedece mas vai se tornando cada vez mais ousada no comportamento sexual  dizendo que suas ações são guiadas por Deus e estão ajudando Jan a se recuperar. 

Comentários: Este é o filme chave na carreira de Trier, a grande virada que o transformou num sucesso mundial (e que veio ainda antes da fase do Dogma) e um diretor cada vez mais polêmico (veja como Cannes o proibiu de participar do Festival depois de ter feito brincadeiras inconvenientes sobre Hitler e sua possível admiração por ele). Difícil imaginar o impacto que ele teve no Festival de Cannes (onde  levou o Grande Premio do Júri) inovando com a câmera solta na mão feita pelo alemão Robby Muller (holandês que trabalha com Wim Wenders e Jarmusch). É que foi por demais imitado desde então e será difícil  perceber isso já que suas inovações foram todas absorvidas pelo cinema comercial atual (vide a serie Bourne). Também revelou uma atriz desconhecida , inglesa, estreante e que faz ate hoje uma boa carreira. Mas por este filme foi indicada ao Oscar, indicada ao Bafta e  Globo de Ouro , ganhou o European Film Award, os críticos de Nova York, o Independent Spirit etc. O filme também teve seus prêmios (como o César francês, críticos de Nova York e assim por diante). Segundo Trier é o primeiro filme da trilogia do Coração de Ouro, giram em torno de heroínas que mantém seu coração puro e ingênuo apesar de suas ações (os outros são Idiotas e Dançando).  O filme usou uma técnica digamos primitiva para conseguir seu tom granulado e amadorístico,  passando o material editado para vídeo diretamente para a película de 35mm. Helena Bonham Carter e Barbara Sukowa foram consultadas antes para viver Bess. Não é um filme simples, mexendo com moralidade e Deus, com o diretor no auge de seu polemismo. Extras: Cenas cortadas, Teste de Emily, trailers, entrevista com Adrian Rawlins, Trechos de documentário sobre Lars.

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Expedição Kon-Tiki



Expedição Kon-Tiki (Kon-Tiki) Noruega. 2012. 118 min. Direção de Joachim Ronning, Espen Sandberg. Com Pal Sverre Hagen, Anders Baasmo Christiansen, Gustaf Skarsgaard, Tobias Santelman.

     Ainda me lembro quando era estudante do ginásio no Colégio Santista e um colega , Pedro Paulo, me falou de um livro chamado Kon-Tiki, que era um sucesso absoluto da não-ficção (termo que não existía ainda na época). A historia real de um noruêgues chamado Thor Heyerdahl, em 1947, um etnógrafo que fez uma perigosa e inédita travessia numa balsa rudimentar, na tentativa de provar sua tese (que havia sido ridicularizada) de que os indonésios haviam feito  a travessia do mar ate a região do Peru, na America do Sul, muito antes dos espanhóis. Ou seja, os noruegueses  percorreram 5 mil milhas marítimas em condições precárias, revivendo o feito de 1.500 anos antes. Essa viagem foi filmada pelos aventureiros e rendeu um filme documentario de 1950, assinado pelo proprio Thor, e Olle Nordemar (e ganhou um Oscar de melhor documentário naquele ano, fato praticamente desconhecido). 

       Esta nova versão mais romanceada  concorreu ao globo de Ouro e depois ficou entre os cinco finalistas ao Oscar de filme estrangeiro.  Nada mal. A saga de Kon Tiki que foi a Produção mais cara da Noruega,  rodada em imagens de cartão postal, nas Maldivas, Bulgaria, Malta, Nova York, Oslo, Suécia, Tailandia. E se conseguir ser descoberto o filme tem tudo para ser sucesso no Brasil. Boa historia e belísimas imagens.  

      O aventureiro Thor começou visitando os Mares do Sul e ficando fascinado com a natureza tropical (na verdade, antes disso tem um prologo dele menino sendo corajoso e caindo na agua de um lado congelado).Depois leva dez anos escrevendo uma tese que é rechaçada por todos académicos. Só resta a ele junto com mais seis companheiros (todos branquissimos e loiros ou ruivos) embarcarem nessa historica jornada. Feito parte em locação, parte em estudio com efeitos especiais convincentes, não foge das armadilhas da biografia convencional. Mas interessa e ate empolga. 

      O nome da  balsa  Kon-Tiki (inspirado en um nome alternativo da deusa inca Viracocha) e o filme reproduz em preto e branco cenas recriando as imagens originais do documentario (e ao final dando informações e cenas autenticas dos envolvidos).  Foi dirigido por uma dupla Joachim Ronning e Espen Sandberg que fez antes  Max Manus,  Bandidas ( que não conheço). O Papel central de Thor é de  Pal Sverre Hagen, que se parece muito com o verdadeiro. Ou seja, é uma raridade, uma aventura real, que tem emoção e surpresas. A parte dramática nao é muito desenvolvida (embora tenha uma esposa a espera)  Mas é uma boa e ate educativa diversão.

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domingo, 12 de maio de 2013

Finalmente 18



Finalmente 18, (21 & Over). Direção e roteiro de John Lucas, Scott Moore.Com Miles Teller, Justin  Chon, Sarah Wright, Skylar Astin, Jonathan Keitz, François Chau, Daniel Booko. 90 min.

      Este é um caso muito maluco de tradução de titulo. No original, é “21 anos ou mais”, se referindo a idade de maioridade legal para os jovens poderem tomar bebidas alcoólicas. Como no Brasil, a idade é de 18, simplesmente mudaram para Finalmente 18! Pensando em fazer sentido embora tenham conseguido justamente o oposto. Além disso, por aqui não é nenhuma novidade, já que a fiscalização em bares é praticamente nenhuma . Mas os americanos tem essas coisas loucas como terem inventado a Lei Seca que teve a consequência de criar também os gangsteres e o contrabando. Afinal não basta proibir para que as pessoas automaticamente obedecem. E corre a lenda que parece verdadeira que jovem americano vai para a Faculdade/Universidade justamente para beber e fazer tudo aquilo que a família o controla e impede. Na verdade, eles não se divertem, não brincam como faz o brasileiro. Sua ideia de “fun” é encher a cara ate caírem bêbados vomitando ( por isso, que existem tantos casos de prisão por dirigir embriagado!).

      Então é justamente isso que acontece nesta pseudo-comédia (que começa alias com um close no traseiro pelado dos dois protagonistas) que foi feita pela mesma dupla que realizou o semelhante e igualmente irresponsável Projeto X (que pelo menos era ocasionalmente engraçado). E que escreveu também a Saga Se Beber , não case! Esta imitação custou relativamente pouco (13 milhões de dólares) mas também não estourou (não rendeu mais do que 25 milhões, o que para mim já é demais).Ate porque a única coisa mais chata do que um bêbado na vida real é um bêbado no cinema!

      As vitimas são os atores Justin Chon (da Serie Crepusculo), o sósia de John Cusack Miles Teller (Projeto X e Footloose) e, Skylar Astin (de Escolha Perfeita.  O ponto de partida é que o amigo chinês dos dois heróis esta completando 21 anos e deve comemorar no que será uma noite de loucuras e alcoolismo. Para horror do pai rigoroso do oriental (interpretado por Justin Chau de Lost).

     Vulgar, Grosseiro, Irresponsável são alguns dos adjetivos aplicável a esta monstruosidade repleta de cenas de vomito. Embora de certo momento em diante, o chinês desmaie e passa a ser carregado cena a cena e naturalmente ele sofre mais abuso e humilhação (incluindo nudez). O mais estranho de tudo é que os dois amigos depois são conduzidos e capturados por uma irmandade feminina que os deixa despidos (a não ser por uma meia em lugar estratégico) e o castigo é que eles sofram palmadas (com madeira, coisa de sado masoquismo) e sejam obrigados a se beijarem e se apalparem !!! 

      Há ainda um ato de generosidade para tentar  limpar um pouco a barra mas o filme comete outro pecado mortal: não é suficientemente engraçado para justificar tanta baboseira.

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Terapia de Risco


Terapia de Risco. Side Effects. EUA, 13. Direção de Steven Soderbergh. 106 min. Com  Jude Law, Catherine Zeta Jones, Channing Tatum, Rooney Mara, Mummie Gumer, Vladimir Versailles, Michele Vergara.

     Com certeza já ouviram falar que o diretor Steven Soderbergh, vencedor do Oscar por Trafic e vencedor da Palma de Ouro em Cannes por “Sexo, mentiras e Videotape” garante que depois de vinte e sete filmes em 24 anos vai se aposentar e largar o cinema? Ele já terminou Behind the Candelabra , biografia do pianista Liberace que foi feita para a HBO e passa em Cannes e então prometeu parar.  Poucos acreditam nisso mas de qualquer forma este é o que ele afirma ser seu filme de cinema de despedida! Que como sempre contem alguns segredos, um deles é o fato que Steven também fez a fotografia usando o pseudônimo de Peter Reynolds.  E também a montagem usando um nome feminino, Mary Ann Bernard. 

      De qualquer forma faz tempo que eu já desisti dele, que foi perdendo cada vez mais sua pretensão de autor (quem fez aquele filme recente de strip-tease e a fraca biografia de Che, não merece perdão).

     À primeira vista este filme parecia ser um corajoso ataque contra a medicina atual que cada vez mais recorre a drogas receitadas para todos os fins. Sem pensar nas possíveis conseqüências e problemas. Em cima de um roteiro do mesmo autor de Contágio, ele conta a historia de uma jovem , feita por Rooney Mara, em seu primeiro trabalho depois de ter sido indicada ao Oscar por Millenium- Os Homens que não amavam as Mulheres (para o papel foi considerada Lindsay Lohan- o que já demonstra a falta de seriedade do projeto e depois Blake Lively). É uma jovem esposa que parece ter cometido um assassinado quando esteve sob o efeito desses remédios sob receita. É um tema atual e perturbador que vai parar num tribunal e permitira uma serie de discussões atuais e oportunas. Em vez disso o filme prefere enveredar pelo suspense e o mistério policial. É para divertir e não fazer discursos. Claro que se tivesse um roteiro melhor e uma conclusão menos óbvia também ajudaria muito. Steven é muito auxiliado pelo elenco de gente famosa, Jude Law (como o médico que receita o remédio),Catherine Zeta Jones (num papel ingrato e desagradável), Channing Tatum (que saiu do sucesso de Magic Mike com ele e tem um papel inesperado), todos trabalhando felizes novamente ao lado do amigo diretor. Quanto a Rooney Mara continua a decepcionar, resultando numa interpretação fria que ajudou a afundar o filme (que nem se pagou, rendeu bruto 32 milhões de dólares e custou 30). Enfim, que tenha uma boa aposentadoria, não vou sentir sua falta.  

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