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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
Crimes Obscuros (True Crimes)
Crimes Obscuros (True Crimes)
EUA, Inglaterra, Polônia, 16. 1h32 min. Direção de Alexandros Avranas. Roteiro de David Grann (inspirado no artigo True Crime, a Post Modern Murder Mistery, de David Grann, baseado em obra de Jeremy Brock). Com Jim Carrey, Marton Csokas, Charlotte Gainsbourg, Kati Outinen, Vlald Ivanov,Agata Kulesza.
Não acho que em plena semana em que o assunto foi a premiação do Oscar, tendo muito mais ainda, se preparado para as festas de carnaval na rua, cada vez mais populares (e em pleno calor), alguém vai se dar ao trabalho de tentar ver este filme já meio antigo ( datado de 2016! O sotaque de Carrey é extremamente variável e esquisito!). Justamente agora quando o outrora brilhante e divertido astro Carrey se perdeu não se entende ainda muito bem como e porquê. Mas é muito triste ver que o gênio se perdeu, tanto fisicamente quanto em busca de projetos.
Ele faz Tadek, um oficial da polícia que encontra semelhanças entre o assassinato de um policial e um crime narrado em um livro de um escritor chamado Krystov Kozlow. Tadek tenta encontrá-lo e sua namorada, que frequentam um misterioso sex club do underground. Isso só fará ele se interessar mais ainda e a obsessão irá crescer. Mergulha então no mundo subterrâneo do sexo, cheio de mentira e corrupção. Até tentar encontra a verdade. Jim Carrey, muito envelhecido, faz o detetive nos país comunista que se apaixona por uma ex-prostituta. (o papel é da francesa Charlotte Gainsbourg, que não brilha pela beleza). O filme foi baseado num artigo de Krystian Bala, que tornou tudo ainda mais confuso.
De qualquer forma, o resultado do filme foi violentamente criticado, chamado de um “filme muito feio”, excessivamente brutal e fadado ao fracasso. Uma pena, porque Carrey ainda deve ter um resto do seu antigo talento.
domingo, 10 de fevereiro de 2019
Guerra Fria (Cold War)
Guerra Fria (Cold War)
Polônia, França, Inglaterra, 2018. Direção de Pawel Pawlikowski. Roteiro e direção de Pawel, colaboração de Janusz Glowacki e Piotr Borkowski. Com Joanna Kulig, Thomasz Kot, Borys Szyc, Agata Kulesza, Cédric Kahn, Jeanne Balibar.
Este é um dos filmes mais premiados deste ano, em todo o mundo. Este romance foi nomeado para 12 Eagle Awards (incluindo melhor diretor e filme) e também o European Awards (5 prêmios).
O romance após guerra é uma coprodução entre França, Polônia e Inglaterra. Este ano no Oscar ele foi indicado a concorrer como melhor filme estrangeiro, melhor diretor e fotografia. Sem esquecer quatro indicações para o BAFTA britânico. A história é baseada na vida dos pais de Pawlikowski e foi todo rodado em preto e branco, ou monocromático, o que o torna mais romântico e trágico o complicado romance entre musico (Tomasz Kot) e sua musa (Joanna Kulig). Pawlikowski foi também premiado como melhor diretor no Festival de Cannes.
Dados importantes: o romance entre os principais personagens foi inspirado na vida real de seus pais, que romperam o casamento algumas vezes chegando a se mudarem de uns pais para outro. O filme é dedicado a esses seus “pais”, inclusive usando os nomes reais dos protagonistas.
Este foi o primeiro filme de língua polonesa desde 1990 a ser exibido no Festival de Cannes (bem depois de outros poloneses como Polanski e Kieslowski). O sucesso foi tão grande que teve uma ovação de 18 minutos. Importante: os personagens principais foram baseados na vida real de uma famosa escola e grupo folclórico polonês que se chamava Zespol Piesni j Tanca Mazowasze (no filme o sobrenome foi mudado para Mazurek).Foi assim que Tadeusz e Mira se casaram e depois da guerra se mudaram para o interior onde procuraram cantores e dançarinos folclóricos. Eles também compuseram a canção Dwa serduzka, Cztery Oczky são as que servem de motivação para o filme. Joanna Kulig fez antes também um papel de cantora em outro filme de Pawel, chamado Ida (13). A influência dela foi tentar ficar parecida com a atriz americana Lauren Bacall. Outra informação importante: Pawel chamou para o grupo dançarinos do grupo Mazowsze (que ainda estava ativo até hoje) que ilustrava a sociedade e polonesa da época. O filme era para ser feito a cores (se reparar bem, apenas a cena em que a Joanna canta há certo tom de cores). Todos os números de Jazz foram executados por Marcin Masecki. Este foi o único filme do Oscar deste ano que foi indicado como melhor diretor e não filme.
Conclusão artística: tantos elogios, tanta repercussão para um filme musical e de amor. Só que é muito mais. Certamente é um dos poucos filmes recentes da Polônia corajoso o suficiente para questionar o passado e colocar o amor mais importante do que se sacrificar pela ditadura comunista. É um poema ajudado não apenas pelas músicas, mas pela incrível fotografia e delicadeza de imagens e sentimentos. Não perca.
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