terça-feira, 30 de abril de 2013

El Cid


El Cid/Idem em Blu Ray. Título Original: El Cid. Áudio  Inglês, Port. Legendas: Português.Aventura/ Drama histórico/ Épico. Widescreen 1.85:1. 189 min. Cor .Espanha. 1961. Classicline. 14 anos.  
Diretor: Anthony Mann. Elenco:  Charlton Heston, Sophia Loren, Raf Vallone, John Fraser, Geneviève Page, Hurd Hatfield, Gary Raymond, Massimo Serato, Herbert Lom, Michael Hordern. 


Sinopse: No Século XI, no que seria depois a Espanha, durante a luta contra o invasor mouro (arábe), se destaca o herói Don Rodrigo, El Cid el Campeador. Depois de ter sido acusado de traição e forçado a matar o pai de sua amada Chiméne, consegue se reabilitar e se casar com ela (que agora o odeia). Mas acaba envolvido na luta de príncipes pelo poder.

Comentários: Era muito difícil encontrar uma boa cópia desta super produção (que passava na Tevê toda cortada e com péssima imagem). Mas o diretor e critico Martin Scorsese fez uma campanha para restaurá-la, até porque a firma produtora havia falido. É uma historia complicada, o filme foi vendido a antiga Monogran, que havia se tornado Allied Artists e foi apresentado em Road show (numa única sala em cidades grandes a preços mais caros com exclusividade por meses ou até um ano). Mas foi produzida pelo notório Samuel Bronston (1908-94), sobrinho do lendário Leon Trotsky, nasceu  na Rússia e se especializou em superproduções rodadas na Espanha (EI Cid, Rei dos Reis, A Queda do Império Romano), com dinheiro de impostos congelados pelo governo local (que só poderiam ser usados na própria Espanha). O esquema a principio deu certo mas houve exagero nas despesas e luxos que acabaram por levá-lo à falência. O curioso é que tinha tradição cinematográfica. Em 1943, fez Jack London, mas só em 1959 descobriu a fórmula do sucesso até quando  seu principal financiador, Pierre Dupont, abandonou-o, causando a queda do Império Bronston em 64. Este aqui é sua obra-prima, o melhor trabalho de sua carreira. Esta cópia restaura o widescreen (e a tela larga nunca foi tão bem usada antes do que aqui, pelo diretor Anthony Mann, um  trabalho primoroso em enquadramentos e delicados movimentos de câmera e uma ousadia inédita, o uso de closes  que na época era proibido nesse formato gigante!). Na verdade, a fita é tecnicamente esplêndida, toda rodada em locações na Espanha, com grande trilha musical de Miklos Rosza e um roteiro muito adequado, que consegue lhe dar uma dimensão épica e romântica, ou seja, funciona como ação com muitas batalhas (e a clássica seqüência final) e também como love-story. É verdade que o colorido perdeu um pouco de sua riqueza (deteriorado pelo tempo) mas dá para desculpar, já que temos uma esplendida fotografia de Robert Krasker alternando entre belos exteriores na Espanha (Sierra de Guadarrama em Avila, Castelo Trrelabon, Valladolid, Calahorra, em La Rioja, Madrid, Peniscola, na Comunidade Valenciana,Toledo, Zamora, e ainda Roma). E a excelente direção de arte em estúdios (de Veniero Colasanti e John Moore). Foi indicado ao Oscar justamente por essa direção de arte, por trilha musical (embora Miklos Rosza tenha brigado com os produtores porque grande parte do que escreveu para o filme não foi utilizado. Ainda assim esta edição traz a musica da Intermission e da saída da sala). Também foi indicado como canção (embora ela não seja importante no filme, que foi The Falcon and the Dove, tema de amor de El Cid, de Rosza e Paul Francis Webster). 

      Mas certamente foi injustiçado e merecia muito mais, já que foi um sucesso internacional de publico e critica. O maior injustiçado foi sem duvida o diretor Anthony Mann (1906-67), que alias na época era casado com a estrela espanhola Sarita Montiel, e era mais famoso pelos faroestes que dirigiu para James Stewart (Winchester 73, E o Sangue Semeou a Terra, o musical Musica e Lágrimas).Só recentemente sua obra passou a ser reavaliada e confirmou-se o grande talento para filmes de ação e épicos. 

     Difícil encontrar alguém mais adequado para fazer o lendário Cid do que Charlton Heston,  que vinha de fazer personagens épicos como Moisés (Os dez Mandamentos)e Ben-Hur (embora sua imagem esteja manchada porque no fim da vida se tornou de Direita e defensor do uso de armas de fogo, se esquecem que nessa época já sofria de Alzenheimer!). É muito curioso que ele tivesse brigado com a estrela do filme a italiana Sophia Loren porque ela teve um salário maior do que ele (foi a primeira a ganhar um milhão de dólares por um filme!). Ela faz Chiméne, que é o grande amor do herói, mas houve dificuldade de realizar as cenas de amor porque se detestavam e se recusam a beijar com mais intimidade (reparem que isso é visível e com freqüência eles ficam só de rostos colados. Ainda assim ela esta no auge da beleza e resistiu ao tempo enquanto Charlton parece contrariado e nem sempre dá a dimensão esperada ao personagem). 

     O roteiro original é assinado pelos experientes Phillip Yordan (que também fez para Bronston, 55 dias em Pequim, O Rei dos Reis, Queda do Império romano e O Mundo do circo), Ben Barzman (foi perseguido pelo McCarthismo por ser comunista, escreveu O Menino dos Cabelos Verdes e reescreveu Z de Costa-Gavras) e ainda Frederic M.Frank (que escrevia para Cecil B. De Mille). E a historia inspirada em personagens reais, que foram muito utilizados no teatro e por lendas (por exemplo, apresenta o encontro com Lazarus, disfarçado de mendigo). Mas o roteiro é eficiente porque cria logo a trama e conflito central, El Cid, ou seja, Rodrigo Dias de Bivar, poupa a vida de dois emires mouros, o que provoca a fúria do Rei (na época, a Espanha não era unificada e formada por vários reinos). Ele é forçado a matá-lo mas isso provoca a fúria da filha deste e sua noiva Chimène, que passa a detestá-lo e querer vingança. Para complicar, tem que se intrometer no conflito entre a Família Real, a irmã ambiciosa e apaixonada por Rodrigo Urraca (feita pela atriz francesa Geneviéve Page, que na época era das poucas que sabia falar inglês e fez muitos filmes americanos.  Ainda viva, fez sucesso depois nos palcos parisienses) e os dois filhos ambiciosos (John Fraser e Gary Raymond). Provavelmente por questões de co-produção o filme traz ainda vários atores italianos (Vallone, Serato, Tulio Carminati). A edição traz como extras  trailer de cinema, biografia e o que chamam de clip remix.              

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Homem de Ferro 3

Homem de Ferro 3 / Iron Man 3. Direção de Shane Black. EUA,13. 130 min. Fantasia / Ficção cientifica / Quadrinhos. Roteiro de Drew Pearson, Shane Black, baseado em quadrinhos de Stan Lee, Don Heck, Larry Liebler, Jack Kirby. Com Robert Downey Jr, Gwyneth Paltrow, Rebecca Hall, Guy Pearce, Ben Kingsley, Don Cheadle, voz de Paul Bettany (como Jarvis),Jon Favreau, William Sadler, James Badge Dale, Ashley Hamilton, Miguel Ferrer. Produção Marvel/Disney/Paramount.   

     Uma boa noticia: este terceiro filme é o melhor da série e possivelmente um dos melhores  filmes já feitos adaptando quadrinhos. Ao menos, fazia tempo que não tinha semelhante sensação de euforia, rindo muito, torcendo com a ação, apreciando os efeitos especiais. Antes de tudo porque preferiu adotar um tom de comédia. Certamente foi influencia do astro Downey Jr (a tal ponto que se confundem sua “persona”, ou seja seu tipo cinematográfico cínico e auto critico com a do personagem, Tony Stark. Depois deste filme termina seu contrato com a série e seria impensável substituí-lo.A identificação é total e funciona).

     Acontece que Downey resolveu convocar para o projeto Shane Black, que é famoso como roteirista do Primeiro Maquina Mortífera, depois O Ultimo Boy Scout, o cult Deu a Louca nos Monstros. Também dirigiu e escreveu outro Cult com Downey que foi Beijos e Tiros (Kiss Kiss Bang Bang, 05 ) que era um policial satírico bem inteligente. Foi um pouco esse espírito que eles tentaram trazer para o fim desta trilogia, inclusive usando um truque. Reparem como nos primeiros vinte e tantos minutos não há ação (contrariando a regra do gênero) simplesmente porque eles querem que o publico embarque no tem jocoso e cheio de piadinhas (aquelas que os americanos chamam de “One liners”. Por exemplo, ao encontrar um loirinho menino de óculos Downey diz: Você estava ótimo Uma Historia de Natal!. Poucos vão entender aqui mas o garoto é a cara do herói daquele filme Cult nos EUA).

      O importante é não se levar a sério demais. Vamos brincar e rir e nos surpreender juntos. E foi o que o filme fez comigo. Os fanáticos por quadrinhos (que são uma legião) ate gostaram da resolução com o que acontece com Pepper e aceitaram uma mudança na figura do vilão maior o famigerado Mandarim interpretado de maneira brilhante e surpreendente por Ben Kingsley (que bem merecia uma indicação ao Oscar de coadjuvante). Com frases melhores para contrabalançar a ação, todos os atores estão em grandes momentos. Guy Pearce esta sempre competente mas se supera aqui como outro vilão Aldrich Killian, assim como finalmente Don Cheadle finalmente tem alguma chance de aparecer como o amigo que usa a roupa chamada “Maquina de Guerra”. Aparece ainda a inglesa e charmosa Rebecca Hall (Vicky Christina Barcelona) como um amor de uma noite do passado.  Grande parte de ação também é em cima da tentativa de Tony Stark em aperfeiçoar sua “armadura”. Embora o filme tenha sua dose de traições e intrigas, grande parte da trama é apresentar grandes cenas de efeitos especiais (como a destruição total de sua casa na colina em Malibu, a explosão do avião presidencial, o questionamento do cientista em Stark quando luta para aperfeiçoar sua roupa). 

      Estou sendo discreto ao contar detalhes do filme, sua trama e mesmo surpresas para não estragar o prazer de ninguém. Não saia antes dos letreiros finais (como já sabem os fãs dos Avengers) ainda que demorados porque tem ainda uma ceninha reveladora. Vou assistir novamente Homem de Ferro 3 logo e com todo prazer.

Ref      


Após ter assistido o filme Homem de Ferro 3, qual seria sua avaliação?
0 Estrela
0,5 Estrela
1 Estrelas
1,5 Estrelas
2 Estrelas
2,5 Estrelas
3 Estrelas
3,5 Estrelas
4 Estrelas
4,5 Estrelas
5 Estrelas




quarta-feira, 24 de abril de 2013

Laranja Mecânica



Laranja Mecânica / A  Clockwork Orange. Drama.  Widescreen. 136 min. Cor. 1971. EUA. Warner. 18 anos. R. Diretor e roteirista: Stanley Kubrick. Baseado em Livro de Anthony Burgess. Elenco: Malcolm McDowell, Michael Bates, Patrick Magee, Adrienne Corri, Warren Clark, Anthony Sharp.

       Sinopse: Num futuro próximo, na Inglaterra, num mundo desolado e violento, gangs de jovens gangsters atacam, estupram e matam . Um deles é treinado pelo governo para   ficar condicionado num tratamento de lavagem cerebral que lhe traz repulsa à violência. 

      Comentários: É uma boa Idea relançar nos cinemas brasileiros este clássico do mestre Stanley Kubrick (1929-99). Até porque , embora nunca tenha sido oficialmente proibido pela censura brasileira (que aconselhava a produtora Warner apenas a não apresentar oficialmente o filme para sua avaliação), só estreou no Brasil em setembro de 1978, assim mesmo com uma cópia que havia sido feita para o Japão, com bolinhas negras para cobrir os pêlos pubianos e outros lugares estratégicos. Mas representantes pessoais de Kubrick checaram a cópia e aprovaram as legendas. O jovem Malcolm McDowell havia sido revelado pouco antes em If de Lindsay Anderson  e foi idéia dele usar “Cantando na Chuva” numa cena–chave da fita. Quem prestar atenção verá uma citação de outro filme de Kubrick, “2001”(a capa do disco numa loja). Foi indicado ao Oscar de melhor filme, roteiro e direção. Não ganhou nenhum (ate porque a Academia não gostava do diretor). A dificuldade começa pelo título que nunca é explicado. Parece que o autor Burgess (que escreveu o roteiro de Jesus de Nazaré de Zeffirelli e criou a linguagem para o filme A Guerra do Fogo) se  inspirou numa velha expressão “cockney” (inglês popular de Londres), que dizia “ fulano é doido como uma laranja de corda”. Mais tarde, numa viagem pela Malásia, onde “orang” quer dizer “humano”, lhe deu a idéia de fazer anagramas (“orang”- “organ”-“organizar”) chegando à uma conclusão linguística: ou seja, o ser humano, quando organizado pelo poder dominante vira uma laranja mecânica. Por isso, também o livro e o filme utilizam vocabulário próprio. Segundo Kubrick, o filme poderia ser interpretado de três maneiras:

                a)     como uma sátira social sobre o emprego de condicionamento psicológico; 
                b)     como um conto de fadas sobre a Justiça e o Castigo; 
                c)     como um mito psicológico, “uma história construída em torno da verdade fundamental da 
                        natureza humana”.

      A sátira sobre o condicionamento parece clara no filme, mostrando que a sociedade se baseia no poder e nas mentiras. Tanto da Direita, quanto da Esquerda e em conseqüência, um homem  condicionado a ser bom em todas as circunstancias seria completamente vulnerável. Diz Kubrick: “Temos   uma civilização altamente complexa, que requer uma autoridade política e uma estrutura social igualmente complexa. A idéia de destruir a autoridade para surgir a bondade natural do homem é um critério utópico e “falacioso”. Todos os nossos esforços vão parar em mãos de desonestos, já que a culpa reside na natureza imperfeita do Homem mesmo”.

      Assim Laranja é basicamente uma parábola sobre a manipulação do Homem pelo Estado. Conta a história de Alex (Malcolm McDowell), um jovem revoltado, precursor da moda punk, interessado na chamada “ultraviolência”, sexo e Beethoven, que é escolhido para uma experiência de condicionamento, uma verdadeira lavagem cerebral que o torna refratário à violência, fazendo-o vomitar cada vez que se defronta com um ato violento. O tratamento é sucesso embora por engano Alex tenha ficado também condicionado contra Beethoven cuja música servia de fundo para um dos documentários usados em sua cura. E logo o herói se torna vítima da manipulação política dos Partidos, completamente indefeso é levado ao suicídio pela Oposição e depois utilizado pela Situação novamente. O que o filme está querendo mostrar é que no fundo todos nós somos laranjas mecânicas, estamos sendo submetidos à lavagens cerebrais continuas que nos condicionam e governam, às vezes, de forma subliminar a ponto de não tomarmos conhecimento delas. Às vezes de maneiras mais óbvias, através da solicitações da sociedade de consumo. O filme é um brado de alerta e conscientização contra isso mas talvez tenha errado numa questão de dose. Ao pedir que nos identifiquemos com um herói como Alex, desordeiro e irresponsável. A tendência do espectador é ficar a favor do governo, achando que eles fazem muito bem em transformá-lo num “bom cidadão”. Sem perceber a terrível violação dos Direitos Humanos, a violência cometida contra a individualidade que acontece todos os dias sem que nos demos conta. Assim todo comportamento anti-social,  os artistas, os gênios, todos aqueles que fogem da chamada “normalidade” seriam também condicionados  da mesma maneira. Esse perigo existe porque Alex é um vilão simpático e não é fácil concordar com um diretor frio como Kubrick, que o apresenta como “o homem natural, no estado que veio ao mundo, sem freios ou repressões. Quando recebe o tratamento de Ludovico, pode se afirmar que este simboliza a neurose, criada pelos conflitos entre as restrições impostas por nossa sociedade e nossa natureza primitiva. Por essa razão, ficamos felizes quando Alex se cura”. Será mesmo que todos se alegram? Alguns nem chegam a entender direito a dimensão da cura de Alex. Essa ambigüidade é um dos problemas do filme que provocou as opiniões mais desencontradas em toda a parte. Certas pessoas se horrorizam com sua violência mas na verdade ela é estilizada, mostrada quase como uma balé, ou “Pop-Art”. Nunca de forma literal, aliás a trilha musical é extraordinária, com obras de Elgar, Purcell, Puccini e naturalmente Beethoven que dá ao filme muito de sua atmosfera.Tecnicamente o filme abusa um pouco de grandes angulares, lentes deformantes. Mas tem um extraordinário poder hipnótico. Na enigmática cena vitoriana final, há a busca de uma qualidade ideal, procurada por Kubrick. Diz ele “A Laranja se comunica num nível subconsciente e o público reage diante da configuração básica da história, como se fosse um sonho. E discutem o sentido da cena final. Como os outros sonhos mostravam assassinato, dor e morte, a erótica cena final sugere que de alguma maneira, a mente de Alex se transformou e se apaziguou”.  Enquanto o livro de Burgess é uma amarga sátira aos paradoxos do livre arbítrio, o filme continua  a provocar discussões. Afinal, temos que defender os que não gostam dele. Se não corremos o risco de todos nós acabarmos virando “laranjas mecânicas”.

Ref fim

Nasce uma Estrela


Lançamento em Blu Ray no Brasil

Nasce uma Estrela versão de 1976 / A Star is Born, EUA. Warner. Direção de Frank Pierson. Com Barbra Streisand, Kris Kristofferson, Gary Busey, Oliver Clark, Paul Mazursky,Venetta Fields e Clydie King (como as Oreos), Martha Heflin, Sally Kirkland, Joanne Linville, Rita Coolidge, Tony Orlando. Roteiro de John Gregory Dunne e Joan Didion e Pierson baseado em argumento de William Wellman e Robert Carson (da versão de 37). 139 min.

Sinopse: O astro do rock John Norman Howard tem problemas com drogas e para se apresentar em shows quando conhece uma jovem talentosa Esther Hoffman que faz parte de um trio vocal as Oreos. Apaixona-se por ela e r
esolve lançá-la como cantora.
      Seu sucesso, porém atrapalha  a relação do casal porque John entra em declínio. 

Comentários: É um absurdo que nunca tivesse sido lançado em Home Video no Brasil este drama musical que foi um imenso sucesso no Brasil, onde ficou meses em cartaz porque o publico feminino se apaixonou pela mistura de musica e romance (naturalmente se esquecendo que a historia já havia sido aproveitada duas vezes antes pelo cinema em 37 e 54, em dois filmes de qualidade). A proposta da refilmagem foi do então namorado de Barbra , o cabeleireiro Jon Peters (que inspirou o filme Shampoo) que achou que daria um bom veiculo para ela. A dificuldade foi encontrar um ator que quisesse compartilhar o estrelato com alguém tão vaidoso e difícil quanto Barbra .É fundamental você ouvir o comentário em áudio que ela fez para o filme todo, em que ela explica algumas de sua idiossincrasias. Por exemplo, no filme ela usa roupas tirada de seu próprio armário porque ela coleciona roupas antigas (antiques) e  alem disso não tinha tempo para correr atrás de roupas! O filme tem ate certo empenho visual porque a diretora de arte foi Polly Platt, famosa por sua parceria nos primeiros filmes de Peter Bognadovich, seu ex-marido. Entre outras manias:não gosta da verde ou cor de rosa estourado, acha que jardins tem que ser extensão dos interiores, ela não gosta de dublar as canções, assim sempre que a musica é gravada de perto esta sendo filmada ao vivo (mais ou menos com em Os Miseráveis, que dizia isso ser novidade!) , só dubla quando é tomada ao longe e isso desde sua estréia em Funny Girl. Como ela diz que veio do teatro, gosta de tomadas longas e completas e sem corte como é habitual em outros filmes. Tem que ter continuidade dramática. Essas são algumas apenas das exigências da estrela e a razão porque a tornaram tão odiada como diretora (ela já dirigia mesmo aqui, de tal forma que o diretor que assina Pierson, futuro presidente da Academia rompeu com ela para o resto da vida chegando a escrever artigos descrevendo sua horrível experiência ). 

     Também para este filme ela- que por sinal não Le musica!-  resolveu aprender a tocar violão (e teve que cortar as unhas da mão esquerda, o que a deixou abalada!)e assim compor musicas. Uma delas justamente foi Evergreen (por sinal uma bela melodia) que acabou lhe dando um segundo Oscar, como compositora (foi a primeira mulher a ganhar como autora de melodia, todas as outras eram letristas!). O filme por sinal foi indicado também como melhor fotografia (Robert Surtees), som e trilha adaptado (arranjos). ]

      A proposta original era chamar Elvis Presley para o papel principal e a principio ele gostou da idéia mas o seu empresário não deixou , achando que o personagem podia ser confundido com o próprio Elvis (que na época  já tinha problemas com drogas e iria morrer por causa delas). Falaram  com Neil Diamond, Marlon Brando e Mick Jagger mas acabaram ficando com o cantor country Kris Kristofferson, que tinha já certa experiência como interprete (como em Alice não Mora mais Aqui de Scorsese, Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia e Pat Garrett e Billy the Kid, ambos de Peckinpah). Ele é bonitão, discreto, simpático e nada pretensioso (fatos que comprovei quando o entrevistei, tipo boa gente e se mostra muito doce na tela junto com Barbra. Embora não haja a menor química entre eles! Talvez porque como ele mesmo admite estava bêbado a maior parte do tempo e não tenha se dado também com o diretor).

      Barbra confessa que o romance do casal se inspira no próprio relacionamento dela com Peters. Que foi idéia dela gravar o show de rock ao vivo cobrando ingressos da platéia, o que reuniu mais de 70 mil pessoas em Phoenix, Arizona. O projeto foi feito para a produtora independente chamada First Artists que reunia além de Barbra, Sidney Poitier, Paul Newman e depois Dustin Hoffman. O Acordo era que a Warner cobria o orçamento ate 6 milhões mas dali em diante ficava por conta de Barbra, que tinha ainda o direito ao corte final. A First era inspirada na United Artists mas só produziu fracassos e logo faliu (este foi a  exceção). 

      O roteiro faz sua critica aos fãs e repórteres. O futuro Freddy Kruger, Robert Englund faz o fã inconveniente (que são realmente freqüentes e costumam puxar briga) e noutra hora ela xinga os câmeras (vocês já não gravaram o suficiente?). Acha que o publico em grupo como platéia é inteligente e perceptivo mas não individualmente. Que tem medo de publico porque uma vez levou um susto porque estava num carro que foi atacado por fãs que balançavam o carro e o ameaçavam virar. Barbra também admite que era ignorada quando criança e jovem e por isso sempre fez tudo para chamar a atenção ( isso fica claro em seus filmes, onde sempre alguém a elogia, aqui é seu traseiro que leva os cumprimentos!). Por outro lado, traz uma semi nudez na cena na banheira (ela gosta da transição que saiu do negro para o rosa). 

      É engraçado como foi sucesso o filme mesmo quando suas canções (fora Evergreen) não são memoráveis e parecem envelhecidas. E comparando com as versões anteriores é sempre inferior nos momentos famosos (aqui o marido faz uma confusão quando ela ganha um premio tipo Grammy) e nem mostram a conclusão (o carro some na curva e por sorte uma nuvem encobre um pouco a paisagem).  Este foi o segundo filme de maior bilheteria naquele ano e o primeiro filme rodado com o sistema Dolby Surround. 

Nasce uma Estrela esta disponível por enquanto apenas nas lojas da Livraria Cultura. 

Ref fim.  

Homem de Ferro dos Quadrinhos - Parte Final.

Matéria feita por: Adilson de Carvalho Santos

     No filme de 2008, dirigido por Jon Favreau, Robert Downey jr ficou com o papel de Tony Stark, para o qual foram cogitados nomes como Tom Cruise e Nicolas Cage.O principal papel feminino, a secretária Pepper Potts, ficou com Gwyneth Paltrow depois da recusa de Rachel McAddams. Já o papel de antagonista foi muito bem  defendido por Jeff Bridges como o empresário Obadiah Stane. Nos quadrinhos publicados entre 1983 e 1985, Stane surge como o maior concorrente de Stark e um grande estrategista que, através de manipulações e fraudes, arrasa com a Stark Enterprises e arrasta Stark para o fundo do poço, destituindo-o de sua fortuna e amor próprio e provocando uma segunda crise de alcoolismo que quase o leva ao fim. É nesse período que James Rhodes, um dos grandes amigos de Stark, veste pela primeira vez sua armadura assumindo a identidade do Homem de Ferro, e posteriormente, se tornando o “Máquina de Combate”. Após um longo arco de histórias, Stark recupera a sobriedade e o orgulho próprio enfrentando Stane que usa a armadura que chama de Monge de Ferro. No fim, Stane é derrotado e se suicida assim como no filme.

       Para o segundo filme, lançado em 2010, os roteiristas fundiram características de dois vilões das HQ: O Dínamo Escarlate (o russo Anton Vanko) e o Chicote Negro. Mickey Rourke (de O Lutador) interpretou Ivan Danko, filho do cientista que se envolveu em projetos passados da Stark Enterprises, e que é aliciado pelo corrupto Justin Hammer (Sam Rockwell). No filme, Don Cheadle substitui Terrence Howard como James Rhodes, o amigo de Stark que vem a vestir o protótipo de uma nova armadura e se torna o Máquina de Combate. O reforço no elenco é a presença de Scarlatt Johanson no papel da Viuva Negra, uma espiã russa que passa para o lado dos americanos, surgida em “Tales of Suspense” #52 de 1964. No filme, a bela Natasha Romanova espiona as industrias Stark para a Shield, mas nos quadrinhos a personagem pertencia  à KGB e. indiretamente, foi a responsável pela morte do Professor Vanko. É quando ela se arrepende e pede asilo político para os Estados Unidos, passando a atuar ao lado de vários heróis . 

        Ao longo dos anos, o Homem de ferro fez incontáveis modernizações em sua armadura e ganhou título próprio nos Estados Unidos em 1968. Sua popularidade aumentou ainda mais com a série de desenhos animados produzido pela Grantray-Lawrence Animation exibido no Brasil pela extinta Tv Tupi no programa do saudoso Capitão Aza. Depois do sucesso dos dois filmes dirigidos por Jon Farveau e de sua participação crucial no filme dos “Vingadores’, o personagem – que foi considerado por muitos um herói secundário – voltou ao topo no panteão dos grandes heróis dos quadrinhos provando que , conforme dizia a letra da marchinha tema do antigo desenho, o homem de ferro é lenha pura, atômico e genial.

 Fim.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Hannibal e Bates Motel - Séries


Duas series  novas de TV de terror: Hannibal e Bates Motel

     É evidente porque as series de TV  andam tão boas e fazendo tanto sucesso. Deixaram de fazer televisão, são puro cinema. Ainda mais agora que enveredaram pelo thriller, o suspense, o terror, libertos da censura da teve aberta e como neste caso de series que estão ainda começando, se inspirando abertamente em filmes clássicos do gênero. Vou deixar de lado as considerações morais (mas não deixa de ser curioso, brincarem com a platéia e o conhecimento que a gente tem do personagens. Por exemplo, cada vez que o Dr. Hannibal esta cozinhando alguma e ate mesmo servindo a iguaria para um convidado,sempre temos a impressão de que esta oferecendo carne humana!). O fato é que as duas são coisa de gente grande e não ficam muito a dever a sua origem, ao contrário bebem na fonte e ainda a ampliam.

       Já houve antes um Bates Motel (87) que saiu aqui em DVD, mas era vulgar, grosso e feio. O novo é uma prequel (Prólogo) criado por Michael Cipriano (não conheço os outros trabalhos dele, como Twelve and Holding, SK8) naturalmente inspirado no filme de Hitchcock. Poucos se dão conta que a chave para qualquer projeto desse é a escolha do elenco, o casting.E aqui acertaram na mosca chamando o longilíneo e com cara de anjo inglês Freddie Highmore  (A Fantástica Fabrica de Chocolate) que é parecido com Anthony Perkins mas tem luz própria. Nos dois capítulos que vi, ele tem todos os elementos para funcionar ainda mais com a ajuda de uma excelente atriz fazendo a mãe, naturalmente ainda viva e discretamente louca, a ótima Vera Farmiga (Amor sem Escalas, Os Infiltrados) que já começa matando o marido e com o dinheiro do seguro comprando e se mudando para o Motel e a casa que fica logo atrás. O rapaz ate tenta ter uma vida normal, arranja mesmo uma namoradinha mas a vida vai se complicando, com vizinho agressivo (que tem que ser eliminado), com um irmão mais velho que surge do nada (Max Thieriot) enquanto a mãe ensaia um flerte com um policial (Mike Vogel). Gostei do resultado, me prendeu a atenção, interessou e deixou com vontade de assistir mais. O que é essencial. Parece que também esta funcionando bem lá fora.

     Já Hannibal é produzido pela Dino de Laurentiis (melhor dizendo sua família) se apresentando como adaptação de Red Dragon/Red Dragão que foi o primeiro adaptado para o cinema como Caçador de Assassinos/Manhunter, 86, recriada por Bryan Fuller (a figura desse criador é fundamental numa serie e este é o jovem que inventou os criativos Pushing Daysies e Dead Like Me). Era quase impossível substituir  Anthony Hopkins mas conseguiram realizar o feito chamando o ator dinamarquês Mads Mikkelsen   ( A Caça, Cassino Royale), que com seu olhos pequenos e ar enigmático (e mesmo o sotaque fora do comum) cria um duelo com o verdadeiro protagonista, que seria um agente especial do FBI Will Graham (o inglês Hugh Dancy, na vida real marido de Claire Danes, de Homeland). Ele tem a capacidade de entrar literalmente no que o assassino (ou no plural, os serial killers )estão pensando. Só que o doutor já ficou provado entrou ali para atrapalhar não ajudar (já fica claro isso no primeiro capitulo, embora no segundo surja um caso apavorante, as vitimas que viram canteiro para criar cogumelos!). Os dois capítulos iniciais que assisti foram brilhantemente dirigidos por David Slade e levam sempre nomes de comida em francês (Apéritif, Amuse Bouche, Potage, Coquilles etc).Slade se revelou com Menina Má. Ponto Com, e depois salvou a serie Crepúsculo, com  Eclipse, mas parece ter encontrado aqui seu melhor momento.
(Hannibal passa hoje no canal AXN).
Ref fim  

Dois Dias em Nova York



Dois Dias em Nova York / 2 Days in New York. EUA. 12. Direção de Julie Delpy. Roteiro de Delpy e Alexia   Landeau. 96 min.Com Julie Delpy, Chris Rock, Albert Delpy, Alexia Landeau, Kate Burton, Dylan Baker, Daniel Bruhl, Vincent Gallo. 


     Julie Delpy é uma figura querida no ambiente de cinema, em parte porque começou ainda adolescente (num filme de Godard) e depois se alternou entre filmes na França (alguns importantes como A Igualdade é Branca de Kieslowski, Filhos da Guerra de A. Holland), mas também fez muitos filmes americanos porque seu inglês era perfeito (entre eles, Parceiros do Crime, Lobisomen Americano em Paris, Waking Life, Flores Partidas com Bill Murray). Mas talvez seja mais conhecida pela trilogia que fez com o diretor Richard Linklater, e o ator Ethan Hawke que consiste de Antes do Amanhecer (95)  Antes do Por do Sol (04) e o recente Antes da Meia Noite (13). Até indicação ao Oscar de roteiro ela chegou a ter. Também se dedicou a direção já com  7 filmes, inclusive A Condessa de Sangue, 09. Mas tem se dado bem mesmo com essas comedinhas meio românticas, meio turísticas. 


     Esta é uma continuação de Dois Dias em Paris, 07, que era uma comédia improvisada muito simpática mostrando os problemas de Julie quando  volta para sua cidade com o marido americano e  se hospeda com a família (eles mesmo fazendo os papéis). Aproveita também para encontrar os ex-namorados. Sempre influenciada por Woody Allen chegou a hora de retomar a historia de Marion. Tudo abre com um show de bonecos que esta sendo apresentado para sua filha, produto do casamento com Adam Goldberg que estava no filme anterior. Ela é artista e vive agora em Nova York  morando com um locutor de radio chamado Mingus (e interpretado por Chris Rock). Tudo vai bem ate quando a família dela chega da França.O pai é interpretado pelo próprio pai da diretora (Albert Delpy) que já apareceu no filme anterior. Mas desta vez também vieram a irmã mais nova Rose (Alexia) que é ciumenta  porque o atual namorado Manu(Alex Nahon) foi ex da Marion. Assim explora a rivalidade e desfila pela casa semi-nua. Chris Rock, porém não se abala e se contenta em fazer confidencias para  um imagem em cartolina de Barack Obama.

      Mas tem mais. Marion esta fazendo uma grande exposição e uma das piores idéias do roteiro  é apresentar Vincent Gallo, aquela figura horrível, fazendo uma espécie de Mefistófeles que compra a alma de Manon . A critica americana também apreciou o fato dela pintar sua família sem piedade mas vulgares, obsessivos, ate mesmo desonestos. Mesmo o pai é mostrado com uma mistura de Peter Pan e Harpo Marx. Também gostaram da interpretação do comediante negro Chris Rock, que geralmente não representa, grita e faz cara cínica , só que desta vez  aparece contido e discreto (eu não consigo esquecer que ele é O Chris da série de teve querida no Brasil que é Todo mundo Odeia o Chris ). Por outro lado, Julie procura ser autobiográfica relembrando e sofrendo com a morte da mãe que faleceu (ela aparecia no filme anterior).

      Eu não achei grande empatia entre a dupla e esperava mais do confronto de duas culturas e dois estilos de humor. Por algum motivo, falta motivação e inspiração.  Mas Julie tem talento para dirigir comédia e sem duvida é diferente da média do que se costuma assistir. 

    Ref fim 

Homem de Ferro dos Quadrinhos - Parte 1

Matéria feita por: Adilson de Carvalho Santos

               Há 5 anos, Robert Downey Jr vestiu pela primeira vez a armadura de super herói, emprestando seu carisma para a controversa persona do milionário inventor Tony Stark. No filme, dirigido por Jon Favreau, as motivações e a origem do Homem de Ferro foram adaptados para o século XXI. No trabalho original de Stan Lee & Don Heck, que começou a ser publicado na revista “Tales of Suspense” #39 de 1963, Stark é feito prisioneiro no Vietnã e tem um estilhaço de granada alojada próximo a seu coração. No filme, o incidente é trocado pelo Afeganistão para mostrar a transformação de um playboy inconsequente em um gênio inventor consciente de sua influência e de seu papel na ordem mundial. 


        O charme do personagem, no entanto, sempre foi o contraste entre o herói, um vingador indestrutível e um homem que carrega suas fragilidades, seu sentimento de culpa pelo uso bélico de sua tecnologia, e sobretudo pela crise de alcoolismo conforme mostrado no arco publicado em “IM” de 1979 por David Micheline, Bob Layton & John Romita Jr,  e que ficou conhecido como “O Demônio na Garrafa”. Nele,Justin Hammer – um empresário rival – consegue controlar a armadura do homem de ferro fazendo-o matar uma importante figura política e destruindo a imagem pública do herói, o que o leva à sarjeta.


     As histórias do Homem de Ferro sempre trouxeram elementos de dois dos maiores gêneros literários, que se destacavam no período : a ficção científica explorada na alta tecnologia e o clima de espionagem  através do embate ideológico entre o capitalista Tony Stark, um Howard Hughes da ficção, e seus adversários : O Dínamo Escarlate, o Homem de Titânio e o maior de seus antagonistas, o Mandarim, todos agentes do mal que não passavam de estereótipos do que a sociedade americana pensava do eixo  representado por chineses e soviéticos nos idos de 1960. Sua inspiração na figura do milionário Howard Hughes (1905 – 1976) foi homenageada no filme de 2008 na cena em que o homem de ferro cria sua armadura Mark III, filmada na área em que Hughes apresentou seu avião Hercules H-4.

Continua...

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Um Bom Partido



Um Bom Partido (Playing for Keeps), EUA, 12. Direção de Gabriele Muccino. Com  Gerard Butler,  Jessica Biel, Catherine Zeta Jones, Dennis Quaid, Uma Thurman, Judy Greer,  Noah Lomax, James Tupper.

     São 20 produtores  inclusive o astro Butler que assinam a realização deste filme, uma comédia familiar que foi muito mal nos Estados Unidos (para um orçamento de 35 milhões de dólares, rendeu  apenas 13).Bem que alguém podia ter reparado que o roteiro era fraco e previsível, que não ia dar certo. Não adiantou nada chamar atrizes bonitas e charmosas para fazerem papéis insignificantes (como Uma e Catherine, esta demonstrando que não precisava fazer a plástica a que se submeteu). Pior ainda é a falta de visão do diretor italiano Muccino que ate agora tinha acertado com o astro Will Smith (no humano À Procura da Felicidade e o  bizarro Sete Vidas) mas tem uma participação totalmente anódina, sem personalidade ou marca pessoal. E finalmente um letreiro de quase 15 minutos para agradecer os merchandisings! 

      Nem Butler esta muito bem ao fazer um famoso jogador de futebol que ao acabar a carreira enfrenta uma fase difícil, sem grana e separado da mulher (Jessica Biel, que chegou a ser indicada a pior coadjuvante do ano pelo premio Razzie) e por causa do filho pequeno aceita ser treinador de uma equipe infantil. Quando passar a ser perseguido pelas “mamães do futebol”. Ate que tentam fazer algum humor com equívocos e confusões, que incluem também um pai rico e pretensioso (Quaid) mas o roteiro é rasteiro e o resultado completamente descartável. 

Ref fim.    

Susan Lenox


Lançamento de filme antigo e raro, inédito em DVD no Brasil:  

Susan Lenox / Susan Lenox Her Fall and Rise. Audio: Ing. Leg: Port. EUA.  Standard. 76 min. Drama. PB. 1931.  Colecionando Clássicos/Originalmente MGM. 14 anos. Diretor: Robert Z. Leonard (não creditado). Elenco: Greta Garbo,  Clark Gable, Alan Hale, Jean Hersholt, John Miljan, Hale Hamilton, Hilda Vaughn,  Ian Keith.   

Sinopse: A mãe de Susan morre no parto e ela é criada pelo pai que não gosta dela (há sintomas de abuso sexual) e que deseja que se case sem amor com um homem mais velho. Ela foge mas antes se apaixona por um arquiteto. Há uma serie de desencontros se vêem de novo quando ela é amante de milionário e mais tarde esta num bar africano onde ele esta trabalhando. 

Comentário: O único filme que fizeram juntos a lendária Garbo (1905-90) e o futuro Rei de Hollywood Clark Gable (1901-60).Era o terceiro filme falado dela (sua voz profunda e o sotaque sueco não lhe atrapalharam em nada). Ela era já super estrela e ele iniciante. Mesmo assim não se gostaram, ela o achou vulgar, ele a considerou distante e remota. Mas ambos foram superstars e esta é a primeira geração que não cultua Garbo e a considera a maior de todas as lendas do cinema. Quase todo grande mito do cinema clássico tem um pouco de androgenia. São rostos plasticamente perfeitos, corpos sedutores mas também uma personalidade forte, dominadora, capaz de levar os homens a desgraça ou até mesmo à morte. São femme-fatales, mulheres fatais, como o Anjo Azul (Marlene Dietrich), com um lado masculino muito forte. Ninguém pisou tão forte quanto Greta Garbo, a Divina, estrela máxima do Cinema de Hollywood, famosa tanto por suas interpretações dúbias na tela (como em Rainha Christina, onde era confundida com um rapaz) como na vida real (onde era assumidamente lésbica, chegando a ter tido um caso com sua maior rival, Dietrich). Neste filme não está bem fotografada, prejudicada por penteados esquisitos e franze o cenho o tempo todo. Realmente não há química com o galã mas o filme é bem do começo do falado (assim não tem muita trilha musical, a não ser por algumas musicas clássicas (abertura de Romeu e Julieta de Prokofiev, None but the Lonely Heart e Patética de Tchaicoswsky)    que mais atrapalham que ajudam, a narrativa não tem muito sentido e o final é abrupto e ruim).O romance foi escrito por David Graham  Phillips  que foi assassinato por um leitor psicopata enquanto passeava no Parque Grammercy em Nova York em 1911. O livro só foi publicado postumamente seis anos depois quando a Metro decidiu comprar os direitos para a Garbo. Apesar do tema ser ousado, hoje não convence nada. Leonard assina apenas como produtor mas há no começo uma sequencia excelente (quando mostra o crescimento da heroína através de sombras na parede). Traz folheto com detalhes sobre a dupla central.    

Reality - A Grande Ilusão


Reality - A Grande Ilusão /Reality, Itália, 12. Direção de Matteo Garrone. 116 min. Com Aniello Arena, Loredana Simioli, Nando Paone, Nello Ioro, Nunzia Schiano, Rosaria D´Urso, Claudia Gerini.

     Vencedor do Grande Premio do Júri no Festival de Cannes, este é o novo filme do diretor Garrone que fez sucesso com Gomorra (08), e que já tinha atrás de si uma longa carreira de 9 outros longas metragens inéditos no Brasil (que tal uma retrospectiva?) Na verdade,  se havia alguma duvida quanto ao talento do diretor estão resolvidas com esta comédia escachada e inteligente, que consegue ser moderna (embora seja difícil satirizar a televisão já que por si só ela já é uma paródia ainda mais a italiana) e ao mesmo tempo faz lembrar a velha tradição do neo-realismo e das antigas comédias napolitanas (se passa em praça publica onde o herói tem uma peixaria, ele e toda a família mora num velho casarão e naturalmente todos são gordos, gritam muito, são cafonas mas nem por isso deixam de ser humanos e com sentimentos).

     Um dos problemas do cinema italiano para nós é que não conhecemos mais os atores e assim fica difícil nos identificarmos com eles e entender sua persona, seu estilo. É o caso do estreante Aniello Arena que tem um incrível e perfeito trabalho como protagonista . A surpresa foi pesquisar sobre ele e descobrir que ele estava cumprindo pena de prisão perpetua (!) na Prisão de Volterra por causa de seu envolvimento quando adolescente num esquadrão do crime organizado e duplo assassinato. Garrone o conheceu porque o pai é um critico de teatro e foi assistir uma peça na cadeia (parece que montam uma por ano) e ficou tão impressionado que começou a gravar o monologo que Aniello fazia e tentou consegui-lo para Gomorra mas não lhe deram liberação, que veio finalmente para Reality. Garrone rodou as cenas na ordem  cronológica do roteiro o que facilitou embora ainda achasse cinema frio em oposição a Teatro. A historia é inspirada em fato real mas ele não é fã do Big Brother como o personagem de Luciano.

    Embora o filme tenha estreado em março nos EUA e não tenha feito sucesso, o brasileiro tem tudo para se identificar com a historia alem de ter a surpresa em saber que o programa Big Brother, mais ou menos nos mesmo moldes que o brasileiro, é um enorme êxito faz anos na Itália  onde pela própria estrutura local provoca ainda maior impacto do que entre nós.

     O herói Luciano é um pai de família, trabalhador mas que tem o hobby de ser artista, se vestindo de drag Queen para uma festa de casamento que será prestigiada por um dos participantes do antigo Big Brother . Assim começa a ilusão de que ele poderá ser também um astro da televisão. Pressionado pela família, se inscreve no programa e parece ter sido bem na entrevista-teste (não vemos essa cena, temos que acreditar nele). Mas com a pressão de todo o bairro e fama repentina só por estar concorrendo, ele aos poucos vai perdendo a noção das coisas, passa a achar que o estão vigiando, baixa os preços, começa a dar aos pobres, os moveis de sua casa. Sem esquecer também que para melhor sobreviver fazia também um esquema ilegal com aparelhos domésticos.

      Pode parecer exagerado mas claro que é comédia e quem conhece o meio e o ser humano, pode crer que não é muito diferente. As pessoas piram quando querem ficar famosas a qualquer preço. Sem qualquer moralismo, o filme pinta esse retrato sem lhe tirar ate mesmo uma certa ingenuidade. O trabalho do ator prisioneiro é incrível, um perfeito artista e eu gostei de reencontrar os atores aparentemente amadores, os tipos que tornaram o cinema italiano tão memorável. É um filme para ser descoberto e curtido.
Ref.            

sábado, 20 de abril de 2013

Ginger & Rose



Ginger & Rose (Idem) Inglaterra, 12. Direção e roteiro de Sally Potter. 90 min.Com Elle Fanning, Catherine Hendricks, Alessandro Nivola, Alice Englert, Oliver Platt, Johdy May, Annette Bening, Timothy Spall. Drama. 

      Acompanhei bem a carreira da inglesa Sally Potter, que fez sucesso ate no Brasil com o interessante Orlando, a Mulher Imortal (92), que realizou para sua musa Tilda Swinton. Mas dali em diante os filmes não confirmaram a boa impressão.  Teve um curioso Tango Lesson, o ruim Porque Choram os Homens com Johnny Depp, dois que não me lembro de ter visto (Yes e Rage). E agora chega o mais recente, um filme lento, dramático, que foi indicado ao Brisith Independent e teve prêmios em festivais pequenos, quase sempre pelo trabalho da revelação Elle Fanning (irmã mais nova de Dakota Fanning é mais bonita e talentosa que a irmã, tinha apenas 13 anos embora faça papel de uma de 17! ). 

      Elle faz Ginger  que na Londres de 1962 entra em pânico quando  fica sabendo da possibilidade de uma guerra nuclear naquele momento, provocada pela Crise de Misseis em Cuba e o ultimato do presidente Kennedy. Ela vive com a mãe (a ótima Christina Hendricks de Mad Men) e Roland (Nivola), que é um pai não assumido, cheio de idéias liberais que no fundo escondem sua incapacidade de assumir responsabilidades. Sempre em conflito com a mãe, ela tem uma amiga de infância (as mães se encontraram nas mesas de parto) chamada Rose (que você se lembra é a  inexpressiva filha da diretora Jane Campion e que nós já vimos num filme posterior que foi o mal sucedido Dezesseis Luas). As duas são unha e carne (Sally é muito feliz em mostrar aquele tipo de amizade de adolescentes, muito próximos em tudo, brincadeiras, ate certos carinhos. Mas também na possibilidade de se traírem com facilidade).

     É importante notar como a diretora conseguiu reunir um elenco americano excelente que convence como britânicos (mesmo em papeis pequenos como Annette Bening que é um militante contra as armas nucleares) o que dá mais consistência ao filme. Não sei dizer se é autobiográfico (o background de Sally era em dança e largou a escola para se tornar diretora de cinema aos 16 anos). Mas certamente ela parece se identificar com a ruiva Ginger e com a menina Elle Fanning, que deveria ter se tornado estrela a partir deste filme. Fica evidente também que teve um orçamento baixo , utiliza muitas faixas de jazz e não quis tornar o filme mais rápido ou acessível. Mas o resultado é no mínimo interessante.

Ref  

Somos do Amor


Lançamento em DVD no Brasil de comédia clássica e desconhecida:

Somos do Amor / It´s Love I´m After. Audio: Ing. Leg: Port. EUA.1937. Standard. 90 min.Comédia. PB. Colecionando Clássicos. 14 anos. Diretor: Archie Mayo. Elenco: Leslie Howard, Bette Davis, Olivia de Havilland, Eric Blore, Patrick Knowles, Spring Byington, George Barbier, Bonita Granvilla, Veda Ann Borg.     

Sinopse: Um casal de atores famosos que são noivos, tem problemas com a infidelidade do homem,  Basil sofre o assédio de uma garoto muito jovem e muito rica.  Mas que é noiva. Pensando em desiludi-la, ele vai ate a casa da família onde a situação só se complica.   

Comentário: Prepara-se para uma boa surpresa. Embora muito pouco conhecida, tem um roteiro brilhante  de Casey Robison e com  grandes momentos esta screwball comedy (comédia maluca em voga nos anos 30), de um estilo hoje curiosamente fora de moda. É preciso conhecer o gênero para poder embarcar na historia improvável e maluca inspirada bastante em A Megera Domada de Shakespeare. Parece que o roteiro original foi escrito como “Gentleman After Midnight” pensando em trazer alguma estrela do palco como Gertrude Lawrence ou Ina Claire. Mas acharam que não eram atração suficiente e a Warner colocou sua maior estrela Bette Davis num papel relativamente pequeno e mesmo secundário (o verdadeiro astro é o inglês Leslie Howard, mais lembrado por “E o vento levou” e por ter sido morto durante a Segunda guerra quando fazia serviço de espionagem para os britânicos ). Foi o primeiro dos quatro filmes que Bette e Olivia (que se tornaram grandes amigas) fizeram juntas. Mas quem rouba o filme é um coadjuvante que interpreta o mordomo do ator, Eric Blore (1887-1959) mais lembrado por sua participações em varias comédias musicais com Astaire e Rogers e As Três Noites de Eva de Preston Sturges. Mas é aqui que ele brilha com momentos hilários como o que imita diversos pássaros para tentar avisar o patrão de eminente perigo! É um show  naturalmente ingênuo e encantador, palavras que hoje estão completamente esquecidas. Como todos da distribuidora traz um interessante folheto sobre os atores.     

Ref

I Am


Lançamento em DVD de filme inédito no Brasil:

I Am Idem. Áudio: Inglês, Japonês, Tailandês. Leg: Port, Espanhol, Japonês e outros. EUA, 11. Widescreen 1.66. 80 min. Documentário autobiográfico. Cor . Universal. Livre. 

Diretor: Tom Shadyac. Elenco: Desmond Tutu, Noah  Chomsky, Ray Anderson, Marc Ian Barash, Coleman Banks, John Francis, Chris Jordan, Thom Hartmann, Daniel Quinn.    

Sinopse: A historia autobiográfica do diretor Tom Shadyac (de sucessos como Ace Ventura, O Mentiroso, O Professor Aloprado, O Todo Poderoso) que após sofrer um ferimento na cabeça num acidente de bicicleta fica com uma insuportável dor no braço que não consegue curar. Resolve partir então numa jornada aonde faz perguntas a intelectuais, professores e cientistas levantando duas questões: O que está errado no mundo? e Que podemos fazer sobre isso?

Comentário: Não sabia nada sobre a doença que acabou afastando o diretor Shadyac do cinema e o que levou a fazer este documentário reavaliando sua vida e seu modo de viver, quando passa a ser vitima de um ferimento e uma dor no braço que parece não ter solução. Com uma pequena equipe de 4 pessoas, parte numa viagem pelo mundo quando entrevista escritores e professores, em geral autores de livros (entre os não citados em ficha no elenco estão Howard Zinn, Lynn McTaggart, Rollin McCraty, Dean Radin, Elisabeth Sahtouris, Marilyn Schlitz, Datcher Keltner e  Richard Shadyac (seu próprio pai, logo depois falecido e que o diretor reverencia com um bom exemplo já que dedicou sua vida a construir e dirigir um hospital (St. Judas) junto com o comediante Danny Thomas para cuidar de crianças com câncer. O filme embora não seja para todo publico  e nem tão novo, teve carreira razoável para documentário nos cinemas (um milhão e meio de dólares) e traz varias idéias interessantes ótimas para provocar debates e discussões. Mostrando e discutindo alguns aspectos poucos falados da teoria de Darwin, o filme aborda o instituto humano pela guerra, a ambição e avidez, a solidão e mesmo alguns lugares comuns. Mas o diretor despreparado tem uma ingenuidade e disponibilidade que chega a ajudar o filme. Que pode ser leve demais para intelectuais mas pode atingir pessoas comuns. O diretor Shadyac anunciou recentemente que retornara aos cinemas rodando a versão americana do francês Intocáveis. 

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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Vocês ainda não viram nada !


Vocês ainda não viram nada ! “Vous N´avez encore rien vu”. França, 12. Direção de Alain Resnais. 115 min. Drama.Com Mathieu Almaric, Pierre Arditi, Sabine Azéma, Anny Duperey, Anne Consigny, Lambert Wilson, Hippolyte  Girardot, Gérard Lartigau, Michel Piccoli, Denis Podalydes, Jean-Noel Brouté, Michel Robin, Andrzejv  Seweryn. Imovision.


     Fiquei muito surpreso em constatar o fracasso de publico deste mais recente filme do mestre Alain Resnais (Hiroshima, mon amour, O ano passado em Marienbad) que esta em cartaz numa sala de arte (Reserva Cultural), ou seja, endereçada a um publico especial. Mas mesmo assim houve um numero grande de espectadores saindo no meio, reclamando. Tanto que só está em duas sessões na sala menor, 4. De uma certa maneira, acho isso um feito notável. Um diretor de 90 anos (91 agora em junho), praticamente cego, que ainda consegue polemizar e provocar xingamentos (com o mesmo  publico paulista que deixou um ano em cartaz seu filme “Vícios privados em lugares públicos”! Por outro me deixa desanimado diante da preguiça da platéia em consumir algo de diferente.


      Mas para ser justo, tenho que confirmar que o filme faz jus a seu titulo. Realmente é um osso duro de roer. É assumidamente teatro filmado (o que não é teatro para Resnais que já fez coisa semelhante antes), com um mínimo de frescuras (mas não abdica de uma fotografia bonita, uma estética prazerosa). E no fundo é uma homenagem não apenas ao palco mas a seus atores favoritos, já que conseguiu reunir além de sua companheira fiel Zabine Azéma, quase todos os atores mais próximos. 

      A história começa quando chega a noticia de que um famoso dramaturgo Antoine D´Anthac morreu inesperadamente (a montagem mostra a sucessão de atores recebendo o recado por telefone, todos interpretando a si mesmo) e tem um ultimo pedido, que todos estejam presentes  na cerimônia de enterro. Eles tem algo em comum, todos apareceram através dos anos em versões de sua peça Eurídice (aquela lenda grega que conhecemos tanto por causa do Orfeu Negro brasileiro). Esse atores primeiro assistem a gravação feita por uma jovem companhia (que eu suponha que exista realmente, que seria La Compagnie de la Colombe). E depois o texto vai sendo encenado com eles, num meio termo entre palco e os recursos do cinema.  Quem tiver paciência e esperar o final, será recompensado não apenas com uma conclusão inesperada como ainda três finais sucessivos dando a impressão de que o espectador pode escolher aquela que mais lhe convier.

       Ou seja, um filme nada preguiçoso mas inquisitivo e diferente, com excelente elenco dizendo um texto  mais para o clássico. E como sempre acontece com Resnais, mexendo com a memória, amores perdidos, passado, vida e morte. O texto original é do famoso dramaturgo Jean Anouilh (1910-87), autor de obras famosas como  Becket, A Valsa do toureadores (que foram Eurydice e Cher Antoine, ou l´amour rate. Óu seja, é um filme para poucos, que se dirige menos a coração e mais a cabeça. Mas que não desonra a lenda. 

Ref fim.  

Um Porto Seguro



Um Porto Seguro (Safe Haven)EUA, 13. 115 min. Direção de Lasse Halstrom. Roteiro de Dana Stevens (Cidade dos Anjos, Por um Amor) e Leslie Bohem (que é homem, Inferno de Dante, Daylight) baseado em romance de Nicholas Sparks. Com Julianne Hough, Josh Duhamel, David Lyons, Cobie Smulders,  Mimi Kirkland, Noah Lomax.


     Já conseguiu se tornar uma das mais franquias mais bem sucedidas do cinema atual, a adaptação das novelas românticas do autor americano Nicholas Sparks . Nascido em Omaha, Nebraska em 31 de dezembro de 1965, formado na Universidade de Notre Dame em 88, faixa preta de Tae Kwan Do, ligado a esportes, fez sucesso com seu primeiro livro The Notebook que acabou sendo também seu primeiro êxito no cinema e ainda seu melhor filme: Diário de uma Paixão  (04) com Rachel MacDams, Gena Rowland, James Garner e Ryan Gosling (garantia de fazer chorar) .Antes disso, houve duas outras adaptações menores (Uma carta de amor/Message in a Bottle, 99 com Kevin Costner, Um amor para recordar/a Walk to Remember, 02, com Mandy Moore, Shane West). Aos poucos os filmes foram encontrando um publico feminino fiel (e sempre mostrando a paisagem a beira da Carolina do Norte): Noites de Tormenta/Nights in Rodanthe, 08, com Richard Gere e Diane Lane, Querido John/Dear John, 10 com Channing Tatum, Amanda Seyfried; A Ultima musica/Last Song, 10,Miley Cirus,  Liam Hemsworth, o recente Um Homem de Sorte/The Lucky One, 12, com Zac Effron e   Taylor Schilling. 


     É evidente então que qualquer critica é desnecessária porque o fã (melhor dizendo “a” fã), irá assistir  o filme de qualquer jeito (orçamento de 28 milhões esta com 70 milhões de renda). Sabe-se que o projeto era para ser estrelado por Keira Knightley (que o largou para fazer outro filme) e depois Carey Mulligan, caindo nas mãos de Julianne Hough (dos musicais Burlesque, Rock of Ages e o horrível Footloose), que aqui esta mais madura e suportável. Mesmo que tenha duvidas que um dia vire estrela de verdade. Quem tem boa memória vai perceber que a historia é apenas uma reciclagem de Dormindo com o Perigo, de Julia Roberts, ainda que bem diluído e com menor impacto. Julianne faz Katie que foge de sua cidade escapando na chuva num ônibus que vai por acaso para a Carolina do Norte. Um policial esta atrás dela e monitora tudo através das cameras escondidas. Ao chegar a cidade à beira mar, não demora para ela conseguir emprego de garçonete e se envolver com um viúvo bonitão e bom caráter (Josh Duhamel, marido de Fergie e que se mantém numa carreira razoável. Enfim, ele tem um casal de filhos e não é difícil imaginar o resto (o policial é tão obsessivo quanto O Inspetor Javert) . O caso se envolve, nasce o amor e quando está no auge aparece o policial na cidadezinha pondo o romance a perder. 

      Extremamente previsível, foi  dirigido  pelo sueco Lasse que já fez Querido John da mesma série e teve melhores dias com Gilbert Grape, aprendiz de sonhador, 93, Chocolate, 2000, Regras da Vida, 99, Minha vida de Cachorro, 85. (por esses dois últimos chegou a ser indicado ao Oscar de diretor). Francamente não ha muito o que comentar, é o que pretendia ser e pronto.

Ref fim.    

O Acordo




O Acordo (Snitch)EUA, 13. Direção de diretor Ric Roman Waugh. Com Dwayne Johnson, Susan Sarandon, Barry Pepper, Benjamin Bratt, Michael Kenneth Williams, Jon Bernthal, Rafi Gavron, Nadine Velasquez,  Harold Perrineau. 112 min.



      Parece que Dwayne Johnson estava se firmando em sua carreira a ponto de deixar de lado seu apelido dos tempos de luta livre, The Rock, quando fez em filme O Acordo que teve ate algumas boas criticas mas foi considerado  fracasso de bilheteria (embora tenha se pago, custou 15 milhões e rendeu 45! Nada mal. Em compensação, O G.I.Joe Retaliação também com ele ate agora não passou a barreira do 100 milhões nos EUA,o que é decepcionante). A explicação da imprensa americana  que foi ate simpatica ao filme é que a culpa é da produtora Summit (a mesma de Crepusculo) que promoveu o projeto como se fosse uma aventura de ação quando na verdade é mais um drama ate lento, que tem no maximo 10 minutos no maximo de ação. Ou seja, enganaram o publico e que nunca gosta disso. E depois a verdade é que o diretor não tinha folego para um projeto desses. O diretor Ric Roman Waugh era stunt man (dublê) e coordernador de cenas de perigo de mais de 48 titulos. dirigiu e escreveu  Felon ,08 com Stephen Dorff, Na sombra do crime (01, com Matthew Modine, e  Exit, 96, (que foi assinado com pseudonimo Allen Smithee).Ele logo nos primeiros minutos demonstra sua falta de controle escalando uma atriz muito ruim para fazer a mãe do rapaz. O roteiro não aprofunda nada (seu unico charme é dizer que é inspirado em fato real, contando pelo programa de teve Frontline) e a culpa nao chega a ser de Dwayne, que se esforça para segurar o que pode. Não tem culpa de que o filme é executado abaixo da média. 

       Quando se fala em fato real, geralmente são historias ditas “inspiradoras” de sacrifício e luta para dar um bom exemplo (e Dwayne não seria a figura ideal para uma historia dessas). No caso, ele é John Matthews, homem que tem seu próprio  negócio de entregas(portanto caminhões) e que faz tudo para impedir que seu filho adolescente (Rafi Gavron) seja condenado a dez anos de prisão quando se envolve num caso de roubo de drogas, que o enquadra numa lei federal (seu melhor amigo para quem fazia uma espécie de favor pegando o pacote de Ecstasy e ainda por cima experimentando-o com sua namorada o denunciou para livrar sua cara, snitch seria isso dedar alguém). A única saída é o próprio pai tentar infiltrar –se na quadrilha para tentar ajudar o filho, e reduzir sua sentença, se envolvendo com criminosos. O roteiro é de Justin Haythe (Revolutionary Road/Foi apenas um Sonho, The Clearing/Refem de uma vida com Redford) junto com o diretor .Susan Sarandon que agora na maturidade tem trabalhado com frequencia faz a promotora que oferece a oportunidade de redenção ao pai (e é um prazer vê-la ainda atraente e segura, tirando o Maximo de um papel pequeno e ingrato). Assim não lhe resta outra alternativa se não ir procurar tipos escusos e procurar os contatos. 

      Preciso admitir que tenho certa rejeição a esse tipo de historia, provavelmente porque eu já assisti muitas semelhantes (a trama é clichê desde os anos 30 nos filmes de gangster da Warner, com Cagney e John Garfield) e em todas as variantes. Por isso tinha certa ma vontade com o filme, que no final das contas não é tão ruim como temia. Se Dwayne não é grande ator continua sincero e uma boa figura. Tem ainda Barry Pepper (como o parceiro do governo) e Benjamin Bratt, entrando só no fim do filme como o grandão do Cartel Há também a tão esperada sequencia de ação com perseguição de caminhões onde diretor pode mostrar sua “expertise” no gênero. O maior destaque do filme porém é a trilha musical eficiente (para muita gente a melhor coisa da fita) que foi feita pelo compositor brasileiro Antonio Pinto, filho do grande Ziraldo, irmão de Daniela Thomas, que foi revelado com Cidade de Deus e que já havia sido o esteio do duvidoso A Hospedeira ainda em cartaz. 

Ref fim

Aloyzio Raulino

A Morte de Aloyzio Raulino

Quero lamentar, ainda que tardio, aqui o falecimento do meu velho amigo Aloyzio Raulino, colega de Eca, que entre outras coisas foi o diretor de fotografia e câmera do único curta-metragem que eu dirigi em começo de carreira sobre José Bonifácio. Era excelente profissional e uma pessoa querida e sempre amável. Descanse em paz.

Rubens Ewald Filho (madrugada de sexta)  

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A Morte do Demônio



A Morte do Demônio.Evil Dead. EUA,13. Direção de Fede Alvarez.Roteiro de Fede, Rodo Sayagues,  Diablo Cody (nao creditado) baseado em original de Sam Raimi, 81, Com Jane Levy, Shiloh Fernandez, Lou Taylor Pucci, Jessica Lucas, Elizabeth Blackmore e aparições não creditadas de Lorenzo Lamas (engolidor de cobras), e Bruce Campbell (como Ash). 

     Ainda no começo da era do Video/VHS, fui dos quem descobriu primeiro as qualidades de The Evil Dead-A Morte do Demônio, 1982, do então totalmente desconhecido Sam Raimi com um elenco igualmente não- famoso (a não ser por Bruce Campbell, que estaria depois em todos os trabalhos de Raimi). Era um tipo de terror diferente (embora eu preferisse a continuação). São cinco estudantes que vão passar uma temporada numa casa isolada na Floresta. A ponte de ligação para a casa cai e eles ficam presos. Descobrem sinais do antigo morador que libera a força maligna que habita o lugar. Rodado como The Book of Dead, foi o primeiro de uma trilogia que revelou o hoje consagrado diretor Raimi e que virou cult por causa de cenas explicitas sanguinolentas (Gore), sua câmera super ágil e a habilidade com que os realizadores superaram a falta de recursos (o filme era quase amador)  com efeitos e maquiagem criativos. Por vezes era mais engraçado que assustador (ou será que Raimi descobriu que humor também faz parte do gênero?). A parte 3 já fugia do tema mas a segunda era ainda mais delirante e divertida (tanto que se chamou aqui Uma Noite Alucinante) ainda que praticamente fosse também tipo refilmagem. 

      De qualquer forma, Raimi depois teria uma carreira bem sucedida, como produtor (as series de teve Xena, Hercules, Young Hercules, Spartacus dentre outras), demonstrando sua paixão pelos quadrinhos (no hoje Cult telefilme   Darkman /Vingança sem rosto, 90) que deu o estrelato para Liam Neeson e principalmente sua trilogia de Homem Aranha (depois disso voltou ao terror com o criativo e interessante, Arrasta-me para o Inferno, 09 e agora com o mega Oz: Mágico e Poderoso (em parte incompreendido pelos que não entendem que não podiam usar o material do original da Metro é por enquanto a maior renda de 2013 nos EUA com 212 milhões de dólares de renda).

      Esta refilmagem autorizada rendeu bastante ate agora nos EUA (35 milhões de dólares para custo de 17), por causa dos fãs que não se decepcionaram. Principalmente por ser muito fiel a primeira versão, embora sem o charme de ser tão mal acabado (como era o original) e porque o diretor simplesmente não tem qualquer senso de humor. A verdade é que o gênero necessita de alívios cômicos, como bem demonstrou Hitchcock e depois De Palma e mesmo Carpenter. Mas o Sr Fede se limitou a multiplicar as cenas de Gore, com mais e mais violência explicita, partindo para o Grand Guignol (teatro de bonecos franceses) e o lúgubre mas sem sustos e ou surpresas.

      Embora esse “gore” possa ser ofensivo em outros casos, não me tocou ou deixou impressionado. Talvez por causa do elenco que não revela ninguém. O protagonista masculino, o tal de  Shiloh Fernandez que faz o irmão distante David, que não tem tipo para sustentar um filme desta natureza (é uma besteira ele ser acusado de não ter vindo visitar a mãe doente, como se isso fosse o pior crime do mundo). Gostei apenas da bela mulata Jessica Lucas (de Cloverfield) e da atriz principal que faz Mia, porque é a que sofre mais com maquiagens terríveis e cenas degradantes (ate enterrada  viva chega a ser). 

      O roteiro segue basicamente o original, se limitando apenas aos dois casais que vem se juntar a Mia (que esta tentando se livrar do vicio em drogas sem êxito) para tentarem fazer uma espécie de “intervenção” e livrá-la do vicio! Mas acabam mexendo e lendo O Livro dos Mortos que encontram na casa. Para que? Libertam assim os espíritos malignos que  atravessam rapidamente a floresta (citação do Primeiro filme) e começa a sangreira (tem também um cachorro mas este morre discretamente porque o publico reclama mais de bichos do que gente). Não vou descrever as mortes lentas e detalhadas que sempre me parecem sádicas (o fato de quase não ter CGI faz que essa impressão fique mais forte, ou seja, é menos estilizado e onírico).E o trabalho de Fede fica mais para Eli Roth (O Alberque) do que Raimi. Mais “Porn terror” que qualquer outra coisa. (Ah, o filme deve ser citação de Carrie, a Estranha).

      Já se tentou fazer remakes de todos os títulos famosos de terror dos anos 80 e todos invariavelmente erraram e  fracassaram. Este aqui só é o menos ruim deles.

Ref fim.                



Apoiado por Raimi, o projeto foi dirigido pelo uruguaio Fede Alvarez (juro que não farei piadinhas com o infeliz nome do rapaz, abreviação de Federico) que tem em seu curriculum apenas quarto curtas de terror.