Nada porém tira o brilho da direção e realização deste filme de um diretor que desconhecia (também ator de 18 trabalhos e 16 trabalhos como diretor de curtas e longas). Por este filme ele ganhou o Prêmio do Um Certain Regard este ano e nada me parece mais merecido. Ganhou também premio da critica pelo trabalho anterior, Delta, 08 e chegou a apresentar dois outros filmes por lá. Não deve ter sido nada fácil comandar um exército de 274 cachorros (um recorde mundial), todos treinados e retirados de abrigos e o protagonista chamado Hagen é interpretado por dois cachorros chamados Luke e Body, que foram encontrados num parque no Arizona, quando o dono queria se livrar deles. Dizem os produtores que todos os cães ao final da filmagem conseguiram donos!
Mas é impressionante a sequência inicial em que a heroína uma bela menina de 13 anos chamada Lili (Zsofia) que é musicista mas está andando de bicicleta quando percebe que surgiu na mesma rua um grupo desenfreado de cachorros de diversos tamanhos e raças, correndo muito e ameaçadores. A câmera vai mostrando tudo enquanto ela é atropelada e cai... Começa então a contar a história e a crise que tem quando o pai mal humorado (também porque a mulher conseguiu emprego fora do país) liberta na rua seu cachorro Hagen. Inocentemente ela acha que o amor conquista tudo e vai atrás dele pensando em trazê-lo de volta enquanto o Estado criou novas leis sobre cachorros mestiços! Mas a esta altura ele já ficou feroz e parceiro dos outros animais sem dono. A cena final depois é igualmente tocante...
Imaginem a dificuldade que deve ter sido rodar este filme
com imagens extraordinárias feitas nas ruas de Budapest e que deve ser lido
também como uma discussão sobre os problemas sociais atuais da Europa, lutas
violentas entre os cachorros, que os tentam transformar em máquinas de matar.
Seria na verdade uma declaração de solidariedade para as pessoas marginalizadas
e oprimidas. Que curiosamente a força das imagens faz o espectador embarcar
nessa. Experimentem.