segunda-feira, 31 de julho de 2017
SÉRIE: The Last Tycoon (O Último Magnata)
EUA, 2017. Criador Billy Ray. 9 capítulos. Com Matt Bomer, Kelsey Grammer, Lilly Collins, Dominique McElligot, Rosemarie de Witt, Enzo Cilenti, Mark O´Brien, Saul Rubinek, Sharon Lawrence, Jennifer Beals.
Não conheço bem a carreira de Billy Ray (Jogos Vorazes, O Preço de uma Verdade, Capitão Phillips) que vem a ser o responsável por esta nova produção da TV (no caso, de 9 episódios, talvez mais se for sucesso), coprodução da Amazon Studios, Tri Star, Sony que estreou esta semana nos EUA. O livro original do celebre F. Scott Fitzgerald (1896-1940) não foi concluído em vida, mas foi adaptado para os primeiros anos da TV 5 vezes, de 49 a 76. A versão mais conhecida foi para o cinema, como O Último Magnata e foi o último trabalho do lendário diretor Elia Kazan (Uma Rua Chamada Pecado), com adaptação do famoso dramaturgo inglês Harold Pinter. Chegou a ser indicado ao Oscar de direção de arte mas não fez o sucesso esperado, apesar de ter um elenco classe A, começando por Robert DeNiro que faz o personagem título, um produtor de cinema de Hollywood, que teria sido inspirado no primeiro gênio de na produção de filmes, Monroe Stahr, na verdade então o marido da estrela Norma Shearer (1902-83) na Metro, onde virou garoto prodígio e morreu cedo, Irving Thalberg (1899-1936), até hoje nome de prêmio! O elenco do filme não pode ser mais brilhante apresentando: Tony Curtis, Robert Mitchum, Jeanne Moreau, Jack Nicholson, Donald Pleasence, Ray Milland, Dana Andrews, Theresa Russell, John Carradine.
Agora vamos ver o que a série pode oferecer. Qualquer semelhança com o recente Feud (sobre Bette Davis e Joan Crawford) parece proposital e de discutível impacto, já na primeira cena ficamos sabendo que a protagonista estrelinha de sucesso morreu num grande incêndio na mansão onde vivia (quem faz o papel é Lily Collins, filha de Phil Collins mas extremamente parecida com outra até mais famosa, também inglêsa, Lily James que fez a Cinderela). E assim começa ela visitando o estúdio e Matt Bomer é apresentado como o grande e jovem produtor, eles nem tentam deixar parecido com o Thalberg que era magro e feioso, enquanto Bomer é bonito, bom ator, exuberante. Acho discutível que o espectador queira ver em detalhes os bastidores de um tipo de estúdio e cinema que é completamente diferente do hoje em dia. Ou seja, os pseudo biografados a esta altura já estão todos mortos. E os problemas, discussões e situações completamente opostos aos métodos e tecnologia atuais. Fofocas quase 70 anos depois não funcionam. Nem os sofrimentos do povo destruído pela Depressão Econômica que serve para ter o lado social também no filme.
Por outro lado, a direção de arte é bem cuidada, os escritórios parecem todos redesenhados e tinindo de bonitos. Mas a verdade histórica é muito variável ainda que interessante, por exemplo, já há a interferência dos alemães, oficiais e nazistas, que forçam os estúdios a continuar a produzir filmes para a Alemanha fazendo tudo para encobrir seus crimes (Hitler adorava musicais, em especial operetas). Mesmo que os chefes de estúdios fossem nazistas e perseguidos porque eram também judeus. Ou seja, é uma mancha feia na história de Hollywood. E como não existe mais a MGM de antigamente, eles fotografam cenas diante dos famosos portões da Paramount, que fica noutro bairro e nada tem a ver com o personagem! Há uma mulher também xingando o produtor e dando-lhe um tapa por causa do marido que seria vítima e temos então o primeiro sinal de um fato real, o protagonista não tinha saúde e morreria muito jovem. Também muito mal desenhada é a figura do chefe da Metro, Louis B. Mayer que passa tempo observando os sem teto. Enfim, a série parece apenas uma desenfreada confusão que pouco tem a ver com a verdadeira e lendária Hollywood.
SÉRIE: Crisis in Six Scenes
EUA, 17. Direção de Woody Allen. Seis capítulos de 23 minutos. Escrito, dirigido e estrelado por Allen para a Amazon. Com Miley Cyrus, Elaine May, Joy Behar, Joe Magaro, Rachel Brosnahan, Mary Boyer, Margaret Goodman, Julie Halston, Rebecca Shulman, o comediante frances Gad Elmaleh, Nina Arianda, Christine Ebersole, Michael Rapaport, Deborah Rush.
Sou fã de carteirinha e desde o primeiro momento de Woody Allen, que numa longa carreira teve muitos momentos de glória e brilhantismo e ocasionais lapsos de fraqueza, já que com seu hábito de fazer um filme por ano, parece lógico que ocasionalmente trabalhasse em um projeto mais fraco e menos engraçado. O que é perdoável já que não existe nenhum contemporâneo como este incansável trabalhador com elenco de amigos e orçamento restrito. Foi a produtora Amazon, sim essa mesma dos livros e compras, quem o convenceu o fazer uma pequena série de apenas 6 capítulos com vinte e cinco minutos cada. Uma comédia caseira com pontas de amigos e onde ele naturalmente escreveu o texto, as piadas (as poucas que funcionaram), fez a direção precária praticamente num único cenário (uma casa familiar) e se atrapalhou todo num projeto lamentável. É triste assistir algo tão infeliz e mal feito. Até a Amazon percebeu isso e resolveu agora produzir o próximo filme dele, mas primeiro passando no cinema e depois sim pelo streaming deles! A notícia saiu esses dias e vai se chamar Wonder Wheel!
Espero que retornem os bons tempos e volte a usar o tempo de comédia e as frases inteligentes todas dispensadas aqui, onde Woody está com problemas de dinheiro e com sua mulher trapalhada que cede a casa para suas amigas que são modernosas e liberais (quem faz o papel da esposa é a veteraníssima diretora e humorista Elaine May, que escreveu filmes horríveis como o lendário Ishtar, adaptações melhores com A Gaiola das Loucas, Segredos do Poder, que lhe deu indicação ao Oscar e mais outro, O céu Pode Esperar de Warren Beatty.
Quem também está no elenco (e péssima) é Miley Cirus, que cresceu e engordou, ficou de voz grossa e ainda por cima foi mal filmada, como outra jovem que se revolva contra a família (o que seria coisa dos anos 70 ainda!). Há gritarias, confusões, mas tudo parece ter sido feito às pressas, coisa que nem filme brasileiro da época fazia. É triste e de chorar. Woody Allen não poderia fazer isso pelo simples prazer de ganhar mais grana! Comprometeu toda sua filmografia... Mia Farrow deve estar vibrando com isso...
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