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quarta-feira, 26 de março de 2014

As Aventuras de Peabody & Sherman

As Aventuras de Peabody & Sherman (Mr.Peabody & Sherman). EUA, 14. Direção de Rob Minkoff. 

     Embora já tenha estreado há algum tempo, vale a pena registrar que esse novo filme de animação tem excelente qualidade de imagem e ate mesmo um conteúdo cultural, de informação que nenhum outro do momento sequer procurou imitar. Além disso é o único dos recentes que foi dirigido por um realizador já conhecido, já que Minkoff fez O Rei Leão, os dois Pequenos Stuart Little, e o fantasioso O Reino Proibido.

    Não conheço os personagens originais que eram de desenho animado de televisão do mesmo autor, Jay Ward (1920-89), que criou mais personagens famosos como George of the Jungle (O Rei da Floresta), Alceu e Dentinho,  A Policia Desmontada (Dudley-Do Right), muitos deles da serie Rocky Bullwinkle e Amigos. Mas a atualização do que era chamado de "Peabody's Improbable History" é rica em imaginário e informações, porque tiveram a idéia de deixar para a segunda parte uma viagem no tempo que vai mostrar para as crianças como era Leonardo da Vinci e a Mona Lisa, o velho Egito de Tutamenkon,   o presidente americano George Washington (tem aparições também de Lincoln e até do recente Clinton), e até mesmo Kirk Douglas gritando Eu sou Spartacus! passando pela Guerra de Tróia, com Cavalo e tudo, a Corte Francesa e até um Buraco Negro!  . E os fãs perceberão que há varias citações dos desenhos originais, desde a aparição do cachorro fazendo ioga e assim por diante...

     O herói é um  super inteligente mesmo genial, que por ser tão fora do comum, conseguiu o direito de adotar uma criança abandonada (seu lema é divertido: Toda criança deve ter um pai cachorro. Ou será o oposto: todo cachorro deve ser pai de uma criança? Tanto faz porque  é a ausência de preconceitos e a necessidade de amor e cuidados, que o filme defende e apresenta de forma encantadora. E por vezes engraçada!

     Mr Peabody é muito formal, gosta de ser chamado de Senhor e dá duro no filho que é inseguro ainda mais quando vai para uma escola e sofre bullying por parte de uma garota riquinha, que acaba provocando todo o conflito. Segundo dizem o filme teria custado 145 milhões de dólares (esta indo bem de bilheteria por lá mas não passou ainda dos 82 milhões, periga de não se pagar!). É verdade que poderia ser mais satírico e  mesmo engraçado mas dificilmente podia se superar no design e animação. 

Ref fim  

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Bons de Bico

Bons de Bico (Free Birds). EUA,13. Direção e roteiro de Jimmy Hayward. Com as vozes de Leando Rassum. Marcus Melhem. No original, Woody Harrelson, Owen Wilson, Amy Poehler, George Takei. 

      Não houve pré-estréias para a Imprensa deste filme de animação que merecia melhor sorte. Não é nenhuma maravilha, ate porque o diretor autor Jimmy Hayward, se perdeu no script  fazendo escolhas erradas que tornam o resultado discutível. Ainda mais sendo para criança. Talvez tenha sido uma questão de expectativa, quando soube que o filme era sobre perus fugitivos que tentavam escapar do inevitável destino de serem comidos, fiquei imaginando algo na linha de A Fuga das Galinhas que é um filme que lembro ainda com saudade e de vez em quando gosto de rever (é verdade que ele era baseado num filme solido e famoso que era Fugindo do Inferno, só que com galinhas). Aqui o roteiro ate que começa promissor mostrando Reggie, um peru inteligente que sofre com a burrice de sua tribo que vai pateticamente para seu destino sem discutir ou sequer perceber. Só ele tem a sorte de escapar e vai parar nos braços da filha do presidente norte-americano! A menina consegue ficar com ele, que levará uma vida boa, descobrindo o prazer da televisão e da boa pizza! Mas fora Reggie ainda tem um outro peru metido a herói, Jake, que acaba envolvendo os dois num plano mirabolante para salvar sua espécie e os dois acabam viajando numa maquina do tempo na esperança de mudas as coisas, desde quando os colonos do Mayflower descobriram os perus, ave nativa da America e que será usada no primeiro banquete entre índios e brancos fazendo nascer assim a tradição do Ação de Graças. 

      Grande parte da historia se passará, portanto na época colonial, onde surgirá ate um interesse romântico para Reggie. Mas entre idas e vindas, tem muita fuga, mas nunca um vilão digno do nome. A trama é fraca, falta mais humor e se não chega a ser exatamente ruim também esta longe de ser algo de especial ou notável. Sou mesmo tangido a comparar o resultado ao gosto da carne de peru, falta o molho, que a poderia tornar menos seca e sem graça .Só uma palavrinha sobre o diretor, de quem havia gostado do primeiro filme, o Horton e o Mundo dos  Quem! Que era original e criativo. Depois ele fez um western meio terror chamado Jonas Hex que é de morrer de ruim. Dentro da tradição de esconder os filmes ruins da imprensa, quem sabe a distribuidora ate acertou. Nos EUA, o filme custou 55 milhões de dólares e rendeu ate agora por volta de 44. Ah, não custa lembrar que em inglês “turkey/peru”é o adjetivo dado para um filme ruim que seria para nos o antigo”abacaxi” ou “bomba” ou “droga”.

Ref fim.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Uma Historia de Amor e Fúria



Historia de Amor e  Fúria Brasil, 13. Animação. Direção e roteiro de Luis Bolognesi. Vozes de Selton Mello (também co-produtor), Camila Pitanga, Rodrigo Santoro. Europa. 98 min. 

      É interessante este filme de animação que tomou certas opções no mínimo curiosas. Por exemplo, em vez de se endereçar ao publico infantil que o teria garantido melhor bilheteria preferiu manter um teor político (que o faz escorregar em algumas banalidades, em cenas de violência desnecessárias a não ser por fazer lembrar similares japoneses), alternando frases “lugar comum” com outras ainda oportunas (como a final, “viver sem conhecer o passado é viver no escuro”). Naturalmente a animação é daquele estilo televisão do He-Man de vinte anos atrás, ou seja, com visual atraente e mesmo bonito mas animação bem desanimada, com poucos recursos. (no cinema que assisti também o som do áudio dos dubladores estava muito baixo, tive dificuldade de entender  o que falavam, embora a presença de Rodrigo Santoro seja apenas de ator convidado, para prestigiar o projeto).

    A proposta é contar de forma mítica (assim o narrador e herói é um homem que vive 6000 anos, aparentemente como um pássaro mágico que de vez em quando reencarna para poder tentar reencontrar sua amada Janaina). Como a idéia é mostrar que a vida é luta e assim mexer com os brios do notoriamente preguiçoso e conformista povo brasileiro, não foi fácil encontrar na historia brasileira exemplos de luta e  coragem. Começa na época da colonização  com um índio tupinambá (Selton)( que se envolve no conflito entre portugueses e os colegas nativos que preferem defender  o invasor francês Villegaignon e por isso são praticamente exterminados. A motivação é sempre o amor da mesma mulher (Camila).Depois dá-se um pulo para 1825, no Maranhão quando um fabricante de balaios ajuda a revolução dos escravos negros que viviam em  quilombos e eventualmente são derrotados pelo futuro Duque de Caxias (que o narrador trata com a vida ironia para depois acentuar que nunca se deu bem com os que viram estatuas). 

     O próximo pulo é o que mais me incomoda, porque mitifica a luta dos guerrilheiros na época da ditadura militar (1968, novamente no Rio que seria o foco do filme). O casal se reencontra (mas o filme esquece que hoje guerrilheiro é semelhante a terrorista, que carrega portanto uma insuportável atitude) mas a historia novamente termina mal e de forma discutível (há uma longa e desagradável seqüência de tortura e o herói denuncia os colegas e por isso é desprezado por eles, coisa também  polemica. Já que os antigos guerrilheiros quando um era preso mudavam de esconderijo rapidamente porque sabiam que ninguém suporta a tortura. No máximo ganhavam tempo para a fuga!). Enfim, querem dizer  forçando a barra que os descendentes dos que fogem dos quilombos geraram  depois os cangaceiros e que os traficantes de drogas nos morros dos rio nos anos 70 seriam os novos rebeldes e portanto heróis)! 

     Felizmente acontece um novo pulo e vamos para 2096 quando o Rio de Janeiro do futuro esta nas mãos de grandes indústrias da água e uma nova copa do Mundo. Mais estilizado  e mais fácil de se identificar é o mesmo herói de sempre agora na pele de um jornalista que resolve se revoltar contra o big business e esta apaixonado por uma prostituta que também é outra guerrilheira. 

     De qualquer forma e acho isso uma pena, o filme não é indicado para crianças nem cabeças ainda não formadas. Poderia render discussões em salas de aula mas vai esbarrar no que denuncia, a suprema ignorância que as pessoas tem de nossa Historia (ainda mais agora quando a matéria deve ser cortada do atual curriculum!!!) . Na verdade, só isso já o credencia e torna importante. 

Ref fim.