domingo, 29 de dezembro de 2013

Rita Moreno

Dia 18 de janeiro será a entrega do premio especial do Sindicato dos Atores, o SAG  
este ano é para  a maior atriz latina do Cinema: 
Rita Moreno

Eis sua carreira e filmografia.


     É uma recordista: a única mulher que ganhou todos os grandes prêmios da indústria: O Emmy, o Tony, o Grammy e o Oscar. Também é a única atriz que pode se dar ao luxo de ter participado dos dois maiores e melhores musicais do cinema, Cantando na Chuva e West Side Story. Nada mal para uma atriz porto riquenha que também foi pioneira, uma das primeiras latinas a fazer sucesso no cinema americano moderno. Tudo isso transformar Rita Moreno, numa autentica lenda viva, aos 83 anos, sempre em plena atividade fazendo também com freqüência televisão.  Nascida em 1931 em Humanacao Porto Rico, Rosita Dolores Alverio, estreou no cinema com apenas 14 anos e o nome de Rosita Moreno, fazendo papéis pequenos e operando o nariz que era meio aquilino.  A Metro a usou em alguns musicais como quando fez com Mario Lanza, The Toast of New Orleans/ Quando eu te Amei com a dupla Mario Lanza e Kathryn Grayson. Depois virou uma garota dos mares do Sul em Amor Pagão/ Pagan Love Song, com Esther Williams e Ricardo Montalban. Em Cantando na Chuva, seu papel é quase mudo. Ela faz a exótica Zelda  Zanders , a Zip  Girl, estrela do cinema mudo que desfila com roupas esquisitas e não esconde seu ciúme das rivais.Mas na Hollywood dos anos 50 não era fácil encontrar personagens dignos para latinos, embora hoje não tenha melhorado tanto!  Rita teve até sorte quando conseguiu ser uma jovem siamesa em O Rei e Eu, de 1956,  ao lado de Yul Brynner e Deborah Kerr. Seu personagem era o segundo em importância, a noiva que se apaixona pelo escravo e por isso irá pagar com sua vida. Teve sua voz dublada por outra e não chegou a deixar uma marca num filme luxuoso e bem sucedido. A grande chance só iria surgir em 1961 quando foi escolhida para viver Anita em Amor Sublime Amor/ West Side Story, versão de show de sucesso na Broadway, onde o personagem tinha sido de Chita Rivera. Dirigido pela dupla Robert Wise e Jerome Robbins, o filme dava chance para Rita dançar e cantar canções clássicas como “América”.Ganhou seu Oscar de coadjuvante por causa desta semana onde tentam estrupra-la. Mas Rita reclama até hoje porque lhe dublaram e mal a voz nesta seqüência (com Natalie Wood no quarto).

      O Oscar, porém não lhe ajudou. Continuou trabalhando no palco, no cinema, na TV e se casou desde 1965 com o médico Lenny Gordon (ele faleceu em 2010). É muito curioso como raramente foi chamada por diretores importantes (a única exceção foi Mike Nichols) e teve que fazer fitas B e series de teve. Continuou interpretado personagens menores em fitas como Pinero, onde foi a mãe do artista. Mas seu lugar esta assegurado no livro dos recordes e na historia do cinema .

Filmografia

2014- Six Dance Lessons in Six Weeks  (com Gena Rowlands ).  Rio 2 ( Animação.Voz) .
2013- Nicky Deuce (TV. James  Gandolfini).
2006- Play it by Ear (com Josh Stamberg).
2004 Copshop (TV com Blair Brown).
2004 King of the Corner com Peter Riegert.
2003 Casa de los babys (Idem com Maggie Gyllenhaal).
2001 Piñero (Idem, Benjamin Bratt).
2000 Blue Moon ( com Ben Gazzara).
1999 Carlo's Wake (com Martin Landau). The Rockford Files…If it Bleeds, it Leads com James 
         Garner.TV). Ressurreição (Ressurrection .TV .Com Dana Delany). O Outro Lado de Beverly Hills 
         (Slums of Beverly Hills, com Nathasha Lyonne). The Spree (TV com Jennifer Beals). 
1995 Angus - O Comilão (Angus com George C. Scott). The Wharf Rat (TV com Lou Diamond Phillips). 
1994 Assim Te Quero Meu Amor (I Like it Like That com Jon Seda). 
1993 Italian Movie com James Gandolfini. 
1991 Idade do Perigo (Age isn´t it Everything com Jonathan Silverman).  
1982 Portrait of a Showgirl (TV com Lesley Ann Warren). 
1981 As Quatro Estações do Ano (The Four Seasons de Alan Alda). Evita Peron (Idem. TV .Faye  
         Dunaway).  
1980 Happy Birthday, Gemini com Madeline Kahn.  
1979 Anatomia de uma Sedução (TV Anatomy of a Seduction. Susan Flannery). 
1978 The Boss' Son com James Darren.  
1977 Der Ruf der blonden Göttin de Jess Franco.  
1976 A Sauna das Loucas (The Ritz com Jack Weston). 
1971 Ânsia de Amar (Carnal Knowledge com Jack Nicholson). 
1969 Detetive Marlowe em Ação (Marlowe com James Garner).Popi (Idem com Alan Arkin). 
1968 A Noite do Dia Seguinte (The Night of the Following Day com Marlon Brando). 
1963 A Última Batalha (Cry of Battle com Van Heflin).  
1962 Samar, a Ilha do Desespero (Samar com George Montgomery).  
1961 O Anjo de Pedra (Summer and  Smoke com Geraldine Page).Amor, Sublime Amor (West Side 
         Story com Natalie Wood).  
1960 This Rebel Breed com Gerald Mohr. 
1957 Caçador da Fronteira (The Deerslayer com Lex Barker). 
1956 O Rei Vagabundo (The Vagabond King com Kathryn Grayson). O Rei e Eu  (The King and I, com 
         Deborah Kerr).O Tenente Era Ela (The Lieutenent wore Skirts com Sheree North). 
1955 Sete Cidades de Ouro (Seven Cities of Gold com  Robert Wagner).Duelo de Paixões (Untamed com 
         Susan Hayward).  
1954 Jardim do Pecado (Garden of Evil com Gary Cooper). Machado Sangrento (The Yellow Tomahawk 
         com Rory Calhoun).  O Tesouro Perdido do Amazonas (Jivaro com Fernando Lamas). 
1953 Alamein - O Deserto Sangrento (El Alamein com Scott Brady). Meu Amor Brasileiro (Latin Lovers 
        com Lana Turner). Dois Caipiras em Paris (Ma and Pa Kettle on Vacation com Marjorie Main. Sem 
        crédito. ). Código de Guerreiro (Fort Vengeance com James Craig). 
1952 Viver é Lutar (The Ring com Gerald Mohr). Rincão das Tormentas (Cattle Town com Dennis 
         Morgan). The Fabulous Senorita com Estelita). Cantando na Chuva (Singing in the Rain com Gene 
         Kelly). 
1950 Amor Pagão (Pagan Love Song com Esther Williams).  Quando Eu Te Amei (Toast of New Orleans).
         Coom Mario Lanza. Depravadas (So Young So Bad. Como Rosita Moreno. Com Paul Henreid). 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A Grande Beleza

A Grande Beleza (La Grande Belleza) Italia, 13. Direção de Paulo Sorrentino. Com Toni Servillo, Carlo Verdone, Serena Grandi, Fanny Ardant, Sabrina Ferilli, Carlo Buccirosso, Iaia Forte, Giorgi Passotti, Isabella Ferrari.

      Favorito para o Oscar de filme estrangeiro deste ano, vencedor de melhor filme europeu, indicado para o Globo de Ouro, Independent Spirit, este é o sexto e melhor filme de um cineasta napolitano Paolo Sorrentino que até agora não é muito conhecido por aqui. Alguns podem lembrar de algum Festival com o “Il Divo”, o drama sobre um astro do rock, Sean Penn ( o interessante “Aqui é o meu Lugar”) e em breve terá feito episódio para “Rio, Eu Te Amo”. Mas só agora que conquistou seu espaço como o herdeiro de Fellini, com este filme espetacularmente belo, que é melhor descrito como uma versão 60 anos depois de “La Dolce Vita”, agora a cores e com o personagem do jornalista (feito então por Mastroianni, aqui pelo grande ator teatral  Toni Servillo, que nessa altura escreveu apenas um romance de sucesso e desperdiçou seu tempo em coisa alguma, continuando a ser o jornalista favorito dos ricos e famosos, dando festas na cobertura-terraço de seu apartamento perto do Coliseu). 

      Fellini é assumidamente a chave fundamental para penetrar no filme, o que não deixa de ser um problema já que são dez anos de sua morte e muita gente já não tem a menor idéia de quem ele seja. Ainda mais para identificar que é utilizado seu estilo narrativo, seus habituais  movimentos de câmera, marcações, figurantes bizarros, trilha musical misturando como a própria cidade de Roma o sagrado e o profano( alias as danças nas festas são um charme a parte). Na verdade, ajuda muito a embarcar no filme ter essa chave. E mergulhar num retrato contemporâneo e altamente critico –porém sutil- de uma sociedade talentosa, uma cidade linda, uma população cheia de energia  mas que se perde em banalidades. Algumas das citações porém é possível que a gente perca por falta de maior conhecimento do cotidiano romano (uma das poucas que eu descobri foi a presença de Serena Grandi, que foi uma voluptuosa estrela da teve que agora ficou uma bruxa impressionante. É ela que leva a bronca justamente quando vai tomar injeção de Botox!).   

     Talvez por causa disso, o espectador casual pode se perder diante do filme ate porque faz tempo que não se cultua mais a beleza como um fator de qualidade no cinema.A  Fotografia em filmes de arte europeus e até orientais recentes tem sido granuladas e feias.Mesmo no italiano que já teve a melhor direção de arte, a melhor fotografia, melhores figurinos, do mundo, que dava aulas para Hollywood em Cinecittá. Este filme dá sinais de que nem tudo esta perdido. Aqui, Roma volta a ficar deslumbrante, fotografada de maneira requintada e original. Como afirma Sorrentino: “Queria que as luzes de movessem com o filme. Gostava muito dessa idéia. Então ou as luzes se movem ou os personagens entram ou saem da luz o tempo todo”.

     Há naturalmente outro fator subjacente e evidente: o filme retrata a época desonrosa em que a Itália era dirigida pelo primeiro ministro Berlusconi e sua cultura do Nada, um palhaço que mais parecia um imperador daquela linha Calígula, guardadas as diferenças. Que era corrupto, superficial, adorava orgias e que finalmente acabou sendo  cassado (e para piorar dominava todos os meios de comunicação). Nessa Roma do filme é a historia de  alguém (no caso o diretor, não o personagem) que tenta encontrar algum sentido num mundo onde justamente as coisas perderam o sentido! Onde se acentuou a vulgaridade, a perde do sentido do pudor, vergonha, modéstia, discrição! 

      Não é apenas uma carta de amor à cidade eterna mas uma denuncia dos excessos da Itália atual, que propicia aos romanos uma vida muito dura, sem sentido,  cansativa e difícil.  Mas para quem estiver atento não faltam momentos de incrível beleza e simbologia (um exemplo: a menina que reclama dos pais que a forçam a trabalhar. Mas chorando vai cumprir o dever e pintar um quadro com tinta que joga numa tela branca. E que surpreendentemente resulta muito bonita e complementar !).

      O diretor dá algumas chaves para isso. Há uma citação no começo de um autor preferido de Sorrentino, Louis –Ferdinand Céline Viagem ao Fim da Noite. Que podia se resumir assim “Nossa viagem  é inteiramente imaginaria. Esta é sua força”.Depois se formam círculos como no inferno de Dante. E por fim refere-se ao Livro que Flaubert queria escrever e seria  sobre o Nada. 

      A Grande Beleza é a tentativa de louvar o belo enquanto se critica justamente a essa cultura do nada, do burro, do vulgar. Como já disse é preciso não esperar uma narrativa tradicional e  se deixar levar pelo redemoinho de imagens (que disparam após um tiro de canhão), com algumas ocasionais citações explicitas de La Dolce Vita (a visita ao palácio com velas, a sequencia com a velha freira que seria milagrosa, a visita ao cabaret de mulheres nuas, a aparição crepuscular de Fanny Ardant (como fazia Anna Magnani em Roma de Fellini alias a presença freqüente de freiras de todos tamanhos e idades, também fazem pensar no desfile de trajes eclesiásticos). E muita impressionante como imaginação e realização que nos tempos atuais talvez só um Wong Kar Wai seria capaz de concorrer (ainda em outra esfera). 

     Acho A Grande Beleza um filme fascinante e o retorno da Beleza as imagens do cinema italiano. Que seja bem vindo. Temos agora um Novo cineasta genial para conferir.

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Álbum de Família

Álbum de Família (August :Osage County). EUA, 13. Direção de John Wells. Baseado em peça de Tracy Letts. Meryl Streep, Julia Roberts, Ewan McGregor, Chris Cooper, Abigail Breslin, Benedict Cumberbatch, Juliette Lewis, Margo Martindale, Dermot Mulroney, Julianne Nicholson, Sam Shepard, Misty Upham. Cotação: tres. 121 min.

       Estreou dia 25 de dezembro nos EUA este drama que é baseada em famosa peça teatral que ganhou os conceituados prêmios Tony e Pulitzer  e já foi indicado para o Globo de Ouro de atriz (Meryl) e de atriz para Meryl ,coadjuvante para Julia Roberts (para as duas não competirem uma com a outra) e e melhor elenco (já que de trata do Sindicato dos Atores).

      Não custa recordar que tem o mesmo titulo mas nada tem a ver com peça homônima de Nelson Rodrigues  e que o escritor Letts (apesar do nome Tracy é homem) foi quem escreveu os textos filmados por William Friedkin para os interessantes Possuídos e Killer Joe- Matador de Aluguel. É ator (da serie Homeland, por sinal). Letts fez obviamente uma historia autobiográfica inspirada em sua própria família que tinha 40 minutos a mais no palco do que na tela. E eu caí na minha própria armadilha. Sempre digo que não se deve ter expectativa com os filmes, que dessa forma eles nunca são o que a gente espera!

       Isso deve ter comprometido minha visão do filme que não chega aquela lavação de roupa suja que  gosto de assistir no cinema (e teatro). Não é filme italiano, não é Nelson mas a historia de uma família do famigerado Meio Oeste americano, Oklahoma e sua principal atração é o seu notável elenco que tem um pouco de tudo. Sem duvida, traz a melhor interpretação de Julia Roberts desde Erin Brokovich (mas não significa muito porque andou fazendo filmes ruins e criando filhos, o publico tem ressentido sua decadência) e um papel de mãe monstro para Meryl Streep, que certamente não lhe dara mais um Oscar mas provavelmente outra indicação (onde continua a ser recordista).

       Esta é a historia da família Weston, Meryl é Violet, que esta sofrendo de câncer e é viciada em drogas, casada com um poeta conhecida Beverley (o dramaturgo Sam Shepard)e tem as filhas Barbara (Julia Roberts), Karen (Juliette Lewis) e Ivy (Julianne Nicholson). Violet tem uma irmã (a gorda e querida Margo Martindale), o marido dela (Chris Cooper) e o filho Pequeno Charles (interpretado pelo ator da moda, único personagem mais simpático, o Benedict Cumberbtach, o novo Sherlock Holmes da serie inglesa).  

       Quando Beverley comete suicídio, a família toda se reúne  trazendo seus problemas Barbara(Julia) esta no processo de se separar do marido (Ewan McGregor), Ivy tem um namorado secreta e pronta para deixar de cuidar da mãe e Karen chega com o noivo (Dermot Mulroney) que já se casou 3 vezes e se interessa demais pela filha de Barbara, de 14 anos (Abigail Breslin). Pronto: esta armada a confusão e  o picadeiro para o grande circo das refeições em família.   Acho que já falei ate demais, Difícil alguém não se identificar com alguns dos personagens. O filme tem um problema obvio: custa a começar e engrenar e toda sua primeira parte é lenta demais. Podia ter apresentado os personagens de maneira mais eficiente. Meryl Streep miraculosamente não super representa, aparece com cabelos curtos, que parecem ser resultado de doença e usa uma expressiva peruca negra (que por vezes a deixa como bruxa. Usando expressivamente as rugas, ela foge de clichês e tem mais uma interpretação notável. Não achei uma das melhores mas é por que o padrão ela é tão alto que fica difícil se superar. Talvez atrapalhe ser um personagem tão antipático (é viciada em drogas falta pouca para virar bruxa). Mas ela sabe de tudo e naturalmente domina o filme.

      Julia (como incomoda aquelas marcas de veias na testa) esta séria, envelhecida, antipática. Mas melhor do que costume. Alguns atores consegue ter seu grande momento de humanidade, pequenos monólogos que garantem seu brilho: Margo revelando um segredo, Chris Cooper lhe dando uma bronca. Mas alguns não correspondem, Julianne não segura o seu desabafo final e Juliette Lewis parece que esta no filme errado. Ewan McGregor resulta neutro e mesmo Benedict Cumbertbatch não convence (será que ele serve melhor para vilões? Ou tipos enigmáticos como seu Sherlock? ). Ainda assim o drama vai crescendo e chega a um crescendo convincente e forte.  

     
Parece que a peça premiada não foi montada aqui porque tinha um elenco grande demais (e sai caro, não compensa encenar).  O diretor Wells fez antes A Grande  Virada (The Company Men.10) e muitas series de teve. A produção é dos Weinstein que sempre fazem campanha pesada para o Oscar. George Clooney é um dos produtores. O ótimo argentino Gustavo Santaolalla é o autor da trilha. E mais importante, a bela fotografia é o diretor de fotografia brasileira Adriano Goldman, que fez Xingu, O Ano em que meus pais Sairam de Férias, Jane Eyre, A Condenação,  360 de Meirelles, Closed Circuit.  

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Joan Fontaine

Joan Fontaine, Saudade. 

   Ninguém na Hollywood dos anos dourados, era mais elegante, vestia melhor um vestido de época, aparentava tanta fragilidade, delicadeza quanto Joan Fontaine. Sua beleza angelical pareceu destiná-la sempre a papéis românticos.  Joan como todo mundo sabe era irmã de outra grande estrela Olivia de Havilland e sua inimizade até hoje é celebre. As duas estão vivas e apesar de idosas continuam a se odiar. Ambas nasceram em Tóquio no Japão, filhos de ingleses.  Olivia é um ano mais velha, Joan nasceu em 1917 e quando os pais se divorciaram e mudaram para os Estados Unidos. Fontaine é o sobrenome do padrasto. Olivia conseguiu fazer sucesso como atriz antes dela enquanto Joan começou muito modestamente, prejudicada por sua excessiva timidez. Como se percebe em a Rua da vaidade de George Stevens, feito em 37 ao lado de Katharine Hepburn.

      Mas aos poucos ela foi conseguindo espaço até virar estrela como Rebecca, a mulher Inesquecível de Hitchcock, em 1940. O Oscar ela ganhou no ano seguinte por Suspeita do mesmo diretor e Olivia nunca a perdoou. Nem mesmo quando conseguiu dois Oscars em sua carreira (havia a brincadeira entre elas, que Joan fazia tudo antes na vida do que Olivia, ganhou o Oscar, se casou antes e teve um filme inesquecível, Rebecca para ela, E o Vento Levou para Olivia).  Ironicamente Joan  também morreu antes. Olivia vive ate hoje em Paris, luxuosamente, viúva de um jornalista famoso que foi diretor da revista Paris Match. E sua melhor amiga é a sobrinha, filha de Joan. 

        Joan porem fez uma boa carreira até porque nunca se esforçou  demais. Apreciava o gênero romântico. Não demorou para lhe cair nas mãos, um clássico da Aventura: Gunga Din, 1939, do seu amigo George Stevens. Estrelado por Cary Grant, Victor McLaglen, Douglas Fairbanks Jr e ela como a unica mulher. Uma impecável aventura cômica baseada em um poema de Rudyard Kupling (e que foi o filme mais caro da RKO até então). Douglas Fairbanks Jr. quer largar o exército para se casar com sua jovem noiva (Joan Fontaine). Mas acabam juntando forças quando Grant é capturado por uma seita de fanáticos assassinos que cultuam a deusa Kali e são ajudados por Gunga Din, um nativo. Mesmo sem saber dançar direito foi ainda parceira de Fred Astaire em Cativa e Cativante, que tinha canções dos Irmãos Gerswhin . Isto Acima de tudo/This Above All, de quarenta e dois, de Anatole Litvak, baseado em best-seller patriótico de Eric Knight em que o soldado amargurado Tyrone Power encontra coragem nos braços de uma corajosa inglesa. Um grande sucesso da época da Guerra.

       Joan foi a figura central de um dos mais suntuosos capa espadas já produzidos pelo cinema, A Gaivota Negra/Frenchman´s Creek, de 44, de Mitchell Leisen, também um dos mais belos filmes feitos pelo processo Technicolor. Uma aventura escrita por Daphne Du Maurier, autora de Rebecca onde Joan se envolve com o pirata o mexicano Arturo de Cordoba.

       Maria Adelaide Amaral é quem gosta deste filme aqui em que  Joan vive outra bela história de amor em Paraíso Proibido/ September Affair, de 50, dirigido por William Dieterle. A história clássica do casal dado como morto num acidente de aviação e que resolve continuar vivendo junto na Itália. O tema musical é a celebre  canção September Song.

       Ocasionalmente fazia comédias como  A Conquista da Felicidade/You´ve Gotta to Stay Happy, de 48, uma comédia romantica onde ela é uma  herdeira que foge no dia do casamento no melhor estilo Aconteceu naquela noite. A direção é de HC Potter e o astro é James Stewart.

      Joan volta a ficar linda “technicolorizada” sob as ordens de Billy Wilder em A Valsa do Imperador, uma comédia vienense de 48 onde Bing Crosby tenta vender um gramofone na corte austríaca. E para conhecer uma Joan diferente, maléfica, perigosa, não perca Ivy, de 47, de Sam Wood. Um papel que antes foi oferecido a irmã Olivia , uma mulher ambiciosa que não tem problemas em usar veneno para conseguir o marido mais rico possível.

      Uma pena que no fim de carreira tenha feito apenas papeis decorativos. Em Suave é a Noite (Tender is the Night, 1962)de Henry King, adaptação do livro de F. Scott Fitzgerald, ela é a irmã sofisticada e fria da heroína Jennifer Jones, que tenta se curar com um psiquiatra na Cote D´Azur francesa. Igualmente decorativa foi sua presença em Viagem ao Fundo do Mar / Voyage to the Botttom of the Sea, 61) de Irwin Allen que daria origem a famosa serie de teve. A historia se passava num submarino, uma expedição científica vai ao Pólo Norte para tentar evitar que um cinturão de radiação que se incêndio no espaço, aqueça demais a Terra, provocando inundações. Mas à bordo há sabotadores. Joan pouco fazia mas seu nome aparecia em primeiro lugar!. 

      Seu ultimo filme de cinema seria A Face do Demonio, um terror B inglês. Mas ainda faria varias aparições para a teve a ultima em 1994, com  o desenho Good King Wenceslas, como a voz da Rainha Ludmilla.

       Faleceu em Carmel, na California, onde vive Doris Day, em 15 de dezembro aos 96 anos. 

Filmografia 

1935- Adeus Mulheres (No More Ladies).
1937- A Million to One . Rua da Vaidade (Quality Street). Parratt (sem credito). Dolorosa Renúncia (The Man Who Found Himself). A Sorte não se Compra (You Can´t Beat Love), Musica para Madame (Music for Madame). Cativa e Cativante (A Damsel in Distress).
1938- A Criadinha (Maid´s Night Out) . Penhor da Discórdia (Blond Cheat ). Dominando os Ares (Sky Giant). O Duque de West Point (The Duke of West Point ).
1939- Gunga Din (Idem). A  Grande Conquista (Man of Conquest). As Mulheres (The Women).
1940- Rebecca, A Mulher Inesquecível (Rebecca).
1941- Suspeita (Suspicion).
1942- Isto Acima de Tudo (This Above All).
1943- De Amor também se Morre (The Constant Nymph). Jane Eyre (Idem).
1944 Gaivota Negra (Frenchman´s Creek).
1945- Os Amores de Suzana (The Affairs of Suzan) .
1946 Esse Encanto Irresistível (From this Day Forward).
1947-Ivy,a  Historia de uma Mulher (Ivy).
1948- Carta de uma Desconhecida (Letter from a Unknown Woman) Valsa do Imperador (The Emperor´s Waltz). A Conquista da Felicidade (You Gotta Stay Happy). Amei um Assassino (Kiss the Blood off my Hands).
1950- Paraiso Proibido (September Affair). Alma sem Pudor (Born to be Bad).
1951- A Mulher que não pecou ( Darling, How Could You!).
1952- Na Voragem do Vicio (Something to Live For).  Othello (Idem, sem crédito). Ivanhoé, o Vingador do Rei (Ivanhoe).
1953 Deliciosas Noites de Amor ( Decameron Nights). Os Mistérios de Marrocos (Flight to Tangier). O Bígamo (The Bigamist). As Grande Noites de Casanova ( Casanova ´s Big Night).
1956 Serenata (Serenade). Suplicio de uma Alma (Beynond a Reasonable Doubt).
1957 Ilha nos Trópicos ( Island in the Sun) .
1957 Famintas de Amor (Until they sail).
1958- Um Certo Sorriso ( A Certain Smile).
1961The Light That Failed (TV Movie) Viagem ao Fundo do Mar (Journey to the Bottom  of the Sea).
1962-Suave é a Noite(Tender is the Night).
1966- A Face do Demônio (The Witches).
1978-The Users(TV).
1986-  Dark Mansions (TV).Crossings (TV. Minissérie).

Os Melhores do ano 2013

Os Melhores do ano 2013

por Rubens Ewald Filho

       Todos os anos que fico com a impressão de que os filmes estão piorando, cada vez mais infantis,  mais superficiais. Aí vem a temporada do Oscar e dá uma melhorada. Para logo depois baixar o mau humor. Por isso é bom fazer a lista dos melhores do ano, mesmo tendo que deixar para a ultima hora (ainda há filmes que não pude ver e que podem merecer estar aqui como o japonês Pais e Filhos). De qualquer forma teve muitas decepções mas também alguns filmes que me deram alegria e prazer.

     Vamos aos melhores do ano, como sempre por ordem de estrangeiros e nacionais. E outra para os piores.  

Melhores

1- Amor (Amour de Michael Haneke)- Franco-alemão. Barra pesada. Enquanto a população do mundo vai envelhecendo parece lógico que se produzam filmes que no ensinem a encarar  a morte de frente, como inevitável. E a eutanásia como gesto de amor. Este foi feito com toda dignidade, nenhum sentimentalismo fazendo ressurgir dois grandes atores Jean-Louis Trintignant (que foi injustiçado) e Emmanuelle Riva.

2-  Gravidade (Gravity) de Alfonso Cuáron. Faz anos, praticamente desde sua estréia, que estamos esperando o grande filme que este diretor mexicano apadrinhado por Spielberg prometia fazer. É besteira dizer que é melhor que 2001, de Kubrick, sem o qual este nem existiria. Mas é um pequeno e brilhante exercício em tecnologia, envolvente, forte, tudo na medida certa. Por enquanto me parece o filme mais forte para enfrentar o favorito  12 anos como escravo.

3- A Grande Beleza de Paulo Sorrentino. O melhor filme italiano que assisti  nos últimos anos. Uma homenagem a La Dolce Vita de Fellini como se o herói fosse o jornalista de Marcello Mastroianni, só que agora velho e decadente, desfilando pela sociedade romana dos tempos de Silvio Berlusconi. Excelente fotografia, direção de arte, tudo realizado como se fosse o próprio Fellini.  Mas nem todo mundo embarca nele.

4- Anna Karenina de Joe Wright. O diretor era já meu preferido desde que vi Atonement, /Desejo e Reparação, 2007. Com a mesma atriz Keira Knightley, ela recria a historia de Leon Tolstoi, situando tudo dentro de um antigo teatro (mas o resultado não é nada teatral, ao contrario de enorme beleza). Mas me contam os amigos de locadoras que tem sido rejeitado pelo publico feminino a quem é endereçado.

5- Django Livre (Djando Unchained)-Tarantino apronta e acerta em cheio, fazendo um faroeste (há anos fora de moda) homenageando o spaghetti western mas ao mesmo tempo denunciando os abusos da escravidão. Prevendo que o tema entraria em moda agora.

6-  Blue Jasmine de Woody Allen como velho fã do hoje já  velho diretor  que nos surpreende por estar tão em forma e conseguir seu primeiro sucesso de publico e critica com um drama. Vagamente sugerido por Um Bonde chamado Desejo, tem a melhor atriz do ano Cate Blanchett. Numa esplendida e perfeita interpretação.

7- A Vida Secreta de Walter Mitty (The Secret Life of Walter Mitty) de Ben Stiller. Bela e talentosa refilmagem de um antigo êxito de Danny Kaye, O Homem de 8 Vidas, dos anos 40 a quem surpreendentemente Stiller deu classe, belíssimo visual e um delicado tom de romance e humor. A surpresa do ano.  

8- A Caça (The Hunt/Jagten) Dinamarca, 12).Direção de Thomas Vinterberg. . Com Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen. Revelado em 1998, durante o lançamento do Dogma dinamarquês, Thomas Vinterberg ficou famoso por causa de Festa em Família, possivelmente o melhor filme dele e de todo o movimento. Valeu a espera porque Thomas acerta agora quando se reúne justamente com o astro mais famoso de sua terra  (Cassino Royale). Modesto mas bem calibrado thriller policial que deu a Madds  premio de melhor ator em  Cannes . Inspirado em fatos reais. O professor do jardim da  infância, Lucas  tem problemas quando uma de suas alunas bem pequenas  Klara  tem uma paixonite por ele. O final que parece inesperado e ajuda a dar respeito ao bom filme.Esta entre os finalistas do Oscar de filme estrangeiro deste ano.

9- Indomável Sonhadora/Beasts of the Southern Wild). EUA, 12. Direção de Behn Zeitlin. Premiado em Sundance, feito na região de New Orleans ,é um poema com uma incrível menina revelação .Foi indicado a 4 Oscars mas não ganhou nenhum. Parece que o diretor é filho de judeus brasileiros.

10 – O Lado bom da Vida ( Silver Lining Playbooks ,12 ). Este ano Russell concorre ao Oscar por Trapaceiros, basicamente com o mesmo elenco e senso de humor. Mas foi um prazer encontrar aqui Jennifer Lawrence  (Oscar de atriz) cheia de vitalidade, num filme diferente e criativo.

11- Critica de O Azul é a Cor mais Quente (La Vie d´ Adéle ) Direção de Abdellatif Kechiche.Com Léa Seydoux, Adèle Exarchopoulos.  Apesar do júri deste ano do Festival de Cannes ter tido Steven Spielberg como presidente, o filme vencedor da Palma de Ouro do Festival foi esta produção franco-belga-espanhola, que se tornou  famosa por causa de suas cenas de sexo lésbico, quase explicito (são longas, duram de 6 a nove minutos). Por causa das três horas de projeção parece difícil  de assistir. Mas acaba nos envolvendo . O diretor tunisiano Abdellatif Kechiche tem um estilo particular,  mas descobriu uma moça talentosa chamada Adele 

12- Pedalando com Moliére (Alceste à Byciclette). Direção e roteiro de Philippe LeGuay. 104 min. Com Lambert Wilson, Fabrice Luchini, Maya Sansa. Certamente como quase todo filme francês, este não é para todo o publico. Mas quem com eu, que admiro a cultura francesa, adoro Molière, sou encantado com historias sobre grandes atores e suas idiossincrasias, curto historias passadas em lugares tranqüilos e exóticos (no caso, Ile de Ré, Charmante Maritime) vai curtir este grande trabalho de  Fabrice Luchini). Um Requinte

13- Um Castelo na Itália (Um Château in Italie) França, 13. Direção de Valeria Bruno Tedeschi. Com Valeria, Louis Garrel, Filippo Timi,  Marisa Bruno Tedeschi , Xavier Beauvois,  Silvio Orlando. Comédia francesa autobiográfica feita pela irmã da ex primeira dama da França, -Carla Bruni.  Escrito por três mulheres, o filme tem um humor especial, meio negro, totalmente original, muito criativo. Ao menos foge do lugar comum, com romance inusitados, situações de constrangimento e resoluções inesperadas. E achei uma idéia especial Valeria escalar como a sua mãe na historia, sua mãe verdadeira (ainda que escondida por outro sobrenome, extremamente convincente, com jeito de gente de verdade, não atriz). Outra diversão sofisticada.

14- Frozen, uma Aventura Congelante – Não foi um grande ano em termos de animação (embora o publico continua prestigiando continuações como Aviões,  Universidade Monstros,  Meu Malvado Favorito 2,    o decepcionante Smurfs 2, o bem  interessante Tá Chovendo Hamburger 2). Diante de tudo isso, não é difícil classificar como melhor do ano no gênero, esta produção Disney  que vem na tradição do estúdio de princesas. E desta vez não apenas uma mas duas princesas Congelantes . Construído como  um musical tem humor ,é envolvente e bem realizado.

15 – Rush- no Limite – É um bom e eficiente filme baseado em fatos reais, dirigido pelo competente Ron Howard. Mas foi muito mal de bilheteria aqui e como era esperado nos EUA (onde não se da bola a Formula I). Fiquei chocado porque demonstra que cada vez menos as pessoas tem memória. Um fato acontecido nos anos 70 hoje não interessa mais. Que mesmo com os elogios totais da critica, muito raro num filme comercial, não funcionou . Agora o alemão Daniel Brul tem sido indicado como ator para o SAG e Globo de Ouro alias merecidamente por sua performance como Nikki Lauda. E mais uma menção

16- Os Suspeitos (Prisioners) EUA/Canadá, 13 . Direção de Denis Villeneuve. Com Hugh Jackman, Viola Davis, Jake Gyllenhaal, Maria Bello, Terrence Howard, Melissa Leo, Paul Dano. Impliquei com o final meio obscuro e  a longa metragem mas admirei muito a direção de um canadense que havia se revelado com  Incêndios (2010)  que virou Cult quando foi indicado ao Oscar de produção estrangeira. Seu trabalho é exemplar e original.

17- Antes da Meia Noite ( (Before Midnight ). EUA, 13.Direção de Richard Linklater.Com  Julie Delpy, Ethan Hawke. Sempre gostei da trilogia mas também fiquei impressionado com  o êxito de critica e de certo tipo de publico que aprecia  os personagens e a maneira singular que é narrado seu romance. Ficaram famosos graças ao Home Video e tevês por assinatura que lhe agraciaram um novo publico, principalmente o feminino que se identificou com a historia de um casal em três tempos. O primeiro foi Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995), depois Antes do Por do Sol (Before Sunset, 2004). E como nos filmes anteriores, nada é improvisado na hora.  Do jeito que estão evoluindo, a sensação é que outros capítulos serão bem vindos.

18- Hannah Arendt (Idem). Mesmo o cinema europeu já não sabe estabelecer polemicas como antigamente. Por isso fez sucesso este drama alemão da veterana Margarethe Von Trotta, que se reuniu novamente com a reconhecida Barbara Sukowa como a filosofa Hannah,  que escreveu artigo sobre o nazista Eichman que desagradou os judeus. Talvez um pouco árido mas de vez em quando é bom ter filmes de idéias.

Melhores Nacionais

Foram mais de 110 estréias brasileiras este ano e nada que nos deixe especialmente orgulhoso. (pior filme do ano será excepcionalmente um nacional, vejam depois).

       Tenho achado que o melhor cinema do momento vem hoje de Recife, já que Pernambuco tem uma ótima política de financiamento de produção cinematográfica e um grupo de realizadores muito ativos e bem humorados. Eles fazem filmes difíceis, junto com outros sociais, ou inovadores. Que passam do O Som ao nosso Redor, que foi o nosso indicado ao Oscar de estrangeiro (não foi classificado), mas é um filme original e muito interessante, sobre a nova vida urbana da cidade. Foi realizado por um critico (ex- segundo ele diz, mas duvido que alguém deixe de ser!) chamado Kleber Mendonça Filho. Outro filme pernambucano legal é Tatuagem, estréia na direção de Hilton Lacerda, roteirista habitual dos filmes locais. 

       Sem nos preocuparmos com classificação, também destacaria Hoje de Tatá Amaral, prosseguindo no seu estilo de rodar em ambientes fechados (no caso um antigo apartamento)  e grandes interpretações (a ótima Denise Fraga, melhor do ano). Ainda destacaria Flores Raras, o melhor filme de Bruno Barreto em muitos anos, uma historia de amor lésbico com duas grandes atrizes (Gloria Pires e a australiana Miranda Otto) feito com delicadeza e sensibilidade. O melhor e mais bem sucedido documentário foi O Dia que durou  21 anos, de Camilo Tavares, dando comprovação as especulações que falavam da participação nos EUA no golpe de 64. Gostei também de Serra Pelada, de Heitor Dahlia, uma super produção muito bem feita mas que deveria ter ido muito melhor de publico (alias também deveria ter tido maior repercussão internacional). Será que só querem mesmo comédias?

        Esses filmes sérios acabam não tendo grande publico. Como sempre sucedeu por aqui , o brasileiro quer ir ao cinema,  mas vai assistir comédias. Foi assim na época da Chanchada da Atlantida, depois na Porno Chanchada e agora com o que foi apelidado de Globo Chanchada. Nada tenho contra, ao contrario eu gosto e defendo comédia. Como tudo na vida porém tem as horríveis (como foi o caso já comentado do Crô). As fracas (várias), as mal sucedidas, aquelas que a gente gosta mas que o publico não embarcou (Vendo ou Alugo, que era muito divertido mas não pegou) e as melhorzinhas, que neste ano foram Minha mãe é uma Peça de Andre Pellenz. Baseado em peça teatral  de Paulo Gustavo. Com Paulo Gustavo, Suely Franco, Alexandra Richter, Ingrid Guimarães, Rodrigo Pandolfo. Melhor do que a montagem teatral,  Paulo Gustavo é um homem que esta fazendo uma mulher, ou seja em travesti . Não sei qual dos  envolvidos foi o responsável mas alguém teve a habilidade muito grande de transpor o que era um monologo muito carioca numa comédia que cresce muito da metade para o fim e termina gloriosamente mostrando cenas de uma mãe de verdade. O unico risco  é que estao aproveitando e abusando demais do ator Paulo Gustavo.  Cuidado que eles usam e abusam e depois jogam fora!  O outro que eu achei legal foi  Meu Passado me Condena: O filme, feita pela muito jovem e talentosa Julia Rezende. Com Fabio Porchat, Miá Mello, Marcelo Valle. Nunca assisti a série de teve mas é divertido e bem feitinho esta comédia para o humorista Fabio Porchat, num cruzeiro de navio . O Importante é que conseguiram lhe dar estrutura e dosar o humor de forma inteligente, sem apelar demais. O Porchat é outro que sofre o risco de superexposição.

Ref fim.                  

Decepções

       Este ano houve de todos os tipos, as que fracassaram nas bilheterias (considerando que os estúdios estão produzindo cada vez menos!) e as simplesmente muito fracas. O que francamente mais me irritou foi Homem de Aço, que foi o apelido que apareceu por aqui o novo Superman. O sujeito é bonitão mas como disse coloque um estatua dele no jardim porque fora disso não serve para nada. Ele e Ben Affleck de Batman vai ser uma tristeza.

        Eu continuo gostando de Jogos Vorazes que era bom na primeira edição e ficou ainda melhor (ate cheguei a rever) no segundo capitulo Em Chamas. Jennifer é um achado, bonita, boa atriz, uma mulherona notável. Mas o que mais me espantou foi a quantidade de vezes que inventaram livros em serie que pretendiam ser novo Crepúsculo  e não emplacaram.Foi o caso do desperdício de Dezesseis Luas  ( Beautiful Creatures) , A Hospedeira (The Host, não achei tão abominável mas fiquei impressionado com a quantidade de vezes que apareceu em lista de piores), Os Instrumentos Mortais   Cidade dos Ossos. E também o Percy Jackson II, imitação de Harry Potter que não deve emplacar um Terceiro (enquanto O Jogo do Exterminador não chegará nem ao II capitulo!). Todos com produção caras e suponho que imensa pesquisa antes de rodar o filme para ver se eles agradavam ao publico alvo. Credo, porque erram tanto? 

     Porque Kick Ass 2 é tão violento, tão grosseiro e sem graça? Porque Coppola insiste em destruir sua reputação realizando fitinhas B desprezíveis como agora com Virginia! E a filha faz uma Hosana à futilidade (com Bling Ring!) O Grande Gatsby

      Precisava  O Grande Gatsby ser tão exagerado, tão artificial!? E quando vão aprender a não escalar a chatinha da Carey Mulligan? Que equivoco horroroso de Paul Thomas Anderson em fazer O Mestre um filme oco sobre o Cientologia quando acabou em denunciar coisa alguma?  Não adianta insistir:  Os Miseráveis fez a besteira do século em obrigar os atores a cantarem ao vivo, no tom errado! Coitado do Hugh Jackman! Mas tanto fizeram lobby para o Tom Hanks ser indicado ao Oscar (repararam nas cenas onde foi torturado e depois com a médica, excessivamente longas para o publico sair dizendo: Puxa, ele é bom mesmo! Indicação inevitável ao Oscar.

Blockbusters do ano.

      Não foi um ano ruim para blockbusters mas parece que eles perderam o fôlego no meio do caminho Estava certo em  celebrar Homem de Ferro 3 que estourou em toda parte graças a orientação de Robert Downey Jr (os fãs reclamaram da melhor coisa do filme justamente a interpretação de Ben Kingsley como o vilão). Também foi espetacular e delirante o Sexto Capitulo De Velozes e Furiosos, que vai perder fôlego justamente pela morte triste do bom moço  Paul Walker. E vibrei com o talvez melhor filme de toda a serie de Star Trek, Além da Escuridão.Também tive boa vontade com o  Circulo de Fogo por causa da presença do Guillermo del Toro. Acho incrível que tenham aprovado dois filmes com a mesma historia, como foi o caso de O Ataque e Invasão a Casa Branca (o primeiro a chegar e menos ruim que o outro). Wolverine foi o pior da série!Pelo amor de Deus desistam de fazer mais outro G .I. Joe! Tom Cruise tem que melhorar seus roteiros, Oblivion era bem feito mas impossível. Ele não resiste outra fase ruim como a de que esta saindo. Mas quem quebrou a cara mesmo foi seu amigo Will Smith, nem tanto pelo roteiro idiota de Depois da Terra mas por ter criado um filho mal humorado, chato e pretensioso! Nada tenho contra Oz, nem James Franco. Mais fraco era João e Maria e João o Caçador. O que nos leva aos piores do ano.

 Piores do ano

     Crô – o Filme- Costumo evitar falar mal de cinema brasileiro. Mas aqui é um caso de bom senso, de cidadania e principalmente de vergonha na cara. Esta é uma abominação que transpôs o personagem para o cinema, perdido numa trama dramática, com um elenco inferior... Tudo se pode perdoar menos sua falta de graça . Ainda que nos EUA por muito menos se boicotou o Jogo do Exterminador.  

      Amor Pleno (To the Wonder) Direção de Terrence Malick. Com  Ben Affleck, Olga Kurylenko, Rachel MacAdams, Javier Bardem.  Antigamente o diretor Malick tinha o hábito de levar longos intervalos, até de muitos anos, entre um filme e outro. Desta vez, após a Palma de Ouro em Cannes por A Árvore da Vida (11), apresentou em Veneza em 2012 este outro trabalho misterioso na mesma linha, mas com menos impacto. Resultado: fracasso de  bilheteria  Cometeu o erro que pode ser fatal, de deixar o espectador pensar que como na fabula, o rei está nu! Se você achou A Arvore entediante e difícil de seguir, espere para conhecer este filme amador e caseiro, que nem ao menos tentar fazer maior sentido.

       Se beber não Case III –Só mesmo quando se tem continuações que da para perceber como ficam ridículos certos titulos posteriormente  com numerais ! Mas aqui errou-se feio fugindo da formula e escapando da pornô chanchada que lhe garantiu o êxito.  Bem feito.

       Carrie, a estranha (Novo)- Já se perdeu a conta da insistência em se refilmar os clássicos de terror dos anos 70-80 e sempre fracassando. Ainda mais quando era uma obra prima como de De Palma.

        Gente Grande 2- É difícil imaginar uma comédia pior, mais sem graça, mais patética do que esta continuação do Gente Grande de 2010 de Adam Sandler. O primeiro não era muito ruim, tinha um elenco simpático e numeroso  E incrível, mas  o filme simplesmente não tem historia, passa-se num único dia, quando todos os amigos já de meia idade se mudaram para uma cidade do interior. Basta mencionar a cena de abertura.  Adam acorda e ao seu lado no quarto esta um alce que assustado irá urinar em seu rosto! Que cena clássica! Que horror!

       R.I.P.D. –Agentes do Além  (R.I.P.D.). Direção de Robert Schwentke.Com Jeff Bridges, Ryan Reynolds, Kevin Bacon, Mary-Louise Parker. Custou 130 milhões de dólares e tem sido constantemente considerado o pior filme da temporada,a começar pelo titulo ainda mais indecifrável para o estrangeiro (R.I.P. seria Rest in Peace, Descanse em Paz, que é normalmente usado para obituários e o D. seria de Divisão). Então o filme se trata de uma historia que se passa na  Divisão Policial que caça os bandidos mortos, no que é uma mistura de Caça Fantasmas com Homens de Preto. Só que sem graça.

        O Casamento do (The Big Wedding).Direção de Justin Zackham. Com Robert De Niro, Katherine Heigl, Diane Keaton, Susan Sarandon, Amanda Seyfried, Robin Williams. Espetacular fracasso  apesar do elenco de estrelas.  Já houve inúmeros filmes sobre casamentos, vários deles ilustres  mas poucos tão incompetentes e nada engraçados com este.  

        Conselheiro do Crime ((The Counselor). Direção de Ridley Scott. Com Michael Fassbender, Javier Bardem, Penelope Cruz, Brad Pitt, Cameron Diaz .Que triste  fim  do grande  Ridley Scott (Blade Runner, Thelma e Louise, Alien- O Oitavo Passageiro). Parte grande da culpa é do roteirista  porque Scott capricha no visual e as mulheres  estão muito bem tratadas, a mexicana Penelope Cruz e Cameron Diaz.Mas o estranho é que Ridley apesar disso perdeu a mão. As cenas não tem tensão, nem ritmo desejado, tudo é previsível  e frustrante

        Jackass apresenta Vôvô Encrenqueiro (Jackass presents Bad GrandPa) Direção de  Jeff  Tremaine. Com Johnny Knoxville, o menino Jackson Nicoll. Menos grosso do que outros da serie de pegadinhas vindas da teve é também muito pouco divertido. Zombar da velhice é um insulto, sempre pouco não sabem fazer . Uma droga.

         Eu e Você de Bertolucci ( (Io e Te) Direção de Bernardo Bertolucci. Com Jacopo Olmo Antinori, Tea Falco.Fiquei profundamente decepcionado com este filme pequeno que marcou a volta ao cinema de um dos maiores diretores do cinema europeu de sua geração, o lendário Bertolucci que  deixou sua marca com clássicos ousados como O Ultimo Tango em Paris.Passou nove anos afastado também com problemas de saúde. Sofreu uma queda que machucou suas costas e o obriga a andar de cadeira de rodas.Este projeto é interpretado por desconhecidos e praticamente todo feito num único ambiente fechado, um porão . O que teria se passado com Bertolucci para ter um filme com atores  tão mal dirigidos, uma fotografia escura e uma trama que aponta para varias direções e não pega nenhuma.

Ref fim.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Questão de Tempo

Questão de Tempo/About Time. Ingl, 13. Direção e roteiro de Richard Curtis. Com Donhall Gleeson, Rachel McAdams, Bill Nighy, Lydia Wilson, Lindsay Duncan, Tom Hollander. 123 min.

      Tenho sido grande admirador do roteirista e diretor britânico Richard Curtis, que escreveu os roteiros da serie Mr. Bean,  Quatro Casamentos e um Funeral, O diário de Bridget Jones e O II No Limite da Razão, Um Lugar Chamado Notting Hill, Cavalo de Guerra,  e como diretor-roteirista fez o Cult natalino Simplesmente Amor,  o médio Os Piratas do Rock e agora este filme sobre “família” como ele gosta de afirmar.  Que infelizmente não pegou nos Estados Unidos (não passou dos 15 milhões de dólares). Talvez porque sem a menor necessidade teve cotação R (proibindo teens) e que alguns tenham feito confusão já que Rachel McAdams fez há pouco tempo outro filme de viagem no tempo (que foi o Te Amarei para Sempre/The Time Traveler´s Wife, 09).Sem esquecer que também esteve em Meia Noite em Paris.  O papel originalmente iria ser feito por Zoey Deschanel, que era muito mais adequada.

     Embora seja charmoso, o filme tem algo que ainda não entendi bem porque não funciona como devia.Talvez seja a figura esdrúxula do protagonista- que é filho do excelente Brenda Gleeson- mas tem um tipo bizarro mais adequado para hobitt do que herói romântico. Acho outro erro colocar com a namoradinha dele que a principio  o rejeita, uma loira belíssima e que é muito melhor que a heroína  (não a conhecia, Margot Robbie que esta em Lobo de Wall Street). Outra que deixa boa lembrança é Lydia Wilson, que faz a irmã instável.

      O Fato é que Curtis não estava inspirado. Fez uma comédia em 3 atos, caprichando nas confusões e o desajeitadamente do herói a principio (curioso: ninguém envelhece no filme!!!). Mas estica demais ao final ao ter que lidar com morte e o máximo que consegue são piadinhas mais ou menos engraçadinhas. A Historia: Aos 21 anos, Tim Lake descobre que sua família tem um dom especial, tratado como naturalidade por seu pai (Bill Nighy). Eles podem viajar no tempo.  Mas não podem mudar a História mas pode tentar tornar o mundo um lugar melhor (para eles) realizando seu sonho de conseguir uma namorada. Só que isso é bem mais difícil do que ele pensava. Encontra Mary (Rachel), se apaixonam mas depois se perdem, tem que se encontrar outras vezes (e o filme Feitiço do tempo já contou isso de forma melhor). Tim usa então seu poder para criar uma proposta romântica e salvar a situação. Outra vez é completamente desperdiçado o fato de que ela é americana e teria outros costumes, ainda mais com os pais deles que logo somem...

Não conseguem tornar um filme memorável, mas a fotografia é bonita o papel de Rachel é muito fraco , não devia mesmo tê-lo aceitado. O galã ruivo é indigesto e o resultado acaba sendo o pior trabalho do diretor.  Um fracasso justificado.
Ref 

O Jogo do Exterminador

O Jogo do Exterminador.  Ender´s Game EUA, 13. Direção de Gavin Hood. Com Harrison Ford, Asa Butterfield, Hailee Steinfield, Abigail Breslin, Viola Davis, Ben Kingsley, Aramis Knight.

      Há muito anos que se falava na adaptação para o cinema do livro de ficção científica de 1985 que foi escrito por Orson Scott Card (que escreveu um monte de vídeo-games) que é mórmon e que inclusive morou no Brasil alguns anos como missionário. O livro mais que Cult tinha porém um problema. Era caro (custou 110 milhões de dólares) e há alguns anos atrás falou muito mal dos gays, que em represália e sempre unidos resolveram boicotar o filme. Dito e feito. Já que americano é muito organizadinho. E o filme rendeu apenas 60 milhões , o que significa que não teremos uma continuação. 

      Não acho que foi só por isso. Não fez dinheiro porque não é nenhuma maravilha mas dizia uma amiga, não é de assistir correndo nem de jogar fora. Tem um elenco de qualidade embora eu achasse que eles estavam bastante constrangidos com aquelas roupas e apetrechos. Em particular Harrison Ford, que envelheceu muito mal, ficou com cara daquilo que exatamente é, um velho azedo, mal humorado e azedo. O herói é aquele garoto de olhos vivos que trabalhou com Scorsese em A  Invenção de Hugo Cabret e o Menino do Pijama Listrado. E esta cercado por duas meninas estrelinhas de sua idade, a chata de Haille Stenfield (de Bravura Indômita) e  Abigail Breslin (Little Miss Sunshine).

      A Terra do Futuro foi atacada e quase destruída por uma raça de ETS chamada  os Formics, determinados a destruir a Humanidade.  70 anos depois os que restaram se uniram para enfrentar um novo ataque que promete ser apocalíptico. Mas os responsáveis pela defesa do planeta chegam a conclusão que os melhores pilotos de defesa seriam os adolescentes, muito jovens . E Dentre, já se sabe desde o começo o que tem mais chance é um certo Ender Wiggin , um rapaz calado mas brilhante, que parece ser o rei do vídeo game. Claro que tem bullying entre os colegas, e todos os clichês de filme de treinamento militar. Dizem  mesmo que os fuzileiros navais americanos  recomendou o filme para seus oficiais, dizendo que ele traz lições  em treinamento, metodologia e ética. 

       Na verdade, tudo é razoável, as cenas de luta e efeitos especiais, a direção sem brilho (do sul africano Hood que levou Oscar por Infância Roubada). Mas o filme resultou  banal, sem senso de humor, sem tensão, uma fantasia futurística que se leva a serio demais. Difícil de gostar, fácil de esquecer. 

Ref fim.

A Vida Secreta de Walter Mitty

A Vida Secreta de Walter Mitty; The Secret Life of Walter Mitty. EUA, 13. Direção de Ben Stiller. Com Ben Stiller, Sean Penn, Kristen Wiig, Adam Scott, Shirley Mac Laine, Olafur Olafsson, Kathryn Hann. Fox. 114 min.

     Fazia tempo que eu não sai do cinema, ainda mais em um filme comercial americano, tão feliz e emocionado. Também surpreso porque não imaginava que o astro e comediante Ben Stiller demonstrasse tanto talento como realizador já que os filmes anteriores dele não justificavam essa esperança. Ele aqui foi procurar um filme favorito dele que era do produtor Samuel Goldwyn (que não por acaso  produziu este remake). Na época foi sucesso como O Homem de Oito Vidas/The Secret Life of Walter Mitty, 48, estrelado por Danny Kaye (Natal Branco), um comediante ruivo e exagerado, famoso por falar rápido e parecer sempre exagerado.  Por sua vez a historia era inspirada em famoso conto de James Thurber ( 1894-1961), que teve sua vida filmada  em 72, como Guerra entre Homens e Mulheres com Jack Lemmon onde essa obra virava desenho animado (ao menos num trecho). 

      O problema com o original é que se repete demais, é sempre a historia de um homem tímido e desajeitado que na vida real faz tudo errado. No caso ele trabalhava numa editora de livros baratos, pulp fiction e isso o influenciava porque ele se imaginava em perigosas aventuras, sempre salvando a mocinha (que era Virginia Mayo). O roteiro de Steve Conrad (À Procura da Felicidade,  O Sol de Cada Manhã) usa isso como ponto de partida mas depois de três sequencias rápidas nesse tom (uma delas homenageando Hancock) logo pega outro caminho, não vou entrar muito nisso. Mas é uma excelente solução. Assim como é ótima idéia situar a ação nos bastidores da revista Life, famosa por seu foto jornalismo e tornar Mitty o preservador dos negativos e contatos (Provas de fotos), homem de confiança do maior fotografo do mundo(agradável mas curta aparição de Sean Penn).Só Life vai acabar (como sucedeu) e virar apenas revista on life (coisas dos dias que correm) e chegou o cara antipático que vai fechar tudo e mandar as pessoas embora. E Walter sumiu com o negativo da foto que ele quer para a capa da ultima edição.  Como fazer para recupera-la?

      Há também o suave romance com uma garota do escritório a surpreendentemente muito doce  Kristin Wiig e também a registrar a aparição discreta e humana de Shirley MacLaine, muito envelhecida  mas sempre eficiente . Não é a toa que este filme foi selecionada para o rigorosíssimo Festival de Nova York  onde foi muito bem recebido.

      Tudo nele deu certo, a belíssima trilha musical (a gente sai impressionado com a canção que esta tocando), a excepcional fotografia,  a direção precisa e sem nenhum exagerado comum em comediantes.  Sem esquecer as cenas no Himalaia, na Islândia,  de tirar o fôlego. 

      Talvez o ritmo pudesse ser mais intenso, a trama podia começar mais cedo mas para que? Embarquei inteiramente neste filme belíssimo e divertido. 

Ref fim.

Uma Estranha Amizade

Uma Estranha Amizade (Starlet) EUA, 12. Direção de Sean Baker. 103 min.  Com Dree Hemingway, Besedka Johnson,Stella Maeve, Boone, Sheri Vecchio,Robert  Malmuth, James Ramsone.

      São tantas as estréias que a tendência é não prestar atenção em certos filmes pequenos que podem ter qualidades. 

      É o caso desta produção independente de um certo Sean Baker, que tem alguma reputação por fazer filmes realistas, quase semidocumentários, que me parece não foram exibidos comercialmente aqui (como Taken Out, 04, Prince of Broadway, 08). Este aqui teve muita repercussão ganhando o Independent Spirit de elenco (indicado também como direção), a atriz como revelação em Hampton, premio dos jovens em Locarno, critica de Reykjavik.

      O estilo do diretor é aquele que esta começando a me irritar, deixa a câmera perseguir os atores, captando as conversas e os momentos mortos, sem qualquer dialogo preparado ou maior profundidade. Por isso mesmo dependente muito da escolha dos atores, começando pelo próprio cachorro de estimação da heroína (que é o cachorro do próprio diretor do filme, Boone, e que é apelidada de Starlet). Quem faz a protagonista é Dree Hemingway, bisneta sim do escritor e filha da famosa Mariel Hemingway e do diretor Stephen Crisman. Fiquei surpreso no meio do filme quando aos cinquenta e poucos minutos se revela que a moça é atriz de filmes pornográficos e fica-se na duvida se ela participou mesmo das cenas explicitas de sexo que aparecem ou foi usado uma dublê. 

      De qualquer Dree é uma loirinha aguada, de nariz comprido e com total falta de expressão. Começa o filme mostrando-a morando com um casal de amigos que vivem se drogando e tentando montar o apartamento comprando coisas em yard Sales (vendas em quintais caseiros) até quando encontra dentro de um garrafa de água quente um montão de dinheiro que uma velha escondeu e não lembra mais. Intrigada se aproxima dessa mal humorada e relutante senhora, de quem eventualmente irá ficar amiga. Há esta o ponto mais comovente do filme, já que essa velha é feita por uma certa  Besedka Johnson que sempre sonhou em ser atriz e logo depois morreu aos 87 anos! Era astróloga antes disso e saber do fato torna o filme mais interessante e comovente. Há para quem gosta pontinhas de porn star verdadeiras. 
Ref fim.

Eu e Você

Eu e Você (Io e Te) Direção de Bernardo Bertolucci. Itália, 12. 103 min. Com Jacopo Olmo Antinori, Tea Falco, Sonia Bergamasco,Veronica Lazar.

     Fiquei profundamente decepcionado com este filme pequeno que marcou a volta ao cinema de um dos maiores diretores do cinema europeu de sua geração, o lendário Bertolucci que ganhou inúmeros Oscars por O Ultimo Imperador mas deixou sua marca com clássicos ousados como O Ultimo Tango em Paris, O Conformista ou La Luna. Mesmo nos mais recentes, mas ainda interessantes Beleza Roubada e Os Sonhadores (o filme anterior justamente que foi de 2003, ou seja ele passou nove anos afastado também com problemas de saúde. Sofreu uma queda que machucou suas costas e o obriga a andar de cadeira de rodas. Todos imaginavam que ele não voltasse a dirigir ).

      De qualquer forma eu tive dificuldades para justificar este projeto, interpretado por desconhecidos e praticamente todo feito num único ambiente fechado, um porão (Isso não quer dizer muito já que Assédio, de 98, se passava numa única casa velha de Roma e resultou numa obra –prima). O que teria se passado com Bertolucci para ter um filme com atores  tão mal dirigidos, uma fotografia escura e uma trama que aponta para varias direções e não pega nenhuma.

     Para começar é baseado num romance (de Niccoló Ammaniti) que foi adaptado pelo autor e como é costume na Itália, três outros, Bertolucci, Umberto Contarello e Francesca Marciano. O elenco central traz um garoto estreante e nada fotogênico que não justifica sua presença. Um equivoco que ajuda a abalar o filme.Foi a revista inglesa famoso Foi a famosa revista inglesa Sight and Sound que disse que o filme parece apenas um exercicio em claustrophobia (ou claustrophilia, como chamou o diretor) A historia é sobre um garoto adolescente e sua meia- irmã mais velha que passam uma semana juntos, acampados no porão da casa da família. (Já houve outra adaptação do mesmo autor por Gabriele Salvatores, que foi Eu não tenho Medo, de 03) e que termina em tons religiosos (aqui Bertolucci não chega a tanto mas ao menos deu um final mais feliz do que no livro). Varias vezes ele brinca com a possibilidade de incesto mas não tem a coragem de ir até o fim. Mas deixa isso mais na cabeça do espectador do que na tela (Lorenzo de 14 anos e Olivia de 25 se gostam e dormem perto um do outro mas só isso). Outra dica já tinha ocorrido num restaurante onde Lorenzo estava com a mãe Arianna e levantava questões embaraçosas sobre o tema.

     Mas para quem já foi o grande provocador e estilista do cinema é muito pouco. Não dá para escondermos a decepção.

Ref fim.

Somos o que Somos

Somos o que Somos (We Are What We Are). EUA, 12. Direção de  Jim Mickles. Com Michael Parks, Bill Sage, Kelly McNichols ,Julia Garner, Ambyr Childers, Kassie Wesley DePaiva.

      Não assisti a versão original Mexicana que passou aqui com o mesmo nome (com a diferença é que no México o titulo tinha outro significado já que se referia também a uma campanha local de auto-orgulho!). Mas foi feita por Jorge Michel Grau e contava basicamente a mesma historia (mas era o pai que morria no começo e não a mãe, tudo ficava por conta das crianças). O mesmo roteiro serve de base mas foi muito modificado pelo diretor Mickles (Stake Land, amanhecer violento, 10, Mulberry Street Infecção em Nova York, 06). Não me parece que para melhor porque aqui tudo tem qualidade: a fotografia é boa, a produção parece cuidada e ate o elenco tem nomes famosos de antigamente (Parks faz um policial, ele foi o Adão de A Biblia de John Huston e voltou com Tarantino, Kelly McGillis foi a heroína de Top Gun). Mas o filme não chega a provocar qualquer susto, surpresa ou mesmo horror. 

       Começa no meio de uma tempestade quando vemos uma mulher morrer de alguma doença esquisita. Seu marido informa as crianças, um menino pequeno ainda (a melhor cena é quando ele começa a chupar um dedo de Kelly e depois o morde, dando a dica que já tínhamos percebido, eles são todos canibais). Assim as duas garotas loirinhas terão que assumir a alimentação da casa, ou seja matar e descarnar os visitantes, geralmente garotas jovens. O resumo fala que a chuva ameaça revelar a verdade mas não é bem isso que acontece. Dali em diante, vamos acompanhando o comportamento anormal da família, que são cristãos devotos mas o filme não sabe explorar direito os outros possíveis pecados (como incesto) limitando-se a algumas visitas ao porão onde há ainda prisioneiros/vitimas. Como nenhum personagem é bem desenvolvido, o espectador simplesmente não se envolve ou se interessa. E o final mais ou menos inesperado também não acrescenta muito. 

Ref fim.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Um Estranho no Lago

Um Estranho no Lago (L´Inconnu Du Lac). França, 13.  Direção e roteiro de Alain Guiraudie. 100 min. Com Pierre Deladonchamps, Christophe Paou, Patrick D´Assumpção,Jérome Chappate, Mathieu Vervisch.

       Este foi um dos poucos filmes que causaram sensação no ultimo Festival de Cannes, onde foi apresentado na sessão paralela Un Certain Regard, onde levou os prêmios de direção e melhor filme gay. Não chega nem a ser novidade misturar uma trama policial com cenas de sexo explicito. Ainda assim alguma coisa no filme,talvez sua franqueza despudorada, a realidade com que expõe o comportamento de trocas sexuais e paqueras ou simplesmente o tratamento serio que o diretor dá a narrativa (que bem a moda francesa é lenta, arrastada, passa-se unicamente numa única locação -  um lago durante o verão, sendo que em vez de areia, tem aqueles pedregulhos das praias francesas que machucam as costas e tirariam todo o prazer de ser nudista!) . E para o meu gosto, ainda por cima tem um final aberto (ou quase).

       Esse lago é frequentado por gays, que se banham nus e aproveitam o mato em volta (parte da praia apenas é escondida , em outra é utilizada por pessoas comuns) para os encontros sexuais e casuais. O herói Franck (feito por  Pierre que tem pelo menos dez créditos com ator) vai lá em busca de sexo, mas não tem problemas em fazer amizade com um homem hetero e mais velho (Patrick), que terminou com a namorada mas que acabara se interessando por ele, mesmo sem ter esperanças, quase que viram amigos. O filme vai devagar e mais ou menos no meio, Franck encontra o homem de seus sonhos, o bonitão Michel (Paou, que tem 21 créditos) que já tem um companheiro. Fica perambulando pelo mato (não sei o que faria por lá quando escurece) e no lusco-fusco do anoitecer testemunha quando Michel sem muita explicação, afoga o namorado. E sai belo e formoso como se nada tivesse acontecido.

          Quando dias depois é encontro o corpo, isso naturalmente atrai a policia mas Franck em vez de fugir  de Michel, sente-se ainda mais atraído, passando a ter momentos de sexo e por fim se apaixonando. E até reclamando quando o outro não quer prosseguir a relação fora daquele ambiente. O filme é isso, cria um certo clima  mas não chega a ser um suspense. As cenas explicitas são frequentes mas não exageradas (naturalmente isso vai variar de espectador para espectador e o grau de familiaridade que tem com o gênero) e por vezes me pareceram simuladas. Não sei dizer se nunca houve outro filme igual ou simplesmente não os conheci. Mas pela reação da sessão de imprensa eu fui dos poucos que não me choquei nem gostei especialmente.

Ref fim.

O Hobbit : A Desolação de Smaug

O Hobbit : A Desolação de Smaug The Hobbit: The Desolation of Smaug. Nova  Zelândia EUA, 13. Direção de Peter Jackson.161 min. Com Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage,  James Nesbitt, Stephen Fry, Orlando Bloom, Evangeline Lily, Lee Pace, Benedict Cumberbatch (voz do Smaug), Luke Evans, Ken Stott, Aidan Turner. Warner/New Line/MGM 

     O Primeiro filme do Hobbit era legal mas pouco mais que isso, parecia esticado (e não vi ainda a versão com 16 minutos que esta saindo agora em Home Video). Mas este capitulo do meio é tudo aquilo que se esperava de uma série que impôs um padrão de qualidade no gênero difícil de superar.

      Ele começa com um piscar de olhos para a platéia mostrando um close de Peter Jackson, o próprio diretor/produtor saindo de uma casa. E já começa a aventura que não vai parar mais, ao contrario muita coisa vai ficar em suspenso para ser resolvida apenas no próximo capitulo (não quero dar detalhes mas nenhuma trama principal é solucionada, quase como em O Império Contra Ataca). É verdade que tem tanta ação que teve momentos que me faltou fôlego e me perguntei, não será excessivo? Não em violência felizmente, que esta na medida adequada. Mas são enormes e longas batalhas (e mais o clímax com o tão esperado dragão que leva a voz do Cumberbatch ), varias delas  eletrizantes e o suficiente para me deixar com vontade de assistir de novo (suspeito que alguns detalhes faltam ser  observados).

      Desta vez, Martin Freeman (Bilbo) desaparece de vez em quando (embora já esteja sob a influencia do anel que lhe serve para se tornar invisível quando as aranhas atacam!) e mesmo Ian McKellen (Gandalf) é tirado de cena por um longo período. Há muita ação com os Orcs mas o episódio mais interessante talvez seja justamente com os elfos arqueiros que  a principio não são nada amigáveis aprisionando o que chamam de anões. Todo mundo já leu a respeito de que no texto original havia poucos personagens femininos e os adaptadores, Jackson e sua mulher, resolveram inventar uma mulher elfo chamada Tauriel e que é interpretada por Evangeline Lily, revelação da serie de teve Lost. Ela briga bastante com seu superior (Orlando Bloom maquiado para ficar melhor do que na vida real e outros filmes embora eu aprecie mais Lee Pace, de Pushing Daisies como o rei Thranduil). Ainda assim, meio sem explicação a moça fica desatinada quando conhece a cara de bicho (isso é elogio) de Kili (Aidan Turner), e por amor fará tudo para salva-lo de um envenenamento (que por sinal custa a fazer efeito). 

      Na hora final, os heróis pegam carona num barco cheio de peixe conduzido pelo capitão Luke Evans (Girion) e vão parar no reino de Laketown onde Stephen Fry é o líder. Dali partem para o luta com o dragão... Como já disse, achei tudo tecnicamente brilhante e ao contrario do primeiro filme mergulhei nas imagens, na exemplar direção de arte e agora já aguardo com ansiedade o próximo e suponho ultimo capitulo previsto para o ano que vem. Ainda.
ref fim

A Musica Nunca Parou

A Musica Nunca Parou (The Music Never Stopped) EUA, 13. Direção de Jim Kohlberg. Roteiro de Gwyn Lurie, Gary Marks. 105 min. Drama. Com Lou Taylor Pucci,  J. K. Simmons, Julia Ormond, Scott Adsit, Cara Seymour, James Urbaniak. Europa. 

       Estreia na direção de um produtor (Trumbo, Marcas de um Passado) contando uma historia real e ate interessante. Mas nos tempos que correm, de festas natalinas, com um elenco quase desconhecido fica difícil convencer alguém a entrar numa sala para se envolver em algo tão bem intencionado e tão antiquado. 

        Tudo é meio fora de moda na historia de um pai (o conhecido Simmons, que certamente você recorda a cara mas não sabia o nome) que gosta muito de musica popular e criou seu filho dessa forma. Mas o rapaz viveu anos fora e ao retornar esta sofrendo de uma doença no cérebro, são tumores talvez não malignos mas que ao serem retirados provocam ausência de memória. Uma professora (a inglês Ormond) é quem traz a sugestão de fazer renascer o rapaz (o também veterano Pucci, mas também ainda não conhecido aqui por filmes como Toda Forma de Amor, A Morte do Demônio). Usando a musica. Ainda que seja a musica que o rapaz gostava, naturalmente rock (eles vão a um concerto do Grateful Dead). O resto claro que é previsível e sentimental, com o aproximamento de pai e filho, um final para chorar. 

      Achei o filme correto e num dia em casa, vendo teve certa muita gente terá prazer em se divertir com suas boas intenções. Mas temo que não exista mais publico que vá a salas para conferi-lo.

Ref fim  

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Um Corpo que Cai

Um Corpo que Cai. Blu Ray (Vertigo, EUA, 1958). Suspense. Na Edição Alfred Hitchcock a Obra-prima (Masterpiece). Universal (originalmente Paramount).128 min. Cor. Vistavision. Roteiro de Alec Coppel, Samuel Taylor baseado em livro D´entre les Morts, de Pierre Boileau e Thomas Narcejac. Música de Bernard Hermann. Fotografia de Robert Burks. Direção de arte de Hal Pereira e Henry Burnstead. Com James Stewart, Kim Novak, Barbara Bel Geddes, Tom Helmore, Henry Jones, Ellen Corby, Lee Patrick.  

        Sinopse: Um policial passa a sofrer de acrofobia, medo das alturas quando quase morre ao ficar dependurado numa calha (e um colega morre em seu lugar). Mesmo assim é contratado por um milionário que pede que siga a esposa que está se comportando de maneira estranha,  aparentemente dominada pelo espírito de uma mulher já morta. O detetive se envolve com a cliente, mas não pode salvá-la quando esta se joga de uma torre. Tempos depois, encontra uma garota parecida e tenta transformá-la na mulher que amou e perdeu.

        Bastidores: Embora tivesse sido recebido com restrições em sua estréia- foi indicado apenas ao Oscar de direção de arte  e som  e esqueceram absurdamente  a trilha musical, embora tenham premiado em 2012 a de O Artista eu usava parte importante desta trilha dizendo que era homenagem e citação!). Mas  acabou virando o favorito da crítica dentro da obra do diretor (em parte porque durante 20 anos Hitchcock não permitiu que ele fosse reapresentado). E estranhamente foi escolhido pelos críticos de todo o mundo reunidos pela revista inglesa Sight & Sound, também em 2012 como o melhor filme de todos os tempos superando o anterior Cidadão Kane! 

        Eu o assisti ainda criança e desde logo adorei o resultado também em parte porque era encantado por Kim Novak, paixão esta que nunca passou mesmo agora quando ela é octogenária ainda a acho linda e misteriosa (só recentemente ela passou a confessar que o filme é seu preferido e Hitchcock também virou seu diretor preferido, porque o personagem que fez tem dentro de si muitas facetas, assim como ela própria que se assumiu bi-polar!).Não foi porém o que me disse quando conversei com ela em Berlim (num momento inesquecível) quando preferia o ex-namorado Richard Quine e rejeitava George Sidney. De qualquer forma, naquele momento Kim  era a maior estrela de Hollywood e infelizmente não fez outro filme da mesma qualidade, se afastando cedo demais (em parte porque precisava de um diretor forte como Hitch para conduzi-la, em parte porque acabou o sistema de estúdios e não se deu bem como free lancer).

        Enfim, depois daquela exibição original do filme Um Corpo que Cai nunca mais passou no Brasil e acabou virando um mito e me lembro muito bem que o Silvio de Abreu, via Carlos Manga conseguiu dos Estados Unidos uma cópia de colecionador em formato Scope (não havia na época os conceitos de widescreen ou de pirata). Que a gente via com admiração diante das ousadias estilísticas e narrativas do diretor, que fugia completamente do normal, inclusive na ausência de um final feliz (até hoje o considero um pouco abrupto e até confuso). Quando criança não acreditava que pudesse terminar daquela maneira. Na estreia assustou os críticos americanos (sempre tontos e prontos a fazerem besteira, tendo custado 2 milhões 479 mil dólares e rendido bruto 5 Milhões e 300 mil dólares) que reclamaram que James Stewart era velho demais para o papel e tinha o dobro da idade de Kim, uma besteira que hoje não incomoda (mesmo porque ela não parece jovem demais, tem idade indefinida já  que todo o filme tem uma estrutura onírica). Também me lembro que Stewart esteve no Rio para apresentar a Reprise dos filmes que Hitchcock havia escondido e participei da entrevista com ele (naturalmente muito simpático e afável como todos, já o conhecia também de Cannes e “Musica e Lágrimas”). Hitchock tinha um contrato com a Paramount que fazia com que os direitos de seus filmes para o estúdio revertessem para ele depois de certo tempo e assim ele os negociou com a Universal (porque ele era também um grande acionista dela e foi onde ficou trabalhando em seus últimos anos). Dessa forma, os direitos foram para sua única filha Patricia (Pat) Hitchcock (1928- ainda viva) com quem também tive uma informativa entrevista (ela participou como atriz, alias boa, em papeis quase humorísticos, de vários trabalhos do pai). Foi assim que voltamos a ter acesso a este filme junto com os outros raros (O Terceiro Tiro, Janela Indiscreta, O Homem que Sabia Demais, Festim Diabolico que era da MGM).

       Vertigo (Vertigem, literalmente) foi também um dos filmes mais imitados e homenageados de todos os tempos principalmente na obra do hoje decadente Brian De Palma que o recriou várias vezes ( em Vestida para Matar, Estranha Obsessão, Doublê de Corpo ).
O papel central foi planejado para a descoberta de Hitch, Vera Miles (com quem este fez O Homem Errado e mais tarde Psicose).  Ela chegou a fazer os testes de guarda-roupa ,pousou para o quadro que aparece na historia mas a filmagem foi atrasada (inclusive porque Hitch foi operado) quando chegou a hora, ela anunciou que estava grávida e não podia fazer o filme. Este nunca a perdoou por ter perdido sua chance (Vera era casada na época com Gordon Scott, o halterofilista e Tarzan). A atriz ainda viva há muitos anos não se deixa fotografar.

       Foi assim que  Kim Novak estrela maior da Columbia e que realmente queria ser uma atriz de verdade mas Hitch não gostava de conversas. Como todo mundo sabe, ele preparava antes tudo minuciosamente e nunca olhava pela câmera, porque já sabia tudo o que havia previsto, as filmagens inclusive o entediavam. E nunca se enganava, já que tinha permanecido meses fazendo os story-boards e cuidando dos detalhes. Quando Kim pedia explicações ou a motivação para tal cena, ele dizia “é apenas um filme, interprete” (estava na moda na época ele comparar os atores como gado). Enfim, nunca gostou de Kim e nunca a ajudou. Ele já tinha feito antes vários trabalhos com James Stewart – na verdade, o quarto - mas este foi o ultimo, talvez porque tivesse ouvido os críticos que o acharam velho (se foi isso, burrice dele). Correm lendas sobre a crueldade que ele teria tratado a atriz obrigando-a pular várias vezes na água do estúdio, que passava pela Baia de San Francisco. Mas isto não se fala aqui nesta edição. As locações foram em duas missões famosas na região da Califórnia, Mission Dolores e  San Juan Bautista (sendo que não existia a Torre que foi construída em estúdio para as cenas importantes que foram feitas lá, em parte inclusive em maquete/miniatura). A ponta do diretor é aos 11 minutos,  muito rápida,  passando rapidamente carregando a caixa de um instrumento  por uma loja onde Jimmy entra, bem no começo da trama. Um Corpo que Cai não é propriamente um suspense no sentido tradicional da palavra. A irônica que este omais celebrado de Hitchcock, o mestre do suspense, é uma história de obsessão, amor , traição e falsa identidade.A trama policial e mesmo a espiritualista são meras pistas falsas, para tornarem mais intrigantes as reviravoltas de um amor proibido. O clima inusitado já começa com os letreiros de apresentação do mestre Saul Bass, que procuram mergulhar o espectador num turbilhão de vertigens, já que o protagonista nunca está em controle da situação. Embora seja um policial honesto, fica intrigado quando acredita que a mulher que está espionando poderia estar possuída  pelo espírito de uma outra, uma certa Carlota, cujo retrato está num museu e que teria ficado louca. Comete o erro de se apaixonar por essa mulher e quando esta morre, aparentemente por sua culpa, se jogando de um Torre ( ele é incapaz de mesmo subir os degraus para ir salvá-la), isso só acentua a gravidade de sua neurose e culpa . Ao mesmo tempo, o faz desconfiar de que há algo errado, quando encontra uma garota muito parecida com a falecida. Só que com outro jeito, cabelos e roupas diferentes. E não resiste a tentação de aos poucos transformá-la na outra. Mesmo que as consequências sejam trágicas, com o risco de perdê-la novamente. Embora haja elementos de “thriller” e mesmo policial, o que realmente importa é a história de amor e justamente deve ser por causa disso que o filme manteve seu impacto. É um filme de sonho, de obsessão, de fantasia (varias cenas foram rodadas com um pano na frente da lente para lhe dar a impressão de que foram feitos com a nevoa de San Francisco). Na verdade, em todos os filmes de Hitch existem menos experiências técnicas por vezes atrevidíssimas. Elas persistem aqui mas com outra intenção, a de acentuar o clima de amor arrebatador (a sensação de vertigem presente  no começo e depois em todo o filme e principalmente o beijo do casal a beira do mar explodindo nas rochas). Tudo conduzido de forma brilhante através da trilha musical de Bernard Hermann, que praticamente fornece o tom e o ritmo da narrativa. O filme tem alguns problemas não solucionados (a maquiagem de Kim , em particular as sobrancelhas que ficaram pesadas demais, a cena final que é precipitada demais, faltaram alguns planos ali que deixassem mais patentes a ação e reação que provoca o desfecho). Mas o filme é tão absorvente e atormentado como um pesadelo, que numa revisão em Blu Ray (naturalmente de boa qualidade já que foi feita a partir da restauração original que levou dois anos e rodado com película usada no Vistavision) que emoldura a beleza inacreditável de Kim (mesmo um pouco gordinha para os padrões atuais, seria por essa razão que Hitch dizia que a mulher dela Alma não gostava do filme, o que é desmentido aqui) e a empatia de Jimmy Stewart. Importante: praticamente todos os interiores foram recriados em estúdios e houve apenas 16 dias de filmagem em locação. 

        Foi inspirado no livro Francês , “D’Entre les Morts” (Among The Dead/Dentre os Mortos foi o titulo de rodagem, de Pierre Boileau e Thomas Narcejac, os mesmos autores de “As Diabólicas”. Reza a lenda que eles teriam escrito especialmente para Hitch que havia tentado comprar os direitos daquele outro clássico e não conseguido. O roteiro passou por três mãos, primeiro o poeta  Maxwell Anderson (segundo o coprodutor Herbert Coleman não fazia sentido, depois Alex Coppel (só esta creditado por causa de contrato) e finalmente do dramaturgo Samuel Taylor, conhecido como autor de Sabrina (mas também de Papai Playboy, O Amor, Eterno Amor, Avanti, Promessa ao Amanhecer, Topázio,  Mais uma vez Adeus, Três em um Sofá e Melodia Imortal. Não se pode esquecer que Hitch participava de todo roteiro que filmava sem crédito, assim como sua mulher Alma Revill que raramente também era creditada mas era a pessoa que ele ouvia e respeitava. Era quase uma co-autora de tudo que ele fez.    

       Os extras desta edição datam de 2008 e já sairam antes em  semelhante antes em vídeo) e incluem o documentário Making-of de 29 minutos, Obsessed with Vertigo, New Life for the Film (produzido pelo canal AMC, narrado por Roddy McDowall,  fala da restauração, a filmagem pelo processo Vistavision). Há um outro featurette raro sobre um final alternativo. Acontece que este foi o único filme de Hitch em que o criminoso não é capturado ate porque ele na trama não tem maior importância. Mas em alguns países havia problema com a censura local e ele muito a contragosto fez um final alternativo com James Stewart chegando na casa da namorada Barbara Bel Geddes que esta ouvindo o radio que diz que o bandido foi capturado. Ele entra se senta no sofá e ela sem trocar palavra vai lhe levar uma bebida e The End. Traz ainda trailer original dos cinemas, os arquivos da filmagem de quase uma hora com detalhes técnicos), um comentário em áudio com o diretor de O Exorcista William Friedkin  e o extra mais interessante e que dura uma hora ao todo, falando dos Partners in Crime, os melhores colaboradores que Hitch tinha 1)Saul Bass,1920-96 o gênio que revolucionou os títulos de apresentação e por tabela toda o design gráfico do cinema. O de Um Corpo que Cai é considerado dos melhores assim como a cena do chuveiro de Psicose que ele planejou (mas não realizou). 2) A figurinista  Edith Head  1897-1981 que trabalhou na Paramount e Universal e fez 11 trabalhos com ele. Campeã de Oscars, ela trabalhou com Hitch para dar ao personagem de Madeleine um tom meio fantasmagórico, por exemplo, usando um conjunto cinza, cor que não cai bem para loiras. Ou o casaco branco com lenço preto. Sua carreira, sua habilidade para atender os pedidos dos diretores é muito bem explicado aqui assim como o fato dela ter se tornado uma lenda na categoria. 3)o compositor Bernard Herrmann (1911-75) é outra lenda, famoso por sua parceria também com Welles em Cidadão Kane, (no mesmo ano ganhou o Oscar mas por outro filme All the Money Can Buy/O Homem que Vendeu a Alma e por sua passagem pela Fox (onde escreveu a trilha de As neves de Kilimanjaro, O Dia em que a Terra Parou, Jardim do Pecado .Também famoso por ter composto o tema de Taxi Driver para Scorsese e morrido naquela Noite. Trabalhou com frequência com Hitch (Intriga Internacional, Psicose, Marnie, O Homem Errado, O Homem que Sabia Demais,O Terceiro Tiro. Os Pássaros não tem trilha musical somente efeitos eletrônicos mas ele assina como consultor musical). Porém cedendo as pressões do estúdio Hitch recusou a trilha para Cortina Rasgada- queriam algo mais pop e assim terminaram a parceria, lamentavelmente. Um Corpo que Cai existe e funciona por causa da trilha sinfônica (que teria sido inspirada em Tristão e Isolda de Wagner, que é também sobre obsessão romântica). Há por exemplo uma sequencia inteira de vinte minutos em que James segue Kim sem diálogos apenas conduzida pela musica! Ele era mesmo o maestro que enriqueceu o suspense e também o injustiçado. 4) Alma Reville (1899-1982) é vivida por Helen Mirren no recente filme Hitchcock (2012) e tem sido inclusive indicada para prêmios por isso. Já falamos dela aqui mas os depoimentos confirmam que Hitchcock era apaixonado por ela em mais de 60 anos de união. Começou no cinema ate antes dele e sempre esteve junto dando palpite e aprovando tudo (ou não). Era a entidade por trás do criador.

        Trivias notáveis: o cameramen sem crédito no filme Irmin Roberts inventou o famoso "zoom out e track in" shot (também chamado de "contra-zoom" ou "trombone shot") para dar impressão de vertigem na plateia.  Ainda hoje em San Francisco você pode contratar tours que o levam nas principais locações do filme como o The Empire Hotel que é agora o  Hotel Vertigo (em  940 Sutter St.  No coração de San Francisco). O quarto  Room 501, ainda se parece com o filme. O exterior do apto esta localizado em 1000 Mason St., diante do  Fairmont Hotel. Foi o artista John Ferren que planejou a sequencia de Pesadelo e tambem pintou o Retrato de Carlotta. Nas pesquisas do American Film Institute o filme se saiu bem ficou em primeiro lugar dentre os filmes de mistério e suspense, seu pôster foi em terceiro (dentre os melhores posters de todos os tempos) e ficou em nono lugar dentre todos os filmes.  Não é verdade o boato que Kim Novak teria dublado a voz da freira no final. Hithcock mudou a ação do livro de Paris para San Francisco e também a conclusão, já que o herói do livro estrangulava a misteriosa mulher. 

       Será que Um Corpo que Cai merece seu titulo de melhor filme de todos os tempos? Acho irônico porque no fundo é um premio para esse diretor digamos comercial, que procurou a publicidade e a fama justamente para poder continuar fazendo seus experimentos. Um dos poucos cujo nome e função era conhecida do publico. Eu gosto pessoalmente mais dele do que de Cidadão Kane mas não acho que tenham a mesma importância histórica ou na linguagem do cinema.

         Ref fim