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quinta-feira, 4 de outubro de 2018
Uma Noite de 12 Anos (La Noche de 12 años)
Uma Noite de 12 Anos (La Noche de 12 años)
Uruguai, 2018.
Em 1973, o Uruguai foi governado por uma ditadura militar. Numa Noite de outono, 3 tupamaros são aprisionados e levados para a cadeia numa operação militar secreta. Nada será possível de se registrar ou falar com ou sobre eles. A ordem é precisa e exigente: como não podemos matá-los, vamos então levá-los à loucura. Os três homens serão obrigados a ficarem por 12 anos inteiramente solitárias. Esta é a história desde filme triste e difícil do diretor Álvaro Brechner. Uma história séria e bem produzida, o Uruguai é um país muito pequeno com poucos recursos e menos ainda dinheiro para financiar produções caras, ainda por cima revelando tramas perigosas contra o governo ditatorial.
No elenco, Antonio de La Torre, Chino Darin (filho do ator mais famoso no momento na Argentina, Ricardo Darin), Alfonso Tort, Cesar Troncoso (apesar de suai latinidade ele é hoje o mais famoso ator latino, tendo participado de novelas e filmes brasileiros, muitas vezes premiado), Soledado Villamil (também cantora e celebre atriz dramática), Silvia Cruz, Mirella Pascal, Nidia Telles. O diretor e roteirista Alvaro Brechner uruguaio mas que vive em Madrid, fez antes em 2009 “Bad Day to Go Fishing” e em 2014’s “Mr. Kaplan,” ambos uruguaios e indicados para o Oscar. Um fato curioso, Jose Pepe Mujica, um dos prisioneiros, ficou confinado por 12 anos, mas ainda assim chegou a ser presidente do Uruguai. Por isso o diretor classifica o filme como a história de sobrevivência e um thriller existencial. Um elogio ao espírito humano num filme que levou quatro anos em produção. Muito elogiado pela crítica estrangeira, tenham em conta que é um filme difícil e dramático, não mera diversão.
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
As Herdeiras
As Herdeiras (Las Herederas)
Paraguai, Brasil, Uruguai, Alemanha, Noruega, França, 2018. 1h38min. Direção e roteiro de Marcelo Martinessi. Com Ana Brun, Margarita Irun, Ana Ivanova, Regina Duarte, Nilda Gonzalez, Maria Martins, Alicia Guerra.
Este foi o filme mais premiado do recente Festival de Gramado, onde foi vencedor como melhor roteiro, atriz (empate entre Ana Bruno, Ana Ivanona, Margarita Irun), melhor filme do júri popular, melhor direção. Um evento especial que inclui também a presença da nossa estrela Regina Duarte. Além disso, é bastante raro conseguirmos ver um filme Paraguaio com tanto êxito e repercussão. Conta basicamente a história de duas mulheres, Chela e Chiquita, que vieram de famílias ricas de Assunção, que são parceiras há mais de 30 anos. Mas com o passar do tempo a situação econômica vai piorando. E elas começam a vender tudo que possuem. Até que Chiquita vai presa por fraude e elas são obrigadas a enfrentar a realidade. A saída é servir de chofer de taxi para um grupo de outras senhoras de idade e com bastante dinheiro. Vai se virando, mas é uma mulher mais jovem (Chela) que irá ajudá-la a melhorar de situação. Um filme modesto e humano, indicado em especial as mulheres de certa idade, que tem sido um sucesso em todo o mundo (na verdade existe um público para esse tipo de projeto) até porque é muito fácil simpatizar com as atrizes e a humanidade das situações. Modesto mas sensível, é um dos raros filmes atuais que merecem serem vistos e admirados.
quinta-feira, 12 de abril de 2018
Severina
Severina
Brasil, Uruguai, 2017. 1h43min. Direção de Felipe Hirsch. Roteiro de Florian Zeller, baseado num livro de Rodrigo Rey Rosa Preto e branco. Com Javier Drolas, Carla Quevedo, Alejando, Alejandro Awada, Alfredo Castro.
Classificado como comédia romântica, é bom avisar que não se trata de uma desvairada chanchada que poderia fazer fortunas nas salas de cinema. Este é um daqueles filmes que é preciso que existam. Uma história passada basicamente no Uruguai, Montevidéo, que foi realizada por um artista, ocasional diretor, que fez muitas experiências na companhia Ultralíricos, ou seja veio do teatro e fez antes um primeiro filme pouco conhecido chamado Insolação, 09, mais curioso que bem sucedido que chegou a passar no Festival de Veneza. Também fez experiências para o Frankfurter Buchmesse, onde foi Convidado de Honra, com um quebra cabeça em teratologia. Em 2016, estendeu o Projeto com Tragédia e Comédia Latino Americana. Este Severina vem a ser segundo filme com elenco de diversos países. Ele participou do Festival de Locarno, e teve menção do júri noutro Festival, o de Milan African Film Festival de 2018.
O resumo oficial ajuda a entender. É sobre um escritor melancólico que aspira ao sucesso, que fica intrigado com sua nova musa, uma moça que rouba livros de sua loja. Depois descobre que ela faz o mesmo em outras livrarias também e isso o deixa consumido pelo ciúme. Começa então a viver numa espécie de delírio entre ficção e realidade, mas quanto mais se aproxima dela, mais indescritível ela vem a ser. Por que será que ela rouba? Quem é homem mais velho que vive com ela? Será esta história real ou apócrifa? Será que os dois vão ficar juntos?
Não deixa de ser antiquado, mas interessante o fato de que a história se passa numa livraria a maneira antiga, hoje tão próximo de acabarem. E será que histórias de comédia românticas não ficaram fora de moda? Falado em espanhol, nem por isso deixa de ser um filme brasileiro, que não evita a nostalgia de um tempo que esta se acabando. Nos Festivais internacionais de que participou, Hirsch conseguiu conquistar um público que aprecia ainda esse tipo de romantismo melancólico (dividido em prólogo, capítulos etc.) ainda com referencia a Nouvelle Vague, citações de Jorge Luis Borges e ainda por cima dedicado ao falecido cineasta, Hector Babenco, que como o filme tem dupla nacionalidade, argentino e brasileiro.
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