Mostrando postagens com marcador Holanda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Holanda. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Os Iniciados (The Wound/Inxidoa)


Os Iniciados (The Wound/Inxidoa)
França, Alemanha, África do Sul, Holanda, 2017. 1h28min. Direção de John Trengove. Com Nakhane Touré, Bongile Mantsai, Niza Jay.

Este é um dos melhores filmes de temática homossexual que assisti nos últimos anos. Um drama diferente que nos revela toda uma cultura para nós desconhecida, feito com muita delicadeza e franqueza, humano, sério, trágico e tocante.

Foi exibido em Sundance e Berlim, mas premiado em vários Festivais. African American Film Critics Association, Valencia (filme e ator), Cartago, Durban (ator e filme), Frameline San Francisco, LA Outfest, LsGaiCineMad Madrid (roteiro), London (filme), Mumbi (grande prêmio do júri), Queer Lisboa Ifilme), Sarasota (filme), Taipei (diretor), Torino (diretor), World Cinema Amsterdam (filme).

Não conhecia o diretor John Trengove que fez antes muitas series de teve e curtas, e surpreendentemente este é seu longa de estreia. Levou também o prêmio de melhor filme de estreante do importante BFI London Film Festival. Dá para entender o porquê. E chegou a ser indicado para representar a África do Sul neste atual Oscar. Segundo o IMDB, e reproduzo o que está no site, ele vive entre Johannesburg e São Paulo, onde mora com seu companheiro brasileiro o conhecido e respeitado diretor Marco Dutra (Trabalhar Cansa, Quando eu Era Vivo, O Silencio do Céu, As Boas Maneiras).

A julgar por este trabalho e por eu também ser amigo de Dutra, embora não conheça este diretor, respeitei muito esse seu trabalho original, mexendo com tabus africanos, mas particularmente a tradição do Xhosa ou Ukwaluka de realizar operações com os jovens para cortar parte de seu pênis para que ele possa emergir para adulto. Uma forma mais antiga do que a circuncisão que ocorre numa região de montanha, por jovens que ainda acreditam nesse rito, mas nada é explicitado (parece que é o caso de todos os envolvidos, mas o protagonista é cantor e ator profissional no país). O problema é que o herói é homossexual e há muito tempo que mantém uma ligação com um colega mais velho, casado e com filhos e que agora deseja se livrar dele. Outros desconfiam da história deles.
Foi para mim um filme surpreendente que eu também recomendo pela garra e originalidade.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Heli


Heli [México/França/Alemanha/Holanda, 2013] de Amat Escalante. Drama. Com Armando Espitia, Andrea Vergara, Linda González. 105 min.

    Não conhecia o diretor Escalante, de origem mexicana mas nascido na Espanha, a não ser pela sua polemica vitória como melhor diretor por este filme no Festival de Cannes. Muita gente achou exagero ainda mais se considerando que é um filme modesto, de poucas palavras, duro, frio, violento mas não em excesso. E que no fundo não conta nada de novo. 

     Heli é um rapaz que já tem um bebe com sua namorada e vive com a irmã mais novo,  Estela que tem 12 anos mas está apaixonada e fazendo sexo com r um jovem cadete. Só que ele desvia pacotes de drogas para que eles possam fugir e se casar. Por causa disso, todos serão vitimas da violência.

      Este foi o filme indicado pelo México para concorrer ao Oscar de produção estrangeira mas não emplacou. Acho que porque simplesmente não é excepcional e deve ter sido premiado apenas porque Spielberg nunca deve ter visto algo semelhante antes. Mas esse tipo de historia é já tradicional no cinema latino e em qualquer Festival. Novamente é aquele estilo de perseguir atores com a câmera, ou então entrar numa camionete e caminhar pelo deserto, entremeado de diferentes formas de violência (morte de cachorro, tortura com crianças jogando videogame, enforcamentos, tortura etc). Só que a realidade desta vez é ainda mais crua e cruel do que a ficção.

Ref fim.  

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Alabama Monroe

Alabama Monroe ( The Broken Circle Breakdown) Bélgica/Holanda, 13. 112 min .Direção de Felix van Groeningen. Roteiro de Carl Joos, van Groeningen, basedo na peça "The Broken Circle Breakdown Featuring the Cover-Ups of Alabama," por  Johan Heldenbergh, Mieke Dobbels. Com Veerle Baetens, Johan Heldenbergh, Nell Cattrysse, Geert Van Rampelberg, Nils De Caster, Robby Cleiren, Bert Huysentruyt, Jan Bijvoet.

      Este filme é a indicação oficial da  Bélgica para o Oscar de produção estrangeira deste ano, foi bem recebida em Berlim (ganhou o premio do publico do Panorama) e ganhou os prêmios da Competição Oficial e do Publico no Festival de Quebec. Não é exatamente uma historia nova, já houve vários outros filmes semelhantes até com a mesma situação: um casal que enfrenta a situação trágica de verem sua filha pequena (e adorável) sofrer a lenta agonia da morte pela leucemia. A diferença é que o diretor Felix van Groeningen (em seu quinto longa mas o primeiro que vemos comercialmente aqui) com a ajuda do roteirista Carl Joos dissolveu o melodrama numa sucessão de números musicais (o casal começa se apaixonando, ela com o corpo todo coberto de tatuagens e depois de juntos, passam a cantar num conjunto de musica Blue Grass, o caipira norte-americano) e numa narrativa um pouco caótica, sucedendo presente e passado de forma por vezes surpreendente. Ajudado por uma bela fotografia e dois excelentes atores, em particular a Veerle Baetens (por este filme foi a melhor atriz no Festival de Tribbeca) supera os clichês e emociona. O que explica o fato de ter sido um grande sucesso em sua terra natal.   E ao contrário das produções americanas não tem problemas com nudez. Ou cenas de sexo. Parece que o roteiro foi inspirado numa peça teatral concebida pelo ator Johan Heldenbergh (que foi um dos astros de “The Misfortunates” no filme anterior desse mesmo diretor) e  Mieke Dobbels que consistia em performances de canções bluegrass com uma triste historia de amor.  Mas foi totalmente revinventado para a tela. 

     Um critico chegou a dizer que o filme parece ter sido feito de fotografias do passado jogadas a esmo, sem um rígido fio condutor (ate porque a menina já morre na metade do filme, o que não impede outras sucessões dramáticas. O curioso é que isso não o deixa  tele novelesco (mas recorda um pouco Blue Valentine/ Namorados para Sempre, 10).  A historia se desenrola na cidade belga de Ghent  entre 1999 e  2006,  mas resulta atemporal .O universo deles não é digital e se resume a presença de 11 de setembro e a figura do presidente Bush (outra curiosidade , não se fale em dinheiro).

     O filme poderia comportar outros comentários mas o importante é embarcar nele, se deixar levar pela direção envolvente e criativa e principalmente pelo casal central.

     Este ano, a competição pelo Oscar esta difícil de prever porque não há favoritos absolutos. Este Alabama Monroe não seria uma má alternativa. 

Ref fim.