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quarta-feira, 26 de março de 2014

Instinto materno

Instinto materno . Pozitia Copilului. /Child´s Pose.  Romênia, 2013], de Calin Peter Netzer (Imovision) Com Luminita Gheorghiu, Bogdan Dumitrache, Natasa Raab, Ilinca Goia, Florin Zamfirescu. 

     Acho que chegou o momento de eu encarar uma realidade. Eu não tenho maior afinidade com o cinema da Romênia e não consegui me envolver com nenhum deles que em determinado momento teve repercussão em Cannes e passaram por aqui. Chegaram a prever uma Retoma de produção, com novos cineastas mas isso não sucedeu.  Este aqui ganhou o Leão de Ouro em Berlim assim como premio da Critica. Mas não ficou nos finalistas dos Oscar de língua estrangeira (mas erram tanto que não isso não significa muito). Não conheço o diretor que fez dois filmes antes (Maria e Medalha de Honra, inéditos aqui). Não gosto também da interpretação nem da figura da atriz principal Luminita Gheorghiu que tem 34 créditos em sua carreira incluindo o pioneiro 4 meses, 3 semanas, 2 Dias (07)e outro que passou meio em branco mas os americanos admiram, A Morte do Sr. Lazarescu. (05).Foi por este que ganhou o premio dos críticos de Los Angeles. 

    Quem teve uma mãe dominadora vai reconhecer a figura desta megera mas como esta na moda atualmente nenhuma explicação psicológica é dada. O diretor limita-se a seguir os personagens, ou persegui-los melhor dizendo,deixando as conclusões para o espectador. Como o que não falta no cinema são super mães (Joan Crawford é uma que me vem a cabeça uma monstra na vida e na ela, Mamãezinha  Querida que o diga!)esta Cornelia é uma senhora cinquenta e tantos anos bem sucedida na sociedade de Bucarest, que briga muito porque esta afastada de seu filhoBarbu, pelo que ela culpa a namorada dele.Arquiteta bem de vida, ela vem socorre-lo quando é preso ao atropelar e matar uma criança pobre e camponesa, acusado de dirigir embriagado. Envolta em peles ela tenta intervir. Fica claro o contraste entre os ricos e bem de vida e a família da criança pobre e humilde, que precisa ser subornada.Como se não falassem a mesma lingua.

    Não é uma historia nova (não me lembro porém de algo parecido no cinema). Ao contrario já aconteceu com pessoas próximas ou distantes. É um retrato miserável do que o poderio econômico manipula qualquer igualdade mesmo em pais dito socialista. Cornelia esta convencida que o filho é inocente e tudo demonstre o contrario, ela vive elogiando ele, seus feitos esportivos .Sempre fumando, sempre querendo passar por elegante (na verdade patética) é um grande personagem feminino que Fernanda Montenegro faria magnificamente lhe acrescentando uma humanidade, uma fragilidade detrás da pose que eu não consegui perceber aqui, Ela é o tempo todo desagradável e mesmo repulsiva. Talvez se tivesse lampejos de humanidade resultasse melhor. O mais próximo disso é a cena em que ela ouve calada os detalhes da vida sexual da namorada e o filho.

    Escrito pelo mesmo que fez a Morte do Lazarescu, percebo agora que o filme ao me irritar, conseguiu o seu propósito. E essa mãe me deixou aterrorizado. Sim, elas existem. Continuam a existir.

Ref fim.

sábado, 23 de março de 2013

Cinzas e Sangue



Cinzas e Sangue (Cendres et Sang)França, Portugal, Romania. 2009).105 min. Direção de Fanny Ardant. Roteiro de Fanny baseado em livro de Ismail Kandare. Com Ronit Elkabetz, Abraham Belaga, Marc Ruchmann, Claire Bouanich, Ion Besoiu, Tudo Istodor, Madalina Constatin.

     Tenho especial simpatia por Fanny, a principio por ter sido viúva e ultima musa de François Truffaut, ser uma mulher atraente e inteligente (ao menos em diversas entrevistas que fiz com ela, uma delas no Jornal da Globo ao vivo há muitos anos e outra em Veneza, onde se mostrou extremamente sensual). Por isso fiquei ainda mais chocada ao ver este seu desastroso longa de estréia, onde demonstra que não aprendeu nada com seu mentor. Um filme pesado, mal interpretado, repleto de clichês e que ainda por cima vai piorando com o tempo.


     Já feito há algum tempo (tanto que ela já esta terminando outro, que seria Cadences Obstinées, com Asia Argento e Franco Nero) é inspirado em livro do premiado autor Ismail Kadare (o mesmo que inspirou Walter Salles a fazer Abril Despedaço, infinitamente melhor que este). Mas ele parece se especializar em dramas sobre vinganças entre famílias altamente previsíveis. Neste caso, é uma família (a mãe, a filha menor que é deficiente auditiva e dois filhos maiores, um deles teimoso e briguento, que vivem em Marselha. A mãe esconde um segredo de família mas não se entende muito bem porque resolve retornar a sua terra natal, que é a Romênia para o casamento de uma sobrinha). 


     Tudo fica muito prejudicado porque Fanny escolheu como protagonista uma mulher alta e parecida com ela mas sem um pingo de talento. Nem vamos registrar o nome porque  ela é uma “ poseur”, que faz caras , bocas e tipos, numa total canastrice que não ajuda nada uma historia já confusa e mal narrada.
Não há nada que justifique o retorno da mulher com os filhos já que ela é renegada pela sua família e não muito aceita pela família do ex-marido. Há uma serie de tabus e regras a serem seguidas, coisas de sangue e honra, que o filho revoltado faz questão de não seguir e que evidentemente vão acabar em tragédia. Mas é tudo tão patético e mal realizado que francamente é melhor esquecer, ou fazer de conta que não foi feito.

Ref fim