sexta-feira, 29 de março de 2013

A Hospedeira


A Hospedeira (The Host) EUA, 13. Direção de Andrew Niccol.Roteiro de Niccol baseado em livro de Stephanie Meyer. 129 min. Imagem. Com Saiorse Ronan, Max Irons, Jake Abel, Diane Kruger, William Hurt, Frances Fisher,Phil Austin, Marcus Lyle Brown, Evan Cleaver.


     Antes de tudo é bom avisar: É bem melhor que qualquer um dos filmes da Saga Crepúsculo, o elenco inclusive é bem superior. Ainda assim não é nenhuma maravilha. Até porque tem o mesmo defeito: um orçamento limitado, reduzido que o obrigado a filmar em locações já existentes que passam por prédios e lugares do futuro a moda de Alphaville, de Godard. 


     Será que não é superestimar a fidelidade dos fãs da série Crepúsculo, estreando simultaneamente com os Estados Unidos, este filme independente que traz uma adaptação de outro livro da mesma autora Stephenie Meyer? É o que vai se descobrir agora com um filme de ficção cientifica que  não são vampiros nem tão românticos (favor não confundir com o filme coreano de 2006, que nada tem a ver embora seja bem divertido). Lançado nos EUA em 2008 e no Brasil no ano seguinte, pela editora Intrínseca, com 560 páginas, com bastante sucesso aqui e lá fora. Segundo confirma a Wikipedia, a ideia de A Hospedeira (A Nomade em Portugal) surgiu em uma viagem de Phoenix para Salt Lake City, quando a autora entediada “começou a inventar histórias para se distrair”  e assim bolou metade da história antes de se dar conta. Originalmente planejado para ser apenas um projeto alternativo, eventualmente tornou-se uma prioridade. Ian O'Shea seria inicialmente um personagem pequeno. A autora afirmou que não tinha qualquer intenção de criar um romance entre ele e Peregrina, mas Ian "se recusou a ser ignorado". O título  foi escolhido pelo ponto de vista da protagonista que  passou por diversas mudanças na forma como via o universo por causa de sua “hospedeira” Melanie. Meyer declarou que a  ideia de dois espiritos conviverem no mesmo corpo é um subtexto da história, já que ela é "muito crítica" com seu corpo, mas não com os outros. No livro, ela tentou mostrar "que presente é ter um corpo".

     Talvez seja melhor explicar melhor a historia porque ela é mais facilmente entendida na tela do que resumida aqui. Basicamente o filme se passa num futuro proximo quando (á moda de filmes com Vampiros de Almas ou Invasores de Corpos) uma raça alienigena tomou conta de quase todo planeta Terra. Eles se dizem pacificos, bondosos e compreensivos mas ainda assim mantém uma especie de policia para caçar e apaziguar os rebeldes humanos que fugiram e vivem em pequenas comunidades no deserto americano. Ou seja, os alienigenas ocupam os corpos dos humanos que passam a ser seus hospedeiros, como uma especie de casca, enquanto seu interior, sentimentos e ações é totalmente alienigena. So que no caso da heroina, chamada de Wanda, houve alguma coisa errada por que dentro continua a co-existir a antiga Melanie e as duas personalidades ficam brigando pelo dominio do corpo! Essa é a dificil tarefa que cabe a atriz principal que é a inglesa Saiorse Ronan, que foi uma revelação em Desejo e Reparação e chegou a ter uma indicação ao Oscar de coadjuvante em 2008. Depois disso ela teve outras chances (ainda não fez 20 anos) em filmes como o desastroso  Um Olhar do Paraiso de Peter Jackson (09), o interessante Hanna de Joe Wright (11).Demonstrando porém, que é uma atriz fria, contida e portanto não exatamente adequada a um personagem tão complexo. 

     Por outro lado é uma boa ideia ter uma dupla personalidade (as duas discutem em off )como heroina , o que vem tornar mais interessante um filme que como ja disse padece de um orçamento pobre (eles falam em 44 milhões de dolares mas parece menos!). Nem sempre os cenarios são convincentes, nem os escritorios ou mesmo as personagens modestas (centradas em New Mexico, Louisina/New Orleans). Por isso mesmo que a prejudicada é a chefe dos caçadores de humanos, feita pela atriz europeia Diane Kruger (a Helena de “Troia”), que não consegue escapar do clichê. O escolhido como diretor é Andrew Niccol, que ficou famoso como o roteirista de O Show de Truman e depois se especializou no genero com Gattaca, Simone, O preço do Amanhã /In Time, e também a denuncia politica O Senhor das Armas. Por alguma razão, ele não brilha especialmente neste projeto. 

     Naturalmente a autora não conseguiu escapar de criar outro triangulo amoroso, no caso entre a heroina de dupla personalidade e dois humanos que vivem escondidos, o que é bem curioso, ja que cada um deles se apaixona por uma das mulheres que compartilham o mesmo corpo. Os rapazes porém deixam a desejar, nem boas pintas são, no caso Max Irons (que é sim o filho de Jeremy Irons e Sinead  Cusak, neto do Cyril Cusack)- o problema neste caso são os olhos pequenos e que parecem sempre sonolentos e um certo Jake Abel ainda menos memoravel (apesar de ja ter estado em Percy Jacson, Eu sou o Numero Quatro, e até um Olhar no Paraiso com Saiorse). William Hurt faz o chefe dos humanos e Frances Fisher (a mãe de Titanic, que quando criança viveu no Rio, muito maquiada para envelhecer ) faz uma matriarca com pouca ação. Foi porém outro jovem ator Boyd Halbrook que faz Kyle quem foi votado como revelação no Festival dos The Hamptons. 

     Não ha ainda uma continuação prevista para A Peregrina, embora e 2009, Stephenie Meyer tenha afirmado que poderia escrever duas continuações , a primeira chamada The Soul e a segunda The Seeker. Porém, que poderia ser algo "completamente diferente". Revelou que escreveu um esboço para a primeira continuação , e que  tinha seus dois primeiros capítulos prontos, mas que estava trabalhando em outro livro no momento, apesar de planejar retomar o projeto. Naturalmente o elenco ja esta contratado para esses possiveis novos capitulos que podem ou não acontecer. Tudo depende naturalmente do sucesso. 

Ref fim.

Jack, O Caçador de Gigantes



Jack, O Caçador de Gigantes (Jack, the Giant Slayer).EUA/Ing, 13.Direção de Bryan Singer. Roteiro de Darrenn Lemke, Christopher McQuarrie, Dan Studney. 114 min. Com Nicholas Hoult, Ewan McGregor, Stanley Tucci, Eleanor Tomlinson, Eddie Marsan, Ewen Bremner, Ian McShane, Christopher  Burke, Warwick Davis. Warner.

     Produção luxuosa, elenco eficiente, efeitos competentes. Mas tudo isso resulta numa aventura apenas razoável.  

      Havia nos EUA certa expectativa pelo resultado de bilheteria desta aventura em 3D que teria custado perto de 200 milhões de dólares (195 milhões dizem) mas que rendeu ate agora apenas 54 milhões, que mal lhe pagam as copias e marketing. Não sei ainda o resultado do exterior mas quando João e Maria se defende (e é ainda pior), fica difícil fazer previsões. O fato é que a origem é uma historia infantil João e o Pé de Feijão que era bem mais simples e ingênuo, que rendeu nos anos cinqüenta uma comédia colorida com Abbott e e Costello e também um especial de teve de 67, Jack e os Feijões Mágicos, com Gene Kelly como diretor e protagonista.

     O roteiro toma toda sorte de liberdades (mas faz uma citação rápida da Harpa que em outras versões tem importância). Na verdade, o filme é perfeitamente assistível, consumível ainda que mediano e previsível.
É muito ajudado pelo elenco de apoio que traz o bom Stanley Tucci como o vilão, o simpático Ewan McGregor como o cavaleiro fiel e a bela e ainda pouco conhecida Eleanor Tomlinson como a princesa. Quanto ao Jack, o garoto Nicholas Hoult que esteve tão bem em Um Grande Garoto (quando era pequeno), depois em Direito de Amar e recentemente em Meu Namorado é um Zumbi fica num meio termo. Não chega a dominar com o filme, nem impressionar, nem para o bem, nem para o mal.
O mesmo se pode dizer do diretor Bryan Singer que faz um trabalho correto mas inexpressivo .Ele se revelou em 95 com o suspense Os Suspeitos , fez dois filmes da serie X men (e volta agora com mais outro) mas também se desgastou com filme menores como Operação Valquíria e Superman O Retorno! Este é dos mais descartáveis.

      Desnecessário mesmo fazer um resumo.Jack é um modesto homem do campo que trabalha para um tio e não tem grandes ambições. Mandado pelo parente para vender um cavalo num mercado, se encanta por uma moça que não sabe que é a bela princesa do lugar. Retorna para casa apenas com alguns feijões que lhe foram dado por um monge, sem imaginar que eles são aqueles que irão crescer rapidamente e abrir a passagem para a escalada (ou descida) para encontrar os Gigantes, um raça belicosa que há tempos vive lá no alto, aparentemente nas nuvens ou coisa parecida (não se esqueçam que é fantasia e que na trama original era apenas um gigante! Não uma tribo inteira!). E assim da noite para o dia cresce a arvore levando a casa e a princesa em fuga do noivo ambicioso. Resta então a Jack ir salva-la no que será uma aventura extremamente elaborada cheia de idas e vindas e diversas e complicadas batalhas (a ultima já em terra firme). Parece que há referencias a David e o Golias e mesmo Star Wars (com Ewan repetindo duas vezes uma frase que ele usou na serie, tenho um mau pressentimento sobre isso!).

     O filme teve o cuidado de não ser para crianças, mas puxou a censura para os 12, 13 anos, com  algumas cenas mais violentas. 

Ref fim.                   


quarta-feira, 27 de março de 2013

G.I. Joe: Retaliação



G.I. Joe :Retaliação (G. I. Joe: Retaliation). EUA, 13.Direção de John M.Chu. 110 min. Paramount. Com Dwayne Johnson (ex-The Rock), D.J. Cotrona, Jonathan Pryce, Channing Tatum, Byung –hun-Lee, Eloide Yung, Ray Stevenson, Adrianne Palicki, Luke Bracey, Arnold Vosloo, RZA.


     Menos ruim que o Primeiro mas igualmente confuso e apocalíptico, este novo G.I. Joe comete o erro de matar seu ator mais famoso e popular na primeira meia hora e de não trazer ainda o personagem mais popular da serie no Brasil, o famoso Falcon.

     Confesso que não conheço bem os personagens e tive a maior dificuldade para entender quem era mocinho e quem era bandido, ate porque usam nomes exóticos e no final das contas acabam se unindo pelo mesmo interesse comum. Mas o filme é bem menos irritante que o original G.I. Joe a Origem de Cobra/ G.I. Joe : The Rise of Cobra, 09, de Stephen Sommers, que tinha no elenco Sienna Miller, Joseph Gordon Levitt,  Marlon Wayans, Dennis Quaid e os que retornam aqui Jonathan Pryce como presidente americano, Channing Tatum, Arnold Vosloo (como Zartan). É uma versão modernizada dos Comandos em Ação. Continua a falta de intenção de relacionar com a antiga série de animação. Querem ficar com o nome de GI Joe (que tem sua origem na Segunda Guerra Mundial quando eram assim  chamados os pracinhas). Só que este primeiro era um dos filmes mais mal dirigidos de todos os tempos, em particular a nível de atores . Culpa do diretor Stephen Sommers, famoso pela série da Múmia que se perde no que é basicamente um grande video-game  barulhento, confuso e pouco interessante. Quem entrou em seu lugar foi um certo Jon M. Chu, que é de origem chinesa mas nascido na Califórnia, em Palo Alto, onde o pai é dono de famoso restaurante. Especialista em musical, fez antes o show de Justin Bieber, dois musicais da serie Ela Dança, Eu Danço 2 e 3 e agora parte  para lutas coreografadas (o ponto alto é uma perseguição e luta no ar e nas montanhas geladas, com jeitão de James Bond, que resulta bastante eficiente).       

     GI Joe é o nome de uma organização de elite de agentes especializados que logo no começo é traiçoeiramente atacada e praticamente destruída (Jonathan Pryce faz o presidente americano que esta ainda mais doente do que no filme anterior e foi substituído por um sósia que não é outro se não o Zartan disfarçado). Morreu o Tatum que era o comandante e escapam com muita dificuldade apenas três, o the Rock (que vira chefe, como Roadblock), uma mulher bonitona (Adrianne Palicki de Legião e Amanhecer Violento como Jaye) e um latino Flint (que é interpretado por uma das figuras mais inexpressivas de todos os tempos, D.J. Cotrona que não percebi em  Querido John). A conspiração agora é muito mais complexa porque irá exigir a ajuda do grupo de heróis da Cobra inclusive o oriental Storm Shadow. Enfim, tudo será resolvido com a destruição total de Londres e grande parte da Inglaterra num ataque atômico (não fiquem surpresos porque esta no trailer) parte da grande confusão final com o falso presidente americano e todos os lideres mundiais discutindo desarmamento (francamente acho que o filme faz mais mal do que bem para essa causa!).

      Se resulta confuso, o filme chegou a ser adiado em sua estréia (prevista para maio de 2012 quando a Paramount anunciou que iria acrescentar o 3D- ou seja, não foi filmado pelo sistema, portanto é óbvio que é menos eficaz). Correu o boato que eles acrescentariam  mais cenas com Tatum que desde o primeiro filme havia se tornado astro e muito popular. Mas pelo que vimos sua participação aqui é pequena e os boatos devem ter sido falsos (quando escrevo não há ainda criticas estrangeiras nem muitas informações de bastidores, alem de obviamente não terem editado as criticas ainda).

Ref fim. 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Qual é o nome do Bebê?




Qual é o nome do Bebê? (Le Prenom).França,12. Direção de Alexandre de La Pattelliére, Matthieu Delaporte, roteiro deles baseado em peça teatral de sua autoria.109 min Comédia. Com Patrick Bruel, Charles Berling, Valérie Benguigui, Judith El Zain, Françoise Fabian, Guillaume de Tonquedec. 

     Espero que ainda de tempo de descobrir esta comédia francesa que entrou discretamente (não me lembro de ter Sid chamado para a cabine) e que fui assistir mais pela indicação da Vejinha do que outra coisa. E gostei muito É uma excelente diversão para publico adulto e que não gosta de chanchada. É assumidamente uma adaptação de sucesso teatral e sem duvida lembra outro texto Frances, que é Carnage (Deus da Carnificina) com a diferença de que este funcionava no palco  mas a versão para o cinema foi desastrosa, estragada pela direção de Roman Polanski que tomou as decisões erradas. 

     É provável que assistindo-o os dois autores do texto que eu não conhecia Alexandre de La Pattelliére, Matthieu Delaporte ( o único filme que adaptaram e que lembro de passar aqui foi 22 balas) resolveram também passar a direção, assim ao menos tinham o controle do material. O resultado é muito feliz tanto que o filme acabou sendo indicado para 4 Césars , de roteiro, filme, ator (o já veterano Patrick Bruel que também é cantor) e ganhou dois como coadjuvantes (os ótimos Valérie Benguigui, que faz a dona da casa e esteve em Entre os Muros da Escola e 42 outros títulos, e continuava desconhecida, e outro veterano desconhecido Guillaume de Tonquedec (também 52 titulos) que faz o melhor amigo dela que guarda um segredo. Estranhamente o único não indicado foi Charles Berling, que o professor/marido mas que esta igualmente bem, se não melhor (ele é mais famoso, ao menos já o entrevistei duas vezes e é inteligente e difícil).

     Deu para sentir que no começo – já que o filme deve ter sido rodado em continuidade de tempo- os diretores se esforçaram em fazer muitos cortes, tentando dar dinamismo. Ate que perceberam que mal podíamos acompanhar os diálogos, isso atrapalhava e resolveram assumir o tempo do conflito. Felizmente o filme começa bem com uma moto atravessando o centro de Paris, passando por vários lugares  famosos ate subir as escadas ate uma casa de família onde tenta entregar uma pizza. Mas endereço errado! 
E assim começa a historia de amigos que se reúnem para um jantar de comida árabes, um coucous feito pela dona da casa, Elisabeth que também é professora primária e cuida do casal de filhos já que o marido pouco liga, envolvido em sua própria auto importância. Os outros convidados são velhos companheiros, um amigo de infância que é musico de orquestra sinfônica e Vincent, o irmão da de Elisabeth, um sujeito também egocêntrico, pretensioso, que sempre liderou o grupo e entra em conflito com o cunhado metido a filosofo. Ele se casou há pouco tempo com uma mulher bem sucedida e estão esperando o primeiro filho (ela vai chegar tarde ao almoço e só entrara no conflito mais tarde). 

     Tudo parece ir bem ate quando Vincent diz que já escolheram o nome do filho e pede para adivinharem. Daí em diante, o que é apenas meia hora de filme, eu não vou contar mais a historia porque vai estragar seu prazer. Quando descobrem o nome começa uma conflagração complicada e divertida, que vai crescendo e se tornando ainda mais interessante (há também mais um personagem ainda que aparece mais em flash backs que a mãe de Vincent e Elisabeth que é feita pela ainda bela Françoise Fabian, que já foi maiores beldades do cinema Frances e agora retorno como senhora de idade.

     Temo que o filme não tenha chance de ser descoberto o que será um pena porque é das comédias mais inteligentes dos últimos tempos (eu adoro quando os personagens começam a lavar a roupa suja e fazer revelações!). Divirtam-se.

Ref fim

sábado, 23 de março de 2013

Cinzas e Sangue



Cinzas e Sangue (Cendres et Sang)França, Portugal, Romania. 2009).105 min. Direção de Fanny Ardant. Roteiro de Fanny baseado em livro de Ismail Kandare. Com Ronit Elkabetz, Abraham Belaga, Marc Ruchmann, Claire Bouanich, Ion Besoiu, Tudo Istodor, Madalina Constatin.

     Tenho especial simpatia por Fanny, a principio por ter sido viúva e ultima musa de François Truffaut, ser uma mulher atraente e inteligente (ao menos em diversas entrevistas que fiz com ela, uma delas no Jornal da Globo ao vivo há muitos anos e outra em Veneza, onde se mostrou extremamente sensual). Por isso fiquei ainda mais chocada ao ver este seu desastroso longa de estréia, onde demonstra que não aprendeu nada com seu mentor. Um filme pesado, mal interpretado, repleto de clichês e que ainda por cima vai piorando com o tempo.


     Já feito há algum tempo (tanto que ela já esta terminando outro, que seria Cadences Obstinées, com Asia Argento e Franco Nero) é inspirado em livro do premiado autor Ismail Kadare (o mesmo que inspirou Walter Salles a fazer Abril Despedaço, infinitamente melhor que este). Mas ele parece se especializar em dramas sobre vinganças entre famílias altamente previsíveis. Neste caso, é uma família (a mãe, a filha menor que é deficiente auditiva e dois filhos maiores, um deles teimoso e briguento, que vivem em Marselha. A mãe esconde um segredo de família mas não se entende muito bem porque resolve retornar a sua terra natal, que é a Romênia para o casamento de uma sobrinha). 


     Tudo fica muito prejudicado porque Fanny escolheu como protagonista uma mulher alta e parecida com ela mas sem um pingo de talento. Nem vamos registrar o nome porque  ela é uma “ poseur”, que faz caras , bocas e tipos, numa total canastrice que não ajuda nada uma historia já confusa e mal narrada.
Não há nada que justifique o retorno da mulher com os filhos já que ela é renegada pela sua família e não muito aceita pela família do ex-marido. Há uma serie de tabus e regras a serem seguidas, coisas de sangue e honra, que o filho revoltado faz questão de não seguir e que evidentemente vão acabar em tragédia. Mas é tudo tão patético e mal realizado que francamente é melhor esquecer, ou fazer de conta que não foi feito.

Ref fim

Parker




PARKER (Idem), EUA, 13. Direção de Taylor Hackford. 118 min. Com Jason Statham, Jennifer Lopez, Michael Chiklis, Wendell Pierce, Clifton Collins Jr, Bobby Cannavale, Patti LuPone, Nick Nolte, Carlos Carrasco. Paris Filmes.


     Não sei se tem relação com os atentados e incidentes violentos, ou com a campanha que esta sendo feita contra o uso indiscriminado de armas de fogo nos Estados Unidos mas o fato é que nesta temporada praticamente todos os filmes muito violentos tem fracassado na bilheteria. Mesmo quando são estrelados por Schwarzenegger ou Stallone, ou este aqui é liderado por um herdeiro deles, o inglês e carequinha Jason Statham. O fato é que este thriller policial com roteiro de John McLaughlin (o mesmo que escreveu Hitchcock) baseado em livro do famoso Donald Westlake que faleceu em 2008 e foi indicado para o Oscar por Os Imorais (chamou-se Flashfire e ele assinou como Richard Stark). Para um orçamento médio de 35 milhões de dólares não rendeu mais do que 17 nas bilheterias americanas. Outra coisa curiosa: ele foi dirigido por um cineasta conhecido e respeitado que é Taylor Hackford, marido de Helen Mirren, que em 79 ganhou Oscar de curta metragem e depois foi indicado por Ray, a vida de Ray Charles. Mas o estranho é que ele fez um filme porco, sujo, quase trash. Não sei se propositalmente. Mas indigno de seu profissionalismo.


     É tão mal realizado, as cenas são tão clichês, que mesmo as cenas de ação e violência coisa em que os americanos não erram desta vez fizeram tudo errado.Não desgosto de Jennifer Lopez (que pobrezinha tem a mídia americana contra, fazendo há anos uma intensa campanha contra ela) mas ate ela parece constrangida em tentar fazer um papel que poderia ser atraente.

     Parker é um ladrão profissional que é traído por seu grupo quando recusa participar de outro golpe e deixado para morrer (alias em vão, porque durante o filme ele apanha e sofre mais que Marlon Brando em seus delírios sado masoquistas mas nem assim morre). Parece que ele tem um código de honra de não roubar dos pobres e não ferir inocentes. Mas enfim, ele vai parar num hospital decidido a se vingar .

     Finge ser um texano rico procurando por uma casa grande na comunidade rica de West Palm Beach (locações lá mas também na feira de Ohio e New Orleans) onde se envolve com uma agente imobiliária sem grana, que acaba se juntando a ele quando desconfia do golpe que a ex-quadrilha vai aplicar atacando um leilão de luxo de jóias.

      Auxiliado por um elenco de atores conhecidos (que incluem a estrela da Broadway Patti LuPone como a mãe de Jennifer e até Nick Nolte), o filme tem uma fotografia feia, um montagem deficiente e parece fita mexicana de quinta categoria. Não entendo como podem ter feito algo tão abaixo da média do gênero.

Ref

A Caça


A CAÇA (The Hunt/Jagten) Dinamarca, 12. Direção de Thomas Vinterberg. 115 min. Com Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Annika Wedderkopp, Lasse Fogelstrom, Susse Wold, Anne Louise Hassing. 

     Revelado em 1998, durante o lançamento do Dogma dinamarquês, Thomas Vinterberg ficou famoso por causa de Festa em Família , possivelmente o melhor filme dele e de todo o movimento. Era tão interessante que garantiu a exibição por aqui de praticamente todos os filmes seguintes por mais irregulares que fossem: Dogma do Amor (It's All About Love, 03, com Joaquin Phoenix, Claire Danes), Querida Wendy (Dear Wendy, 05. com Jamie Bell, Bill Pullman); Quando um Homem vem para Casa( En Mand kommer Hjem/A Man Comes Home, 07. e Submarino (Idem, 10).

     Enfim valeu a espera porque Thomas acerta agora quando se reúne justamente com o astro mais famoso de sua terra mas que não chegou a virar astro quando fez um vilão de 007 em Cassino Royale, Le Chiffre. Mas ao menos o sucesso lhe ajudou a conseguir bons papéis em filmes como O Amante da Rainha, o Hannibal Lecter na serie de teve Hannibal, Rochefort em Os Três Mosqueteiros, Draco em Fúria de Titãs, Stravinsky  em Coco Chanel e Igor Stravinsky e hoje é um dos mais famosos e respeitados atores europeus no momento.

     Ele comprova isto neste modesto mas bem calibrado thriller policial que deu a Madds premio de melhor ator em Cannes (alem do premio ecumênico), de melhor roteiro no European Film Award, melhor filme independente no Britisth Film Award, premio do publico em Vancouver. O tema embora inspirado em fatos reais não chega a ser novo e houve outros bons filmes sobre o assunto. O professor do jardim da infância, Lucas (Mikkelsen) é um bom sujeito nada violento e que parece só ter um defeito, adora caçar cervos na floresta. Seu filho adolescente Marcus gostaria de viver com o pai mas a mãe esta criando problemas. Que se complicam quando uma de suas alunas bem pequenas Klara que tem uma paixonite por ele, talvez inspirada por coisas que viu na Internet, faz com que a chefe do lugar desconfie que Lucas se expos diante dela. Naturalmente todo mundo vai achar que ela é inocente e uma vitima, provocando um grande escândalo na pequena comunidade, os outrora amigos se importado pouco em destruírem a vida de Lucas e por extensão, de sua família . Toda a historia é contada pelo ponto de vista de Lucas que fica chocado quando ate o melhor amigo não acredita nele (é o pai da menina Klara).

     O fato de que ele não acabe parecendo telefilme (porque já alguns deles parecidos) e que Mads consiga convencer em outra coisa se não vilão, é quase um milagre. A ação se situa em volta de Natal, na paisagem gelada, o que também ajuda. Assim como o final que parece inesperado e ajuda a dar respeito ao bom filme.

Ref fim

sexta-feira, 22 de março de 2013

Os Croods


Cotação: Bom

Os Croods 3 D (The Croods). Direção de Kirk De Micco e Chris Sanders. 98 min. Animação. Vozes originais de Nicolas Cage, Ryan Reynolds, Emma Stone, Catherine Keener,Cloris Leachman, Clark
Duke. Fox/ Dreamworks.


      Começa a ser exibido por enquanto apenas em pré-estreias (no domingo a tarde) este novo desenho da Dreamworks, a produtora que infelizmente esta sofrendo problemas de dinheiro, de tal forma que depois do semi fracasso de A Lenda dos Guardiões (que rendeu pouco para seu alto custo) outros projetos foram cancelados e o futuro no momento parece incerto. Uma pena porque eles tem feito um bom trabalho e certamente ajudaram a criar a atual moda do gênero (claro que vocês já perceberam que todos os estúdios produzem animação e as distribuidoras estão trazendo ate mesmo os desenhos europeus que já são mais artesanais ! Que as vezes nem mereciam essa atenção. Mas o fato é que hoje a animação traz grandes bilheterias mas como é muito cara também provoca riscos ( nunca menos de 100 milhões pelo tempo de realização e dificuldades técnicas).


      Eu sou fã da animação e sempre os assisto com prazer mas tenho que admitir que os últimos filmes do gênero não tem sido especialmente criativos nem mesmo os da Pixar. Este aqui foi feito por uma dupla ainda não tão consagrada, Kirk (de Space Chimps) e Chris (ComoTreinar seu Dragão) e naturalmente é conseqüência de outros ,como obviamente A Era do Gelo (que lembra muito, só que agora com uma
família de homens da Caverna em vez de bichos e em vez da neve, o mundo em erupção mas basicamente é a historia de uma grande fuga). Falam também que lembra demais uma antiga serie de teve que eu desconheço chamada The Gogs (94), que justamente sobre família pré-histórica que vive em cavernas de onde são obrigados a fugir por causa de cataclisma.

      Então já sabem não procurem originalidade mas uma historia divertida, contada com muita ação, muitos absurdos (claro são outras as regras para animação em particular esta que é endereçada a crianças. Mas de vez em quando eu dava uma risada ou grunhida porque o filme tem bastante humor). Grug é o nome do pai da família que ele mantém unida e escondida numa caverna, porque tudo fora era perigoso. A historia é narrada pela filha deles, Eep uma atleta rebelde que ânsia pela liberdade e o calor do sol. Tem a mãe, a avó

que Grug deseja morta, o irmão mais velho. Eep esta prestes a fugir quando ela esbarra num nativo com jeito mais de humano/índio, que é Guy e que eventualmente irá fazer parte do núcleo central (o filme tem uma boa moral, mostrando a luta do pai –mesmo que por vezes de forma covarde e nada heróica- faz tudo para proteger sua família e os manter unidos). Mas aquele mundo esta prestes a explodir e eles tem que fugir, não sabem bem para onde indo em direção a montanha mais alta. São acompanhados pelo bicho preguiça que é animal de estimação de Guy (outros bichos bizarros irão aparecer) quando eles vão passando e escapando de lugares cada vez mais exóticos e que denotam claramente que os realizadores assistiram e ficaram influenciados por Avatar de James Cameron (a direção de arte por vezes é por demais semelhante).


       Mas eu gosto da narrativa rápida, da direção cheia de efeitos e movimento, mesmo dos personagens bastante simpáticos e desastrados. Os Croods não é nenhum clássico nem pretende ser. Mas é uma diversão simpática e eficiente.

Ref fim .

quarta-feira, 20 de março de 2013

Pietá


PIETÁ (Idem) em cartaz nos cinemas
Direção e roteiro de  Ki-duk Kim. 104 min. Com Min-Soo Jo, Eunjin Kang, Jae-rok Kim, Jeon-Jin Lee, Ki-Hong Woo.Imovision. Coréia do Sul.


      É curioso se ver um filme coreano usando com símbolo uma imagem icônica católica, ou seja, a famosa estatua da Virgem Maria com o corpo de Cristo nos braços). Ainda mais de um cineasta que justamente nos acostumou a embarcar em alegorias budistas de grande impacto como O Arco, Casa Vazia, e principalmente Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera.


       Este inclusive ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza  (e mais 3 prêmios lá) e Melhor filme em Dubai.

      Apesar disso não chega a ter o impacto prometido. Sempre daquela maneira sucinta (câmera na mão, poucos diálogos, poucas explicações) ele conta uma historia complexa e obscura. O herói é uma espécie de capanga que vai castigar os que pediram dinheiro emprestado e agora não podem pagar. E os castiga sem piedade (exemplificado por um casal que ele persegue). Ate um dia em que aparece uma mulher, ainda atraente dizendo ser sua mãe que o abandonou e que agora quer cuidar dele. Sofre toda sorte de abuso até sexual, mas não desiste da perseguição, que irá ganhar contornos inesperados e violentos. Até um final marcante. 

      Tudo com grande quantidade de exteriores, que conseguem extrair ate certa poesia de regiões degradadas. Não atinge porém a força e rudeza de outros filmes dele, nem o imaginário sugerido pelo titulo. Enfim, admiro o diretor mas não me parece estar entre suas melhores obras.

Ref fim.  

segunda-feira, 18 de março de 2013

Super Nada



SUPER NADA. Brasil, 12. Direção de Rubens Rewald e Rossana Foglia. 94 min. Com Marat Descartes, Jair Rodrigues, Renata Jesion, Cristiano Karnas, Denise Weinberg.

      Não confunda o professor e diretor de cinema Rubens Rewald comigo, que não quer dirigir nem tem maiores pretensões, está feliz em ser apenas critico e personalidade de cinema. Mas este é o nome verdadeiro do cineasta, com quem tenho esbarrado há muito tempo e a quem pedi para mudar de sobrenome para evitar as confusões que regulamente acontecem (recebendo emails dele, com freqüência acham que o filme foi meu e assim por diante). Não somos exatamente amigos mas mantenho uma relação cordial e fico feliz que ele tenha acertado com este seu segundo longa (em parceria com sua co roteirista Rossana Foglia),já que eu não havia gostado do anterior (O Corpo, 07), embora tivesse procurado me calar!

      Esta comédia que passou em Gramado do ano passado e levou o premio de ator (para o ótimo ator Marat Descartes) é uma homenagem justamente aos atores, aqueles desconhecidos e abnegados que passam a vida ganhando pouco ou quase nada, em busca de uma chance na carreira, sem deixar de fazer cursos de aprimoramento e sem perder a esportiva ou o sonho de fazer sucesso (não naquele estilo BBB mas para ter seu talento reconhecido e os papeis com que sonharam). Mostra isso através da figura de Guto, que depois de ser rejeitado em testes, consegue participar de um programa de comédia com um veterano Zeca, que havia sido seu ídolo e que agora esta decadente. E ai esta a grande novidade do filme que é marcar a estréia como ator no cinema do celebre Jair Rodrigues, que muda inclusive de tipo e que tem uma interpretação bem convincente, muito melhor do que você espera.

      Gosto do filme antes de tudo porque celebra com humor uma figura real e pouco conhecida que é o ator, que trabalha por ideal e convicção e que são realmente talentosos mas que nunca são descobertos porque não tem o tipo de galã ou adequado para a televisão. Mas que não desistem do sonho de um dia chegaram lá. São figuras quase sempre anônimas mas que tem todo meu respeito e admiração. Artistas de verdade. 

Ref fim