Esta chegando o Globo de Ouro Parte I
A “Oscar Season” já começou e primeiro momento deverá ser a entrega do Globo de Ouro no domingo dia 11, quando serão apresentados os vencedores desse premio, que depois do venerável Oscar é o mais popular e prestigiado. Também o mais divertido até porque as apresentadoras serão novamente as ótimas Tina Fey e Amy Poehler (esta indicada como melhor atriz em serie de comédia). Este ano novamente estarei transmitindo pela TNT, diretamente de Atlanta, a festa do Golden Globe (na semana seguinte teremos o premio do SAG, que também comentarei pela mesma TNT).
Mas se no cinema, o Globo serve para ajudar na escolha dos possíveis indicados ao Oscar (já que neste momento os sócios da Academia estão votando neles), é na televisão que a Associação de Imprensa Estrangeira tem mais acertado focando-se em prestigiar tudo que é mais novo e interessante que surge na teve. Tendo a sorte de fazer isso 1)enquanto o Emmy, o equivalente ao Oscar, continua antiquado e lento para reconhecer novos talentos. 2) E no melhor momento da televisão em sua historia. A verdade é que se pode dizer que hoje temos melhores series de teve do que filmes (em particular como média). Explicam isso porque hoje quem manda nas series são os escritores, os roteiristas! E no cinema os executivos, ate porque os filmes custam mais!
Aproveitei esses dias para assistir tudo o que me faltava sobre essas diversas series, já que na rotina da para seguir apenas as preferidas. Como a Downtown Abbey (más noticias: a quarta temporada esteve muito fraca, roteiro ruim, diálogos fracos e nem Maggie Smith esta brilhando. Ameaçou sair, deixaram ela fazer raras aparições. Uma decepção. Se forem justos, não merece levar nada). Ou outras que eu tinha abandonado e por vezes errado. Um amigo meu chamou a atenção para Boardwalk Empire, que pensei que sem a assinatura de Martin Scorsese iria decair. Errei. Felizmente a serie da HBO continua tecnicamente excepcional, com bela direção, excelente direção de arte e fotografia, um elenco de caras estranhíssimas (não guardei o nome mas o matador que cobre a parte destruída do seu rosto com uma pintura do que foi, é impressionante). Embora não goste especialmente de Steve Buscemi, o protagonista (que agora esta querendo largar tudo) ele convence num momento em que seu poder é disputado a ferro e fogo, por negros (que abriram uma boate) mas também pelo FBI. É um interminável mas forte e chocante acerto de contas atrás do outro, numa variante melhorada dos Intocáveis. Quem gosta do gênero deve procurar assistir.
Ainda assim não há como negar que este foi e ainda é o ano (digo 2013) da série Breaking Bad que chegou a seu final e a ultima temporada já esta nas locadoras a venda. Ao contrário do Dexter que decepcionou justamente agora ao final (e por isso ficou fora das listas de premiação, que conclusão mais tola e errada eles foram arranjar!) Breaking Bad nunca me agradou muito por ser violenta demais e de certa maneira fazer o jogo da droga (ao menos nas primeiras temporadas, confirmei isso, ao rever o primeiro ano onde constatei a incrível qualidade do roteiro. Os scripts são brilhantes e só comparáveis ao elenco. Impossível imaginar que Bryan Cranston, aquele ator cômico de Malcolm in the Middle, fosse capaz de tal dimensão trágica. A conclusão é satisfatória mas aconselho vocês a darem uma olhada no DVD da Sony para ver o que eles aprontaram: há um final surpresa bem humorado que funciona muito bem ! Ou seja, diz o bom senso que é impossível superar Breaking Bad.
Mas eu tenho que confessar um problema meu. Não sei se sou mais condescendente com series do que com longa metragens de cinema. Mas geralmente consumo melhor ate os telefilmes.
Agora, os indicados para melhor minissérie.
Outra vez temos um favorito que parece imbatível, que é outro da HBO, Behind the Candelabra. Nem acho nenhuma maravilha mas a mistura de diretor de prestigio (Sodebergh) dupla famosa fazendo gays (Matt Damon e Michael Douglas) , nostalgia (tem ate ponta de Debbie Reynolds).Garanto porém que a vida do pianista Liberace esta bem contada. Era assim mesmo.
Não curto o American Horror Story particular este ano sanguinolento e exagerado demais. Os outros indicados são curiosos. Dancing on the Edge é uma serie da BBC sobre músicos negros envolvidos em assassinato durante os anos 30. Bem produzido mas com roteiro fraco e elenco discutível (deu ate indicação para a bem conservada Jacqueline Bisset que boa atriz nunca foi e não vai mudar). Também a BBC fez outro drama histórico chamada White Queen, que teve certa repercussão porque conta a historia da avó do Rei Henrique VIII, ou seja, da Inglaterra antes do reinado dos Tudors. Toma liberdades com a verdade histórica, tira a roupa dos atores, ou seja, esta mais coleção romanceada para mocinhas do que outra coisa. Agora os fãs de cinema de arte tem que ficar ligados noutro concorrente que tive a paciência de assistir em 7 capítulos. É “Top of the Lake”, uma minissérie escrita e dirigida pela neo-zelandesa Jane Campion (O Piano), com participação de Hollly Hunter mas estrelada pelo garota de Mad Men, Elizabeth Moss. Ela faz a policial que tenta desvendar o sumiço de adolescente nativa grávida numa região de lagos e montanhas de grande beleza. Passou nos EUA no Sundance Chanel e no Festival de Berlim. É interessante e foge dos clichês da BBC por exemplo, ou Rai. Tem cara própria.
Atores e séries.
Muitos deles vêem repetidos, já são fichados e aprovados. Já falamos de alguns. Mas merece destacar The Good Wife, que esta temporada deu a volta por cima, tomou novo fôlego e voltou a ser respeitada. Tive a paciência de assistir todos os capítulos de Masters of Sex, da Showtime, aqui HBO, mas fiquei decepcionado. Prefiro muito mais o filme “Vamos Falar de Sexo”, 2004, com Liam Neeson que tinha melhor roteiro e era mesmo mais ousado. E contava a mesma coisa sem tanta enrolação. Nem o Martin Sheen convence. O “House of Cards” merece uma atenção especial. Primeiro por ser uma série produzida pela e para a Netflix, sem qualquer supervisão da empresa, Vejam o notável: uma serie de teve que não passou na teve e foi produzido por uma locadora e fez tanto sucesso que deu origem a outros (na verdade, parece que foi a segunda produzida mas isso pouco importa, o que vale é o acerto. Vocês vêem como os canais que fazem isso a décadas estão errando o tempo todo, mas de dois terços do que fazem a cada ano fracassa. E a Netflix chamou um diretor de grande prestigio deu carta branca para ele e consegui estourar com House of Cards. No caso David Fincher que fez o piloto e escreveu as regras. O primeiro capitulo é notável, com Kevin Spacey com seu cinismo matando por piedade mas a sangue frio um cachorro ferido. Falando diretamente para a câmera (ou seja viramos cúmplices dele no plano de vingança. De repente, torcemos para ele conseguir o que deseja...).É verdade que nos todos estamos já de saco cheio de corrupção e pouco ligamos para os bastidores da política, mesmo americana. Mesmo assim achei a serie fascinante. E abriu o caminho , agora por exemplo a Amazon já esta produzindo suas series e outras virão.. É um novo mundo embora não de para sacar direito o que ira suceder num futuro próximo.
Vamos falar um pouco dos outros atores. Fortemente influenciado por House of Cards é o caso de Scandal, que depois de uma primeira temporada pálida esta enlouquecendo. Não é apenas uma ousadia (para americano!) um presidente ter um caso com uma advogada negra, que ainda por cima manda nele! Na verdade, não só ela, mas também a mulher Lady Macbeth também tenta a mesma coisa, sem o mesmo êxito. E de repente esta todo mundo conspirando, e ate matando (mesmo o presidente). Devia se chamar “Deu a louca na Casa Branca”. Ah, quem esta sendo considerada para premio é Kerry Washington, mignon e bonitinha, super bem vestida mas que ainda precisar crescer como atriz. E ver, por exemplo, o que faz a Robin Wright em House of Cards (sem mexer um músculo ou perder a classe).
Atrevidos o pessoal do Globo de Ouro também destacou duas atrizes e series que pouca gente viu. Mas deram um dentro total. Tatiana Maslany por Orphan Black, que não deu muito certo mas a menina estourou. Ela é uma moreninha com cara de brasileira mas é canadense que já fez muita coisa (Para Sempre, Senhores do Crime). Seu papel é de uma vigarista (hustler) que assume outra vida quando testemunha a morte de uma garota que é a cara dela! Promete ir longe! Outro sucesso do momento da Netflix é “Orange is the New Black” (Laranja é o novo Preto) que transforma em estrela Taylor Schilling, que a gente notou em Argo e Um Homem de Sorte. É uma loira, não especial em nada mas seu papel é fora do comum: ela vai presa como traficante porque trabalhava para sua amante, uma lésbica e isso deixa o noivo muito assustado (Jason Biggs).Quem devia ser nomeada também é Natasha Lyonne (a série que mostra a vida dentro da prisão feminina deve ter 26 capítulos!!).
Dentre os homens, claro que James Spader esta gordo, com penteado esquisito (será que esta ficando careca?) mas é tão sinistro, tão pedante, que sempre da show (a serie chama-se The Blacklist, sobre ex-agente do governo que se deixa capturar com plano de prender terrorista).
Outro parecido é Liev Schreiber, que andou fazendo vilões ( Wolverine, Sob o Domínio do Mal )e até casou com Naomi Watt. Em Ray Donovan, ele faz especialista em segurança de ricos e famosos, quebrando galhos da gente de Hollywood. Não gostei dos scripts mas o elenco de apoio é de primeira, com o retorno de Jon Voight, James Woods, Elliot Gould, Steven Bauer).
Noutro momento falamos dos indicados de Cinema.