segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A Fita Azul

A Fita Azul (Electrick Children) EUA,12. 93 min. Direção e roteiro de Rebecca  Thomas.mCom Julia Garner,  Liam Aiken, Rory Culkin, Bill Sage, Billy Zane.

     Não entendo muito o critério de importação de filmes independentes americanos com este, que chegou a ficar como indicado a revelação de diretora no Independente Spirit, foi melhor atriz em Bombaim,  e outros lugares pequenos . Essa atriz Julia Garner (loira e adorável) fez antes As Vantagens de ser Invisível e Martha Mary Marcy Marlene. E a diretora é a estreante em longa.

     Escolheu para contar uma historia misteriosa, sobre o Divino Espírito Santo, que deixa num meio termo, nem explica, nem critica, nem explora direito. É sobre uma garota que vive com a família  numa comunidade muito religiosa, Mormons fanáticos liderada pelo pai (Zane coitado que desde Titanic nada mais que prestasse) . Quando se vê grávida também houve rock pela primeira vez e se apaixona pela canção, fugindo de casa com um irmão  (acusado injustamente de incesto) e vão parar logo em Las  Vegas cidadezinha onde se envolvem com músicos de rock e skateboard. A cidade é mostrada sem cair em clichês e a tal canção é Hanging on the Telephone de Jack Lee e Blondie. Termina sem acusar ninguém, num meio termo irritante. 

Ref

O Globo de Ouro de cinema e seus favoritos.

O Globo de Ouro de cinema e seus favoritos. 

     Escrevo sem ter assistido ainda todos os filmes indicados ao premio Globo de Ouro, que vai acontecer neste domingo dia 11 de janeiro, quando serão apresentados os vencedores desse premio, que depois do venerável Oscar é o mais popular e prestigiado. As mestres de cerimônia  serão novamente as ótimas Tina Fey e Amy Poehler. Este ano novamente estarei transmitindo pela TNT, diretamente de Atlanta, a festa do Golden Globe (na semana seguinte teremos o premio do SAG, que também comentarei pela mesma TNT). 

     Na verdade, estou neste momento em Los Angeles e logo mais no estudio em Atlanta, onde justamente minha missão será comentar esses filmes, divididos em comédia e drama (já completei a visão dos produzidos para a teve). 

       Ate agora tudo indica que o grande favorito é o filme “12 anos como Escravo”, que tem sido saudado como maior evento do ano. Na verdade, ele faz parte de um ciclo de filmes sobre negros sem duvida provocado pelo governo Obama e suas conseqüências (ainda assim o presidente não teve um bom ano e sua popularidade anda comprometida). Esse projeto foi produzido por Brad Pitt (que faz papel pequeno) e dirigido pelo negro Steve McQueen (já se sabe que não é o astro falecido mas homônimo que dirigiu antes Shame com seu ator preferido Michael Fassbender que também concorre como coadjuvante). Não é um filme fácil pela própria temática real: um negro liberto é sequestrado e levado como escravo. Ninguém acredita nele e por isso sofre o diabo em torturas e sofrimento, ate finalmente se reabilitar. É uma chance muito grande para o ator britânico de pais nigerianos Chiwetel Ejiofor (muito competente, foi indicado antes antes para o Globo de Ouro de televisão com Tsunami,Kinky Boots, Endgame, Dancing on the Edge (este ano) e este filme. Parece o favorito mas não está só. Concorre com outro grande britânico, Idris Elba que tem historia parecida é britânico de Sierra Leone, foi indicado pela ótima serie de teve Luther e ganhou por ela em 2012). Idris Elba embora não se pareça fisicamente com Mandela, esta convincente na biografia essa sim convencional chamada “Mandela: Long Walk to Freedom” muito ajudada porque o biografado faleceu recentemente.

      Houve dois outros atores que pareciam ter chance de premiação mas ficaram fora da lista, o vencedor do Oscar Forest Whitaker por “O Mordomo da Casa Branca” (já visto e fracassado no Brasil) e um rapaz talentoso chamado Michael B. Jordan (não o jogador de basquete) que estrela “Fruitvale Station: A Ultima Parada”, que é um drama de denuncia sobre a policia matando rapaz negro de 22 anos sem qualquer motivo (na  Bay Area). O novo Jordan é veterano desde criança e tem a simpatia e presença agradável para segurar o filme. Ganhou premio em Cannes, Sundance, Gotham e indicado ao Independent Spirit.  

      Enfim, os dois britânicos enfrentam Tom Hanks (em nome de quem foi feita a maior campanha promocional que vi em anos, seu trabalho é apenas bom), Robert Redford (pelo filme que ninguém quer ver, um solo dele chamado All is Lost, e Matthew McConaughey como portador de Aids em Dallas Buyers Club. Ou seja todos são fortes candidatos.

      Ao contrario do Globo feminino como drama tudo indica que a favorita  era e continua a ser Cate Blanchett, magnífica como sempre em Blue Jasmine de Woody Allen. Ela enfrenta Judi Dench por Philomena (muito querida, em papel também muito simpático), Sandra Bullock (Gravidade), Emma Thompson por Walt nos Bastidores de Mary Poppins, ela sempre legal mas o personagem é de megera que se rende ao final, não acredito que embarquem nela. E pouca gente fala bem da comédia “Labor Day” de Jason Reitman que qualificou Kate Winslet  (como mãe solteira que da carona a fugitivo ferido, o chato do Josh Brolin).  

       A categoria comédia é sempre mais fraca.  Como atriz, temos a queridinha Amy Adams, que esta perseguindo prêmios faz tempo, esta é sua quinta indicação (agora por American Hustle/Trapaça), a francesa Julie Delpy  por Antes da Meia Noite (não tem chance teoricamente mas é simpático lembrarem dela e indicarem), Greta Gerwig por Frances He (mesmo aqui ela enganou muita gente, mas ainda resisto a seus possíveis encantos), Julia Louis Dreyfuss (por à Procura do Amor/Enough Said, mas por que deixaram de fora James Gandolfini???Injusto) e a inevitável Meryl Streep por Álbum de Família (será que é comédia mesmo?). Duvidoso. O resultado fica em aberto.

     Dentre os atores : Christian Bale por Trapaça, Bruce Dern por Nebraska (pela justiça seria ele que já esta velho e no papel de sua vida!), Leonardo Di Caprio por O Lobo de Wall Street (que tem causado polemica porque o filme parece comprazer mais do que criticar os biografados), Joaquin Phoenix em Ela (um chato mas é bom ator e num grande roteiro) e  o ótimo Oscar Isaac por Inside Lllewellyn Davis. Outra boa disputa.

       A Animação deve ser mesmo Frozen (em cartaz) mas filme estrangeiro é concorrido. Eu gosto de Azul é a Cor mais Quente, adoro A Grande Beleza da Itália respeito “A Caça”,  da Dinamarca, não curto “O Passado” do Irã (mas feito na França) e não conheço a animação japonesa “The Wind Rises” do mestre Miyazaki.  

      Coadjuvantes Feminino : Não seria divertido se Jennifer Lawrence ganhasse de novo, agora como coadjuvante e por Trapaça? Como fã da moça eu acharia o máximo. Tem chance porque muitas estão lá para constar Julia Roberts (Album de Familia) , Sally Hawkins (Blue Jasmine), não vi June Squibb (Nebraska) então sua oposição seria a jovem negra Lupita Nyongó (Por 12 anos). 

      Dentre os homens, o favorito parece ser Jared Leto por Dallas Buyers Club (ele faz um transexual)  ao lado do alemão e simpático Daniel Bruhl (Rush), o estreante e convincente bandido Barkhad Abdi (Capitão Phillips). Bradley Cooper (Trapaça) e Michael Fassbender (12 anos, que achei que passou do limite mas vi o filme é más condições e vou revê-lo).

     Dos grandes falta diretor e filme, que estão entrelaçados. Não sou capaz ainda de dizer qual o favorito. Todos são bons, O Lobo de Wall Street do mestre Scorsese, “Inside” dos Irmãos Coen, outros mestres, Nebraska (em preto e branco) do grande  Alexander Payne, Her /Ela de Spike Jonze (Quero ser John Malkovich, Adaptação) e ainda o vencedor do ano passado Russell agora com Trapaça! Não se pode dar um premio coletivo?

     No mínimo, este ano não parece previsível. Não é isso que se pede de uma premiação?

Fim.

Ninfomaníaca Volume I

Ninfomaníaca  Volume I (Mymphomaniac). Dinamarca, 14. Direção de Lars Von Trier. 122m in. Com Charlotte  Gainsbourg, Stellan Skasgaard, Shia LeBoeuf, Stacy Martin, Christian Slater, Jamie Bell, Uma Thurman, Willem Dafoe, Connie Nielsen, Jean-Marc Barr, Udo Kier. 

      É muito frustrante se ver logo no letreiro inicial que esta não é a versão autorizada por Von Trier (que será apresentada em Berlim, no Festival, com sua metragem de 5 horas e meia) mas uma outra que ele não aprova mas não renega (!!!)  e que em breve terá a parte II desta versão (alias o break tem um gancho bem interessante,embora a perspectiva de ter que assistir o filme outras vezes já por si apavora. Diz a distribuidora que a versão longa também passara aqui ). Seria a parte final da Trilogia da Depressão da  qual fazem partes incluindo Anticristo (09) e Melancolia (11), ambos cm Charlotte. 

      Desta vez não há desculpas existenciais ou metafísicas ou políticas. É um filme sobre sexo, ou seja, o que no fundo ele sempre quis fazer (já teve um que tinha ceninhas, que eu achava horrível que foi o   Os Idiotas (98). E pelo numero de jornalistas que correram para a pré estréia, o velho e bom sexo ainda é uma fonte de atração de bilheteria. Mesmo quando a estrela do filme é a mulher mais feia do cinema e que parece ter orgulho disso. Alias também é tão boa atriz que por vezes faz a gente esquecer isso, Charlotte, filha de Jane Birkin e do compositor Serge Gainsbourg (saiu ao pai e não a bela mãe).

      Em geral, Trier gosta de ficar interrompendo seus filmes com teorias filosóficas ou científicas (aqui fala um pouco de Bach)  mas desta vez estamos focados demais no que poderia ser sensual.  Porque ele joga pistas falsas (Christian Slater que faz o pai da heroína, provavelmente substituído por um duble de corpo aparece nos domínios da escatologia, doente, com os enfermeiros limpando as fezes da cama). Será mesmo de Shia o órgão sexual mostrado em detalhe numa cena de sexo?

       Não espere respostas também sobre o tema. Charlotte seria a Ninfomaníaca, Joe, já com 50 anos, que ao aparecer cansada e machucada, caindo no chão, afirma: sou apenas um ser humano mal. Ela é atendida por um homem mais velho (Stellan). Recusando ajuda ele relata sua vida onde a importrancia é sempre o sexo. Cada filme tem quarto capitulos e o Primeiro se chamado The Compleat Angler,  tirado do livro de Izaak Walton (sobre pescaria como analogia as conquistas).  A muito magra Stacy Martin em flash backs faz o personagem jovem que perde a virgindade aos 15 anos para um ingles (Shia) mais interessado em motocicletas. Uma amiga (Sophia Kennedy Clark) a provoca para uma espécie de desafio, ao tentarem conquistar homens em trens. Ainda assim Joe diz que doeu tanto que não quer mais fazer sexo.Amor para ela seria apenas “desejo com acréscimo de ciúme”), recusa dormir com um homem mais de uma vez (e a passagem deles é ilustrada por fotos de penises). Acontece então uma cena curta onde brilha Uma Thurman como uma mulher casada e enganada, que Nicole Kidman Iria fazer). Ate Seligman que  escuta as confissões comenta que ela conta tudo de forma negativa (vergonha, solitário) sem indicação de que o sexo a faz feliz. Não há também o mito do Don Juan feminino, o prazer da conquista, da manipulação, do jogo. Ou alegria de viver. 

     Não chega a ser cansativo mas tampouco revelador. Não foi mostrada a segunda parte mas o que lemos a respeito também não revela muito. O que eu senti mais falta era que principalmente Melancolia era um filme muito bonito, com imagens inesquecíveis. Aqui é um filme triste e feio.

Ref fim.

Virginia

Virginia (Twixt )EUA, 12. Direção de Francis Ford Coppola. 88 min. Com  Val Kilmer, Bruce Dern, Elle Fanning, B em Chaplin, Joanne Whalley,  David Paymer, Anthony Fusco, Aiden Ehrenreich.

      Difícil entender a cabeça de Coppola, que insiste em fazer filmes pequenos e independentes, financiados por ele mesmo, que tem sido horríveis fracassos de tudo. Depois de Velha Juventude (07), e Tetro (09), dois enormes vexames ele insiste desta vez fazendo um filme de terror banal, que chega ao cumulo de ressuscitar a figura do poeta Edgtar Allen Poe (vivido pelo inglês Chaplin, que nada tem a ver com o lendário Carlitos).

       Chega a ser risível a escolha de Val Kilmer (e ainda mais sua ex-mulher e parceira Joanne como coadjuvante, depois de ter virado matrona) para o papel de protagonista. Ele engordou demais ficou com cara de lua cheia e faz um alcoólatra, um escritor de filmes de terror que viaja pelo interior assinando seus trabalhos o que o leva a uma cidadezinha onde lhe falam da morte de uma pré adolescente. O filme ate que consegue alguma coisa no visual com o efeito fazendo os fantasmas aparecerem embranquecidos contra o fundo negro da noite. Até que não é mal ainda que vai ficando cada vez mais obvio, quando surge Poe pedindo justiça e reparações.   

      Dizem que Coppola fez o filme como pesquisa, já que sua proposta era que fosse um exercício de edição ao vivo. Utilizando inovadora tecnologia de montagem. Ele seria uma especie de condutor /maestro a cada exibição do filme aumentando ou encurtando a duração das cenas,  ate mudando elementos da trama dependendo da reação da platéia.  A experiência causou atraso no lançamento do filme ate quando Coppola teve que fazer uma única e definitiva finalização do filme. Era claro porém que era loucura do maestro e isso nunca funcionaria!!!

      Sem a “mágica”, a experiência deixa de existir e o filme não se distingue muito de dezenas de outros.

Ref fim.

Confissões de Adolescente

Confissões de Adolescente. Brasil, 14. Direção de Daniel Filho e Chris D´Amato. Com Sophia Abraão, Nina Albuquerque, Ana Vitoria Bastos, Hugo Bonemer, Dida Camero, Tammy De Calafiori, Cassio Gabus Mendes, Thiago Lacerda, Maria Mariana, Deborah Secco, Caio Castro.

      Daniel Filho sempre teve uma relação apaixonada pela obra homônima de Maria Mariana que em sua época foi ate ousada e pioneira, mostrando os problemas das meninas adolescentes pelo ponto de vista delas mesmas (é filha do ótimo Domingos de Oliveira). Entre 1994 e 96, chegou ao extremo de sair da TV Globo para produzir e dirigir a serie de teve Confissões de Adolescente ( com Mariana, Georgiana Goes, Daniele Valente e Deborah Secco,  alias todas elas fazendo pontas agora como mães).

     Inclusive com a ousadia de rodar tudo em película, já que o video-tape da época (com que eram feitas as series estragam fácil e não tinham resistência ao tempo). Embora continue simpático, oportuno e divertido, o filme parece querer ficar num meio termo, sem cair em porno-chanchada mas prejudicado pela passagem do tempo, já que sem duvida as coisas mudaram em duas décadas. Nem sempre para melhor. Sem querer perder seu publico teen, as discussões fogem do melodrama com pais compreensivos (a única figura central adulta é a do sempre bom Cássio Gabus Mendes, pai das quatro meninas, lutando com a falta de dinheiro para sustentá-las direito . Mas falta o contraste da incompreensão, da maior pobreza, dos problemas do aborto, enfim, resulta tudo muito superficial. As adolescentes de hoje são menos espertas e mais tontas do que o filme insiste em mostrá-las.

Ref fim.

Frozen, uma Aventura Congelante

Frozen, uma Aventura Congelante (Frozen) EUA, 13. Direção de Chris Buck, Jennifer Lee. 102 min. Com vozes de Josh Gad, Idina Menzel, Kristen Bell, Jonathan Groff, Santino Fontana, Alan Tudyk. 

      Este não foi um ano bom para  a animação com o visível desgaste da Pixar (que vem  perdendo o brilho com fracas continuações), coisa que tem sucedido também com as outras produtoras (os outros indicados com Frozen, para o Globo de Ouro foram Croods e Meu Malvado Favorito 2, do qual naturalmente este é o melhor. Foi ainda indicado como melhor canção, Let it Go de Kristen Anderson-Lopez, Robert Lopes). 

      Esta nova produção Disney esteve muitos anos em desenvolvimento- desde 2002-  já que é inspirada na historieta clássica do grande escritor infantil Hans Christian Andersen Snow Queen (o mesmo de Pequena Sereia, Sapatinhos Vermelhos e muitos outros). Ele se inscreve bem na tradição das princesas com quem o estúdio tem se dado muito bem ultimamente .Também é a primeira animação dirigida por uma mulher Jennifer Lee (que se formou como roteirista do estúdio e acertou com Detona Ralph) enquanto o parceiro Buck depois de se formar na Disney, com Tarzan, dirigiu sozinho o divertido Tá Dando Onda (07). Mas é certamente o melhor dos filmes recentes da Disney, já que os realizadores trouxeram uma nova maneira de narrar, envolvendo mais os personagens, nos aproximando das canções (embora se pareça mais Broadway a movimentação ajuda a dramatizar a historia. 

      Tem muito detalhe para comentar: a pontinha de Rapunzel e Eugene de Enrolados (quando abrem os portões, a esquerda, durante For the First time in Forever), originalmente Elsa iria ser a vilã da historia mas depois de ouvirem a canção Let it Go acharam ela muito positiva demais para bandida!Assim virou uma inocente isolada alarmada por seus poderes.   

      O nome mais famoso do elenco é Idina Menzel, que ficou famosa na Broadway com Rent, depois Wicked e como uma vilã em Encantada. Testou para Enrolados e o mesmo teste foi usado para usá-la aqui. Ela afirma que o filme é feminista e tem o mérito de mostrar a amizade entre as irmãs . 

      Os cuidados da produção incluíram trazer uma rena ao estúdio para servir de modelo para Sven. Passar uma temporada na neve, estudando todos os efeitos e principalmente na Noruega, cujos fjords serviram de modelo para a ambientação.A dança com gaivotas é para lembrar a dos quatro pingüins em Mary Poppins.  O desenho de produção de Michael Giaimo é inspirado em outros desenhos da Disney, como Cinderela, Peter Pan e A Bela Adormecida. E segundo ele mesmo afirma nos filmes de Jack Cardiff (Narciso Negro) e até Noviça Rebelde  . Outro detalhe importante: este é o primeiro filme da Disney de animação feito em Cinemascope (ou seja Widescreen), desde A Dama e o Vagabundo (fora Disney, o mais recente foi Titan,2000).  Não foi realizado pelo velho sistema de quadro a quadro mas pelo formato digital de computadores.

     Esses detalhes acho que ajudam a explicar o cuidado com que foi realizado o filme que na verdade só se justificam porque eles deram certo. Fazer um filme é sempre um tiro no escuro ainda mais animação que leva anos em produção e custa uma fortuna (150 milhões de dólares a renda ate o momento em que escrevo esta 248 milhões!). Frozen é o melhor Disney em alguns anos. 

Ref fim.  

Globo de Ouro Parte I

Esta chegando o Globo de Ouro  Parte I 

     A “Oscar Season” já começou e  primeiro momento deverá ser a entrega do Globo de Ouro no domingo dia 11, quando serão apresentados os vencedores desse premio, que depois do venerável Oscar é o mais popular e prestigiado. Também o mais divertido até porque as apresentadoras serão novamente as ótimas Tina Fey e Amy Poehler (esta indicada como melhor atriz em serie de comédia). Este ano novamente estarei transmitindo pela TNT, diretamente de Atlanta, a festa do Golden Globe (na semana seguinte teremos o premio do SAG, que também comentarei pela mesma TNT). 

     Mas se no cinema, o Globo serve para ajudar na escolha dos possíveis indicados ao Oscar (já que neste momento os sócios da Academia estão  votando neles), é na televisão que a  Associação de Imprensa Estrangeira tem mais acertado focando-se em prestigiar tudo que é mais novo e interessante que surge na teve. Tendo a sorte de fazer isso 1)enquanto o Emmy, o equivalente ao Oscar, continua antiquado e lento para reconhecer novos  talentos. 2) E no melhor momento da televisão em sua historia. A verdade é que se pode dizer que hoje temos melhores series de teve do que filmes (em particular como média).  Explicam isso porque hoje quem manda nas series são os escritores, os roteiristas! E no cinema os executivos, ate porque os filmes custam mais! 

      Aproveitei esses dias para assistir tudo o que me faltava sobre essas diversas series, já que na rotina da para seguir apenas as preferidas. Como a Downtown Abbey (más noticias: a quarta temporada esteve muito fraca, roteiro ruim, diálogos fracos e nem Maggie Smith esta brilhando. Ameaçou sair, deixaram ela fazer raras aparições. Uma decepção. Se forem justos, não merece levar nada). Ou outras que eu tinha abandonado e por vezes errado. Um amigo meu chamou a atenção para Boardwalk Empire, que pensei que sem a assinatura de Martin Scorsese iria decair. Errei. Felizmente a serie da HBO continua tecnicamente excepcional, com bela direção, excelente direção de arte e fotografia, um elenco de caras estranhíssimas (não guardei o nome mas o matador que cobre a parte destruída do seu rosto com uma pintura do que foi, é impressionante). Embora não goste especialmente de Steve Buscemi, o protagonista (que agora esta querendo largar tudo) ele convence num momento em que seu poder é disputado a ferro e fogo, por negros (que abriram uma boate) mas também pelo FBI. É um interminável mas forte e chocante   acerto de contas atrás do outro, numa variante melhorada dos Intocáveis. Quem gosta do gênero deve procurar assistir.

      Ainda assim não há como negar que este foi e ainda é o ano (digo 2013) da série Breaking Bad que chegou a seu final e a ultima temporada já esta nas locadoras a venda. Ao contrário do Dexter que decepcionou justamente agora ao final (e por isso ficou fora das listas de premiação, que conclusão mais tola e errada eles foram arranjar!) Breaking  Bad nunca me agradou muito por ser violenta demais e de certa maneira fazer o jogo da droga (ao menos nas primeiras temporadas, confirmei isso, ao rever o primeiro ano onde constatei a incrível qualidade do roteiro. Os scripts são brilhantes e só comparáveis ao elenco. Impossível imaginar que Bryan Cranston, aquele ator cômico de  Malcolm in the Middle, fosse capaz de tal dimensão trágica. A conclusão é satisfatória mas aconselho vocês a darem uma olhada no DVD da Sony para ver o que eles aprontaram: há um final surpresa bem humorado que funciona muito bem ! Ou seja, diz o bom senso que é impossível superar Breaking Bad. 

    Mas eu tenho que confessar um problema meu. Não sei se sou mais condescendente com series do que com longa metragens de cinema. Mas geralmente consumo melhor ate os telefilmes.

    Agora, os indicados para melhor minissérie.

      Outra vez temos um favorito que parece imbatível, que é outro da HBO, Behind the Candelabra. Nem acho nenhuma maravilha mas a mistura de diretor de prestigio (Sodebergh) dupla famosa fazendo gays (Matt Damon e Michael Douglas) , nostalgia (tem ate ponta de Debbie Reynolds).Garanto porém que a vida do pianista Liberace esta bem contada. Era assim mesmo. 

      Não curto o American Horror Story particular este ano sanguinolento e exagerado demais. Os outros indicados são curiosos. Dancing on the Edge é uma serie da BBC sobre músicos negros envolvidos em assassinato durante os anos 30. Bem produzido mas com roteiro fraco e elenco discutível (deu ate indicação para a bem conservada Jacqueline Bisset que boa atriz nunca foi e não vai mudar). Também a BBC fez outro drama histórico chamada White Queen, que teve certa repercussão porque conta a historia da avó do Rei Henrique VIII, ou seja, da Inglaterra antes do reinado dos Tudors. Toma liberdades com a verdade histórica, tira a roupa dos atores, ou seja, esta mais coleção romanceada para mocinhas do que outra coisa. Agora os fãs de cinema de arte tem que ficar  ligados  noutro concorrente que tive a paciência de assistir em 7 capítulos.   É “Top of the Lake”, uma minissérie escrita e dirigida pela neo-zelandesa Jane Campion (O Piano), com participação de Hollly Hunter mas estrelada pelo garota de Mad Men, Elizabeth Moss. Ela faz a policial que tenta desvendar o  sumiço de adolescente nativa grávida numa região de lagos e montanhas de grande beleza. Passou nos EUA no Sundance Chanel e no Festival de Berlim. É interessante e foge dos clichês da BBC por exemplo, ou Rai.  Tem cara própria.

     Atores e séries.

       Muitos deles vêem repetidos, já são fichados e aprovados.  Já falamos de alguns. Mas merece destacar The Good Wife, que esta temporada deu a volta por cima, tomou novo fôlego e voltou a ser respeitada. Tive a paciência de assistir todos os capítulos de  Masters of  Sex, da Showtime, aqui HBO, mas fiquei decepcionado. Prefiro muito mais o filme “Vamos Falar de Sexo”, 2004, com Liam Neeson que tinha melhor roteiro e era mesmo mais ousado. E contava a mesma coisa sem tanta enrolação. Nem o Martin Sheen convence.  O “House of Cards” merece uma atenção especial. Primeiro por ser uma série produzida pela e para a Netflix, sem qualquer supervisão da empresa, Vejam o notável: uma serie de teve que não passou na teve e foi produzido por uma locadora e fez tanto sucesso que deu origem a outros (na verdade, parece que foi a segunda produzida mas isso pouco importa, o que vale é o acerto. Vocês vêem como os canais que fazem isso a décadas estão errando o tempo todo, mas de dois terços do que fazem a cada ano fracassa. E a Netflix chamou um diretor de grande prestigio deu carta branca para ele e consegui estourar com House of Cards. No caso David Fincher que fez o piloto e escreveu as regras. O primeiro capitulo é notável, com Kevin Spacey com seu cinismo matando por piedade mas a sangue frio um cachorro ferido. Falando diretamente para a câmera (ou seja viramos cúmplices dele no plano de vingança. De repente, torcemos para ele conseguir o que deseja...).É verdade que nos todos estamos já de saco cheio de corrupção e pouco ligamos para os bastidores da política, mesmo americana.  Mesmo assim achei a serie fascinante. E abriu o caminho , agora por exemplo a Amazon já esta produzindo suas series e outras virão.. É um novo mundo embora não de para sacar direito o que ira suceder num futuro próximo. 

      Vamos falar um pouco dos outros atores. Fortemente influenciado por House of Cards é o caso de Scandal, que depois de uma primeira temporada pálida esta enlouquecendo. Não é apenas uma ousadia (para americano!) um presidente ter um caso com uma advogada negra, que ainda por cima manda nele! Na verdade, não só ela, mas também a mulher Lady Macbeth também tenta a mesma coisa, sem o mesmo êxito. E de repente esta todo mundo conspirando, e ate matando (mesmo o presidente). Devia se chamar “Deu a louca na Casa Branca”. Ah, quem esta sendo considerada para premio é Kerry Washington, mignon e bonitinha, super bem vestida mas que ainda precisar crescer como atriz. E ver, por exemplo, o que faz a Robin Wright em House of Cards (sem mexer um músculo ou perder a classe).

      Atrevidos o pessoal do Globo de Ouro também destacou duas atrizes e series que pouca gente viu.  Mas deram um dentro total. Tatiana Maslany por Orphan Black, que não deu muito certo mas a menina estourou. Ela é uma moreninha com cara de brasileira mas é canadense que já fez muita coisa (Para Sempre, Senhores do Crime). Seu papel é de uma vigarista (hustler) que assume outra vida quando testemunha a morte de uma garota que é a cara dela! Promete ir longe! Outro sucesso do momento da Netflix é “Orange is the New Black” (Laranja é o novo Preto) que transforma em estrela Taylor Schilling, que a gente notou em Argo e Um Homem de Sorte. É uma loira, não especial em nada mas seu papel é fora do comum: ela vai presa como traficante porque trabalhava para sua amante, uma lésbica e isso deixa o noivo muito assustado (Jason Biggs).Quem devia ser nomeada também é Natasha Lyonne (a série que mostra a vida dentro da prisão feminina deve ter 26 capítulos!!). 

      Dentre os homens, claro que James Spader esta gordo, com penteado esquisito (será que esta ficando careca?) mas é tão sinistro, tão pedante, que sempre da show (a serie chama-se The Blacklist, sobre ex-agente do governo que se deixa capturar com plano de prender terrorista).

      Outro parecido é Liev Schreiber, que andou fazendo vilões ( Wolverine, Sob o Domínio do Mal )e até casou com Naomi Watt. Em Ray Donovan, ele faz especialista em segurança de ricos e famosos, quebrando galhos da gente de Hollywood. Não gostei dos scripts mas o elenco de apoio é de primeira, com o retorno de Jon Voight, James Woods, Elliot Gould, Steven Bauer).  

Noutro momento falamos dos indicados de Cinema.