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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Megatubarão (The Meg)


Megatubarão (The Meg)
Inglaterra, Nova Zelândia, 2018. 1h53min. Direção de Jon Turteltaub. Com Jason Statham, BingBing Li, Rainn Wilson, Cliff Curtis, Winston Chao, Shuya Sophia Cal, Roby Rose, Page Kennedy, Jessica McNamee.

Fiquei impressionado quando soube que este filme teve orçamento de 150 milhões de dólares, foi rodado na Nova Zelândia e que mandaram embora o diretor original Eli Roth (infamante escolha, ele é dos piores e mais mentirosos pseudo-cineastas que ainda estão em ação). Outra coisa importante, grande parte do filme foi financiado pelos chineses!!! Por outro lado, já fui preparado para ver uma comédia delirante, aproveitando a moda que os norte-americanos utilizam todos os anos com a Festa do Monstro geralmente liderados por Tubarões, e misturas divertidamente absurdas de tudo que é bicho esquisito. Uma pena, mas o filme aqui não tem sequer fôlego para isso. Nem chega a provocar muito riso, acho que a única sequência que tem alguma graça é a praia oriental com dezenas de pessoas tomando banho na água azulada no mesmo momento em que o Tubarão deverá atacar. E aí então tem a citação do Tubarão de Spielberg, quando um cachorrinho sai nadando e é perseguida pelo bicho rei... Mas nem isso foi bem desenhado e realizado... Aliás, como é possível se fazer um filme sobre um tubarão gigante que estaria vivendo nos limites debaixo d’água. Mas é pouco, o dito monstro nem é mostrado direito, porque os efeitos nada especiais são desperdiçados (outro defeito que não posso esquecer de mencionar, o filme leva um tempo enorme, talvez meia hora para alguma coisa acontecer). Os diálogos são pseudo engraçadinhos, os personagens que pretendem ser divertidos (adivinhem que final irão ter quando se sabe que eles são inimigos do único herói, digo Jason Statham!). No caso, tem o milionário tolo e caçador de dinheiro (um papel ate que longo do humorista americano Rainn Wilson, que nunca serviu para coisa alguma). Ah, e o médico que persegue sem motivo o Jason (Opa, mais um detalhe, o roteiro é muito ruim, os diálogos porém conseguem ser ainda piores já que o galã tem três mulheres rondando ele, a ex-esposa que ele salvou mas mesmo assim fica num terceiro plano, a moça chinesa que ao menos é interessante, anote, a Bingbing é famosa na China e bonitinha, e ainda uma criança metida a espertinha...). Outro problema, está faltando aqui a presença do Dwayne Johnson, como ele foi capaz de escapar deste abacaxi retumbante! Só faltava mesmo ele para devorar o Meg! E ainda tem gente que fala mal do Spielberg que inventou brilhantemente o filme de tubarão. Só sei que fiquei com muita nostalgia quando fui me lembrar do único filme brasileiro de tubarão, uma chanchada inacreditável dirigida por um amigo meu (vamos deixar isso de lado) e que no lugar do tubarão acharam melhor colocar o bacalhau! Isso sim que é titulo para um filme como este aqui!

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Pequeno Segredo


Brasil, Nova Zelândia, 16. Direção de David Schurmann. Com Julia Lemmertz, Marcello Anthony, Maria Flor, Fionulla Flanagan, Erroll Schand, a menina Mariana Goulart, Thomas Silvestre, Michael Wade, Ryan James.

Já houve muitos filmes sobre Aids, nos últimos vinte anos, europeus e americanos, inclusive o recente e premiado The Normal Heart, 14, que desmistificava o assunto. São em geral penosos para o espectador, porque quase todo mundo perdeu algum parente ou amigo nessas condições. Situação essa que deixou de ser tão urgente, já que houve evolução se não na cura, pelo menos em paliativos. Atualmente (e infelizmente) a doença não é levada tão a sério e, por tabela, o mesmo sucede com este filme nacional que tem a tarefa ingrata de abordar o tema que além disso já foi mencionado (ainda que sem profundidade), no bom documentário O Mundo em Duas Voltas (07), que abordava o assunto ao retratar as viagens de iate/barco que a família Schurmann dava a volta ao mundo em um veleiro, muito popular porque rendeu programa semanal no Fantástico da Rede Globo. E aí já chegamos à conclusão, o anterior, também assinado pelo David, de Santa Catarina e membro da família, era melhor, mais movimentado, com melhor roteiro e estrutura (aqui com frequência a história fica confusa, muita coisa perde a emoção também porque há muitos diálogos em inglês - é coprodução com a Nova Zelândia) e ainda por cima carrega o peso de ter sido oficialmente indicado pelo Brasil para o Oscar de filme estrangeiro. Uma resolução ainda mais polemica quando o favorito parecia ser o Aquarius, que foi e continua a ser o preferido da crítica (não cabe aqui entrar no affair, já que Aquarius está pagando o preço de ter feito manifestação contra o governo de Temer, no Festival de Cannes!). Embora Aquarius tivesse mais chance de ser lembrado no Oscar e Globo de Ouro -os votantes adoram Sonia Braga! - e seja realmente um melhor filme.

Embora tenha uma delicada trilha musical (quase toda em piano), de Antônio Pinto, dando a impressão de que tentou tudo para dar um pouco de vida ao filme que não é um documentário. O roteiro comete bobagens (por exemplo, Marcello Anthony que tem personagem importante faz uma figuração praticamente muda!). Também procura ser discreto no drama trágico, quando na verdade, esta seria a verdadeira razão de ser do projeto, conquistar o espectador pelas lágrimas.
A diferença de quase todos os outros filmes que abordam a temática é que aqui a moça (paranaense) feita por Maria Flor (sempre encantadora) sofre atropelamento é fica contaminada pelo vírus da Aids por causa de transfusão de sangue. Ela tenta impedir que a filha sofra do mesmo mal assim como o marido neozelandês. Todos condenados a morte. Só que a menina Kat embora carregue o vírus, é sempre radiosa e feliz (o diretor até arranja uma dança de fadinha para ela, que mergulha já na fantasia, até porque a menina não convence como bailarina).

Enfim, o dilema se resume no fato de que gostaríamos de apoiar um filme com essa temática mas esbarra-se na trama mal alinhavada, história mal contada. Embora Julia Lemmertz se esforce muito, nem ela como mãe adotiva da criança consegue amarrar o resultado – eles se conhecem numa das viagens e se tornam muito amigos, passando a cuidar da menina. Na verdade, o foco central da história e a figura mais marcante é uma excelente atriz irlandesa, Fionulla Flanagan, que no papel da avó legitima (mãe do pai) praticamente rouba o filme. Fionulla é maravilhosa e já fez mais de 123 trabalhos em teve e cinema (Os Outros, Sim Senhor, Quatro Irmãos, Transamérica, Lágrimas do Sol, A Fortuna de Ned, Divinos Segredos).

Não acredito porém que o filme venha a seduzir a Academia.