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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Viva (Idem)


Cuba, 15. 100 min. Direção de Paddy Breatchnach. Com Hector Medina, Jorge Perrugoria, Luis Alberto Garcia, Jorge Martinez Castilho, Luis Manuel Alvarez,Laura Aleman, Renata Blanco.

Drama cubano, feito por diretor irlandês de certo renome (fez, por exemplo, a comédia De Cabelos em Pé/ Blow Dry, 01, com Alan Rickman e Nathasha Richardson, Correndo para Cachorro, com Fionulla Flanagan, o terror Alucinação com Jack Huston, um desconhecido Dominador de Corpos). Na verdade, nenhum deles é muito bom e merece qualquer destaque. Este filme feito para a televisão chegou a ser premiado em festivais gays em Santa Barbara e pela TV irlandesa. Curiosamente o ator porto-riquenho vencedor do Oscar, Benicio del Toro assina como um dos co-produtores.

Embora esteja carregado dos antigos clichês do cinema cubano dos anos 40 e 50, o filme é bem interpretado e apesar dos lugares comuns todo o melodrama é realizado com certa dignidade. Principalmente ressuscita os bons tempos dos boleros cubanos trágicos e gritados com toda a garganta possível só que naturalmente interpretado por travestis quase todos de mais de 60 anos. Com uma exceção, que vem a ser o jovem ator central do filme, um rapaz inexpressivo mas com cara de bonzinho e jeito discreto (que a direção pediu para que fosse efeminado). Filho de um decadente lutador de boxe (o famoso ator cubano Perrugoria, que até andou filmando aqui pelo Brasil) e de uma mulher. Aí francamente não entendi muito, já que a que se diz sua mulher dubla as canções e tem jeito de homem, enfim... besteira perder tempo em detalhes num projeto que obviamente tenta contar com gentileza o sofrimento do rapazinho de bom coração (ele ajuda a vizinha que fica grávida, ganha dinheiro se prostituindo com homens e acaba ajudando o pai que reaparece muito doente).

Ah, Viva é o nome artístico que ele adota quando descobre que sua verdadeira vocação é o palco da boate gay (porque ele é tão loucamente aplaudido é outro mistério do filme). Francamente acho que estou sendo injusto com uma realização ingênua e romântica, que não faz mal algum. Capaz até de cumprir sua modesta pretensão.