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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Sem Amor (Loveless/ Nelyubov)


Sem Amor (Loveless/ Nelyubov)
Rússia, 17. 2h7min.  Direção de Andrey Zvyagintsev. Com Mariana Spivak,. Aleksey Rosin, Vladimir Vdovichenkov.
A seleção dos Oscars de filme estrangeiro sempre foi esquisita e falha. E não mudou este ano, onde selecionaram uma série de filmes relativamente desconhecidos, mas que ao menos os distribuidores brasileiros tiveram a inteligência de importar para exibi-los agora. Como o presidente soviético anda tão amigo do presidente americano Trump, tudo é possível. De qualquer forma, este filme também foi indicado ao Globo de Ouro, o Bafta britânico, ganhou o Prêmio do Júri em Cannes, o Camerimage, trilha musical e fotografia no European Film Awards, Independent Spirit, Golden Eagle na Rússia (como direção), London Film Festival (melhor filme), Munich (filme)Zagreb. Ou seja, veio qualificado.

Importante: o diretor Andrey (1964) ficou famoso pelo seu premiado Leviathan (14), finalista do Oscar, melhor roteiro em Cannes, vencedor do Globo de Ouro, mas seus outros filmes são também interessantes: O Retorno (03), O Desterro (07), Elena (11).

À primeira vista já é bom perceber que não é o habitual trabalho soviético. Nunca vimos essa temática num filme russo, ainda que comum tanto no cinema americano quanto europeu. Em 2012, o casal Boris e Zhenya, embora ainda vivam juntos na mesma casa, em Moscou, estão num processo de divórcio. Ambos já tem novos parceiros, mas tem problemas graves como a custódia de Alyosham, o único filho agora com 12 anos. Que apesar disso é desprezado, mal-amado e se tornou um garoto infeliz que se acha desprezado. Na verdade, os pais o ignoravam e só dois dias depois do garoto sumir de casa é que vão perceber sua ausência.

Talvez a melhor coisa do filme seja sua fotografia, seguido de perto por um hábito do diretor. Embora seja discreto para não provocar a ira dos poderosos locais, mas parece que a intenção não é apenas o casal, mas toda a sociedade e realidade da vida soviética. Se bem que a trama poderia acontecer igualmente nos EUA (aliás, é provável que já tenha sido feita). O filho do casal chamado Alyosham mas todo o comportamento dos pais é o reflexo de um pais ainda ditatorial, repleto em alcoolismo e corrupção, simbolizado basicamente no trio central. Por isso que o filme é mais interessante e revelador do que o resumo faz crer. Por exemplo, o marido Boris que trabalha numa empresa que não permite que ele não seja casado e não tenha filhos!). Enquanto o novo namorado de Zhenya a introduziu num grupo mais sofisticado de sociedade. Enquanto isso a polícia acha que o desaparecido pode voltar e pouco faz. Um grupo especializado tenta ajudar de maneira mais eficiente. Mas não é difícil prever a conclusão. Curiosamente a crítica americana acha que a sobriedade (e o clima de corrupção) pode não atingir o espectador local. Mas o filme deve funcionar melhor entre nós, principalmente entre as mulheres.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A Noiva (The Bride/ Nevesta)


A Noiva (The Bride/ Nevesta)
Rússia, 2017. 1h33min. Direção de Svvatoslav Podgaeyvskiy. Com Vv acheslav Chepurchenko, Aleksandra Rebenok, Igor Khripunoy. 2017.

Não é toda hora que assistimos a um filme russo, ainda mais de uma produção recente de terror (anunciaram já um remake dele, versão americana). Não espere nada muito original ou por demais assustador, mas há certo charme (lembrando mesmo os semelhantes britânicos) ao contar a história de um hábito russo, em que as mulheres que morrem são fotografadas (o curioso é que os olhos delas são pintados como se estivessem abertos!). Depois desse caso que abre o filme, há um casal jovem que sonha em vir para o interior numa casa antiga, onde vão se casar. Tudo parece ir bem quando descobrem os indícios de uma outra figura que teria sido uma noiva enterrada viva! Daí em diante o filme vai ficando cada vez mais previsível quando a jovem também cai vitima desses hábitos. Na conclusão, uma clássica situação volta a se repetir. Não dá para dizer que é assustador ou mesmo diferente, mas não deixa de ser um pouco curioso.