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quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

GLOBO DE OURO 2019: A Favorita (The Favourite)


A Favorita (The Favourite)
Grécia, Inglaterra, 2018. Direção do grego Yorgos Lanthimos. Roteiro de Deborah Davis, Tony McNamara. Com Olivia Colman, Emma Stone, Rachel Weisz, Nicholas Hoult, Emma Delves, Fay Daveney.

Este foi o filme que fez a abertura da Mostra Internacional de São Paulo deste ano aproveitando o prestigio do diretor grego Lanthimos, o mais famoso e estranho de sua terra, sendo que já teve premiação com outros trabalhos enigmáticos e bizarros, sendo o mais simples e famoso O Lagosta, 15, com Rachel Weisz e Colin Farrell. Mas antes disso os trabalhos foram ainda mais difíceis (como O Sacrifício do Servo Sagrado com Nicole Kidman e Farrell e ainda mais incompreensível). Antes disso fez circuito de arte com Dente Canino, Alpes, Kinetta e outros mais locais.

Este filme ao menos emocionou os votantes do Globo de Ouro de tal forma, que foi indicado aos prêmios Olivia Colman (que faz a rainha), Rachel Weisz, Emma Stone, mais roteiro e ainda roteiro de musical ou comédia (é bom avisar isso porque pouca gente irá perceber isso a não ser por alguns tombos ou socos que atores fazem de bom gosto, por um prêmio são capazes de tudo!). A princípio achei até interessante a fotografia muito escura e o figurino ao mesmo tempo exótico e carnavalesco. Essa rainha que segura o filme realmente existiu e teve parentes celebres na Inglaterra (como Churchill), mas o filme vai se desgastando por repetir ao excesso os planos de castelos, onde tudo sempre aparece arredondado e caindo na comédia ao mostrar o horror que é a vida particularmente da rainha, cheia de frieiras e feridas na perna, mas que também gostar de ficar beijando sua companheira. Quem faz a novata é Emma Stone, que emigra com sua família para tentar um lugar entre os nobres (coitada, leva uns empurrões que a jogam enquanto fica trabalhando junto com a rival Weisz). Enfim, não é bem comédia, ao menos que a achemos patética, não é história porque quase tudo que mostra acaba sumindo sem maior consequência, e a figura melhor é, por definição, coincidência, uma atriz britânica conhecida na televisão local chamada Olivia Colman que ameaça absurdamente ganhar o prêmio maior (quando tem tanta gente boa concorrendo!) .

Há um resumo do filme para quem não conseguir segui-lo direito: “No começo do século 18, a Inglaterra está em guerra com a França (mas mal se dá para entender nos diálogos!). No entanto, se alimentam de patos e frutas. A rainha Anne é muito frágil com doenças, mas ocupa o cargo com a ajuda da amiga Lady Sarah (Rachel Weisz). Quando chega uma nova servente Abigail (Emma Stone), esta tenta ser próxima da rainha para o ciúme da outra, com a pressão de alguns oficiais”. Pouca coisa, porém, dá certo ou interessa.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O Lagosta (The Lobster)



Grécia, Inglaterra, 2015. 1h59min. Direção de Yorgos Lanthimos . Com Colin Farrell, Rachel Weisz, Jessica Barden, Olivia Colman, Sean Duggan, Rosana Hoult, John C. Reilly.

Embora tenha sido indicado ao Oscar de roteiro original e o Globo de Ouro de ator em comédia (Colin), não chegou sequer a passar em nossos cinemas este filme bizarro e curioso, que acabou sendo lançado na televisão no HBO Cinemax. Apesar também de ter tido uma excelente repercussão no Festival de Cannes onde o diretor que é grego ganhou o Prêmio do Júri do Festival, outro da categoria Queer, outro para o cachorro Bob the Dog, assim como menções e prêmios em festivais menores em geral gays.

Lanthimos é um jovem grego que ficou conhecido dirigindo vídeos musicais. Já tem doze créditos e seus filmes só passaram aqui em festivais, assim mesmo não me parece que tenha muito prestígio. Só conheço o Dente Canino, um filme muito mais esquisito que este ainda, sobre três adolescentes que não saem de casa e da piscina porque os pais disseram que só poderão fazer isso quando os dentes caninos deles caírem... Pelo resumo da para entender bem o estilo do diretor e porque para abraçá-lo se recomenda estar ligado nos clássicos principalmente do teatro do absurdo que tem grandes autores como Samuel Beckett (em particular Esperando Godot), Ionesco (As Cadeiras, Rinoceronte), esbarrando também no surrealismo. Ou seja, mostra com absoluta seriedade coisas que a primeira vista seria completamente improváveis ou realistas.

É o que sucede neste filme também escrito pelo diretor, junto com E. Fillipou, que é apresentado pela própria produção como uma história de amor que acontece num distopia do futuro próximo, quando as pessoas que ficaram solteiras são presas e levadas para um grande hotel a moda antiga, onde são obrigadas a encontrar uma parceira(o) num máximo de 45 dias. Se eles falharem serão transformados em um animal e abandonados nas florestas.

Não é exatamente comédia, mas uma espécie de sátira, muito valorizada pelo elenco (não usam maquiagem) em particular Farrell que acabou virando um bom ator funcionando muito bem aqui. O filme foi inteiramente rodado em luz natural, ao redor do hotel Parknasilla em Sneen, Country Kerry na Irlanda (Dublin serviu para as cenas na cidade). O Eccles Hotel em Glengarriff, CountryCork é usado para as cenas interiores.Uma curiosidade: a atriz central do filme, Rachel Weiz, só aparece depois de 58 minutos de narrativa. O elenco de apoio do filme tem outras figuras importantes, a francesa Lea Seidoux, o inglês Ben Whishaw (ambos da série James Bond e naturalmente Rachel é a mulher de Daniel Craig na vida real). O título se refere ao animal que o protagonista preferia se tornar!

O fato é que o filme foi bastante bem no circuito de arte americano e o diretor foi celebrado como original e divertido, ainda que de certa forma pretensioso. Ou seja, atenção nele porque ainda irá fazer muita coisa importante. Siga a história literalmente que será a maneira mais simples de entendê-la.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A Lição (Urok)

Bulgária, Grécia, 2014. 105 min. Direção e roteiro de Kristina Grozeva e Petar Valchanov,Urok. Com Margita Gosheva, Ivan  Barnev, Ivan Savov, Stefan Denolyubov, Ivan Bratoeva.

Este é daqueles filmes europeus bem premiados: atriz em Angers, estreante em Goteborg, revelação de diretor em San Sebastian, melhor filme, filme internacional em Sofia, roteiro e premio especial em Thessalonik,  prêmio Especial do Júri em Tóquio, direção , atriz em Transilvânia, filme em Varsóvia.

Mas nem por isso muito especial. Segue o padrão atual do cinema europeu, com câmera na mão seguindo os atores (em geral convincentes) se intrometendo na ação. Não há maior preocupação com fotografia, enquadramentos ou criatividade. Limita-se a contar uma história bastante interessante e universal, a que alguns críticos chamaram de moralista. De qualquer forma é sobre Nade (Margita), uma professora de inglês, que leva a sério a denúncia de uma das aluninhas que diz que sua carteira foi roubada. Não pense que essa será a trama principal, ao contrário depois da lição mal dada, ela parece esquecida quando a professora descobre que tem um problema maior. O banco está avisando ela em sua própria casa, que por não terem sido pagas certas dividas, a casa será colocada em leilão dali a dois dias. E a culpa é do  marido dela, um bêbado diz que gastou o dinheiro com equipamento para seu carro e não pagou a dívida.

Assim a coitada da heroína vai ter que sair procurando alguém que lhe empreste dinheiro, até um filme também de pouco impacto. Outros comparam aos filmes dos Irmãos Dardenne e louvam a atriz protagonista. Não me emociona nem convence embora a dupla de diretores seja famosa por seus muitos curta-metragens.