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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Lamen Shop (Ramen Teh)


Lamen Shop (Ramen Teh)
Japão, Singapura, França, 18. 89 min. Direção de Eric Khoo. Takumi Saitoh, Tsuyoshi Ihara, Seiko Matsuda, Mark Lee, Jeannette Aw.

Para os que estão como eu com saudades de filmes orientais e comidas sofisticadas, que tal experimentar esta co-produção original não apenas com o título de uma delícia famosa, mas pouco conhecida ainda no Brasil, o curioso e ainda raro Lamen, um dos pratos mais famosos e menos divulgados aqui no Brasil. Justamente por isso é que fiquei com maior curiosidade nesta história sobre Masato, um chefe de cozinha japonês que sonha em partir para Singapura pra reencontrar os pratos que sua mãe fazia quando era criança. Assim resolve realizar uma viagem culinária de sua vida, procurando descobrir os segredos culinários desconhecidos. Temos assim uma visão muito rara entre duas culturas, a mais consumida por nós, japonesa com a de Singapura.

Atenção então para o Ramen, traduzido aqui como Lamen, que já teve nos momentos menos gloriosos, como comida dos pobres! E com cuidado o filme nos demonstra os ingredientes de sua preparação. A receita mais comum japonesa seria a seguinte: Ingredientes 2 litros de água. 3 tabletes de caldo de galinha. 1/2 xícara (chá) ou 100 ml de caldo de carne de porco. 4 colheres (sopa) de molho shoyu 600 g de macarrão (ideal o chinês para ramen, ou alguma massa mais fina, como cabelo de anjo) lombo de porco cozido fatiado.2 colheres (chá) de pó de kombucha (opcional). Mas não é uma simples diversão, já que a questão mais importante é o trauma causado pela brutal invasão japonesa na China (em 1937, isso sucedeu e só acabou na verdade em setembro de 1945, quando o Japão se rendeu aos Aliados.O Japão entrou em guerra violenta contra os outros países asiáticos e o exército japonês foi muito cruel com toda a população chinesa inclusive com estúpidos estupros e até experiências médicas). Tudo isso dá uma leitura a mais no conflito da história.

Tudo isso, o terror e a delícia culinária são aspectos importantes e curiosos de um filme cada vez mais interessante e mesmo raro para ser enriquecido por flashbacks e lembranças muitas vezes tocantes. Ou seja, é um filme especial que aborda temas e sabores muito originais para nós. Experimente.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Quando Meus Pais Estão em Casa (Ilo Ilo)

Singapura, 2013. 99 min. Direção de Anthony Chen. Com Yann Yann Yeo, Tian Wen Chen, Angeli Bayani, Jialer Koh, Peter Wee.

Drama familiar que ganhou muitos prêmios, começando com o importante Camera D´Or, para estreante. Ainda foi premiado como Direção (Asia Pacifica Award), Coadjuvante (Yann) no Film Festival Asia Pacific, Bombaim (Diretor e Atriz), Diretor (Sutherland Award, BAFTA), Dubai (Atriz e filme), Golden Horse (filme, diretor novo, roteiro, ator coadjuvante, atriz coadjuvante), Palm Springs, (filme narrativo) Filadelfia, (diretor emergente) San Francisco Asian, Grande Prêmio e Publico (Tóquio). Indicado para o Oscar de filme estrangeiro em 2014. Foi finalista na Mostra de São Paulo.

Sou admirador dos filmes do japonês Hirokazu Kareeda que tem realizado filmes sobre a família como Depois da Vida, Ninguém Pode Saber e Pais e Filhos, todos eles delicados mas realistas e sinceros retratos da vida em família no Oriente. Agora chega um filme semelhante de outro país muito menos conhecido, Singapura, com diretor estreante muito menos seguro na narrativa, que mesmo curta, por vezes se arrasta ou simplesmente não consegue reproduzir a mesma emoção ou simpatia. Acho melhor ler resumido do que assistir, mas enfim os mais pacientes podem se envolver nesta história sobre um garoto de Singapura de 10 anos que se afeiçoa a sua babá porque os pais são obrigados a conseguir ajuda porque não podem largar os respectivos empregos, ainda mais na crise financeira de 1997.

Tenho um amigo brasileiro que viveu por lá, enquanto sua esposa conseguiu um cargo de executiva muito importante e sua solução foi ele virar a babá, diante da sociedade muito fechada deles, onde lendariamente se jogar lixo na rua leva você a ser preso! A família no filme se chama Lim, e o pai Keng Teck (Chen Tian Wen) perdeu o emprego de executivo de vendas mas não teve a coragem de contar para ninguém, nem a esposa (Yeo) que está grávida mas mantém emprego de secretária. O filho dele Jiale (Koh Jia Ler) cria problemas na escola e são forçados a contratar Terry, uma empregada das Filipinas (Angeli Bayani). O melhor do filme mostra os dois tentando se ajustar até um final triste. Registro da vida cotidiana e caseira, o filme registra a relação entre as mulheres mostrando todo mundo com certa profundidade.

Yeo é da Malasia e ficou grávida durante a filmagem o que foi incorporado a história. A empregada não é atriz profissional, mas tem feito os filmes de um diretor filipino Lay Diaz. O resultado deve interessar mais o público feminino, que irá se identificar com muita coisa.