segunda-feira, 7 de julho de 2014

Monty Python e O Sentido da Vida

Monty Python e  O Sentido da Vida
estréia em cópia restaurada em cinema em São Paulo. 

Monty Python´s The Meaning of Life
Comédia.Widescreen 1.85:1. 107 min.Cor. 1983.Inglaterra.
Universal/Espaço Filmes.
Diretor: Terry Jones e Terry Gilliam
Elenco: Graham Chapman, Eric Idle, John Cleese, Terry Jones, Michael Palin, Carol Cleveland, Simon Jones, Terry Gilliam.

Sinopse: Em episódios, os seis membros originais do programa humorístico de teve exploram temas sérios como sexo, transplantes de órgãos, o milagre do nascimento, funções digestivas, a   morte e sem dúvida, o sentido da vida.

       Se você é fã do grupo, com certeza vai admirar esta sua possível obra-prima, que é também o mais intelectual e desigual de suas obras. Se não conhece, vai ter uma enorme e favorável surpresa.  Vencedor do Grande Premio Especial do Júri no Festival de Cannes (uma raridade para comédia) é uma seqüência irreverente de sketchs (o diretor Terry Gilliam fez os de animação, aquele mesmo que depois se especializaria em grandes espetáculos como o novo Teorema Zera, Brazil o Filme,O Mundo Imaginário dos Irmãos Parnassus). Não é preciso se fazer o elogio do grupo, sem duvida os humoristas mais brilhantes, criativos e originais de sua geração (eles ficaram famosos na televisão britânica e passaram para o cinema com Em busca do Cálice Sagrado, 75. Mas fizeram poucos filmes,  como Jabberworcky, 77, A vida de  Brian, 79, e este que acabou sendo também o ultimo longa do grupo). Fazem diversos papéis masculinos e femininos, de forma hilariante e sem duvida muito britânica. Alguns momentos deste clássico debochado ficaram  famosos (como os peixes conversando no aquário do restaurante a espera de que vai devorá-los,  o homem mais obeso do mundo vomitando, um numero musical sobre esperma e o excesso de população, uma canção Every Sperm is Sacred que chegou a ser indicada para o BAFTA que é totalmente anti-católica,  uma aula prática de sexo que deixa os alunos entediados). Mas é uma pena que eles tenham se separado logo depois ( e Graham Chapman – 1912-89-   o único deles abertamente gay, seria o primeiro a falecer e pediu justamente para fazer o papel de Deus, os outros ainda estão em ação mais ou menos aposentados ) .O filme  já começa com uma espécie de curta-metragem satirizando os filmes de pirata (mais tarde , a nave pirata  irá invadir o longa-metragem), é todo diferenciado por capítulos  foi precursor da moda de escatologia e grossura dos anos 2000 (mas sempre com mais classe e ironia que atualmente). O surpreendente é que o grupo não mostrou um script para a produtora Universal, apenas um orçamento possível e um poema que resumia as idéias. Michael Caine faz uma figuração na cena da guerra Zulu (porque ele se revelou  num filme chamado Zulu anos antes!). Curiosamente todo o grupo depois considerou o filme pretensioso e inferior aos anteriores (mas se enganam!). Segundo Gilliam, o titulo de Sentido da Vida foi a única forma de dar sentido geral aos episódios. Também é o titulo de um livro que existe mesmo escrito pelos amigos do grupo Douglas Adams e John Lloyd e que aparece no filme (o livro não os autores). Foram descartadas duas idéias interessantes. Uma delas é sobre a Terceira Guerra Mundial, em que eles todos seriam soldados cheio de anúncios e também os exércitos teriam patrocinadores. Consideraram  ainda a idéia de virar tudo um filme de tribunal,  de fazerem um filme tão ruim, para apenas ganhar dinheiro. Que seria um Hamlet passado no Caribe. E no final todos seriam condenados e executados. 

     A conclusão do filme acabou sendo  justamente a canção à la velha Broadway que justamente critica  a proposta do titulo, qual seria realmente o sentido de nossa vida? Que eu acho a solução perfeita para encerrar o filme e que depois acabou virando o tema musical central do grupo. Em minha opinião, uma das melhores comédias de todos os tempos.

Ref fim .

Walk of Shame

Walk of Shame. EUA, 14. Direção e roteiro de Steven Brill. 95min. Com Elizabeth Banks, James Marsden,Gillian Jacobs,  Sarah Wright, Ethan Suplee, Bill Burr, Oliver Hudson.

       Acho muito dificil que este filme estreie nos cinemas como estava programado, ao menos logo que os distribuidores se derem conta que tem uma bomba nas mãos e que não vai funcionar nem mesmo  em Video on Demand, ou lugar algum. Sem duvida é uma das comédias mais sem graça, mais infelizes dos últimos tempos. E olha que tem tido muita porcaria. 

       Neste caso a culpa só pode ser do diretor roteirista Brill (  que desaprendeu o que sabia trabalhando demais com Adam Sandler, no horrendo Little Nicky, mas também o  A Herança de Mr Deeds, e o lamentável Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor. Etc. 

        Enfim, nem isso fazia esperar tamanho desastre (para se ver a bilheteria foi de 59 mil (e não milhões) de dólares!). É da linha ver para crer. Elizabeth Banks (uma atriz irregular mas que as vezes se salva como em Jogos Vorazes) faz uma jornalista e apresentadora de teve que deseja o carga de ancora do telejornal. Pensa que não vai consegui-lo e sai para a Balada com duas amigas usando um vestidinho amarelo que parece de prostituta!. Por uma serie de circunstancias, vai parar no apto de um rapaz (James Marsden, um bonitão que não tem sorte), quando recebe o telefonema de que desejam fazer teste com ela de manhã cedo. Ai sem celular, sem dinheiro, sem carro (foi guinchado), tenta pegar taxi, chamar a policia mas sempre sem sorte. O resto do filme é isso, a heroína fazendo besteira e fugindo, ate o final que você já sabe o que é. E você fica pensando meu Deus como é que fui entrar nesta?

Ref fim.

Viva la Libertà

Viva la Libertà (Idem). Itália, 13. 94 min. Comédia.Direção e roteiro de Roberto Andò baseado em livro de sua autoria. Com  Toni Servillo, Valerio Mastrandrea, Valeria Bruno Tedeschi, Anna Bonaiuto, Renato Scarpa, Eric Nguyen.

       No mesmo ano em que também estrelou A Bela que Dorme de Bellochio e o premiado com o Oscar, A Grande Beleza, o grande ator Toni Servillo, ate então praticamente desconhecido no Brasil, também fez este outro filme extraordinário sobre política (e também cinema, já que o personagem é admirador do cinema, há uma sequencia de arquivo em que aparece Fellini dando entrevista e outro personagem importante é um diretor oriental –que seria famoso e importante-que agora é casado com sua antiga namorada, a Bruna Tedeschi). Ou seja, cinema é um contraponto para o filme que se classifica como comédia satirizando de forma muito cínica mas gentil, se isso for possível, o que é a Política na Itália dos últimos anos, em particular a Oposição que estava completamente perdida , tão muda e cansada quanto o protagonista do filme que seria o chefe dela, Enrico Oliveri (que tem uma crise e some, indo para a casa desta ex mulher!). O curioso é que Enrico tem um irmão gêmeo (bi polar e considerado irresponsável) Giovanni Ernani que é confundido com o político.Isso o diverte e não demora esta   dando entrevistas  e fazendo discursos, que a imprensa e mesmo o publico devora feliz. Giovanni salva o partido enquanto o irmão que não se vêem  há muitos vinte e cinco anos mergulha mais na Depressão.

       Naturalmente quem faz os gêmeos é o mesmo ator,  o sublime Toni Servillo que sabe fazer humor com discrição, as vezes só com um sorriso como arma.  Não sei como foi possível este homem de teatro passar tantos anos sem praticamente fazer cinema (o primeiro é de 1992, ele é de 1959,  e só nos anos 2000 que realmente vira astro de filmes). A sequencia dúbia final é outro primor de sutileza que nos faz abrir um grande irônico sorriso. Também é interessante saber um pouco mais sobre o diretor que para nos é praticamente desconhecido. 

     Andò, Roberto ( 1959) Diretor e roteirista italiano que acertou unindo-se ao ator Toni  Servillo no brilhante Viva a Liberdade! Que lembra a Grande Beleza na sua critica aos políticos italianos.  Nascido em 11 de janeiro em Palermo, Sicilia Andò é também autor do livro original Il Trono Vuoto que deu origem ao roteiro e o filme. Seus outros trabalhos não foram exibidos no Brasil. Sua formação é literária e seu mentor foi o grande escritor Leonardo Sciascia que o lançou na imprensa e no cinema como assistente de Francesco Rosi, depois Fellini (em E la Nave Va ), Michael Cimino e Coppola (Chefão III). Estreou no teatro em 1987 dirigindo texto de Calvino. Depois fez documentários e se tornou diretor do Festival de Palermo e da Orestiadi de Gibelina.Seu primeiro longa Diario Senza Date, impressiona o diretor Tornatore que produz o filme seguinte, Il Manoscritto del Principe.

    Dir: 1995- Diario senza date (Bruno Ganz).
          1996- For Webern (Doc).
          1998- Ritratto di Harold Pinter (Doc).
          2000- Il Manoscrito del Principe ( Michel Bouquet,  Jeanne  Moreau).
          2002- Il Cineasta e il Labirinto (Francesco Rosi. Doc).
          2004-Sotto Falso Nome (Daniel Auteuil, Greta Scacchi).
          2006- Viaggio Segreto (Alessio Boni,Donatella Finocchiaro).
          2013- Viva a Liberdade (Viva La Libertà. Toni Servillo, Valeria Bruno Tedeschi).

     Viva La Libertà ganhou os David de Donattelo de roteiro e , coadj (Valerio Mastandrea, que faz o assistente que acompanha o heroi) mas foi indicado também como  filme, produtor, coaj (Anna Boiauto), atriz (Valeria), ator (Toni), som, maquiagem, penteados e efeitos visuais. Coloco o filme desde já entre os melhores do ano.

Ref fim .

Grande Hotel Budapeste

Grande Hotel Budapeste (Grand Hotel Budapeste) 100 min. Fox. EUA, 14. Direção de Wes Anderson.  Inspirado em livros de Stefan Zweig. Com Ralph Fiennes, F. Murray Abraham, Mathieu Almaric, Willem Dafoe, Adrien Brody, Jeff Goldblum, Harvey Keitel, Jude Law, Bill Murray, Edward Norton, Jason Schwartzman, Léa Seydoux, Tilda Swinton, Tom Wilkinson, Saiorse Ronan, Owen Wilson, Bob Balaban. 

       Sempre tive certa relutância em achar alguma graça nos filmes do diretor americano Wes Anderson (que surgiu junto com os irmãos Owen e  Owen Wilson, Com Bottle Rock (Pura Adrenalina, 96) e prosseguiu com comédias esquisitas meio rarefeitas e irregulares. Como o super estimado Três é Demais, 98, Os Excêntricos Tennenbaums, 2001, A Vida Marinha de Steve Zissou, 04. Só fui embarcar mesmo depois do Road movie Viagem a Darjeeling, 07 mas ainda não tive tempo de conferir se mudei eu, ou mudaram eles. Porque dali em diante mesmo continuando a ser bizarro e original, meio infantilizado,  também ficou diferente de tudo que se faz em cinema hoje em dia.  Aleluia!

       Fizeram a animação O Fantástico Sr. Raposo 09, o romântico e juvenil, Moonrise Kingdom e agora este que é sem duvida seu maior acerto. Um risco porque fizeram uma aventura que só funciona mesmo para quem tem alguma lembrança dos livros antigos para jovens, ou mesmo os quadrinhos de Tintim. Ou seja, aventuras rocambolescas, repletas de sociedades secretas, segredos, palácios misteriosos e personagens  fora do comum (e sempre disposto a alguma traição!). O autor credita varias obras do austríaco Stefan Zweig (que para o brasileiro tem especial importância porque se refugiou aqui tentando escapar do nazismo mas acabou por se suicidar!). Ou seja, é um mergulho num universo raramente revisitado nos últimos anos, começando pela criação de um espetacular, grandioso e antiquado Hotel, que dá o titulo ao filme.

      Acho que você deve voltar a ser criança, mais garoto do que menina, para saborear as façanhas dos personagens que nunca são o que aparentam. Com uma excepcional direção de arte, o filme tem também um elenco magnífico todos apuradíssimos |(como dizem os inglês tongue in the cheek, sempre num tom de humor discreto, do riso ao deboche mas nunca caindo na gargalhada ou desfeita!).

       Quem faz o personagem central é Gustave H (Ralph Fiennes, em plena forma), um lendário concierge de um grande hotel já em decadência entre as duas Grandes Guerras , porque fica num região montanhosa, delimitado pelas montanhas e a neve. Gustave adotou não oficialmente um garoto de origem árabe que viria a ser seu sucessor mestre na arte de atender e enrolar. O script é tão criativo e cheio de meandros, que é para se ver de novo o filme e curtir seus meandros.

      Jude Law é o escritor que resolve conversar com o dono do hotel (F.Murray Abraham que voltou mesmo ao cinema) e inquirir sobre seus mistérios profundos e seu provável futuro. Incluindo também amores proibidos (Tilda Swinton faz as vezes dessa tresloucada dama) ,  o roubo de um quadro de família,  traições de todos os tipos, doces exclusivos , fugas de trem sempre a beira de uma Nova guerra ou conflito. E naturalmente um estilo de vida, um mundo que esta prestes a se acabar para nunca mais retornar.  Um grande e famoso elenco aparece e desaparece para dar colorido à trama  mas o problema não é esse: ou você sabe curtir o gênero ou vai ficar de fora, o que será um pena, porque desta vez o diretor sabia o que fazia. E quase ressuscita um universo já desaparecido. 

       Temos figurinos da mestra Milena Canonero, trilha do grande Alexander Desplat, fotografia do habitual Robert D. Yeoman. Quando o cinema ainda é capaz de fazer este pequeno mas luxuoso e encantador bibelô é sinal de que nem tudo esta perdido. 

Ref fim.

O Espelho

O Espelho (Oculus)104 min.Direção de Mike Flanagan. EUA,13.Com Karen Gillan, Brenton Thwaites, Katee Sackhoff, Rory Cochrane, Annalisa Basso, Garrett  Ryan, James Lafferty, Miguel Sandoval.

      Continua a ser difícil encontrar filmes de terror inovadores e bem sucedidos. Este aqui foi criado por um certo Mike Flanagan, nascido em Salem de Terra das Bruxas e rodado no Alabama. Inspirado num curta que o diretor fez em 2006, Oculus,   The Man with the Plano, este exemplar teve criticas medianas e razoável carreira de bilheteria (custou 5 milhões de dólares e rendeu 27 milhões de dólares). Embora alguns fãs reclamem que há pouco gore (sangreira) e detalhes menos explícitos, outros admiram a narrativa bem engendrada e a própria trama que da nova vitalidade ao velho clichê do espelho mal assombrado.  

      No caso, um adolescente esta sendo liberado de um sanatório aparentemente curado. Mas sua irmã mais velha acha que existe um espelho antigo na família, meio barroco e parcialmente quebrado que esconde um espírito maligno que vem provocando as mortes. A irmã chega ate a convencer o rapaz em levarem o espalho para casa, onde ele fica provocando novas assombrações e mesmo mortes. A situação fica um pouco confusa mas também mais interessante porque ela sucede em dois tempos, quando eles tem cerca de 13-14 anos e mais tarde quando já estão com cerca de 20! 

      Como thriller sobrenatural o filme não abusa de sustos falsos, tem uma narrativa mais ou menos lenta mas que chega a ser interessante. Ou quase. Achei o elenco muito fraco, principalmente os adultos. Os jovens se viram melhor embora o mais famoso me tenha impressionado por ser um australiano cabeçudo e troglodita que me assustou isso sim como galãzinho de Malévola, o tal de Brenton Thwaites.  Como teve boa repercussão, é possível que venha a ter continuações. Certamente já vi piores. E uns poucos melhores também.  

Ref fim.

O Céu é de Verdade

O Céu é de Verdade (Heaven is for Real).EUA, 14. 99 min. Sony. Direção e roteiro de Randall Wallace. Com Greg Kinnear, Kelly Reilly, Thomas Haden Church, Margo Martindale, Connor Corum, Lane Styles.

      Todo mundo sabe desde a versão da Paixão de Cristo de Mel Gibson, que existe um publico que gosta de consumir filmes sobre temática religiosa, em particular os crentes protestantes (que fez parte do sucesso de “Noé” mas rejeitou o recente A Vida de Cristo, acho que simplesmente porque não gosta de ser enganado.A série já havia sido mostrada na teve e tinha má qualidade !).

       Na verdade, os filmes do gênero (porque já é um gênero) tem saído vários em DVD e padecem de um orçamento muito pobre e realizadores amadores, que podem estar cheios de boa vontade. Mas não  de talento. Este aqui é uma clara exceção, já que vem assinada por Randall Wallace, roteirista e diretor de Coração Valente (aquele que é amigo do próprio Gibson para quem fez também um drama de guerra Fomos Heróis,  O Homem da Mascara de Ferro com Leo di Caprio, o filme de cavalos Secretariat e ainda escreveu o script de Pearl Harbor.

    Inspirado em fatos reais, Heaven is for Real, rendeu um livro que ficou muito tempo dentre os mais vendidos do New York Times. O afável Greg Kinnear é a escolha certa para viver o pregador do interior, Todd Burpo, que precisa encontrar coragem para espalhar a noticia que seu filho pequeno, de quarto anos garante ser verdadeira. Acho que o sucesso do filme (que custou 12 milhões de dólares e ate o momento rendeu perto de 90! Só agora esta entrando no Mercado externo (com 3 milhões). O êxito, repito se deve a dois fatores, 1) a feliz escolha do elenco. Não apenas Kinnear  que é um ator aberto, simpático e não tem em qualquer momento qualquer sinal de presunção ou dono da verdade. Estão todos muito naturais mas o maior achado é o menino que faz a figura chave, Colton (o novato Connor, um estreante que não pode ser bonito e ter olhos azuis mais  expressivos. Ninguém poderia achar que aquele garoto esta mentindo!). 

    O problema com este tipo de filme é que ele já é um sermão encomendado, já se prega para os convertidos. No caso, um menino sofre uma crise grave de apendicite que o leva a ser operado as pressas, então seria um daqueles casos de “quase morte”. Quando ele retorna, aos poucos vai contando para os pais da experiência que teve no céu. Descreve o lugar, a figura de Jesus (o céu é visto apenas em uns poucos detalhes), conta para eles coisas que não tinha como saber e aos poucos vai os assustando deixando –os com medo de espalhar a historia que pode ser mau interpretada. Ate porque psicólogos afirmam que pode ter outras origens.  Mas com um garoto daqueles e o cuidado do roteiro em nos fazer conhecer e ser envolver (são vinte e tantos minutos ate o incidente grave) com a família, fica difícil pensar em má fé. 

     Mas é claro que isso vai depender de sua crença. Se não acredita aconselho a nem perder tempo. Porém  se for sua fé, o filme é bem feitinho, coloca prós e contras, não é apelativo. Como sempre tudo é questão de fé. 
Ref fim.  

Não se Aceitam Devoluções

Não se Aceitam Devoluções (No se aceptan Devoluciones) México, 13. Direção de Eugenio Derbez. Com Eugenio Derbez, Karla Souza, Jessica Lindsey, Hugo Stiglitz, Angela Moreno.

     Nunca imaginei que este filme fosse exibido no Brasil, mesmo tendo sido um grande sucesso de bilheteria dentre os mexicanos radicados nos EUA. Seria o mesmo que exportar para o México, meu Deus, não temos no momento nem equivalentes.. As comedinhas brasileiras são incomparavelmente melhores. Talvez os Trapalhões de começo de carreira, quando tentam fazer circo e imitar Chaplin, com certeza bem inferior aquele humor simplório mas muito nacional que tinha o Cantinflas e que o tornou o astro em todo o mundo, inclusive por aqui.

      Este sujeito chamado Eugenio Derbez na verdade precisa ser visto para se acreditar. É daqueles que tem o rosto deformado por maquiagem, ou algo mais,  e procurou fazer um tipo de humor extremamente infantil e ingênuo. Parece que é filho de uma atriz chamada Sylvia Derbez (tem 82 créditos e muitas telenovelas). Astro de musicais no palco, formado em Faculdade de Cinema, visivelmente ele se esforçou em criar um filme que parece realmente único, dos tempos dos dinossauros. 

     Não queria humilhar um projeto tão ambicioso menos ainda os incautos que caíram nessa e assistiram este que é certamente dos piores de todos os tempos. Mas justamente por isso que gasto o tempo e espaço para sugerir uma ida ao cinema. Ele faz Valentin, que é playboy em Acapulco, ate quando uma ex lhe deixa na porta a menina Maggie. Se torna stuntman, duble de cenas perigosas para poder criar a menina ate que a mãe surge para resgatá-la.   O Humor é pueril e o resultado delirante. Para se ver como hoje o cinema ainda consegue fazer as criaturas pirarem e se acharem artistas! Ver para crer!
Ref fim.

Khumba

Khumba (Idem)África do Sul, 13. 85 min. Direção de Anthony Silverston.  Com as vozes originais de Loretta Devine, Steve Buscemi, Jake T. Austin, Laurence Fishburne, Richard E. Grant, Liam Neeson, Anna Sophie Robb.

     O sucesso dos filmes de animação tem sido tão grande que os distribuidores estão se sentindo na obrigação de importar tudo que se faz em qualquer parte do mundo, até  mesmo como é este caso a África do Sul. Parece que custou 20 milhões de dólares esta aventura que deve bastante a Madagascar,já que se passa também entre os animais selvagens da África, no caso o que parece ser uma reserva  ambiental onde ainda existe água. Mas também preconceitos, que começam a se revelar quando nasce uma zebrinha que leva o nome de Khumba  (que vem do zulu, significando A Pele). que provoca preconceitos porque é diferente. Tem listas apenas na metade do corpo.  Isso poderia ser mal sinal, porque a seca esta próxima e será precisa racionar a água.  Ainda bem que o pai dele é o líder do grupo mas a mãe morre e o herói percebe que é melhor se afastar dali  mesmo se arriscando a enfrentar outras feras, como o Leopardo feroz Phango que controla  os outros poços e um cão selvagem.  Mas ele terá amigos como um avestruz, para ajudá-lo...e assim por diante.

      Suportável para adultos, deve interessar os pequenos por causa dos bichos, que sempre os encanta. Nada de brilhante ou especial, com musica ocasional (tem um que sonha em ser Madagascar mas não decola!), e na parte final a seca, a sede, o incêndio...
Ref fim.  

A Marca do Medo

A Marca do Medo (The Quiet Ones) Ingl,14. 98 min. Direção de John Pogue. Roteiro de Craig Rosenberg, John Pogue, Oren Moverman, Tom de Ville. Com  Jared Harris, Sam Claflin, Olivia Cooke, Erin Richards, Rory Fleck-Byrne, Laurie Calvert, Aldo Maland.

      Para os fãs o mais curioso deste lançamento é o fato de que foi um dos primeiros filmes que trouxe de volta a lendária produtora Hammer dos anos 50, que foi responsável pela renascença do gênero terror em todo o mundo. Inclusive com a transformação em astro de Christopher Lee, vivo até hoje e perto dos cem anos e ainda trabalhando! Certamente ele foi o Dracula de minha geração e a Hammer fez bem em retornar com alguns filmes apenas razoáveis como A Mulher de Preto , A Inquilina e o melhor deles, o perturbador Deixe-me Entrar (que resistiu ate sendo refilmagem).Como nada neste mundo é perfeito, este A Marca do Medo foi rodado em 2012 e só agora lançado, com certeza porque estavam inseguros de sua qualidade e não estão sabendo promover o fato de que seus atores estão já fazendo boa carreira nos EUA, começando com a doce Olivia Cooke (como Emma em Bates Motel)- aqui ela é a protagonista e mantém seu charme em meio a confusão geral. Tem ainda o Sam Claflin (que esteve em Piratas do Caribe em Aguas Misteriosas e foi Finnick Odair, em Jogos Vorazes em Chamas e prossegue nos dois próximos).  O diretor é americano John Pogue, que trabalha com roteirista ( US Marshals os Federais, 98, Sociedade Secreta I e II, com Paul Walker, a horrivel refilmagem de Rollerball, o Terror O Navio Fantasma, 02). Como diretor fez antes apenas Quarentena 2, 12. 

      Puxa, nós já apresentamos tudo que faltava como se estivéssemos enrolando para dar as más noticias. Que este terror é bem fraquinho, pior mesmo que outros recentes. A única coisa que faz é de vez em quando estourar o som, alias com freqüências para ver se a gente se assusta. O protagonista também é o bem reputado Jared Harris (que é filho do famoso astro britânico, Richard Harris de Um Homem Chamado Cavalo e Camelot. Jared já tem 72 créditos e faz aqui um pesquisador o Professor Coupland  que investiga o caso de uma menina esquizofrênica , um professor de psicologia fora do normal que defende a teoria de poderes supernaturais podem ser a base de doenças mentais. Um de seus estudantes é o cameraman que registra os fatos que sucedem numa casa antiga perto de Oxford, nos anos 70,   no meio de lugar nenhum. Estão juntos também um casal jovem de namorados e pesquisadores, mas ilustrado também com outras imagens captadas no passado (ou seja, com recursos antigos) vão demonstrando aos poucos que algo esta errado. Mas tudo é meio vago, como se não soubessem estabelecer as regras para torná-la mais assustadora.Até praticamente a meia hora final sua interferência  desse ser é quase nenhuma  (a  não ser a maldita interferência do som).Ou seja, o titulo original que seria Os Quietos, é justamente o oposto. Os Barulhentos. 

Ref fim.

A Montanha Matterhorn

A Montanha Matterhorn (Matterhorn) Alemanha, 87 min.2013 Direção e roteiro de Diederik Ebbinge. Com Tom Kas, René Van´t Hof, Porgy Franssen, Ariane Schluter, Helmert Woundenberg, Elisa Schaap.

     Vencedor do premio do publico em Rotterdan e no Festival de Moscou, melhor diretor estreante em San Sebastian, indicado para o premio de diretor novo em São Paulo (é a Mostra que distribui o filme aqui!) esta produção holandesa de diretor estreante é outra daquelas pequenas jóias que felizmente o cinema ainda continua a produzir (e que alegria ainda encontrar um filme sensível, original, afetivo, quase sem diálogos e ao mesmo tempo oportuno e emocionante). Achei curioso que grande parte das criticas européias (o filme parece ainda não circulou nos EUA, nem nos grandes centros) prefere não contar a historia toda com medo talvez de afastar os espectadores mais velhos e possivelmente mais conservadores, calvinistas como o próprio protagonista. 

      De qualquer forma, acho que transcende mais que uma historia gay, é muito européia, feita com trilha musical erudita e um certo respeito mesmo dos opositores. Talvez manipulativa e se pensando bem, um pouco inverossímil. Mas em geral cinema é isso mesmo. Assim se conta a historia de um senhor, Fred (Kas), que vive sozinho no interior da Holanda, numa cidadezinha sentindo muito a falta da esposa e do filho. E procurando seguir os horários burocráticos, servindo o jantar para ele na hora marcada, seis da tarde. Não chega a ser comédia mas há toques de humor na situação com Fred freqüentando a igreja ,brigando com o vizinho Kamps (Porgy) e tentando ajudar um sem teto (René), que não fala (melhor dizendo sempre uma mesma palavra, Ye). Parece ter sofrido uma lesão na cabeça e aceita a hospedagem na casa de Fred, que significa um abrigo (este o leva para a Igreja, também para ajudar em festinhas para criança, ou seja tem ação na comunidade).  Ainda que curiosamente o filme tenha um aspecto de parado no tempo, sem época determinada.  Mas logo se percebe que a crise de solidão de Fred é complicada por sua atração homossexual, que não tem coragem de se revelar nem quando vai num clube gay. Matterhorn é a montanha gelada que servirá de ápice para o filme.  

      Depois pensando com mais vagar, fiquei imaginando que o filme talvez tivesse mais força se não fosse com a temática gay, fosse simplesmente sobre solidão e amor, sem classificação. O que não lhe tira os méritos. 
Ref fim.      

Muppets 2-Procurados e Armados

Muppets 2-Procurados e Armados (Muppets Most Wanted). 107 min. Disney.Direção de James Bobin. Com Ricky Gervais, Ty Burrell,Tina Fey, Steve  Whitmire (com Kermit-Caco e outros), Eric Jacobson, Dave Goetz, Hugh Bonneville, Jermanie Clement, Tom Hollander,Tom Hiddleston, Salma Hayek, Josh Groban, Toby Jones, Frank Langella, Ray Liotta, James MacAvoy, Chloe Grace Moretz, Miranda Richardson, Saoirse Ronan, Til Schweiger, Danny Trejo, Stanley Tucci.Participações especiais como eles mesmos:Tony  Bennett, Sean Combs, Céline Dion (como fada madrinha), Lady Gaga, Zach Galifianakis,  Christopher Waltz.

       Eu já era adulto quando surgiram os Muppets na televisão e foi uma paixão imediata. Os bonecos eram uma inovação brilhante de um jovem gênio chamado  Jim Henson (1936-90) que infelizmente morreu cedo demais. Demoraram as negociações, cheias de idas e vindas, mas finalmente se acertaram recentemente e Os Muppets foram comprados pelo lugar mais adequado, a Disney que lhes  esta dando a importância merecida.

       O seu primeiro filme longa pela Disney foi chamado apenas de Os Muppets (2001), e eu com muita relutância escrevi : Pensei até em não comentarf já que às vezes é melhor calar do que fazer restrições ao que você gosta e não deu certo. Mas enfim, vamos cumprir o dever. Como eu temia o novo filme dos Muppets não é lá essas coisas. Em parte, porque ele fica nos remetendo o tempo todo para a série de teve que era infinitamente superior (não era preciso segurar uma historia longa, era baseada apenas em gags), em parte porque simplesmente não é engraçada, ainda mais porque insiste em cair na meta linguagem.Não ajuda muito que o protagonista e autor do projeto o comediante Jason Segel não é carismático, não sabe dançar  e não sei cantar porque é tudo dublado em português e aí entramos no cerne da questão. Entendo agora melhor como os fãs reclamam quando uma antiga serie de teve  é redublada  com outro ator,  não é apenas uma falta de respeito a nossa lembrança como é sempre inferior. Ou seja, não adianta nada fazer um filme nostálgico sobre a volta ao passado e a tentativa de salvar os Muppets, quando eles já são outros, ao menos para um fã como eu.

      É verdade que as canções são bonitinhas e não chegam a incomodar.  Não consegui engolir como vilão o Chris Copper e a mocinha Amy Adams esta gordinha, parece ter tido o filho no dia anterior, esta mal maquiada, num papel ingrato e completamente descartável.  Tem atores convidados mas são mal aproveitados (menos Jack  Black, que é o único que é mais substancial) e acaba se arrastando por falta de invenção.  Melhora um pouco ao final (com dança no Hollywood Boulevard) provocando raros momentos de pura alegria. Mas era tão fraco que temia que  os Muppets não sobrevivessem a esta derrapada. (o filme custou 45 milhões e rendeu 88 nos EUA, não se pagou. O segundo foi pior ainda, custou 50 e rendeu 51 milhões , ou seja o antigo publico fiel desta vez nem compareceu na mesma proporção. E ate agora no exterior não passou de 27 milhões! 

        Este é segundo longa metragem  dos Muppets é mais engraçado e menos constrangedor do que o anterior.  A formula básica é a mesma:  Miss Piggy continua apaixonada pelo Kako, só que há uma grande reviravolta. Existe um sósia dele, identificado por um sotaque estrangeiro que é um implacável ladrão de jóias (mal resolvido na dublagem nacional). Consegue escapar de uma prisão russa para se infiltrar no grupo e aplicar o maior de todos os golpes. Fazer Miss Piggy se apaixonar por eles.  Todos personagens dos Muppets estão presentes, assim como as canções e o bom humor. Mas não sei quem teve a idéia de jerico de situar a ação numa prisão soviética , um gulag (criança sabe o que é isso? E prisão é tema infantil?) onde a Tina Fey tenta fazer graça como a dirigente do local , que quer fazer um show e se esforça por ser engraçada. Também entre os prisioneiros estão atores famosos (dêem uma olhada no elenco por favor e verão o total desperdício deles todos, nenhuma aparição tem graça, até mesmo a de Celine Dion, que já esta fora de moda). 

       Acho que foi um grande erro chamar para dirigir e ser o escritor principal  novamente o tal de James Bobin, que é mais ou menos conhecido por alguns dos shows mais esquisitos da tv , o Da Ali G Show (com o Sacha Baron Cohen) e outro ainda mais rarefeito que andou pela HBO, o desprezível Flight of the Conchords. O tom de humor negro não poderia ser menos qualificado para Muppets e errar de novo parece fatal para o grupo (acredito que eles devam ter um terceiro longa contratado e a única solução seria partir para a simplicidade e deixarem de tentar serem diferentes). 

       Ainda persistem algumas citações de filmes como Titanic, My Heart will Go On e Celine, Jerry McGuire, Missão Impossivel, Toy Story, Um Sonho de Liberdade, Chefão III, Silencio dos Inocentes, Chorus Line, 007 O Espião que me Amava, Dr. No, Lawence da Arabia, Flintstones, Cidadão Kane, E o Vento Levou. O Numero de abertura chama-se Estamos fazendo uma continuação (na verdade já é a sétima continuação e uma das poucas onde o casal aparece logo no começo!). 

      No fundo eu acho sempre um prazer estar com os Muppets. Mas cada vez menos.

UMA JUIZA SEM JUIZO

UMA JUIZA SEM JUIZO (9 Mois Ferme) França, 13. Direção de Albert Dupontel. Com Sandrine Kiberlain, Albert Dupontel, Nicolas Marié, Phillipe Uchan, Philippe Dusquene, Bouli Laners, Yolande Moreau. Aparições de Gaspar Noé, Terry Gilliam. 82 min

      Só pela sequência inicial já dá para sentir que não é um filme qualquer mas uma direção muito criativa e sensível, que vai nos conduzindo sem corte numa festa de réveillon numa palácio de justiça Frances, onde a farra é total. Regada a champanha.  Seguimos uma balão de gás que sai dali e antes de subir aos céus identifica a heroína, a tal juíza Ariane (Sandrine Kiberlain) que mesmo numa hora dessas esta ainda trabalhando. E começa assim a historia desta mulher super solitária, super rigorosa, muito sozinha, que é forçada a descer ate a festa.  Onde toma algumas taças a mais. Só seis meses depois é que ela vai ver o estrago se descobrindo grávida! Mas não tem a menor idéia de quem seja o pai. Vai atrás de gravações feitas pela cidade naquela noite e aos poucos descobre sua trajetória. Ela estava com prostitutas quando apareceu um sujeito e os dois tiveram um lance rápido. Sem poder imaginar que esse sujeito é um perigoso criminoso Bob Nolan que agora esta sendo procura por assassinato (o papel é feito pelo mesmo Albert Dupontel que é o diretor e também autor do script original. Voces o conhecem de filmes como Irreversível e Eterno Amor e este já é seu quinto longa-metragem). Mais que isso é acusado de ter engolido os olhos da vitima! ( prestem atenção que no noticiário da teve aparece o diretor Terry Gilliam e o ator Jean Dujardin! Certamente amigos ajudando... ). Depois que tive a boa surpresa de descobrir que eles foram indicados para o Cesar recente como ator, montagem, filme, direção e ganharam o de atriz e roteiro!  

      Não que a historia  não seja altamente previsível (a juíza vai tentar ajudar o pai da criança no processo!) mas os personagens são engraçados (em particular os colegas dela de trabalho). Enquanto Sandrine faz o mínimo possível, provando que não é preciso fazer caretas para ser engraçada. Os que já viram o trabalho do diretor dizem que há cenas do gênero que ele gosta, momentos de gore (sanguinolentos), politicamente incorretos (como o velho na cadeira rolante se cortando todo), voyeurismo, um pouco de romance. E como em outros filmes explora a relação entre pais e filhos, de amor e ódio Com um resultado que se não chega a ser excepcional, é bem divertido.

Ref fim.

Paixão Inocente

Paixão Inocente (Breathe In).  EUA,13.Dir e roteiro de Drake Doremus. 98 min. Com Guy Pearce, Felicity Jones, Mackenzie Davis, Amy Ryan,  Matthew Dadario, Ben Shenkman.Paris Filmes. 

      Muitas vezes, um filme ter sido exibido no Festival de Sundance não quer dizer muita coisa.Só que é independente, de diretor novo (fez outros filmes antes inclusive Loucamente Apaixonados, com a mesma atriz a inglesa Felicity Jones, que passa por adolescente mas já esta na faixa dos 30 anos!Felicity tem sido promovida  e esteve recentemente no novo Homem Aranha como Felicia, e outros filmes conhecidos (Um dia Perfeito para se Casar, O Nosso Segredo e outros7 já anunciados e em andamento).Conclusão é das queridinhas do momento embora ainda não tenha me convencido de coisa alguma nem mesmo aqui.

       Difícil mesmo ter uma interpretação mais marcante num filme como este, onde a câmera brinca de esconde-esconde com você, onde poucas idéias são trocadas e  informações fornecidas (inclusive na cena final que é bastante obscura). E a indicada ao Oscar Amy Ryan que faz a esposa mal tem chance de expressar. De qualquer forma, é sobre uma jovem estudante inglesa que vem fazer intercambio na casa de uma família , que vive no estado de Nova York, onde o pai é musico (o australiano e sempre discreto (Guy Pearce, de Memento), casado com Amy Ryan e pai de uma jovem loira que parece Laura Dern. A jovem Sophie chega e com cara de sonsa vai se aproximando do homem da casa, que não é muito feliz.  O romance entre eles, nem chega a se consumar como se esperava para já detonar numa tragédia.  Mal resolvida e truncada. E portanto descartável.

Ref fim

O Ultimo Amor de Mr. Morgan

 O Ultimo Amor de Mr. Morgan (Mr Morgan´s Last Love) Ingl, 13. Direção e roteiro de Sandra Nettelbeck. Com Michael Caine, Clemence Poesy, Jane Alexander, Michel Goddet, Gillian Anderson, Justin Kirk. Baseado no Livro La Doceur Assassine de Françoise Dorner, adaptado por Nettelbeck. 

      Embora tenha participado de alguns festivais e estreado em novembro nos EUA, passou em branco sem despertar qualquer emoção ou renda, esta produção européia que foi dirigida e escrita pela interessante alemã Sandra Nettelbeck que fez o sucesso  Simplesmente Martha (depois refeito pelos americanos com Sem reservas). Mas acho que foi uma questão de intensidade, frieza, tem bons, ate grandes atores mas alguma coisa deixa a platéia ausente e desatenta. Embora as estatísticas demonstrem que cada vez há mais espectadores nas salas com mais de cinquenta anos (e cada vez mais adolescentes) este é daquelas que se vê e se esquece, rodado em Paris, o que sempre é um prazer visual, traz o sempre convincente Michael Caine como um viúvo que por acaso conhece uma professora de dança que o impressiona e lhe traz um pouco de alegria. Na verdade estaria mais para Quarteto ou Marigold do que o Amor,  mas o ritmo poderia ser mais eloquente ate usando a trilha musical de Schubert, adaptada por Hans Zimmer. Talvez o problema seja sua própria origem alemã que não tem pratica ainda em conquistar mercado estrangeiro e realizar filmes em inglês (o anterior Helen, 09,  com Ashley Judd nem passou aqui até onde eu sei ). 

      Na adaptação a diretora mudou o protagonista que era um Francês para um expatriado americano, ex-profedssor de filosofia que se mudou para lá com a falecida esposa (Jane Alexander em pequena ponta), morta já há 3 anos.  Chega a fazer tentativa de suicídio mas se interessa pela moça (a francesa Poesy, de dois Harry Potters, Na Mira do Chefe, 127 horas)  e logo esta dançando o cha cha cha. Mas em vez de desenvolver melhor um romance, o filme opta por outra tentativa o que obriga a presença dos dois filhos do protagonista, Justin Kirk e Gillian Anderson que chegam com suas duvidas e questões,  discutindo o que fazer com a casa de férias da mãe em Saint-Malo. Gillian ao menos tem certa energia (assim como felizmente Poesy) enquanto Caine como já disseram poderia fazer um papel desses dormindo. E as vezes parece que faz isso mesmo.  

     A situação piora ainda mais na segunda parte, ou Segundo ato, quando o filho decide ficar mais tempo em Paris, lavar a roupa suja com o pai e acaba se formando uma espécie de triangulo. Mas ai a maior parte da platéia já esta dormindo faz tempo...

Ref fim.

O Estudante

O Estudante (El Estudiante, 2011). Direção de Santiago Mitre. 110 min. Com Esteban Lamothe, Romina Paula, Ricardo Felix, Valeria Correa.

      Foi super premiado na Argentina este drama que levou os principais prêmios da Academia de Cinema local (6 vitórias, incluindo filme, diretor, estreantes), mais 3 indicações, 3 premios da critica local (incluindo filme de estreante, roteiro). 3 pela Associações de Criticos (filme de estreante), premio especial do júri e fotografia no Festival de Cinema Independente de Buenos Aires. Filme e roteiro no Festival de Gijón, Espanha. Critica em Lima. Especial do Júri em Locarno.

       Na verdade é daqueles dramas que procuram dizer alguma coisa de político e importante (coisa que os filmes locais fazem muito melhor do que os nossos, que nunca parecem ser sobre coisa alguma, a não ser viagens do diretor para sua turma). Realizado naquele estilo tradicional do cinema não comercial, ou seja, câmera na mão, fotografia que mais parece documental, atores desconhecidos (mas nem por isso menos eficientes). E uma narrativa nunca óbvia, fácil de seguir. Até porque só ao final, na cena derradeira é que o filme toma uma posição critica interessante que o define (ainda assim para publico de arte).

      Acompanhamos a trajetória do estudante não tão jovem assim, porque tentou fazer a faculdade ao  menos duas vezes antes, o Roque (Esteban Lamothe, com cara de gente comum e boa presença) que tenta se ambientar na Universidade de Buenos Aires. Como a maior parte das pessoas, não tem sonhos ou planos. Nem grandes ambições, vagamente gostaria de ser rico, importante, mas por enquanto vai flanando por entre a agitação da escola, transando com a namoradinha, ao menos até quando conhece uma jovem e bonita ativista Paula. Já vimos personagens assim em filmes franceses, a deriva. Mas deixa-se levar pela vida até essa escolha final. 

       Mas também a critica social não é gritada ou enfatizada (apesar disso o filme virou Cult por lá, provocando polemicas). Pinta apenas um retrato curioso da sociedade argentina atual, que provavelmente vai interessar mais aos jovens que se identificarem com o protagonista. Foi realizado com um orçamento mínimo de 30 mil dólares, sem ajuda oficial , apoiado pela Universidade e movimentos estudantis (ainda assim levou 7 meses de rodagem). 
Ref fim.  

Jersey Boys: Em Busca da Musica

Jersey Boys: Em Busca da Musica (Jersey Boys) .EUA,.14. 134 min. Direção de Clint Eastwood. Roteiro de Marshall Brickman e  Rick Elice.Com John Lloyd Young, Christopher Walken, Michael Lomenda, Vincent Piazza, Kathrine Narducci, Eric Bergen, Francesca Eastwood.

      Aos 84 anos, Clint continua em plena forma, fazendo este seu Primeiro musical assumido adaptado de um show premiado da Broadway que por sinal continua em cartaz e fazendo sucesso. É verdade que Clint tem formação musical de musico, tendo escrito trilhas musicais (8 como compositor, 25 como autor ou interprete de canções que entraram na trilha musical) e alguns filmes dele  se enquadram diretamente no gênero (caso do documentário sobre Blues, de 03, Bird,88, a biografia de um jazz man  Charlie Parker, Honky Tonky Man,  82, sobre um musico que viajava pelos EUA).

      O problema é o seguinte: os produtores e o estúdio não acreditavam no sucesso do filme, em particular no estrangeiro já que pouca gente se lembra de quem se trata o The Four Seasons e tampouco do líder do grupo que tinha uma voz peculiar  Frankie Valli (alguns podem recordar que é este quem nos letreiros do filme a canção tema de Grease!). É êxito sim na Broadway mas numa montagem que é basicamente um show de musica, impossível de ser transposto dessa forma para a tela (por isso tudo também    é dos poucos sucessos recentes que não foi montado por aqui. Quem entra na sala reconhece as musicas de algum lugar, se envolve com a historia e sai não apenas gostando mas até emocionado. Mas o difícil é convencer a entrar...

      Foi por isso que  chamaram Clint que é famoso por saber rodar com economia, com um orçamento muito limitado, onde praticamente o filme todo foi rodado no backlot da Warner, onde ele não repete cena desnecessariamente e sabe o que pedir dos atores (do elenco original aproveitou apenas o criador do papel de Valli, que levou o Tony de melhor ator por sinal e esta incrivelmente conservado- e bem maquiado e também assina como co-produtor,E que praticamente não fez nenhum cinema antes. Também  o único ator famoso do elenco é Christopher Walken, que começou como dançarino e que tem uma interpretação típica mas memorável como o gangster de New Jersey, Gyp De Carlo!

      Felizmente Eastwood soube fazer tudo certo. Chamou os roteiristas do teatro o parceiro  ocasional de Woody Allen, Marshall Brickman que cuidou da parte humorística (o filme é muito divertido, repleto de piadas todas bem integradas na historia) e Rick Elice (que deve ser de Nova Jersey e deve saber tudo sobre A Família Soprano e obras de Scorsese, em particular  Os Bons Companheiros! Alias quem tem participação como personagem importante aqui é o Joe Pesci, que seria futuro ator premiado com Oscar. O papel é feito por Joe Russo ). E o resto do elenco se encaixou como uma luva, se tornando uma comédia sobre gangsteres que desejam ser cantores (todos os números são em cena, em algum palco, assim não há reclamação de que não curte o gênero). 

      Poderia ser meu caso, já que só fui assistir  a peça muito tempo depois de sua estréia, por  que não tive pressa.  O que fez com que eu apreciasse ainda melhor esta adaptação do velho ícone do cinema (que sempre sonhou por sinal em fazer Nova versão de Nasce uma Estrela no ambiente do jazz). Tomara o ótimo filme encontre o seu espaço! 
Ref fim.

“Amazônia”

“Amazônia”, direção de Thierry Ragobert. Coprodução entre a  produtora brasileira Gullane com a francesa Biloba, 2013. Documentário em 3D. 89 min (versão original).

      Depois de ter sido apresentado no Festival de Veneza e Toronto, de ter aberto o Festival do Rio de Janeiro no ano passado, os produtores perceberam antes tarde do que nunca que o projeto era furado, não interessava crianças, nem adultos. Embora o diretor Francês Thierry tivesse feito antes um documentário decente chamado “Planeta Branco”, sobre o Ártico em 2006! Mas ficou claro que não era um documento ecológico especialmente valido e tiinha chances comerciais nulas no Brasil, ainda mais depois da decepção que foi a animação Rio 2 (mesmo feita por um brasileiro). Resolveram então tomar uma decisão corajosa e adaptaram o filme para o mercado nacional e o publico infantil. E com  gente boa e qualificada. Com roteiro de Luiz Bolognesi e diálogos escritos por José Roberto Torero, “Amazônia” passou a ter diálogos com as vozes de Lúcio Mauro Filho, como o macaco prego  protagonista Castanha, e de Isabelle Drummond, A Emilia do Sitio do Picapau Amarelo, como sua namorada, Gaia. A consultoria artística leva a assinatura do fotografo especializado e talentoso Araquém Alcântara.

      Tenho que confessar que assisti apenas a primeira versão e fiquei extremamente decepcionado, com os clichês e banalidades, a falta de informação e a falta de percepção do que é a impressionante Amazônia que a gente conhece . Nem era especialmente bonito. O documentarista dos anos 50 e 60, o Frances Jean Mazon fazia melhor.  Mas não fui assistir ainda a nova versão. Admiro a atitude e coragem dos produtores  que poderiam muito bem se conformar com um projeto errado e pronto. Mas estão tentando salva-lo , o que é custoso e difícil. (o orçamento era antes de 26 milhões de reais).  E tem pouca chance de funcionar.  Enfim, cheguei a encontrar algumas criticas européias favoráveis já que eles gostam sempre de coisas tropicais e “exotiques”. Falou-se também que era a maior produção do cinema brasileiro, que levou 6 meses de filmagem (imagem o calor e condições de rodar na selva). De qualquer forma, peço licença para citar  o site Cultura Revista, assinado por Marco Veira  que diz o seguinte:  história é a seguinte: o avião onde Castanha seria transportado para um circo, depois de sair dos cuidados de uma menina, cai na floresta amazônica. O macaco-prego se vê na necessidade de se adaptar às condições da floresta, e entrar em contato com a sua própria natureza. Na sua ‘odisséia’ ele enfrentará dúvidas, perigos e hostilidade.

      As referências de Castanha como macaco que veio da cidade são bastante divertidas. Ele se refere ao Homem-Aranha, a filmes 3D e ao Pérola Negra, nome de um navio importante da saga Piratas do Caribe (2003). Há muitos toques de humor no roteiro, não fique o espectador com a impressão que vai assistir um documentário dramatizado e tedioso qualquer. Nosso protagonista conhece uma macaca na mesma espécie, Gaia, (dublada por Isabelle Drummond, a Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo), e se apaixona por ela, apesar da desaprovação do pai. O destino desse relacionamento fica em suspense. Numa aventura para fora da floresta, Castanha depara com queimadas e uma menina índia oferecendo frutas para ele. O herói se recusa a ser mascote do bicho humano e faz um gesto simbólico que é definitivamente o clímax do filme.

       Fim da citação. Ou seja, o que estava lá, como a trama truncada não pode ser mexida.mas agora ao menos temos humor, marca registra do Torero . Enfim, no Brasil, o grupo liderado pela Gullane conta com coprodução e distribuição da Imovision, coprodução de Globo Filmes, RioFilme e Telecine, e do Imovision do Jean Thomas. Com certeza poucos teriam a coragem e humildade de corrigir os defeitos. Só isso já credencia esta nova Amazônia. 

Ref fim.

O Físico

O Físico (The Physician) EUA, 13.150 min. Direção de Philipp Stölzl. Com Ben Kingsley, Tom Payne, Stellan Skarsgaard. Olivier Martinez, Emma Rigby, Elias M. Barek.

       É vergonhoso se lançar nos nossos cinemas um filme com o titulo errado.  The Physician quer dizer O Médico e não o Fisico, que é outra coisa completamente e nada tem a ver nem com o personagem, a historia e menos ainda com o livro de Noah Gordon  (que foi Best-seller) que o inspirou .Esta é uma produção alemã, ainda não lançada nos EUA, das produtoras Beta e UFA, rodada basicamente no Marrocos e Alemanha.

       O livro e o filme por extensão contam uma historia muito interessante raramente abordada contando uma historia real. O fato é que durante a Idade Média dominada pela Igreja, não havia médicos na Europa e os poucos luminares no assunto eram os árabes. Existiu realmente um lugar chamado Avicenna, e o mestre Ibna Sina (Ben Kingsley, raridade em sua carreira parece frágil e adoentado sem convicção) que escreveu 450 trabalhos (240 sobreviveram), 150 deles focados em filosofia e 40 em Medicina. O livro da Cura e o Canon da Medicina, que foi usado até o século 17 no Ocidente. Morreu em 1037, com 58 anos. Mas a figura central da narrativa aqui é um jovem inglês Chamado Tom Payne (não confundir com homonimos inclusive diretor argentino que trabalhou na Vera Cruz, o papel dele ou seja  Rob Cole, é feito por um magro de olhos brilhantes que ainda não deixou sua marca apesar de ter feitos vários outros filmes. No resto do elenco há apenas dois outros atores conhecidos internacionalmente o sueco Stellan Skasgaard (que faz um Barbeiro que viaja pelo interior fazendo o que pode para salvar os doentes) e o Frances Olivier Martinez muito apagado como o chefe árabe Shah Ala ad Daula. 

       Na verdade, o filme apesar de tecnicamente bonito, bem fotografado, como Historia é um desastre. Tudo o que poderia interessar a gente (eu que não sou do ramo, fiquei muito curioso com esses primórdios da Medicina e a burrice das regras religiosas onde elas não são chamadas!) não esta na tela. Inventaram mesmo uma historia romântica do tal Payne com uma moça árabe (a mesma de Amor sem Fim, Emma Rigby). Também é fraco como ação ou aventura. Melhor seria então consultar algum livro sobre o tema e ver se o livro ainda consegue ser encontrado. E não confunda, é sobre médico e não físico.

Ref fim.

Um Plano Brilhante

Um Plano Brilhante (Love Punch). Ingl/França, 2013. 94 min.Direção e roteiro de Joel Hopkins. Com Pierce Brosnan, Emma Thompson, Timothy Spall, Louise Bourgoin, Celia Imrie, Tuppence Middleton, Marisa Berenson. Playarte.

      Lançada as escondidas, esta comédia é uma Produção do Canal Plus francês que topou assumir o pacote: Emma (uma atriz também querida na França, inclusive porque ela fala a língua, por sinal muito melhor do que aparenta no filme) voltando a trabalhar com o roteirista e diretor Hopkins com quem fez pouco antes aquela comedia meia boca com Dustin Hoffman,  Tinha que Ser Você. A idéia é que praticamente todo o filme foi rodado na França, com magníficas paisagens na Riviera em Cap d´Antibes e Paris , endereçada a nova mina do cinema atual, o publico da terceira idade, que tem dinheiro para gastar e gosta de cinema. Em particular dos astros de seu tempo (por exemplo, aqui temos Celia Imrie, que foi vista no icônico Exótico Hotel Marigold. 

      O problema é simples, o autor das piadas e situações não é muito talentoso, as sacadas ou são muito sem graça, particularmente na primeira parte ou tentam fazer humor visual, a la Pantera cor de Rosa (o filme fica mais engraçado ao final mas ainda assim é preciso curtir a farsa e aceitar Pierce Brosnan que passa o tempo todo com cara de contrariado ou ausente,  nada a vontade).  Enquanto  Emma deve ter enfrentando uma briga com seu maquiador que nas primeiras cenas deixaram seus pés de galinha a vista , prestem atenção como de certo momento em diante, ela muda o penteado (que agora encobrem parte do rosto e maquiagem mais pesada). Certa ela que emagreceu muito e é uma figura muito querida, lembro particularmente com saudade de algumas entrevistas que ela deu em Cannes, que foram verdadeiros shows de inteligência e humor. 

      A historia tem um ponto de partida até oportuno: Pierce é divorciado de Emma e tem casal de filhos ainda em idade escolar (faculdade) quando ele perde tudo que teria de aposentadoria (ela também claro) porque a firma foi assumida por um grupo Frances que simplesmente detonou tudo. Procurando vingança ou solução, em vez de usarem a inteligência partem para Paris, onde tentam se infiltrar no casamento do vilão (que será com uma bela modelo, a interessante Louise Bourgoin, que estrelou As Múmias do Faraó  de Luc Besson. Há também junto um outro casal amigo, alias uma situação completamente absurda, formada por Celia e o ótimo Timothy Spall (que foi melhor ator este ano em Cannes por Mr. Turner ).

      Enfim, ria se for capaz e Emma, que não volte a cair nas mãos desse diretor incompetente.
Ref fim.    

Décimo Terceiro Distrito

Décimo Terceiro Distrito. Brick Mansions . EUA, 14. Direção de Camille Delamarre. 90 min. Com Paul Walker, David Belle, RZA, Catalina Denis, Carlo Rota, Robert Mallet, Bruce Ramsay, Mizinga Mwinga. California.

      Não  há mais publico nas salas de cinema para este tipo de diversão popularesca (ainda mais com ênfase no elenco Black e no astro francês desconhecido aqui). É estrito  Filme B para locadoras (as que sobraram em geral dão mais atenção aos filmes de arte que deste tipo), pirataria e vídeo on demand. Na verdade, sua única atração é o triste fato de ser o ultimo filme que Paul Walker completou, já que como todo mundo sabe morreu num lamentável acidente de carro nos intervalos de filmagem de Velozes e Furiosos 7.  É uma produção européia do especialista Luc Besson, que é refilmagem de "District B13/Banlieue 13 (2004) de Pierre Morel, aqui chamado de B 13-13 Distrito  com o mesmo ator  David Belle no mesmo papel que aqui.Como ele é Francês e  como não fala fluente em inglês, seus diálogos foram dublados por Vien Diesel. Paul só aparece em cena depois dos primeiros 12 minutos de filme, numa cena ate curiosa numa lavanderia. O diretor apesar do nome Camille Delamarre é homem e fez Busca Implacável 2 e Carga Explosiva 3!

       Passado num futuro próximo (2018) na cidade de Detroit (hoje a mais abalada pela crise econômica e no filme sobre lei marcial ) quando a situação ficou ainda mais grave e o crime mais freqüente. O prefeito local entra numa negociata para destruir um bairro que leva o titulo do filme no original, mansões de tijolo, o que irá provocar muita confusão. Não se pode esperar obviamente grandes diálogos e personagens mas muita perseguição de carros, explosões, tiroteios (e o tal de Belle é especialista em pular telhados e muros, o chamado pelos francês de parkour,  que não deixa de ser raro em filme americano e até mesmo interessante). Mesmo o lugar do titulo é meio vago e inconsistente, o que não impede a dose de ação necessária para o gênero . 

       Quem esta impedindo o plano de reforma é um certo Tremaine (RZA), chefe de quadrilha de narcóticos . Paul é Damien, um agente que esta escondendo sua identidade porque quer vingar a morte do pai nas mãos de Tremaine. Belle é outro parceiro cuja namorada Lola, Catalina, foi capturada como refém.(o que leva a lua entre mulheres, com pitadas de lesbianismo). 

      Dizem os especialistas que o estilo do diretor deve muito ao vídeo Grand Theft Auto . Enquanto Walker que era uma pessoa muito querida no ambiente de cinema, faz tudo com profissionalismo mais ate do que o filme merece. Se conformando em ficar discreto num segundo plano entre vilões exagerados e explosões nem sempre convincentes. 

Ref fim.

O Médico Alemão

O Médico Alemão (Wakolda/The German Doctor). Argentina, 13. Roteiro e direção  de Lucia Puenzo. 93 min. Com Alex Brendemühl, Diego Peretti, Guillermo Pfening, Elena Roger, Florencia Bado,Ana Pauls.

     A historia parece interessante mas fique prevenido que não chega a ser suspense e não tem qualquer sensacionalismo. Talvez seja até sóbria demais. Este é o novo filme da jovem diretora Lucia Puenzo  (1976) que é filha do importante diretor Luiz Puenzo ( Oscar de filme estrangeiro por Historia Oficial de 85 mas que fez poucos filmes depois-como Gringo Velho, com Jane Fonda, para se tornar produtor, também dos filmes da filha, do qual este já é o terceiro longa. Já vimos aqui o segundo XXY, 07 e teve ainda El Niño Pez, 09).

      Todo mundo já vai reconhecer de quem Lucia esta falando de um caso real, de que todo mundo ouviu muito falar. Na Patagônia, em 1960, um médico alemão encontra uma família argentina e os acompanha ate uma pequena cidade onde eles irão começar uma nova.São Eva (Natalie Oreiro de Infância Clandestina) , Enzo e seus três filhos que hospedam o doutor em sua casa e deixam a filha Lilliuh a seus cuidados sem saber que estão ajudando um dos criminosos mais perigosos e procurados do mundo que agentes israelenses não estão conseguindo localizar. Já se disse que o roteiro é um pouco com a fabula do lobo que entra no estábulo e vai se aproveitando da fraqueza alheia (ele quer fazer experiências com a menina Lilith, que tem problemas de crescimento). Há também um paralelo entre o pai e o doutor, um procurando recriar uma boneca para chegar a perfeição humana e o outro em busca do perfeito corpo ariano.   

       O roteiro é baseado num livro que foi escrito pela própria Lucia (seu quinto romance) mostrando Josef Mengele, o Anjo da Morte da SS Nazista, em parte dos anos que ele passou se escondendo na America Latina. 

      Exibido no Certain Regard do ano passado em Cannes do ano passado o filme ganhou um numero impressionante de 11 Prêmios da Academia Argentina.Foi melhor direção em Havana e   indicado ao Goya de filme Iberoamericana.   Não é um novo Meninos do Brazil, muito pelo contrario . Discreto e mesmo recatado ( o titulo Wakolda se refere a boneca da menina ), não mostra a parte brasileira da historia (já que Mengele teria vindo para as proximidades de São Paulo onde morreu em 1979 sem ser capturado). 

Ref fim.

O Enigma Chinês

O Enigma Chinês( Chinese Puzzle/Casse –Tête-Tête Chinois.) França .13. Paris Filmes. 117 min.Direção e roteiro de Cédric Kaplisch. Com Romain Duris, Audrey Tautou, Cécile de France, Kelly Reilly, Sandrine Holt, Benoit Jacquot.

      Não consigo esconder uma certa decepção diante deste terceiro filme da série feita pelo diretor Kaplisch (que começou com Albergue Espanhol, 02 e prossegui com Bonecas Russas, 05). Sempre com o mesmo elenco, liderado por Romain Duris, mostra um grupo de amigos de nacionalidades diversas que primeiro se encontrou num Albergue Espanhol e depois na Russia. Formado por um simpático elenco internacional  o filme foi perdendo o fôlego já que parece normal que os personagens vão envelhecendo, perdendo o ardor de suas paixões, agindo mais moderadamente (apesar das múltiplas relações, inclusive entre mulheres mostradas da maneira que deveria ser justamente naturais). Ou seja, eles já estão com trinta e tantos anos com filhos e na hora de tomar jeito e já de ter saudades.  Não sei se de propósito ou não, o autor Klapisch segundo seus admiradores adorou o estilo do cinema americano, o toque romântico “feel Good”, já que a historia desta vez se desenrola em sua maior parte em Nova York (que continua a ser ainda a capital cultural do mundo, onde se cruzam todos os tipos e nacionalidades).  

      Duris faz Xavier chegando aos 40 anos e que acha que estragou sua vida. Embora bem sucedido como escritor, é infeliz no amor. Wendy (a interessante inglesa Keilly, de O Vôo, os dois Sherlock Holmes, o novo O Céu é de Verdade) com quem ele tem dois filhos, o largou para viver em Nova York com uma mulher porque se apaixonou! Começa então sua luta para conseguir Green-car, os casamentos arranjados, os trabalhos não oficiais, com o acréscimo de que não é mais garoto! Há um esforço para manter o clima inventivo e leve dos filmes anteriores  sem renegar que é Frances (conversas analisando o passado, discussão sobre a obra de filósofos). E visualmente o filme até que consegue um bom resultado, sempre ajudado pela incrível fotografia de Manhattan e adjacências. E nas situações que não tem a mesma alegria, caindo em situações discutíveis (Cecile de Fance para quem ele doa esperma!) e onde o quebra-cabeça é simplesmente que a vida é complicada para todo mundo, com escolhas sempre erradas. No caso, o retorno de Audrey Tautou, fazendo o mesmo tipo de sempre, ainda que agradável. O filme resulta como o retrato de uma geração atual, mais móvel, misturada, aventureira e nem por isso menos bem sucedida na busca do amor e da verdade nos relacionamentos. Jovens que se conheceram num hostel espanhol, depois se reencontrou com bonecas russas e agora quebra a cabeça em busca de saídas e soluções. A série tem envelhecido com o seu publico (mais ou menos com sucedeu com os filmes da serie Antes do Amanhecer!). E ai esta o segredo de seu sucesso.

Ref fim.

Vic + Flo Viram um Urso

Vic + Flo Viram um Urso (Vic + Flo ont vu um Ours). Canada, 13. Direção e roteiro de Denis Coté. 95 min. Pierrette Roubitaille, Romane Bohringer, Marc- André Grondin. Marie Brassard, Georges Molnar, Olivier Aubin, Pier luc Funk.

     Este foi o filme vencedor do Urso de Prata do Festival de Berlim do ano passado.O sexto filme de um roteirista, produtor e diretor Denis Côté (não conheço os anteriores) mas tudo indica que tem um estilo muito pessoal, com pouco diálogo, pouco humor, personagens solitários que se cruzam mas não interagem. Passa-se inteiramente numa região de florestas do Canadá, para onde vai uma mulher de meia idade, Victoria Champagne que chegou la e foi morar na casa de um homem que diz ser seu tio (todo mundo acredita no que ela diz e depois há uma participação de um policial misterioso, o talentoso Grodin de C.R.A.Z.Y, que também não ajuda em nada a decifrar o passado dos envolvidos. Esse tio esta muito doente, fica dormindo numa cadeira, sem poder falar e não demora ira morrer. Um rapaz que vive perto e se diverte fazendo voar brinquedos também nada esclarece.  Felizmente surge uma mulher aparentemente em visita, chamada Florence (só agora que me dei conta fazia tempo que não via Romana Bohringer, que passou em branco em Renoir, agora volta já madura, com uma aparência de grega. Que chama dramalhão! Chama e logo ele chega.

      Logo o filme surpreenda com uma sequência inesperada e muito cruel (que de certa forma relata ao titulo que de maneira nenhuma deve ser levada ao pé da letra).  Se por um lado tem um aspecto metafísico por outro dá uma visão pessimista do ser humano, bastante instigante..  Quase um conto de crianças perdidas na floresta, sem ser parecido com coisa alguma. Frio, clinico, perturbador.
Ref fim.

Transcendence- a Revolução

Transcendence- a Revolução (Transcendence).  EUA, 14. Direção de Wally Pfister. 119 min. Com Johnny Depp, Rebecca Hall, Paul Bettany , Morgan Freeman, Kate Mara, Cillian Murphy, Clifton Collins Jr, Cole Hauser, Lukas Haas.

      Este é o quarto fracasso seguido de Johnny Depp (após o decepcionante Sombras da Noite, Diário de um Jornalista Bêbado e o mega desastre O Cavaleiro Solitário) o que vem comprometer sua posição de astro que ganha 20 milhões por filme e se especializa em personagens bizarros. O que não lhe parece incomodar porque no momento tem pelo menos seis outros filmes grandes previstos (inclusive Into the Woods com Meryl Streep) e talvez mais um Piratas do Caribe. Aos 51 anos, não dá a impressão de que sua carreira esta abalada ( desastres já teve muitos antes, lembre de O turista). O resultado afeta muito mais o produtor Christopher Nolan (da série Cavaleiro das Trevas) que foi quem patrocinou a idéia de que seu diretor de fotografia de estimação iria dirigir ,  enquanto Nolan assumia o ainda mais ambicioso Interestelar (previsto para estrear aqui em novembro) com Matthew McConaughey, Anne Hahaway. O fotografo aqui será o suíço  Hoyte Van Hoytema que fez Ela e o Vencedor. O diretor deste filme aqui se chama Wally Pfister, é americano, e trabalha com Nolan desde seu primeiro êxito, Amnésia, passando por todos os seguintes. Nolan achou o projeto (da Lion´s gate) perfeito para sua estréia como realizador (e ambos continuam defendendo o uso de película em 35mm, agora ameaçada de acabar. Ele rejeitou inclusive  usá-lo como intermediário. Enfim, o filme custou 100 milhões de dólares e teve de bilheteria nos EUA  22 milhões e 55 no exterior. 

      A gente já adivinha que é filme de fotografo quando aos 3 minutos de projeção ele apresenta num jardim uma gota de água caindo em câmera lenta de uma folha! OK, sempre bonito mas que tem nada a ver com o resto. Johnny Depp surge com o cabelo revolto mas menos excêntrico que costume falando com sua mulher (Rebecca Hall, de Vicky Cristina Barcelona) num momento idílico. Logo depois já esta se organizando um atentado a vida do cientista Depp num grande auditório mas o suspense é mínimo. Falam em curar o planeta, acabar com doenças como câncer e Alzenheimer. E entra o Doutor Will Caster. 11 minutos explode uma bomba (dentro de bolo de chocolate!) e mata a equipe. Salva-se Morgan Freeman. E Will seria atingido por um matador anônimo a queima roupa de um grupo contra a evolução cientifica. De qualquer forma é bom ficar Sabendo desde já que o filme irá terminar com outra flor, uma girassol e outras contas d´aguas como fotografo gosta. 

      Falavam muito que era uma historia a la Frankenstein, um thriller futurista inquietante e provocador. Não o que eu assisti, que não passa da uma historia morna, sem graça, que Depp interpreta como se estivesse em coma alcoólico, absolutamente apático. Ele relativamente baixo não combina nada com esguia inglesa que faz sua companheira. Enquanto o assistente deles, Max (Paul Bettany) esta cada vez mais parecido com o José Wilker. Na confusão entra também uma equipe do FBI (liderada por outro protegido de Nolan, Cillian), o já mencionado amigo Freeman e naturalmente a vilã (a sinistra Kate Mara de House of Cards). O que podia ser interessante é que conseguem “upload” a consciência humana num sistema de internet de inteligência artificial de tal forma que ele poderia controlar tudo. Não é uma idéia nova mas certamente poderia ser melhor explorada e desenvolvida. O roteiro do filme é banal, e ao contrario do que tinha imaginado, de que o fracasso havia sido porque o filme era complicado demais, ele resulta banal, com a velha lição moral de cientista louco, que a principio vai dando certo, limpando as cidades de crimes, até desafiar certas regras morais. Mas nem pense que isso é interessante ou provocador. Há pouca ação e nem o visual é interessante. Chega mesmo a cair em clichês de Zombies e robots, que certamente deveriam ser mais empolgantes. Achei divertido o critico americano que disse que Depp sintetiza sua interpretação pelo Skype.  Pseudo- ficção cientifica de segunda categoria.

Ref fim.  

O Menino no Espelho

O Menino no Espelho. Brasil, 14. Direção de Guilherme Fiuza Zenha. Com Matheus Solano, Regiane Alves, Lino Facioli,  Ricardo Blat, Gisele Froes, Murilo Grossi, Laura Neiva, Murilo Querino.

       Quero confessar minha admiração pela obra do escritor  mineiro Fernando Sabino que eu acompanhei por toda sua longa carreira de excelente cronista, ocasional romancista e brilhante escritor juvenil. O cinema aproveitou duas vezes seu conto O Homem Nu, o suspense Faca de Dois Gumes (que foi crescendo com o tempo e a única vez que o entrevistei em Gramado!), o juvenil o Grande Mentecapto e agora o clássico 'O menino no espelho' que é mais outro bom filme nacional que tem infelicidade de estrear neste período de Copa e confusão. Uma pena porque é um filme mineiro, bem realizado, bem produzido e traz um menino brasileiro que já faz carreira internacional como ator. O garoto Lino Facioli, natural de Ribeirão Preto, é filho de diretores de arte ( melhor explicando o pai é animador, e artista gráfico, a mãe arquiteta e desenhista de jóias mas foi o garoto que teve a opção de ser ator)  que moram no exterior e já teve oportunidade de trabalhar no seriado Game of Thrones (e ainda deve retornar em breve), além de trabalhar também na comédia O Pior Trabalho do Mundo (10),  em Broken com Tim Roth (14), series de teve (The Armstrong and Miller show) e alguns curtas. 

        Primeiro longa dirigido por Fiúza, 'O menino no espelho' demorou sete anos para ficar pronto. A idéia da adaptação surgiu após o diretor desistir de outro roteiro com o qual já estava trabalhando há 7 meses, por conta de problemas com o contrato de exclusividade. O livro de Sabino lhe chegou às suas mãos por meio da ex-mulher que o presenteou. Trabalhou no roteiro ao lado do produtor André Carreira e do roteirista Di Moretti, já que na verdade ele é formado por contos fechados e foi preciso criar uma historia única, com começo meio e fim. A produção custou R$5 milhões e chamou para o papel do pai do menino, Mateus Solano, antes dele ficar famoso com a novela e Felix. Também não conseguiram licença para filmar em Belo Horizonte, e usaram como locações as cidades de Cataguases, Miraí e Leopoldina. 

       O resultado como disse é agradável e divertido, preenchendo um nicho raro no cinema brasileiro, o filme juvenil. Mas  nem por isso acho que ele seja descoberto por um publico distraído e confuso. 

      Lembro-me de que O Menino no Espalho me encantou tanto que imediatamente depois de ter terminado sua leitura eu a reiniciei.  Para semanas mais tarde, outra vez o li na certeza que era poético e difícil de capturar em  sua magia. 
Ref fim.

O Homem Duplicado

O Homem Duplicado (Enemy) Canada/EUA, 13. 90 min. Direção de Denis Villeneuve. Baseado em livro de José Saramago. Com Jake Gyllenhaal, Melanie Laurent, Sarah Gadon, Isabella Rossellini, Joshua Peace, Tim Post. Dist. Imagem.

     Imediatamente depois de ter feito o policial Os Suspeitos (13) com o mesmo ator Gyllenhaal, o diretor canadense que havia ficado famoso com o sucesso de Incêndios (10 ), realizou este modesto drama difícil de classificar, a não ser como um thriller na linha de David Lynch, só que baseado (não li o livro mas dizem ser vagamente baseado apenas) em livro do português José Saramago.Seu tem não é novo, na verdade é até banal na literatura, passando da mera aventura (tipo O Prisioneiro de Zenda e Ao Pé do Cadafalso) para outros mais complexos (lembro de Alain Dellon sendo perseguido por seu duplo em Historias Maravilhosas, de Louis Malle baseado em "Metzengerstein de Edgar Allan Poe e outros semelhantes, mas sempre esbarrando num mesmo obstáculo, são incapazes de dar uma explicação convincente ao final. Tem que sair pela tabela, como sucede alias aqui 1) enraivecendo os que não gostam deste tipo de solução 2) provocando delírios de alegria naqueles que gostam de discutir um final que o diretor não explica ou justifica. Na verdade, ele fez pior. Obrigou todos os atores a assinarem um termo de confidencialidade jurando que não sabem do que se trata a figura da aranha. 

      De qualquer forma, Jake com sua habitual inexpressividade faz papel duplo. Ele é um professor universitário de Historia (as vezes que aparece discute ditaduras do passado) que não gosta de cinema (isso já é o suficiente para me deixar contra o personagem) e que vive mediocremente com sua mulher (a loira Melanie Laurent, de Bastardos Inglórios). Ate ai tudo bem porque o mesmo sucede com a maior parte de nós. Até o dia em que um colega lhe indica um filme que ele pega num locadora e tem a surpresa de ver como figurante um sujeito que é a cara dele escrita. Ou seja um Doppelganger (a palavra alemã para o fenonemo e também titulo de um filme sobre o tema com Drew Barrymore, chamado aqui Enigma Mortal, 93). 

      Vai atrás do coitado que tem uma mulher grávida, uma vida igualmente medíocre, talvez ainda pior mas é arisco e agressivo. Eventualmente como bons machos trocam de fêmeas para experimentar. Falta explicar que no começo do filme por alguma razão há uma sequencia sombria onde um monte de homem, com cara de policial vai para uma sala ver prostitutas se exibirem fazendo sexo (masturbando-se ) e uma delas expõe uma aranha que fica prestes a matar (pisando em cima com salto alto e a aranha sai de um salva de prata) . Uma aranha gigante  aparece ao final sem maiores explicações (aranha por vezes é ligado ao sexo da mulher) embora alguns criticos relembrem que o filme começam com uma frase (o caos é a ordem mas que não foi decifrado!). Uma curiosidade: noutro momento o professor também sonha com uma mulher nua andando num corredor de cabeça para baixo! Alguns tentam explicar como o medo da rotina, que vai destruindo sua vida. Mas o final é tão aberto que fica difícil decifrá-lo. Pode se perguntar se Adam e Anthony são a mesma pessoa? Nunca são vistos juntos diante de uma terceira pessoa. E suas esposas se parecem muito. Poderia ser um sujeito cansado de sua vida que inventa uma outra. Metade do filme poderia ser um sonho com um homem vivendo um sonho e criando uma falsa realidade que o ajuda a suportar sua vida deprimente e repetitiva. Outra analise diz que as aranhas representam as mulheres e que os dois sujeitos tem uma fraqueza por mulheres, o que os tornaria menos dominante. 

      E o filme ganhou 5 premios Genie (para provar que critico adora tudo que não entende). Foram melhores foto, direção, montagem, trilha e atriz (Gadon). Ganhou também o Festival do cinema fantástico de Stiges, na Espanha.  
ref fim.      

Jogo das Decapitações

Jogo das Decapitações. Brasil, 13. Direção de Sergio Bianchi. Com Fernando Alves Pinto, Clarisse Abujamra, Silvio Guindane, Maria Manoella, Maria Alice Vergueiro, Sergio Mamberti, Paulo Cesar Pereio, Renato Borghi, Anna Carbatti,Antonio Petrin, Magali Bif, Camila Bevilacqua e Patricio Bisso.

     Mais um filme nacional vitima da atual  síndrome de Decapitação poderíamos ate chamar, ou seja, lançar filmes brasileiros nas poucas vagar surgidas com a Copa do Mundo e a vontade de não lançar blockbusters (que perderiam seu poder de bilheteria). O excesso de títulos justamente disputando uns aos outros no pior momento ao menos deste ano para exibir um filme nacional. Isso é triste mas são as regras do jogo e reclamar não vai mudar coisa alguma. Enquanto isso este mais recente trabalho do polemico e brilhante Sergio Bianchi, corre o risco de nem ofender os seus algozes, nem mexer nas feridas, ou sequer atrair os que como eu ainda se divertem e aplaudem sua incansável luta (não perfeita, claro, mas ao menos ainda reclama, denuncia, resmunga, as vezes ate xinga). De tal forma, que este talvez seja o filme mais mal formato dele nos últimos anos, episódico , confuso, cheio de idéias interessantes que vão se perdendo pelo caminho. Sem a merecia conclusão. 

      O fato dele afirmar que ate o próprio Sergio esta confuso com o caos atual não ajuda muito o fato de que seu protagonista, Leandro, o normalmente confiável Fernando Alves Pinto, ganhou um personagem confuso, que balança entre diversas posições, que não se resolve como ser humano (deixa-se claro ser homossexual mas não se assume, nem em armário. Sua perplexidade varia entre a figura da mãe – a ótima Clarisse Abujamra que finalmente parece ter sido descoberta pelo cinema faz Marilia, a mãe dele,envolvidas em Ongs e Partidos não muito claros, que continua a sustentá-lo enquanto ele tenta fazer seu pós-graduação e entender porque seu pai Jairo já falecido (Pereio e em fotos mais antigos, o filho dele) chegou a ser preso, passeou por tantas posições, que agora não fazem mais sentido. Só que na verdade Sergio acena com varias malesas de nosso tempo: assaltos a esmo, justiça pelas próprias mãos, a própria situação da mãe que briga por receber dinheiro por ter sido presa.E assim por diante. Ajudando também num canal de teve (mostrado de forma muito pouco realista) ao menos deixar o amigo negro tentar se exprimir (cabe ao veterano Silvio Guindane, ótimo ator infantil ter sua melhor interpretação dos últimos tempos como o amigo Rafael).

       Mesmo o humor constante  na obra de Sergio desta vez fica num segundo plano. A idéia central é a busca de um filme que Jairo teria feito (para isso foi usado um dos primeiros trabalhos do próprio Sergio, Maldita Coincidência, 79, que dá uma visão interessante da época). Mas mesmo o filme mostrado em parte ao final também não revela nada de novo ou acrescenta aos fatos. Talvez a situação atual esteja realmente tão caótica e confusa que o próprio diretor nem soube rir ou criticá-la com mais sabedoria!

Ref fim