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sexta-feira, 5 de abril de 2019

Duas Rainhas (Mary Queen of Scots)


Duas Rainhas (Mary Queen of Scots)
EUA, Inglaterra, 2018. 2h4min. Direção de Josie Rourke. Roteiro de Beau Willimon, John Guy baseado no Livro Queen of Scots, The True Life of Mary Stuart. Com Saoirse Ronan, Margot Robbie, Jack Lowden, Adrian Lester, Guy Pearce, Joe Alwyn, Ian Hart, David Tennant, Jack Lowde.

Ficou programado para abril este drama histórico que teve o bom senso de não querer competir com o mais divertido e inteligente A Favorita, que aborda assunto semelhante (a luta entre rainhas inglesas) só que com mais humor e originalidade. A direção aqui pertence a uma mulher, Josie, que é diretora artística de um dos mais famosos teatros britânicos, o Donmar Warehouse. Na verdade, a primeira mulher a ter um cargo assim tão importante. Por outro lado, é seu primeiro filme de cinema, o que compromete algumas coisas, uma delas foi a escolha de duas jovens conhecidas em ascensão, mas não tão famosas. Até porque este histórico conflito não apenas verdadeiro, na realidade, tomam a liberdade de colocar as duas rainhas em conflito direto se enfrentando cara a cara! Aliás, essa licença poética já sucedeu antes de várias formas, até a nossa Cacilda Becker fez peça de teatro semelhante! As protagonistas mais famosas foram sem dúvida Katharine Hepburn em 1936, em Mary Stuart, Rainha da Escócia, de John Ford, Florence Eldridge como Elizabeth Tudor, depois teve outro filme semelhante chamado da mesma forma, 1971, dirigido por Charles Jarrott, com Vanessa como Mary e outra estrela duas vezes premiada com o Oscar, Glenda Jackson, como a Rainha Elizabeth. Aliás, o filme teve 5 indicações ao Oscar e não ganhou nada. Todos tour de force com atrizes célebres.

Aqui a ousadia é colocar atrizes mais jovens, indicadas ao Oscar, como Saiorse Ronan, o filme teve indicações de maquiagem e cabelos e figurino para Alexandra Byrne, embora as indicações de elenco ficaram com Margot Robbie, indicada no Bafta, como atriz coadjuvante, SAG (ela australiana ficou famosa com O Lobo de Wall Street, e Eu, Tonya). Ainda que prejudicada por uma maquiagem esquisita - já que sofria de um problema de pele! - que lhe tira a beleza.

Para quem não lembra, o conflito histórico entre as duas parentes, principalmente com Mary Stuart, que ficou viúva aos 18 anos e depois lutou para conquistar o poder do trono. Só que Elizabeth I, aquela que teria futuramente uma notável carreira, recusou se encontrar com ela e eventualmente tudo termina com uma morte. O filme custou 25 milhões e rendeu apenas 16.468 milhões. Os críticos de foram também reclamaram que as duas vivem paralelamente 16 anos e nem por isso parecem envelhecer! Pessoalmente faço restrições ao filme, começando com Saiorse, uma atriz que se repete, que fica pedante mesmo quando tem um personagem que precisava ser humano e cativante para convencer (no entanto, ela tem romances com vários homens, é fria e não tem a força para ser a rainha que ela pretende). A coitada da Margot tem um papel ainda mais inferior e ingrato, na verdade também prejudicada pelo roteiro que não lhe dá a categoria que merecia (na verdade, os filmes anteriores sobre a dupla são muito melhores mais emocionantes e realizados).

quinta-feira, 14 de março de 2019

Suprema (On the Basis of Sex)


Suprema (On the Basis of Sex)
Inglaterra, EUA, 2018. 2h. Direção de Mimi Leder. Roteiro de Daniel Stieplaman. Com Felicity Jones, Armie Hammer, Justin Theroux, Sam Waterston, Kathy Bates, Cailee Spaeny, Jack Reynor, Stephen Root.

É preciso ter simpatia pela estrela britânica Felicity Jones, que foi indicada ao Oscar por Teoria de Tudo, 14, além de fazer parte do elenco de Star Wars (Rogue One, 16, serie Forces of Destiny) e ter tido sorte em projetos de sucesso (O Espetacular Homem Aranha 2, Inferno, Busca sem Limites) já com 41 créditos. Não aprecio seu estilo de representar, mas não há dúvida que tem a sorte de conseguir grandes roteiros, com esta original e importante história que praticamente ninguém sabia, sendo de fatos reais de espantarem qualquer um. Vocês que achavam o governo norte americano como sendo liberal e respeitador dos direitos das mulheres, terão uma incrível surpresa de ficar sabendo que até recentemente mulher não tinha qualquer nada disso. Esta é a impressionante história real de Ruth Bader GInsburg (1933), que foi a pioneira e mesmo assim, ainda viva e admirada, foi a estrela do documentário chamado RBG, sobre sua vida e obra (também houve canção em homenagem a ela que ficou entre os cinco finalistas este ano no Oscar mas mesmo assim não saiu vencedora!).

Esta versão traz então Felicity (que é naturalmente muito mais bonita do que a admirada dama) que relata sua história e de sua família e por tabela o absurdo dos absurdos sobre o desprezo em que tanta coisa foi maltratada e desmoralizada. Na história, quem faz o marido é o galã Armie Hammer (Rede Social, Me Chame pelo seu Nome) que também enfrenta doença, com Felicity passando anos para tentar mudar as regras do governo mesmo que lutando com a ajuda de outras jovens estudantes. Eu francamente fiquei chocado com a falha absurda de um governo tão poderoso e pretensioso quanto o norte-americano e quem estudar Direito não pode perder esta lição de vida e cultura. Quem se interessar não pode perder.