terça-feira, 26 de novembro de 2013

Bons de Bico

Bons de Bico (Free Birds). EUA,13. Direção e roteiro de Jimmy Hayward. Com as vozes de Leando Rassum. Marcus Melhem. No original, Woody Harrelson, Owen Wilson, Amy Poehler, George Takei. 

      Não houve pré-estréias para a Imprensa deste filme de animação que merecia melhor sorte. Não é nenhuma maravilha, ate porque o diretor autor Jimmy Hayward, se perdeu no script  fazendo escolhas erradas que tornam o resultado discutível. Ainda mais sendo para criança. Talvez tenha sido uma questão de expectativa, quando soube que o filme era sobre perus fugitivos que tentavam escapar do inevitável destino de serem comidos, fiquei imaginando algo na linha de A Fuga das Galinhas que é um filme que lembro ainda com saudade e de vez em quando gosto de rever (é verdade que ele era baseado num filme solido e famoso que era Fugindo do Inferno, só que com galinhas). Aqui o roteiro ate que começa promissor mostrando Reggie, um peru inteligente que sofre com a burrice de sua tribo que vai pateticamente para seu destino sem discutir ou sequer perceber. Só ele tem a sorte de escapar e vai parar nos braços da filha do presidente norte-americano! A menina consegue ficar com ele, que levará uma vida boa, descobrindo o prazer da televisão e da boa pizza! Mas fora Reggie ainda tem um outro peru metido a herói, Jake, que acaba envolvendo os dois num plano mirabolante para salvar sua espécie e os dois acabam viajando numa maquina do tempo na esperança de mudas as coisas, desde quando os colonos do Mayflower descobriram os perus, ave nativa da America e que será usada no primeiro banquete entre índios e brancos fazendo nascer assim a tradição do Ação de Graças. 

      Grande parte da historia se passará, portanto na época colonial, onde surgirá ate um interesse romântico para Reggie. Mas entre idas e vindas, tem muita fuga, mas nunca um vilão digno do nome. A trama é fraca, falta mais humor e se não chega a ser exatamente ruim também esta longe de ser algo de especial ou notável. Sou mesmo tangido a comparar o resultado ao gosto da carne de peru, falta o molho, que a poderia tornar menos seca e sem graça .Só uma palavrinha sobre o diretor, de quem havia gostado do primeiro filme, o Horton e o Mundo dos  Quem! Que era original e criativo. Depois ele fez um western meio terror chamado Jonas Hex que é de morrer de ruim. Dentro da tradição de esconder os filmes ruins da imprensa, quem sabe a distribuidora ate acertou. Nos EUA, o filme custou 55 milhões de dólares e rendeu ate agora por volta de 44. Ah, não custa lembrar que em inglês “turkey/peru”é o adjetivo dado para um filme ruim que seria para nos o antigo”abacaxi” ou “bomba” ou “droga”.

Ref fim.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Vazio Coração

Vazio Coração. Brasil, 13. California. 90 min. Direção de Alberto Araujo. Com Murilo Rosa, Othon Bastos, Larissa Maciel, Bete Mendes, Lima Duarte, Oscar Magrini, Patricia Dornelles. 

     Permitam-me ser mais pessoal que costume. Conheci o Alberto Araujo numa das primeiras idas a Goiânia, onde ele mora e trabalha. O Reconheci como apresentador e produtor de um programa de turismo da Rede Teve na época em que andei por lá e acabamos ficando amigos e sabendo que planejava um filme. Eu o incentivei e fiquei admirado que com pouca experiência de cinema propriamente dito (tem uma produtora de vídeo e programas) ele sabia exatamente o que queria. Como bom mineiro, apaixonado pela poesia, se dispôs a fazer um filme que nem sabia que era contra a Maré. Embora seja de baixo orçamento ninguém imagina isso. A fotografia é muito bonita e não tem medo de mostrar paisagens de Uberlândia, Brasília e principalmente de Araxá, todos os ambientes são muito bem cuidados e o elenco é de primeira linha trazendo a melhor interpretação de toda a carreira de Murilo Rosa que esta cercado por alguns dos grandes atores nacionais, Lima Duarte (maravilhoso como sempre), Bete Mendes (aparece pouco mas a cena em que diz trecho de poema é um primor), mesmo a novata Larissa Maciel, que é só doçura. 

     Ou seja, ter orçamento baixo não obriga o filme a ser pobre. Desde o começo Alberto queria contar essa historia do cantor popular (as letras das canções também são dele) que esta em conflito com seu pai que é um embaixador veterano provocado ainda mais pela morte da mãe, num acidente de aviação (ele tinha enviado o minijet para busca-la para assistir um show dele). Uma tragédia que ajudou a provocar a separação entre pai e filho por muitos anos. Agora o rapaz procura a reconciliação no embalo das canções (já que prepara show). É quando entra a grande figura de um dos maiores atores brasileiros que é Othon Bastos, fazendo o pai com uma incrível humanidade. Não que não tenha possíveis falhas pontuais mas acho que acerta no principal. Faz tempo que não vemos um filme brasileiro falando de coração para coração. 

Ref fim.          

Uma Estranha Amizade

Uma Estranha Amizade (Starlet) EUA, 12. Direção de Sean Baker. 103 min.  Com Dree Hemingway, Besedka Johnson,Stella Maeve, Boone, Sheri Vecchio,Robert  Malmuth, James Ramsone.

     São tantas as estréias que a tendência é não prestar atenção em certos filmes pequenos que podem ter qualidades. É o caso desta produção independente de um certo Sean Baker, que tem alguma reputação por fazer filmes realistas, quase semidocumentários, que me parece não foram exibidos comercialmente aqui (como Taken Out, 04, Prince of Broadway, 08). Este aqui teve muita repercussão ganhando o Independent Spirit de elenco (indicado também como direção), a atriz como revelação em Hampton, premio dos jovens em Locarno, critica de Reykjavik.

     O estilo do diretor é aquele que esta começando a me irritar, deixa a câmera perseguir os atores, captando as conversas e os momentos mortos, sem qualquer dialogo preparado ou maior profundidade. Por isso mesmo dependente muito da escolha dos atores, começando pelo próprio cachorro de estimação da heroína (que é o cachorro do próprio diretor do filme, Boone, e que é apelidada de Starlet). Quem faz a protagonista é Dree Hemingway, bisneta sim do escritor e filha da famosa Mariel Hemingway e do diretor Stephen Crisman. Fiquei surpreso no meio do filme quando aos cinquenta e poucos minutos se revela que a moça é atriz de filmes pornográficos e fica-se na duvida se ela participou mesmo das cenas explicitas de sexo que aparecem ou foi usado uma dublê. 

      De qualquer Dree é uma loirinha aguada, de nariz comprido e com total falta de expressão. Começa o filme mostrando-a morando com um casal de amigos que vivem se drogando e tentando montar o apartamento comprando coisas em yard Sales (vendas em quintais caseiros) até quando encontra dentro de um garrafa de água quente um montão de dinheiro que uma velha escondeu e não lembra mais. Intrigada se aproxima dessa mal humorada e relutante senhora, de quem eventualmente irá ficar amiga. Há esta o ponto mais comovente do filme, já que essa velha é feita por uma certa  Besedka Johnson que sempre sonhou em ser atriz e logo depois morreu aos 87 anos! Era astróloga antes disso e saber do fato torna o filme mais interessante e comovente. Há para quem gosta pontinhas de porn star verdadeiras. 
Ref fim

Os Filhos da Meia Noite

Os Filhos da Meia Noite (Midnight Children) India, 12. Direção de Deepah Mehta Com Satya Bhabha, Shahana Goswami, Rajat Kapoor, Seema Biswas, Shriya Saran, Ronit Roy, Rahul Bose, Charles Dance.

      Famoso como a primeira grande adaptação de um romance do famoso escritor Salman Rushdie, adaptada por ele mesmo, pelo conhecida diretora indiana Deepah Mehta ,que foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro por As Margens do Rio Sagrado, 05, e tem ousado quebrar tabus do cinema local como em Fogo e Desejo,96). A ponto de ser chamada de A voz da Nova Índia. Rushdie nasceu na Índia de família islâmica mas é ateu. 

       Mas desta vez ela não deu sorte, em parte porque o livro é longo e confuso, misturando fatos reais e históricos como o realismo fantástico. De tal forma que se torna praticamente impossível de se entender, caso seja apenas um  espectador casual que nunca ouviu antes falar direito das questões políticas da Índia e Paquistão ,que ate hoje estão em Guerra, provocadas sem duvida por uma divisão religiosa, porque no Paquistão estão os islamistas (que na verdade foram obrigados a se mudar para lá, forçados pelos ingleses quando deixaram a região!). Não custa lembrar também que Rushdie teve que fugir porque foi condenado a morte pelos fanáticos religiosos que se sentiram ofendidos com  livro anterior dele e durante anos ele teve que se esconder e ainda anda junto com proteção policial. Mesmo para fazer este filme houve dificuldades enormes e acabaram rodando no Siri Lanka, assim mesmo com problemas. Alias é o próprio Rushdie que faz a narração da historia. 

       O romance ganhou o premio Man Booker Prize em 1981, que é dado por cidadões da Commonwealth .O filme é co-produção entre Canadá e Inglaterra. A recomendação histórica continua valendo. É bom pesquisar antes para conseguir seguir os fatos históricos que vão rolando. É sobre um velho que relembra sua vida, começando por seu avô , um médico educado na Europa Aadam Aziz (Rajat Kapoor) que conhece a futura avo em 1917 e que se revela como uma pessoa de força de vontade dando-lhe 3 filhas.Uma delas Muntaz se envolve com refugiado político (eles se casam mas divorciam e ela se casa com outro, que lhe mudao nome para Amina e a leva para Bombaim. Esta comprando uma casa vitoriana de um cidadão inglês que esta deixando o pais (o único ator para nos conhecido que é Charles Dance), que vai se tornar independente em 15 de agosto de 1947 (ele seria descendente do cara que planejou a cidade mas isso não vem muito ao caso).  

       Paralelamente conhecemos dois atores de rua e Vanita esta grávida sendo que ela e Amina irão dar a luz justamente naquela noite onde todos celebram a independencia.Só que a enfermeira de ambas mães resolve aprontar uma brincadeira   troca os dois bebes do sexo masculina, assim o pobre irá crescer rico e vice versa. Esta com cara de telenovela, pois é, isso já aconteceu por lá mesmo. Assim crescem mal o rico agora criado na rua é desajeitado e o outro revoltado e lutador. Ambos não saberão conduzir direito sua vida e seu destino. 

      Acho que não é o caso de descrever mais a historia. Basta dizer que o filme é feito com bastante produção mas não sabem  o que fazer dos poderes especiais que os dois adquirem. Não se tornam Avengers ou coisa que o valha, na verdade o recurso é mal explicado e mal resolvido. De tal maneira que por mais boa vontade que se tenha consegue cansar e ate irritar (com duas horas e meia de projeção). A Índia é um país difícil de  se compreender e aceitar com seu sistema de castas.  Este filme não ajuda nada.

Ref fim

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Juan e Evita, uma Historia de Amor

Juan e Evita, uma Historia de Amor (Juan & Eva) Direção de Paula de Luque. 110 min. Com Julieta Diaz, Osmar Nunez, Lorena Vega, Fernan Miras, Sergio Boris, Alfredo Casera, Alberto Alana, Maria Ucedo. 

     Não sou nada admirador do mito Juan Perón, um atraso na vida dos argentinos e muito menos da lenda Evita. Fica difícil ver mais uma biografia (sempre autorizadas e chanceladas pelos diversos partidos peronistas que ainda mandam no pais vizinho) e perceber que a revelação de fatos notórios são controlados e escondidos. Substituídos por uma historia com cara de telenovela, inclusive com a presença de uma atriz do gênero fazendo o papel de Evita. Bonitinha mas sem a chama e carisma que ficamos esperando de tão notória figura.

       Este filme escrito e realizado por uma mulher (o filme seguinte dela é um documentário sobre ninguem menos do Nestor Kirchner, o que já dá uma idéia de quem é essa figura) começa ate com certa fluência (ate quando percebemos que não é bem obra da diretora mas da edição final, que funciona até quando tem o terremoto de 1944, na cidade argentina de San Juan, que serve para aproximar o Coronel Peron, tambémGuerra e Vice-Presidente Ministro de Trabalho, (feito por Osmar Nunez, ainda mais envelhecido e inexpressivo do que outros que o precederam) da ambicioso radio atriz de 23 anos, Eva Duarte. Começa o amor e logo depois vem o ódio, quando Eva se casa com Juan e se torna disposta a tudo para lhe garantir o poder. O filme termina porém quando ele tem a primeira vitória populista e na verdade não registra a época mais louca e triunfalista do ditador e sua pretensiosa mulher.

       Tem uma ou outra que poderia ser curiosa (como a garota que ele fazia passar por filha, que Evita afasta) mas em geral mas um filme chapa branca, ainda mais discutível que o de Lula. 

Ref fim

Belos Dias

Belos Dias (Beaux Jours) França,13. Direção de Marion Vernoux. 94 min. Com Fanny Ardant, Patrick Chesnais, Laurent Lafitte, Fanny Cottençon, Marie Rivière, Jean-François Stévenin.

      Esta se criando um novo gênero de filme endereçado ao publico “senior”, em particular as mulheres que apreciam consumir romances sobre gente da sua idade que ainda redescobrem o amor e ao  contrario da maioria delas, ainda vivem alguns momentos, ainda que fugazes de paixão. Mas raramente o cinema francês, sempre tão sensível e perspicaz ofereceu um filme tão bobinho, tão sem graça, absolutamente superficial. Não há um momento de verdade, de discussão de problemas (que mal são colocados), limitando-se tudo ao possível prazer de ver Fanny Ardant, já sessentona (nasceu em 49), mas ainda uma mulher atraente e interessante .Não entendi porque esta com os cabelos aloirados, o que não lhe cai especialmente bem depois de uma carreira inteira morena. Mas é um grande elogio as mulheres atuais o fato de que é perfeitamente aceitável e convincente ver ela ter um romance com um homem mais de 20 anos mais novo e acreditar. Ate que seja ele que passa a cantada! Um elogio também ao rapaz Laurent (que se assina como membro da lendária Comédie Française) que depois de uma longa carreira de mais de 40 filmes, onde eu nunca o notei. Agora tem uma presença simpática e natural.

       A historia é baseada num livro chamada a Jovem Mulher com os cabelos brancos de uma certa  Fanny Chesnel, adaptado com a diretora Vernoux (que escreveu o sucesso Instituto de Beleza Venus e dirigiu antes Um dia de Rainha, 01, à Boire, 04 com La Béart). É sobre uma dentista que esta se aposentando e continua casada há muitos anos com um homem da mesma profissão. Ela ingressa num grupo de aposentados que procuram se ocupar nos horários vagos e ela mesma se interessa por informática e fica toda faceira quando é seduzida pelo jovem professor. Os dois tem um romance, o marido desconfia mas nada de importante chega a rolar, nem mesmo um confronto. O filme é tão covarde que se exemplifica claramente pela cena final, quanto todo o grupo de casais de muita idade, iria a praia para nadar sem roupa, se expondo em todos os sentidos. Só que no final das contas praticamente todos estão de maiô, inclusive Fanny e Chesnais, que não mostram suas “vergonhas”. É bem a cara do filme que não expõe nada, limita-se a passear pelas areais de costa de Pas de Calais. 

Ref fim.

Um Castelo na Itália

Um Castelo na Itália (Um Château in Italie) França, 13. Direção de Valeria Bruno Tedeschi. Roteiro de Valeria, Noemie Lvovsky(de Adeus,  Berthe e Camille, outra vez). Agnès de Sacy. Com Valeria Bruno Tedeschi, Louis Garrel, Filippo Timi,  Marisa Bruno Tedeschi (como a mãe, usando o nome de Marisa Borini), Xavier Beauvois, Céline Salette, André Wilms, Silvio Orlando, Marie Riviére. 

      Durante as viagens a Festivais no exterior, tive a chance de entrevistas algumas vezes a atriz Valeria Bruna Tedeschi (que já na época lutava para ser a anti-Carla Bruni, porque era irmã da famosa e bonita modelo, que depois se tornaria primeira dama da França). Valeria não é especialmente bonita mas é boa atriz  e talentosa como vem demonstrando como diretora agora com este filme que chegou a concorrer a Cannes 2013 (não levou premio mas isso é compreensível já que se trata de uma comédia).

      Escrito por três mulheres, o filme tem um humor especial, meio negro, totalmente original, muito criativo. Ao menos foge do lugar comum, com romance inusitados, situações de constrangimento e resoluções inesperadas. E achei uma idéia especial Valeria escalar como a sua mãe na historia, sua mãe verdadeira (ainda que escondida por outro sobrenome, extremamente convincente, com jeito de gente de verdade, não atriz).

      Seu personagem chamado Louise Rossi Levi poderia ser classificada como “ciclo tímica” e como a própria Valeria era uma atriz que se afastou da carreira (ela deixou de fazer filmes para se concentrar na direção). Sua família já foi muito rica, esconde segredos não muito louváveis e ainda mantém um decadente palácio na Itália (na região de Torino, ou seja Piementose), porque o falecido pai era dono de uma grande fabrica que aos poucos foi entrando em decadência. Eles não tem como pagar as contas mas esbarram na teimosia do irmã dela, Ludobvic (que fez Mussolini em Vincere e que acabo de descobrir que tem um problema de visão que o deixa quase Cego, apesar dos olhos penetrantes). Tem a seu lado uma namorada fiel (que conhecemos de Além da Vida, Ferrugem e Osso, Maria Antonieta e L´Appolonide). Só que esta morrendo lentamente de Aids. Há ainda um amigo alcoólatra que parece entrar na historia para jogar verdades na cara da família (feita pelo agora gordo diretor Xavier Beauvois), alguns empregados fieis) e principalmente um interesse romântico muito divertido, já que se apaixona por uma ela um rapaz vinte anos mais novo, que também é ator mas vive em conflito semelhante ao dela em relação a profissão e que resulta na melhor interpretação do sempre interessante Louis Garrel ( Os Sonhadores, Canções de Amor). As brigas do casal são divertidas e fogem do lugar comum dos romances. Os especialistas notam a mão no roteiro de Noemie Lvovsky(de Adeus,  Berthe e Camille, outra vez).

     O que foi me envolvendo é justamente o humor original, o drama familiar convincente, a competência de Valeria e também a bela sequencia da arvore familiar que tomba.  Só depois que fiquei sabendo que o filme tem muito de autobiográfico, que a mãe é realmente pianista de concerto, que Garrel foi realmente namorado dela (até o ano passado), que Valeria perdeu um irmão Virginio em 2006 com Aids e que também pensa em ter filhos (adotou bebe senegalês com Garrel). Em seu terceiro trabalho como diretora (È più facile per um Cammello, 03 e Attrici, 07), ela já se encontrou.
Ref fim

Blue Jasmine

Blue Jasmine (Idem) EUA, 13. Direção e roteiro de Woody Allen. Com Cate Blanchett, Alec Baldwin, Peter Sasgaard, Sally Hawkins, Andrew Dice Clay, Tammy Blanchard, Bobby Cannavale, Michael Stuhlbarg, Louis C. K.

       Os boatos se confirmam, este é o melhor filme dramático de Woody Allen até o momento (embora nem por isso deixe de provocar alguns sorrisos) e  provável indicado aos Oscars (ao menos) de roteiro original e sem duvida de atriz (já que Cate Blanchett, sem a menor surpresa, esta magnífica). E também é sucesso de bilheteria nos Estados Unidos (32 milhões nos EUA o que é muito bom para um filme de Allen). Trabalha novamente com o fotografo de Vicky Christina Barcelona, o espanhol Javier Aguirresarobe agora  captando outra cidade marítima  que tem bastante a ver com Barcelona, San Francisco. 

     A primeira coisa que achei incrível é que nem todo critico tenha percebido o óbvio, que com o filme Woody fez um homenagem a peça Um Bonde Chamado Desejo ou uma Rua chamada Pecado (nome da versão de cinema com Marlon Brando memorável e Vivien Leigh) de Tennessee Williams. Homenagem mesmo, ele não copia nada, apenas aproveita alguns traços genéricos da peça (até porque Cate estrelou a remontagem mais recente, dirigida por Liv Ullman, que foi um imenso sucesso pessoal para a atriz!). Assim, esta Jasmine (Jasmin) na verdade é um nome de guerra que ela adotou para ficar chique. O filme começa com ela voltando de avião para vir passar uma temporada com a meia irmã (o fato é que ambas foram adotadas de origens diferentes) com quem nunca se deu bem, Ginger (a inglesa Sally Hawkins, que vimos em Revolução em Dageham, Simplesmente Feliz e que às vezes consegue se tornar aborrecida ao insistir nos mesmos tiques e trejeitos. Desnecessário dizer que aqui esta contida e na medida certa).As duas nunca foram próximas mas se trata de uma emergência. Jasmine acabou de ficar viúva e esta a beira de um colapso, pode ser mesmo que já esteja dominada pela loucura. Essa é a única saída a que pode recorrer e o obstáculo maior é o atual namorado dela um sujeito meio grosso e  machão feito pelo ótimo Bobby Cannavale (ganhou :Emmy este ano por  Boardwalk Empire) que justamente faz lembrar o Stanley Kowalski de Brando. Alias ela tem um passado que confirma que gosta do gênero brutamontes porque foi antes casada com outro semelhante   Augie que não gosta de Jasmine porque por causa dela perdeu uma fortuna que iria fazê-los mudar de vida. Esse papel é feito pelo comediante stand up  Andrew Dice Clay, que tentaram lançar como astro nos anos 1990 mas não era politicamente correto e foi rejeitado pela Mídia. Também não era especialmente bom mas aqui Allen achou um papel que lhe cabe como uma luva. Cafajestão. 

       Jasmine como vão revelando os flash-backs tem um problema. O marido dela (o indefectível  Alec Baldwin) a tratava como princesa e lhe dava uma vida de luxo e sofisticação, grandes mansões, jóias, festas, gente chique. Mas também era um financista esperto e corrupto que eventualmente iria perder tudo e deixá-la na mais absoluta miséria. Por isso que ela é tão incompetente em viver sozinha e ainda mais em conseguir emprego, já que não sabe fazer nada. Não foi treinada para a vida real. E ainda lhe resta a magoa recorrente de que o marido a traia constantemente com varias e belas mulheres. O problema é como reconstruir essa vida. De repente, do nada numa festa surge para as irmãs duas alternativas, Ginger conhece um sujeito despachado e de meia idade, com quem simpatiza (feito por Louis  C.K. o stand up do momento nos EUA com uma serie de teve que já lhe rendeu varias indicações a prêmios). E Jasmine encontra um rapaz ambicioso, que deseja fazer carreira em política, aparentemente é muito rico (desta vez a direção de arte caprichou nos ambientes e casas) e começa a gostar dela. 

       Mais não se pode contar. Revelei ate bastante coisa porque com Allen, não é tanto a trama mas como ela é mostrada, interpretada (logicamente a trilha musical é com as velhas canções e gravações de sempre que ele adora e usa e abusa). Cate está esplendida, sem nunca cair em exagero, ou overacting, super elegante e carismática. E tudo resulta numa historia bem contada, com algumas reviravoltas e surpresas, bastante lógica e humana. Para a gente que acompanha a sua obra desde sempre e se espantava com os dramas copiados de Bergman, tronchos e desajustados, é impressionante ver como ficou a vontade.É quase um filme como suas comédias só que com menos risadas. E como sempre curto (por volta de 90 minutos apenas). Assisti com muito prazer e outras vezes o farei. É um prazer ver um senhor diretor de 78 anos em plena forma.

Ref fim.

Tatuagem

Tatuagem Brasil, 13. Direção e roteiro de Hilton Lacerda.110 min.  Com Irandhir Santos, Jesuita Barbosa, Ariclenes Barroso, Rodrigo Garcia, Johnny Hooker, Sylvia Prado, Sylvio Restiffe. 

     Não há duvida que o que há de mais novo e interessante no cinema brasileiro recente tem vindo do Nordeste, mais especificamente do nascente e crescente cinema de Recife. Não conhecia pessoalmente todo os lideres do movimento mas tive ótima impressão quando os entrevistei para um novo programa da HBO. São inteligentes, bem humorados, criativos, de idéias e propostas variadas ainda que quase sempre convergentes. Bem sintetizada pela figura deste Hilton Lacerda, que é aqui diretor estreante de ficção (fez antes documentário sobre Cartola) mas foi co-roteirista de quase todos os filmes marcantes do movimento (desde o pioneiro Baile Perfumado, passando por Árido Movie, Amarelo Manga, A Festa da Menina Morta, claro que não é deles mas vale como referencia, A Febre do Rato). E também pela figura do astro do filme que é o Irandhir Santos, um ator brilhante que tem sido consagrado por suas participações marcantes em O Som ao Redor, Febre do Rato, Tropa de Elite 2, Olhos Azuis.

     Seu desafio desta vez é interpretar um homossexual assumido Clécio (melhor dizendo bissexual já que vive com mulher e tem filho, melhor mesmo seria não classificá-lo). A historia se passa durante os anos da repressão política da ditadura, quando alguns atores dedicados se apresentam num grupo de vanguarda que provoca polemicas, com suas encenações ousadas em todos os sentidos. O filme na verdade tem algo libertário que tem conquistado a critica e o publico (gosto particularmente do jovem ator Jesuita Barbosa, que faz o recruta do exercito, que tem que enfrentar seu despertar sexual e o ataque de um colega).

       Parece também que uma nova geração de talentos começa a surgir por lá e o filme é sua primeira explosão. Vamos ver como vai reagir o publico no momento mal acostumado apenas com comédias digestivas.

Ref fim.  

Jogos Vorazes: Em Chamas

Jogos Vorazes : Em Chamas (The Hunger Games:Catching Fire) EUA, 13. 146 min. Direção de Francis Lawrence. Com Liam Hemsworth, Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Woody Harrelson, Elizabeth Banks, Philip Seymour Hoffman, Donald Sutherland, Lenny Kravitz, Stanley Tucci, Amanda Plummer, Jeffrey Wright, Jena Malone.

       Estreando no Brasil, uma semana antes dos Estados Unidos, só foi mostrado para a imprensa na manhã de quinta-feira, ou véspera do lançamento em mais de mil cinemas em todo o país. Então forçosamente o que eu escrever será uma primeira impressão. O filme, segundo parte de uma trilogia (que começou  com Jogos Vorazes, do ano passado e prosseguirá com mais outro livro, chamado de A Esperança, será dividido em dois capítulos, um para ano que vem, outro para o próxima , seguindo  a moda criada por Crepúsculo. Por outro lado, de todos os imitadores que surgiram depois do romance vampiresco, este foi o único que ate agora deu certo  conquistando fãs fieis (confesso que não li o livro mas todo mundo afirma que é ainda bem mais violento do que a versão do cinema). Em parte pelo acerto da estrela narradora da historia que é a bela e talentosa Jennifer Lawrence, não por acaso vencedora do ultimo Oscar (não por Jogos mas por O Lado Bom da Vida). Mas também por ser uma reciclagem de um velho tema da Caçada Humana (ou Mortal), agora transportado para uma distopia (a utopia que não deu certo). 

      O primeiro filme era melhor dirigido por que foi feito por Gary Ross, que é bem mais competente do que seu sucessor  Francis Lawrence (que não é parente de Jennifer) que realizou Constantine, Eu sou a Lenda, o fraco Água para Elefantes e já esta acertado para os dois filmes seguintes . Seu erro maior aqui é ter realizado um filme longo demais, podia ter sido editado com mais ritmo e perder uns 15 minutos que só ganharia com isso. Apesar de ter custado muito mais, resultado do seu êxito, seu orçamento foi de 140 milhões! O do anterior era de 78 e rendeu mais de 400 só na America. Ainda assim é diferente do predecessor que era basicamente uma historia onde o amor triunfava E saia-se com esperança. Mas sendo este o capitulo do meio,  é bem mais pesado e termina de maneira mais aberta e não resolvida (também não se desenvolve muito bem o romance do casal, na verdade o triangulo. No começo do filme, Katniss quer a todo custo voltar com Gale, que bobamente não topa fugir, para de repente mudar de idéia, sem que o coitado do Peeta tenha no filme todo,  uma grande cena, ou momento, ele mal se explica, fica de coadjuvante o tempo todo, com cara de coió, sofrendo por amor.  Fazendo escada para as estripulias da heroína que agora se da ao luxo de ter varias crises de choro, grito, ataques etc e tal. Coisas de quem ganhou o Oscar. 

     Quando na verdade o que incomoda mais é que Peeta seja tão baixinho (mesmo usando salto) perto daquela mulherona vistosa (ainda que mal humorada!). O que mais reclamo é que as cenas de ação, a perseguição e fuga mortal, acontecem apenas na parte final, ainda que com bastante eficiência. Na primeira parte ficam ameaçando e atacando os Distritos quando ainda insistem em prosseguir com os jogos como distração, quando pelo jeito de tudo a revolta esta patente em todo mundo (depois da reação no show de teve, não haveria outra solução!). Ou seja, provocando medo (parece aquelas cenas rurais de perseguição a prisioneiros na Segunda Guerra) e realizando os novos jogos com os vencedores dos anos anteriores (destaque para a sempre interessante Jena Malone, que faz a rebelde Johanna, uma atriz que já deveria ter dado certo antes! Cercada pela esquisita Amanda Plummer (filha de Christopher), Jeffrey Wright, o inglês Sam Claflin (Piratas do Caribe, Branca de Neve e o Caçador, que faz Finnick).

     Será que vai fazer sucesso igual ao primeiro? É possível já que foi muito bem de ingressos antecipados. Prende a atenção, envolve e ate onde eu sei pareceu fiel ao livro.

Ref fim.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Alabama Monroe

Alabama Monroe ( The Broken Circle Breakdown) Bélgica/Holanda, 13. 112 min .Direção de Felix van Groeningen. Roteiro de Carl Joos, van Groeningen, basedo na peça "The Broken Circle Breakdown Featuring the Cover-Ups of Alabama," por  Johan Heldenbergh, Mieke Dobbels. Com Veerle Baetens, Johan Heldenbergh, Nell Cattrysse, Geert Van Rampelberg, Nils De Caster, Robby Cleiren, Bert Huysentruyt, Jan Bijvoet.

      Este filme é a indicação oficial da  Bélgica para o Oscar de produção estrangeira deste ano, foi bem recebida em Berlim (ganhou o premio do publico do Panorama) e ganhou os prêmios da Competição Oficial e do Publico no Festival de Quebec. Não é exatamente uma historia nova, já houve vários outros filmes semelhantes até com a mesma situação: um casal que enfrenta a situação trágica de verem sua filha pequena (e adorável) sofrer a lenta agonia da morte pela leucemia. A diferença é que o diretor Felix van Groeningen (em seu quinto longa mas o primeiro que vemos comercialmente aqui) com a ajuda do roteirista Carl Joos dissolveu o melodrama numa sucessão de números musicais (o casal começa se apaixonando, ela com o corpo todo coberto de tatuagens e depois de juntos, passam a cantar num conjunto de musica Blue Grass, o caipira norte-americano) e numa narrativa um pouco caótica, sucedendo presente e passado de forma por vezes surpreendente. Ajudado por uma bela fotografia e dois excelentes atores, em particular a Veerle Baetens (por este filme foi a melhor atriz no Festival de Tribbeca) supera os clichês e emociona. O que explica o fato de ter sido um grande sucesso em sua terra natal.   E ao contrário das produções americanas não tem problemas com nudez. Ou cenas de sexo. Parece que o roteiro foi inspirado numa peça teatral concebida pelo ator Johan Heldenbergh (que foi um dos astros de “The Misfortunates” no filme anterior desse mesmo diretor) e  Mieke Dobbels que consistia em performances de canções bluegrass com uma triste historia de amor.  Mas foi totalmente revinventado para a tela. 

     Um critico chegou a dizer que o filme parece ter sido feito de fotografias do passado jogadas a esmo, sem um rígido fio condutor (ate porque a menina já morre na metade do filme, o que não impede outras sucessões dramáticas. O curioso é que isso não o deixa  tele novelesco (mas recorda um pouco Blue Valentine/ Namorados para Sempre, 10).  A historia se desenrola na cidade belga de Ghent  entre 1999 e  2006,  mas resulta atemporal .O universo deles não é digital e se resume a presença de 11 de setembro e a figura do presidente Bush (outra curiosidade , não se fale em dinheiro).

     O filme poderia comportar outros comentários mas o importante é embarcar nele, se deixar levar pela direção envolvente e criativa e principalmente pelo casal central.

     Este ano, a competição pelo Oscar esta difícil de prever porque não há favoritos absolutos. Este Alabama Monroe não seria uma má alternativa. 

Ref fim.

O Estudante

O Estudante (El Estudiante, 2011). Direção de Santiago Mitre. 110 min. Com Esteban Lamothe, Romina Paula, Ricardo Felix, Valeria Correa.

     Foi super premiado na Argentina este drama que levou os principais prêmios da Academia de Cinema local (6 vitórias, incluindo filme, diretor, estreantes), mais 3 indicações, 3 premios da critica local (incluindo filme de estreante, roteiro). 3 pela Associações de Criticos (filme de estreante), premio especial do júri e fotografia no Festival de Cinema Independente de Buenos Aires. Filme e roteiro no Festival de Gijón, Espanha. Critica em Lima. Especial do Júri em Locarno.

      Na verdade é daqueles dramas que procuram dizer alguma coisa de político e importante (coisa que os filmes locais fazem muito melhor do que os nossos, que nunca parecem ser sobre coisa alguma, a não ser viagens do diretor para sua turma). Realizado naquele estilo tradicional do cinema não comercial, ou seja, câmera na mão, fotografia que mais parece documental, atores desconhecidos (mas nem por isso menos eficientes). E uma narrativa nunca óbvia, fácil de seguir. Até porque só ao final, na cena derradeira é que o filme toma uma posição critica interessante que o define (ainda assim para publico de arte).

      Acompanhamos a trajetória do estudante não tão jovem assim, porque tentou fazer a faculdade ao  menos duas vezes antes, o Roque (Esteban Lamothe, com cara de gente comum e boa presença) que tenta se ambientar na Universidade de Buenos Aires. Como a maior parte das pessoas, não tem sonhos ou planos. Nem grandes ambições, vagamente gostaria de ser rico, importante, mas por enquanto vai flanando por entre a agitação da escola, transando com a namoradinha, ao menos até quando conhece uma jovem e bonita ativista Paula. Já vimos personagens assim em filmes franceses, a deriva. Mas deixa-se levar pela vida até essa escolha final. 

     Mas também a critica social não é gritada ou enfatizada (apesar disso o filme virou Cult por lá, provocando polemicas). Pinta apenas um retrato curioso da sociedade argentina atual, que provavelmente vai interessar mais aos jovens que se identificarem com o protagonista. Foi realizado com um orçamento mínimo de 30 mil dólares, sem ajuda oficial , apoiado pela Universidade e movimentos estudantis (ainda assim levou 7 meses de rodagem). 

Ref fim.

Blind Detective

Blind Detective /Man Tam. Hong Kong, 13. Direção de Johnny To. 128 min. Roteiro de Wai Kai Fai. Com Andy Lau, Sammi Cheng, Guo Tao, Gao Yuanyuan, Eileen Yeow.

      Apesar de ter dirigido mais de 50 filmes e já ser ha alguns um habitual do Festival de Cannes, o diretor chinês de Hong Kong, Johnny To é ainda pouco conhecido no Brasil. Vários saíram em DVD mas ele não tem o status de Cult que merecia, principalmente por seus filmes de gangster, melhores mesmo do que os do hoje esquecido John Woo. Uma pena que Este Blind Detective não seja dos mais expressivos e tenha tido uma critica muito negativa em especial no Oriente. Antes de tudo porque se trata de uma comédia (dizem que romântica mas não para os padrões ocidentais, esta mais para o pastelão, é preciso se acostumar com os hábitos chineses (ou cantoneses) como falar muito alto, jogar sapatos, coisas assim).]

      Admiro o controle visual do diretor, que sempre sabe enquadrar bonito, é um grande encenador de cenas de ação mas infelizmente aqui não há muito que celebrar. A historia se passa na Hong Kong atual mostrando um detetive Chong Si-teum (o veterano astro local Andy Lau) que foi forçado a se aposentar quatro anos antes por ter problemas com retina descolada.Agora ainda trabalha em casos onde tem recompensas,ajudado por um amigo ainda policial Szeto (Guo Tao). Quando na rua o detetive desconfia de um gordo maluco que irá ameaçar as pessoas jogando acido sulfúrico nelas, é ajudado por uma garota Ho Ka-tung (Sammi Cheng). Os dois ficam amigos e meio parceiros (se envolvendo em algumas situações de perigo, mas sempre tratadas como comédia). Até quando ela pede ajuda pra resolver um caso antigo pessoal, o desaparecimento ha uma decada atras de uma colega de escola Siu-man quando recusou sair uma noite e esta despareceu, deixando-a sentir culpada. Eventualmente terá serial killer na jogada.

     Até é uma idéia unir um deficiente visual com uma pessoa comum numa investigação já que ele teria qualidades sensitivas (prestar mais atenção a ruídos, vozes, cheiros) do que muitos. Mas isso não chega a ser muito aproveitado nem mesmo o relacionamento do casal (o espectador local notou coisas que pára nós passam em branco como o fato de que a dupla já havia feito vários filmes antes mas a garota Sammi ficou anos fora e só retornou com este filme (primeiro encontro da dupla em 7 anos!). Outra coisa curiosa para eles é que o filme mistura atores de HK com outros da chamada mainland (terra principal). Nada disso somos capazes de decifrar embora ache simpática a citação de Perfume de Mulher, com Al Pacino, quando o cego dança com uma bela mulher (alias linda), num salão, num momento bem agradável. Outros críticos acham que o filme lembra um filme anterior de To, Mad detective (2007)e reclamam do roteiro que foi feito por um dos escritores de maior prestigio local e parceiro habitual de To. A trilha musical foi feita por um canandense vindo da teve Hal Foxton Beckett.

Fim

CAPITÃO PHILLIPS

CAPITÃO PHILLIPS (Captain Phillips)  EUA, 13. Sony. Direção de Paul Greengrass. 134 min. Com Tom Hanks,  Barkahd Abdi, Barkhad Abdiraman, Faysal Ahmed, Catherine Keener, Chris Mulkey.

     Há mais de uma década desde os tempos de Naufrago e A Estrada para Perdição que Tom Hanks não tem um filme de êxito e prestigio (não conta O Codigo da Vinci como isso, mas como concessão comercial) o que foi parcialmente compensado por uma bem sucedida carreira como produtor de televisão (John Adams, Pacific, Big Love, Band of Brothers ), como voz de animação (a série Toy Story) e cinema (Casamento Grego). Mas o fato é que perdeu sua áurea de infalível, de bom moço, já que obviamente envelheceu e ate agora não tinha conseguido um personagem a sua altura. Este pode ser o filme que oredime depois de alguns fracassos também como diretor (Larry Crowne). 

      Inspirado em fato real como esta na moda, feito por um diretor de prestigio (o competente britânico Paul Greengrass, que fez os dois da serie Bourne e indicado ao Oscar pelo pouco Vôo United 93, este Capitão não foi produzido por ele (mas dentre outros, Scott Rudin, Mark de Luca e Kevin Spacey!) mas vem dando certo com a critica e bilheteria (custou 55 milhões de dólares e ate o momento rendeu por volta de 100 no mercado mundial).

     Não é um blockbuster mas pode ser visto como “O Argo” deste ano, sem a mesma probabilidade de vencer o Oscar. 

     É uma aventura decente, bem realizada, com bastante suspense e emoção (marcas registradas do diretor que foi responsável por popularizar a câmera  na mão, mas desta vez sem exageros de solavancos e balanços). Não se esconde também o fato evidente que é outra propaganda norte-americana mostrando como seu serviço de Marinha (em particular os Navy Seals) neste governo Obama esta a postos para proteger os cidadãos norte-americanos. E se não resolve o caso na tela  mais rápido e com maior presteza é porque sendo fato autentico, baseado em livro procurou ser fiel aos fatos (ainda assim custam demais a atacar, ficando trocando burocracias em vez de tirar o homem da água logo!) 

     Mas confesso que já tinha ouvido falar na pirataria moderna, mas nunca tinha visto um filme sobre o tema, em particular aquela região perigosa da costa da África na região da Somália  onde eles atacam navios cargueiros, muitas vezes em reféns e resgates. O filme começa com o Capitão saindo de casa em 2009  para ir trabalhar numa missão de aparente rotina conduzindo uma navio de bandeira norte-americana que  com containers que levam até comida como ajuda para africanos! Seria o Maersk Alabama que sairá do porto de Oman em direção a Mombassa, no Quênia. E seria assim o primeiro navio de carga norte-americano  dominado por piratas em mais de 200 anos.  Catherine Keener faz a mulher dele num papel que é menos do que ponta (não chegam nem a cortar para ela para  construir tensão). Em compensação os quatro  novatos que fazem os pescadores da Somália que para sobreviverem topam trabalhar para os piratas foram escolhidos em testes, são amadores e estão excelentes. Absolutamente convincentes. Às vezes tão naturais que superam o astro. A sensação que eu tive foi que mantiveram de propósito cenas para ele mostrar e redemonstrar sua força, que esta sofrendo mesmo de verdade  (por exemplo, aquela longa e dispensável sequencia onde é examinado por uma médica. A cena foi improvisada com uma médica de verdade e exagera no tamanho). Só existe para Hanks ganhar premio. Uma indicação pode até mesmo acontecer, ainda que num ano concorrido. 

      Mas o resto do filme é interessante e funciona como bem como diversão.  Embora eu fareje que a mensagem dele seja outra “americanice”. Tudo poderia ter sido impedido caso os marinheiros e o capitão ao menos estivesse armado. O caso não teria acontecido  mas por outro lado se armas fossem mais controladas também não teria sucedido o incidente recente no Aeroporto de Los Angeles com atirador anônimo. Ou seja... Como diz o filme “todos nós temos chefes!”.

Ref fim .  

Minha Vida Dava um Filme

Minha Vida Dava um Filme (Girl Most Likely) EUA, 13. Direção de Shari Springer Bermer e Robert Pulcini. Com Kristen Wiig, Cynthia Nixon,Andrea Martin, Julia Stiles, Matt Dillon, Annette Bening, Darren Criss, Natasha Lyonne, Bob Balan, Jerry Fitzgerald.Roteiro de Michelle Morgan.

     Esta comédia foi muito criticada nos EUA por não ser tão engraçada ou criativa quanto o sucesso anterior da atriz (e que foi também roteirista) Kristen Wiig , Missão Madrinha de Casamento. Claro que não já que se trata de um projeto inteiramente diferente, nada chanchada mas uma historia reflexiva realizada por uma dupla intelectualizada do cinema independente, Shari Springer Bermer e Robert Pulcini que tiveram sucesso com um filme estranho que foi Anti Heroi  Americano (03), seguido depois pelo bom telefilme da HBO Cinema Verité ( 11), o  divertido Os Acompanhantes /The Extra Man com Kevin Kline e Paul Dano,10, e o mais convencional O Diário de uma Babá.

     Ou seja, nem é bem uma comédia, mas um “dramady” (comédia de drama e comédia) feito pelo ponto de vista feminino, já que foi roteirizado por uma mulher chamada Michelle Morgan (homônima da estrela francesa ainda viva e que como a maioria dos amigos da turma faz também um papel como as amigas da heroína no começo do filme). Já na primeira cena fica claro que a heroina será uma chata de galocha:chama-se Imogene e esta ensaiando o papel central de O Magico de Oz e brigando com a professora porque não concorda que “o melhor lugar do mundo” é o lar. E tem razão. Anos depois mora em Nova York (na verdade, ela não teria condições de morar naquele apartamento caríssimo mas são coisas de cinema) e tem o choque de descobrir que o namorado lhe deu o fora. Resolve tentar o suicídio mas isso só faz as coisas piorarem porque é mandada a viver com a louca da mãe em New Jersey (Annette Bening é a melhor coisa do filme como a mãe que mantém um caso com homem mais novo, Matt  Dillon, que usa o nome de “George Bushy”). 

     Tentando reviver os problemas de infância, tem a sorte de encontrar um inquilino mais aberto (Darren Criss de Glee) e ir em busca do pai que recém descobriu estar vivo ( Bob Balaban). Não é um filme de muitas risadas, apenas leves e discretos sorrisos, já que ao menos ate o obrigatório final ela é uma “loser” e Kristin se comporta adequadamente.Não informaram o custo da produção mas de bilheteria não passou  de um milhão e seiscentos. Não pagou nem os anúncios. 

     Mas não é tão ruim assim foi mais uma questão de expectativa.

Ref fim.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Mostra Internacional do São Paulo 1013 - Filme: Tom na Fazenda

 Critica de Francisco Cannalonga.
Tom na Fazenda / Tom à la Ferme, 2013, Canadá. Dirigido por Xavier Dolan. Com Xavier Dolan, Pierre-Yves Cardinal, Lise Roy, Evelyne Brochu.

     É realmente impressionante: Xavier Dolan (Eu matei a minha mãe, Amores Imaginário, Laurence Anyways) tem apenas 24 anos e Tom na Fazenda é seu quarto filme, Também é impressionante a maturidade e confiança em suas habilidades que o diretor canadense vem demonstrando filme após filme. Se alguns maneirismos e artifícios estéticos do diretor incomodavam em seus primeiros esforços, aqui são contidos e sufocados em prol de uma narrativa mais plana. O que é necessário já este é o primeiro filme de “gênero” do diretor. Segue uma clara formatação do ‘gênero de suspense/thriller “- Informações importantes sobre os personagens são fornecidas apenas no terceiro ato quando já caminha para seu clímax, a trilha sonora angustiante a pontua os momentos de tensão e há sempre a sensação de que algo importante pode acontecer a qualquer momento depois do primeiro ato.

      Tom (Xavier Dolan) dirige até uma fazenda no interior do Canadá para o funeral de seu namorado Guillaume e, para sua surpresa, nenhum membro da família de Guillaume sequer sabia da existência de Tom. Para piorar a situação o irmão mais velho Francis (Pierre-Yves Cardinal) começa uma serie de jogos físicos e mentais que torturam Tom e degradam sua mente, jogos esse que consistem em omitir o passado de Tom e Guillaume e criar uma realidade alternativa, para agradar a mãe, Agathe (Lise Roy). Francis é fundamentalmente uma alegoria para o machismo e homofobia bucólica, mas Dolan é sensível o suficiente para construir mais camadas para esse personagem, é possível vislumbrar indícios de sexualidade reprimida e uns instinto paternal doentio. Ao longo dos jogos violentos de Francis, Tom aparentemente desenvolve uma variação da “síndrome de Estocolmo”.

      O grande texto do filme é a observação sobre a realidade, o que é real e ou o que faz sentir real? Francis é homofóbico e bruto, mas há momentos em que ele aparenta sentir desejos homoeróticos por Tom, mas que logo são reprimidos, ou seja, ele vive uma mentira. Assim como ele obriga Tom a mentir sobre seu passado para agradar Agathe, que, por sua vez, vive na mentira de que seu filho era um jovem perfeito.

     Apesar desse filme não ter a mesma potência dramática do anterior “Laurence Anyways” é mais maduro e consistente em seu desenvolvimento. Também é corajoso em algumas das escolhas estéticas, como a mudança de janela (para uma menor) nas sequências de tensão. Vem sendo um processo interessante acompanhar o desenvolvimento desse jovem diretor, que, aparentemente, só tem a melhorar.

Ref fim