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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Amor sem Pecado

Amor sem Pecado (Adore) Australia/EUA, 13. Direção de Anne Fontaine. Roteiro de Christopher Hampton baseado em livro de Doris Lessing. 111 min.Com Xavier Samuel, Robin Wright (ex Penn), Naomi Watts, Ben Mendhelson, Sophie Lowe, James Frecheville, Jessica Tovey, Gary Sweet. 

       O publico Americano ignorou este filme que teve uma bilheteria ridícula (cerca de 317 mil dólares para um orçamento de 16 milhões) apesar da atraente e permissiva historia da romancista australiana nascida na Pérsia e ainda viva Doris Lessing (muito famosa no exterior muitos de seus livros viraram telefilmes mas nunca chegaram aqui).Para adaptar este The Grandmothers , chamaram o brilhante escritor inglês Christopher Hampton (Ligações Perigosas) e a  diretora francesa Anne Fontaine que sempre gostou de temas polêmicos, como O Preço da Traição com Amanda Seyfried, Coco Antes de Chanel, o divertido A Garota de Monaco, Nathalie X, com Emanuelle Beart e Depardieu, Lavagem a Seco (talvez o melhor, onde um homem casado aceita ser passivo com um jovem invasor).

      Feito com fotografia idílica e solar, numa região litorânea da Austrália, começa com a morte do marido de Naomi, num acidente de carro. Logo os dois  meninos (um de cada) se tornam adolescentes e surfistas. Vivem felizes e a historia poderia tomar vários caminhos (como incesto, relação lésbica entre as mulheres, gay entre os jovens) mas prefere uma que não me lembro de ter visto no cinema (ou na vida real).Assim Ian (Xavier),filho de Lil (Naomi) esta apaixonado por Roz (Robin) e lhe da um beijo que evolui para um romance. Tom (Frechville) filho de Roz percebe tudo e quase por reciprocidade resolve atacar também Lil, que adere com alguma relutância. Os quatro vivem bem (o apagado marido de Roz muda-se para Sidney) ate o dia em que Tom vai estudar fora ,faz peça de teatro e se interessa  por uma cantora talentosa. Eventualmente Roz resolve se sacrificar e terminar tudo. O filme da um pulo e vai para dali há alguns anos, quando os rapazes já estão casados (Ian com uma garota que o ajudou quando teve acidente surfando) e com filhos e elas viraram sogras bem comportadas. Nem tanto porque Lil e Roz transam as escondidas. 

      Tudo isso é contado sem muita convicção. As cenas de amor são sem vitalidade ou vibração (há discretas visões dos traseiros masculinos mas nada muito forte) e mesmo quando em conflito o quadrilátero esbarra em problemas. Os dois rapazes são bem apessoados (Ian mais que Tom, que é meio estrábico e desajeitado) mas sem personalidade e mesmo as duas estrelas, de talento comprovado, parecem arrependidas de ter aceitado o projeto. 

     O que podia ser um filme muito apaixonante se torna entediante e decepcionante .

Ref fim.            

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Lore

Lore (Idem)Austrália, 12.Direção de Cate Shortland. Com Saskia Rosendahl, Kai Malina, Nele Trebs, Ursina Lardi, Andre Fridas. 108 min.


      Este foi o filme oficialmente escolhido pela Austrália para representar o país no Oscar de produção em língua não inglesa (aqui é basicamente o alemão e co-produção incluiu Escócia,Alemanha, Inglaterra) e que teve vários prêmios e indicações, os mais notáveis o de publico no Festival de Locarno, melhor direção do Sindicato dos Realizadores da Austrália, melhor musica na Bavaria, direção e revelação de atriz Saskia, pelos críticos da Australia. 

      A minha primeira sensação vendo o filme foi que já assisti essa historia antes e algumas vezes mesmo, principalmente feita por franceses, igualmente competentes. Por outro lado, não há regra que obriga ninguém a ser sempre original, o que naturalmente é impossível. Feito por uma diretora (nascida em 68), que entre longas, series de teve e curtas, tem 7 outros trabalhos (o outro longa é Sommersault, 04, que me parece inédito aqui apesar da presença de Sam Worthington de Avatar e Abbie Cornish). Ela caminha por território conhecido, usando as armas conhecidas de outros filmes do gênero, câmera na mão (e à moda da Jayme Monjardim uma trilha excessiva e exagerada). Muito close, e apesar do tema, mostra sem discurso ou exageros. 

       A ação se passa na Alemanha no fim da segunda Guerra quando a família da jovem Lore é obrigado a fugir com quase nada porque os americanos estão próximos e não se explica bem mas o pai era oficial nazista (não do alto escalão, pelo jeito dele e do uniforme, era menos importante mas mesmo assim eles tem documentos para queimar, sinal que alguma culpa tem no cartório. Provavelmente porque trabalhava com ou num campo de concentração. Além de Lore, temos dois gêmeos e outra irmã mais velha, a mãe (todos loirinhos e com cara de folhinha suíça). Basicamente o tema é clássico: a perda da inocência. Numa longa caminhada pela Floresta Negra em direção a casa da avó, os mitos vão se desmoronando diante das mortes, estupros, os abusos, o encontro com outros fugitivos, a necessidade de comer e roubar. E a também  sempre presente despertar da sexualidade. 

      De  uma certa maneira é um filme de estrada, mas como já disse pouco se explica nem mesmo ao final. O que me incomoda bastante ainda mais quando li uma critica de um americano, que tentava comparar o que sucedeu com os nazistas e seus crimes (que poucos sabiam a extensão na época) com o que sucede hoje em dia, quando se cometem crimes de igual calibre, de forma anônimo, por vezes ate mais cruel. Massacres sem dono que ninguém quer assumir.É o que passa Lore, a negação, o “denial”, não se pode acreditar que se viva num pais que cometa esses atos e crimes. Ou abusos ou absurdos. De uma certa maneira portanto todos nos somos Lore. 

Ref fim .