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segunda-feira, 15 de abril de 2019

Suspíria - A Dança do Medo (Suspiria)


Suspíria - A Dança do Medo (Suspiria)
EUA, Itália, 2018. 159min. Direção de Luca Guadagnino. Roteiro de David Kajganich. Inspirado em personagens de Daria Nicolodi e Dario Argento. Com Dakota Johnson (filha de Don Johnson e Melanie Griffith), Tilda Swinton (faz papel duplo, como Madame Blanc, Dr.Josef Kemplerer), Doris Hick, Chloe Grace Moretz (Patricia), Angela Winkler (Miss Tanner), Vanda Capriolo, Malgozarta Bela, Mia Goth, Ingrid Caven, Sylvia Testud, Renée Soutendjik, Olivia Hancona, e Jessica Harper (que fez o filme anterior).

Esta nova versão tem cerca de uma hora a mais do que o original e consegue ser também mais sangrento e violento do que seu antecessor (olha que o filme anterior de Argento era bem ousado e forte, este aqui vai mais longe, com um visual bem alemão e mais sombrio e trágico). Ou seja, é um gosto adquirido de quem gosta deste estilo e gênero (tenho que confessar que não é meu caso!). A figura mais importante é a americana Dakota (hoje celebre pela trilogia que estrelou, Cinquenta Tons de Cinza e etc.). A sinopse do filme procura ser direta. Uma jovem bailarina americana procura ter uma chance de entrar para uma companhia alemã de dança. Antes disso já acompanhamos a vida conturbada de outra dançarina que consulta um velho experiente (Tilda disfarçada). Mas a heroína vai trabalhar com a numerosa equipe de figuras bizarras de diferentes idades e estranho comportamento (também colabora isso o antigo salão de dança escuro e sombrio). Também entra em ação a diretora artística, uma bailarina ambiciosa e uma psicoterapeuta. O número central traz as moças vestidas com roupas vermelhas curtas, mas aos poucos elas vão descobrindo que o lugar e todo o grupo são vítimas de um pesadelo de figuras decepadas e outras figuras velhas ainda mais bizarras e repugnantes.

Como tentei revelar é um filme violento, grosseiro e de gosto altamente duvidoso. Parece que existe público para esse tipo de projeto, mas é para poucos. Que realmente procura assustar.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Dogman (Idem)


Dogman (Idem)
Itália, 2018. 103min. Direção de Matteo Garrone. Roteiro de Ugo Chiti, Garrone e mais 8 créditos! Com Marcello Fonte, Edoardo Pesce, Nunzia Schiano, Adamo Dionisi, Francesco Acquaroli, Gianluca Gobbi.

Tem sido difícil ter acesso ao velho-novo cinema italiano, realista, grosseiro (no bom sentido), humano, sensível e quase sempre conservando ainda a herança incrível e impecável do chamado Neo-Realismo italiano, criado nos anos do imediato após guerra e que depois por ao menos 30 anos seguintes produziram o que de melhor havia no cinema mundial. Não exagero, os italianos já dominaram o cinema mundial, mas infelizmente tantas outras coisas no mundo e mesmo na Europa, hoje se desintegraram com raras exceções. Esta é uma delas, uma obra do diretor Matteo Garrone, 1968, filho de crítico de teatro e fotógrafo. Foi descoberto em 96, quando ganhou um prêmio curta chamado Shilloutte, 96, que se tornou uma parte de um longa chamada Terra di Mezzo, 96. Ganhou melhor filme europeu e depois David di Donatello, que por Gomorra, 08, sucesso mundial. Veio depois Reality Grande Ilusão, 12, que ganhou o Grand Prix do Festival de Cannes. Em 2015, fez o menor O Conto dos Contos, que concorreu em Cannes. E depois alguns curtas até este aqui, Dogman (fará a seguir um Pinocchio). Que também obteve prêmios, mas este filme novo e um pouco forte para o público atual mais suave, teve menções do European Film Award, 3 do Sindicato dos Jornalistas (como filme, diretor e produtor), melhor filme do Festival de Jerusalém, prêmios em Trieste, Toronto.

De fato, o Sr.Garrone é um grande artista italiano que faz aqui um mergulho profundo numa cultura que podia parece velha e antiga mas que me pareceu estreitamente forte e humana, muito patética. Há tempos não sentia a pobreza decorada com uma bela fotografia da vida cotidiana, na figura de um ator que desconhecia e que tem uma incrível máscara de humilde, de gente simples, quase na beira da loucura. Este Marcello (que estará também em Pinochio) é a escolha certa para os olhos grandes e tristes do solitário que tem uma adorável filha pequena, mas que vive de cuidar dos cachorros de donos humildes do bairro. Convive com outras figuras de pouco dinheiro mas é especialmente fraco ao lidar com um sujeito grandão e briguento, que vive consumindo drogas. Sem desculpas. Marcello é como o título diz um Dogman, mas a realidade é muito mais triste e até mesmo patética. Cuidado: não é comédia, não é um filme fácil de consumir chega mesmo a comover. Mas é obra importante do maior diretor do cinema italiano atual que nos toca e consome. Seria tão bom se o cinema italiano fosse sempre assim tão verdadeiro, tão cruel, tão humano.