sexta-feira, 19 de julho de 2013

Turbo (Idem) EUA, 13. Direção de David Soren. 96 min. Fox. Vozes originais de Ryan Reynolds, Paul Giamatti, Samuel L. Jackson, Luiz Guzman, Bill Hader, Maya Rudolph, Snoop Dogg, Michael Peña, Richard Jenkins, Michelle Rodrigues, Ken Jeong. 

      Coincidência ou não em “Universidade Monstros” havia um caracol lerdo que tenta chegar as aulas e que ganha a honra de ter para si a piadinha final. Pois agora dois irmãos caracóis de jardim são os heróis desta nova animação da Dreamworks que chega simultaneamente com os EUA também em 3D. O diretor do filme Soren não tem grandes credenciais, fez apenas o curto Madly Madagascar, 09, foi do departamento de animação em Shrek, Espanta Tubarões, Os Sem Floresta.  Mas tem um bom resultado aqui  principalmente na primeira metade que é ágil, criativa e bastante divertida. Dá uma escorregada no meio- no segundo ato- quando tem a necessidade de apresentar novos personagens, que são muitos (e ao contrario de “Carros”, não são de elite ou vintage ou caipiras, são “blue collar” mesmo, trabalhadores nada sofisticados, de origem latina, simplesmente populares como manicure e donos de lanchonete mexicana falida!). Felizmente o filme toma prumo de novo, apesar do final previsível (mas nem por isso deixa de ser emocionante).

      Toda a historia é basead na ironia do caracol  andar muito mas muito devagar (não confundir com lesma também lenta, este aqui anda devagar com sua casa nas costas. Estranhamente fazem pouquíssimas piadas com o  fato dele ser gosmento, o que poderia render boas piadas e menos ainda, nenhuma de fato com o habito francês de usar uma espécie deles como delicada, elegante e cara comida de bistrô). Pois este caracol apelidado Turbo adora corridas de automóveis mais particularmente as de Indianápolis onde participa seu ídolo francês Guy Gagné que ele admira pela televisão. Numa sucessão curiosa de incidentes, Turbo cai num carro turbinado /envenenado durante um racha e acidentalmente se torna incrivelmente veloz, a ponto de querer participar da competição (ele corre por seus próprios meios não num carro!). E daí já se sabe o que vai rolar. 

     Parece que o diretor teve mais tempo na primeira parte para construir planos mais elaborados e bonitos, apresentando o jardim onde os caracóis vivem colhendo tomates, ocasionalmente levados por corvos e outros pássaros e atazanados pelo filho da família (que os esmaga com seu carrinho). Outros caracóis irão aparecer na segunda parte quando eles compensarão sua falta de velocidade com outras habilidades e terão o patrocínio cheio de boa vontade do rapaz latino. Soren conta que submeteu a idéia há dez anos atrás quando estava influenciado pelos carrinhos dos filhos e um jardim com excesso de caracóis. Cinco anos após o projeto foi retomado. E tem tudo para ser um sucesso.  Principalmente entre os meninos, que vão vibrar com o filme.

Ref fim.
Simplesmente Uma Mulher Just Like a Woman. 90 min. Direção de Rachid Bouchareb. Com Sienna Miller,   Golshifteh Farahani, Bahar Soomekh, Roschdy Zem, Chafia Boudras, Jesse Bob Harper. 2012. EUA/França/Inglaterra.

      Até hoje não me convenci com Sienna Miller que não é inglesa mas nasceu em Nova York e foi criada em Londres.Estudou na Escola de Lee Strasberg onde sua mãe chegou a ser diretora.O pai era banqueiro rico e foi noiva de Jude Law. Tem feitos filmes conhecidos como o recente The Girl (onde fez Tippi Hendren), Alfie, o Sedutor, Casanova, Uma Garota Irresistivel (onde Edie Sedgwick), Stardust, Camille, Amor Extremo, o Primeiro G.I. Joe, e agora este Road movie rodado na America por um importante diretor.  Rachid é renomado produtor e diretor do cinema árabe, tendo sido indicado ao Oscar por Dias de Gloria (06) também premiado em Cannes e fez ainda o honesto  London River Destinos Cruzados, 09 dentre outros (é o produtor do Camille Claudel que esta para estrear aqui). 

      O filme já começa em Chicago, onde a emigrante do norte da África, Mona, de 26 anos (interpretada pela encantadora Golshifteh) foge da família porque a família é controlada pela sogra que reclama que ela não consegue ter filhos. Quando percebe que deu uma mistura errada de remédios e pode ser acusada da morte da velha, vai embora de ônibus onde por acaso encontra Marilyn (Sienna), que costuma comprar no mercadinho da família árabe e que só tem prazer em suas aulas de dança do ventre! E problemas com o casamento em crise . O reencontro dessas novas Thelmas e Lloise multi raciais é no caminho para Santa Fe e Marilyn que perdeu o emprego por causa da recessão e pegou o marido em flagrante delito decide participar de um teste de dança do Ventre numa companhia local. Um detalhe importante a Golshifteh é a mesmo que fez Procurando Elly, Rede de Mentiras com Di Caprio, Franco com Ameixas, Pedra de Paciência e hoje esta banida do Irã! 

      Ou seja, é uma tentativa de fazer um filme feminista que possa ser consumido pelas duas culturas, a ocidental (que sabe pouco sobre o sofrimento das árabes) e não ousado demais para poder ser exibido onde mais interessa, ou seja no Norte da África ao menos. Sienna tem seus momentos, se apresentando sem maquiagem, lembrando por vezes Sharon Stone. Parece que há um esforço consciente dela de melhorar como interprete embora desconfie que o problema é que Sienna, se confunde com outras loiras e não tem uma personalidade tão marcante. E quando usa peruca morena (porque os clientes querem assim) fica sem cara! Virou outra pessoa. 

      O filme tem seus momentos (não tem problema em mostrar os americanos como racistas e violentos, surrando Sienna basicamente por que dançavam musica diferente). Mulheres / estudantes de dança do ventre certamente irão curti-lo mais. 

PS- Para os fãs de dança há uma ceninha onde aparece dançando na televisão a celebre Samia Gamal (1922- 1994) que é descrita como a maior dançarina do Egito(e fez muitos filmes entre eles O Vale dos Reis com Robert Taylor, Ali Baba com Fernandel. 

Ref fim.

O Casamento do Ano

O Casamento do Ano (The Big Wedding). Direção e roteiro  de Justin Zackham. 2013. 89 min. Com Robert De Niro, Katherine Heigl, Diane Keaton, Susan Sarandon, Amanda Seyfried, Topher Grace, Robin Williams, Ben Barnes, Christine Ebersole, David Rasche.

      Cairia muito bem nesta altura das férias escolares, uma comédia familiar divertida e despretensiosa. Mas não é o caso deste espetacular fracasso que apesar do elenco de estrelas, custou 35 milhões de dólares e não rendeu nos EUA mais de 21 milhões (e como se sabe comédias não viajam bem para o mercado exterior). Ainda por cima, é uma refilmagem de uma produção francesa, um velho habito de Hollywood que estava meio em desuso. O filme que é mais suíço que francês se chama Mon Frère se Marie (meu irmão se casa), de 2006, escrito e dirigido por Jean –Stèphane Bron com Aurore Clément, Jean-Luc Bideau, Cyril Tropley, Delphine Chuillot, Stephane Batut e ate um figurinista brasileiro Fernando Pinto (de chofer). Até onde consegui descobrir não foi exibido no Brasil. Mas não devemos ter pedido grande coisa. O elenco é de segundo time e teve criticas negativas. 

      Mas custo a crer que possa ter sido pior do que este segundo filme de um roteirista Justin Zackham (o primeiro foi Calouros em Apuros/Going Greek, 01, que era imitação pobre de American Pie). Já houve inúmeros filmes sobre casamentos, vários deles ilustres (Cerimônia de casamento de Altman, Quatro Casamentos e um funeral,O Casamento de Betsy, até Mamma  Mia etc) mas poucos tão incompetentes e nada engraçados com este. Apesar do super elenco. Don (De Niro, mais contido do que costume) e Ellie (Keaton) foram casados e tem dois filhos, Lyla (Katherine Heigl, outra desperdiçada) e  Jared (Topher). Tem também um filho adotivo (no francês,era um vietnamita o que possibilita ao menos alguns contrastes mas aqui é o britânico e sempre inexpressivo Ben Barnes- o príncipe  Caspian de Nárnia)  passando por colombiano!!!! Nada a ver). Mas este revela pouco antes do casamento que nunca contou a sua mãe verdadeira Madonna (Patricia Rae) que os pais adotivos são divorciados e ela é muito religiosa, católica. Como este estúpido ponto de partida cria-se a confusão porque embora ele já esteja com outra (Susan Sarandon) fingem ainda serem casal para benefício da latina que vem em visita.

     Produzido pela Independente Lion´s Gate, este fiasco consegue não provocar uma única risada decente, no que deve ser o maior desperdício de um elenco famoso em todos os decentes (inclui também Robin Williams fazendo dispensável ponta como um padre). Este é daqueles de ver para crer, ruim demais.

Ref fim.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A Historia do Cavaleiro Solitário

A Historia do Cavaleiro Solitário

Especial de Adilson de Carvalho Santos 

       Um cowboy mascarado surgido na década de 30 se destacou entre tantos outros e atrai novamente a atenção para suas aventuras. Confundido com o Zorro até hoje, ele é, na verdade, o Cavaleiro Solitário.

      Na história original, criada originalmente criada para o rádio, o patrulheiro texano John Reid e seu grupo persegue o bando de Butch Cavendish, que aterroriza a região do oeste selvagem. Levados a uma emboscada, o grupo é cruelmente assassinado e somente John sobrevive, salvo pelo índio Tonto (que foi seu amigo de infância). Deixando que todos acreditem que John Reid está morto, este veste uma máscara preta e torna-se o cavaleiro solitário – o último de seu regimento que está vivo, e por isso o “solitário” em sua alcunha. Munido com balas de prata, simbolizando a pureza da justiça, o herói mascarado e seu fiel companheiro – que o chama de “kemosabe” (amigo, em sua língua) - vaga pelas pradarias de cidade em cidade levando a justiça onde a lei se mostra insuficiente. Sua criação deve-se a duas pessoas: George W.Trendle e Fran Striker. Foi Trendle - um advogado e homem de negócios responsável pela emissora WXYZ, da  cidade de Detroit - quem teve a ideia de criar um herói misterioso com apelo para as crianças e que servisse de bússola moral para estas. Tendo contratado o escritor Fran Striker (quem acrescentou o personagem do índio Tonto) para detalhar a trama e as características de cada personagem, Trendle lançou em 30 de Janeiro de 1933 o programa “The Lone Ranger”, retransmitido por outras sete afiliadas. O sucesso do personagem foi imediato e o esperto Trendle não demorou a garantir que todos os direitos autorais ficassem em suas mãos, lhe garantindo a exploração do personagem em todas as adaptações. Também partiu de Trendle a decisão de utilizar a clássica composição “William Tell Overture” do músico italiano Gioacchino Rossini como tema do herói pois já era de domínio público, e portanto, não precisaria se preocupar com direitos autorais.

      Ainda em 1938, o herói chegou aos jornais sob a forma de tiras distribuídas pela King Features Syndicate com desenhos de Ed Kressy e, posteriormente, Charles Flanders e 10 anos depois a Dell Comics começou a publicar as revistas em quadrinhos que durariam 145 edições. A popularidade do personagem foi tanta que até Tonto e o cavalo Silver ganhariam título próprio pela Dell Comics. Em 1962 foi a vez da Gold Key, editora que também possuía o licenciamento de personagens como Tarzan, Flash Gordon e até de personagens Disney, que prosseguiu até 1977. Quando a mídia em geral já havia perdido o interesse por personagens do velho oeste, duas editoras tentaram reinventar o personagem : A Topps Comics que publicou a partir de 1994 uma mini-série em quadrinhos material escrito por Joe R.Lansdale e desenhado por Timothy Trumanque. Nesta, o relacionamento de John Reid e Tonto é mostrado com discordâncias e constantes desentendimentos entre ambos. Em 2006 foi a vez da Dynamite em uma série que durou 26 números e teve desenhos do brasileiro Sergio Cariello. Nesta série, premiada com o Eisner Awards – o Oscar dos quadrinhos, o cavaleiro solitário é mostrado com uma postura mais violenta, mais em sintonia com os tempos selvagens do velho oeste.

      No Brasil, os quadrinhos do personagem chegaram em Dezembro de 1938 publicados em “ O Globo Juvenil “ que trazia a historia “O Mistério das Diligências” reunindo 4 tiras que saíram nos jornais americanos. Depois de passar pelas publicações “Gibi”, “Biriba” e “Guri”, o personagem chegou à editora brasileira que seria sua casa durante mais de 30 anos e onde seria extremamente popular, a Ebal, de Adolfo Aizen. Primeiro, nas páginas da série “Aí Moçinho” – antologia voltada para o faroeste, e em seguida em título próprio  que duraria 335 edições, de Março de 1954 até 1985, e onde começou um dos maiores erros editoriais do Brasil já que o personagem foi aqui batizado de Zorro, nome do herói hispânico criado por Johnston McCaulley em 1919, gerando uma confusão que se estende até hoje.

      Há várias versões para os motivos dessa confusão. Há quem afirme que foi uma estratégia de mercado nomeá-lo com o mesmo nome que um personagem que já era bastante popular em vez de tentar traduzir o termo “Ranger”, que não de fácil compreensão por aqui.(Viria dos Texas Rangers, os policiais criados pelo estado de Texas para patrulhar o Oeste)  De acordo com outra teoria, os distribuidores confundiam os dois personagens devido a uma série de coincidências : Primeira: Em 1936 o ator Robert Livingstone interpretou o espadachim hispânico em “The Bold Caballero” e também fez o cavaleiro solitário no seriado da Republic “The Lone Ranger Rides Again”. Segundo : Clayton Moore que interpretou o herói cowboy na série de Tv também interpretou um descedente do herói espadachim no seriado da Republic “The Ghost of Zorro” (1949). De qualquer modo, naqueles tempos mais simplórios bastava uma máscara preta para que as pessoas associassem ao Zorro. Quando a editora Ebal adquiriu este para publicação, o diferenciou do Lone Ranger estampando na capa o título “Zorro – Capa & Espada”.

      Ainda em 1938, aconteceu a primeira adaptação para os cinemas em um seriado da Republic com Lee Powell como o herói que foi chamado de “O Guarda Vingador” e Chief Thundercloud (um autêntico índio) como Tonto. No ano seguinte, Robert Livinstone substituiu Lee Powell na sequência “The Lone Ranger Rides Again” . Com a chegada da Tv, a produção dos seriados de cinema declinou e o herói de George Trendle foi o primeiro do gênero produzido especialmente para o novo meio, no caso a ABC. A popularidade do cavaleiro solitário atingiu níveis sem precedentes com Clayton Moore no papel título e Jay Silverheels, um descedente de índios Mohawk como Tonto. Ambos se tornaram um modelo de conduta e moralidade para as crianças, exatamente como era do desejo de George Trendle. Como estratégia para conquistar novos telespectadores, a ABC reprisava uma vez por ano o episódio de origem do herói, dando a Moore e Silverheels cada vez mais o status de celebridade, antes mesmo que o termo fosse empregado. .Após os 22 primeiros episódios da série, Jay Silverheels sofreu um ataque cardíaco e foi substituído temporariamente por Chuck Courtney como Dan Reid, sobrinho do herói mascarado.

      Em 1936, Trendle havia lançado outra série radiofônica de sucesso com um herói mascarado, o “Besouro Verde”. Trendle interligou suas duas séries divulgando que o Besouro, alcunha do milionário Britt Reid, era descendente do Cavaleiro Solitário. Assim sendo, aproveitando o momento, foi estabelecido que Dan Reid era o tio-avô do Besouro Verde, criando uma spin-off (série derivada de outra) muito antes que a expressão se popularizasse na TV.

      Em 1950, Clayton Moore foi demitido da série e em seu lugar entrou John Hart que passou a usar uma máscara maior no rosto para esconder a troca de atores que durou . Em 1953, Trendle havia vendido os direitos da série para Jack Wrather que quis Moore de volta. Outra mudança durante a produção da série foi a introdução da cor a partir de 1956, quando esta já chegava ao seu fim. Após 221 episódios, dos quais Clayton Moore estrelou 169, a série foi cancelada, mas os heróis ainda estariam vivos no cinema em: “The Lone Ranger & The Lost City Of Gold’ (1958) canto do cisne para Moore & Silverheels à frente das câmeras. Contudo, a carreira de Clayton Moore ficou estagnada. Sem conseguir outros papéis, Moore passou a fazer aparições públicas vestido como o personagem, o que se tornou sua principal fonte de renda. Na década de 70, Jack Wrather que detinha os direitos ficou irritado com isso, pois não queria que a imagem do personagem ficasse ligada a um ator decadente e envelhecido, principalmente porque planejava fazer uma refilmagem. Wrather foi à justiça e conseguiu proibir Clayton Moore de continuar com as apresentações. O filme “A Lenda do Cavaleiro Solitário”  foi feito afinal, lançado em 1981, com os iniciantes Klinton Spilsbury e Michael Horse respectivamente nos papéis que foram de Moore e Silverheels e foi um fracasso, ganhando inclusive o Framboesa de Ouro. A publicidade negativa gerada em torno da proibição de Clayton Moore se vestir ou aparecer como o personagem , que tinha muitos fãs associado aos péssimos desempenhos dos atores foi fatal para o filme. Com isso pouco tempo depois, Moore conseguiu reverter a proibição e voltou a se vestir como o herói de toda uma geração, que empolgou crianças e adultos ao gritar “Aiô Silver”. É impossível não se deixar contagiar.

Fim

A Voz Adormecida


A Voz Adormecida (La  Voz Dormida) Espanha, 11. 128 min. Direção de Benito Zambrano. Baseado em romance de Dulce Chacon. Com Inma Cuesta, Maria Leon, Marc Clotet, Daniel Holguin, Ana Wagener, Susi Sanchez, Berta Ojea.

      O cinema espanhol tem sofrido as dificuldades provocadas pela crise econômica e este filme apesar de muitas criticas negativas, levou vários prêmios. Revelação do Sindicato dos Roteiristas (para Maria Leon, que faz a jovem Pepita) e também levou o Goya da categoria. Também teve Goyas de canção Nana de la Hierbauena, e atriz coadj. Ana Wagner, assim como indicações de filme, figurino, diretor, atriz Inma, ator Clotet e roteiro. Maria foi também melhor atriz no Festival de San Sebastian e outros menores. O diretor Zambrano andaluz de Sevilha como a produção fez antes Solas (99) e Habana Blues (05).

     Este é um drama sobre a Guerra Civil enfocado sobre mulheres que apresenta o assunto com certa ferocidade. Ao menos tem algumas sequencias de fuzilamento feminino e uma cena muito forte em que uma freira graduada bate violentamente numa mulher acusando-a de comunista! Já nos letreiros o diretor já da explicações, dizendo e tudo o que sei sobre parece confirmar  que logo depois do fim da Guerra Civil Espanhol, o ditador Franco, o Caudilho, tratou sem a menor humanidade os vencidos, que eram quase todos comunistas de carteirinha. Transformou tudo aquilo em Guerra Santa. Diz ter feito este filme em homenagem as mulheres que choraram em silencio, nas portas dos cemitérios, mulheres que sofreram encarceradas, torturas em prisões, muitas vezes morrendo nas mãos de pelotão de fuzilamento. Prosseguindo numa ditadura que perduraria durante mais de 30 anos, isso em plena Europa moderna. 

       A Guerra Civil na verdade é um tema fascinante e mal explorado e o melhor filme que conheço sobre o tema é Terra e Liberdade (95) de Ken Loach, talvez porque o diretor além de comunista fosse  estrangeiro conseguindo mostrar o caos com humor e distanciamento. Foi como dizem uma espécie de ensaio para a Segunda Guerra Mundial mas não me lembro de ter visto nada recente sem medo de criticar a Igreja Católica deste crime, uma forma moderna de Inquisição. Os críticos dizem que o filme mostra tudo sem isenção, carregando nas tintas dos maus e endeusando as vitimas. É possível. Mas também é capaz deles mesmo trabalharem em órgãos de imprensa comprometidos, já que a Igreja por lá ainda é muito forte.

     O fato é que o latino de origem espanhol adora um melodrama e o filme resulta num enorme choradeira, que o diga a protagonista Leon que se debulha o filme todo tentando encontrar uma solução para sua irmã condenada a morte. 

     A historia começa em abril de 1940 numa prisão de mulheres (e as mulheres temas caras faciais impressionantes que as tornam mais impressionantes ainda, em particular a apaixonante Inma Cuesta, que esta grávida. Naturalmente a justiça “militar” é muito relativa, sujeita ao acerto de contas, a pura vingança. Basicamente é a historia de duas irmãs andaluzas, que vai trabalhar na casa de um antigo médico madrileno e que só conta com a ajuda ainda que passageira de um resistente, um valenciano (por sinal, Valencia é a terra dos meus bisavós espanhóis).

       Não preciso contar a historia. Basta dizer que tudo é muito dramático, tendendo ao choro e que talvez tivesse ainda maior impacto caso fosse apresentado com mais distanciamento. De qualquer forma, é bem capaz de ter surgido como resposta aos filmes produzidos pelos católicos radicais que fizeram, por exemplo, There Be Dragons com Rodrigo Santoro.    

Ref fim.

Minha mãe é uma Peça

Minha mãe é uma Peça. Brasil, 13. Direção de Andre Pellenz. Baseado em peça de Paulo Gustavo. Com Paulo Gustavo, Suely Franco, Alexandra Richter, Ingrid Guimarães, Marianna Xavier, Monica Martelli, Malu Valle, Herson Capri, Rodrigo Pandolfo.


    Depois de observar o filme ultrapassar os dois milhões de espectadores e observar as plateias cheias  resolvi arriscar um filme que estava guardando para assistir depois em Home Vídeo. Fiz bem: em plena segunda feira confusa assisti uma plateia de umas 80 pessoas, saírem felizes e contentes, depois de rirem bastante e não se preocuparem nem um pouco com o fato de que Paulo Gustavo é um homem que esta fazendo uma mulher, ou seja em travesti (coisa rara em cinema, como Travolta fez em Hairspray, coisa que como Gustavo ele trouxe da montagem teatral original).

     Não sei qual dos  envolvidos é o responsável mas alguém teve a habilidade muito grande de transpor o que era um monologo muito carioca (que não viajava bem porque especifico) numa comédia que cresce muito da metade para o fim e termina gloriosamente mostrando cenas de uma mãe de verdade, aparentemente do jovem diretor Andre Pellenz (ou será do Gustavo?). E todos se alegram na certeza de que mãe é tudo igual ate no uso inteiramente fora de moda dos “bobbies” no cabelo. Acho incrivel que não tenha visto ninguém reclamar disso e do fato de Gustavo ser um homem grandão e ate forte, maior que qualquer um do elenco. E tudo isso ser visto como normal. Ele jamais faz qualquer trejeito e como ator de cinema se comporta perfeitamente, sem exagero (se isso for possivel mas o moço interioriza, interpreta no olho!) sem perder sua principal característica que a a arte de ofender.

      Não sei nem se ele sabe disso mas Paulo Gustavo é o primeiro humorista brasileiro que esta se especializando numa arte norte-americano de ofender os famosos e amigos, muitas vezes em festas (roasts) e celebrações onde dizem barbaridades. Sem realmente deixar ninguém aborrecido ou zangado. Podem imaginar como isso é difícil. Pisar numa corda bamba (aqui se usam alguns palavrões que podiam ficar de lá. É um truque fácil que podia ser descartado, não por moralismo. Mas por evitar o clichê e a facilidade). Mas o personagem da mãe é um exercicio brilhante nisso que ela vai aperfeiçoando no decorrer do filme (a solução da teve pode lhe dar mais frutos, ja pensou se ele envereda por falar mal de nosso atual governo?). 

      Foi ótima ideia rodar em Niteroi, uma bela cidade muito mal explorada pelo cinema e num apartamento de classe media alta (o filme prova para a Rede Globo que não é preciso descer seu padrão para fazer sucesso (um detalhe: a plateia se frustrou porque ficou esperando a heroína jogar um balde de água na cabeça da Ingrid quando elas falam pela janela !). Dona Herminia é mais cafona que Dona Xepa, mais maloqueira do que devia mas nem por isso perde a classe. Enfim, seu estilo de classe. Acho que é isso. A madame mantem seu estilo).

      O filme começa meio esquisito com Herminia esbravejando a torto e a direito, no que poderia transforma-la numa total megera. Implicando com a filha baleia (porque gorda demais) e o filho gay (o que é mal aproveitado, ela deveria em nome do politicamente correto e mesmo do bom senso ter se único a ele de mais perto, participando de sua vida alternativa). Ate quando ela sai de casa, vai morar com uma tia (a deliciosa Suely Franco) e vão aparecendo os flash-backs, onde se mostram “causos” das crianças quando pequenas. Quando ainda assim não conseguem tornar Herminia humana e “gostável” apelam para o irresistível e matam um personagem num acidente de carro. É esse truque que faz a diferença e aos poucos Herminia passa a ser percebida diferente pela plateia, de maneira que não é difícil prever as conclusões. O fato é que o filme fica mais divertido e termina tão bem que já estão anunciando a continuação.

      É só prosseguir na mesma formula com o diretor vindo da comedia de teve mantendo sua narrativa enxuta e sem  novidades (contando com a boa vontade de amigos como Ingrid Guimarães que mesmo sendo hoje estrela aceitou o ingrato papel de megera). E quem sabe ate alçando maiores voos. 

Ref fim.  

terça-feira, 9 de julho de 2013

O Cavaleiro Solitário


O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger) EUA, 13. Direção de Gore Verbinski. 149 min. Com Johnny Depp, Arnie Hammer, William Fitchner, Tom Wilkinson, Ruth Wilson, Helena Bonham Carter, James Badge Gale, Bryant Prince, Barry Pepper, James Frain.  

     É uma pena que já chegue ao Brasil com a fama de ser um dos maiores fracassos do ano esta super produção da Disney que o Hollywood Reporter acha que deverá perder cerca de 150 milhões de dólares. Na verdade, o filme quase que chegou a ser cancelado quando se tabulou o orçamento exagerado que girava em torno de 300 milhões de dólares ( o oficial hoje é 250 milhões). Não chega a ser um desastre tão grande quanto o recente “John Carter entre dois mundos” do ano passado também da Disney, mas é grave porque 1) até agora o publico foi sempre fiel a Johnny Depp (que completou os 50 anos) em seus papéis bizarros. Mesmo aqui continuam a rir sempre de suas piadas e frases engraçadas. Mas não são suficientes para segurar um filme longo e “over-produced”(exagerado demais). 2) Esta é a co-produção entre duas forças grandes da Disney e Hollywod, o especialista em filmes de ação  Jerry Bruckheimer  e o mesmo diretor Gore Verbinski que com Depp dirigiu a trilogia bem sucedida dos Piratas do Caribe e teoricamente tentou aplicar a mesma formula a este projeto. 

     Talvez um problema seja o fato de que ninguém de menos de 50 anos tem a menor idéia de quem era ou foi ou é The Lone Ranger! Mesmo porque no Brasil ele era conhecido como o Zorro e era confundido com o outro Zorro, aquele latino de A Marca do Zorro feito não faz tanto tempo assim por Antonio Banderas! Ate porque usam  mascaras parecidas.   Então a origem fica completamente perdida e ninguém no cinema reconhece duas marcas registradas (seu cavalo branco chamado depois de Hei, ho, Silver! Que explica a piadinha final) e seu tema musical que era a marcha da cavalaria da Opera Guilherme (William) Tell!. Utilizada no filme com eficácia durante dois momentos inclusive o clímax no trem.

     Nesse ponto acho que a promoção da Disney falhou promovendo o filme pouco e não relembrando suas origens. O Zorro (!) foi criado como herói do rádio onde fez muito sucesso (ah, é preciso ainda não confundir com outro Zorro que a Disney produziu como seriado de teve que tinha o Sargento Garcia e era mais próximo do latino). O primeiro registro do herói no cinema foi segundo o IMDB em 1938 num filme chamado Guarda Vingador, seguido de continuação no ano seguinte. O ator Clayton Moore (1914-99) famoso por faroestes foi quem assumiu o personagem numa serie de teve de sucesso (que durou de 1949 a 54), sendo acompanhado pelo mais conhecido ator nativo americano Jay Silverheels (1912-80), um exemplo de sobriedade como Tonto. 

      Eles estariam juntos depois em  longa metragens coloridos bastante profissionais, A Lenda do Zorro (The Legend of the Lone Ranger, 52),  Zorro e o Ouro do Cacique (56, The Lone Ranger, do diretor Stuart Heisler) e Zorro e a Cidade do Ouro Perdido (Lone Ranger and the Lost City of Gold, 58, do especialista em faroeste Lesley Selander). Os dois últimos sucesso no cinema (eu cheguei a vê quando bem criança). Jay continuaria trabalhando em faroestes e a dupla fazia aparições em shows e festas do Oeste. Em 61, houve outro Cavaleiro que não conheci, feito por Tex Hill em The Return of the Lone Ranger, pelo jeito para a teve. Mas haveria ainda outra tentativa ambiciosa para ressuscitá-lo. Com um imenso fracasso que foi A Lenda do Cavaleiro Solitário (The Legend of the Lone Ranger, 81, dirigida pelo fotografo William Fraker, e interpretado por um ator que nunca mais fez nada, um certo Klinton Spilsbury (mexicano de nascimento, depois se tornaria coach de atores, embora sem nenhuma experiência!!). Tonto foi feito pelo nativo americano Michael Horse (que fez boa carreira). O vilão era o mesmo Burt Cavendish feito então por Christopher Lloyd (De Volta para o Futuro). Se bem me lembro do filme (que mal passou por aqui e nunca voltou) era aborrecido e mal alinhavado. Jason Robards fazia ponta como o Presidente Ulysses Grant. Se as pessoas já não curtiam o personagem em 1981 imaginem hoje em dia!

      Para fazer o personagem chamaram a revelação de A Rede Social (onde fazia gêmeos);  Espelho , Espelho meu e a decepção de J. Edgar:Arnie Hammer, que tem cara de “americanão” estúpido  (outro erro do filme: o herói é burro demais, ingênuo em demasia, não dá para torcer para alguém assim , não é a toa que Tonto o fica xingando o tempo todo. Devia ser desastrado e não bobo). Também é outro erro chamar para mocinha da historia, mesmo o papel sendo fraco, uma jovem atriz inglesa Ruth West, que parece a Margarida, namorada do Pato Donald (ela fez aquela operação no lábio que a deixou disforme).

      Não sei se foi boa idéia contar a historia a partir de San Francisco (quando estava ainda construindo a Golden Gate) quando nos anos 1830 um garoto visita exposição do Velho Oeste onde vai conversar com um velhíssimo índio que seria o Tonto. Então ele recorda o que sucedeu, com as devidas mudanças (já que é velho pode inventar muita coisa). A primeira parte do filme é a melhor  simplesmente porque o diretor faz as referencias e homenagens que deseja, situando a locação na famosa Terra de John Ford /Monument Valley (onde o diretor rodou seus mais famosos westerns). E fazendo vários citações de Era uma vez no Oeste e Três Homens em Conflito de Sergio Leone (com o trem e os bandidos). Durante o filme também haverá citações da A General de Buster Keaton (Tonto dirigindo o trole individual),  O Homem que Matou o Facínora (O John Reid seria baseado no personagem de James Stewart), Meu ódio será tua Herança (o assalto com o hino religioso), O pequeno Grande Homem (a maquiagem de Tonto, a frase É um bom dia para morrer), Trinity ( o cavalo que puxa o ferido),Indiana Jones e o Templo da Perdição (comer o coração), De Volta para o Futuro III (a queda do trem), Besouro Verde (os personagens seriam parentes) e Dead Man (do mesmo Depp).

      Já enumeramos vários problemas do filme, desde sua excessiva metragem, ate os vilões nada memoráveis (mesmo que Cavendish pinte e borde não é especialmente forte) e a figura bizarra e meio esdrúxula do Tonto (aquele flash-back que revela o erro do passado prejudica seu personagem que não da para ser levado mais a serio). Ainda assim e apesar de repetir tudo no mesmo tom de humor, Depp ainda sobrevive ao excesso de corridas de trem, tiroteios, explosões, reviravoltas que só esticam a narrativa sem enriquecê-la. Outro detalhe da época atual: o herói bem americano é obrigado a se tornar fora da lei e usar a mascara para sobreviver e trazer justiça! Já que agora ele sabe que os poderosos e a lei são corruptos! Como em certos lugares...  

     Naturalmente o filme é muito bem produzido com excelentes locações e constantes risadinhas mas lhe falta uma sequencia que fique na memória. O vilão que deseja ser dono da ferrovia (um velho clichê do gênero faroeste, quase tão antigo quanto o dono da mina! Que aqui se unem no mesmo personagem (o inglês Tom Wilkinson menos marcante que costume). As citações do cavalo místico, do windingo, da vida fora de equilíbrio parecem coisa de antiga New Age enquanto cometem um erro de acentuar violência. Embora seja PG-13, a cena em que come o coração é forte demais para crianças! Inadequada.

      Será que é um desacerto tão grande quanto John Carter? Longe disso. Pode ser perfeitamente assistido, ate por alguns momentos espetaculares (em geral com trens), outros nem tanto (a explosão da ponte é visivelmente digital e menos convincente). Só exageraram na dose e falharam na divulgação.

Ref fim.        

Antes da Meia Noite

Antes da Meia Noite (Before Midnight ) EUA, 13.Direção de Richard Linklater. Roteiro de Linklater, Julie Delpy, Ethan Hawke, o menino Seamus Davey Fitzpatrick, Jennifer e Charlotte Prior, Walter Lassaly.

    Apesar de estar em cartaz há algumas semanas, foi numa sala cheia (e com fila) que eu finalmente assisti este inesperado sucesso do cinema independente americano (nos EUA ate agora rendeu 6.500 milhões de dólares nada mal para um filme modesto). Como os dois filmes anteriores não foram grande sucesso por aqui, só posso supor que eles ficaram famosos graças ao Home Video e tevês por assinatura que lhe agraciaram um novo publico, principalmente o feminino que se identificou com a historia de um casal em três tempos.

     O primeiro foi Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995). Mostrava como durante uma viagem de trem pela Europa, um americano conhece e se interessa por uma francesa que ele segue e namora pelas ruas de Viena. Foi  premiado com o Urso de prata no Festival de Berlim e na época custou a encontrar um publico (acertou mais na Europa). Um filme romântico para pessoas  na faixa de vinte e poucos anos, que serve também como uma tour pela cidade de Viena, Já tinha suas marcas registradas: praticamente sem coadjuvantes,é muito falado, sua apreciação vai depender de você gostar ou não do casal central. O diretor escreveu o texto com Kim Krizan mas dos filmes seguintes também estariam envolvidos no script o casal central de atores, Ethan (que também tem dois livros publicados como romancista) e a francesa Julie (que escreve os roteiros dos filmes que dirige). Eles todos seriam indicados ao Oscar de roteiro pelo filme seguinte:Antes do Por do Sol (Before Sunset, 2004). Nove anos depois do primeiro encontro num trem ,o americano Jesse vai para Paris lançar um livro e reencontra Celine. Será que o amor pode renascer?  Richard Linklater,  nesse meio tempo acertou  com o Cult A Escola de Rock. No fim do primeiro filme, o casal  promete se encontrar dali a seis meses (mas não tem o endereço ou nada um do outro). O encontro finalmente acontece em Paris, onde ele foi lançar um livro que contava justamente a história dos dois. Saem andando por Paris, o que é sempre um prazer (em parques, pela Rive Gauche, de bateau mouche), com a câmera perseguindo o casal. E eles  vão conversando, trocando informações (ele foi ao encontro, ela não pode porque morreu a avó, ambos ficaram marcados por isso mas agora o rapaz está casado – mal – e com filho pequeno). Certamente é o filme americano mais falado desde Meu Jantar com André, de Louis Malle há quase 40 anos atrás. Mas o casal colaborou no roteiro e parece extremamente à vontade, em particular Julie, que nunca esteve melhor no cinema (ela canta até uma música dela, mesmo porque  andou gravando discos como compositora). Prejudicado por um final um pouco abrupto, o filme é muito simpático  e bem feitinho (cortado e decupado a moda antiga, nada de câmera solta girando em volta deles).  Acabou porém virando Cult e dando origem ao filme atual .

     A verdade é que todos continuam fiéis a proposta inicial, e o casal central não para de falar . Acho engraçado que eles não descem a detalhes e pormenores do relacionamento, ou dificuldades objetivas. Tudo é uma conversação quase literária em que discutem genericamente sobre opções de vida e os anos todos que passaram junto enquanto Celine fazia de conta que não via as infidelidade de Jesse (que ele nunca confirma ou desmente). Eles estão agora numa parte menos conhecida da Grécia (e o filme não tem nada de turístico, nem mesmo no hotel que é bem classe média!).Com alguns amigos (o mais velho deles, um senhor que faz o papel de Patrick, é seu primeiro filme como ator embora tenha uma carreira magnífica como fotografo de alguns clássicos como Zorba, o Grego (e todos os outros grandes de Cacoyannis), o musical Joanna, Pleasantville, num total de 106 creditos!).

     Começa com Jesse levando o filho do casamento anterior ao aeroporto (a outra não aparece mas sabe-se que odeia Jesse, em compensação o filho se dá bem com Celine que o aconselhou na hora de dar um primeiro beijo! Sem maldade). Agora eles têm um casal de filhas (vividas por irmãs na vida real) e continuam conversando e não param mais.  A atração sexual ainda é forte mas a crise depois de nove anos ameaça acabar com tudo . Achei uma boa solução dramatúrgica a historia da maquina do tempo que conclui o filme de forma satisfatória. De qualquer forma, dá para sentir que Celine amadureceu mais do que Jesse, que ainda se agarra a valores já superados. E sua vaidade de escritor (enquanto ela ainda esta se afirmando não se sabe bem como).  

     Um detalhe bonito: o filme é dedicado pelo diretor a lembrança de  uma mulher chamada Amy.Segundo ele Amy foi a inspiração para o primeiro filme, Antes do Amanhecer. Eles passaram uma noite conversando e falando na Filadelfia mas eventualmente perderam contato.  Antes deste terceiro filme, ele finalmente teve noticias dela e soube que esta tinha morrido anos atrás num acidente de tráfico. Por isso a dedicatória. 

     Como nos filmes anteriores, nada é improvisado na hora. Há tomadas longas as vezes de 14 minutos, que eles interpretam irrepreensivelmente como se fosse filme de Stanley Kubrick!   Certamente resultado de muito ensaio e repetições. O diretor realmente prefere um resultado bem construído e justificado. Não há planos ao menos no momento para um outro filme mas nunca se sabe... Do jeito que estão evoluindo, a sensação é que outros capítulos serão bem vindos. 

Ref fim.

Coleção Gângsteres

 Lançamento em BluRay – Coleção Gângsteres –Clássicos 
(Ultimate Gangsters Collection Warner ).Edição 2013.

       Esta é novidade no Brasil e também fora. Já houve antes a Coleção Gangster da Warner que no seu primeiro volume em DVD tinha mais dois filmes (Anjos de Cara Suja, 39 e The Roaring Twenties/ Heróis Esquecidos, 39). Depois chegaram a sair mais duas outras caixas do gênero, sempre com 6 filmes cada). Em Blu Ray, esta foi a primeira edição mas já existe outra disponível, a contemporânea  (de 4 Blu Rays)   com Mean  Streets/Caminhos Perigosos, Os Intocáveis, Os Bons Companheiros e The Departed, Os Infiltrados). 

     Não há duvida que os 4 filmes lançados aqui são os filmes que criaram o genero na Warner (e na historia do cinema transformando em astros James Cagney, Edward G. Robinson e Humphrey Bogart).  E chegam com os extras normais do estúdio, ou seja complementos de programa como nos cinemas de antigamente (trailers, documentários, trailers, todos contemporâneos do filme em lançamento)alem de comentários e um featurette (pequeno documentário que explica o filme e conta detalhes da produção) .Censura: 14 anos. 

Filmes: Alma no Lodo ***** (5 estrelas)
Título Original: Little Caesar.
Idioma: Inglês. Legendas: Português, Inglês, Japonês. 78 min. Preto e branco. 1930. EUA. Warner. Diretor: Mervyn LeRoy. Elenco: Edward G. Robinson, Douglas Fairbanks Jr, Glenda Farrell, William Collier Jr, Sidney Blackmer, Ralph Ince, Thomas E. Jackson,
Sinopse: A ascensão e queda do gângster Rico, o Pequeno César, Caesar Enrico Bandello.  

Comentários: O filme que consagrou Edward G. Robinson, aos 37 anos, como um dos ícones do gênero Gângster. Antes deste filme havia uma tradição no cinema mudo sobre filmes sobre bandidos e gângsters. Mas foi a Era da Proibição do Álcool (a Lei Seca) que deu início a proliferação das gangues de traficantes, criando um novo tipo de crime e bandidagem. Ou seja, a Warner estava fazendo filmes sobre o que sai nas manchetes dos jornais, conforme prometia, falando inclusive da queda da Bolsa em 1929, o que daria origem à Depressão. Inspirado em livro de W. R. Burnett (que era de Chicago e sabia tudo sobre Capone e os bandidos de lá), obviamente é inspirado nele (mas o que foi negado na época do lançamento, até por segurança e para evitar problemas com censura). Além de pode provocar processos (mas a Warner confessou que foi por essa razão que fez a fita). E que Robinson foi escolhido porque se parece com Capone (até na voz). Sem dúvida, foi uma escolha inspirada – até no uso do charuto – porque é uma presença impressionante num filme que será uma revelação para muita gente (no Brasil, ele teve também problemas com a nossa censura, ainda que ele tenha uma moral). Apesar de ter sido no começo do Cinema Falado, usa de forma brilhante os movimentos de câmera, efeitos de som (os tiroteios). Seria também um anti-sonho americano. Embora o que fique seja a famosa frase final, Mother of Mercy, is this the End of Rico? (Mãe da Piedade, este é o fim do Rico?). Aliás, cheque o filme com cuidado que ele é um clássico do gângster (e também do film noir) que só melhorou com o tempo. Indicado ao Oscar de Roteiro. 

Filmes: A Floresta Petrificada,  **** (4 estrelas)
Título Original:.  The Petrified Forest.
Idioma: Inglês, Português. Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Japonês. Gênero: Gângster.82 min. Preto e branco.1936. Diretor: Archie L. Mayo. Elenco: Leslie Howard, Bette Davis, Charley Grapewin, Humphrey Bogart, Dick Foran, Genevieve Tobin, Joseph Sawyer, Addie Acuff. 
Sinopse: Num café no deserto, perto da Floresta Petrificada, uma garçonete e um freguês intelectual ficam sob a mercê de um grupo de gângsters em fuga, liderados pelo perigoso Duke Mantee.

Comentários: O filme que consagrou Bogart como astro, depois de uma longa carreira como coadjuvante. Já tinha 37 anos, mas foi preciso retornar para a Broadway para fazer a montagem teatral deste texto de Robert E. Sherwood para conseguir o papel marcante de Duke Mantee (que na verdade é inspirado no Inimigo Público Número Um, Dillinger). Ele foi grato a vida toda para o inglês Leslie Howard, porque foi ele quem insistiu para que Bogart fizesse o papel no filme em vez de outro ator mais famoso (Edward G. Robinson) como queria a Warner. Bogart ficou tão grato para o resto da vida que deu o nome a seu filho de Leslie. Na verdade, ele não interpreta a si mesmo como por vezes sucedida, mas faz uma composição de um gângster, com vários detalhes. Leslie era um ator frio que morreu na segunda Guerra e ficou famoso com E o Vento Levou. O filme também ajudou muito a transformar Bette Davis na super star da Warner. Embora obviamente teatral e com cenários estilizados, feitos em estúdio, o filme ainda resiste bem, graças aos diálogos inteligentes, o clima e principalmente ao elenco. Um clássico do gângster (e também do film noir).

Filme: O Inimigo Público N° 1 ****. (4 estrelas)
Título Original: The Public Enemy.
Idioma: Inglês. Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Japonês. 82 min. Preto e branco. 1931. Diretor: William A. Wellman. Elenco: James Cagney, Jean Harlow, Joan Blondell, Edward Woods, Donald Cook, Leslie Fenton, Beryl Mercer, Robert Emmet Connor.  
Sinopse: Tom desde garoto é diferente do irmão Mike, que vai a escola e tenta ser bom. Este vai para a Guerra, mas o irmão acaba se tornando gângster.

Comentários: Indicado ao Oscar de Roteiro Original, dos clássicos da Warner, este é o filme que realmente tornou famoso Cagney (curiosamente a escalação havia sido ao contrário, quando o diretor viu os ensaios resolveu dar para Cagney o papel de bandido). É justamente neste filme que ocorre a lendária cena em que Cagney esfrega um pedaço de grapefruit (tipo de |aranja) no rosto de Mãe Clarke, o que na época já provocou protestos de organizações femininas e seria impensável hoje (assim como outros momentos de violência com elas). Também é uma rara oportunidade para se rever a Loira Platinada Jean Harlow (a descoberta de Howard Hughes, como se viu em O Aviador). Cagney baseou sua caracterização no gângster Dion O’Bannon e dois outros que conheceu quando jovem. Mas tudo isso só tem validade porque o filme é bastante antigo e com problemas de ritmo e personagens que somem. Assim como desculpas da Warner, dizendo que o filme é para denunciar o crime e não promovê-lo, pressão da Censura. Mas o diretor era competente e subestimado e faz um grande trabalho de narração, numa fita sexy, violenta, vital que hoje virou clássica do gênero. 

Filme: Furia Sanguinária ****
Título Original: White Heat.
Idioma: Inglês. Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Japonês. Gênero: Gângster. Formato: Standard. Tempo: 114 min. Preto e branco. Ano: 1949. País de origem: EUA. Distribuidora: Warner. Censura sugerida: Livre. Censura original: não tem. Diretor: Raoul Walsh. Elenco: James Cagney, Virginia Mayo, Edmond O´Brien, Steve Cochran, Margaret Wycherly, John Archer, Fred Clark, Wally Cassell.
Sinopse: Cody Jarrett é um psicopata, com problemas com a mãe dominadora, que mata um cúmplice, despreza sua bela mulher e vive entrando e saindo da cadeia. 

Comentários: Sem dúvida, o maior momento de carreira de James Cagney, outro dos grandes ícones do cinema noir, em particular de gângster, que era uma especialidade da Warner. Famoso também por uma frase clássica no final, onde ele diz Top of the World (Topo do Mundo), o que foi inúmeras vezes imitado e repetido. Cagney já era veterano naquela altura (já havia sido astro no começo dos anos 30 na mesma Warner, estúdio com quem várias vezes brigou e até processou). O filme começa com um assalto a um trem mas para escapar da pena, Cody confessa outro crime menor em outro estado e vai para a prisão. Mas a polícia consegue infiltrar um homem para se aproximar dele e ganhar sua confiança. O plano é forçar uma fuga e prender os cúmplices. Mas o que vale mesmo é a caracterização de Cagney, que tem grande energia mas que no fundo é gosto adquirido. Ele é baixinho, enfezado e não é todo mundo que vai embarcar nele. Era porém, um homem inteligente e parece ter sido a primeira vez em que se faz um personagem assim, como um absoluto psicopata (inclusive com enxaquecas e fixação materna). Indicado para Oscar de Roteiro, hoje é considerado topo do gênero. Detalhe: a cena em que Cagney tem um ataque na prisão foi mantida secreta para os outros atores, então a surpresa é verdadeira. 

Ref fim .

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Entre Vales

Entre Vales Brasil, 12. Direção de Philippe Barcinski. Com Angelo Antonio, Daniel Hendler. Foografia de Walter Carvalho, Ines Peixoto, Melissa Vettore.80 min.

     O diretor fez alguns curta-metragens premiados e admirados. Não tem tido a mesma sorte ao passar para o longa mesmo trabalhando para a produtora O2 de Fernando Meirelles (realizou alguns dos episódios da serie de teve, A Cidade dos Homens) com Não por Acaso (97).Naquela ocasião eu escrevia: Phillippe  tem uma sensibilidade especial. Parece que ele tem medo de confrontos, de explicações (o filme tem poucos diálogos, ao contrário de personagens de telenovelas aqui todos são misteriosos e calados), de grandes cenas (nem mesmo numa seqüência de morte nos deixa ver ou explica direito como sucedeu).

     Engraçado que posso dizer a mesma coisa deste segundo longa, igualmente sucinto e com uma trama ainda mais discutível. Certamente a melhor coisa é a presença de Ângelo Antonio (Filhos de Francisco)  que faz o protagonista com intensidade, a única pessoa do elenco que parece sincera e empenhada. Mas é o tipo da historia que condena o filme Entre Vales a ter um publico reduzido. Faz Vicente, um economista pai de um menino Caio, que vive com Marina uma dentista. Ocorre um problema grave e toda sua vida se estraga (só vamos saber do que se trata ao final). Ele que já havia sido visto no lixão desde o começo do filme, só bem depois é que vamos ter finalmente a explicação para sua tragédia. O roteiro é incapaz de dar aos coadjuvantes (é co-produção com o Uruguai mas isso não adianta muito já que um ator ótimo com Daniel Hendler não tem absolutamente o que fazer). A questão é você embarcar ou não no conflito e no drama do Vicente. Mas há algo na visão do diretor que afasta a emoção e o resultado mais uma vez é frio e distanciado. Ou quem sabe pode ser apenas questão de gosto. 

Ref fim.

O Mar ao amanhecer


O Mar ao amanhecer (La Mer à L´Aube) Direção e roteiro de Volker Schlondorff. 90 min . Baseado em fatos reais e livros que foram feitos sobre o assunto. Com Leo Paul Salmain, Marc Barbé, Ulrich Mattes, Jean Marc Roulot, Philippe Résimont, Charlie Nelson,  Jean Pierre Darroussin, Arielle Domsbale, e  Christophe Buccholz.

     Foi feito originalmente para a TV, participou de festivais do gênero Monte Carlo), Biarritz, Baden-Baden  mas também Mar Del Plata. Este é o mais recente trabalho do diretor alemão Schlondorff (que fez clássicos como O Tambor e Um Amor de Swann) que se inspirou em fatos reais para contar uma historia da Resistência francesa durante o começo da Ocupação Nazista, mais precisamente envolvendo os jovens comunistas (como se sabe, foram eles ligados ao Partido- a Juventude Comunista- que constituíram a maior parte dos maquis que enfrentaram o invasor). Feito em cores luminosas, não tão apropriada assim ao tema, com  elenco pouco famoso (o comandante alemão é Christopher , filho do astro alemão já falecido Horst Buccholz). Darrousin faz o padre com uma consciência e Arielle canta uma canção antiga.  

      Talvez por sua própria origem, o filme não se prende tanto as regras da diversão podendo enveredar no questionamento dos métodos dos exércitos nazistas trabalhando junto com as autoridades locais jogando com interesses de cada um. Tudo sucede porque três jovens atiram e matam um oficial alemão. Em represália, querem agora matar 150 franceses que estão presos. Entre eles, um rapaz de 17 anos que justamente tinha ganhado uma corrida dias antes. Há traições, falhas, conspiração até o momento do fuzilamento, mostrado de longe, sem muita emoção ou indignação. Curioso para quem  se interessa pelo tema e historias de Guerra. Nada muito especial para outros. 

Ref fim.

Silent Hill: A Revelação 3D


Silent Hill:  A Revelação 3D (Silent Hill: Revelation 3D). EUA, 12. Playarte. Direção e roteiro de Michael J Bassett. Com Radha Mitchell, Sean Bean, Deborah Kara Unger, Adelaide Clemens, Carrie Anne Moss, Malcolm McDowell, Martin Donovan, Kit Harrington.  

     Continuação de Terror em Silent Hill (Silent Hill, 06, de Christopher Gans) co-produção entre Canadá e Austrália, com Radha Mitchell, Sean Bean, Laurie Holden, Deborah Kara Unger que estão nesta sequencia. Inspirado em video-game, contava a historia de uma mãe que vai atrás da filha desaparecida na cidadezinha de Silent Hill, tudo num clima meio estilizado. Ajudado pelo diretor original Christophe Gans (que era critico e ficou conhecido com o interessante O Combate Lagrimas de um Guerreiro), o filme provocou reações desencontradas (a maior parte das pessoas se queixou que não entendia nada e nem foi mostrado para a critica). Mas todos foram unanimes em elogiar a direção de Gangs e sua bela direção de arte, altamente criativa. Parecendo mais um filme experimental do que terror.

     A continuação não é tão delirante e rica quanto o primeiro ate porque chega com bastante atraso, e também não gosta de explicar muita coisa. No primeiro a gente supunha que os habitantes de Silent Hill estivessem mortos mas aqui tudo fica ainda mais confuso. Até porque a atriz que faz  a heroína mudou. Só posso dizer que a historia começa num parque de diversões quando ela esta sendo perseguida (ou acha que esta?) e chega a ser consumida pelas chamas. Já dá para ver que o desenho de produção, a concepção geral das figuras e monstros é bem acima da média (tem uma espécie de aranha que tem cabeças humanas muito interessante e uma bela mulher nua que é transformada em manequim de loja). E os astros do filme anterior fazem pouco maios do que pontas: o pai (Bean), a mãe (Radha)  e com algumas figuras novas (o misterioso Martin Donovan como Douglas, Malcolm MacDowell como Leonard, Carrie Anne Moss como Claudia Wolf). A identificação vai ajudar muito pouco porque a única coisa que me pareceu mais importante foi o acréscimo de um interesse romântico adolescente, arranjando um namorado para a heroína Heather Alessa (agora a australiana Adelaide Clemens que também esta em O Grande Gatsby assume o papel  e se parece muito com Michelle Williams). O rapaz é o estreante Kit Harrington, como Vincent e que depois disso conseguiu sobreviver em Game of Thrones entre 2011 e 13.

      O roteirista original do primeiro filme Roger Avary, parceiro de Tarantino em Pulp Fiction, ia também escrever o script daqui mas foi mandado para a cadeia para o assassinato culposo por dirigir embriagado e matar! Foi substituído por Michael J Bassett (Solomon Kane, Os Selvagens) que também  dirigiu.

     Não há duvida que os fãs do vídeo game tem o Silent Hill em alta conta e esta continuação é como sempre inferior ao original (ainda que com mais gore/sangue). E talvez ainda mais confusa. Como disse um critico americano e concordo, não é um lugar que você queira visitar.

Ref fim.

Renoir


Critica de Renoir (Idem). França, 12. Direção de Gilles Bourdos. Roteiro de Jerome Tonnerre, Michael Spinosa, baseado no livro Le Tableau Amoureux  de Jacques Renoir.  Com Michel Bouquet, Christa Theret, Vincent Rottiers, Thomas Doret, Romane Bohringer,  111min. 

     Não cobro  da biografia de um pintor famoso outra coisa que não seja 1) Autentico na reprodução de suas obras e principalmente no seu estilo, no tipo de luz que utilizava 2) Respeitando a historia verdadeira dos personagens, sem romancear em excesso. 3)se possível rodando em locações autenticas e situando a obra e conseqüências. Tudo isso consegue fazer este filme do pouco conhecido roteirista e diretor Gilles Bourdos (que fez Antes de Partir com Malkovich e Roman Duris, 08, e dois outros inéditos aqui Inquiétudes, 03 e Disparus, 98. As locações foram na Cote D´Azur, Domaine  Du Rayol, Canadel sur Mer.

     Sempre gostei imensamente da obra de Pierre -Auguste Renoir (1841- 1919, em Cagnes sur Mer ) que apesar da fama nunca teve antes um filme a seu respeito. Também em parte por causa de sua relação tão próxima com o cinema já que seu filho Jean Renoir (1894-1979) se tornaria um dos grandes cineastas da historia do cinema com filmes como A Grande Ilusão e A Regra do Jogo (aqui ele é vivido pelo jovem Vincent Rothiers de Feliz que Minha Mãe Esteja Viva, A Espuma dos Dias). Justamente a moça que é o fio condutor do filme e que se apresenta em 1915 em sua propriedade pensando em posar como modelo no começo, se chamando Andrée Heuschling, mais tarde seria a primeira mulher de Jean e sua musa no cinema (tendo sido ela a primeira a fazê-lo interessar pela arte). Ela usaria o nome de Catherine Hessling (1900-79) e seria sua estrela desde o primeiro filme em 1924, Une Vie Sans Joie, ate Tire au Flanc (28). Sem ele Catherine ainda fará filmes com diretor importantes como o brasileiro Alberto Cavalcanti e G.W. Pabst até se afastar em 1935. No filme ela é vivida por Christa Theret (que lembra a jovem Helena Bonham Carter) de Rindo a Toa (Lola). 

      Acho que a preocupação do roteiro e do filme não é tanto contar uma historia mas recriar o ambiente em que vivia o grande artista, cercado pela natureza, pela família e empregados, lutando bravamente contra a dor da artrite  que o dilacerava e tentava impedi-lo de pintar. E que coincide com a feitura de uma obra prima da pintura, o retorno do filho Jean da Primeira Guerra ferido e o fim da primeira infância do outro filme menor, Coco (Thomas Doret, de  O Garoto da Bicicleta). Há mais  um filho, Pierre Renoir (Laurent Poitrenaux, de Alem do Arco Iris e Os Sabores do Palácio). Pierre (1885-62) depois se tornaria também  ator (65filmes, inclusive os do irmão), pai do excelente fotografo Claude Renoir (1913-93) que iluminou filmes como Barbarella, O Espiaõ que me amava, A Grande Escapada, e naturalmente estreou com o tio em Toni e Une Partie de Campagne. (35-36).  Seu neto Jacques Renoir também se  tornou importante diretor de fotografia e foi quem escreveu o livro que deu origem ao filme.  

      Ou seja, uma família de artistas retratados muita beleza e a delicadeza impressionista da “campagne” francesa, esplendidamente fotografado por um chinês de Taiwan Mark Lee Ping Bing e ajudado pela musica do melhor compositor de trilhas do momento, o francês Alexandre Desplat. No fundo, um filme antiquado e doméstico, com nudez casual com momentos encantadores (Michel Bouquet que interpreta o veterano pintor se comporta com total discrição e meu momento favorito no filme é quando se levanta para despedir do filho). Mas que me agradou muito.

Ref fim.

Branca de Neve


Branca de Neve /Blancanieves. Espanha, 12. Direção e roteiro de Pablo Berger. Com Maribel Verdu, Angela Molina, Daniel Gimenez Cacho, Pere Ponce, Macarena Garcia,  Sofia Oria. 104 min. PB. 

     Este filme foi o grande premiado na Espanha em 2012, levando 10 Goyas (O Oscar local) para atriz (Maribel), fotografia, figurino, Maquiagem,  ,  direção de arte, atriz  revelação (Macarena), roteiro, original, trilha musical Canção (No te puedo Encontrar). Também  foi indicado para Ator (Daniel), diretor, montagem, Revelação (Emilio Gavira), produção,  coadj(Joseph M. Pou) e coadjuvante (Angela Molina). Além disso também ganhou os Festivais de Palm Springs, San Sebastian (especial do júri para o diretor e atriz Macarena), Boulder e diversos prêmios locais. Nada mal para um filme espanhol em preto e branco mudo! 

      O que logicamente faz pensar em O Artista, que deve tê-lo influenciado. Mas é outro gênero, não uma comédia que imita Cantando na chuva mas um enorme clipão (naturalmente todo conduzido por uma trilha musical, nem  tão preocupado em reproduzir os cacoetes do cinema sem fala mas em contar a velha historia infantil em imagens, acrescentando-lhe um tom espanhol). O diretor Berger já mostrou aqui seu único filme anterior a divertida pornochanchada Torremolinos-Da Cama para a Fama (03) e desde então deve ter estado planejando este seu tour de force.

      Devo estar ficando velho mesmo porque me lembro e não há tanto tempo atrás de como eram jovens e lindas e encantadoras duas das atrizes centrais do filme, Maribel Verdu (esteve em Os Amantes, Ovos de Ouro, O Amante Bilingue, E tua mãe também e foi a Gramado promover o vencedor do Oscar estrangeiro  Sedução (Belle époque, 92). Ela aqui faz Encarna, a enfermeira que se casa com o pai de BrancaNieves e se torna uma megera terrível. A outra é Angela Molina, que foi uma das estrelas do ultimo filme de Buñuel, Esse Obscuro Objeto do Desejo, 77, Bellochio (Olhos na Boca, 82), Bigas Luna (Lola, 86), nunca mais parou de trabalhar (tem 122 créditos) e aqui aparece como a fiel e muito envelhecida empregada da família do toureiro Dona Concha.

      Sim  porque naturalmente o herói da historia passada nos anos vinte seria um famoso toureiro que é ferido gravemente numa arena, o que provoca o parto precoce de sua bem amada grávida (que irá morrer mas deixara a filha Carmen). Não há ênfase maior na fantasia, ou na história infantil. Ou em efeitos especiais como outras Branca de Neves recentes. O toureiro acaba sendo morto pela cruel Encarna e a menina eventualmente também se tornará amiga dos sete anões de circo. Não falta também o equivalente ao príncipe encantado e a maçã envenenada. Mas o fato é que a historia tem sido refeita com tanta freqüência que não consegui achar nada de tão notável nesta brincadeira espanhola que se assisti até sem maior aborrecimento. E talvez possa encantar alguns.

Ref fim.  

terça-feira, 2 de julho de 2013

Truque de Mestre

Truque de Mestre Paris Filmes. Now You See Mee. 113 min. Com Jesse Eisenberg, Mark Ruffallo, Woody Harrelson, Isla Fisher, Dave Franco, Melanie Laurent, Morgan Freeman, Michael Caine, Common, Jose Garcia, Jessica Lindsey; Paris Filmes. 


      Este é um filme da independente Lionsgate que foi bem em sua estréia Americana e hoje já esta com cerca de 96 milhões de dólares de renda (seu orçamento foi de 75 milhões) mesmo antes de estrear no exterior. Na verdade, é cheia de truques, ilusões, pó mágico, ou como dizia o musical Chicago , “ um monte de razzle dazzle jogado nos olhos da platéia” para esta não perceber as besteiras e as falhas. Ou seja, é um filme sobre mágicos e ilusionistas, que vivem de enganar o publico (que adora ser mistificado) e para isso usam de todos os truques (por exemplo, quando se apresentam em shows em teatros de Vegas, as cameras se movimentam como se existem num programa de teve tipo The Voice ou coisa que o valha). Quem não se importar em ao sair do cinema e pensar nas falhas do entrecho, pode ate gostar destes Robin Hoods modernos que roubam dos atuais grandes vilões, que não são outros se não os bancos! Aqueles mesmos que provocaram a crise econômica que ainda não acabou.

      É impressionante o elenco famoso que o filme conseguiu reunir para um projeto relativamente pequeno. O diretor Louis Leterrier é o mesmo de O Incrível Hulk,08, Carga Explosiva I e II, Fúria de titãs.  . Filho do diretor francês François Leterrier (Adeus Emmanuelle, com Sylvia Kristel, Golpes da Vida com Simone Signoret). O Roteiro é do também diretor Boaz Yakin (Fresh, Duelo de Titãs ), mais  Ed Solomon (Bill e Ted, As Panteras) e o novato Edward Ricourt (também argumento).

      A mantra da historia é que “quanto mais próximo assistir o show menos você vê”. São quatro mágicos de rua de origens diferentes. Jesse Eisenberg é bom em truques com cartas de baralho, Woody Harrelson é o mais velho,  um hipnotista , Isla Fisher (Gatsby)  é especialista em fugas (escape artist) e Dave Franco (na vida real  irmão de James Franco, que traz do irmão o mesmo pretensioso sorriso) faz um jovem punguista  Esses quatro encontram um misterioso patrocinador que lhes patrocina um show de palco como Os Quatro Cavaleiros mas com uma surpresa. Ao final, eles jogam na platéia dinheiro vivo que foi  roubado de um banco! Na trama, que é melhor não revelar muito para não estragar o possível prazer, se envolvem também um milionário Tressler (Michael Caine), uma policial francesa (a charmosa Melanie Laurent, de  Bastardos Inglórios) e ainda uma personalidade da mídia (Morgan Freeman). Sem esquecer também um agente do FBI que esta investigando o caso (Mark Ruffalo).  Ou seja, não há duvida que é um elenco Classe A ainda que a serviço de um filme inferior. De muito barulho, muita festança mas que decepciona em particular nas revelações finais, nada convincentes. Apesar disso, minha impressão é que o espectador médio não vai se importar com isso e poderá até achar o filme divertido. 

Ref fim.

Meu Malvado Favorito 2

Meu Malvado Favorito 2 Despicable me 2. Direção de Pierre Coffin, Chris Renaud. Universal. 98 min. Vozes originais de Steve Carrell, Kristen Wiig, Benjamin Bratt, Russell  Brand, Ken Jeong, Steve Coogan. Vozes brasileiras Maria Clara Gueiros, Leandro Hassum, Sidney Magal e Marcius Melhem. 

     Em 2010, o primeiro filme rendeu 250 milhões de dólares apenas nos Estados Unidos mesmo tendo personagens desconhecidos. Alem de 7 indicações para o Annie, e mais Globo de Ouro, Bafta e outros (mas não Oscar). Esta continuação comete um erro grave. O protagonista chamado de  Gru (e que mantém seu tom de voz que é uma mistura de Bela Lugosi e Ricardo Montalban) era o primeiro malvado ou seja vilão, a dominar um filme inteiro (Nem Cruell de Vil de Dálmatas de Disney foi capaz disso). Daí o encanto deste mal humorado e infeliz Gru que vive para fazer as piores maldades (como roubar a lua). 

     Nesta continuação, quase tudo retornou: a dupla de diretores franceses Pierre Coffin e Chris Renaud (simplesmente porque a Universal  pertence parcialmente aos franceses do Canal Plus), ou seja, tudo ficou mais fácil e ajuda a dar uma roupagem internacional ao projeto que se tornou o filme do gênero, não americano de maior sucesso nos EUA!. Alias neste momento já estão anunciando uma nova continuação que ira se chamar os Minions para 2014, para quem não sabe o que é: este é o nome dos ajudantes do Gru, aqueles amarelinhos que parecem mais dedal.

    Ainda assim houve problemas na dublagem: Javier Bardem se afastou da produção e Al Pacino começou a gravar o personagem do latino Eduardo mas houve briga e largou o projeto. 

     De qualquer forma, havia um problema difícil de resolver. Gru é um sujeito mau que ao final da primeira historia se arrepende e muda completamente, adotando as três crianças e procurando levar outra vida. Mesmo fugindo das mulheres, por alguma estranha razão, ainda as atrai e continuam a dar em cima dele! Ou seja, o Malvado deixa de ser malvado. Então o que fazer com ele? Bem que podiam lhe dar uma paulada na cabeça e uma recaída mas a opção foi outra, transformá-lo ainda mais em família! Mudando completamente o caráter do filme. No máximo agora ele tem ataques de mau humor e se tornou um resmungão, um rabugento. Tornou-se comédia romântica, comédia infantil, dando muito espaço aos minions (que inclusive tem a honra de encerrar o filme com quase um numero de circo, no meio dos letreiros!).

     Ou seja, o ex-vilão cuida de suas crianças adotadas quando o fiel cúmplice Dr. Nefarius larga seu emprego em busca de melhor alternativa. Mas é visitado por uma super espiã Lucy Wilde, da Liga Anti Vilão, que vem lhe pedir ajuda para enfrentar quando um desconhecido roubou um laboratório  com um aeronave –imã. Dessa forma, ele embarca numa historia cheia de comédia de situações, dificuldades românticas das crianças (uma delas se envolve com um garoto latino todo metido, que vem a ser filho do bandido latino). Ou seja, muito pastelão, piadinhas com os Minions, num pacote que não chega a ser desagradável. Até faz rir de vez em quando mas é impossível esconder que é muito mais fraco que o primeiro. 

Ref fim.

O Homem de Aço

O Homem de Aço/ Man of Steel. Direção de Zack Snyder. Warner. EUA, 13. 143 min. Roteiro de David S. Goyer (os 3 Batmans, o novo Godzila). Com Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon, Laurence Fishburne, Kevin Costner, Diane Lane, Russell  Crowe, Christopher Meloni, Antje Traue.  

Atenção: detalhes da trama podem estar sendo revelados na critica e podem estragar a surpresa. Sugiro que neste caso leiam a critica posteriormente

     Há muito tempo que isso não acontecia comigo. Dias depois de assistir este filme voltei para vê-lo na tela grande do Imax, na impressão de que eu tinha perdido alguma coisa. O filme não podia ser tão decepcionante quanto eu achei na primeira vez. Não ter que seguir a historia ajuda, ou melhor até atrapalha, porque dá para prestar atenção em detalhes. E discutir as escolhas. Só aos poucos foi me caindo a ficha, de que não gostava do diretor Zack Snyder (de 300) que é fraco de concepção visual e que aqui faz todos os efeitos especiais com aquele tom marrom/ terra,  levemente fora de foco como em Sucker Punch (começando com a primeira imagem, a dor do parto da mãe de Superman, uma infeliz atriz alemã, alias eles nascem em Krypton do mesmo jeito que os humanos? Que esquisito.. E o que são aqueles “espelhos mágicos” que acompanham o nascimento que alias é feito pelo próprio pai, apesar dele ser super poderoso, o Jor El ? Também não engoli aquelas chocadeiras meio Alien onde vai buscar o Cordex (faltou ai uma nota de rodapé, o leigo não tem idéia do que se trata!). É verdade que o melhor filme da série Superman, o Filme (78) de Richard Donner continua a ser até agora indiscutivelmente o melhor de todos. Também não tinha uma direção de arte brilhante e o planeta também era brega mas Marlon Brando, mesmo com preguiça e descaso é infinitamente melhor do que Russell Crowe (que faz o pai, Jor El), certamente hoje em dia, o pior ator em ação no cinema. Devia ir direto para o elenco Os Mercenários 3!

     Logicamente eu me refiro com nostalgia aquele filme clássico que acertou também na escolha do ator, Christopher Reeve, no uso da trilha musical de John Williams (a de Hans Zimmer é imemorável aqui) e pela primeira vez conseguiu fazer o homem voar de forma convincente e mesmo romântica  (nesta versão, ele aumentou sua velocidade mas até a cena em que experimenta aprender a voar é curta e menos engraçada do que devia. Ah, é isso, o filme não tem senso de humor, a não ser já no finalzinho, todo mundo se leva a serio demais. Tudo é sombrio simplesmente porque deu certo antes em Batman. E o romance é totalmente Blah! 

     O novo Superman desta vez e ao contrario do anterior o coitado Brandon Routh que foi banido para fitas C, é um inglês que foi rejeitado para James Bond (e dizem que todos os outros heróis mas o estão anunciando para o Agente da Uncle ) e que foi o amante passivo do rei na série The Tudors, onde fazia Charles Brandon. Não há duvida que é um monumento, um homem muito bonito que ficaria perfeito se transposto para uma estatua de aço no jardim. A única maneira que conseguem tirar alguma reação dele é em duas ou três ceninhas onde faz um sorriso safadinho (e a única forma de dar ênfase é mostrar isso em close!). O romance dele com a nova Lois Lane (Amy Adams) é mal desenvolvido. Ela aparece sem se darem ao trabalho de ter uma historia pregressa, ou seja, como se fosse obrigação do espectador já saber quem é ela. Apesar do esforço do roteiro em colocá-la em cenas de perigo também não há a menor química entre o casal até porque Superman só vai se disfarçar de Clark Kent na cena final. E não dá para suportar o velho truque do cinema americano de colocar óculos em alguém que o torna completamente irreconhecível! Isso podia funcionar nos anos 40 mas hoje em dia é ridículo!

      O truque maior do roteiro é pular depois de que Jor El é enviado para a Terra, diretamente para Clark adulto trabalhando no socorro de vitimas de uma plataforma de petróleo em chamas! A idéia é que há cada vinte minutos haja uma grande cena de explosão e efeitos especiais (sempre escurinhos). Ou seja, a infância de Clark será relembrada em flash backs ocasionais mostrando ele garoto salvando os coleguinhas de um ônibus que cai num rio e ouvindo conselhos de seu pai humano – que alias tem uma sensatez e nível de informação raro de encontrar nas fazendas do Kansas! O papel é do Kevin Costner que faz igual a sempre mas que ao menos tem uma cena absurda (impedindo o filho de salva-lo de um twister-tornado, certamente ele arranjaria um meio de fazer isso sem ser reconhecido!). Diane Lane como a mãe esta ainda mais apagada nos deixando saudades da movimentação jubilosa da serie Smallville. Ate mesmo Michael Shannon, que parecia infalível faz aqui o super vilão General Zod caindo em excessos e caretas (alguém podia ter lhe mostrado a sutileza com que Terence Stamp criou o original). E será mesmo que era preciso destruir Metrópolis pela enésima vez? Quase bairro a bairro!           
 
     Só depois que fui ver também que a maior parte da critica americana não gostou e por razões muito claras. O que mais me irritou e olha que não sou especialmente religioso, é transformar Kar-El, o futuro Clark Kent, numa figura semelhante a de Cristo (a dica: ele esta completando 33 anos! E sofre também nas mãos dos bullies e da incompreensão do ser humano incapaz de entender seus poderes de um Deus, já dizem isso no comecinho!). Acho essa  comparação no mínimo de mau gosto e tem cara de ser coisa trazida pelo Christopher Nolan (que assina como co produtor). Má idéia.

    Menos ruim é a resolução da luta final, em que Superman tem que enfrentar uma decisão: Ele rarissimamente mata um humano e quando o faz dá um grito de lamentação (ate um momento forte mas que também podia ser mais marcante). Como se tornou habito, o governo americano  não é mostrado com especial simpatia ou competência, revelando sua ma vontade com um Deus E.T. Enfim, rever o filme foi pior porque me deixou muito mais atento e me levou a conclusão de que nesta safra muito boa de blockbusters , o novo Superman é dos mais fracos.

Ref fim.