Lançamento em BluRay – Coleção Gângsteres –Clássicos
(Ultimate Gangsters Collection Warner ).Edição 2013.
Esta é novidade no Brasil e também fora. Já houve antes a Coleção Gangster da Warner que no seu primeiro volume em DVD tinha mais dois filmes (Anjos de Cara Suja, 39 e The Roaring Twenties/ Heróis Esquecidos, 39). Depois chegaram a sair mais duas outras caixas do gênero, sempre com 6 filmes cada). Em Blu Ray, esta foi a primeira edição mas já existe outra disponível, a contemporânea (de 4 Blu Rays) com Mean Streets/Caminhos Perigosos, Os Intocáveis, Os Bons Companheiros e The Departed, Os Infiltrados).
Não há duvida que os 4 filmes lançados aqui são os filmes que criaram o genero na Warner (e na historia do cinema transformando em astros James Cagney, Edward G. Robinson e Humphrey Bogart). E chegam com os extras normais do estúdio, ou seja complementos de programa como nos cinemas de antigamente (trailers, documentários, trailers, todos contemporâneos do filme em lançamento)alem de comentários e um featurette (pequeno documentário que explica o filme e conta detalhes da produção) .Censura: 14 anos.
Filmes:
Alma no Lodo ***** (5 estrelas)
Título Original: Little Caesar.
Idioma: Inglês. Legendas: Português, Inglês, Japonês. 78 min. Preto e branco. 1930. EUA. Warner. Diretor: Mervyn LeRoy. Elenco: Edward G. Robinson, Douglas Fairbanks Jr, Glenda Farrell, William Collier Jr, Sidney Blackmer, Ralph Ince, Thomas E. Jackson,
Sinopse: A ascensão e queda do gângster Rico, o Pequeno César, Caesar Enrico Bandello.
Comentários: O filme que consagrou Edward G. Robinson, aos 37 anos, como um dos ícones do gênero Gângster. Antes deste filme havia uma tradição no cinema mudo sobre filmes sobre bandidos e gângsters. Mas foi a Era da Proibição do Álcool (a Lei Seca) que deu início a proliferação das gangues de traficantes, criando um novo tipo de crime e bandidagem. Ou seja, a Warner estava fazendo filmes sobre o que sai nas manchetes dos jornais, conforme prometia, falando inclusive da queda da Bolsa em 1929, o que daria origem à Depressão. Inspirado em livro de W. R. Burnett (que era de Chicago e sabia tudo sobre Capone e os bandidos de lá), obviamente é inspirado nele (mas o que foi negado na época do lançamento, até por segurança e para evitar problemas com censura). Além de pode provocar processos (mas a Warner confessou que foi por essa razão que fez a fita). E que Robinson foi escolhido porque se parece com Capone (até na voz). Sem dúvida, foi uma escolha inspirada – até no uso do charuto – porque é uma presença impressionante num filme que será uma revelação para muita gente (no Brasil, ele teve também problemas com a nossa censura, ainda que ele tenha uma moral). Apesar de ter sido no começo do Cinema Falado, usa de forma brilhante os movimentos de câmera, efeitos de som (os tiroteios). Seria também um anti-sonho americano. Embora o que fique seja a famosa frase final, Mother of Mercy, is this the End of Rico? (Mãe da Piedade, este é o fim do Rico?). Aliás, cheque o filme com cuidado que ele é um clássico do gângster (e também do film noir) que só melhorou com o tempo. Indicado ao Oscar de Roteiro.
.jpg)
Filmes:
A Floresta Petrificada, **** (4 estrelas)
Título Original:. The Petrified Forest.
Idioma: Inglês, Português. Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Japonês. Gênero: Gângster.82 min. Preto e branco.1936. Diretor: Archie L. Mayo. Elenco: Leslie Howard, Bette Davis, Charley Grapewin, Humphrey Bogart, Dick Foran, Genevieve Tobin, Joseph Sawyer, Addie Acuff.
Sinopse: Num café no deserto, perto da Floresta Petrificada, uma garçonete e um freguês intelectual ficam sob a mercê de um grupo de gângsters em fuga, liderados pelo perigoso Duke Mantee.
Comentários: O filme que consagrou Bogart como astro, depois de uma longa carreira como coadjuvante. Já tinha 37 anos, mas foi preciso retornar para a Broadway para fazer a montagem teatral deste texto de Robert E. Sherwood para conseguir o papel marcante de Duke Mantee (que na verdade é inspirado no Inimigo Público Número Um, Dillinger). Ele foi grato a vida toda para o inglês Leslie Howard, porque foi ele quem insistiu para que Bogart fizesse o papel no filme em vez de outro ator mais famoso (Edward G. Robinson) como queria a Warner. Bogart ficou tão grato para o resto da vida que deu o nome a seu filho de Leslie. Na verdade, ele não interpreta a si mesmo como por vezes sucedida, mas faz uma composição de um gângster, com vários detalhes. Leslie era um ator frio que morreu na segunda Guerra e ficou famoso com E o Vento Levou. O filme também ajudou muito a transformar Bette Davis na super star da Warner. Embora obviamente teatral e com cenários estilizados, feitos em estúdio, o filme ainda resiste bem, graças aos diálogos inteligentes, o clima e principalmente ao elenco. Um clássico do gângster (e também do film noir).

Filme: O Inimigo Público N° 1 ****. (4 estrelas)
Título Original: The Public Enemy.
Idioma: Inglês. Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Japonês. 82 min. Preto e branco. 1931. Diretor: William A. Wellman. Elenco: James Cagney, Jean Harlow, Joan Blondell, Edward Woods, Donald Cook, Leslie Fenton, Beryl Mercer, Robert Emmet Connor.
Sinopse: Tom desde garoto é diferente do irmão Mike, que vai a escola e tenta ser bom. Este vai para a Guerra, mas o irmão acaba se tornando gângster.
Comentários: Indicado ao Oscar de Roteiro Original, dos clássicos da Warner, este é o filme que realmente tornou famoso Cagney (curiosamente a escalação havia sido ao contrário, quando o diretor viu os ensaios resolveu dar para Cagney o papel de bandido). É justamente neste filme que ocorre a lendária cena em que Cagney esfrega um pedaço de grapefruit (tipo de |aranja) no rosto de Mãe Clarke, o que na época já provocou protestos de organizações femininas e seria impensável hoje (assim como outros momentos de violência com elas). Também é uma rara oportunidade para se rever a Loira Platinada Jean Harlow (a descoberta de Howard Hughes, como se viu em O Aviador). Cagney baseou sua caracterização no gângster Dion O’Bannon e dois outros que conheceu quando jovem. Mas tudo isso só tem validade porque o filme é bastante antigo e com problemas de ritmo e personagens que somem. Assim como desculpas da Warner, dizendo que o filme é para denunciar o crime e não promovê-lo, pressão da Censura. Mas o diretor era competente e subestimado e faz um grande trabalho de narração, numa fita sexy, violenta, vital que hoje virou clássica do gênero.

Filme: Furia Sanguinária ****
Título Original: White Heat.
Idioma: Inglês. Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Japonês. Gênero: Gângster. Formato: Standard. Tempo: 114 min. Preto e branco. Ano: 1949. País de origem: EUA. Distribuidora: Warner. Censura sugerida: Livre. Censura original: não tem. Diretor: Raoul Walsh. Elenco: James Cagney, Virginia Mayo, Edmond O´Brien, Steve Cochran, Margaret Wycherly, John Archer, Fred Clark, Wally Cassell.
Sinopse: Cody Jarrett é um psicopata, com problemas com a mãe dominadora, que mata um cúmplice, despreza sua bela mulher e vive entrando e saindo da cadeia.
Comentários: Sem dúvida, o maior momento de carreira de James Cagney, outro dos grandes ícones do cinema noir, em particular de gângster, que era uma especialidade da Warner. Famoso também por uma frase clássica no final, onde ele diz Top of the World (Topo do Mundo), o que foi inúmeras vezes imitado e repetido. Cagney já era veterano naquela altura (já havia sido astro no começo dos anos 30 na mesma Warner, estúdio com quem várias vezes brigou e até processou). O filme começa com um assalto a um trem mas para escapar da pena, Cody confessa outro crime menor em outro estado e vai para a prisão. Mas a polícia consegue infiltrar um homem para se aproximar dele e ganhar sua confiança. O plano é forçar uma fuga e prender os cúmplices. Mas o que vale mesmo é a caracterização de Cagney, que tem grande energia mas que no fundo é gosto adquirido. Ele é baixinho, enfezado e não é todo mundo que vai embarcar nele. Era porém, um homem inteligente e parece ter sido a primeira vez em que se faz um personagem assim, como um absoluto psicopata (inclusive com enxaquecas e fixação materna). Indicado para Oscar de Roteiro, hoje é considerado topo do gênero. Detalhe: a cena em que Cagney tem um ataque na prisão foi mantida secreta para os outros atores, então a surpresa é verdadeira.
Ref fim .