segunda-feira, 16 de junho de 2014

LOVE STORY

LOVE STORY NO CINEMA – 
Por ADILSON DE CARVALHO SANTOS   

      Apaixonados separados pela tragédia, pelo acaso ou pela mera incompatibilidade. Um acidente, por exemplo, separa um casal apaixonado como Cary Grant & Deborah Kerr em “Tarde Demais para Esquecer” (An Affair to Remember) de 1957 ou em tempos mais recentes Rachel McAddams & Channing Tatum em “Para Sempre” (The Vow) de 2011. Melodramas têm seu público fiel, embora considerado essencialmente feminino dado seu caráter sentimental acentuado em enredos chamados pejorativamente de “água com açúcar”. Com a estreia de “A Culpa é das Estrelas” (The Fault in Our Stars) e – em breve – a refilmagem de “Amor sem Fim” (Endless Love) próximo ao dia dos namorados, as telas podem transbordar de lágrimas, bem apropriado para a data e para que lembremos que há muito mais no cinema que apenas blockbusters. Filmes menos pretensiosos, voltados para as relações humanas sempre tiveram espaço, maior ou menor, nas telas. Relembremos alguns deles:


      Se uma canção marcante é essencial para o alcance de um romance, então “Nosso Amor de Ontem” (The Way We Were) de 1973 merece figurar primeiro em nossa lista. A música de Marvin Hamlich, que dá título ao filme,  foi escolhida como 8ª entre as 100 melhores canções do cinema pelo AFI (American Film Institute), e Oscar de melhor canção na voz de Barbra Streisand , intérprete de Katie Morosky, ativista no período do pós guerra que encontra Hubbel Gardner (Redford), um antigo amor dos tempos de universidade e aspirante a escritor que tenta achar seu lugar ao sol como roteirista em Hollywood. Um dos primeiros filmes a retratar a caçada McCarthista, o filme fala da dificuldade de conciliar ideologias opostas que fazem amantes trocarem os sorrisos pelas lágrimas, tornando-os nada além de lembranças do que uma vez foram. Excelente filme graças à presença do casal Redford-Streisand dirigidos pelo hábil Sidney Pollack.

       Sabe aquela trilha sonora que uma vez ouvida não sai mais da cabeça. Assim é a composição de Francis Lai para “Love Story- História de amor” de 1970, dirigido por Arthur Hiller com roteiro de Erich Segal. Este escreveu a história como roteiro de cinema, mas antes do lançamento do filme, publicou sua versão adaptada que se tornou um Best-seller. A história trazia Ryan O’Neal (então com 29 anos) e Ali MacCraw (então com 31 anos) como um jovem casal que enfrenta a diferença de classes sociais opostas. Apesar da pressão do pai de Oliver (O’Neal) vivido pelo veterano Ray Milland, o calvário vivido pelo casal é quando Jenny (MacGraw) descobre estar com leucemia. A popularidade do filme fez história e lhe deu o status de “filme de mulher” com sentimentalismo exacerbado e final lacrimoso que para muitos o torna por demais “piegas”. O sucesso de bilheteria gerou a sequência “A Historia de Oliver” (Oliver’s Story) em 1978, que claro traz a citada trilha que, apesar de ter seus admiradores e detratores, embalou muitos namoros na década de 70.

3 Dias para Matar

3 Dias para Matar (3 Days to Kill) França, 14. 117 min. Direção de McG. Com Kevin Costner, Haillee Steinfeld, Connie Nielsen, Amber Heard, Tomas Lemarquis, Richard Sammel,Bruno Ricci.

     Este é o filme que supostamente deveria trazer de volta ao estrelato Kevin Costner, depois do sucesso na teve com a série Hatfields e McCoy. Mas se esqueceram que é uma daquelas produções européias de Luc Besson (co produziu com muitos inclusive Christophe Lambert), das quais ele escreve sempre o roteiro. Umas poucas vão bem nos EUA (como foi o caso de Taken/Busca  Implacável, com Liam Neeson) mas são exceção. Os filmes de Besson são para consumo europeu , no Oriente  e depois no que existe ainda de filmes de ação. Os americanos em geral o ignoram como sucedeu com este que não rendeu mais do que 30 milhões o que não é tão ruim (custou 28 milhões de dólares). Tudo parece mais uma vez a má vontade que a critica tem contra o diretor McG. Desde suas Panteras, que se vinga tendo êxito na teve onde produziu os sucessos O.C.Um Estranho no Paraiso,  Chuck e Sobrenatural.

     Sem duvida, este é um filme B desde sua concepção onde a maior atração são suas locações em Paris (mas a maior parte em Belgrado, na Sérvia). Não sua historia muito banal. Costner faz um agente da CIA que tem pouco tempo de vida e resolve aproveitar a chance para ser aproximar da filha quase adulta, que mal conhece (no papel Hailee, esta melhor do que o papel lhe deu indicação ao Oscar em Bravura Indômita). Oferecem-lhe uma droga experimental, que pode salvar sua vida em troca de uma ultima missão. Você já sabe de que tipo de filme se trata, basta citar a piada mais freqüente: o celular da filha toca nas horas mais esdrúxulas quando ela esta batendo ou matando alguém!

     Naturalmente a narrativa é rápida,a direção de arte chique sem nenhuma tentativa de realismo mas o conceito do homem de família que trabalha como assassino profissional já é velho (Costner não tem culpa, esta discreto e com boa aparência, passivo como sempre). Desde que não seja tenha qualquer expectativa, é perfeitamente consumível pelo publico masculino (que vai apreciar Amber Heard, uma bela loira que esta sempre mudando de cara) e até dos filmes mais consumíveis do diretor.

Ref fim.

A Culpa é das Estrelas

A Culpa é das Estrelas ( The Fault is on Our Stars). EUA, 14.Direção de Josh Boone. Com Shailene Woodley, Ansel Elgort, Nat Wolff,  Laura Dern, Sam Tramell, Willem Dafoe, Lotte  Verbeek. Fox. 125 min.

     Havia uma grande expectativa por parte dos “young Adults” pela adaptação para o cinema deste Best-seller do autor John Green (conhecido também como vídeo blogger, com quase 2 milhões de seguidores) que poderia ser comparado como o “Love Story” desta geração (se referindo ao livro de Erich Segal dos anos 70). Ainda que de passagem se possa dizer que este é bem superior. 

      Foi tomado muito cuidado com a adaptação que me pareceu bem fiel e respeitosa e com as opções corretas. Evita-se o sentimentalismo, o excesso de clichês e se não foge do choro mas também não se força a barra. Este é o tipo do filme que devo comentar pouco para não revelar segredos ou detalhes que só irão estragar o prazer do filme. Obviamente Shaileene esta bem mais magra do em Divergente, já que faz uma estudante que sofre de uma doença grave (o tempo todo ela respira com a ajuda de oxigênio, com dois fios nas narinas) e que esta sendo forçada a fazer uma espécie de terapia de grupo, ou grupo de ajuda com outras pessoas que tem problemas de saúde semelhante. Com relutância,  ela deixa se aproximar um rapaz alto e presunçoso, o loirinho Ansel, que em Divergente faz o papel de irmão da heroína). Aos poucos, os dois vão se apaixonando e tendo a primeira relação sexual. As famílias observam tudo com ansiedade (Laura Dern, ótima como sempre faz a mãe e o pai é do rapaz de True Blood, SamTramell). Tem ainda Natt Wolff como amigo que faz as piadas e uma trama paralela que de certa maneira só existe para motivar uma viagem ao exterior muito fotogênica (a Amsterdam) e também uma visita tocante à casa onde viveu Anne Frank. Tudo porque a heroína Hazel é apaixonada por um livro e um autor , Van Houten (um mal humorado Dafoe) que depois de muito tempo recusa se corresponder e ainda mais se encontrar pessoalmente. Nesse meio tempo Hazel se envolveu com o colega Gus que já não tem parte de uma perna mas parece estar em remissão. Alto, loirinho, atrevido e bem humorado (sempre com um ar de pretensioso que o ator Ansel sabe fazer bem) ela acaba por conquistá-la. 

     Achei que o diretor Josh Boone foi uma escolha correta ate porque eu tinha gostado muito do que ele fez com o recente Ligados pelo Amor. De certa altura em diante, é praticamente impossível não se emocionar e chorar (mais ou menos, vai depender de cada um). Mas são lagrimas dignas, conquistadas pela sinceridade dos atores, da realização, sem apelações vulgares. Já que não deixa de ser curioso o sucesso de um filme que fala para jovens e contempla a inevitabilidade da morte.

Ref fim.

O Lobo Atrás da Porta

O Lobo Atrás da Porta Brasil, 2013. Direção e roteiro de Fernando Coimbra. Com Leandra Leal, Milhem Cortaz, Fabiula Nascimento, Juliano Cazarré, Isabelle Ribas, Tamara Taxman.

     Premiado em Havana, San Sebastian, Rio,Miami, este é um bom filme que parte de uma idéia interessante: é inspirado em fato real que teve muita repercussão ainda nos anos 60 apelidado de a Fera de Penha! Tão boa que deu origem a um filme hoje esquecido mas de qualidade que se chamou Crime de Amor (1965), foi dirigido por Rex Endsleigh  com Beyla Genauer no papel central, Joana Fomm ótima como a mãe (foi sua revelação) e o galã de televisão Carlos Alberto como o marido. Um filme tão raro hoje em dia que não existe nem registro no IMDB. 

      Mas existiu e era bem feito e felizmente aqui se optou por outra leitura mais contemporânea, mais adequada a figura de Leandra Leal, com ar de anjo e comportamento de demônio e um final mais aberto e cínico. De qualquer forma, a historia não envelhece. Leandra começa a ter um casinho com um homem casado e pai de filha (Milhem Cortaz) que ao perceber que se meteu com um problema, uma mulher ciumenta e difícil, vai se afastando. Mas ela esperta descobre onde ele mora e se infiltra na casa, se passando por sua mulher (Fabiula Nascimento mais uma vez se sai muito bem). Um primeiro longa digno de Fernando Coimbra.

Ref fim.

Uma Vida Comum

Uma Vida Comum (Still Life) EUA, 13. Direção de Uberto Pasolini. Eddie Marsan, Jane Froggatt, Karen Drury, Andrew Buchan, Neil D´Souza, David Shaw Parker.

     Premiado como melhor diretor (e outros menores) em Veneza), este filme que chegou a ser finalista na Mostra de São Paulo mas o júri errou deixando de lado esta pequena obra prima delicada, simples e que ficaria melhor com o titulo correto de Natureza Morta (já que o titulo original se refere a esse tipo de pintura). Não é certamente um candidato a grande sucesso de bilheteria mas é outra prova da qualidade do trabalho do produtor Conde Pasolini (parente sim de Pier Paolo, que trabalha concebendo projetos (como Ou tudo ou Nada/Full Monty), deixando outros dirigirem ou assumindo diretamente o comando.

     Aqui ele deu uma chance para o freqüente ator coadjuvante Eddie Marsan que tem um rosto marcante e triste, que é plenamente utilizado como um funcionário britânico de  um serviço que identifica pessoas que faleceram  sem deixar informações sobre parentes ou lembranças. Não é uma comédia e se deixa longe o humor negro. É um retrato muito simples,  muito humano  e nem um pouco sentimental sobre a discreta luta desde homem solitário cuja vida é jogar cinzas em jardins, procurar quase sempre em vão por parentes (que em geral não querem saber) e providenciar cerimônias religiosas. Tudo vai nessa rotina ate o dia em que descobre que esta sendo despedido depois de 22 anos de trabalho e pede alguns dias mais para ter tempo de encontrar os parentes de um certo  Billy Stoke. O filme ameaça fazer concessões mas não se engane porque não perde o rumo concluindo com uma imagem extremamente tocante.   Uma Pequena Jóia para ser descoberta.

Ref fim.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Uma Longa Queda

Uma Longa Queda (A Long Way Down) Ingl/França, 14. 96 min. Direção de Pascal Chaumeil. California. Com Pierce Brosnan, Imogen Poots, Aaron Paul, Rosamund Pike, Toni Colette, Sam Neill.

    Ia ser lançado diretamente em Home Video (o que hoje em dia significa a morte sem apelo ou chance), quando alguém na distribuidora acordou para o fato de que se trata de uma adaptação de um livro de um escritor que é Cult no Brasil, o inglês Nick Hornby (de quem foi filmado Febre de Bola, 97, Alta Fidelidade, 2000,Um Grande Garoto, 02, que agora virou serie de teve americana, Educação, 09  e Amor em Jogo, 09). Ou seja, ele tem um publico alias merecido, tem um texto fluente, bem humorado, critico e muito oportuno sempre. 

     A única dificuldade é que aqui ele trabalha com humor negro que é um estilo que nem sempre o brasileiro esta disposto a encarar. Por outro lado, o elenco reunido é muito bom e vai desde o rapaz de Breaking Bad (Aaron Paul, que por sinal encontra aqui a mesma Imogen Poots, que lhe faria par em Need for Speed!) ate o Ex-James Bond Brosnan e ótimas atrizes (Toni Colette, Rosamund Pike) .Até mesmo o diretor francês já fez antes comedias respeitáveis como Como Arrasar um Coração, 10 com Romain Duris e Vanessa Paradis, Um Plano Perfeito com Diane Kurys, 12 ( e antes disso foi assistente de direção de Luc Besson). Johnny Depp foi quem primeiro comprou os direitos do livro mas depois desistiu. Emile Hirsch ia fazer o papel que depois foi para Aaron. 

     Tudo começa numa noite de Reveillon em Nova York, quando quatro pessoas se encontram por acaso no alto de um edifício todos eles com a mesma intenção de se jogarem do alto do prédio. O mais famoso deles é um apresentador de programas na teve que se envolveu num escândalo sexual e viu sua vida arruinada e carreira destruída. Imogen é a filha de um político, Toni é a mãe solteira que cuida do filho que sofre de doença terminal e Aaron é um desiludido entregador de pizzas.  O fato é que eles se encontram e fazem um pacto não se matarão ao menos ate o próximo dia dos namorados (São Valentim que nos EUA é em fevereiro). Na verdade, passam a se frequentar e se ajudar. 

     A verdade, porém é que o elenco é melhor que os personagens e o próprio roteiro não sabe muito bem como explorá-los. Depois que eles se revelam  tudo se torna previsível e ate sentimental. Nem mesmo quando a historia se torna publica e eles ficam famosos, nada de muito interessante sucede. Dá para assistir mas ficam devendo, os atores e o autor. 
Ref fim.

O Que os Homens Falam

 O Que os Homens Falam (Una Pistola em Cada Mano) Espanha, 12. Pandora. Direção de Cesc Gay.
Com Javier Camara, Ricardo Darin, Jordi Mollá, Eduardo Noriega, Leonardo Sbaraglia, Luis Tosar, Alberto San Juan, Candela Peña, Leonor Watling, Cayetana G. Cuervo, Clara Segura.

     Um curioso projeto do cinema espanhol catalão de Barcelona,  dirigido por um certo Cesc Gay (não o conheço mas escreve hábitualmente series de teve e alguns longas que não passaram aqui, como Hotel Room, Krampack, En la Ciudad, Ficció, V.O.S.. 

      Aqui ele conta em vários episódios com a ajuda dos mais conhecidos atores do cinema espanhol (e também argentino) alguns momentos na vida de um grupo de homens de meia idade e que sofrem alguma crise. É preciso porém gostar do gênero (historias curtas que se sucedem, sempre com bons atores em bons momentos). 

        Aqui os 8 quarentões (que só se irão se encontrar no final do filme) enfrentam diferentes crises, Darin esta num banco de jardim de um parque e toma remédios para suportar o fato de que sua esposa o trai. Javier Camara tenta retornar para sua esposa dois anos após o divórcio. Eduardo perdeu tudo o que tinha e volta a morar na casa de sua mãe. Alberto e Jordi são dois amigos que começam a revelar pela primeira vez seus segredos íntimos. Sbaraglia é bem sucedido na vida mas nem por isso deixa de estar deprimido. Noriega não consegue seduzir nem a própria namorada e Luis confunde o nome das namoradas com o de seu cachorro.  

       Sim, o tom é de comédia leve, e o mais curioso dos bastidores  é que o argentino Darin entrou em contato como diretor pedindo o papel porque tinha gostado do roteiro e Javier Bardem teve que largar o filme e foi substituído por Sbaraglia. O papel de Candela Peña foi escrito especialmente para ela. Nada excepcional mas o elenco é bom, o filme interessante .

Ref fim.

A Grande Escolha

A Grande Escolha (Draft Day). EUA, 14. Direção de Ivan Reitman. Com Kevin Costner, Jennifer Garner, Frank Langella, Tom Welling, Terry Crews, Sean Combs, Ellen Burstyn, Dennis Leary, Chadwick Boseman, Rosana Arquette, Sam Elliott, Kevin Dunn.118 min.

     Falava-se muito no retorno de Kevin Costner ao estrelato depois do sucesso de sua serie de teve sobre os “Hatfields e McCoys”. Mas não esta dando certo porque este é o seu terceiro fracasso consecutivo (não passou dos 27 milhões de dólares de renda nos EUA e aqui não vai pagar nem a conta da luz!). E o seu filme anterior que era razoável (3 Dia para Matar) sai direto em Home Video (o outro fracasso inesperado foi o também razoável  Operação Sombas Jack Ryan, o que nos faz pensar que mr. Costner simplesmente esta sendo rejeitado como carta antiga fora do baralho). 

      Mas como este filme aqui não havia remédio, é um filme sobre futebol americano lançado em época de Copa do Mundo do nosso futebol. Só que não tem “football”, é sobre um dia desse esporte aonde há uma espécie de venda dos jovens jogadores que são comprados pelos times que necessitam de craques. Pelo menos foi o que deu para entender porque para brasileiro que desconhece as regras e os costumes desse esporte, é como ver um filme chinês sem legendas, não tem pé nem cabeça. 

       Dá a impressão de que a intenção foi embarcar no sucesso de Moneyball  de Brad Pitt (O Homem que Mudou o Jogo) que mostrava a dificuldade de se escolar um time mas no caso de beisebol. O futebol deles é muito mais complexo e prejudicado por um filme muito mal roteirizado, centrado em apenas um dia na vida de Costner, que faz o herdeiro de um time  (cabe a duvida que tenha sido erro do diretor Ivan Reitman, que é conhecido por suas comédias, tipo caça fantasmas ou Irmãos Gêmeos e deve ser fã do esporte e isso o deixou cego para as falhas do script).  Não é sobre os jogadores mas a tensão e dificuldade das pessoas que tomam as decisões por trás deles, os cartolas.  Com certeza pensaram em Costner porque ele tem uma antiga tradição de estrelar filmes sobre esporte, em particular beisebol.

       Ele faz um certo Sonny Weaver Jr que teve que assumir a posição de seu pai que General Manager dos Cleveland Browns.  Ele irá participar da cerimônia de Draft (recrutamento para ser a melhor tradução). Sofre todo tipo de pressões desde do dono do time (o sempre ótimo Frank Langella), o treinador (Denis Leary) para fazer as escolhas certas. Pressionado também por jogadores (e tem uma ponta curiosa de Tom Welling, de Smallville, que aparece moreno e barbudo, quase irreconhecível, com certeza procurando dar nova vida a sua carreira).  Mas o roteiro ainda por cima faz suceder naquele mesmo momento duas crises, uma confusão com a mãe (Ellen Burstyn) por causa das cinzas do pai e a noticia que lhe traz a namorada (Jennifer Garner) de que esta grávida. Costner naturalmente se comporta com a frieza (ou será “cool”) habitual e o filme é um quebra cabeça ainda menos compreensível do que o atual  Sob a Pele de Scarlett Johansson (que ao menos pretende ser herdeiro de David Lynch).

       Apesar do elenco interessante tudo resulta num equivoco que só comprova a teoria de que os únicos filmes de esporte é que dão certo sobre os sobre boxe!.

Ref fim.

Antes do Inverno

Antes  do Inverno (Avant  L´Hiver)2013.Direção   e roteiro de Philippe Claudel.Europa. 103 min. Com Kristin Scott Thomas, Daniel Auteuil, Leila Bekhti, Richard Berry, Vicky Krieps, Anne Metzler.

     O diretor Claudel teve ha pouco tempo um êxito com a mesma (e excelente) atriz inglesa radicada na França, Kristin Scott Thomas, Foi em 2008 com o drama Há tanto tempo que te Amo, onde ela fazia mulher que passou 15 anos na prisão e agora tenta se entender com a irmã que a acolheu. Ganhou o Bafta de filme estrangeiro, indicação a Dois Globos de Ouro  americano, dois prêmios em Berlim (um deles o Ecumênico).  O trabalho seguinte o simpático Tous lês Soleils, 11, com Stefano Accorsi não veio comercialmente ao Brasil e agora estréia a nova obra que acaba sendo uma pequena decepção. Kristin não em grande chance de brilhar e seu personagem é tão morno quanto o resultado. Parece esconder uma grande revelação mas é uma situação pouco espetacular. 

       Começa numa delegacia de policia, onde um homem é interrogado porque tentam saber como ele encontrar uma jovem. O Homem conta que se encontraram pela primeira vez num bar onde ela trabalhava. Parece que ela foi uma vez sua paciente, numa operação de apendicite. Mas ela não tem qualquer cicatriz no corpo e tentam entender a situação. Auteuil faz esse grande cirurgião, com Kristin como sua esposa que cultiva o jardim. Nada parece perturbar a vida deles na floresta com muitos amigos. Mas um dia o médico recebe um buque de rosas vermelhas e ele passa a se interessar por uma mulher que parece encontrar em toda parte.

       Será um drama romântico ou um thriller psicológico ou mesmo uma historia policial?. Um pouco de cada ou nada disso. Tem sem duvida um final inesperado. Mas todo mundo é tão polido, frio, que nem dá para fazer comparações com a paisagem invernal. Um trabalho bem melancólico de um diretor que já fez melhor. 

ref

LIMITE DO AMANHÃ

LIMITE DO AMANHÃ (EDGE OF TOMORROW) EUA, 14. 113 MIN. Direção de Doug Liman. Com Tom Cruise, Emily Blunt, Bill Paxton, Brendan Gleeson, Jonas Armstrong, Noah  Taylor, Charlotte Riley. Warner.

      Não se pode dizer que seja exatamente original, já que a situação básica do filme (o fato que vai se repetindo ate o herói encontrar uma saída é inspirado por Groundhog Day, 93, Feitiço do Tempo com Bill Murray), os ETs parecem os de Guerra dos Mundos e o ponto de partida, um oficial de gabinete ser forçado a lutar é completamente ilógico e inconvincente (curioso: mais o diretor teve medo de deixar claro que certos elementos são de comédia e devem ser encarados como tal. O fato de Cruise ir forçado a lutar naquele começo de filme só mesmo como piada).

      O incrível é que este é outra produção de e com Tom Cruise que é ficção cientifica (logo depois de outro do gênero, Oblivion, bem inferior a este) ou fantasia (como se ele evitasse papeis mais humanos e sinceros, são já 18 anos desde Jerry McGuire! Teria desistido de conseguir um Oscar? Pois aos 52 anos, Tom ainda segura em filme de ação e algumas cenas ainda é ele que cai e apanha! ). Desta vez temos dois bons roteiristas chamados por ele :Christopher McQuarrie (Os Suspeitos e para Cruise, Jack Reacher, Operação Valquiria) e Jezz Butherworth (Jogo de Poder, A Isca Perfeita).  E o primeiro encontro com o diretor Doug Liman (que quase se arruinou com Sr e Sra Smith mas antes fez bons trabalhos no primeiro Bourne, a Identidade, Vamos Nessa).

      E sem mais retórica: este No Limite do Amanhã é divertido, super bem produzido, interessante e mesmo um pouco difícil de seguir ao menos pelo espectador casual e desatento. Cruise faz Cage, oficial de relações publicas, que é  obrigado a ir lutar no que pode ser a batalha final e decisiva com seres extraterrestres que dominaram a Terra e estão ganhando a guerra. Graças a uma grande guerreira Rita ( a inglesa Emily Blunt, cada vez mais encantadora) eles partem otimistas. Mas é uma cilada e Cage cai numa praia (lembrando o Dia D) e por acaso entra em luta contra um ET graduado que lhe passa um possível segredo, que lhe permitirá ate mesmo vencer a luta. 

      Mas isso depois de  muitas reviravoltas ou melhor dizendo repetições, de novo, de novo e de novo até finalmente encontrarem um solução e a saída. Ou não. Não sei se as soluções chegam a fazer absoluto sentido mas é  Guerra dos Mundos mais sofisticado e vitaminado. Achei um filme de ação de primeira linha e dos melhores da temporada. Vamos ver só se Cruise ainda tem o carisma de atrair e segurar sua antiga platéia.

Ref fim.

MALÉVOLA

MALÉVOLA (MALEFICENT).EUA,14. Disney.97 min.Direção de Robert Stromberg. Com Angelina Jolie, Elle Fanning, Sharlto Copley, Lesley Manville, Imelda Staunton, Juno Temple, Sam Riley,Brenton Thwaites.  

     Há alguns anos atrás eu duvidaria do sucesso desta versão com atores do desenho animado de Disney, A Bela Adormecida , simplesmente por que a faixa etária  que mais freqüentava cinema eram adolescentes masculinos de 12 a 14, que não é o publico alvo desta produção. Ao contrário este é um filme para mulheres de todas as idades, pré adolescentes em particular e crianças pequenas podem se assustar com a figura de Malévola (houve uma proposital busca de semelhança entre aquele filme de 1959, famoso justamente pela presença marcante  da bruxa Malevola e o uso na trilha musical de Tchaikowsky- justamente o balé da Bela Adormecida e que influencia também a musica tema Once Upon a Dream, interpretada agora por Lana Del Rey, nos letreiros finais escolhida por Angelina  Jolie. Todo o elenco foi escolhido de forma que lembrasse justamente as figuras originais, sendo que  Aurora jovem é feita pela filha de Angelina e Brad Pitt).

     Não me sinto muito a vontade para comparar com o desenho (dos mais reputados da Disney, feito em widescreen) simplesmente porque o assisti uma única vez em vídeo  e assim não pertenço ao culto de admiradores da Malévola. 

      Mas se servir para alguma coisa sou fã de Angelina Jolie, que faz um belo trabalho,  ate sutil e controlado, ainda que um pouco prejudicado por aquela maquiagem que a deixa com duas batatas nas maçãs do rosto, como se fosse obra de um cirurgião plástico desastrado! Ao contrário de outras escolhas da escalação de elenco que pouco acrescentam. Não gosto e não vejo o que trazem  de novo esse super estimado Sharlto de Elysium  e Distrito 9 (ele faz apaticamente o vilão que rouba as asas de Malévola, diminuindo seu poder e provocando sua vingança que seria a maldição dela dormir aos 16 anos ate ser beijada por príncipe).Por falar em príncipe o rapaz escolhido e desconhecido é outra figura opaca , que nada acrescenta. Assim como o britânico Sam Riley que faz o corvo Diaval (outro que não diz a que veio). Também esperava mais graça e alivio cômico por partes das três fadinhas. 

       Em  compensação, Elle Fanning é uma graça como a princesa (bem mais talentosa que a irmã Dakota Fanning). E a produção é de primeira, sempre convincente e adequada. O roteiro de Linda Woolverton (que escreveu a Bela e e Fera, o Rei Leão, Mulan ) faz o possível para tornar menos previsível as mudanças no caráter da heroína. O que eu posso dizer é que as mulheres saíram exultantes da pré estréia, adorando o filme. Os homens foram bem menos expansivos.

Ref fim.  

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Anos Felizes

Anos Felizes (Anni Felici) Itália, 13. Direção e roteiro de Daniele Luchetti. 106 min. Com Kim Rossi Stuart, Micaela Ramazotti, Martina Gedeck, Samuel Garofalo, Pia Engleberth, Ivan Castiglione.

     Este é o filme mais recente de um dos bons diretores do cinema italiano atual infelizmente mal conhecido por aqui apesar de ser amigo e sócio de Nanni Moretti.  Luchetti  fez sucesso com a excelente comédia Meu Irmão é Filho único, 07 e acerta novamente com esta historia assumidamente autobiográfica onde relembra como era sua família, nos anos 70, quando tudo parecia virar de cabeça para baixo. Seu pai era um artista plástico confuso mas bonitão (feito por Kim Rossi Stuart, que é filho de um astro dos spaghetti Western,  Giacomo Rossi –Stuart (1925-94)  e por isso ator desde os cinco anos). Entrou na mania de fazer performances onde tiram a roupa em museus ou na rua mas é incapaz de ser fiel e se entender com sua mulher Serena (a atriz é casada com o já famoso e ascendente diretor Paolo Virzi e se chama Micaela Rammazotti).

     De qualquer forma, o filme foi injustiçado agora há pouco no festival de Pernambuco talvez porque fosse tudo uma “mistureba” indigesta  de produções nacionais (naturalmente favorecidas) com estrangeiras. Ficou apenas com prêmios de consolação (atriz coadjuvante empatada com a atriz que faz a mãe, e montagem). Quando merecia muito mais. 

      Isso é fácil confirmar já que é uma historia terna, divertida, com as melhores qualidades do cinema italiano, com bons atores jovens e que se assiste com muito prazer.
Ref fim.      
     

Gata Velha Ainda Mia

Gata Velha Ainda Mia ( 2013-14). Direção e roteiro de Rafael Primot. Com Regina Duarte, Barbara Paz, Gilda Nomacce. 89 min.

       Este é um momento ruim para lançar filmes brasileiros por causa das salas lotadas com blockbusters e (mais chegando) e a proximidade da Copa e suas conseqüências. Mas este é um filme particular, de baixo orçamento (realizado num único set, pedaço de um apartamento, financiado pelo Canal Brasil ) e que não se preocupa em esconder a narrativa televisiva (não faz nem um único plano externo). Seu maior trunfo é a rara presença estrelar de Regina Duarte madura, que sempre foi uma boa atriz que nem sempre teve as oportunidades de demonstrar seu talento. A facilidade com que interpreta em particular na televisão,  domínando o veiculo, a deixou sempre num segundo plano no cinema apesar de alguns bons trabalhos (Além da Paixão). Menos do que merecia.

       Seu retorno agora é conduzido por um diretor talentoso  Rafael Primo (agora Primot) que anos atrás me chamou para fazer uma aparição num curta dele, Manual para Atropelar Cachorro que me deixou bem impressionado.Desta vez ele envereda num drama que coloca em conflito duas mulheres. Carol (Barbara Paz boa atriz , outra subestimada) faz um jornalista que vem entrevistar uma escritora Gloria Polk (Regina) que foi famosa feminista e que agora esta preparando um retorno com novo livro depois de ausência de anos. Só depois que descobrimos que elas são aparentadas, já que Carol vive com o ex-marido de  Gloria, a quem deu um filho (Gloria teria três filhos mais velhos que são apenas citados  e uma ligação afetiva com outra mulher que não é desenvolvida. Seu problema atual é  encontrar um final para seu livro e exercitar seu talento para cozinhar comidas exóticas). 

       As conversas entre eles (com muitos closes) segura bem o espectador mas Primot não resiste a tentação de citar seus filmes favoritos (de Gata em Teto de Zinco Quente a Crepúsculo dos Deuses, só que os escritores que ficaram menores não os atores). Pior que isso envereda pelos caminhos de Baby Jane  caindo num terror duvidoso.

       Não acredito que o final seja satisfatório e teria preferido um pouco mais de humor no caldo. Regina foi escolhida melhor atriz no Festival do Rio do ano passado e com toda razão e justiça. Agora que façam para ela outro filme e personagem maior que a vida, que Regina merece.

Ref fim.  

X- Men: Dias de um Futuro Esquecido

X- Men: Dias de um Futuro Esquecido (X Men : Days of Future Past) EUA, 14. Fox. Direção de Brian Singer. 131 min. Com Patrick Stewart, Ian McKellen, Hugh Jackman, James MacAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Halle Berry, Nicholas Hault, Anna Paquin, Ellen Page, Peter Dinklage, Shawn Ashmore, Omar Sy, Michael Lerner, Fakmke Janssen, James Marsden.

      Não acredito que o atual escândalo envolvendo o diretor Brian Singer (acusado de violência sexual a um menor numa festa há alguns anos atrás) tenha maior interferência  na resultado deste novo filme da Marvel com os X – Men. Ele não é suficientemente famoso ou importante para interferir com uma franquia que já tem vida própria . E que mais uma vez dá certo. 

      A cronologia excluindo os vídeo-games, é X-Men, o Filme, 2000;  X-Men2, 03;  X-Men, o Confronto Final ( 06);  X-Men Origens: Wolverine, 09;  X-Men, Primeira Classe , 11 e Wolverine Imortal, 13). No final da projeção deste filme tem um clip pequeno do que seria o próximo X Men: Apocalypse, 16). 

     O fato é que a turma toda esta de volta porque o filme começa com uma guerra selvagem que esta acontecendo  e esta liquidando os mutantes. Eles percebem que serão destruídos a não ser que tomem uma atitude radical. Mandam Wolverine de volta ao passado, mais exatamente aos anos setenta (o governo de Richard Nixon) para tentar impedir a ação de um cientista Dr. Bolivar Trask (Peter Dinklage, de  Game of Thrones) que conseguiu uma maneira de aprisionar Raven/Mystique (Jennifer Lawrence) e extrair seu DNA para construir um exercito de robots que serão justamente os guerreiros desse atual conflito. 

       Então a maior parte da ação vai se transcorrer justamente num momento em que esta terminando a Guerra do Vietnã e acontece a conferencia de Paz em Paris, nos bastidores do governo com várias surpresa e reviravoltas,  mas onde o maior obstáculo é justamente conseguir que os professores Magneto e Charles Xavier deixem de ser inimigos para se unirem na luta contra o mal em comum.

     Assim Wolverine encontrará o jovem Xavier (o bom e jovem James MacAvoy) e terá dificuldade de convencê-lo   a ajudá-lo.  Mesmo porque Erik também tem suas idéias próprias. 

      Não gosto de ficar relatando fatos do enredo, tirando o prazer de surpresas e neste filme sucedem varias delas, sempre com senso de humor e bons efeitos especiais (a luz do dia como em Capitão America II) chegando a uma conclusão bastante satisfatória. Embarquei no filme com bastante prazer, alguma surpresa, apreciei o elenco (fui dar uma olhada na coletiva de Patrick Stewart e James MacAvoy  e nenhum deles me decepcionou. James acho dos melhores atores jovens do momento e Patrick, é um respeitável senhor shakespereano). Alias o elenco todo é bom, unindo Jennifer Lawrence com o seu ainda namorado Hoult (A Besta), mesmo que ela use um maiô escondendo a nudez coisa que a atriz anterior não fazia! Outro acerto da Marvel! 

Ref fim.
     

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Godzilla

Godzilla (Idem) EUA, 14. Direção de Gareth Edwards. 123 min. Com Aaron Taylor Johnson, Elizabeth Olsen, Dave Callaham, Ken Watanabe, Bryan Cranston, Sally Hawkins, Juliette Binoche, David Strathaim.

     Faz tempo que não via um filme tão ruim, tão escuro, tão errado e equivocado quanto este novo Godzilla que faz a versão anterior de Matthew Broderick e Jean Reno parecer um grande divertimento. Foi produzido pela Legendary a firma que fez 300, Circulo de Fogo, Homem de Aço, a serie Se Beber não Case, Jack Caçador de Gigantes, Fúria de Titãs II, Sucker Punch, ou seja, já cometeu muitos crimes em sua existência. Mas nenhum tão chocante quanto este realizado por um novato de tudo britânico Gareth Edwards  (que tinha feito antes um certo Monsters, 2010, que nunca vi (era ficção científica sobre fim do mundo) que parece não ter noção de coisa  alguma. Não adianta chamar Juliette Binoche para matá-la depois de alguns minutos em cena, nem usar o ator do momento Bryan Cranston (um milagre  até ele parece perdido e não chega sequer a convencer mas não chega a estar tão ruim quanto o protagonista (em termos) do filme que é Aaron Taylor Johnson (Kick Ass, Anna Karenina) que parece ausente ou dopado, completamente fora do ar. Personagens aparecem e desaparecem sem deixar sua marca ou terem ao menos um diálogo mais sensato e que não seja explicando alguma coisa. 

     Realmente para transformar Godzilla, celebre monstro japonês em coadjuvante em seu próprio filme precisa ser muito desligado. Ele aparece praticamente no meio do filme e desta vez resolveram levar ele a sério, mal se vê seu rosto, os seus olhos, ou seja não tem expressão. Chegou a me parecer aqueles transformers de Noé, todo pedregoso. Pois é, a historia é uma confusão nada, querendo ir beber nas experiências atômicas americanas, que teriam despertados outros monstros que não sei por que  diabo são inimigos de Godzilla que passa a enfrentar eles (são um casal de um bicho esquisito radioativo que parece usar bengala e não tem cara!). Tenho que confessar que nunca fui fã deste dinossauro japonês da Toho que teve 28 diferentes produções (! )mas  me  divertiu ocasionalmente o fato de ser um homem de borracha que destruía maquetes de cidades, puro precursor do Trash e daqueles seriados tipo Jaspion e que tais. Eram ingênuos e tão mal feitos que por isso divertiam. Talvez seja justamente o maior erro da nova versão. É respeitosa com um Monstro feio e inexpressivo demais. 

       Mas aqui custo a encontrar palavras para descrever a abominação, começando pela falta de humor. Caindo depois na direção de arte, o design. Uma das razões porque curti tanto Capitão America 2 foi pelo fato de realizarem os efeitos especiais a plena luz do dia, quando a regra é sempre ter um fundo escuro e sombrio porque facilita muito o resultado.  Mas se aquele filme já chegou a esse ponto, este resulta feio,  grotesco, disparatado (lembra um pouco o que Guilheme del Toro fez com Circulo de Fogo). Custa a começar, as cenas de ação são fracas e confusas, o galã é um incompetente em todos os sentidos. Nem a destruição em massa impressiona. Sabe quando da vontade de se beliscar para ver é verdade? Não foi alucinação minha!! Realmente até agora o pior filme do ano. 

Ref fim .

terça-feira, 13 de maio de 2014

GODZILLA & OS MONSTROS DO CINEMA

GODZILLA & OS MONSTROS DO CINEMA
 POR ADILSON DE CARVALHO SANTOS 

        Desde tempos imemoriais, a crença em monstros faz parte do folclore de várias civilizações. Como a  figura do Kraken (uma espécie de lula gigante). Na época das grandes navegações, eram incontáveis os relatos de serpentes marinhas. Até hoje, turistas viajam a Escócia à procura de algum sinal do lendário monstro de Loch Ness. Por isso é lógica que a ideia de um animal de proporções colossais que destrói tudo por onde passa sempre foi explorada no cinema. 

         A estreia da nova versão de “Godzilla” chega no ano em que este completa exatos 60 anos. No filme original, um gigantesco lagarto pré-histórico cujo hálito pode cuspir fogo foi despertado pela ação de testes com armas nucleares que provocaram uma mutação em sua natureza jurássica. O rastro de destruição que acompanha seus passos acaba com Tóquio até que o sacrifício de um cientista põe um fim na marcha mortífera da criatura. Dirigido por Ishiro Honda, “Godzilla” representou para a terra do sol nascente um demônio a ser exorcizado: A radiação nuclear e a queda da bomba atômica em Hiroshima & Nagasaki eram como um flagelo incutido na memória coletiva do povo japonês e personificado na figura de Godzilla, ou no original “Gojira”, aglutinação de duas palavras nipônicas : Gorira (Gorila) e Kujira (baleia). O filme da Toho company chegou a ser indicado para melhor filme pela ‘Japanese Academy Awards’, mas perdeu o prêmio para “Os Sete Samurais” de Akira Kurosawa. Curiosamente, os efeitos especiais não receberam a mesma honraria, apesar da competência do técnico Eiji Tsuburaya, o mesmo que anos depois criaria o herói “Ultraman” para a TV. Tsuburaya se recusou a empregar a técnica de stop-motion (usada no clássico “King Kong”, por exemplo) e fez uso do que foi depois chamado de “suitmotion”, ou seja, um ator usa uma fantasia especial se movimentando com auxílio de aparatos mecânicos por um cenário de miniaturas e maquetes mescladas a cenas de multidão. A roupa de Godzilla pesava em torno de 90 kilos e o ator que a vestia, Haruo Nakajima, se movimentava com grande dificuldade pelos cenários, não conseguindo andar mais que 9 metros com a vestimenta.

            Em 1956, o mesmo Ishiro Honda dirigiu “Rodan, o Monstro do Espaço” (Sora no daikaju Radon) em que um pterosauro mutante aterroriza Tóquio. Primeiro filme japonês de monstro a cores, o pterosauro teve o nome modificado no ocidente, do original Radon (redução no Japão para puteranodon) para Rodan porque havia nos Estados Unidos um sabonete com o mesmo nome. Outra mudança na versão americana foi a voz do Professor Kashiwagi que foi redublado (embora sem ter sido creditado por isso) por George Takei, o Sr.Sulu de “Jornada nas estrelas”. Mudanças como esta se tornaram comuns para a ocidentalização dos monstros japoneses. Sendo assim, a mariposa gigante “Mosura” do filme de 1961 virou Mothra, a Deusa Selvagem”, novamente dirigida por Ishiro Honda, nesta altura já reconhecido em sua terra como um especialista em “Kaiju Eiga” ou “Daikaiju Eiga” como são chamados no Japão os filmes de monstros. Mothra foi o primeiro filme japonês de monstro em que a criatura surge não como um avatar do mal, mas com uma divindade idolatrada pelos habitantes da ilha Beiru, onde cientistas exploram a região e sequestram duas mulheres nativas, despertando assim a ira de Mothra que parte em seu resgate. Sua popularidade não demorou para que os produtores a colocassem em um mesmo filme que “Godzilla”. Não demoraria também para que além da Toho, outro estúdio se interessasse pelo gênero. Em 1965, os estúdios Daiei lançam “Gamera” , uma tartaruga gigantesca vinda do ártico para destruir Tóquio, último filme do gênero no Japão a ser filmado em preto e branco. O sucesso dele também seria seguido por uma série de outros filmes.           
  
                Alegorias da mente humana, defensores ou destruidores, essas criaturas ganharam imensa popularidade a medida que expurgavam os fantasmas da radiação atômica que atormentavam os japoneses. No ocidente a aparição dessas criaturas, bem como de alienígenas, espelhavam seus outros medos, mais adequados ao temor da guerra fria. Assim, os Estados Unidos tiveram o homem-peixe de “O Monstro da Lagoa Negra” (The Creature Of The Black Lagoon) de 1954, o gigantesco polvo de “O Monstro do Mar Revolto” (It Came From Beneath the Sea) de 1958, criado com a técnica de stop-motion do mestre Ray Harryhausen, a geleia disforme e devoradora de “A Bolha Assassina” (The Blob) de 1959 – tendo este revelado o talentoso Steve McQueen. A Inglaterra também embarcou no gênero e criou seu próprio lagarto gigante em “Gorgo” (1961) de Eugene Lourie, praticamente uma cópia britânica de “Godzilla” com Londres no lugar de Tokio. O mesmo diretor já havia filmado em 1953 “O Monstro do Mar” (The Beast from 20000 Fathoms) , baseado em uma história curta de Ray Bradbury, e que trazia a mesma premissa de Godzilla: a do monstro pré-histórico despertado por testes atômicos no Atlântico Norte e que vem a atacar a cidade de Nova York. Por ter sido feito um ano antes de Godzilla, muitos o consideram a inspiração para o filme de Ishiro Honda.

              O sucesso e a popularidade de Godzilla sempre foi superior a dos demais tendo retornado em diversas continuações e refilmagens em um total de 30 filmes, sendo que 7 deles tiveram a direção de Honda incluindo os curiosos “King Kong vs. Godzilla” (1962) , “Mothra vs. Godzilla” (1964), “Ghidrah, o Monstro Tricefálo” (1964) que também trazia Rodan, “A Guerra dos Monstros” (1965) e “Terror Contra Mechagodzilla” (1975). Com exceção do primeiro Godzilla de 1954, o lagartão com barbatanas dorsais e pele cinzenta e áspera que deu vida aos pesadelos dos japoneses deixou de ser seu algoz para ser defensor da humanidade nas sequências feitas, entrando em combate com outros monstros, e até com alienígenas, para salvar a Terra. Dessa forma, Godzilla tornou-se um fenômeno popular tanto no oriente quanto no ocidente onde foi americanizado com uma nova versão dois anos depois de seu lançamento original. O filme de Ishiro Honda foi remontado para lançamento internacional e com acréscimo de um novo personagem, o repórter Steve Martin (Raymond Burr) que é enviado ao Japão para cobrir o ataque de Godzilla. O processo que incluía dublagem das vozes originais se repetiu constantemente com Mothra e os demais filmes do gênero que ganhariam lançamento internacional.

             Mesmo que na década de 70 e 80, o gênero já estivesse desgastado na América; no Japão o rei dos monstros é recriado para uma nova geração em “The Return of Godzilla” (1984) , muito antes que o reboots se tornassem comum. Dirigido por Koji Hahimoto, esse filme recupera a figura da fera como vilão. O ator Akhiko Hirata, que no filme original interpretou o Dr. Serizawa, que cria a fórmula usada para matar Godzilla, foi quase incluído nesse novo filme, mas infelizmente um câncer de garganta o matou antes. O filme, contudo, não teve um impacto tão grande assim apesar de outros exemplares continuarem a ser feitos no Japão. Uma nova tentativa de  ocidentalizar o monstro foi feita em 1998 pelo diretor Rolland Emmerich, que havia realizado o blockbuster de sucesso “Independence Day”. Emmerich aceitou recriar “Godzilla” depois de garantir a liberdade de promover as mudanças que desejasse, incluindo no visual da criatura já que admitira na época nunca ter sido fã do personagem. Apesar do bom elenco que incluía Matthew Broderick e Jean Reno, o resultado foi insatisfatório com um roteiro que mais parecia um amálgama de toda a série “Jurassic Park”. A perseguição dos filhotes de Godzilla no estádio, por exemplo,  lembrava a perseguição dos velociraptores.  Embora em termos financeiros o filme não tenha sido ao contrário do que se pensou desastroso, não agradou ao público e muito menos a critica. As sequências de ação não empolgavam e abusavam demais do bom senso como Godzilla desfilando por entre os edifícios de Nova York , a perseguição na ponte suspensa ou a criatura cavando tuneis, todas extremamente exageradas para um animal de tais dimensões. A decepção com o resultado desestimulou os planos do estúdio para continuações. Em 2000, o Japão retomou o personagem ignorando o filme de Emmerich em “Godzilla 2000”, que teve lançamento internacional, mas não o impacto esperado. A fórmula do grande monstro, no entanto,  nunca se esgotou no cinema sendo ocasionalmente revisitada como J. J.Abraams em “Cloverfield” (2008) ou Guilhermo del Toro em “Círculo de Fogo” (2012). 

            A popularidade de Godzilla sempre foi diretamente proporcional, um ícone da cultura pop, que ganhou espaço em animações e Hqs. No imaginário popular, todos aprendemos a temer e a adorar o monstrengo, e por isso mesmo justifica-se sua alcunha de “Rei dos Monstros”.

A Recompensa

A Recompensa (Dom Hemingway) Inglaterra, 13. Direção e roteiro de Richard Shepard.  93min. Com Jude Law, Richard E. Grant, Demian Bichir, Kerry Condon, Emily Clarke (Game of Thrones).

     Aqui esta a melhor interpretação de toda a carreira de Jude Law,  que é sempre confiável mas era prejudicado por ser bonito demais (o que leva as  pessoas a não levarem a sério). Aos 41 anos, ele  não disfarça as entradas e esta gordinho no papel titulo, um ladrão, especialista em abrir cofres que passa 12 anos na cadeia recusando-se a revelar que foi seu chefe na expectativa de que no dia em que saísse seria recompensado com dinheiro. Pena que o filme tenha um final abrupto e caia de ritmo na segunda parte quando reencontra a filha e o neto (mulato). Ate que evita sentimentalismo mas não se compara com a brilhante primeira parte. 

      Isso talvez possa explicar o fracasso do seu lançamento nos EUA onde teve bilheteria insignificante  e Jude não teve qualquer indicação a premio como merecia. Quem duvidar que entre para ver os primeiros três minutos quando ele faz um monologo para a câmera, em altos brados fazendo o elogio da beleza e eficiência do seu órgão sexual, a quem compara a uma obra de arte de Picasso ou Renoir. Não posso dar mais detalhes mas é o começo de uma aventura muito bem humorada, quando ele reencontra um amigo (Grant) e vai ate um refugio que parece ser na França, onde vive o chefão (o mexicano Bichir) Mr. Fontaine. Bebe demais, fala demais, dá em cima da garota do patrão,e mas mais ou menos na metade do filme acontece um incidente que muda toda a situação. 

      Pena que essa parte final não tenha mais o ímpeto e originalidade deste roteiro muito inteligente feito pelo diretor americano Shepard (tem feito muito tevê recentemente com episódios de Girls, Salem, mas fez algo parecido com O Matador com Pierce Brosnan). De qualquer forma, vale a pena conferir. 

Ref fim  
     

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Praia do Futuro.

Praia do Futuro.  Brasil, 14. Direção de Karim Ainouz. 106 min. Roteiro de Karim e Felipe Bragança. Com Wagner Moura, Clemens Schick, Jesuita Barbosa, Savio Igor Ramos, Sophie Charlotte Conrad, Thomas Aquino.´

     Nem todo mundo sabe que Praia do Futuro fica no Ceará e existe mesmo, fica relativamente perto de Fortaleza e foi criada artificialmente (como o aterro do Rio) para ser um bairro elegante da cidade, com uma praia mais bonita (as melhores da região ficam muito distantes) embora hoje em dia tenham sido prejudicadas pela presença de favelas próximas e violência. E também pelo mar bravio, o que explica a necessária presença de salva vidas. (ou guarda vidas como costumam dizer no Nordeste). Disso tudo partiu a inspiração para o diretor cearense Karim (famoso por Madame Satã, nunca vi o outro longa dele muito elogiado, O Abismo Prateado) realizar este filme misturando também sua experiência na Alemanha (tem vivido em Berlim há  algum tempo).

      Foi uma decisão corajosa como ator e campeão de bilheteria do astro Wagner Moura aceitar este papel que foge aos anteriores. Vai causar alguma polemica mas também ajudar na luta contra a homofobia, já que há algumas cenas fortes (nada explicito porém sugestivas e como se sabe, as pessoas escondem mas são muito preconceituosas. Ate  os brasileiros). Ele faz um salva vidas Donato que trabalha ali na praia e logo no começo do filme tenta salvar um banhista estrangeiro que esta morrendo afogado. Apesar de lutar muito, a vitima esta em pânico e dificulta o resgate, acaba morrendo. Donato fica desolado assim como o companheiro dele, um alemão que fala português chamado Konrad (Schick, que esteve em filmes famosos como Circulo de Fogo, Cassino Royale, Largo Winch II, num total de 51 créditos).

       Pior ainda quando o corpo não aparece. Mas os dois iniciam uma relação sexual. O filme então dá um salto e os dois já estão na Alemanha, onde Donato luta conta o frio e uma sociedade diferente (não se aborda, porém questão de papéis ou emigração!). Experimentam viver juntos, mas há altos e baixos. O filme prossegue tão frio quanto a paisagem enquanto o diretor prefere perseguir personagens, evitar muitos diálogos ou explicações e estende seu gosto pelos planos fechados . Chega mesmo a ficar um pouco distanciado demais.

      Felizmente há um terceiro capitulo que começa sem explicações falando de um fantasma que fala alemão mostrando  um rapaz bem jovem que perambula pela cidade em busca do não se sabe o que. Mas há uma finalidade nisso e o curioso é que o próprio filme fica mais bonito, com imagens mais estéticas enquanto se caminha para uma solução interessante e humana (ainda que prolongada).  Sem duvida é um filme para publico de arte mas ainda assim me pareceu o mais acessível e bem resolvido do diretor. Mas que não terá recordes de publico. 

Ref fim.

Heli


Heli [México/França/Alemanha/Holanda, 2013] de Amat Escalante. Drama. Com Armando Espitia, Andrea Vergara, Linda González. 105 min.

    Não conhecia o diretor Escalante, de origem mexicana mas nascido na Espanha, a não ser pela sua polemica vitória como melhor diretor por este filme no Festival de Cannes. Muita gente achou exagero ainda mais se considerando que é um filme modesto, de poucas palavras, duro, frio, violento mas não em excesso. E que no fundo não conta nada de novo. 

     Heli é um rapaz que já tem um bebe com sua namorada e vive com a irmã mais novo,  Estela que tem 12 anos mas está apaixonada e fazendo sexo com r um jovem cadete. Só que ele desvia pacotes de drogas para que eles possam fugir e se casar. Por causa disso, todos serão vitimas da violência.

      Este foi o filme indicado pelo México para concorrer ao Oscar de produção estrangeira mas não emplacou. Acho que porque simplesmente não é excepcional e deve ter sido premiado apenas porque Spielberg nunca deve ter visto algo semelhante antes. Mas esse tipo de historia é já tradicional no cinema latino e em qualquer Festival. Novamente é aquele estilo de perseguir atores com a câmera, ou então entrar numa camionete e caminhar pelo deserto, entremeado de diferentes formas de violência (morte de cachorro, tortura com crianças jogando videogame, enforcamentos, tortura etc). Só que a realidade desta vez é ainda mais crua e cruel do que a ficção.

Ref fim.  

O Passado

O Passado (Le Passé) França, 13. Le Passé. Direção e roteiro de Agshar Farhadi.130 min. Com Bérénice Bejo, Tahar Rahim, Ali Mosaffa, Pauline Burlet, Sabrina Ouazani.

      Sempre achei o filme anterior do diretor iraniano super estimado, sem chegar a ser a obra-prima que todo mundo decantou e que levou o Oscar de filme estrangeiro. Mas sem duvida era forte, contundente, humano, e sem papo furado. O momento da verdade chega agora com este seu sexto longa que ele foi rodar sabiamente na França (já que a situação da censura no Irá esta de mal a pior). Se não chega a ter o mesmo impacto, ainda se sente uma mão segura por trás das situações (e chegou a dar a argentina Bérénice, a estrela de O Artista, o premio de melhor atriz em Cannes. E também o premio Ecumênico, uma indicação ao Globo de Ouro, ao César em 5 categorias (mas não levou nada). Foi indicado oficialmente pelo Irã para o Oscar estrangeiro mas não ficou entre os finalistas.  Ou seja não teve a consagração que se previa. 

     Não há duvida que mesmo sendo inferior ao anterior, O Passado sem trazer nada de novo (mesmo a protagonista esta especialmente brilhante) ainda interessa e prende a atenção. Quem iria fazer o papel central era Marion Cotillard, que teve que largar o filme por causa de compromissos anteriores com Ferrugem e Osso. Uma rodagem complicada porque o diretor não fala francês e teve que se comunicar com a equipe por interpretes assim como o ator central Ali Mosaffa (filho de famoso poeta iraniano, ele não é conhecido fora de seu país e aqui usa obviamente uma peruca! Já que é careca). O filme levou quatro meses em rodagem porque o diretor insistiu em dois meses de ensaio!!! Na verdade não faz grande diferença que tenha sido rodado na França, porque quase tudo ocorre em ambientes interiores dentre portas e janelas de um subúrbio pobre de Paris.

      Bérénic é Marie, que esta separada há quatro de Ahmad (Mosaffa) que vem do Irã para finalizar o divórcio deles. A principio ele é o observador tranquilo de tudo, principalmente de Marie com seu novo namorado, Samir (Rahim, que desde O Profeta virou um dos galãs favoritos da Europa) e os três filhos que vivem com eles. E como sempre são as crianças os maiores perdedores nesse tipo de conflito familiar. E vai se criando a tensão entre os dois homens. Samir cuida de uma lavandeira perto do farmácia onde trabalha Marie. Um dos filhos Fouad não é de Marie ex-de Samir que esta em coma há alguns meses. Ahmad é mais próxima de Lucie de 16 anos, que parece esconder algo. A critica elogiou muito o filme porque o roteiro vai aprofundando os fatos sem tomar partido. De fato, quem aprecia o gênero e os filmes orientais, é muito capaz de embarcar neste. 

Ref fim.