segunda-feira, 7 de julho de 2014

Vic + Flo Viram um Urso

Vic + Flo Viram um Urso (Vic + Flo ont vu um Ours). Canada, 13. Direção e roteiro de Denis Coté. 95 min. Pierrette Roubitaille, Romane Bohringer, Marc- André Grondin. Marie Brassard, Georges Molnar, Olivier Aubin, Pier luc Funk.

     Este foi o filme vencedor do Urso de Prata do Festival de Berlim do ano passado.O sexto filme de um roteirista, produtor e diretor Denis Côté (não conheço os anteriores) mas tudo indica que tem um estilo muito pessoal, com pouco diálogo, pouco humor, personagens solitários que se cruzam mas não interagem. Passa-se inteiramente numa região de florestas do Canadá, para onde vai uma mulher de meia idade, Victoria Champagne que chegou la e foi morar na casa de um homem que diz ser seu tio (todo mundo acredita no que ela diz e depois há uma participação de um policial misterioso, o talentoso Grodin de C.R.A.Z.Y, que também não ajuda em nada a decifrar o passado dos envolvidos. Esse tio esta muito doente, fica dormindo numa cadeira, sem poder falar e não demora ira morrer. Um rapaz que vive perto e se diverte fazendo voar brinquedos também nada esclarece.  Felizmente surge uma mulher aparentemente em visita, chamada Florence (só agora que me dei conta fazia tempo que não via Romana Bohringer, que passou em branco em Renoir, agora volta já madura, com uma aparência de grega. Que chama dramalhão! Chama e logo ele chega.

      Logo o filme surpreenda com uma sequência inesperada e muito cruel (que de certa forma relata ao titulo que de maneira nenhuma deve ser levada ao pé da letra).  Se por um lado tem um aspecto metafísico por outro dá uma visão pessimista do ser humano, bastante instigante..  Quase um conto de crianças perdidas na floresta, sem ser parecido com coisa alguma. Frio, clinico, perturbador.
Ref fim.

Transcendence- a Revolução

Transcendence- a Revolução (Transcendence).  EUA, 14. Direção de Wally Pfister. 119 min. Com Johnny Depp, Rebecca Hall, Paul Bettany , Morgan Freeman, Kate Mara, Cillian Murphy, Clifton Collins Jr, Cole Hauser, Lukas Haas.

      Este é o quarto fracasso seguido de Johnny Depp (após o decepcionante Sombras da Noite, Diário de um Jornalista Bêbado e o mega desastre O Cavaleiro Solitário) o que vem comprometer sua posição de astro que ganha 20 milhões por filme e se especializa em personagens bizarros. O que não lhe parece incomodar porque no momento tem pelo menos seis outros filmes grandes previstos (inclusive Into the Woods com Meryl Streep) e talvez mais um Piratas do Caribe. Aos 51 anos, não dá a impressão de que sua carreira esta abalada ( desastres já teve muitos antes, lembre de O turista). O resultado afeta muito mais o produtor Christopher Nolan (da série Cavaleiro das Trevas) que foi quem patrocinou a idéia de que seu diretor de fotografia de estimação iria dirigir ,  enquanto Nolan assumia o ainda mais ambicioso Interestelar (previsto para estrear aqui em novembro) com Matthew McConaughey, Anne Hahaway. O fotografo aqui será o suíço  Hoyte Van Hoytema que fez Ela e o Vencedor. O diretor deste filme aqui se chama Wally Pfister, é americano, e trabalha com Nolan desde seu primeiro êxito, Amnésia, passando por todos os seguintes. Nolan achou o projeto (da Lion´s gate) perfeito para sua estréia como realizador (e ambos continuam defendendo o uso de película em 35mm, agora ameaçada de acabar. Ele rejeitou inclusive  usá-lo como intermediário. Enfim, o filme custou 100 milhões de dólares e teve de bilheteria nos EUA  22 milhões e 55 no exterior. 

      A gente já adivinha que é filme de fotografo quando aos 3 minutos de projeção ele apresenta num jardim uma gota de água caindo em câmera lenta de uma folha! OK, sempre bonito mas que tem nada a ver com o resto. Johnny Depp surge com o cabelo revolto mas menos excêntrico que costume falando com sua mulher (Rebecca Hall, de Vicky Cristina Barcelona) num momento idílico. Logo depois já esta se organizando um atentado a vida do cientista Depp num grande auditório mas o suspense é mínimo. Falam em curar o planeta, acabar com doenças como câncer e Alzenheimer. E entra o Doutor Will Caster. 11 minutos explode uma bomba (dentro de bolo de chocolate!) e mata a equipe. Salva-se Morgan Freeman. E Will seria atingido por um matador anônimo a queima roupa de um grupo contra a evolução cientifica. De qualquer forma é bom ficar Sabendo desde já que o filme irá terminar com outra flor, uma girassol e outras contas d´aguas como fotografo gosta. 

      Falavam muito que era uma historia a la Frankenstein, um thriller futurista inquietante e provocador. Não o que eu assisti, que não passa da uma historia morna, sem graça, que Depp interpreta como se estivesse em coma alcoólico, absolutamente apático. Ele relativamente baixo não combina nada com esguia inglesa que faz sua companheira. Enquanto o assistente deles, Max (Paul Bettany) esta cada vez mais parecido com o José Wilker. Na confusão entra também uma equipe do FBI (liderada por outro protegido de Nolan, Cillian), o já mencionado amigo Freeman e naturalmente a vilã (a sinistra Kate Mara de House of Cards). O que podia ser interessante é que conseguem “upload” a consciência humana num sistema de internet de inteligência artificial de tal forma que ele poderia controlar tudo. Não é uma idéia nova mas certamente poderia ser melhor explorada e desenvolvida. O roteiro do filme é banal, e ao contrario do que tinha imaginado, de que o fracasso havia sido porque o filme era complicado demais, ele resulta banal, com a velha lição moral de cientista louco, que a principio vai dando certo, limpando as cidades de crimes, até desafiar certas regras morais. Mas nem pense que isso é interessante ou provocador. Há pouca ação e nem o visual é interessante. Chega mesmo a cair em clichês de Zombies e robots, que certamente deveriam ser mais empolgantes. Achei divertido o critico americano que disse que Depp sintetiza sua interpretação pelo Skype.  Pseudo- ficção cientifica de segunda categoria.

Ref fim.  

O Menino no Espelho

O Menino no Espelho. Brasil, 14. Direção de Guilherme Fiuza Zenha. Com Matheus Solano, Regiane Alves, Lino Facioli,  Ricardo Blat, Gisele Froes, Murilo Grossi, Laura Neiva, Murilo Querino.

       Quero confessar minha admiração pela obra do escritor  mineiro Fernando Sabino que eu acompanhei por toda sua longa carreira de excelente cronista, ocasional romancista e brilhante escritor juvenil. O cinema aproveitou duas vezes seu conto O Homem Nu, o suspense Faca de Dois Gumes (que foi crescendo com o tempo e a única vez que o entrevistei em Gramado!), o juvenil o Grande Mentecapto e agora o clássico 'O menino no espelho' que é mais outro bom filme nacional que tem infelicidade de estrear neste período de Copa e confusão. Uma pena porque é um filme mineiro, bem realizado, bem produzido e traz um menino brasileiro que já faz carreira internacional como ator. O garoto Lino Facioli, natural de Ribeirão Preto, é filho de diretores de arte ( melhor explicando o pai é animador, e artista gráfico, a mãe arquiteta e desenhista de jóias mas foi o garoto que teve a opção de ser ator)  que moram no exterior e já teve oportunidade de trabalhar no seriado Game of Thrones (e ainda deve retornar em breve), além de trabalhar também na comédia O Pior Trabalho do Mundo (10),  em Broken com Tim Roth (14), series de teve (The Armstrong and Miller show) e alguns curtas. 

        Primeiro longa dirigido por Fiúza, 'O menino no espelho' demorou sete anos para ficar pronto. A idéia da adaptação surgiu após o diretor desistir de outro roteiro com o qual já estava trabalhando há 7 meses, por conta de problemas com o contrato de exclusividade. O livro de Sabino lhe chegou às suas mãos por meio da ex-mulher que o presenteou. Trabalhou no roteiro ao lado do produtor André Carreira e do roteirista Di Moretti, já que na verdade ele é formado por contos fechados e foi preciso criar uma historia única, com começo meio e fim. A produção custou R$5 milhões e chamou para o papel do pai do menino, Mateus Solano, antes dele ficar famoso com a novela e Felix. Também não conseguiram licença para filmar em Belo Horizonte, e usaram como locações as cidades de Cataguases, Miraí e Leopoldina. 

       O resultado como disse é agradável e divertido, preenchendo um nicho raro no cinema brasileiro, o filme juvenil. Mas  nem por isso acho que ele seja descoberto por um publico distraído e confuso. 

      Lembro-me de que O Menino no Espalho me encantou tanto que imediatamente depois de ter terminado sua leitura eu a reiniciei.  Para semanas mais tarde, outra vez o li na certeza que era poético e difícil de capturar em  sua magia. 
Ref fim.

O Homem Duplicado

O Homem Duplicado (Enemy) Canada/EUA, 13. 90 min. Direção de Denis Villeneuve. Baseado em livro de José Saramago. Com Jake Gyllenhaal, Melanie Laurent, Sarah Gadon, Isabella Rossellini, Joshua Peace, Tim Post. Dist. Imagem.

     Imediatamente depois de ter feito o policial Os Suspeitos (13) com o mesmo ator Gyllenhaal, o diretor canadense que havia ficado famoso com o sucesso de Incêndios (10 ), realizou este modesto drama difícil de classificar, a não ser como um thriller na linha de David Lynch, só que baseado (não li o livro mas dizem ser vagamente baseado apenas) em livro do português José Saramago.Seu tem não é novo, na verdade é até banal na literatura, passando da mera aventura (tipo O Prisioneiro de Zenda e Ao Pé do Cadafalso) para outros mais complexos (lembro de Alain Dellon sendo perseguido por seu duplo em Historias Maravilhosas, de Louis Malle baseado em "Metzengerstein de Edgar Allan Poe e outros semelhantes, mas sempre esbarrando num mesmo obstáculo, são incapazes de dar uma explicação convincente ao final. Tem que sair pela tabela, como sucede alias aqui 1) enraivecendo os que não gostam deste tipo de solução 2) provocando delírios de alegria naqueles que gostam de discutir um final que o diretor não explica ou justifica. Na verdade, ele fez pior. Obrigou todos os atores a assinarem um termo de confidencialidade jurando que não sabem do que se trata a figura da aranha. 

      De qualquer forma, Jake com sua habitual inexpressividade faz papel duplo. Ele é um professor universitário de Historia (as vezes que aparece discute ditaduras do passado) que não gosta de cinema (isso já é o suficiente para me deixar contra o personagem) e que vive mediocremente com sua mulher (a loira Melanie Laurent, de Bastardos Inglórios). Ate ai tudo bem porque o mesmo sucede com a maior parte de nós. Até o dia em que um colega lhe indica um filme que ele pega num locadora e tem a surpresa de ver como figurante um sujeito que é a cara dele escrita. Ou seja um Doppelganger (a palavra alemã para o fenonemo e também titulo de um filme sobre o tema com Drew Barrymore, chamado aqui Enigma Mortal, 93). 

      Vai atrás do coitado que tem uma mulher grávida, uma vida igualmente medíocre, talvez ainda pior mas é arisco e agressivo. Eventualmente como bons machos trocam de fêmeas para experimentar. Falta explicar que no começo do filme por alguma razão há uma sequencia sombria onde um monte de homem, com cara de policial vai para uma sala ver prostitutas se exibirem fazendo sexo (masturbando-se ) e uma delas expõe uma aranha que fica prestes a matar (pisando em cima com salto alto e a aranha sai de um salva de prata) . Uma aranha gigante  aparece ao final sem maiores explicações (aranha por vezes é ligado ao sexo da mulher) embora alguns criticos relembrem que o filme começam com uma frase (o caos é a ordem mas que não foi decifrado!). Uma curiosidade: noutro momento o professor também sonha com uma mulher nua andando num corredor de cabeça para baixo! Alguns tentam explicar como o medo da rotina, que vai destruindo sua vida. Mas o final é tão aberto que fica difícil decifrá-lo. Pode se perguntar se Adam e Anthony são a mesma pessoa? Nunca são vistos juntos diante de uma terceira pessoa. E suas esposas se parecem muito. Poderia ser um sujeito cansado de sua vida que inventa uma outra. Metade do filme poderia ser um sonho com um homem vivendo um sonho e criando uma falsa realidade que o ajuda a suportar sua vida deprimente e repetitiva. Outra analise diz que as aranhas representam as mulheres e que os dois sujeitos tem uma fraqueza por mulheres, o que os tornaria menos dominante. 

      E o filme ganhou 5 premios Genie (para provar que critico adora tudo que não entende). Foram melhores foto, direção, montagem, trilha e atriz (Gadon). Ganhou também o Festival do cinema fantástico de Stiges, na Espanha.  
ref fim.      

Jogo das Decapitações

Jogo das Decapitações. Brasil, 13. Direção de Sergio Bianchi. Com Fernando Alves Pinto, Clarisse Abujamra, Silvio Guindane, Maria Manoella, Maria Alice Vergueiro, Sergio Mamberti, Paulo Cesar Pereio, Renato Borghi, Anna Carbatti,Antonio Petrin, Magali Bif, Camila Bevilacqua e Patricio Bisso.

     Mais um filme nacional vitima da atual  síndrome de Decapitação poderíamos ate chamar, ou seja, lançar filmes brasileiros nas poucas vagar surgidas com a Copa do Mundo e a vontade de não lançar blockbusters (que perderiam seu poder de bilheteria). O excesso de títulos justamente disputando uns aos outros no pior momento ao menos deste ano para exibir um filme nacional. Isso é triste mas são as regras do jogo e reclamar não vai mudar coisa alguma. Enquanto isso este mais recente trabalho do polemico e brilhante Sergio Bianchi, corre o risco de nem ofender os seus algozes, nem mexer nas feridas, ou sequer atrair os que como eu ainda se divertem e aplaudem sua incansável luta (não perfeita, claro, mas ao menos ainda reclama, denuncia, resmunga, as vezes ate xinga). De tal forma, que este talvez seja o filme mais mal formato dele nos últimos anos, episódico , confuso, cheio de idéias interessantes que vão se perdendo pelo caminho. Sem a merecia conclusão. 

      O fato dele afirmar que ate o próprio Sergio esta confuso com o caos atual não ajuda muito o fato de que seu protagonista, Leandro, o normalmente confiável Fernando Alves Pinto, ganhou um personagem confuso, que balança entre diversas posições, que não se resolve como ser humano (deixa-se claro ser homossexual mas não se assume, nem em armário. Sua perplexidade varia entre a figura da mãe – a ótima Clarisse Abujamra que finalmente parece ter sido descoberta pelo cinema faz Marilia, a mãe dele,envolvidas em Ongs e Partidos não muito claros, que continua a sustentá-lo enquanto ele tenta fazer seu pós-graduação e entender porque seu pai Jairo já falecido (Pereio e em fotos mais antigos, o filho dele) chegou a ser preso, passeou por tantas posições, que agora não fazem mais sentido. Só que na verdade Sergio acena com varias malesas de nosso tempo: assaltos a esmo, justiça pelas próprias mãos, a própria situação da mãe que briga por receber dinheiro por ter sido presa.E assim por diante. Ajudando também num canal de teve (mostrado de forma muito pouco realista) ao menos deixar o amigo negro tentar se exprimir (cabe ao veterano Silvio Guindane, ótimo ator infantil ter sua melhor interpretação dos últimos tempos como o amigo Rafael).

       Mesmo o humor constante  na obra de Sergio desta vez fica num segundo plano. A idéia central é a busca de um filme que Jairo teria feito (para isso foi usado um dos primeiros trabalhos do próprio Sergio, Maldita Coincidência, 79, que dá uma visão interessante da época). Mas mesmo o filme mostrado em parte ao final também não revela nada de novo ou acrescenta aos fatos. Talvez a situação atual esteja realmente tão caótica e confusa que o próprio diretor nem soube rir ou criticá-la com mais sabedoria!

Ref fim

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Kirikou Os Homens e as Mulheres

Kirikou Os Homens e as Mulheres.   França,12. Kirikou et les Hommes et les Femmes. 88 min. Direção de Michel Ocelot. Vozes originais de Romann Berrux, Awa Sene Sarr.

    As cores ficaram mais vivas, a animação mais natural, mas pouca coisa mudou felizmente na obra do francês Ocelot, que encontrou uma adorável fonte de inspiração nas historias inspiradas basicamente na África (e de vez em quando Oriente Médio). Embora não seja para crianças unicamente (e é muito simpático se observar  as mulheres negras com os seios a morte e o pequeno herói sem esconder seu órgão sexual). Tudo muito natural e lógico.

     Este longa já é terceiro filme com o garoto Kirikou que já esteve as voltas com uma Feiticeira e os animais e agora vai aprender em 5 historias, um pouco mais sobre a vida, convivendo mais de perto com uma vizinha da aldeia que perdeu sua casa pouco antes da temporada de chuva. A mãe do menino  recebe a vizinha em casa mas esta age como dona do lugar, vai falar com a feiticeira e complica tudo. Depois acompanha um velho numa noite na savana. E assim por diante. Talvez para alguns esse tipo de animação, tão natural seja um gosto adquirido, seja preciso se acostumar ao estilo e descobrir que o menos muitas vezes é mais.

Ref fim.     

A Face do Mal

A Face do Mal (Haunt). EUA, 13. 86 min.  Direção de Max Carter. Com Jackie Weaver, Liana Liberato, Harrison Gilbertson, Ione Skye. Briam Wimmer, Ella Harris, Danielle Chucran,  Aline Andrade.

   Não espere nenhuma novidade deste filme B de Terror, feito por um estreante cuja melhor idéia foi chamar a já veterana atriz australiana Jackie Weaver (indicada ao Oscar por Reino Animal  em 2011 e logo a seguir O Lado Bom Vida. Não há duvida que ela é convincente e carismática mesmo num papel que seria secundário não tivesse ela a incumbência de narrar a parte final da historia e tentar lhe dar alguma lógica ou sentido. Mas não muito. 

     Esta é outra variação de historia de casa mal assombrada no meio do mato e de uma família que vem morar ali. Embora tenha uma filha dez anos (mais ou menos isso) de idade, uma bonita filha mais velha, pai e mãe, estes praticamente não influenciam nem interferem muito na trama e menos ainda na possessão. Começa com um senhor morrendo ao ouvir vozes gravadas do além, que chamam algum espírito que ataca e mata essa figura. Logo a família se muda para a casa e surge uma adolescente muito bonitinha (a encantadora  Liana Liberato de Ligados pelo Amor, Reféns, Confiar) que logo seduz Evan, o garoto de 18 anos (Harrison Gilbertson, de Need for Speed). Não demora dormem juntos o que não provoca grandes reações da família mas ajuda a garota a ser atormentada e possuída não se sabe muito bem porque já que o filme além de não desenvolver direito os personagens, deixa muita coisa no ar. A trilha faz questão de enfatizar cada detalhe e para ser justo ate tem um momento em que provocou alguma reação de surpresa. Mas fora o domínio de cena de Jackie e a juventude de Liana é difícil encontrar maiores qualidades.

Ref fim.

UMA JUIZA SEM JUIZO

UMA JUIZA SEM JUIZO (9 Mois Ferme) França, 13. Direção de Albert Dupontel. Com Sandrine Kiberlain, Albert Dupontel, Nicolas Marié, Phillipe Uchan, Philippe Dusquene, Bouli Laners, Yolande Moreau. Aparições de Gaspar Noé, Terry Gilliam. 82 gmin

     Só pela sequência inicial já dá para sentir que não é um filme qualquer mas uma direção muito criativa e sensível, que vai nos conduzindo sem corte numa festa de réveillon numa palácio de justiça Frances, onde a farra é total. Regada a champanha.  Seguimos uma balão de gás que sai dali e antes de subir aos céus identifica a heroína, a tal juíza Ariane (Sandrine Kiberlain) que mesmo numa hora dessas esta ainda trabalhando. E começa assim a historia desta mulher super solitária, super rigorosa, muito sozinha, que é forçada a descer ate a festa.  Onde toma algumas taças a mais. Só seis meses depois é que ela vai ver o estrago se descobrindo grávida! Mas não tem a menor idéia de quem seja o pai. Vai atrás de gravações feitas pela cidade naquela noite e aos poucos descobre sua trajetória. Ela estava com prostitutas quando apareceu um sujeito e os dois tiveram um lance rápido. Sem poder imaginar que esse sujeito é um perigoso criminoso Bob Nolan que agora esta sendo procura por assassinato (o papel é feito pelo mesmo Albert Dupontel que é o diretor e também autor do script original. Voces o conhecem de filmes como Irreversível e Eterno Amor e este já é seu quinto longa-metragem). Mais que isso é acusado de ter engolido os olhos da vitima! ( prestem atenção que no noticiário da teve aparece o diretor Terry Gilliam e o ator Jean Dujardin! Certamente amigos ajudando... ). Depois que tive a boa surpresa de descobrir que eles foram indicados para o Cesar recente como ator, montagem, filme, direção e ganharam o de atriz e roteiro!  

      Não que a historia  não seja altamente previsível (a juíza vai tentar ajudar o pai da criança no processo!) mas os personagens são engraçados (em particular os colegas dela de trabalho). Enquanto Sandrine faz o mínimo possível, provando que não é preciso fazer caretas para ser engraçada. Os que já viram o trabalho do diretor dizem que há cenas do gênero que ele gosta, momentos de gore (sanguinolentos), politicamente incorretos (como o velho na cadeira rolante se cortando todo), voyeurismo, um pouco de romance. E como em outros filmes explora a relação entre pais e filhos, de amor e ódio Com um resultado que se não chega a ser excepcional, é bem divertido.

Ref fim.

Amor sem Fim

Amor sem Fim (Endless Love)EUA, 14. Direção de Shana Feste. Com Gabriella Wilde, Alex Pettyfer, Bruce Greenwood, Joely Richardson, Robert Patrick, Rhys Wakefield .103 min.

     Em 1981, o diretor italiano Franco Zeffirelli que havia ficado famoso nos Estados Unidos por sua bonita e acessível versão de Romeu e Julieta, resolveu adaptar um romance de Scott Spencer (Amor maior que a Vida), que se tornou um enorme fracasso apesar das criticas negativas. Por várias razões, a maior delas sendo uma canção tema Endless Love, que chegou a ser indicada ao Oscar e foi outro êxito espetacular (interpretada por Lionel Richie mas se bem me lembro Diana Ross também a gravou). Na época também já existia o premio Framboesa e por isso foi indicada como pior filme, pior atriz (Brooke Shields), coadj (Shirley Knight), ator novato (Martin Hewitt), roteiro e direção. Mas como sucede com freqüência não estavam certos. O publico jovem adorou o filme que ainda considera o filme um clássico, dentre outras razoes porque marcou a estréia de duas futuras estrelas , James Spader (fazendo o irmão dela) e o muito jovem Tom Cruise (numa ponta marcante que o ajudou na carreira). O único que não deu muito certo foi Martin Hewitt, que venceu 5 mil candidatos a protagonista. Mesmo assim fez alguns outros filmes ate se aposentar e abrir um negocio de inspecionar casas para segurança e para venda. 

     Mas na verdade, Hewitt tinha algo ameaçador (era meio gordinho e tinha a cara de pobre que o personagem exigia). E Brooke era a ninfeta do excelência da época, tendo feita uma prostituta vendida em bordel em Pretty Baby e apareceu seminua em Lagoa Azul.  Na verdade, tudo no original era melhor. Para aceitar esta refilmagem é preciso aceitar que um par de adolescentes se apaixone instantaneamente e ache que o amor dele é sem fim !(embora ambos aparentemente bem mais idade,o que estraga já a proposta do filme!).  Tem que achar que os pais são falsos, fingem querer proteger os filhos mas no fundo seriam idiotas. Tem também ter dois pesos, duas medidas. Os pais pobres são boa gente e virtuosos e os ricos só porque tem grana automaticamente são vilões.

    O filme começa na formatura com a heroína Jade escorregando quando recebe o diploma (o que não tem maior conseqüência!).Ela nunca deu bola para a escola porque perdeu o irmão mais velho de câncer dois anos antes e ainda não se conformou. Mas tem um colega pobre mas loiro e pretensioso apaixonado por ela (o insuportável Alex Pettyfer, que é inglês e já estragou A Fera, Eu Sou o Numero Quatro e ate o indestrutível Magic Mike). Os dois se encontram numa festa na casa dela e tudo já explode numa paixão enorme. No original eles são mais novos (15 e 17) e o rapaz é realmente dado a atos de violência.  Ou seja, apesar dos pesares a paixão sem limites realmente fazia mais sentido, era mais perigosa. De qualquer forma, o filme é tão sem sentido que a gente começa anotando as besteiras : cenas de sexo sem paixão e banais, ficando-se mais em closes, os pais são parecidos demais, o incêndio e depois a conversão são realmente espantosos. Registramos que é dirigido por uma mulher Shana Feste que fez o musical country Onde o Amor está.
Ref fim.

Versos de um Crime

Versos de um Crime (Kill Your Darlings) EUA/Ingl, 13. Direção de John Krokidas. 104min. Roteiro de Austin Bunn e Krokidas. Com Daniel Radcliffe (como Allen Ginsberg), Dane DeHaan ( como Lucien Carr), Michael C. Hall , Jack Huston (como Jack Kerouac), Ben Foster (William Burroughs), David Cross, Jennifer Jason Leigh, Elizabeth Olsen,John Cullum.

     Não é fácil se livrar de um personagem que o tornou famoso. Vejam o que sofreu o coitado do Sean Connery para se livrar da pecha de James Bond e agora o Daniel Radcliffe com Harry Potter.  Este chegou mesmo a ficar pelado em cena (Equus) na Broadway e depois fez um musical Como Vencer na vida sem fazer Força (que eu ate vi e gostei). Mas é evidente que procura sua identidade como ator, limitado por seu tipo físico, pequenino e não exatamente um galã. Geralmente o que os agentes indicam é que escolha personagens diferentes e se possível homossexual (já repararam como homem ganha sempre premio ao fazer gay e mulher fazendo prostituta!). Daí sua presença neste thriller intelectual que procura mostrar a vida sexual e antes da fama de alguns escritores notórios da Geração Beat (ou Beatnik).

    Feito por um diretor estreante intelectualizado formado em Yale,tem uma  historia curiosa . Radcliffe fez teste e foi escolhido para fazer o personagem de Allen Ginsberg antes de rodar os dois últimos filmes da serie Potter. Mas acontece que não conseguiram dinheiro e o filme foi adiado. Ao retomá-lo mudaram parte do elenco (que tinha antes Chris Evans, Jesse Eisenberg e Bem Whishaw). Nos EUA não rendeu mais de um milhão de dólares mas conseguiu prêmios na Europa (Cork, Indicado ao Bafa e concorreu em Sundance e também para o premio Gotham (independente de Nova York).  

     Quem já ouviu falar em Allen Ginsberg como um dos poetas mais queridos da America, tem sua imagem como uma figura gorda, benevolente, ou como o chamavam o Buda da Contracultura.  Vai se surpreender de vê-lo na figura de Daniel, quando justamente esta começando carreira na faculdade de Columbia, em Nova York, onde se envolve com um grupo de rebeldes intelectuais. Ele veio de Nova Jersey e durante a guerra (1944) saiu de casa, usa óculos e  roupas formais (pode ser que lembre mesmo Harry!). Seu pai é poeta razoavelmente conhecido e a mãe uma figura instável). Mas os críticos notaram que Allen/Radcliffe é mais um observador do que um seus colegas mais brilhantes e instáveis. Entre eles esta Ben Foster, como outro futuro escritor William Burroughs (Naked Lunch), que veio de família rica, estudou em Harvard mas se interessa mesmo por drogas e pornografia. Jack Kerouac (On the Road) vivido pelo neto de John Huston, Jack é um ex-esportista que esta com uma garota (irmã das gêmeas Olsen, Elizabeth). Todos estão ali para permitir ao diretor retratar a Genesis do movimento Beat, se bem que a figura mais marcante seja a menos famosa, Lucien (vivido por Dane, agora famoso como o novo Goblin de Homem Aranha) que é um provocador, anárquico e que mantém uma relação complicada como um homem mais (Michael C. Hall, o Dexter), que escreve seus trabalhos de escola em troca de sexo. Que desbanca para a violência e a tragédia.

    Acho que para quem conhece os personagens e sua obra ainda que por cima, o resumo já parece bem atraente e curioso. Ainda mais porque o episódio relatado era ate muito pouco tempo secreto e não divulgado. Porque tem uma historia policial, de crime digamos, mas com ênfase no lado gay e na poesia, em como as duas se unem e ate complementam. De uma certa maneira, também uma denuncia contra a repressão em todas as suas formas.
Ref fim.    

Meninos de Kichute

Meninos de Kichute (Brasil, 09-14) Direção de Luca Amberg. Com Arlette Salles, Viviene Pasmanter, Werner Schunemann, Lucas Alexandre, Paulo Cesar Pereio, Mario Bortolotto.

    Na semana da Copa, tem tudo para ser ignorado e esquecido este encantador e divertido filme que de certa maneira é sobre futebol.  E que segundo o IMDB foi feito em 2009 e deve ter passado esse tempo todo esperando oportunidade. Uma tristeza que mais gente não possa ter acesso, até pelas circunstancias peculiares da distribuição nacional.

     Conhecia o diretor Luca de seu filme anterior, de 1998, Caminho dos Sonhos, que era baseado em livro do grande Moacyr Scliar, tinha os americanos Elliot Gould e Talia Shire e os jovens brasileiros Tais Araujo e Caio Blat. Era interessante, anti racista mas irregular. De la para cá deu um enorme passo ao realizar esta historia passada nos anos 70 no interior do Brasil, numa dessas cidadezinhas muito parecidas. É a historia de uma família pobre, em que o pai crente é um pintor de paredes que tem três filhos e uma mulher paciente. O mais velho deles, ganha um par do tênis kichute que estava na moda na época e era perfeito para se jogar futebol. Apesar da oposição do pai, ele vai jogar com os amigos e aos poucos vai revelando talento. Mas esse não é bem o tema do filme como pode parecer. É mais um rito de passagem do garoto que vai ficando adolescente e contempla os absurdos do pai (Werner esta num de seus melhores momentos). Na verdade, o elenco esta ótimo. Arlete toca sanfona de peruca escura quase irreconhecível mas muito amável. Os garotos estão todos espontâneos e humanos.  E achei o filme dos mais simpáticos e bons de ver dos últimos tempos. Lamento só que poucos terão tempo de o descobrir. 
Ref fim.

The Normal Heart

The Normal Heart (em cartaz no canal HBO). EUA, 14. Direção de Ryan Murphy. Roteiro de Larry Kramer baseado em peça de sua autoria. 132 min. Com Mark Ruffallo, Jonathan Groff, Frank De Julio, Julia Roberts, Taylor Kitsch, Stephen Spinella, Joe Mantello, BD Wong, Jim Parsons, Matt Bomer, Corey Stoll.  

     Nunca assisti a peça original que Larry Kramer tentou durante anos transpor para o cinema como o mais sério e imparcial registro já realizado sobre a tragédia do chamado Câncer Gay, uma doença que a partir de 1981 se espalhou entre a comunidade gay de Nova York e que o governo norte-americano recusou reconhecer ou tomar providencias a respeito. E a própria comunidade gay custou a se organizar e se assumir. É o que eventualmente seria batizada de HIV/Aids.  De qualquer forma, já é um testemunho da condição do atual cinema mundial e da auto-censura, quando  a televisão,  no caso a HBO, é a melhor produtora de telefilmes e séries, que conseguiu realizá-la com toda a dignidade e sem fazer qualquer concessão. E estamos diante de um fato que precisa ser reconhecido: as series de teve são hoje melhores (ao menos em média) do que os filmes que passam nos cinemas. 

    De qualquer forma, The Normal Heart não é um filme fácil.  Já houve outros igualmente meritórios (da própria HBO, E a vida Continua/And the Band Played On, 93 e Meu Querido Companheiro/Long  Time Companion, 89). Ambos tem bastante semelhança com este filme, a diferença esta no texto autobiográfico  de Kramer, feito com precisão cirúrgica. E realmente fica muito difícil não se emocionar o filme inteiro  com alguns momentos  que ressoam oportunos e ate chocantes. É difícil não pensar nos amigos e colegas que perdemos também aqui no Brasil.  O protagonista é Mark Ruffalo (como Ned Weeks), um judeu com dinheiro que tem que cuidar do companheiro jornalista (Matt Bomer, de White Collar, especialmente convincente) que esta morrendo da doença, ate o filme do filme misteriosa. E Ned,  limpa sua sujeira, da banho de chuveiro nele e aguarda a morte, impotente, quando estar com alguém era a única coisa que sonhou na vida. Jim Parsons, de Big Bang Theory, como Tommy, é que no enterro do companheiro chega a conclusão de que “Eles não gostam mesmo da gente” .

    Cada um dos personagens é muito bem construído. Ruffalo talvez seja o único dos protagonistas  a demonstrar em gestos sua identidade sexual. Claro que sem a exuberância dos personagens de telenovela brasileira. Mas é justamente isso que torna tão forte quando ele é o primeiro a tentar organizar (mesmo com relutância) a comunidade e procurar encontrar alguma solução para a crise. Tenta fazer alguma coisa, quebrar a barreira de silencio. Mas os próprios companheiros, cegos e surdos, daquele tipo que não quer ver, se voltam contra ele.  O Rejeitam e o derrubam do cargo na organização. Este me parece o maior mérito do filme. Claro que o maior culpado aparece nos letreiros finais: o presidente Ronald Reagan que fechou os olhos para tudo e se negou ferrenhamente a dar fundos para a Pesquisa. Mas a comunidade também teve sua culpa, antes de tudo por não ter coragem de se negar a promiscuidade, de assumir publicamente sua luta e nisso incluindo os que viviam no armário e não tiveram coragem de ajudar os companheiros que estavam morrendo estupidamente.

    Isso para mim é  a coragem maior de um filme que não se furta de ter algumas cenas mais explicitas na parte inicial (para ilustrar a festa , no caso em Fire Island) preparando o caminho para a descida no inferno. Co-produzido por Brad Pitt, Ruffalo e o diretor Ryan Murphy (da serie Glee e Comer, Rezar, Amar), sendo que foi esse filme que possibilitou o encontro com Julia Roberts, que tem seu momento mais intenso e dramático talvez em toda sua carreira em algumas poucas cenas, como Dr. Emma, que parece a única sensata lutando contra uma burocracia implacável. Julia tem dois grandes momentos: a explosão de fúria, com o burocrata e o pequeno momento de ternura com Ned (porque ela foi vitima de pólio e anda em cadeira de rodas).

     Não era um filme fácil de escalar elenco e o resultado me pareceu perfeito. Até mesmo com atores que tem fracassado sucessivamente como Taylor Kitsch, que faz esquecer as bobagens de John Carter de Marte, e esta perfeitamente aloirado e vaidoso, como Bruce Niles, fraco demais para se assumir. E foge do final feliz. Conclui mesmo antes de acontecer Rock Hudson, Elizabeth Taylor e a midiatização da doença. Que hoje já parece tão distante que já acontece a estupidez de esquecê-la e ignorar sua existência. As indicações aos Emmys acontecem agora dia 10 deste mês. The Normal Heart deve ser o provável vencedor. 
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Bonequinha de Luxo

Bonequinha de Luxo Breakfast at Tiffany´s. Widescreen 1.78. 114 min. Cor. 1961.EUA. Paramount. Livre. Diretor: Blake Edwards (1922-2010). Elenco: Audrey Hepburn (1929-1993), George Peppard (1928-1994), Patricia Neal (1926-2010), Mickey Rooney (1920-2014), Jose Luis de Villalonga, Buddy Ebsen, John McGiver, Martin Balsam.

Sinopse: Um aspirante a escritor muda para um prédio em Nova York, pago por sua amante casada e rica e fica amigo da vizinha Holly Golightly, uma garota excêntrica, call girl, que sonha em conseguir um marido rico.

Comentários: Não se podemos chamá-lo exatamente um grande filme, ou sequer um clássico. Mas é sem duvida, um filme Cult, um dos maiores momentos da carreira de Audrey Hepburn, que junto com Marilyn Monroe são os dois ícones dos anos cinqüenta que continuam a ser cultuados (em particular Audrey, que continua na moda por ter sido a primeira das estrelas com corpo de modelo, ditando as regras que ate hoje é seguidas em termos de elegância, classe e magreza!). O filme em particular é um dos mais marcantes ao retratar a cidade de Nova York (há grande numero de locações inclusive na sequencia de abertura quando um táxi deixa Holly /Audrey diante da vitrine da joalheria Tiffany´s onde ela toma seu café da manhã (um croissant) olhando as jóias (o que a câmera não mostra são as centenas de curiosos que observavam tudo aquilo e inibiram Audrey). Hoje um ritual para qualquer fã de cinema que se preze repetir quando em visita a cidade. Fica na esquina da Quinta Avenida com a rua 57. O apartamento da heroína fica em 167 East rua 71 e há cenas também nessa mesma rua entre Lexington e Terceira Avenida).

 Pouca gente se deu conta que este foi o filme que deu uma virada na carreira do diretor Blake Edwards (1922-2010, deixou viúva sua musa Julie Andrews), que antes tinha feito apenas comédias menores (apesar do sucesso de Anáguas a Bordo com Cary Grant) e que a partir de aqui se tornou um dos mestres do humor visual com a série Pantera Cor de Rosa e um Convidado Bem Trapalhão. Blake também prosseguiu aqui uma parceria com um dos compositores e maestros mais populares do cinema, Henry Mancini (1924-2004), que ele conhecia desde que este fez para ele o tema da serie de teve Peter Gunn. Trabalhariam juntos inúmeras vezes (além da Pantera, Days of Wine and Roses/Vicio Maldito, a Corrida do Século, o musical Victor ou Vitória? Etc). Aqui Mancini foi o único a ganhar os Oscars pelo filme, como trilha musical e com canção Moon River, que ele compôs especialmente para a voz afinada mas pequena de Audrey porque a musica é numa única oitava (varias pessoas contam nos extras como o chefe da Paramount na época quis tirar a canção porque achavam que o filme estava longo e reza a lenda que Audrey teria dito, Só se for por cima do meu cadáver/Over my dead Body!. De qualquer forma, a canção é repetida com freqüência na trilha musical (já teve mais de 500 gravações) e se tornou um standard. O filme foi indicado  ainda para o Oscar de melhor roteiro para George Axelrod (1922-2003), mais famoso como o criador de O Pecado Mora ao Lado de Billy Wilder e mais roteiros ( Em Busca de um Homem com Jayne Mansfield, Abaixo o Divórcio com Judy Holliday, Sob o Domínio do Mal com Frank Sinatra, Nunca fui Santa com Marilyn Monroe ,Como Matar sua Esposa com Virna Lisi, Quando Paris Alucina também com Audrey).Também foi indicado como Direção de arte e atriz (Audrey, que tinha já ganho por A Princesa e o Plebeu, 54, seu primeiro papel central, foi indicada também no ano seguinte por Sabrina, Uma Cruz a beira do Abismo, 60, Um Clarão nas trevas, 67 e teve ainda um premio póstumo, o Humanitário  Jean Hersholt (o filho Sean Ferrer que o recebeu mas o premio foi votado antes de sua morte). 

    Hoje já faz parte da lenda o relacionamento entre Audrey e seu amigo figurinista Hubert de Givenchy que ela tornou famoso. Contam que uma vez ela que entrou em sua loja e ele pensou que foi outra Hepburn, a Katharine. Chegaram a um acordo e ele lhe emprestou algumas roupas para o filme Sabrina (a figurinista da produção Edith Head não identificou o que era dela, o que era de Givenchy mas hoje todos conseguem diferenciar). Aqui em Bonequinha ela só usa roupas dele- inclusive repetindo vestidos e acessórios –e todas elas se tornaram icônicas.(Afinal Holly não era rica e não poderia mudar de vestido toda hora).  Realmente é uma parceria perfeita e nunca vista antes ou depois.

     O filme, porém esta longe de ser perfeito. Seu defeito mais evidente ainda hoje em dia é a presença do já veterano Mickey Rooney fazendo maquiado o papel do vizinho japonês. É uma caricatura exagerada e por vezes ofensiva (ele parece dentuço, de óculos, patético). Embora fosse verdade que havia uma tradição de colocar atores ocidentais maquiados isso podia ser aceitável nos anos 40 mas não naquele momento (há um bônus aqui chamado “Sr. Yomioshi” onde se discute o caso, onde vários representantes dos atores orientais se queixam disso e o próprio Edwards comenta que na época ele não teve qualquer reclamação mas que se pudesse mudar alguma coisa no filme agora, seria justamente isso). 

     O autor Truman Capote que escreveu a novela (romance curto) original nunca aceitou Audrey no papel de Holly (ele preferia Marilyn Monroe, mas a “coach” dramática dela, Paula Strasberg era contra ela fazer outro papel de prostituta). Capote considerava completamente Audrey errada para o personagem. Mas a verdade é que na adaptação ela deixou de ser uma prostituta, garota de programa para virar uma mulher livre que vive de aprontos e gorjetas, precursora de hippie. Isso também é explicado porque o livro se passa nos anos 40 (43) e o filme já é no começo dos anos 60. Muita coisa já havia mudado. Também no livro Fred seria homossexual e Holly bissexual (nada a ver aqui). O fato é que Audrey criou um personagem de maluquinha, excêntrica, de forma muito pessoal e encantadora, que consegue convencer. Não fala palavrões, não faz aborto como no livro. É uma garota de bom coração (veja como ela trata o ex-marido feito por Buddy Ebsen de A Familia Buscapé) que faz algum dinheiro por fora  dando recados, melhor dizendo “previsões do tempo” para um traficante que está na cadeia. Também o fato do herói ser gigolô é tratado com tal discrição que é visível a intenção do diretor em fazer uma comédia romântica, sobre Nova York.

   O texto original foi publicado em 1958 numa edição chamada justamente Breakfast at Tiffany´s (e também na revista Esquire). Várias amigas do autor afirmaram depois terem sido inspiração para o personagem (Carol Matthau, o pintora Bee Dabney , Anky Larrabee, a colunista Doris Lilly). Os direitos para o cinema foram vendidos por 650 mil dólares para os produtores Martin Jurow e Richard Shepherd. E apesar das reclamações a adaptação é muito mais fiel ao livro do que se podia pensar até em detalhes (por exemplo, Audrey canta Moon River com os cabelos enrolados secando, como Capote dizia que Holly fazia).

   O outro defeito do filme nem é mencionado no exterior porque americano não entende nada do Brasil mesmo. Mas para a gente fica meio irritante. É profundamente chato se ver o ator espanhol (José Luis de ) Villalonga (aparece só assim nos créditos, na verdade, era um grã- fino que fingia de vez em quando ser ator, a partir de Os Amantes de Louis Malle. Mas esteve também em muitos filmes como Julieta dos Espiritos de Fellini, Darling e Cléo de Cinco a Sete de Agnés Varda). Ele interpreta (muito mal) um milionário brasileiro chamado José de (sic) Silva Pereira! Quando ela está aprendendo a língua, Holly/Audrey ouve discos em português –uma língua que segundo ela diz teria “4 mil verbos irregulares”, só que de Portugal e chega a falar (mal)uma frase inteira em português (Eu acho que você está gostando do açougueiro!). Sem esquecer um pôster da Bahia na parede e uma cabeça de boi! Isso porque ela tenta se casar com ele e se mudar para a sua fazenda no Brasil! Só que a família dele é tão respeitável que depois de um escândalo não poderiam aceitá-la!!!

   Quem resiste bem a uma revisão é a figura de George Peppard (em papel que Steve McQueen não pode interpretar porque estava em serie de teve), que faz o interesse romântico, o vizinho que se apaixona por ela (que é aspirante a escritor e que é sustentado por uma mulher rica feito pela ilustre Patricia Neal, vencedora do Oscar por O Indomado de 63). Ele esta bonitão e sincero, dali em diante virou astro mas sua carreira foi destruída pelo alcoolismo. Patricia Neal reclamava que o ator que ela conhecia antes do Actor´s Studio estava insuportável nas filmagens e que o sucesso lhe tinha subido a cabeça. Audrey também teve problemas com ele mas os dois ficaram amigos até sua morte.  

   Em 1966, houve uma tentativa frustrada de transformá-la em musical da Broadway com Mary Tyler Moore e Richard  Chamberlain. Nem conseguiu estrear. Reclama Capote: “o livro original era meio amargo, o filme acabou virando uma declaração de amor à nova York, tornando tudo superficial e bonitinho onde era para ser  rico e feio”.Em 2013, teve outra versão mal sucedida com  Emily Clarke (Game of Thrones) e Cory Michael Smith. Massacrado pela critica ficou em cartaz por 38 performances e 17 previews. Em 2009, em Londres houve ainda uma versão igualmente fracassada com Anna Friel.  

     A conclusão é que a gente gosta de certos filmes apesar deles terem defeitos tão óbvios. Por isso mesmo que viram cults e não clássicos. Naturalmente um filme desses é cercado de lendas e informações contraditórias. Falam que Kim Novak e Jean Seberg foram consideradas para ser Holly. Dizem que o diretor John  Frankenheimer teria sido contratado para fazer o filme mas que teria sido rejeitado por Audrey, que nunca tinha ouvido falar nele (ela ganhou pelo filme um salário recorde para aépoca: 750 mil dólares). O filme faz um incrível merchandising do Tiffany´s  que abriu suas portas num domingo pela primeira vez desde o século XIX para as filmagens da cena em que ela e Peppard visitam o lugar. Reparem em outros detalhes: o sofá de Holly na verdade é uma banheira cortada pela metade! Audrey afirmava que a cena onde ela expulsa o Gato na chuva foi a mais desagradável de toda sua carreira (na verdade, foram utilizados nove gatos diferentes durante o filme). Nunca se explica porque Holly esta usando um lençol na cena da festa (foi cortada a cena anterior em que ela estava num banho e teve que improvisar um vestido). Alias essa cena da festa é das mais famosas do filme porque nela Blake Edwards conseguiu exercitar seu talento para a comédia e construção de gags (na cena tem outro futuro vencedor do Oscar Martin Balsam). Deve-se muito a Audrey,  o encanto do filme,  à facilidade com que assume o personagem (até com algumas frescuras que ela não se permitia em outras fitas). Embora não convença muito a única cena com o vendedor na joalheria porque ninguém é assim tão atencioso em Nova York, o filme tem dezenas de detalhes memoráveis, desde o gato que não tem nome (depois importantíssimo ao final), a idéia do “mean reds” (algo tão depressivo que seria pior do que os “blues”), os closes de Audrey (que parecem terem sido todos feitos com uma gaze suavizando seus traços) , a eficiente e bem datada trilha musical. Tudo isso mais do que suficiente para torná-lo uma Cult  inesquecível, que algumas bobagens não conseguem estragar. 
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Clássicos do Cinema

Clássicos do Cinema no Itaú e Cinemark  no mês de junho!

Taxi Driver ( Taxi Driver, EUA, 1976). Direção de Martin Scorsese. Cor. 113 min. Columbia. Roteiro de Paul Schrader. Fotografia de Michael Chapman. Música de Bernard Hermann. Com Robert De Niro, Jodie Foster, Harvey Keitel, Cybill Shepherd, Peter Boyle, Albert Brooks, Martin Scorsese,  Leonard Harris. 

Sinopse: Um ex-soldado do Vietnã que sofre de insônia e aceita dirigir um táxi durante a noite. Se encanta com uma garota que trabalha no comitê de um candidato e faz tudo para conquistá-la. Pensa em matar o político mas sua tensão é transferida para um político de 12 anos explorada por um traficante sem escrúpulos. Com um verdadeiro arsenal de armas, Travis resolve partir para um assassinato. Raspa a cabeça como um índio Moicano e vai salvar a garota.

Bastidores: Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, foi indicado aos Oscars de Filme, Trilha Musical, Ator e Atriz Coadjuvante (Jodie Foster tinha na época 14 anos e interpreta uma prostituta infantil). As cenas de sexo dela, foram dubladas por sua irmã de 20 anos, Connie. O autor Schrader, afirma ter se inspirado num quase assassino Arthur Bremer. Foi a última trilha de Bernard Hermann (Cidadão Kane) , que faleceu no dia seguinte após a gravação. Quinze anos depois, um psicopata, John W. Hinckley, assistiu este filme e querendo impressionar Jodie, então com 20 anos, fez como o personagem e tentou matar o presidente Ronald Reagan. Para se preparar para o personagem, De Niro emagreceu alguns quilos e dirigiu um táxi de verdade por Nova Iorque. Sua então mulher Diahnne Abbott faz ponta numa cena de cinema pornô. Em 1999, o roteirista Schrader e o diretor Scorsese se reuniram e fizeram um filme parecido porém mal sucedido Vivendo no Limite (Bring out the Dead), sobre um motorista de ambulância em Nova Iorque. No filme, De Niro tem a frase mais famosa de sua carreira, improvisada e com problemas de som (ruídos de rua) quando treina com um revolver diante do espelho dizendo: “Você está olhando para mim?”. 

Crítica: O tempo foi generoso com Taxi Driver, que não perdeu seu impacto e é ainda o melhor filme de Scorsese. Desde sua estréia, era um retrato de grande força da solidão e neurose de uma grande cidade. Na definição do roteirista, o herói Travis, é uma visão norte-americana, do personagem existencial Sartre, à maneira de Náusea, só que não tem noção de seu conflito existencial e seu instinto de destruição é dirigido para o exterior. Os americanos que decidem morrer, em vez de cometerem Harakiri, vão para rua e matam alguém, seu desejo de autodestruição é desvirtuado. A história foi motivada por uma canção chamada Taxi, de Harry Chapin, e no fato de Bremer ter tentado matar o governador George Wallace, unindo esses dois fios da meada, foi criado o personagem de Travis. Todo o filme alterna-se entre um clima onírico da paisagem da cidade noturna, românico com a loira Cybill, para explodir numa seqüência extremamente violenta. Há ainda uma reviravolta irônica, só para mostrar a moral da história: Entre herói e criminoso, há uma linha muito tênue e perdidos na multidão, uma grande quantidade de assassinos em potencial. Além da trilha típica de filme noir, da revelação de Jodie e de um momento glorioso de De Niro, o filme trás Scorsese como um passageiro que fala em matar a esposa (ele também pode ser visto como si mesmo numa cena de rua). Conclui o roteirista: “O filme parece ser realista, mas na verdade passa-se dentro da cabeça do herói, por isso o título sem o artigo definido e a conclusão poética e inesperada”. 

Pulp Fiction-Tempo de Violencia (Pulp Fiction) EUA, 1994. Miramax /Disney. 154 min.Direção de Quentin Tarantino. Roteiro dele e Roger Avery . Fotografia de Andrzej Sekula. Direção de arte de David Wasco. Montagem de Sally Menke.  Produção de Danny De Vito. Com John Travolta, Samuel L. Jackson, Uma Thurman, Bruce Willis,  Harvey Keitel, Tim Roth, Amanda Plummer, Maria de Medeiros, Ving Rhames, Eric Stoltz, Rosana Arquette, Christopher Walken, Tarantino, Frank Whaley. 

Sinopse: Vários personagens se cruzam em Los Angeles, numa narrativa- não linear, em quatro tramas centrais: dois capangas em missão de resgate, um casal que faz um assalto, uma garota que quase morre de overdose de drogas, um especialista que limpa vestígios de assassinato, uma maleta misteriosa e um lutador que tem que fugir quando recusa entregar uma luta.

Bastidores: Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes e do Oscar de roteiro original (foi indicado também como diretor, ator para Travolta, montagem, ator coadjuvante para Jackson). Consagração do diretor mais influente da década, Tarantino que sempre admitiu que foi influenciado por outras fitas, principalmente de Hong Kong (como City on Fire/Perigo Extremo) e acabou provocando uma explosão do cinema independente americano e centenas de imitações. O próprio Tarantino entrou em crise, desenterrando roteiros antigos e mais fracos, insistindo em trabalhar como ator e realizando só outro filmes ó em 1997 (Jackie Brown, 1997). Não custou porém a recompor sua carreira voltando a ter sucesso (Outro Oscar de roteiro em 2013, por Django Livre, indicações também por roteiro e direção por Bastardos Inglórios, 10).  Pulp  provocou um ressurgimento na carreira de John Travolta, que andava por baixo e ajudou todo o elenco (alguns como Rhames viraram astros). Pulp Fiction são aqueles livros baratos com histórias policiais, muito em modas nos anos cinquenta. 

   Critica: Sem dúvida, foi o filme da década de noventa. Apenas o segundo longa-metragem de um jovem, ex- atendente de locadora, que de tanto ver filmes, acabou escrevendo roteiros, dirigindo uma primeira fita violenta e promissora (Cães de Aluguel/Reservoir Dogs ,1992). Mas nada fazia prever semelhante explosão e sucesso (o filme passaria os cem milhões  de dólares em renda nos EUA) e também as sucessivas imitações de estilo e gênero que até hoje continuasse a sentir nas fitas independentes não só americanas.  Mas quem esteve como eu na sua primeira sessão de estréia, em Cannes, pode relatar o choque que o filme produziu com suas inovações e situações inusitadas. Começando pela narrativa sem cronologia. Só na metade  que você vai perceber que está vendo o fim e não o começo e finalmente as peças do quebra-cabeça começam a se ajustar. Mas principalmente nos personagens amorais , que tem senso de humor mas se comportam de maneira extremamente curiosa. Os mais marcantes são os dois capangas que trabalham para um gangster, Travolta e Jackson, que tem que resgatar um rapaz que foi sequestrado . Depois de escaparem miraculosamente de um fuzilamento (que faz um deles se converter religioso), matam acidentalmente o rapaz resgatado (o revolver dispara no carro e provoca a maior sujeira, de tal maneira que tem que chamar um sujeito que é especialista nesse tipo de coisa, um personagem que Tarantino sem dúvida copiou um curta-metragem que tinha assistido). Outras cenas são igualmente bizarras, como o  estupro do gangster negrão por sado-masoquista , a jovem que praticamente morre de overdose mas precisa ser ressuscitada. O fato é a violência nunca havia sido tratada de tal maneira, com um elenco tão brilhante (todos acertam) e com o tom certo, meio satírico, meio afetuoso, um pouco “noir”, muito contemporâneo. Pouco importa  que certas idéias tenham sido emprestadas de fontes alheias, o que vale é que o resultado é muito pessoal, diferente, cheio de surpresas e choques. Uma explosão de talento.

Laranja Mecânica  (A  Clockwork Orange ) Drama.  Widescreen. 136 min. Cor. 1971. EUA. Warner. 18 anos. R.Diretor e roteirista: Stanley Kubrick. Baseado em Livro de Anthony Burgess. Elenco: Malcolm McDowell, Michael Bates, Patrick Magee, Adrienne Corri, Warren Clark, Anthony Sharp.

Sinopse: Num futuro próximo, na Inglaterra, num mundo desolado e violento, gangs de jovens gangsters atacam, estupram e matam . Um deles é treinado pelo governo para   ficar condicionado num tratamento de lavagem cerebral que lhe traz repulsa à violência.

Comentários: É uma boa Idea relançar nos cinemas brasileiros este clássico do mestre Stanley Kubrick (1929-99). Até porque , embora nunca tenha sido oficialmente proibido pela censura brasileira (que aconselhava a produtora Warner apenas a não apresentar oficialmente o filme para sua avaliação), só estreou no Brasil em setembro de 1978, assim mesmo com uma cópia que havia sido feita para o Japão, com bolinhas negras para cobrir os pêlos pubianos e outros lugares estratégicos. Mas representantes pessoais de Kubrick checaram a cópia e aprovaram as legendas. O jovem Malcolm McDowell havia sido revelado pouco antes em If de Lindsay Anderson  e foi idéia dele usar “Cantando na Chuva” numa cena–chave da fita. Quem prestar atenção verá uma citação de outro filme de Kubrick, “2001”(a capa do disco numa loja). Foi indicado ao Oscar de melhor filme, roteiro e direção. Não ganhou nenhum (ate porque a Academia não gostava do diretor). A dificuldade começa pelo título que nunca é explicado. Parece que o autor Burgess (que escreveu o roteiro de Jesus de Nazaré de Zeffirelli e criou a linguagem para o filme A Guerra do Fogo) se  inspirou numa velha expressão “cockney” (inglês popular de Londres), que dizia “ fulano é doido como uma laranja de corda”. Mais tarde, numa viagem pela Malásia, onde “orang” quer dizer “humano”, lhe deu a idéia de fazer anagramas (“orang”- “organ”-“organizar”) chegando à uma conclusão linguística: ou seja, o ser humano, quando organizado pelo poder dominante vira uma laranja mecânica. Por isso, também o livro e o filme utilizam vocabulário próprio. Segundo Kubrick, o filme poderia ser interpretado de três maneiras:

a) como uma sátira social sobre o emprego de condicionamento psicológico;
b)     como um conto de fadas sobre a Justiça e o Castigo;
c)     como um mito psicológico, “uma história construída em torno da verdade fundamental da natureza humana”.

  A sátira sobre o condicionamento parece clara no filme, mostrando que a sociedade se baseia no poder e nas mentiras. Tanto da Direita, quanto da Esquerda e em conseqüência, um homem  condicionado a ser bom em todas as circunstancias seria completamente vulnerável. Diz Kubrick: “Temos   uma civilização altamente complexa, que requer uma autoridade política e uma estrutura social igualmente complexa. A idéia de destruir a autoridade para surgir a bondade natural do homem é um critério utópico e “falacioso”. Todos os nossos esforços vão parar em mãos de desonestos, já que a culpa reside na natureza imperfeita do Homem mesmo”.

    Assim Laranja é basicamente uma parábola sobre a manipulação do Homem pelo Estado. Conta a história de Alex (Malcolm McDowell), um jovem revoltado, precursor da moda punk, interessado na chamada “ultraviolência”, sexo e Beethoven, que é escolhido para uma experiência de condicionamento, uma verdadeira lavagem cerebral que o torna refratário à violência, fazendo-o vomitar cada vez que se defronta com um ato violento. O tratamento é sucesso embora por engano Alex tenha ficado também condicionado contra Beethoven cuja música servia de fundo para um dos documentários usados em sua cura. E logo o herói se torna vítima da manipulação política dos Partidos, completamente indefeso é levado ao suicídio pela Oposição e depois utilizado pela Situação novamente. O que o filme está querendo mostrar é que no fundo todos nós somos laranjas mecânicas, estamos sendo submetidos à lavagens cerebrais continuas que nos condicionam e governam, às vezes, de forma subliminar a ponto de não tomarmos conhecimento delas. Às vezes de maneiras mais óbvias, através da solicitações da sociedade de consumo. O filme é um brado de alerta e conscientização contra isso mas talvez tenha errado numa questão de dose. Ao pedir que nos identifiquemos com um herói como Alex, desordeiro e irresponsável. A tendência do espectador é ficar a favor do governo, achando que eles fazem muito bem em transformá-lo num “bom cidadão”. Sem perceber a terrível violação dos Direitos Humanos, a violência cometida contra a individualidade que acontece todos os dias sem que nos demos conta. Assim todo comportamento anti-social,  os artistas, os gênios, todos aqueles que fogem da chamada “normalidade” seriam também condicionados  da mesma maneira. Esse perigo existe porque Alex é um vilão simpático e não é fácil concordar com um diretor frio como Kubrick, que o apresenta como “o homem natural, no estado que veio ao mundo, sem freios ou repressões. Quando recebe o tratamento de Ludovico, pode se afirmar que este simboliza a neurose, criada pelos conflitos entre as restrições impostas por nossa sociedade e nossa natureza primitiva. Por essa razão, ficamos felizes quando Alex se cura”. Será mesmo que todos se alegram? Alguns nem chegam a entender direito a dimensão da cura de Alex. Essa ambigüidade é um dos problemas do filme que provocou as opiniões mais desencontradas em toda a parte. Certas pessoas se horrorizam com sua violência mas na verdade ela é estilizada, mostrada quase como uma balé, ou “Pop-Art”. Nunca de forma literal, aliás a trilha musical é extraordinária, com obras de Elgar, Purcell, Puccini e naturalmente Beethoven que dá ao filme muito de sua atmosfera.Tecnicamente o filme abusa um pouco de grandes angulares, lentes deformantes. Mas tem um extraordinário poder hipnótico. Na enigmática cena vitoriana final, há a busca de uma qualidade ideal, procurada por Kubrick. Diz ele “A Laranja se comunica num nível subconsciente e o público reage diante da configuração básica da história, como se fosse um sonho. E discutem o sentido da cena final. Como os outros sonhos mostravam assassinato, dor e morte, a erótica cena final sugere que de alguma maneira, a mente de Alex se transformou e se apaziguou”.  Enquanto o livro de Burgess é uma amarga sátira aos paradoxos do livre arbítrio, o filme continua  a provocar discussões. Afinal, temos que defender os que não gostam dele. Se não corremos o risco de todos nós acabarmos virando “laranjas mecânicas”.

Os Embalos de Sábado a Noite (Saturday Night Fever) EUA, 1977. 118 min. Paramount. Direção de John Badham. Roteiro de Norman Wexler (Serpico, Jogo Bruto) baseado em artigo de revista de Nik Cohn.  Com John Travolta, Karen Lynn Gorney, Barry Miller, Joseph Call, Donna Pescow, Julia Bovasso, Sam Coppola, Fran Drescher. 

Sinopse: Tony Manero tem 19 anos , nasceu e vive no Brooklyn e todos os sabados a noite vai numa discoteca do bairro, onde ele é o rei do lugar, marcando com seu estilo particular de dançar discoteca. Mas fora dali, sua vida não é feliz. Briga muito com o pai e compete com o irmão mais velho que é padre! Também não lhe dá satisfação o emprego num loja de tintas. As coisas começam a mudar quando ele observa Stephanie na disco e passa a treinar para o concurso do clube. Os sonhos dela de atravessar a ponte de morar em Manhattan irão influenciá-lo e no filme seguinte, a continuação Os Embalos de Sábado Continuam (Staying Alive, 83, dirigido por Sylvester Stallone)ele já esta tentando ser bailarino profissional na Broadway. .

     Produzido pelo produtor de discos Robert Sitgwood com a finalidade de promover uma trilha musical original composta pelo grupo inglês The Bee Gees (Berry, Maurice e Robin Gibb) – e absurdamente nunca foi indicada ao Oscar de trilha e muito menos ainda de canção (só Travolta teve indicação para o Oscar como ator mas no Globo de Ouro indicaram a canção How Deep is Your Love, mais ator, filme musical, trilha). Da para sentir como foi mal recebido pela critica este drama (que nem bem musical é, as vozes são off e nem Travolta canta). O Variety fez uma critica destruindo o filme que curiosamente foi descoberto pelo publico que o transformou em imenso sucesso de bilheteria por todo o mundo, transformando Travolta em astro e ídolo (Grease estreou logo depois!). Sua maneira de vestir, de andar, de dançar principalmente foi copiado em todo o mundo coincidindo com o auge da moda das discotecas. É Estranho notar que ele é basicamente um drama até social, apresentando as condições de vidas dos jovens no bairro nova-iorquino  do Brooklyn (o mais frustrante é descobrir que na sequencia dos letreiros que mostra um rapaz andando pelas ruas, de uma maneira particular, na verdade foi feito por um dublê já que Travolta naquele dia estava ocupado com outra coisa e nem apareceu por lá. Ou seja, ficou famoso por engano, por enganar onde não está!  Outro detalhe curioso: ninguém além de Travolta ficou famoso por causa do filme (a única figura que depois ficou  conhecida é Fran Drescher, mesmo assim como A Nanny do sitcom). 

     O roteirista do filme Wexler (1926-99) era bipolar e chegou a ser preso por querer matar o presidente americano. Pouca gente ficou sabendo que seu artigo para a revista Saturday Evening Post  não era baseado em fatos como dizia mas uma completa invenção!  Foi o primeiro filme americano a usar a expressão “blow job”. Algumas cenas foram improvisadas e ficaram no filme, Donna pensou que os rapazes haviam caído da ponte de verdade, e seu grito foi autentico, Travolta quando apanha no cabelo e reclama também.A irmã de Travolta Ann aparece como uma pizza lady e a mãe Helen é para quem ele arranja a pintura (ela morreria no ano seguinte). Este foi dos primeiros filmes a utilizar a famosa Steadicam. O disco com a  trilha musical vendeu mais de 20 milhões de cópias.  Na época Travolta (que já era famoso poorque participava de uma serie de teve de sucesso, Wellcome Home Kotter) estava em crise, porque sua namorada Diana Hyland estava morrendo de câncer (e a filmagem teve que ser interrompida para poder ir ao funeral). O filme é cheio de palavrões e na época teve censura R (proibida para menores). O diretor de Rocky, o lutador John Avildsen largou o projeto para ser substituído por Badham  (Jogos de Guerra). O titulo original seria Tribal Rites of the New Saturday Night”.  Grease foi também produzido pelo mesmo australiano Stigwood (que fez ainda Evita, Gallipoli, Tommy, Jesus Christ Superstar, O Fã Obsessão Cega). 

Grease, nos Tempos da Brilhantina (Grease) EUA. 78. Universal. Widescreen 2.35:1 110 min. Cor. 1978. EUA. Paramount. Livre. 28 , 29 de junho e 2 de julho, Cinemark. Diretor: Randal Kleiser. Elenco: John Travolta, Olivia Newton-John, Stockard Channing, Eve Arden, Frankie Avalon, Joan Blondell, Eddie Byrnes, Sid Caesar, Alice Ghostley, Jeff Conaway, Lorenzo Lamas, Didi Conn, Christopher McDonald, Michael Biehn.

Sinopse: Nos anos 50, numa escola secundária, um casal de namorados pertence a turmas diferentes. Por isso não podem se encontrar. 

Comentários: Adaptação para o cinema de um show musical que chegou a ter o recorde de apresentações na Broadway. Travolta vinha do sucesso de “Os Embalos de Sábado a Noite”, e marcou a estréia no cinema da cantora australiana Olivia Newton-John. Os dois voltariam a trabalhar juntos no fracasso de 1983, “Embalos a Dois” (Two of a Kind). Trás participações especiais de vários astros do passado, inclusive Frankie Valli cantando a música título. Em 1982, houve uma continuação desastrosa, “Grease 2 – Os Tempos da Brilhantina Continuam”, com a então novata Michele Pfeiffer e Maxwell Caufield, dirigida por Patrícia Birch. Este primeiro foi indicado ao Oscar de Canção original  “Hopelessly Devoted to You”. Detesto estragar a alegria dos outros mas apesar deste filme ter fãs devotos que tem saudades dos tempos de Travolta e Olivia, “Grease” é mal dirigido, tem muito pouco a ver com o show original da Broadway e traz os adolescentes mais velhos do cinema, todos beirando a faixa dos trinta anos. Quando a fita foi realizada, o show já estava sete anos em cartaz (desde então viaja o mundo e os EUA em diversas montagens em 2002 até no Brasil!). Foi produzido como veículo para a moda Travolta, ou seja, a nostalgia dos anos 50, ficou subordinada ao duvidoso talento do astro. Embora ele tenha melhorado muito nos anos 90, na época, cantava com voz esganiçada, dançava mal e lembrava mais Jerry Lewis do que um galã. O filme também não tem um roteiro digno desse nome. É uma sucessão de sketches satíricos mostrando os costumes da década sobre um enfoque moderno. O diretor Kleiser é o mesmo que realizou o telefilme com Travolta – “O Rapaz Embalado em Plástico” (antes disso havia sido coadjuvante na Broadway) . Sua inexperiência desculpa a falta de imaginação nos números musicais, a inadequação dos atores e a falta de ritmo e vibração da história. Não há desenvolvimento de personagens ou aprofundamento do romance central. O filme é construído em seqüências estanques, onde nem sempre conseguem estragar as idéias. Há um prólogo divertido ao som de “Love, is a Many Splendored Thing”, os letreiros de apresentação com animação, as participações nostálgicas de Joan Blondell (estrela dos anos 30 fazendo uma garçonete, a extraordinária Eve Arden, como diretora da escola dando uma aula de “timing” de comédia) e até do cantor Frankie Avalon que parece ter sido conservado em formol. Travolta tem uma entrada de estrela, mas parece tão confuso quanto os outros na sucessão de cenas que imitam os filmes “B” da época: concursos de dança, namoro em lanchonetes, corridas de calhambeques e romances em “drive-ins”. As melhores canções são satíricas, mas a coreografia deixa saudades do tempo em que os astros sabiam realmente dançar. Edição vem com entrevistas retrospectivas com o elenco e equipe e trailer de cinema.
Ref fim
 

Palavra de Mulher

Palavra de Mulher

     Este não é o primeiro nem será o ultimo show com canções de Chico Buarque, enfocando o mundo pelo ponto de vista das mulheres . Não vi todos, nem mesmo o recente de Claudio  Botelho e Charles Moeller. Mas ate agora este aqui é meu favorito, o que mais me tocou e impressionou. Fiquei emocionado com o trabalho que o diretor Fernando Cardoso foi desenhando e polindo no decorrer de alguns anos. Na verdade, sou testemunha do amor que Fernando tem pelas mulheres, muitas das quais ele empresaria com Roberto Monteiro no Mesa 2 (prova disso foi o carinho com quem cuidou de Cleyde Yaconis, um de seus pupilas).  O sonho dele no fundo sempre foi dirigir shows musicais, mas acho que é neste aqui onde chega ao domínio total de seus recursos. 

     Dizia que Fernando ama as mulheres mas em particular as três com quem trabalha ha muito tempo e  tem uma paixão pelas três, cada um a sua maneira (por exemplo, escreveu a biografia de Tania Alves para a Coleção Aplauso). Ama e conhece e sabe extrair de cada uma o que elas podem oferecer de melhor em cena. Pra começar as três em incrível domínio de cena. Tania é sempre atriz, petulante, atrevida, cínica e sensual. É do trio a que sabe fazer melhor numero de platéia. Teatro de revista. Lucinha Lins envelheceu como ninguém, cada vez mais linda, mais querida, mais amada. Nesta altura da vida já assumida e resumida, é uma deusa. E pronto. Agora para mim a maior surpresa foi Virginia Rosa, que já tinha visto cantar mas aqui me impressionou de uma maneira incrível. Que voz bonita, que originalidade. E por que diabos ela não é considerada como deveria uma das maiores cantoras deste Brasil? Falha a ser corrigida urgentemente.

     É bonito também que as três se dão muito bem em cena, que as inúmeras canções não sempre são as mais obvias  (a minha geração é fã de Chico e as considera lindas, mantenho minha opinião!) e estão apresentadas de maneira harmoniosa e ...(procurava algum adjetivo algo que retratasse o que eu sinto. Mas prefiro descrever o prazer que foi ver tanto talento em cena, que me agarrou pela garganta, mexeu no estomago e por vezes me fez chegar as lagrimas). Nem sempre sou suscetível ao prazer que tive ao assistir Palavra de Mulher. Por isso que eu gostaria de dividir com vocês o encanto que esta três Divas me proporcionaram.   
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LOVE STORY

LOVE STORY NO CINEMA – 
Por ADILSON DE CARVALHO SANTOS   

      Apaixonados separados pela tragédia, pelo acaso ou pela mera incompatibilidade. Um acidente, por exemplo, separa um casal apaixonado como Cary Grant & Deborah Kerr em “Tarde Demais para Esquecer” (An Affair to Remember) de 1957 ou em tempos mais recentes Rachel McAddams & Channing Tatum em “Para Sempre” (The Vow) de 2011. Melodramas têm seu público fiel, embora considerado essencialmente feminino dado seu caráter sentimental acentuado em enredos chamados pejorativamente de “água com açúcar”. Com a estreia de “A Culpa é das Estrelas” (The Fault in Our Stars) e – em breve – a refilmagem de “Amor sem Fim” (Endless Love) próximo ao dia dos namorados, as telas podem transbordar de lágrimas, bem apropriado para a data e para que lembremos que há muito mais no cinema que apenas blockbusters. Filmes menos pretensiosos, voltados para as relações humanas sempre tiveram espaço, maior ou menor, nas telas. Relembremos alguns deles:


      Se uma canção marcante é essencial para o alcance de um romance, então “Nosso Amor de Ontem” (The Way We Were) de 1973 merece figurar primeiro em nossa lista. A música de Marvin Hamlich, que dá título ao filme,  foi escolhida como 8ª entre as 100 melhores canções do cinema pelo AFI (American Film Institute), e Oscar de melhor canção na voz de Barbra Streisand , intérprete de Katie Morosky, ativista no período do pós guerra que encontra Hubbel Gardner (Redford), um antigo amor dos tempos de universidade e aspirante a escritor que tenta achar seu lugar ao sol como roteirista em Hollywood. Um dos primeiros filmes a retratar a caçada McCarthista, o filme fala da dificuldade de conciliar ideologias opostas que fazem amantes trocarem os sorrisos pelas lágrimas, tornando-os nada além de lembranças do que uma vez foram. Excelente filme graças à presença do casal Redford-Streisand dirigidos pelo hábil Sidney Pollack.

       Sabe aquela trilha sonora que uma vez ouvida não sai mais da cabeça. Assim é a composição de Francis Lai para “Love Story- História de amor” de 1970, dirigido por Arthur Hiller com roteiro de Erich Segal. Este escreveu a história como roteiro de cinema, mas antes do lançamento do filme, publicou sua versão adaptada que se tornou um Best-seller. A história trazia Ryan O’Neal (então com 29 anos) e Ali MacCraw (então com 31 anos) como um jovem casal que enfrenta a diferença de classes sociais opostas. Apesar da pressão do pai de Oliver (O’Neal) vivido pelo veterano Ray Milland, o calvário vivido pelo casal é quando Jenny (MacGraw) descobre estar com leucemia. A popularidade do filme fez história e lhe deu o status de “filme de mulher” com sentimentalismo exacerbado e final lacrimoso que para muitos o torna por demais “piegas”. O sucesso de bilheteria gerou a sequência “A Historia de Oliver” (Oliver’s Story) em 1978, que claro traz a citada trilha que, apesar de ter seus admiradores e detratores, embalou muitos namoros na década de 70.

3 Dias para Matar

3 Dias para Matar (3 Days to Kill) França, 14. 117 min. Direção de McG. Com Kevin Costner, Haillee Steinfeld, Connie Nielsen, Amber Heard, Tomas Lemarquis, Richard Sammel,Bruno Ricci.

     Este é o filme que supostamente deveria trazer de volta ao estrelato Kevin Costner, depois do sucesso na teve com a série Hatfields e McCoy. Mas se esqueceram que é uma daquelas produções européias de Luc Besson (co produziu com muitos inclusive Christophe Lambert), das quais ele escreve sempre o roteiro. Umas poucas vão bem nos EUA (como foi o caso de Taken/Busca  Implacável, com Liam Neeson) mas são exceção. Os filmes de Besson são para consumo europeu , no Oriente  e depois no que existe ainda de filmes de ação. Os americanos em geral o ignoram como sucedeu com este que não rendeu mais do que 30 milhões o que não é tão ruim (custou 28 milhões de dólares). Tudo parece mais uma vez a má vontade que a critica tem contra o diretor McG. Desde suas Panteras, que se vinga tendo êxito na teve onde produziu os sucessos O.C.Um Estranho no Paraiso,  Chuck e Sobrenatural.

     Sem duvida, este é um filme B desde sua concepção onde a maior atração são suas locações em Paris (mas a maior parte em Belgrado, na Sérvia). Não sua historia muito banal. Costner faz um agente da CIA que tem pouco tempo de vida e resolve aproveitar a chance para ser aproximar da filha quase adulta, que mal conhece (no papel Hailee, esta melhor do que o papel lhe deu indicação ao Oscar em Bravura Indômita). Oferecem-lhe uma droga experimental, que pode salvar sua vida em troca de uma ultima missão. Você já sabe de que tipo de filme se trata, basta citar a piada mais freqüente: o celular da filha toca nas horas mais esdrúxulas quando ela esta batendo ou matando alguém!

     Naturalmente a narrativa é rápida,a direção de arte chique sem nenhuma tentativa de realismo mas o conceito do homem de família que trabalha como assassino profissional já é velho (Costner não tem culpa, esta discreto e com boa aparência, passivo como sempre). Desde que não seja tenha qualquer expectativa, é perfeitamente consumível pelo publico masculino (que vai apreciar Amber Heard, uma bela loira que esta sempre mudando de cara) e até dos filmes mais consumíveis do diretor.

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A Culpa é das Estrelas

A Culpa é das Estrelas ( The Fault is on Our Stars). EUA, 14.Direção de Josh Boone. Com Shailene Woodley, Ansel Elgort, Nat Wolff,  Laura Dern, Sam Tramell, Willem Dafoe, Lotte  Verbeek. Fox. 125 min.

     Havia uma grande expectativa por parte dos “young Adults” pela adaptação para o cinema deste Best-seller do autor John Green (conhecido também como vídeo blogger, com quase 2 milhões de seguidores) que poderia ser comparado como o “Love Story” desta geração (se referindo ao livro de Erich Segal dos anos 70). Ainda que de passagem se possa dizer que este é bem superior. 

      Foi tomado muito cuidado com a adaptação que me pareceu bem fiel e respeitosa e com as opções corretas. Evita-se o sentimentalismo, o excesso de clichês e se não foge do choro mas também não se força a barra. Este é o tipo do filme que devo comentar pouco para não revelar segredos ou detalhes que só irão estragar o prazer do filme. Obviamente Shaileene esta bem mais magra do em Divergente, já que faz uma estudante que sofre de uma doença grave (o tempo todo ela respira com a ajuda de oxigênio, com dois fios nas narinas) e que esta sendo forçada a fazer uma espécie de terapia de grupo, ou grupo de ajuda com outras pessoas que tem problemas de saúde semelhante. Com relutância,  ela deixa se aproximar um rapaz alto e presunçoso, o loirinho Ansel, que em Divergente faz o papel de irmão da heroína). Aos poucos, os dois vão se apaixonando e tendo a primeira relação sexual. As famílias observam tudo com ansiedade (Laura Dern, ótima como sempre faz a mãe e o pai é do rapaz de True Blood, SamTramell). Tem ainda Natt Wolff como amigo que faz as piadas e uma trama paralela que de certa maneira só existe para motivar uma viagem ao exterior muito fotogênica (a Amsterdam) e também uma visita tocante à casa onde viveu Anne Frank. Tudo porque a heroína Hazel é apaixonada por um livro e um autor , Van Houten (um mal humorado Dafoe) que depois de muito tempo recusa se corresponder e ainda mais se encontrar pessoalmente. Nesse meio tempo Hazel se envolveu com o colega Gus que já não tem parte de uma perna mas parece estar em remissão. Alto, loirinho, atrevido e bem humorado (sempre com um ar de pretensioso que o ator Ansel sabe fazer bem) ela acaba por conquistá-la. 

     Achei que o diretor Josh Boone foi uma escolha correta ate porque eu tinha gostado muito do que ele fez com o recente Ligados pelo Amor. De certa altura em diante, é praticamente impossível não se emocionar e chorar (mais ou menos, vai depender de cada um). Mas são lagrimas dignas, conquistadas pela sinceridade dos atores, da realização, sem apelações vulgares. Já que não deixa de ser curioso o sucesso de um filme que fala para jovens e contempla a inevitabilidade da morte.

Ref fim.

O Lobo Atrás da Porta

O Lobo Atrás da Porta Brasil, 2013. Direção e roteiro de Fernando Coimbra. Com Leandra Leal, Milhem Cortaz, Fabiula Nascimento, Juliano Cazarré, Isabelle Ribas, Tamara Taxman.

     Premiado em Havana, San Sebastian, Rio,Miami, este é um bom filme que parte de uma idéia interessante: é inspirado em fato real que teve muita repercussão ainda nos anos 60 apelidado de a Fera de Penha! Tão boa que deu origem a um filme hoje esquecido mas de qualidade que se chamou Crime de Amor (1965), foi dirigido por Rex Endsleigh  com Beyla Genauer no papel central, Joana Fomm ótima como a mãe (foi sua revelação) e o galã de televisão Carlos Alberto como o marido. Um filme tão raro hoje em dia que não existe nem registro no IMDB. 

      Mas existiu e era bem feito e felizmente aqui se optou por outra leitura mais contemporânea, mais adequada a figura de Leandra Leal, com ar de anjo e comportamento de demônio e um final mais aberto e cínico. De qualquer forma, a historia não envelhece. Leandra começa a ter um casinho com um homem casado e pai de filha (Milhem Cortaz) que ao perceber que se meteu com um problema, uma mulher ciumenta e difícil, vai se afastando. Mas ela esperta descobre onde ele mora e se infiltra na casa, se passando por sua mulher (Fabiula Nascimento mais uma vez se sai muito bem). Um primeiro longa digno de Fernando Coimbra.

Ref fim.

Uma Vida Comum

Uma Vida Comum (Still Life) EUA, 13. Direção de Uberto Pasolini. Eddie Marsan, Jane Froggatt, Karen Drury, Andrew Buchan, Neil D´Souza, David Shaw Parker.

     Premiado como melhor diretor (e outros menores) em Veneza), este filme que chegou a ser finalista na Mostra de São Paulo mas o júri errou deixando de lado esta pequena obra prima delicada, simples e que ficaria melhor com o titulo correto de Natureza Morta (já que o titulo original se refere a esse tipo de pintura). Não é certamente um candidato a grande sucesso de bilheteria mas é outra prova da qualidade do trabalho do produtor Conde Pasolini (parente sim de Pier Paolo, que trabalha concebendo projetos (como Ou tudo ou Nada/Full Monty), deixando outros dirigirem ou assumindo diretamente o comando.

     Aqui ele deu uma chance para o freqüente ator coadjuvante Eddie Marsan que tem um rosto marcante e triste, que é plenamente utilizado como um funcionário britânico de  um serviço que identifica pessoas que faleceram  sem deixar informações sobre parentes ou lembranças. Não é uma comédia e se deixa longe o humor negro. É um retrato muito simples,  muito humano  e nem um pouco sentimental sobre a discreta luta desde homem solitário cuja vida é jogar cinzas em jardins, procurar quase sempre em vão por parentes (que em geral não querem saber) e providenciar cerimônias religiosas. Tudo vai nessa rotina ate o dia em que descobre que esta sendo despedido depois de 22 anos de trabalho e pede alguns dias mais para ter tempo de encontrar os parentes de um certo  Billy Stoke. O filme ameaça fazer concessões mas não se engane porque não perde o rumo concluindo com uma imagem extremamente tocante.   Uma Pequena Jóia para ser descoberta.

Ref fim.