quinta-feira, 5 de março de 2015

Força Maior (Force Majeure)

Suécia, 14. Titulo Alternativo: Turist. 120 min. Direção de Robert Ostlund. Com Johannes Kuhnke, Lisa Loven Kongsli, Vincent e Clara Wettergren, Kristofer Jivju.

Este foi um dos filmes europeus mais celebrados do ano tendo sido indicado ao Globo de Ouro, Oscar® (ficou na pré lista mas não nos finalistas), prêmio do Um Certain Regard no Festival de Cannes, indicado para o Independent Spirit e como filme e direção para o European Film Award. E ganhou o premio local chamado Guldbagge de melhor fotografia, ator coadjuvante, roteiro e montagem. E mais 6 indicações. Também teve destaque na Mostra Internacional de São Paulo.

Curiosamente o diretor se inspirou para a história do filme que ele assistiu no YouTube e também numa interpretação por um acordeonista tocando Verão de Vivaldi  (que ele usa direto no filme). A montanha na cena final é Stelvio Pass, na Itália, que é considerada a melhor estrada de neve no mundo. Mas não contente com isso o diretor pediu para os atores que se inspirassem cenas vistas na Internet, como o choro do pai e a cena do ônibus com estudantes também é citação de um deles.

É a história de Thoma e Ebba, um casal sueco que vem passar as férias de inverno com seus dois filhos, nos Alpes Franceses, num hotel de luxo. Quando estão almoçando num restaurante que faz frente a uma região que está sendo detonada para evitar perigosas avalanches. De repente ela realmente jorra neve e dá a impressão de que vai matá-los. Enquanto a mãe protege as crianças, o pai porém foge assustado, sem pensar nos outros. Poderá ele ser perdoado...

Uma pena revelar a trama central (que não fica no fim do filme), mas não há como comentar o filme sem revelar a inusitada situação e deixar as pessoas interessadas num dilema muito humano. Nem todos são heróis, alguns são mais egoístas que outros. Não é uma história muito mostrada e se presta muito a debates e discussões em escolas e cursos. Afinal o que você faria numa situação dessas, ou melhor dizendo, o seu inconsciente te levaria a fazer o que?

Não acho um grande filme, mas é interessante e deve interessar sim um público adulto e que gosta de polêmica.

quarta-feira, 4 de março de 2015

118 Dias (Rosewater)


EUA, 14. 103 min. Direção de Jon Stewart. Com Gael Garcia Bernal, Kim Bodnia, Dimitri Leonidas, Shohreh Aghdashloo, Haluk Bilginer.

Não são todos que conhecem o americano Jon Stewart, que chegou a apresentar uma festa do Oscar (2006) sem maiores repercussões e recentemente largou depois de muitos anos o programa de televisão The Daily Show que fazia desde 1996, com grande ênfase no humor e sátira política. Não espere porém nada desse tom, já que ele fez um filme muito pessoal, kafkaniano, sobre um fato real, que havia sido registrado em livro do próprio Maziar Bahari,  hen They Came For Me: A Family's Story of Love, Captitivity and Survival /Então Eles  Vieram Atrás de Mim, A Historia de uma Família, de Amor, Prisão e Sobrvivência.

Muito politizado, Stewart embora judeu de família fez antes um filme muito interessante onde ele defendia a ideia e o seu direito de ser ateu. Por que isso é uma coisa tão feia e tão escondida quando os ateus são a maioria das minorias e seria uma ideia tão respeitável quanto as  outras. Aqui porém você não vai encontrar rastros de comicidade ou sátira. Feito em algum sistema digital de poucos recursos, ele chamou o ator mexicano Gael Garcia Bernal que virou pau para toda obra, que de iraniano não tem nenhuma aparência (eles são persas e não árabes como os outros). E o colocou como o herói jornalista que vive no Canadá, portanto tem a sorte de ter outra nacionalidade. Quando esta visitando a família (e como sua mãe aparece a conhecida  Shohreh Aghdashloo, que foi indicada ao Oscar® pelo filme Casa de Areia e Névoa, mais A Casa ao Lado, O Apedrejamento de Soraya, a serie 24 Horas, X Men, O Confronto Final etc. E ganhou o Emmy por House of Saddam,08 (infelizmente aqui não tem chance de brilhar).

Eu confesso que para mim é difícil assistir cenas de tortura. Mas o terror aqui é mais psicológico e menos explícito do que se podia pensar e já se viu. Os torturadores são mal informados, e patéticos e então a trajetória do herói na prisão. Acho meio ridículo eu cobrar maior realista e envolvimento na tortura! É doente demais e recusou fazer isso.

Basta dizer que 118 Dias mostra um lado pouco visto aqui em nossos cinemas comerciais. Qualquer ditadura, mas pior que todas as religiosas, sempre merecem ser condenadas e expurgadas.

Kingsman Serviço Secreto (Kingsman The Secret Service)

Inglaterra, 14. 129 min. Direção de Matthew Vaughan. Com Colin Firth, Taron Egerton, Samuel L. Jackson, Mark Strong, Jack Davenport, Mark Hamill, Sofia Boutella, Michael Caine.

Para competir com os filmes do Oscar® e os Tons de Cinza, os americanos colocaram justamente este filme britânico só conhecido por seu trailer divertido e movimentado. E deu certo: continua indo bem em sua terceira semana com 85 milhões de dólares nos EUA (para orçamento de 81!) e já 124 milhões no mercado externo. Nada mau para um filme que eu temi que esbarrasse num caso sério, a falta de memórias ou conhecimento das pessoas, mesmo quando se trata de satirizar basicamente as aventuras de James Bond.

O sucesso se deve sem dúvida ao diretor inglês Matthew Vaughan que foi produtor de Guy Ritchie (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, Snatch e filmes como o novo Quarteto Fantástico). Como diretor, estreou com Nem Tudo é o Que Parece (Layer Cake, 2004), com Daniel Craig, Stardust, o Mistério da Estrela, além de Kick-Ass I e II. Fez ainda X Men Primeira Classe e brigou com produtores largando vários filmes no começo (como Thor). É casado com a modelo Claudia Schiffer. Deixou Dias de um Futuro Esquecido para fazer este filme.

Inspirado num Comic Book homônimo de Mark Millar e Dave Gibbons, o filme teve problemas com censura na Inglaterra (reduziram a violência e Vietnã, tiraram a sequência da Igreja). Usando um figurino caprichado, com as melhores marcas de vestuário masculino, o filme é bem britânico (e por isso ajuda saber um pouco da cultura deles) e no fundo uma sátira ao seu estilo de vida e pensamento. É também o papel mais adequado recente para o ator Colin Firth (que faz oitenta por cento de seus stunts) e com a ambição de se tornar uma franquia!

Segundo o diretor é uma carta de amor não apenas a James Bond, mas a Caçadores da Arca Perdida, Ipcrss, Arquivo Confidencial (com Caine, que está aqui ), as séries O Homem da Uncle, The Prisoner, e Flint Perigo Supremo. E achei que acertou na escolha do jovem protagonista, Taron  Egerton (fez outros filmes mas não passaram aqui).

É interessante para curtir melhor o filme saber o que está escrito no Gentleman´s Guide, com as regras: um Cavalheiro nunca conta suas conquistas, assuntos privados, os seus negócios ou de qualquer outra pessoa; 2) não entra em conflito em público com inimigos nem usa roupas ou cores ou estilos fora de moda; 3) um cavalheiro está sempre a servir, abrir portas, pagar uma conta, ou chamar um taxi. Não pode recusar ajuda; 4) nunca reage com grosseria. Finge que não percebeu e age como não tivesse acontecido; 5) sempre está pronto para citar fatos interessantes, frases espertas, e trazer nas conversas o lado melhor de cada um; 6) faz sempre perguntas incisivas para manter a conversa viva, fazendo-a sentir que é a pessoa mais interessante que ele já encontrou mesmo que não seja verdade.

Basicamente a história é sobre essa super organização secreta de espiões Kingsman que recrutam um rapaz Eggsy sem classe mas promissor colocando-o no programa de treinamento da organização super competitivo. Para enfrentar outro gênio do mal. Já foi dito que o filme é o anti Bourne, recuperando a sofisticação e o humor de James Bond. Ou seja, voltam as geringonças, os truques, as mulheres bonitas, as piadas de duplo sentido, vilões megalomaníacos, ou seja, volta a ser divertido. “Fun” como dizem os americanos. Está certo em ser um tributo aos filmes de espiões, mas alguns podem achá-lo violento demais. Eu sugiro que experimente e se divirta.