sexta-feira, 8 de abril de 2016

A Senhora da Van (Lady in the Van)

Inglaterra, 15. 1h44 min. Direção de Nicholas Hytner . Roteiro de Alan Bennett baseado em peça de sua autoria, inspirada em fatos reais. Com Maggie Smith, Alex Jennings, Jim Broadbent, Clare Hammond, George Fenton,Dominic Cooper, James Corden, Frances de la Tour, Stephen Campbell Moore, Alan Bennett (na sequência final).

via muita expectativa em torno desta comédia dramática por causa da atual popularidade da genial atriz inglesa Maggie Smith, vencedora de 2 Oscars e presença forte na série que se encerra Downtown Abbey. Ela é um monumento de ironia, discrição e talento, que já demonstrou numa carreira de muito sucesso no cinema e teatro. Sendo este um dos raros papeis principais agora aos 81 anos. Infelizmente o filme só chegou a lhe dar indicação ao Globo de Ouro e ao BAFTA, mas ficou esquecido do Oscar. Em parte porque não é exatamente uma comédia, e o mau humor do personagem pode contaminar. O fato é que o roteiro do grande Alan Bennett é bem irregular e por vezes infeliz. Bennett escreveu As Loucuras do Rei George (indicado ao Oscar), Meu Reino por um Leitão (com Maggie), No Amor e na Guerra e o pouco visto Fazendo História (eles resolveram fazer uma brincadeira e colocaram todo o elenco sobrevivente da peça fazendo pequenas aparições gente como Dominic Cooper e James Corden, atual apresentador de sucesso na TV americana. Que brasileiro não vai perceber.
Ele mesmo faz uma aparição na cena final pedalando!). Outros erros que só confundem é colocar uma moça que faz a heroína Grace jovem que não se parece nada com Maggie e fazer com que o protagonista escritor teatral (que é inspirado em Bennett) fosse vivido pelo mesmo ator em dupla personalidade (o que só confunde, ele fica conversando consigo mesmo sem necessidade). Só serve para diluir as situações.

Maggie faz Miss Sheperd, uma velha excêntrica que vive num carro perua há alguns anos atrás (já que fica na mesma rua de bairro londrino cerca de 25 anos, quando praticamente todos os vizinhos e mesmo os assistentes sociais são bem pacientes com suas idiossincrasias). Na parte final revelam-se seus segredos mas nenhum dele é muito surpreendente e Maggie é apresentada sem qualquer glamour. É um papel que ela faz para valer, até com certa crueza. Faz o oposto da boa velhinha. Isso deve ter prejudicado o filme que mesmo assim chegou a render quase 6 milhões de bilheteria nos EUA.

Confesso porém que Maggie é um dos meus ídolos e seu trabalho aqui é dos mais sinceros e difíceis. Uma joia da Cultura britânica.

Rua Cloverfield 10 (10 Cloverfield Lane)

EUA, 16. 105 min. Direção de Dan Trachtenberg. Com John Goodman, Mary Elizabeth Winstead, John Gallagher Jr, voz de Bradley Cooper, Suzanne Cryer, Douglas Griffin. Roteiro de Josh Campbell, Matthew Stuedcken, Damien Chazelle. Produção de J.J. Abrams e mais 7 outros.

Em 2008 foi feito o filme Cloverfield: Monstro, de Jeff Nichols, produzido pelo hoje celebre J.J. Abrams que também foi rodado em segredo e lançado inesperadamente com certo sucesso (e que rendeu 80 milhões) apesar de não ser muito convincente. Abrahams resolveu repetir a dose com o mesmo nome, outro diretor estreante e a uma vaga relação com o anterior. Ao custo de 15 milhões de dólares (muito para um filme passado praticamente num único set) e até agora com renda de mais de 50 milhões! Não podia ser maior a popularidade do produtor Abrams depois do êxito de Star Wars: O Despertar da Força, do Star Trek (vem ai o novo Além da Escuridão) e Missão Impossível 3, as séries Alias, Lost, Fringe, Westworld. E felizmente o filme, sem ser nada excepcional é melhor que o anterior (que era sobre o ataque de um ET monstro que ataca a cidade de Nova York provocando desastres).

Agora é a história de uma moça que sai de casa num carro sem desconfiar de nada até que numa estrada deserta é trombada por um pequeno caminhão. Acorda dentro de um bunker, presa por correntes e aos poucos um senhor gordo (o sempre ótimo John Goodman) vai lhe contando que houve um problema e eles estão escondidos ali porque o ar fora está contaminado. A moça é a veterana mas ainda pouco conhecida Mary Scott Winstead, que parece Natalie Wood e esteve em Scott Pilgrim Contra o Mundo (10, como Ramona), Premonição 3, Smashed, A Prova de Morte, 07, filme menor de Tarantino, Duro de Matar: um Bom Dia para Morrer.

Lá dentro depois se descobre há um também um rapaz, mas que não diz muito a que veio, resultando numa figura passiva. O conflito basicamente é esse: será que houve mesmo uma invasão de Ets ou algum conflito violento e ficar no Bunk seria a única alternativa viável? A heroína não se convence. O público pode achar que ela esta certa ou totalmente errada? E a vida será o preço que vai pagar por sua teimosia. Ou não? Eis a questão...

Não chega a ser uma história nova e os fãs do gênero já descobriram tramas semelhantes. Mas prende a atenção e você vai querer saber qual é o final (só posso dizer que o considerei bem fraco!).