quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

As Aventuras de Robison Crusoé (The Wild Life)


Bélgica, França, 16. 91 min. Direção de Vincent Kesteloot e Ben Stassen.

Não é nenhuma obra-prima mas chega a ser uma boa surpresa tecnicamente. Boa animação, bela fotografia (o uso de luz, por exemplo, de fogueiras é muito bonita, também do oceano), simpático uso de animais, o que é ótimo para crianças inclusive uma arara que é bem do estilo brasileiro! Por outro lado, existem dois gatos safados e a morte de um animal que faz as crianças se aborrecerem e com toda razão.

Não sei se as crianças de hoje conhecem Robinson Crusoé, já que Disney nunca abordou o tema (mas existem, eu fui checar vários desenhos sobre o assunto assim como vários longas com atores, parece que o último inclusive o James Bond Pierce Brosnan). A história é contada em flashback pela arara chamada de Terça-Feira. Robison além de ruivo, ainda é bem jovem e está num navio que naufraga, ajudado da metade do filme em diante por uma série de outros bichos afáveis que vivem se metendo em confusões. Terça-Feira sonha em descobrir o mundo e depois de uma violenta tempestade encontra Crusoé se unem aos outros animais para tentarem escapar dali (há bastante ação!). Naturalmente há os dois gatos selvagens vilões...

Curiosamente o filme era originalmente um curta-metragem que passava em parques na Europa. O longa custou 13 milhões de orçamento e rendeu apenas 8 milhões nos EUA. Como já disse, tem um desenho bonito, cuidado com detalhes, cores vibrantes, uma trilha musical dinâmica e temos que admitir, a história tem pouco a ver com o original! Ou seja, não é Disney.

Ninguém Deseja a Noite (Nadie querie la Noche/Nobody Wants the Night)


Espanha, Bulgária, França, 2015. 104min. Direção de Isabel Coixet. Com Gabriel Byrne, Juliette Binoche, Rinko Kichuki, Matt Salinger. Roteiro de Miguel Barros.

Uma produção internacional cara contando fatos reais. Foi basicamente rodado em estúdio com apenas dez dias de locações geladas na Noruega. E se sustenta basicamente por causa da estrela francesa Binoche, nascida em 1964 (vencedora do Oscar), que narra a historia e ainda mantém um charme e beleza. O curioso é que depois de ser exibido no Festival de Berlim cortaram vinte minutos de projeção e acrescentaram justamente esse “voice over” de Binoche. Mas estranhamente tem um ar e provoca a sensação de “já visto”.

A diretora catalã Coixet é atualmente uma das raras mulheres diretoras espanholas a fazer carreira regular. Minha Vida sem Mim, A Vida Secreta das Palavras, Fatal são alguns deles tendo 30 créditos em sua carreira entre curtas, longas e documentários. Ganha o Gaudi de maquiagem mas impressionou mais no premio Goya, o maior da Espanha, levando os de trilha musical, figurino, maquiagem, direção de produção e Binoche foi apenas candidata finalista ao Prêmio. Foi, sem dúvida, um esforço de interpretação, deixando-se aparecer sem maquiagem, nem sempre. Pena que o filme nunca deslanche e lhe falte um final mais empolgante. Ainda assim, o público feminino pode se identificar com ele.

A história se passa inicialmente em 1908, na região gelada do Canadá, quando Josephine parte junto com uma expedição em busca do marido que havia partido numa outra excursão que pretendia chegar ao Polo Norte. Na verdade, o filme resultou decepcionante, mesmo com o personagem forte para Binoche, capaz de enfrentar os homens, lutando para ajudar uma mulher “inuit” que esta grávida, mais por outro lado puritana mandando as mulheres de cobrirem sua nudez. Tudo isso com frio, avalanche, gelo que se rompe... mas sem nunca se tornar o épico que pretendia. Não chegou a ser exibido nos EUA, se tornando um fracasso de bilheteria.