terça-feira, 3 de outubro de 2017

NA NETFLIX: Nossas Noites (Our Souls At Night)


EUA, 17. 103 Min. Direção de Ritesch Batra. Roteiro de Ken Haruf, Scott Neustadte. Com Robert Redford, Jane Fonda, Mathias Schroaenartes, Judy Greer, Ian Armitage, Bruce Dern, Phyllis Sommerville.

Lançamento recente estreado junto com os Estados Unidos e reunindo uma dupla de velhos amigos, Jane Fonda (1937-) e Robert Redford (1936-, aqui também produtor) que já haviam estado juntos antes em Caçada Humana (66), Descalços no Parque (67), O Cavaleiro Elétrico (79). O curioso é que a direção foi parar nas mãos de um diretor indiano que teve elogios da critica por causa de The Lunch Box (Idem, 13) e O Sentido do Fim (The Sense of an Ending, com Jim Broadbent, Charlotte Rampling). Nenhum deles deixou grande impressão por aqui nem mesmo com este drama delicado, obviamente indicado para pessoas de mais de 50, 60 anos, em particular mulheres. Ele optou por uma narrativa discreta e lenta, fugindo de tragédias ou lágrimas. De pouco impacto, mas bastante simpatia.

Na verdade, Redford é quem esta mais afável (Jane esta escondida através de um cabelão que não lhe cai bem, tentando dar a impressão de ser uma velha careta do interior). A história se passa em Holt, cidade fictícia, do Colorado, em que Addie, uma mulher já de idade faz uma visita ao vizinho, Louis. Ela perdeu o marido faz anos e vem uma proposta. Ambos vivem solitários em casas grandes com os respectivos filhos (Judy Greer e o excelente belga Matthias) que quase sempre os ignoram. Mas Addie sugere que ambos passem a dormir juntos na casa dela. Sem sexo, ao menos num primeiro momento (isso é levado tão a serio que esse lado poderia ter sido bem melhor desenvolvido!). Ele aceita, para escândalo geral da cidade (reparem que há uma aparição de amigo de Bruce Dern, que fez com Jane Amargo Regresso, 78). Naturalmente sucedem os pequenos conflitos da vida, o filho dela perde o emprego e deixa o netinho com ela, que naturalmente fica amigo do velho Redford. A filha dela sente-se abandonada. E são tantos os problemas que eventualmente eles têm que tomar uma decisão. Que não é a melhor, mas fica como aceitável.

Ou seja, o filme não conquistar prêmios nem conquistar grandes admiradores. Mas é uma história humana e fácil de ver. Mas que bem poderia ter mais “punch” (impacto).

NA NETFLIX: Jogo Perigoso (Gerald´s Game)


EUA, 2017. 1h43. Suspense. Direção de Mike Flanagan. História de Stephen King. Com Carla Gugino, Bruce Greenwood, Henry Thomas, Kate Siegel, Chiara Aurelia.

Não conhecia o diretor chamado Mike Flanagan (1978-). Parece curioso e lógico que ele tenha nascido na Cidade de Salem, famosa pelo julgamento das bruxas e que depois desde criança quis fazer filmes. Aos 21 anos começou com Makebelieve, 2000, Still Life, 2001, depois veio intervalo na televisão como diretor de fotografia. Mas logo voltou ao gênero em filmes, como o curta premiado Oculus, que depois virou um longa do mesmo nome. Em 2010, fez Absentia e Before I Wake, 15. Teve maior repercussão com Hush (16), que só passou na Netflix, o que levou justamente a adaptar o livro do mestre Stephen King, para esse serviço!

Não esperem demais do criador de “It” que aqui é transformado numa história de horror explícita, de uma forma até chocante. Que aos poucos vai envolvendo incesto, marido abusivo, eclipse solar, presenças estranhas e a violência que vai crescendo. Chega a ser bastante forte (justamente por ensinar mais uma vez como os homens podem agredir as mulheres, chegando as variantes de estupro!) e mesmo repulsivo quando a heroína Jessie (feita por Carla Gugino, já veterana de filmes como Sin City, A Falha de Santa Andreas, Olhos de Serpente de De Palma, na verdade tem 97 créditos). Ela vem de carro com o marido rico e mal-intencionado, que lhe preparou algemas. O mal humor começa quando ela dá Kobe Bife para o cachorro (porque essa carne é caríssima). Aos poucos e imediatamente ela vai se assustando, o marido vai ficando mais violento e começam lembranças e outros personagens misteriosos (um deles, vejam só, é logo o ex-garoto Henry Thomas ninguém menos do que o herói de Spielberg, em E.T.! Sim ele envelheceu mal e tem má aparência). Bom, logicamente que há um par de frases que são citações de King, e não é por causa disso que se achava que esta novela seria “infilmável”.

De qualquer forma, depois de uma morte, a história vai ficando cada vez mais complexa e violenta. Fiz uma pesquisa bastante grande sobre este trabalho de King (mais do que do diretor) e praticamente todas as reações dos profissionais são favoráveis. Não esqueça de reparar que o titulo original é O Jogo de Gerald, o protagonista). Já o leitor comum se dividiu e os críticos votantes não se entusiasmaram. Ou seja, é a velha polêmica que o mestre King sempre provoca.