quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Apenas um Garoto em Nova York (The Only Living Boy in New York)


Apenas um Garoto em Nova York (The Only Living Boy in New York)
EUA, 2017. 1h29min. Direção de Marc Webb. Roteiro de Allan Loeb. Com Callum Turner, Kate Beckinsale, Pierce Brosnan, Jeff Bridges, Cynthia Nixon, Kiersey Clemons, Tate Donovan, Wallace Shawn, Debi Mazar.

É apenas uma modesta mas simpática comedia romântica surpreendentemente dirigida por Marc Webb, com roteiro de Allan Loeb (Quebrando a Banca, O Espaço entre Nós, Esposa de Mentirinha, Coincidências do Amor). O estranho é que Webb já fez coisas muito mais importantes e de sucesso, como os dois Espetacular Homem Aranha, 500 Dias Com Ela e Um Laço de Amor (Gifted, com Chris Evans), outro filme modesto.

Difícil explicar essa mudança já que este é um filme que não tem absolutamente nada de extraordinário a não ser o elenco com gente famosa e um rapaz novo britânico chamado Callum Turner, que nem bonito é, imemorável em Assassin´s Creed, a minissérie Guerra e Paz, Victor Frankenstein, Os Borgias). Justamente a neutralidade dele é a principal razão por que não emplaca esta história sobre o rapaz Thomas Webb, filho de um editor de livros e de uma mulher culta, que acabou de formar de uma universidade. Ele deixa o apartamento chique dos pais e se muda para o Lower East Side, ficando amigo de um escritor alcoólatra (Bridges). Mas descobre que o pai tem um caso com uma mulher bonita e sedutora (a britânica Kate Beckinsale, que envelhece com charme e classe). Determinado a terminar o caso deles, procura conquistar a moça.

O roteiro de Loeb já estava nas prateleiras há mais de dez anos e cinco que Webb tentava produzi-lo. Conseguiu produzir um filme chique, mas imemorável. O título é extraído de um canção de Simon e Garfunkel e Olivia Wilde e Rosamund Pinke foram convidadas para o papel de Johanna.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Em Busca de Fellini (In Search of Fellini)


Em Busca de Fellini (In Search of Fellini)
EUA, 2017. 1h33 min. Direção de Taron Lexton. Roteiro de Nancy Cartwright, Peter Kjenaas. Com Maria Bello, Ksenia Scio, Mary Lynn Rajskub, Lorenzo Balducci, Andrea Osvart, Dan Van Husen, Victoria Clare, Rod Fielder.

Há pouco mais de um ano, quase dois, uma amiga estava decorando um restaurante aqui em São Paulo onde a motivação seria a obra de Fellini. Como eu tinha alguns posters de filmes do genial diretor italiano, tive prazer em lhe dispor esses cartazes. Foi quando veio visitar uma repórter de um grande jornal de São Paulo, que olhou os posters, o nome Fellini e comentou: “Ah, quer disse então que todo o restaurante será decorado com temas felinos, de gatos!”. Ela teve o cuidado de lhe explicar quem era Federico e sua importante na história do cinema.

Foi desde então que eu pedir qualquer ilusão a respeito da cultura e interesse atual de qualquer artista que tenha mais de cinco, tá bom, dez anos de carreira. Alguns resistentes como eu ainda mantém a admiração pelo genial diretor (e um belo exemplo disso foi o filme americano, Sob o Sol da Toscana, 03, com Diane Lane, dirigido por uma mulher desconhecida Audrey Wells, mas que conseguiu recriar o tom da Itália, do interior da Toscana, homenageando não apenas Fellini mas o grande diretor, Mario Monicelli, que pouco depois se suicidou).

Fellini foi muito cultuado recentemente inclusive pelo amigo Ettore Scola, por sinal em sua última aparição com Que Estranho Chamar-se Federico! (13). E outros existem, mas nenhum tão tolinho, tão incompetente e por vezes ridículo e mal informado como esta fitinha sobre uma garota tímida do Ohio Lucy (Ksenia) que aos 20 anos, continua ligada na mãe (Bello) e tem admiração pelo diretor. Mas tem a chance de fazer uma viagem à Itália, onde ilogicamente descobre o amor. É tão visível que o autor do filme é incompetente e ignorante que chama a viagem de bizarra e diversas vezes brinca fazendo piadinhas sobre seu estilo de cinema ou narrativa. Só merecia uma vaia (ao menos se deu ao trabalho de conseguir uma pontinha para uma verdadeira estrela de Fellini, uma das poucas vivas, que é a alemã Barbara Bouchet, ainda conservada por plásticas e que faz uma aparição como hostess enquanto havia sido a dançarina de Charity Meu Amor, de Fosse, 68, claro que inspirado em Fellini!).

Mas fica por aí o uso de imagens rápidas de filmes, de lugares turísticos da Europa, é tudo muito vago e soa muito falso com pseudo-substitutos (Nancy Cartwright como Cosima, passagem muda de Mariano Aprea como Fellini, Bruno Zanin que esteve em Amarcord. Todos puros figurantes sem a menor importância). Aliás, posso entender a boa intenção do diretor assim como sua incompetência em transcrever a obra de um artista com sua modesta capacidade. Para quem venera Fellini, o filme é uma patética ofensa.