terça-feira, 2 de janeiro de 2018
Jumanji: Bem-Vindo A Selva (Jumanji: Welcome To The Jungle)
Jumanji: Bem-Vindo A Selva (Jumanji: Welcome To The Jungle)
EUA, 2017. 1h59min. Direção de Jake Kasdan.Roteiro de Chris McKenna, Erik Sommers. Com Dwayne Johnson, Karen Gillan, Kevin Hart, Jack Black, Rhys Darby, Bobby Cannavale, Nick Jonas, Alex Wolff.
Imagino que muita gente assim como eu, ainda se lembra do primeiro Jumanji de 1995 baseado em livro de Van Alsburg (o nome de um brinquedo secreto que se manipulado libera monstros e animais) que era indicado para crianças e tinha a sorte de trazer no papel central o saudoso e sempre esperto Robin Williams e a então menina Kirsten Dunst (foi dirigido pelo especialista em efeitos e hoje esquecido Joe Johnston). Depois de tanto atraso a franquia é resgatada neste roteiro muito esquisito e discutível. Começa apresentando um grupo de quatro estudantes adolescentes com problemas típicos dos filmes americanos (entre eles, querendo se afirmar, demonstrar diferentes talentos) que de repente são transportados para uma terra desconhecida (na verdade a estilizada selva do Havaí!) onde tem que fugir de monstros e ir resgatar o que viria a ser a estátua de Jumanji. O muito esquisito e difícil de engolir é o fato de que aqueles teens são modificados, a desculpa seria de que são “avatares” deles, o que é completamente impossível de engolir. Por exemplo, uma garota tímida e c chata mais tarde ira confessar que é apaixonada por um colega, quando mal se conhecem ou se falam. Mas o mais esquisito é que o gordinho e simpático Jack Black é o avatar de uma garota linda e chata e pretensiosa (isso provoca algumas risadas bizarras, na verdade me custou a participar da cabine onde vi o filme, onde meus colegas de profissão pareciam morrer de rir, com piadinhas duvidosas, por exemplo a garota na pele de Black, que descobre que ele/ela tem um pênis e como usá-lo (o que no mínimo não é adequado para filme que deveria ser juvenil, aliás ele tem alguns palavrões desnecessários).
Como é de hábito, Dwayne ex The Rock tem meia dúzia de caras engraçadas e uma presença simpática, enquanto a turma corre e foge pelos diferentes perigos (efeitos especiais obviamente feitos com eficácia), até porque aparece mais um personagem (vá entender porque! Lógico acharam que estavam precisando de um cantor famoso para preencher a ação, no caso o muito discutível Nick Jonas (da família Jonas Brothers), que parece fadado a ter carreira curta. Se a mocinha escocesa Karen Gillan (foi Benula no Guardiões da Galáxia) é esforçada, o meu favorito ainda não é muito conhecido por aqui e não tem grandes momentos, mas é superstar na América, Kevin Hart (que faz o zoólogo Finbar).
Aproveita-se na trilha algumas canções pops famosas, até do Guns and Roses, a direção é de Kasdan, que é filho do roteirista e diretor Lawrence Kasdan, e que fez muita série de TV e trabalhou como produtor. Os filmes que conferi dele (Professora sem Classe, Sex Tape, Um Elenco do Barulho) nunca me convenceram. Ainda assim a lembrança do original e ausência de grandes aventuras para fazer face a Star Wars, pode ajudá-lo.
NA NETFLIX: Bright (Idem)
Bright (Idem)
EUA, 17. 1h57min. Direção de David Ayer. Roteiro de Max Landis, Com Will Smith, Joel Edgerton,Noomi Rapace, Edgar Ramirez, Lucy Fry, Veronica Ngo, Happy Anderson, Margaret Cho, Jay Hernandez, Dawn Olivieri. Em cartaz na Netflix.
Abrindo a página inicial do Netflix, você já foi encontrar uma overdose de capinhas com diferentes filmes e séries de TV com Will Smith! Passando daquelas que foram mais populares até os atuais malsucedidos filmes recentes do ator. Certamente celebrando o fato de que o astro apresenta agora uma superprodução da Netflix, que parece ter custado 90 milhões de dólares e foi massacrado pelos críticos norte-americanos.
O próprio diretor afirmou “que cortaram minha garganta”, reagindo seguido por um palavrão! Que o deixaram nocauteado. O que complica na verdade é o fato de que há outro projeto, uma continuação em andamento e a rejeição foi total e mundial! Não me parece algo tão fora do comum, quando você vai observar a carreira de Ayer. Que começou como roteirista de filmes de ação e só assumiu a direção com Tempos de Violência (Harsh Times, 05) um dos trabalhos menores de Christian Bale. Seguido de Os Reis da Rua (Street Kings, 08, com Keanu Reeves), Marcados para Morrer (End of Watch, 12, com Jake Gyllenhaal), Sabotagem (Sabotage com Arnold Schwarzenegger, 14), o não memorável Corações de Ferro (Fury, 14) com Brad Pitt, e ainda Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 16, já com Will Smith, Margot Robbie) o mais famoso! Seria injusto não mencionar seu melhor trabalho que foi o roteiro de Dia de Treinamento (Training Day, 01, que deu a Denzel Washington, um segundo Oscar). E o mais curioso é o fato dele ser um dos autores do script do primeiro e original Velozes e Furiosos, 2001.
Então não lhe falta experiência, o que torna mais difícil avaliar este equivoco internacional. Talvez simplesmente o projeto fosse ambicioso demais para o que é um roteiro confuso que já não deixa claro desde o começo que se passa num futuro (a gente deveria identificar isso porque aparece na casa do herói um bicho voador que viria a ser uma fadinha brutal que logo depois morre cruelmente e não se ouve falar mais dela. Não é bem a Sininho mas chega perto!).
Mas isso poderia ser o de menos consequência se eles tivessem ao menos conseguido criar uma maquiagem menos grotesca para o outro protagonista da história, justamente o que seria Orc (supomos vagamente porque o roteiro é confuso), que vivem com os americanos policiais de Los Angeles Ets monstruosos como o parceiro do protagonista Will (chamado aqui com o nome sofisticado de Daryl Ward). O papel de Nick Jacoby é feito por um hoje famoso ator australiano muito respeitado Joel Edgerton (Aliança do Crime, O Grande Gatsby) que está irreconhecível e infelizmente impossível de ter qualquer reação emocional, já que é a pior maquiagem que vimos nos últimos anos. Dali em diante a história só vai ficando ainda mais complicada e por vezes impossível de seguir. O próprio Will parece perdido quando surge uma Elf loira Leilah que está ali para gritar e fugir (desperdício da sueca Noomi). Que por sua vez é perseguida por uma cambada de bandidos misteriosos de outras tribos do Dark Lord e principalmente duas outras mulheres ainda mais deletérias...
Do meio para o fim, vai tudo ficando mais confuso e sem pé nem cabeça, ainda que insistam em revelar algumas tramas e até mesmo santificar alguns dos protagonistas para descobrirmos que eles também são mágicos! Pena que a esta altura o filme já se perdeu repleto de explosões e de uma deficiente direção de arte. Um lamentável equívoco.
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