quarta-feira, 4 de julho de 2018
Na Netflix: Distúrbio (Unsane)
Distúrbio (Unsane)
EUA, 2018. 1h38 min. Direção de Steven Soderbergh. Com Claire Foy, Matt Damon, Joshua Leonard, Amy Irving, Jay Pharaoh, June Temple, Sarah Stiles. Roteiro de James Greer e Jonathan Bernstein.
O diretor Soderbergh que não faz muito tempo resolveu se aposentar, achando que já tinha tudo o possível na sua carreira, mudou de ideia e comparece aqui com um filme tão experimental que não se deu sequer ao luxo de exibi-lo numa sala de cinema. O filme chamado Distúrbio chega nas diversas plataformas digitais em 19 de julho e é motivo para ele fazer uma nova experiência, que vem a ser uma história descrita como thriller de suspense entre ilusão e a realidade, só que filmada inteiramente com uma câmera caseira simplista mas que parece eficiente, a chamada iPhone 7 Plus, que é valorizada ao trazer como protagonista Claire Foy, uma recém descoberta da Netflix que foi na série The Crown (nas suas duas partes iniciais com a ainda jovem Rainha Elizabeth que lhe valeram vários prêmios).
Não vá pensando, porém, que se trata de um filme fácil, de suspense previsível e agradável em deglutir. Sem dúvida é um trabalho competente da bela Claire, quase sem maquiagem alguma que interpreta uma mulher atormentada pelo que pode ser uma forma de delírio, ou loucura (acredite que o filme não é uma diversão simplória, a própria divulgação afirma que é “uma experiência emocionante, claustrofóbica e instigante”. Ou seja, barra pesada, não é uma diversão agradável e passageira).
Distúrbio “conta a história de Sawyer Valentini (Claire Foy), que seria perseguida por um stalker virtual e que deixa sua cidade natal para escapar desse misterioso passado em busca de um novo emprego. Não cessando o problema, se afasta do trabalho e é voluntariamente internada em uma instituição mental e, com isso, confrontada por seu maior medo: é real ou apenas sua ilusão?”. Toda essa sequência longa no hospital não é de fácil assimilação, apesar do primeiro plano do filme ter dado a impressão de ser poético, não caia nessa. No elenco, temos participação pequena de Amy Irving, ex-Spielberg fazendo a mãe da heroína doente, Matt Damon tem uma rara aparição de amigo e outra que reconheci com dificuldade, a interessante Juno Temple (Batman, o Cavalheiro das Trevas Ressurge).
Se há uma moral da história é fazer tudo para você não vir a ser internado num hospital psiquiátrico ainda mais por sua própria vontade. As cenas onde fica encurralada são perturbadoras. A parte técnica funciona o problema sendo que será imitada com exagero de agora em diante.
segunda-feira, 2 de julho de 2018
Chappaquiddick
Chappaquiddick
EUA, 18. 101 min. Direção de John Curran. Roteiro de Taylor Allen, Taylor Logan. Estrelado pelo ator Australiano Jason Clarke (que faz Ted), Ed Helms, John Gaffigan, Kate Mara, Bruce Dern (como o patriarca Kennedy e fala apenas três frases), John Fiore, Olivia Thirlby, Gillian Gordon, Katie Henoch, Taylor Nichols.
Chappaquiddick é o esquisito nome de uma ilha de Massachusetts em 1969 onde ocorreu o dito ”acidente” com Ted Kennedy que matou sua companheira de carro e colega estrategista de campanha Mary Jo Kopechne. É também um dos casos mais absurdos dos muitos que sucederam para a família Kennedy, apenas um ano apenas depois da morte por atentado do irmão mais velho Robert Kennedy e outros tantos desde a morte do presidente John Kennedy.
Não sei dizer se o filme ira passar comercialmente no Brasil, não encontrei referências a respeito, talvez porque certamente há um número muito pequeno de pessoas que ainda se lembram do caso trágico mas também patético, que viria a acabar com os sonhos de Ted Kennedy que seria o herdeiro da polêmica e até certo ponto ilustre família. Mas era muito jovem quando fiquei sabendo do caso e da situação embaraçoso para todos da família e justamente por isso demorou tanto tempo para fazerem um filme biográfico (o pseudo acidente aconteceu em 18 de julho de 1969), tanto que teve um bom orçamento (34 milhões de dólares), mas uma renda pequena (a última que encontrei fala em 17 milhões). Até porque para os próprios norte-americanos é uma historia misteriosa, cheia de complicações (a maior delas todas é a seguinte, nunca se soube e não se mostra aqui como Ted Kennedy conseguiu escapar do carro que saiu da ponte e foi cair no riacho. Nem os investigadores, nem Ted, deram até hoje qualquer explicação (e aqui no filme isso também não apareceu apenas uma ceninha onde ele toma banho e tem uns flashs da moça tentando sair do carro que vai se enchendo de água, no papel está a conhecida Kate Mara, que é mais lembrada pela irmã mais bonita chamada Rooney Mara). Rodado no estado de Massachusetts, em Ipswich e Rockport.
É sem dúvida uma história intrigante que opta por uma fotografia que faz lembrar a época e as cores usadas pelas câmeras de cinema de então, com certo esforço em usar pessoas reais que viveram o evento. Mas muita coisa fundamental é deixada de lado (por exemplo, no “cottage” junto com Ted, haviam pelo menos três outros amigos deles não mencionados aqui). Embora os eventos tenham sucedido em pleno verão, a paisagem é amarelada, já no outono. O fato é que muita coisa não fica revelada e isso incomoda o espectador atual. Ainda que o diretor e equipe afirmem que estejam revelando o alcance que tinha qualquer governo para esconder os fatos e julgar o que lhes interessa talvez o que fique mais claro é a incompetência e fraqueza deste Kennedy - que era alcoólatra! E que chegou a dizer que a moça que estava dirigindo, mas tampouco ela nunca teve uma autópsia (e ainda assim conseguiu ser eleito como deputado). Ou seja, tudo foi manipulado pela família e o partido, que muito provavelmente também calaram a boca de outra família, a da moça afogada. Considero um erro grave colocar o ator australiano Jason no papel principal, já que mal se parece com o Kennedy (Jason fotografa bem gordo e de qualquer jeito não tem a fotogenia e presença de Edward, que assim fica por demais passivo). Também seria discutível o trabalho e escolha do diretor Curran que mesmo assim tem uma carreira razoável (fez Tentação/ We Don´t Live Here Anymore, 04 com Laura Dern e Mark Ruffalo, Despertar de uma Paixão, 06, The Painted Veil com Naomi Watts, Edward Norton, o inédito Tracks (13) com Adam Driver). Não o coloca como herói, nem como vilão! Nem por isso porém chega a pintar uma figura humana mais consistente. Ou sequer ficar próxima da verdade! Na verdade, minha cena favorita é no final do filme quando ele mente descaradamente e depois o público continuou apoiando-o e o mito Kennedy (ele ficará eleito por 4 legislaturas, mas não conseguira ser eleito como candidato a presidente). Embora fosse tudo evidente, o povo mais uma vez não acreditou e ficou burro e cego!
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