sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Corrente do Mal (It Follows)


EUA, 2014. 100 min. Direção e Roteiro de David Robert Mitchell. Com Maika Monroe, Keir Gilchrist, Olivia Luccardi, Loren Bass, Loren Bass, Carolette Phillips.

Faz tempo que estão anunciando este terror já meio antigo e barato (custo:  2 milhões de dólares) que rendeu 14 milhões mas tem tido repercussão boca-a-boca principalmente para o trabalho do jovem diretor (que chegou a ser relançado nos EUA e conseguiu que seu filme fosse exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes e ganhou o Festival de Austin, filme e roteiro,  Deauville, critica, Gérardmer, grande prêmio, Neuchatel (crítica e da juventude).

Na verdade o filme visivelmente barato tem algumas qualidades, dentre elas não o fraco elenco mas a condução do diretor que tem um gosto por planos gerais, câmera que persegue os atores e consegue bastante clima na sequencia clímax quando a heroína é perseguida por um fantasma  - jovem e barbudo - que só ela consegue enxergar. Quando ela mergulha na piscina, este joga objetos elétricos na água para ver se a eletrocuta. Os amigos, um namoradinho e duas colegas tentam ajudar.

Também a sequência inicial é diferente mostrando uma rua da decadente cidade de Detroit, num bairro suburbano de casas classe média e árvores de outono, a mocinha sai correndo de casa de salto alto anda em circula para entrar novamente e depois sair com o carro!  Dentre outras originalidades o filme não explica em que época transcorre a história, os objetos dão dicas contraditórias, é muito influenciado pelo seminal Uma Noite Alucinante, a concepção do filme recorrente de um pesadelo que o diretor teve sobre um predador que o perseguia todo custo. Basicamente isso é o filme, o assassino que não se explica que persegue também não se sabe porque até a morte... Ao menos é um terror diferente e que parece ter sido abraçado pelos fãs do gênero.

Dior e Eu (Dior and I)


França, 2014. 89 min. Documentário. Dirigido e escrito por Frederic Tcheng. Foto de Gilles Piquard, Tcheng. Música de Ha-yang Kim.

Faz pouco tempo que o cinema Francês despertou para os documentários sobre moda, que já era um velho hábito dos americanos, por causa do sucesso do filme sobre Yves Saint-Laurent, um documentário e depois dois longas de ficção (ambos de 2014, os três dando ênfase a sua vida homossexual). Parte desse atraso se deve ao fato de que na França não existe, como nos EUA, a pessoa pública, sendo famosa, podem biografar quem quiser no cinema ou em livro. Na França, a imprensa não pode nem comentar sobre a vida pessoal de uma estrela da moda ou cinema sob pensa de processo.

Mas um filme é sempre uma incrível arma promocional, não esqueçam que o nome da empresa, no caso Dior, é uma promoção fantástica para a marca, embora o verdadeiro Christian Dior (1905-57) tenha falecido aos 52 anos, há muito tempo atrás. Por curiosidade também desenhou figurinos para filmes como Quando a Mulher Erra, de De Sica, 53, O Silencio é de Ouro (47), René Clair, que era de época, e até Pavor nos Bastidores,  para Hitchcock e Marlene Dietrich, 50.

Este mais novo documentário que circulou por festivais (como no Rio, mas só foi premiado em Seattle) não tem qualquer fofoca e só vai interessar diretamente a quem trabalha com moda, ou se interessa por ela (o que já representa um enorme contingente de pessoas). Mesmo sendo um leigo no assunto, gostei de ver a narrativa atenta e estética engendrada pelo jovem Tcheng (parece de origem chinesa) que esteve também como montador de  Valentino: The Last Emperor (08), de Matt Tynauer e co-diretor de Diana Vreeland: The Eye has to Travell! (11). Aqui tudo começa quando um novo criador assume a Casa Dior, Raf Simons, que tem algumas semanas apenas para preparar o desfile da primavera de 2012. O filme ocasionalmente apresentava a voz de um locutor meio fúnebre que lê trechos da autobiografia do verdadeiro Dior (chegam a mostrar a casa de campo da família dele mas o filme não faz qualquer fofoca ou revela nada inesperado, apenas dá uma visão bastante expressiva do que é um atelier de alta costura. O mais fora do comum que sucede é quando um chefe costureira desaparece porque a chefe dela a mandou para Nova York para atender uma cliente que gasta uma fortuna nas compras na loja, portanto tinha que ser bem atendida!).

Então o filme vai interessar especialmente porque sem se interessa pelo funcionamento de um atelier, com funcionárias (há mais mulheres) simpáticas e atenciosas e que parecem saber tudo sobre costurar.

O astro Raf Simons nunca se explica ou se expõe, mas a gente acompanha o desfile esplendido realizado numa mansão em que as diversas paredes são decoradas com diferentes tipos de flores e orquídeas! No desfile vê-se muito rapidamente a incansável Sharon Stone, Marion Cottillard, Isabelle Huppert, Jennifer Lawrence.

Agradável e bem feito, porém não é um grande documentário, especialmente revelador.