França,
14. 107 min.Direção de Saul Dibb. Com Kristin Scott Thomas, Michelle
Williams, Margot Robbie,Ruth Wilson, Sam Riley, Alexandra Maria Lara,
Lambert Wilson, Matthias Schoenaerts. Produção dos Irmãos Weinstein.
A
história que gerou este filme é bem interessante. Sua autora se chama
Irène Némirovsky, era judia e quando morreu num campo de concentração
sua filha encontrou um monte de papeis que não quis ler para não
aumentar o sofrimento, pensando que eram diários. Isso ficou esquecido
durante quatro décadas, até quando por acaso mexeu no material e
descobriu que era um romance que sua mãe havia escrito mas infelizmente
não concluído. Resolveu procurar uma editora que lançou a obra que
acabou sendo um grande Best-seller (o final não muda muito porque é
interrompido num momento chave e resolvido com uma voice over,
ou seja, em off). Este filme tinha um preâmbulo onde aparecia justamente
a filha (vivida por Eileen Atkins). Mas resolveram cortar a sequência
porque acharam que iria confundir mais o espectador.
Agora a
história é narrada linearmente apenas um pouco na França (Marville, na
Lorraine) e mais na Bélgica (Hainaut, Virton, Brabant Wallon). O
interessante é que a produção conseguiu reunir um elenco que hoje é mais
famoso. É o caso de Margot Robbie (de O Lobo de Wall Street) que tem cena como camponesa de peruca morena. A inglesa Ruth Wilson hoje é conhecida pela série The Affair, fazendo uma camponesa que é casada com um rebelde que vira partisan (o ator Riley é conhecido por Control e Malévola).
A protagonista é a americana Michelle Williams (que já indicada a 3
Oscars) que não está nos seus melhores dias e como a mãe chata dela é um
desperdício da geralmente excelente Kristin Scott Thomas. Há ainda
outra presença forte que é a figura de Matthias Schoenaerts que é belga e
se tornou o galã europeu favorito do momento em filmes como Ferrugem e Osso, Longe Deste Insensato Mundo, Bullhead, Um Pouco de Caos e o atual A Garota Dinamarquesa.
O
diretor inglês Saul Dibb, que também escreveu o roteiro baseado no
livro autobiográfico descrito acima, dirigiu antes o bem sucedido Duquesa, 08, e o desconhecido Bullet Boy,
04. Embora feito no capricho, o filme não traz nada de novo que não
tenha sido contado em vários outros semelhantes, o romance entre uma
jovem francesa que vive numa casa confortável no interior com um oficial
alemão nazista (Matthias) que é bonitão, educado, gentil e cavalheiro. A
crítica ao relacionamento das jovens francesas com o invasor nazista é
de passagem porque também não há muito tempo para desenvolver o romance
central, embora na aldeia haja crise por causa de um rebelde e a ordem
de matar um nobre local (Lambert Wilson). Começa com a queda de Paris (e
tem aquela cena clássica dos fugitivos vindo por uma estrada quando são
atacados por aviões inimigos) e nem é bem justificado o dilema da
heroína, talvez em parte pelo dia infeliz de Michelle.
O nazista bonitão também toca piano e daí o titulo pretensioso mas não bem resolvido.