quinta-feira, 28 de setembro de 2017
Exodus - De Onde Eu Vim Não Existe Mais
Brasil, Alemanha, 2016. 105 min. Roteiro e direção de Hank Levine (produtor de Lixo Extraordinário e Praia do Futuro, entre outros). Produção de Fernando Sapelli e Fernando Meirelles. Com narração de Wagner Moura.
É um bom trabalho este novo filme de Levine, muito bem realizado e sempre oportuno. Pinta um retrato de dois anos das trágicas histórias de refugiados de diferentes partes do mundo que tiveram de deixar suas casas por diferentes motivos. São pessoas pobres e comuns, quase sempre mulheres sem destino, lamentando a família e os lares que perderam. Gente que se chama Napuli, Tarcha, Bruno, Dana, Nizar e Lahtow. O autor passa pela Alemanha, Sudão do Sul, Argélia, Congo, Mianmar, Cuba, Brasil e Alemanha.
"A pesquisa para o documentário Exodus”, conta Levine, “foi iniciada em 2008, quando fiz uma viagem ao continente africano, visitando o Senegal para fazer um registro sobre os senegaleses e outros africanos que estavam embarcando em barcos clandestinos. Com ajuda dos companheiros da produtora O2 e foi daí que nasceu o um documentário que abraça a dimensão global desse assunto”.
Sou especial apreciador deste filme porque fizemos pelo produtor Germano Pereira e eu, um documentário sobre o árabes que tiveram que fugir da destruição e perseguição do ISIS e outros lugares do mundo Árabe. Chamou-se Somos Todos Estrangeiros e tem pontos em comuns com esta obra. Passou ano passado na Mostra Internacional de São Paulo.
Levine nasceu na Alemanha e se mudou para o Brasil em 2000, onde trabalha como produtor e diretor. Coproduziu o filme Cidade de Deus (2002) e produziu Rosa Morena (2010), vencedor do prêmio de Melhor Longa de Ficção - Itamaraty da 34ª Mostra, e Praia do Futuro (2014). Também é produtor e codiretor do documentário Ginga (2006, 29ª Mostra).
Fantasma da Sicília (Sicilian Ghost Story)
Itália, França, Suiça, 16. 125 min. Direção de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza. Inspirado na história “Un cavaliere bianco” de Marco Mancassola. Com Julia Jedlikowska, Gaetano Fernandez, Corinne Musallari, Andrea Falzone, Federico Finocchiaro, Lorenzo Curcio, Vincenzo Amato, Sabine.
O cinema italiano infelizmente já não é mais o mesmo brilhantismo de antigamente mas os fãs como nós já ficamos felizes quando aparece ocasionais sucessos como este (apesar do elenco desconhecido e trama regional), que no entanto foi premiado no recente Festival de Sundance, feito por dupla de diretores que já tinham sido premiados na Semana da Crítica de Cannes com Salvo (que era baseado no sequestro em 1993, que durou 12 anos, de Giuseppe Di Matteo, levado pela Máfia e que ficou 779 dias prisioneiro). Só que usando como referencias os lendários contos dos Irmãos Grimm (como em Labirinto de Pan).
Neste filme Luna (Julia Judikowska) vai com Giuseppe (Gaetano Fernandez) na floresta depois da escola, admirada de vê-lo brincar com borboletas. A mãe Saveria (Sabine Timoteo) e sua melhor amiga Loredana (Corinne Musalian) percebem que há bandidos da Máfia vestidos de policiais. Não é preciso passar por todo o resumo, basta dizer que o filme tem um lado surpreendente poético, retomando o mito de Persefone, e um lago que lembra onde viveu Hades. Tudo isso para lembrar vocês que o filme se passa numa floresta no verão, muito bem fotografada, que mistura gêneros (comédia, romance, policial, fantasia). Ao mesmo tempo poético, mas também com toques dramáticos e até trágicos. Um filme sem dúvida muito especial que pode conquistar bom público.
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