terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

OSCAR 2018: Últimos Homens in Aleppo (Last Men in Aleppo)


Últimos Homens in Aleppo (Last Men in Aleppo)
Dinamarca, Síria,17. 1h44. Direção de Feras Facyad. Kareem Abeed, Soren Steen Jepersen.

Ganhou no Sundance (grande premio), Cinema Eye,Asia Pacific, Critic´s Choice, Barcelona, Edge Festival,Full Frame, Jihlava, Milleniu (5 premios), Ondas, Sarasota.

Vocês podem até dizer que isto já é história velha, que não interessa. Mas a verdade é que a situação na Síria hoje em dia é ainda pior do que há um ou dois anos atrás quando este filme indicado ao Oscar foi realizado. Mais ainda em Aleppo, a maior cidade da Síria, onde os ataques (agora também dos turcos) se tornaram ainda mais trágicos e letais. Mas ao mesmo tempo com tanta tragédia no mundo inteiro, a de lá já se tornou história antiga e portanto sem grande interesse. Se isso é possível numa cidade praticamente toda destruída, em grande parte por causa do Presidente Bashar Al-Assad que destruiu com bombas as estruturas e os residentes do lugar. E matou os que não fugiram ou queriam resistir. Ajudado pelos russos, no fim de 2016, os rebeldes que viviam em Aleppo, tentaram resistir em vão. Mas o filme não é exatamente sobre eles, mas sobre os chamados White Helmets (Capacetes Brancos), que são oficialmente da Defesa Civil Síria, e que tentam ajudar as vítimas das bombas e ataques (eles já foram mostrados em outro filme de 2016 no caso curta, chamado justamente de The White Helmets. Sua missão básica é procurar sobreviventes e cavar nos destroços. Um trabalho heroico, cruel, triste, com muitas vítimas sendo bebês. Este documentário longo superpremiado (apesar de suas boas intenções até agora diretor do filme está impedido de ir participar da festa do Oscar por causa das atitudes do atual presidente Trump!).

O filme se fixa basicamente em Kahled e Mahmoud Khaled que trabalham nos salvamentos. O primeiro é um líder natural e tem três filhas pequenas (sua intenção é tira-las vivas de Aleppo, mas tem medo de ser pior num campo de refugiados, os avós estão a salvo na Turquia mas não estão sabendo dos problemas deles). Não vão comparar com filmes americanos de Guerra, sua natureza é ser um pouco repetitivo, já que a tragédia da vida deles já é uma coisa cotidiana e aparentemente sem solução. Tem grande chance de sair vencedor do Oscar. Mas e daí, alguma coisa vai mudar?

OSCAR 2018: O Insulto (L´Insulte)


O Insulto (L´Insulte)
Líbano, 2017. 1h52min. Direção de Ziad Doueiri. Roteiro de Ziad e Joelle Touma. Com Adel Karam, Kamel El Basha, Camilla Salamaeh, Daiamand Bou Abboud, Rita Hayek, Talal Jurdi. Julia Kassar.

No último fim de semana o Hollwyood Reporter previu como o filme vencedor do Oscar de produção estrangeira este filme libanês que tem sido um sucesso de público no Reserva Cultural e acolhido como o melhor dos finalistas. Na verdade, além de ser superior aos colegas, o filme tem um impacto, uma direção precisa, atores do primeiro time e uma mensagem política atual e forte (que nos faz lembrar um pouco os bons tempos do cinema político de Costa-Gavras!). Fiquei ainda mais surpreso ao saber que o diretor Ziad (Líbano, 1963), também roteirista e diretor de fotografia, teve que fugir da Guerra Civil libanesa aos 18 anos e foi estudar nos EUA quando conseguiu ser assistente de câmera de Quentin Tarantino. Em filmes como Jackie Brown, Pulp Fiction e Cães de Aluguel. Em 1998, fez sucesso com o filme West Beyrouth, À Abri les enfants, 1998, premiado em Toronto e Cannes (e novamente sobre a Guerra Civil). Não me lembro de ter visto seu filme seguinte Lila Diz (04), sobre romance de casal de adolescentes (que passou em Sundance e ganhou prêmio em Gijon), seguido de O Atentado (12) sobre cirurgião árabe em Tel Aviv que descobre segredo da esposa por causo de atentado (2 prêmios em San Sebastian).

A verdade é que cansado de filmes frouxos e cansativos vindos na sua maior parte da Europa, mas também de nossa terra natal, fui impactado (e toda a plateia junto) com uma historia aparentemente singela que vai crescendo e se transformando num grande conflito político e social, que nem sempre somos capazes de compreender. A verdade é que tenho amigos libaneses e simpatia pelo país, e o filme revela detalhes e situações (como o massacre de toda uma cidade que plantava bananeiras) que desconhecia. O que me impressionou é como o roteiro é bem armado, vai provocando o conflito aos poucos entre os dois protagonistas, um Cristão (Abel, que fez também o talentoso Caramelo e E Agora Onde Vamos?, que parece um pouco o Paulo Cesar Pereio e carrega um pouco nas tintas, porque é o caminho mais lógico para seu personagem). E o outro o palestino Kamel El Basha (que faz Yasser e foi votado por seu trabalho como melhor ator no Festival de Veneza. Ele é reconhecido diretor, ator e escritor teatral). O conflito é aparentemente muito simples. Kamel está fazendo reforma em bairro, patrocinado por deputado (corrupto como muitos!) e Abel destrói um cano de água seguido por bate boca e insultos! Ambos têm mulheres (e a de Abel tem uma criança prematura) e o caso que era apenas um bate-boca vai se tornando um conflito religioso, social, político e finalmente humano.

Se formos restritos, apesar de gostar de várias soluções do roteiro - como surpresas no tribunal, com o advogado que sustenta o caso e a moça que chega para defender o palestino! - algumas soluções parecem um pouco forçadas demais. Mas tudo bem, porque os lances são tão envolventes e convincentes, a mensagem tão necessária que o filme se distingue dos rivais e provoca no espectador uma euforia. Que bom não ser dessas besteiras recentes e finalmente temos um filme que discute e nos comove.