Berenice Procura
Brasil, 17. 90 min. Direção de Allan Fiterman. Roteiro de Flávia Guimarães. Com Claudia Abreu, Vera Holtz, Eduardo Moscovis, Valentina Sampaio, Emilio Dantas, Leonardo Brício, Carol Marra, Gabi Katz, Ricardo Ferreira, Fabrício Assis, Alessandro Brandão, Caio Manhente como Thiago.
O diretor Allan Fiterman estudou cinema nos Estados Unidos (e chegou a co-dirigir um filme, Living the Young, por lá, com elenco misto, como Marília Pêra e Sean Young). Com Marília e Wilker fez também uma comédia já no Brasil (Embarque Imediato, 09), embora seja mais conhecido como diretor de séries e novelas da Globo como Ciranda de Pedra, Passione, Loucos por Elas, Cheias de Charme, Haja Coração. Desta vez retorna com um projeto mais ambicioso e especialmente bem realizado. Sou admirador de Claudia Abreu, que sempre acerta como aqui onde está sem maquiagem, mas sempre humana e delicada. Ela faz uma chofer de taxi, Berenice (é assim que faz a família sobreviver num apto do Rio, aparentemente Copacabana), desprezada pelo marido Domingos (Moscovis), que é um repórter pelo jeito free lancer com quem mantém uma relação agressiva. Eles têm um filho ainda adolescente, Thiago, que é desprezado pelo casal. Dividido em dois atos, o filme já começa numa praia onde uma criança pequena encontra uma mulher que parece estar morta. Só mais tarde se descobre que seria uma transgênero, na verdade bonita e charmosa, mas que foi assassinada, o que virá a ser a trama fundamental da história (até porque o menino Thiago é apaixonado por ela, não fisicamente, mas porque deseja se tornar igual e frequenta boates noturnas e shows musicais, especialmente bem encenados!). Enquanto isso, a situação vai se complicando com a ação de um jovem chamado Russo (Emilio) que rouba um colar e acaba tendo por isso um problema com a dona vigarista da boate (um papel ingrato em que a sempre notável Vera Holtz, se desincumbe com charme) e naturalmente colegas ciumentas.
Somente no segundo ato é que começa a ficar tudo mais claro tanto que a resolução do crime acaba sendo evidente demais. E também ao mesmo tempo parece apressado para liquidar uma situação que em antigos filmes italianos e europeus já foram exploradas. Mas deve haver público para este projeto. Fiterman no momento está trabalhando noutro projeto promissor, que é Pixinguinha, um Homem Carinhoso, biografia do grande músico que será vivido por Seu Jorge, reforçado por Taís Araujo e o grande Milton Gonçalves.