quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Escobar: A Traição (Loving Pablo)


Escobar: A Traição (Loving Pablo)
Espanha, 18. 2h03. Direção de Fernando Leon de Aranoa. Baseado em livro de Virginia Vallejo. Com Javier Bardem, Penelope Cruz, Peter Sasgaard, Julieta Restrepo, Pedro Calvo, Oscar Jaenada.

Estava previsto para estrear no Brasil em dezembro do ano passado esta versão espanhola da Saga do traficante colombiano, mas preferiram aproveitá-lo como filme de abertura de festivais importantes como o de San Sebastian (Espanha), Veneza, Toronto. Até porque é estrelado por um famoso casal, não apenas ambos vencedores do Oscar, mas como também casados na vida real. A reação da imprensa não foi muito positiva, curiosamente Penelope já tinha contracenado noutro filme com o personagem (que foi Blow, 21,como mulher de outro traficante feito por Johnny Depp).Embora o casal chegasse a ser indicado ao prêmio espanhol mais importante que é o Goya. O ator foi votado como preferido do público no prêmio Platinum. Para quem assistiu as séries de TV dos nossos brasileiros e Escobar Paraíso Proibido, me parece “já visto”.

A sinopse oficial fala de Virginia Vallejo, uma famosa jornalista de TV que é convidada para uma festa chique no rancho de Pablo, o homem mais rico da Colômbia. Os dois começam uma paixão apesar de saber que ele era um homem de família casado com Maria Victoria. Ele se torna famoso na década de oitenta, Pablo foi se tornando mais popular inclusive porque tentava ajudar a pobreza de Medellin (capital da Colômbia), abrindo uma carreira no Congresso do país, conseguindo criar um império do crime e espalhando sua droga nos EUA (o filme de Tom Cruise Feito na America também abordava parte desse assunto). O agente americano Shepard chama Virgínia para ajudar o presidente Belizário Betancur a acabar com ele. Um detalhe importante: o filme foi dirigido por Aranoa (de Madrid, 1968) que fez com Bardem o premiado Segunda feira ao Sol (02), o divertido Um Dia Perfeito (15), ou seja, tem uma grande reputação desde a estreia que foi em Segredos em Família, 96. Só acho estranha a escolha do título, sendo Escobar a Traição o nacional e o internacional o mais romântico e diria atraente, Loving Escobar!

Fora isso a primeira coisa que me fez estranhar é a maquiagem que colocaram na barriga de Javier que da a impressão de que ele esta grávido! Mas não demorou muito para perceber que na verdade Escobar/Javier é a figura secundária, ele se deixou enfiar, engordar, não lhe deram grandes discursos ou sequer uma caricatura. Somente na parte final lhe deixam um pouco grotesco! Logo se percebe que a estrela é mesmo Penelope, ou seja, Virginia, que tem as melhores frases, está coberta de jóias, de vestidos bem menos cafonas e bregas do que a verdadeira estava usando. O filme desde que engata é uma sucessão de cenas curtas e a aparências sem carisma do herói. Por outro lado, os americanos que desejam derrubá-lo tampouco sabem se sobressair ou convencer. Retorna tudo para a mulher fatal que como diz o titulo nacional, fará valer sua força... amores a parte. Alguém ainda tem dúvida que o filme é dela? E é justamente o que melhor acontece. Pode-se dizer que a esposa rouba o filme do próprio marido!

Nico, 1988


Nico, 1988
Itália, Bélgica, 2018. Direção de Susanna Michiarelli. Com Trine Dyrholm, John Gordon Sinclair, Anna Maria Martinica.

Duvido muito que haja grande público no Brasil para este documentário extremamente europeu, melhor dizendo ainda francês, que relembra uma modelo e cantora de voz pequena e vida curta, que teve morte trágica e já por causa disso se tornou uma figura lendária. Seu nome era Nicol, e nasceu em Cologne, Alemanha em 1938. Logo entrou para a célebre turma de Andy Warhol (lembrado este sim como artista plástico, diretor de filmes ousados e curiosos, de temática gay que marcariam época até hoje). Ela foi também membro do grupo chamado The Velvet Underground, uma banda de rock experimental (com John Cale) desde 1967 e com eles fez vários álbuns de rock. Foi também viciada em heroína e custou a se livrar do vício.

Mas soube aproveitar a vida apesar do final trágico e absurdo. Em 18 de julho de 1988, quando andava de bicicleta em Ibiza, na Espanha, teve um pequeno enfarte que a fez perder o controle provocando colapso e queda da bicicleta, batendo com a cabeça no chão. Tinha 49 anos de vida. E não foi a toa que sua imagem permaneceu (a voz monótona, a maquiagem excessiva que lhe deram a imagem posterior chamada de “Nico saída do túmulo”). Teve também uma vida movimentada, tendo um filho chamado Christian Paffgen, com o ator Alain Delon com quem teve um caso em 1962. Quem a apelidou de Nico foi o fotógrafo Herbert Tobias, em homenagem ao namorado Nikos Papataks. Além disso, estudou arte dramática no famoso Actor´s Studio de Lee Strasberg em 1960, na mesma turma que Marilyn Monroe. Foi modelo de Coco Chanel. Usava roupas negras e andava de moto. Foi Jim Morrison que a incentivou a fazer as próprias letras das canções tiradas de seus pesadelos. E fazia isso, cercada de velas num banheiro escuro. Dizia ter sido influenciada por Rainer Maria Rilke e Sylvia Plath. Teve longo romance (dez anos) com o diretor de cinema Philippe Garrel. Frase famosa dela: “Eu sou uma nihilista, por isso eu gosto de destruição. Para mim é a forma adequada religião desde que eu comecei a pensar”. Quem gosta do tema e do tipo de música, vai curtir muito o filme.