São poucos os escolhidos, mas em compensação são muitos os
desastres e erros de um dos piores anos que já participei. Dá para contar nos
dedos das mãos, os filmes realmente interessantes deste ano. Fora disso,
salvam-se alguns blockbusters (além de filme religiosos ou feitos apenas para
adolescentes). Será que é culpa destes tempos de presidentes descontrolados?
Pode ser, junto com as crises da própria Academia (comentada em outra parte) e
mesmo do cinema de arte europeu e oriental, que infelizmente já não tem o
brilho de antigamente. Prejudicado até mesmo pela crise dos erros dos grandes
blockbusters e dos poucos filmes realmente interessantes e divertidos. E
principalmente os que merecem finalmente o respeito.
1) É muito provável que o filme mais popular do ano venha a
ser Pantera Negra, por sua
originalidade, criatividade e principalmente finalmente o respeito a uma raça
que é desprezada pelo próprio Presidente americano. Além da direção de arte
criativa e ótimo elenco (não foge ao ridículo quando vejo colegas acharam que o
figurino é de escola de samba!
2) Ficou muito difícil para mim, apaixonado por música não
me entusiasmar com dois filmes espetaculares, emocionantes e que consolida uma dupla
notável de cantora e criadora, que restauraram e reinventaram um clássico
antigo, Nasce uma Estrela, Lady Gaga,
com a surpresa de ver como se tornou competente o três vezes indicado ao Oscar
o inesperado Bradley Cooper.
3) O impasse fica ainda mais grave quando volto a ver o Bohemian Rhapsody e gosto mais ainda da
obra de um grupo que mal conhecia (mea culpa), mas que resultou num grande
sucesso aqui no Brasil, consagrando um excelente ator Rami Malek. Fiquei cada
vez mais fã do brilhante Freddy Mercury.
4) Ainda dentre os musicais fiquei surpreso com a qualidade
e o acerto de O Retorno de Mary Poppins,
o melhor trabalho do diretor Rob Marshall. A Poppins original Julie Andrews não
quis fazer o papel central, mas deu chance para uma boa figura com outra
inglesa, Emily Blunt. Muito fiel ao original ainda que atualizado e
deliciosamente musical, traz figuras lendárias como Dick Van Dyke e Angela
Lansbury. E olhe que é muito difícil acertar um filme deste gênero!
5) Talvez não seja justo colocar na lista em quinto lugar um
filme que merece todos os elogios e confirma o talento e a garra do já veterano
Spike Lee. Que não tem medo de ser corajoso, de não fugir da luta e conseguiu o
seu melhor filme aqui com o brilhante e violento Infiltrado na Klan (BlackkKlansman),
um filme poderoso, satírico, sem medo. Incrível!
6) Dos filmes de ação, fantasia e humor eu fico com Homem-Formiga e a Vespa (Ant-Man and the Wasp), uma superaventura
inteligente e muito bem pesquisada, com o elenco certo que vai de Paul Rudd a
Evangeline Lily e mesmo Michelle Pfeiffer e Michael Peña.
7) Alguns filmes de prestígio certo ainda não estrearam, o
que impede que se possa ver melhor uma curiosidade feminina, que são dois
filmes de história antiga, A Favorita
(The Favourite) com Emma Stone,
Rachel Weisz, mas é Olivia Colman, veterana atriz britânica que tem mais chance
de roubar o parecido As Duas Rainhas
(Mary Queen of Scots, diretora
inglesa estreante, com duas atrizes interessantes Saoirse Ronan e Margot Robbie).
8) Quase cometia uma injustiça agora ao deixar de lado o
melhor filme recente de Steven Spielberg que foi O Jogador Número 1 (Ready
Player One), como dizia um filme de Sci-Fi, ação e aventura como há muito
tempo ele sonhava e acabava por não fazer.
9) Curioso como os filmes de terror são os que tem melhor
performance em média, ou seja, sempre um público fiel disposto a se assustar. É
um esforço para se ver todos eles, mas os meus dois favoritos este ano são Um Lugar Silencioso (A Quiet Place), dirigido por John
Krasinski com sua mulher Emily Blunt, e Hereditário
(de Ari Aster, com uma de minhas favoritas, Tony Colette).
10) Há outros filmes que não consegui ainda assistir como a
comédia política Vice (que os
norte-americanos têm achado brilhante), ou então vários filmes de ação muito
mal recebidos por lá (Venom, Gotti, muitos mais). Minha musa
Rosamund Pike tem um filme novo A
Private War. Isso demonstra que teremos ainda muito por ver e polemizar.


