segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

RETROSPECTIVA 2018: Melhores Filmes do Ano



São poucos os escolhidos, mas em compensação são muitos os desastres e erros de um dos piores anos que já participei. Dá para contar nos dedos das mãos, os filmes realmente interessantes deste ano. Fora disso, salvam-se alguns blockbusters (além de filme religiosos ou feitos apenas para adolescentes). Será que é culpa destes tempos de presidentes descontrolados? Pode ser, junto com as crises da própria Academia (comentada em outra parte) e mesmo do cinema de arte europeu e oriental, que infelizmente já não tem o brilho de antigamente. Prejudicado até mesmo pela crise dos erros dos grandes blockbusters e dos poucos filmes realmente interessantes e divertidos. E principalmente os que merecem finalmente o respeito.

1) É muito provável que o filme mais popular do ano venha a ser Pantera Negra, por sua originalidade, criatividade e principalmente finalmente o respeito a uma raça que é desprezada pelo próprio Presidente americano. Além da direção de arte criativa e ótimo elenco (não foge ao ridículo quando vejo colegas acharam que o figurino é de escola de samba!

2) Ficou muito difícil para mim, apaixonado por música não me entusiasmar com dois filmes espetaculares, emocionantes e que consolida uma dupla notável de cantora e criadora, que restauraram e reinventaram um clássico antigo, Nasce uma Estrela, Lady Gaga, com a surpresa de ver como se tornou competente o três vezes indicado ao Oscar o inesperado Bradley Cooper.

3) O impasse fica ainda mais grave quando volto a ver o Bohemian Rhapsody e gosto mais ainda da obra de um grupo que mal conhecia (mea culpa), mas que resultou num grande sucesso aqui no Brasil, consagrando um excelente ator Rami Malek. Fiquei cada vez mais fã do brilhante Freddy Mercury.

4) Ainda dentre os musicais fiquei surpreso com a qualidade e o acerto de O Retorno de Mary Poppins, o melhor trabalho do diretor Rob Marshall. A Poppins original Julie Andrews não quis fazer o papel central, mas deu chance para uma boa figura com outra inglesa, Emily Blunt. Muito fiel ao original ainda que atualizado e deliciosamente musical, traz figuras lendárias como Dick Van Dyke e Angela Lansbury. E olhe que é muito difícil acertar um filme deste gênero! 

5) Talvez não seja justo colocar na lista em quinto lugar um filme que merece todos os elogios e confirma o talento e a garra do já veterano Spike Lee. Que não tem medo de ser corajoso, de não fugir da luta e conseguiu o seu melhor filme aqui com o brilhante e violento Infiltrado na Klan (BlackkKlansman), um filme poderoso, satírico, sem medo. Incrível! 

6) Dos filmes de ação, fantasia e humor eu fico com Homem-Formiga e a Vespa (Ant-Man and the Wasp), uma superaventura inteligente e muito bem pesquisada, com o elenco certo que vai de Paul Rudd a Evangeline Lily e mesmo Michelle Pfeiffer e Michael Peña. 

7) Alguns filmes de prestígio certo ainda não estrearam, o que impede que se possa ver melhor uma curiosidade feminina, que são dois filmes de história antiga, A Favorita (The Favourite) com Emma Stone, Rachel Weisz, mas é Olivia Colman, veterana atriz britânica que tem mais chance de roubar o parecido As Duas Rainhas (Mary Queen of Scots, diretora inglesa estreante, com duas atrizes interessantes Saoirse Ronan e Margot Robbie).

8) Quase cometia uma injustiça agora ao deixar de lado o melhor filme recente de Steven Spielberg que foi O Jogador Número 1 (Ready Player One), como dizia um filme de Sci-Fi, ação e aventura como há muito tempo ele sonhava e acabava por não fazer. 

9) Curioso como os filmes de terror são os que tem melhor performance em média, ou seja, sempre um público fiel disposto a se assustar. É um esforço para se ver todos eles, mas os meus dois favoritos este ano são Um Lugar Silencioso (A Quiet Place), dirigido por John Krasinski com sua mulher Emily Blunt, e Hereditário (de Ari Aster, com uma de minhas favoritas, Tony Colette).

10) Há outros filmes que não consegui ainda assistir como a comédia política Vice (que os norte-americanos têm achado brilhante), ou então vários filmes de ação muito mal recebidos por lá (Venom, Gotti, muitos mais). Minha musa Rosamund Pike tem um filme novo A Private War. Isso demonstra que teremos ainda muito por ver e polemizar.

RETROSPECTIVA 2018: O Cinema Brasileiro num Ano Difícil



Bem que houve um romance entre o público brasileiro e os filmes nacionais. Boa vontade, boa bilheteria, atores e comediantes aplaudidos por eles ou mesmo algumas chanchadas que lembravam coisas antigas, mas que tinham seus consumidores. Eu tomei como rumo não falar mal à toa dos nacionais mais fracos ou que caiam demais na chanchada. Então, nesses casos, via e não escrevia a respeito. Mas com o passar do tempo fui ficando entusiasmado quando algumas pessoas vinham falar comigo na sala, afirmando que “nós gostamos do cinema brasileiro!”. E eu também.

Esse entusiasmo meu foi crescendo nos últimos anos desde quando fui para Gramado onde me tornei, junto com Marcos Santuário, a fazer a seleção dos longas-metragens, contente também porque os cineastas começaram a procurar o Festival acreditando em sua boa vontade e prestígio. Ingenuamente fizemos com cuidado Gramado 2018 na certeza de que seria um grande sucesso de bilheteria. Mas com a crise financeira, a falta de dinheiro, o medo da campanha eleitoral não foi bem assim. E o público deixou escapar, ou seja, de ver alguns filmes de muita qualidade. Por exemplo, o a vida do campeão mundial Eder Jofre, em Dez Segundos para Vencer, certamente o melhor filme de Boxe já feito no Brasil, com grandes interpretações (com o ótimo Osmar Prado, Daniel de Oliveira) tudo muito bem dirigido pelo já veterano José Alvarenga Jr. O público iria adorá-lo, ainda que tenhamos que esperar sua estreia um dia na TV Globo. 

A verdade é que não podemos culpar o povo que sempre gostou do cinema nacional colocar seu modesto dinheirinho para prestigiar essas vítimas do destino. Acreditem: a seleção de bons filmes hoje em dia é bem grande e deve continuar. Posso lembrar alguns filmes que o público deveria ver se tivesse a chance, como o encantador e adorável, Benzinho (em inglês, veja só, Loveling) com os grandes atores ainda não consagrados como deviam Otavio Muller, Adriana Esteves, e a protagonista Karine Teles. Outro filme que me impressionou muito foi A Voz do Silêncio de André Ristum que tem um notável domínio narrativo (e trouxe de volta a esplêndida Marieta Severo). Teve mais, comprovando a qualidade de um cinema que nem sequer teve ainda a sorte de voltar a ser descoberto. Tenho certeza que tudo irá recomeçar e dar certo.

sábado, 29 de dezembro de 2018

RETROSPECTIVA 2018: Os Grandes Desastres do Cinema



Todos os anos tenho feito um balanço pessoal sobre os filmes de má qualidade e fracasso de público. Mas desta vez vou me basear nas pesquisas norte-americanas (por isso nada de filmes europeus, até porque há pouco a defender nos filmes italianos e principalmente os franceses, este ano muito decepcionantes). O problema é o seguinte, não sei se foi por causa da Academia de Hollywood, sua atual crise e caos (provocado pelos escândalos e vergonhas), nunca vi tantos filmes caros renderem tão pouco (em todos sentidos). Mas a lista seguinte é assustadora e estranha. Sem ordem, mas autêntica.

Solo, a Star Wars Story (de Ron Howard), o primeiro filme da nova série a desapontar e cometer erros crassos começando pelo galãzinho Alen Enhereinch, protegido de Spielberg, outro que tem falhado muito. Howard assumiu o filme já adiantado porque antes foram despedidos dois novatos Phil Lord e Christopher Miller!!! Não era horrível apenas o mais fraco de uma série lendária.
Arranha Céu - Coragem Sem Limite (Skyscraper) com Dwayne Johnson, de Rawson Thurber. Todo mundo gosta de Mr. Dwayne, mas desta vez foram longe demais, uma aventura chinesa destrambelhada e ridícula.

Operação Red Sparrow (Red Sparrow), de Francis Lawrence, que quase destruiu a carreira da estrelinha Jennifer Lawrence (não são parentes). E olha que pouco antes também feito outro delírio intelectual que foi Mãe!.

Sete Dias em Entebbe (Seven days em Entebbe) do brasileiro José Padilha, uma velha história já feita antes algumas vezes mas nunca tão mal contada. Única coisa que valeu: a passagem musical de orquestra judaica!

Uma Dobra no Tempo (A Wrinkle in Time) de Ava DuVernay. Desastrosa aventura juvenil produzida por Opra Winfrey, sem pé nem cabeça. Uma lástima.

Círculo de Fogo, a Revolta (Pacific Rim), do desconhecido Steven S. DeKnight. Já foi o terceiro da trilogia, cada vez mais absurda e incendiária. Elenco de terceira categoria.

Hotel Artemis (Artemis Hotel), de Drew Pearce, com Jodie Foster e Jeff Goldblum. Este corre o risco de virar Cult, já que é altamente bizarro e delirante. Mas é para poucos.

O Quebra Nozes e os Quatro Reinos (The Nutcracker and the Four Realms), de Lasse Hallstrom e Joe Johnston. A Disney de vez em quando perde a cabeça e a noção. Desastrosa fantasia que deforma famosa dança do quebra nozes. Argh.

Desejo de Matar (Death Wish), sem Charles Bronson e com Bruce Willis o substituindo. Violento e péssimo como sempre, o diretor Eli Roth é dos piores de todos os tempos.

Doze Heróis (12 Strongs), de Nicolai Fuglsig. Alguém lembra disto? Não era tão horrível só descartável e desperdiçando o galã Chris Hemsworth!

Outros fracassos: Proud Mary, policial de suspense com a interessante Taraji Henson, completamente perdida. A Maldição da Casa Winchester parece que é terror, mas nem isso consegue ser, desperdício lamentável da grande Helen Mirren. Alfa (Alpha) aventura sobre animais pré-históricos dirigido por certo Albert Hughes. Dinheiro jogado fora. Crime em Happy Time (The Happy Time murders), lamentável comédia de humor negro e com certa violência, que foi a experiência dos antigos Muppets - que não fazem mais sucesso, então por isso criarem esta pseudo comédia para adultos. Estrelado por Melissa McCarthy que já foi não há muito tempo engraçada. E tem mais, inclusive filmes de ação e terror como um novo O Predador que foi um horror (francamente não consegui salvar em praticamente nada nesta continuação grosseira e violenta demais, isso sem maior necessidade). Aliás, a figura do próprio atual Predator (são mais do que um, incluindo alguns animais esquisitos) é das presenças mais feias e menos claras. Impliquei em primeiro lugar com a escolha para o galã central desse tal de modelinho Boyd Holdbrook, que é das coisas menos expressivas e neutras que o cinema já teve (ele esteve em Logan, mas foi como um dos agentes da série Narcos que deixou menos lembranças. Absolutamente incompetente como suspense ou ação.

E tem mais, como por exemplo, o filme de Clint Eastwood que contou um fato real, 15.17 Trem para Paris mostrando uma história real de soldados americanos em férias que agem como heróis impedindo ataque terrorista a trem! Fim de carreira para o lendário astro diretor! E No Olho do Furacão (The Hurricane Heist), pior filme da carreira do diretor Rob Cohen, ridículo em especial nas cenas do coração. E outros como Action Point, The Catcher Was a Spy, que nem chegaram a estrear aqui…

Como explicar esta terrível sucessão de catástrofes?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns)


O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns)

Se você é daqueles que não gostam de musicais, esqueça. Parta para outra. Mas não tenho qualquer pudor em assumir que desde criança sou fã do gênero, que frequentei os shows da Broadway durante anos para ver os espetáculos (e fui jurado durante alguns anos, das montagens nacionais). Mas esta continuação me pareceu ainda melhor do que o original de 1964 que revelou Julie Andrews (ela não está nesta versão porque não quis prejudicar sua sucessora também britânica, a igualmente talentosa Emily Blunt). Mas fiquei impressionado com esta versão assinada pelo especialista no gênero que é Rob Marshall (que fez o premiado Chicago, Nine, Caminhos da Floresta e o ainda em produção A Pequena Sereia). Que acertou em cheio na trilha musical (quem canta é o muito famoso nos EUA, Lin-Manuel Miranda, que fez Hamilton, aliás aqui numa presença muito simpática!). O que me impressionou é que é mais leve do que o original, só que as referências são ainda mais bem-sucedidas (lembram-se dos números musicais em animação dos estúdios Disney, pois ficaram muito melhor em espetaculares e agradáveis momentos de dança e humor). É sem dúvida o melhor filme de Marshall, além de ter escalado um lendário grupo de grandes figuras, começando com a inesquecível Angela Lansbury (1925, e um dos meus ídolos), a inesperada volta de Dick Van Dyke (1925, inacreditavelmente em forma), Meryl Streep, Julie Walters, Colin Firth de vilão, sem esquecer todo o elenco competente. A nova Mary, ou seja, Emily, é a perfeita herdeira do personagem num filme encantador e surpreendente. Não percam.