segunda-feira, 13 de maio de 2019

Doris Day: A Mais Querida das Estrelas de Hollywood



Foi preciso que passasse o tempo para se fazer justiça à Doris Day, uma das melhores comediantes que Hollywood já teve e também uma cantora de uma personalidade e talento inigualável. Que faleceu agora (1922-2019) para sempre ser inesquecível. Antigamente as pessoas confundiam o tipo de filme, comédia musical ou romântica, com o ator, se esquecendo de que em geral é muito mais difícil fazer humor ou bancar a heroína. Na época estava querendo mudar sua imagem de namoradinha da América. Doris nasceu em Cincinatti, Ohio, em 1922, descendente de alemães católicos foi famosa crooner de orquestra e casada duas vezes, antes de ser descoberta para o cinema. Isso mesmo, faltavam três anos para ela completar o centenário. A festa foi como sempre: os fãs fieis organizaram uma celebração na casa onde ela vivia com cachorros (é a paixão dela!), relembrando os amigos (Rock Hudson era seu favorito) e as comédias que estrelou (Confidencias a Meia Noite, Ardida como Pimenta). Foi quando Doris ficou com fama de puritana, porque nos filmes estava sempre com sua virgindade ameaçada. Fizeram até aquela piada, “conheci Doris antes dela virar/ virgem!”. Teve até um problema sério, descobriu que o marido era vigarista e um agente tinha lhe roubado todo o dinheiro. Ficou sem nada! Isso a obrigou a trabalhar por cinco anos numa série de TV. Mas seu sonho mesmo era cuidar de animais e viver tranquilamente. E cada vez que a gente ouve (cantando) ou assiste Doris (uma cena engraçada) dá mais ainda vontade de revê-la. Ninguém cantava tão bem e doce quanto ela!.

Biografia

Sua estreia no cinema foi em Romance em Alto Mar, que Betty Hutton não pode aceitar porque ficou grávida. Foi um grande risco para a Warner lançar como estrela num musical Classe A, uma cantora ainda desconhecida. Mas deu certo, sob a direção de Michael Curtiz, o mesmo de Casablanca, com coreografia não creditada de Busby Berkeley, o filme é uma agradável diversão romântica, onde faz parte romântico com Jack Carson e interpreta a canção que se tornaria sua marca registrada, It´s Magic e que chegou a ser indicada ao Oscar.

O sucesso foi tão grande que o estúdio resolveu insistir na fórmula e em Meus Sonhos te Pertencem lá estava ela de novo ao lado de Carson e cantando outras canções com sua voz macia e um pouco rouca (usar a canção My Dream is Yours). Mademoiselle Fifi também de 49, é novamente com Carson mas ao menos se dá ao luxo de trazer atores famosos em participações especiais... Vamos ver se você é capaz de reconhecer alguns deles: Gary Cooper, Joan Crawford, Danny Kaye, o presidente Ronald Reagan e sua então mulher Jane Wyman e até na cena final o astro Errol Flynn.

Isso já demonstra o status de estrela que imediatamente Doris conseguiu. Provar que era boa atriz já era outra coisa e isso só aconteceria anos depois em 55, quando na Metro ela estrelou um filme biografia, Amam-me ou Esquece-me, a vida da cantora Ruth Etting e seu romance com um gângster feito por James Cagney. Uma fita que lhe deu várias canções memoráveis, mas que se cometeu um erro, Doris deveria ter tido uma indicação ao Oscar por seu competente trabalho.
Foi, porém, na época de Um Amor de Professora, que o marido de Doris, Marty Melcher teve a ideia de se unir ao produtor Ross Hunter e dar uma reforma no visual da mulher. Aos 35 anos, ela ganhou vestidos super chiques do figurinista Jean Louis e formou parceria com um galã da moda, três anos mais novo que ela, Rock Hudson. O resultado todo mundo se lembra, Confidências a Meia Noite, uma das comédias sofisticadas mais queridas do cinema.

Foi quando Doris ficou com fama de puritana, porque nas fitas ela estava sempre com sua virgindade ameaçada. Fizeram até aquela piada, “eu conheci Doris antes dela virar virgem”. Mas Doris e Rock ficaram amigos na vida real e foi ao lado dela que ele fez sua última aparição antes de morrer de Aids. Formavam uma dupla perfeita, ele brincalhão, conquistador, ela recatada, irônica. De vez em quando Doris até cantava um pouco, mas era só para dar mais condimento ao molho. A dupla fez três fitas juntos, Confidências, Volta meu Amor e Não me Mandem Flores. Mas deviam ter trabalhado mais juntos, aquele tipo de química é raro aparecer.... Mesmo sem Rock, Doris prosseguiu carreira, chegou a estrela um último musical, o super espetáculo Jumbo, mas já era fotografada com lentes especiais com filtro para disfarçar a idade... Teve até um problema sério, descobriu que o marido era vigarista e um agente tinha lhe roubado todo o dinheiro. Isso a obrigou a trabalhar por cinco anos numa série de TV. Mas seu sonho mesmo era cuidar de animais e viver tranquilamente em Carmel, onde até hoje residiu, aposentada e escondida.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

O Mau Exemplo de Cameron Post (The Miseducation of Cameron Post)


O Mau Exemplo de Cameron Post (The Miseducation of Cameron Post)
EUA, 2018. 91 min. Direção de Desiree Alchaain. Com Chloe Grace Moretz, Steven Hauck, Quinn Shephard, Kerry Butler, Dalton Harrod, McCabe Slye, Sasha Lane, Jennifer Ehle.

A diretora novaiorquina Chloe e amiga de Desiree também atriz e diretora (fora este filme que passou em Sundance, ela fez apenas o curta Nose Job, The Slope, o primeiro longa The Appropriate Behavior, este mau exemplo). Houve um forte esforço para promover o filme com possibilidades para Oscar e tornar mais famosa a loirinha sem graça e neutra, Chloe, que em 1993, trabalhava numa banda mas depois foi pressionada pela família (mal se fala ou a vemos, sendo que a adolescente é forçada a se esconder numa escola que exige que vá se educar!). Na verdade, a história é totalmente mal contada, porque nem se vê direito os fatos reais, quando a Chloe é flagrada transando com o melhor amigo em pleno baile de formatura (isso não é apresentado nem aprofundado!). Forçada então a ficar no centro, religioso, conhece outras colegas, também com problemas semelhantes, forçadas a fazer tratamento. O filme é decepcionante (a atriz central Chloe, já veterana, continua inexpressiva e neutra, não provoca qualquer emoção nem mesmo quando começa a beijar as meninas colegas). Chloe é de Atlanta George, 1997, e nunca chegou a convencer em outros filmes tendo 67 créditos (quase todos neutros, já que faz uma figura neutra !!). A melhor figura é sua professora na escola liderada pela charmosa Jennifer Ehle. Mas já houve outros filmes com mesma história e melhor resultado.

Vidas Duplas (Doubles Vies)


Vidas Duplas (Doubles Vies)
França, 2018. 1h48 min, Paris. Direção e Roteiro de Olivier Assayas. Com Guillaume Canet, Juliet Binoche, Vincent Macaigne, Christa Theré, Nora Hamzawi, Pascal Greggory.

Um elenco estrelar interessante ajuda muito a manter o interesse deste discutível romance (com poucas pretensões a comédia). Embora o diretor Assayas tenha uma bela carreira, roteiros interessantes e parceria com a dupla central, a vencedora do Oscar Binoche e o também famoso Caunet (que foi marido de Diane Kruger e parceira de Marion Cotillard). Passa-se no mundo editorial de Paris quando estão em crise um casal especialista nisso, com problemas com a crise de meia idade, a mudança da indústria, e suas esposas. O filme não teve boa repercussão nem na Europa, aonde os personagens foram considerados petulantes e sem humor, com excesso de conversas, momentos intelectuais e muitos monólogos!

Assayaas inspirou-se no trabalho de Eric Rohmer procurando retomar o seu estilo, rodando tudo em Super 16 mm. Segundo ele, na França ainda se conseguem fazer este tipo de filme intelectualizado. Ele também cita o filme como o de Woody Allen, que Assayas aprecia, também como autor de muitos diálogos. O título original do filme foi E-Book! Quando começou a escrever o roteiro no começo dos anos 2000, justamente sobre editores. E também aproveitando os seus fiéis e colegas.