Dias 8,9, 12 de
novembro na Temporada Clássicos das salas Cinemark
Bonnie e Clyde, Uma Rajada de
Balas (Bonnie and Clyde)
Sinopse: Biografia romanceada da vida de
Clyde (Champion) Barrow (1909- 1943) e Bonnie - Elizabeth - Parker (1910-34) que
durante a Depressão americana assaltavam bancos e se tornaram gângsters,
formando uma pequena quadrilha.
Comentários: A seleção de filmes do Cinemark
melhora ainda mais, trazendo agora verdadeiros clássicos do cinema que há não
muito não reprisados nem mesmo na TV. É o caso deste filme antológico da Warner
que quebrou barreiras (em particular na forma narrativa e no uso da violência
no cinema, inclusive na incrível sequência do tiroteio final em câmera lenta,
ainda insuperado). Ele realmente provocou uma revolução no cinema de Hollywood,
quando o crítico mais importante do New York Times, fez não apenas uma critica
desfavorável, mas duas! O jornal ficou tão furioso que acusando-o de estar
afastado do cinema atual e incapaz de ver a mudança da sociedade naqueles ano
tão polêmicos da Guerra do Vietnã, o despediu! Caso único no maior jornal do
mundo!
Bonnie & Clyde (o subtítulo nacional nunca foi
usado direito e sempre ridicularizado) ganhou apenas os Oscars de fotografia e
atriz coadjuvante (Estelle Parsons). Foi porém indicado para filme, ator,atriz,
coadjuvantes (Gene e Pollard), direção, roteiro e figurino. Foi indicado a 7
Globos de Ouro e não levou nenhum. O vencedor foi o anti-racista No Calor da Noite, com Rod Steiger com
melhor ator e Kate Hepburn como atriz por Adivinhe
Quem Vem para Jantar.
O filme
respeita a lenda, como dizia John Ford, e não necessariamente a realidade (a
verdadeira Bonnie tinha um metro e cinquenta, era poetisa talentosa e um
primeiro marido). Foi a primeira produção do jovem galã Warren Beatty, irmão de
Shirley MacLaine e futuramente bem sucedido diretor, produtor e astro (levou
Oscar® por Reds). Ele pôs as mãos
num roteiro de uma dupla de jornalistas da revista masculina Esquire, Robert
Benton (que se tornaria premiado diretor e roteiro de Kramer versus Kramer, 79 e novamente roteiro por Um lugar no Coração, 95. Também
escreveu o célebre Superman, o Filme,
78) e seu parceiro, David Newman (1937-2003), também seria indicado ao Oscar®
por Bonnie e Clyde, faria outros
roteiros (Ninho de Cobras, Esta Pequena é uma Parada), mas o único
filme que dirigiu nem chegou a ser distribuído. Quem ajudou no script foi o
hoje ainda célebre Robert Towne que dirigiu Conspiração Tequila e outros 3 filmes e fez roteiros famosos (como Chinatown, que lhe deu o Oscar®, Missão Impossível 1 e 2, Shampoo). Para a
direção Beatty afirma ter convidado George Stevens, William Wyler, Karel Reisz,
John Schlesinger, Brian G.Hutton, Sydney Pollack.
A outra grande
novidade foi chamar para a direção um diretor de teatro, da turma do Actor´s
Studio, Arthur Penn (1922-2010), que tinha feito antes apenas o curioso Um de Nos Morrerá, com Paul Newman, 58,
depois o talentoso O Milagre de Annie
Sullivan que deu Oscar para Anne Bancroft, o intelectualizado mas
interessante Mickey One com Warren
Beatty, 65, Caçada Humana com Jane
Fonda e Marlon Brando, 66. Este Bonnie
& Clyde foi sua obra-prima (ficaram inesquecíveis para mim, as imagens
da gente pobre da época da Depressão mostradas diante do deserto e o vento. Só
isso já basta como comentário sobre sua situação). Porém nunca voltou a acertar
em cheio, apesar de ter feito o bom O
Pequeno Grande Homem com Faye Dunaway e Dustin Hoffman, 70. E o hippie Deixem-nos Viver (Alice´s Restaurant,69).
Ao menos, o
filme não envelheceu com sua bela fotografia (premiada com o Oscar®, ganhou
ainda de atriz coadjuvante para Estelle Parsons, ainda viva continua a fazer
Broadway). O roteiro é excepcional (e foi antes oferecido aos franceses
François Truffaut e Jean-Luc Godard que
sensatamente os recusaram). Ainda assim sente-se a influência da Nouvelle Vague,
na narrativa, com cortes abruptos e mudanças de tom. Outra influência assumida
pelo diretor foi a de Akira Kurosawa, de Os
Sete Samurais no uso de câmera lenta. Mas foi Beatty que pela primeira vez
produziu iniciando uma grande carreira que culminou com o Prêmio “Irving
Thalberg” no Oscar® (2000). Lançou como estrela Faye (Natalie Wood, Jane Fonda -
que nega isso, dizendo que não passou no teste e Tuesday Weld recusaram o papel.
Testaram também Carol Lynley, Jean Hale, Sue Lyon, Ann Margret, Julie
Christie). Também foi a
estreia no cinema de Gene Wilder, Estelle Parsons e o primeiro personagem
marcante de Gene Hackman.
Bastidores: Os
personagens de Eugene Grizzard e Velma Davis (Gene Wilder e Evans Evans) são
inspirados em Dillard Darby e Sophia
Stone de Ruston, Louisiana. Na noite de 27 de abril de 1933, eles foram brevemente sequestrados pela
quadrilha de Barrow. E foram liberados depois, sem violência. Num diálogo,
quando fica sabendo que ele é agente funerário, Bonnie Parker comenta,
"Bem, quem sabe um dia você cuidará de mim!”. E um ano depois aconteceu
justamente isso.
Mais um filme que desconheço,quer dizer,conheço de nome.
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