quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven)


EUA, 2016. 134 min. Inspirado em filme Os Sete Samurais de Kurosawa. Direção: Antoine Fuqua. Com Denzel Washington, Chris Watt, Ethan Hawke, Vincent D´Onofrio, Bying -hun Lee, Manuel Garcia Rulfo, Martin Sensmeier, Haley Bennett, Peter Sasgaard, Matt Bomer, Luke Grimes, Cam Gigandet.

Na verdade, a história dos Sete Homens é mais complicada do que você pensa . Para começar a série é inspirada e alguns dizem até copiada de um épico japonês chamado Os Sete Samurais, 54, de Akira Kurosawa, originalmente de 3 horas e 27 minutos (por isso raramente foi visto em edição completa, mas sim editada). Foi indicado a 2 Oscars (direção de arte e figurino) raridade naquela época onde o Japão ainda era visto como o inimigo na segunda Guerra Mundial (basta dizer que Rashomon ,de 1950 do mesmo diretor, foi o primeiro grande filme japonês distribuído em festivais e no resto do mundo)

Kurosawa fez uma pesquisa completa e descobriu que os samurais (guerreiros de aluguel) realmente se ofereciam para serem guardiões de casas ou terras, em troca de dinheiro (foi a primeira vez que se descobriu isso e se usou para cinema e cada um dos heróis foi inspirado em figuras verdadeiras). Foi um sucesso mundial e revelou também o ator Toshiro Mifune, favorito do diretor e desde então o maior astro e ídolo do Japão. O sucesso acabou provocando uma versão norte-americana, como Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, 1960), dirigido por John Sturges (1910-92), cineasta de prestígio especialmente em ação em filmes como Fugindo do Inferno (com Steve McQueen, 63), Conspiração do Silêncio (com Spencer Tracy, 55), que lhe deu sua única indicação ao Oscar, e o faroeste Sem Lei e Sem Alma (com Burt Lancaster e Kirk Douglas, 57), entre outros.

Um detalhe importante: o filme original Sete Homens e um Destino é considerado o primeiro filme de ação moderno, usando fotografia e elementos narrativos – como a câmera lenta e um herói relutante, até então inéditos. Só Kurosawa uniu antes esses temas num só filme. Mas Sturges também o primeiro onde ele usou câmeras múltiplas para ajudá-lo na montagem. Um detalhe: quando estreou dividiu a crítica e só com o passar do tempo é que virou um clássico super imitado com continuações. Kurosawa gostou tanto que chegou a mandar uma espada de samurai como presente para o diretor (o filme foi indicado apenas a um Oscar, o de trilha musical de Elmer Bernstein, que durante anos foi também o tema musical dos comerciais do cigarro Marlboro. O charme maior desta refilmagem é o fato de que no final utilizam novamente esse original!). Os personagens aqui foram inspirados em personagens de Os Samurais e na época o extremamente popular Yul Brynner (Oscar por O Rei e Eu, e famoso por ser careca, o primeiro astro de Hollywood a fazer isso, raspar toda a cabeça. Ele usa no filme uma roupa inteiramente negra, inclusive no chapéu que se tornaria sua marca registrada. Nesta refilmagem Denzel também usa esse mesmo figurino negro ainda que com menor efeito). Foi Brynner quem fez questão de chamar para o elenco Steve McQueen, que depois se tornaria um astro de enorme sucesso, para irritação dele, que percebeu que este iria roubar o filme. É notável também o fato de que quase todos os atores escalados depois se tornariam famosos com uma única exceção, Brad Dexter. Foi Yul também quem teve a ideia do filme e levou o projeto para o produtor Walter Mirisch (que fez a série Pantera Cor de Rosa, o premiado com Oscar No Calor da Noite) que levou o projeto adiante e que ainda assina esta versão (nascido em 1921, ele ainda esta vivo!).

Os Sete foram alem de Yul como Chris Adams, o líder, Charles Bronson como Bernardo, sempre caladão, James Coburn como Britt, depois se tornaria astro da serie Flint e vencedor do Oscar e no filme é especialista como atirador de facas. Robert Vaughn (1932 o único ainda vivo, como Lee. Que ficaria famoso depois no papel titulo de O Agente da UNCLE na televisão). O alemão que faz Chico é Horst Bucholz que faria filmes como Cupido é Moleque Teimoso de Billy Wilder, Fanny e Nove Horas para a Eternidade. Há mais um ator com papel central, que é Eli Wallach, que faz o vilão e inimigo maior do punhado de pistoleiros. Não há equivalente a ele nesta versão.

O original foi rodado no México em Cuernavaca, Cidade do México, Bevispe e Morelos. Embora não tenha sido grande sucesso nos EUA, o filme estourou na Europa e Oriente, o que provocou continuações, Isso levou a quatro continuações .Que são A Volta dos Sete Homens, 66, de Burt Kennedy ainda com Yul Brynner (mas não os outros), A Revolta dos Sete Homens, 69, com George Kennedy, direção de Paul Wendkos,  A Fúria dos Sete Homens, 72 com Lee Van Cleef, direção de George McCowan. Houve ainda uma série de TV homônima de 98 a 2000, com Michael Biehn, Eric Close.

Para quem como eu fui criado vendo faroestes de altíssima qualidade vai se assustar a perceber que o filme não tem a elegância, a qualidade de imagem e ação, os travellings suntuosos de trabalhos de gênios como John Ford, Sergio Leone, Howard Hawks ou Sam Peckinpah. Isso no principio me incomodou muito, quando se percebe que o diretor não tem estilo ou entende do gênero. Mas no transcorrer da história, vai melhorando bastante até conseguir resultar num faroeste inferior e banal mas ainda assim movimentado e que prende a atenção (Denzel nunca fez nada do gênero antes e bigodudo custa a dominar o filme). Os coadjuvantes não tem presença marcante (o coreano Bying junto com Ethan Hawke estariam fumando ópio para diminuir a tensão, mas isso não fica claro). E a locação na Louisiana /Baton Rouge precisou reconstruir os locais para torná-los mais ou menos convincentes. A figura mais forte e a do vilão dono da mina e da cidade, feito por Peter Sasgaard de uma forma que quase cai na caricatura. Emagreceu muito, faz cara de drogado e parece mais doente que malvado. O filme não é apresentado como um remake (refilmagem), mas como um reimaginação da história com personagens diferentes do original (é bom lembrar que na versão original os cowboys são contratados por camponeses mexicanos muito pobres e os ajudam nem tanto pelo dinheiro mas para corrigir a injustiça!).

O brasileiro Wagner Moura ia fazer o papel do mexicano Vasquez, mas saiu do elenco possivelmente por causa da série da Netflix Narcos e foi substituído por Manuel Rufo. Esta foi última trilha do compositor James Horner, que teve morte acidental, mas havia composto com antecedência já toda a trilha para o filme porque era amigo do diretor.

O novo Sete Homens e um Destino foi dirigido por Antoine Fuqua (que é negro e amigo do astro do filme Denzel Washington com quem fez Atirador, Dia de Treinamento). O segundo papel, Chisholm, é de Chris Pratt (Jurassic World), seguido por Ethan Hawke (também de Dia de Treinamento), mas o resto do elenco não é muito famoso como Vincent D´Onofrio (série Lei e Ordem, Crimes Premeditados), Matt Bomer (morre logo, da TV White Collar), Cam Gigandet, Burlesque, mal o reconhecemos).

Apesar de tantas restrições este western menor ao menos na metade final é muito movimentado, quando se concentra no massacre espetacular (não excessivamente violento). Não sei se entrará para a história como os originais, duvido muito. Mas francamente podia ser muito pior.

2 comentários:

  1. Fuqua fez O Protetor com Denzel - não Atirador. E como assim Vincent D'Onofrio não é famoso? Conhecemos ele desde Full Metal Jacket do Kubrick!!!

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