segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Stonewall, Onde o Orgulho Começou (Stonewall)
EUA, 15. 129 min. Direção de Roland Emmerich. Com Jeremy Irvine, Jonathan Rhys Meyers, Ron Perlman, Caleb L. Jones ,Joey King, Johnny Beauchamp, Caleb Landry Jones, David Cubbitt. O roteiro é de John Robin Baitz (que escreveu O Articulador com Pacino, The Substance of Fire e morou anos no Brasil!).
Este não é primeiro filme sobre Stonewall, o lendário bar do Village nova-iorquino na Christopher Street, onde começou em 28 de junho de 69 a reação dos homossexuais que resistiram a pedradas durante 3 dias contra os policiais que queriam fechar o lugar e prende-los. Um ponto de partida fundamental para todo o movimento gay no mundo todo (o bar ate hoje existe e pode ser visitado). Curiosamente este filme mesmo modesto (custou 13,5 milhões de dólares e foi um fracasso absurdo de bilheteria, não passando de 186 mil de renda!). Difícil explicar porquê. Talvez a antipatia pelo diretor alemão Emmerich (que é mais conhecido pelos blockbusters como Independence Day) ou a reação negativa da comunidade (ainda mais difícil de explicar porque) que detonaram com o filme. Que não é nenhuma maravilha, mas não me pareceu mau intencionado.
Houve outras versões sobre o tema. Em 1995, teve a versão homônima mas “ficcionalizada” de Nigel Finch, que registrou basicamente a mesma coisa que aqui, só com mais modéstia. E erros (situou a revolta em 65 e foi em 69!). E depois disso, um documentário seminal chamado After Stonewall, de John Scagliotti, de 99. Há uma lenda de que a luta em Stonewall teria começado justamente no dia em que morreu o maior ídolo gay que era Judy Garland, e que de certa forma, isso teria feito estourar a paciência dos homossexuais que a veneravam.
Se tem omissões, ou falhas, acha que não é todo mundo que conhece a história real e sua importância no movimento LBG. É repleta de clichês mas normalmente o cinema de Hollywood é assim e não tem coragem de defender minorias com a firmeza daqui. O filme tem participação especial de alguns famosos ingleses (Jonathan Rhys Davis que fez a série do rei Henrique VIII e o papel central é de outro jovem inglês Jonathan Irvine, revelado por Spielberg em War Horse). Por outro lado, o filme é discreto em nudez (quase nenhuma), cenas de sexo (não mostrada nada), uso de drogas (raro), caindo em certos clichês. Como começar com o herói bonitinho que é forçado a sair de casa quando descobrem sua sexualidade fazendo amigos com os mais variados gays que eram obrigados a dormirem juntos num mesmo quarto e por vezes na rua, ou se prostituírem para sobreviverem.
Se o filme, repetimos, não é uma obra de arte, é muito importante e mesmo heroica a história que conta, a coragem de enfrentar a policia e o moralismo bisonho daquelas pessoas (sempre com hipocrisia).
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